Volume 3
PRÓLOGO: A manhã seguinte
Como as pessoas reagem quando algo inesperado acontece?
Com certeza varia de pessoa para pessoa. Alguém pode ficar paralisado e não conseguir dizer nada; outro pode gritar. Depois, há o tipo de pessoa que começa a tagarelar e não consegue parar. Deve haver todo tipo de gente.
Mas quem era eu? Eu supunha ser do tipo que ficava paralisado e lutava para reagir. Mesmo quando ouvi Nanami-san e suas amigas naquele dia fatídico, tudo o que pude fazer foi ficar ali parado e escutar. Era o que eu pensava enquanto olhava para o rosto de Nanami-san enquanto ela dormia.
Para que não haja confusão, não dormi com ela e nem nada disso.
Dormi na sala e acabei de entrar no quarto para acordá-la. Pelo visto, Nanami já estava acordada, mas demorava mais do que o normal para despertar, talvez por causa de toda a agitação de ontem. Por isso, me designaram a tarefa de acordá-la. Mas como ela reagiria ao despertar? A ideia me assustava, mas eu também sentia certa curiosidade.
— Mnngh... Hein?
Enquanto eu ainda me perguntava, Nanami-san soltou um suspiro adorável e abriu os olhos lentamente. Parecia que ela tinha acordado antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Era estranho, na verdade, que ela despertasse bem no momento em que eu pensava no quanto gostaria de vê-la. As pálpebras de Nanami começaram a se abrir e congelaram no meio do caminho.
— Bom dia, Nanami-san. — eu disse.
Ao me ver, Nanami-san interrompeu todos os seus movimentos e ficou imóvel. Então, após um longo momento de silêncio, finalmente soltou um confuso "Hein?". Pelo que parecia, ela era do mesmo tipo que eu: tinha ficado paralisada, sem saber o que dizer.
Aparentemente, seu cérebro ainda não tinha processado a situação. Com os olhos fixos nos meus, ela permaneceu envolta em seus cobertores e não se moveu nem um centímetro. Era quase como se imitasse a postura de um jogo parado.
Com as mãos ainda segurando a manta, Nanami-san sentou-se lentamente sem deixar de cobrir o corpo. Estava com frio? Ela olhou ao redor, da esquerda para a direita, e depois, inclinando a cabeça, retribuiu o olhar.
— Onde estou?
— No escritório da sua casa. — respondi.
Parecia que ela ainda estava meio dormindo e confusa por não ter acordado em seu próprio quarto. Sentei-me ao lado dela para tranquilizá-la e esperei que dissesse algo mais.
— Por que estou dormindo aqui? Ontem à noite você ficou para dormir na nossa casa, certo? Íamos conversar antes de deitar, mas não me lembro... Espere.
De repente, seus olhos se arregalaram.
— Onde você dormiu?
Aparentemente, ela tinha esquecido completamente o que acontecera na noite anterior. Bem, o quanto eu deveria contar? Sendo ela, acho que deveria contar tudo.
— Você não se lembra, Nanami-san? Ontem, você...
Com isso, procedi a explicar o que havia ocorrido naquela noite. Nanami-san ficou vermelha imediatamente e voltou a se enfiar no futon como se quisesse se esconder. Formou um "bolinho no vapor" com ela mesma como recheio.
— Ah não... Eu realmente fiz isso? Que vergonha.
Ela colocou a cabeça para fora dos lençóis e se transformou em uma tartaruga. Depois tirou as mãos e começou a esfregar os olhos como um gato. De bolinho a tartaruga, para gato... sua evolução não tinha limites!

Com Nanami já acordada, decidi me deitar ao lado dela. Acomodei-me para que ficássemos na altura dos olhos e a observei enquanto ela continuava tímida.
— Você realmente não lembra do que fez?
— Não, não lembro. Espere, mais ou menos me lembro. Talvez.
Ao ouvir isso, senti meu coração disparar. Então ela lembra de algo. Espere, ela não lembra do que eu fiz, certo? Não pode ser. Ela estava dormindo, então não poderia ter percebido. Tenho certeza de que não tenho com o que me preocupar.
Meu sentimento de culpa diante da possibilidade de ter feito algo errado estava aumentando.
Devo contar agora? Deveria dizer que a beijei na testa? Haha, quem dera. Não consigo fazer isso, mas também sinto que talvez devesse. O que eu deveria fazer?
Enquanto eu estava ali deitado, confuso, Nanami-san sussurrou suavemente:
— Entendo. Então acho que não chegamos a conversar, né? Sinto muito.
— Por favor, não se desculpe. Você não tinha controle sobre isso. Digo, quem poderia imaginar?
Quem iria imaginar que uma Nanami-san bêbada invadiria o quarto, especialmente vestida daquela forma? Eu merecia um tapinha nas costas pela minha habilidade de manter a cabeça fria e me conter durante toda a situação. Quer dizer, eu a tinha beijado na testa, mas com certeza isso ainda contava como contenção.
— Hmm, seria legal se você ficasse para dormir hoje também — disse Nanami-san.
— Você sabe que isso não vai funcionar. Todo mundo estava aqui ontem, foi uma situação especial. Além disso, não posso incomodar tantas noites seguidas.
— Droga. Acho que você tem razão. Ugh, por que acabei pegando no sono? Queria falar com você sobre o que achou do encontro, para onde queria ir no próximo e coisas assim.
Ela provavelmente pediu para conversar sabendo perfeitamente que não seria assim, mas, a julgar pelo tom de tristeza em sua voz, seu arrependimento era totalmente sincero.
Fazendo um biquinho, Nanami-san levantou-se e espreguiçou-se bocejando. Foi então que a manta que a cobria perdeu a batalha contra a gravidade e deslizou. Ainda deitado, segui o movimento com o olhar e a vi olhar para si mesma e ficar paralisada. Sim, não é que eu tivesse a intenção de olhar, mas a vista daquele ângulo era realmente outra coisa. Uma descoberta e tanto.
— Por que estou vestida assim?! — gritou, recolhendo rapidamente a manta caída para se esconder — Não é de admirar que eu tava com frio...
— Você entrou usando isso. Não lembra?
— Sério? Eu fiz algo estranho? Não disse nada bizarro, disse
Em vez de se preocupar com os próprios atos, por que ela não se preocupava que eu tivesse feito algo estranho com ela? Poderia interpretar isso como um sinal de que ela confiava em mim? Nanami-san segurou a cabeça com as mãos, tentando desesperadamente recordar suas próprias ações.
— Está tudo bem, nada…
Comecei, mas me vi incapaz de continuar. Não tinha acontecido nada no sentido de cruzar a linha, mas ela tinha tocado meu abdome.
— Não aconteceu nada. — disse finalmente.
— Seu rosto diz o contrário.
— Não, não, não. Você só tocou um pouco no meu abdome. É basicamente como se nada tivesse acontecido.
— Perdão?! Não lembro disso de jeito nenhum! Lembra... Lembra, Nanami. — murmurou.
Ela voltou a segurar a cabeça e a gemer, embora desta vez não parecesse se importar que a manta deslizasse, pois estava desesperada demais para lembrar do ocorrido. Levantei-me e estendi a mão para ela, olhando-a de soslaio.
— Vamos indo então, Nanami-san?
— Acho que sim — disse ela.
Olhou para a minha mão e, como se estivesse se rendendo, desviou o olhar e baixou a cabeça. Quando voltou a olhar para cima, finalmente pegou minha mão e levantou-se lentamente.
— Ugh, estou com mais sono do que o normal.
Então, com passos inseguros, Nanami começou a caminhar. Achei que ela soltaria minha mão ao ficar de pé, mas não soltou. Não parecia que fosse me soltar tão cedo. Suponho que isso funcione. Seus passos estão um pouco instáveis, então provavelmente devo caminhar com ela caso ela se machuque.
— Consegue caminhar, Nanami-san? Está bem?
— Me sinto um pouco tonta. É ressaca? Sei que não se deve beber até os vinte, mas acho que não quero beber nem depois disso se for assim.
Nanami-san apoiou-se levemente em mim. Caminhei devagar, garantindo que ela não caísse. O corpo dela estava quente por ter acabado de sair da cama, e senti minhas bochechas esquentarem. Então é assim que ela fica depois de comer bombons de uísque, hein? As pessoas costumam ficar tão mal assim? Eu também nunca tinha bebido álcool, então não podia ter certeza, mas se fosse assim, eu também não queria beber.
— Ei, Yoshin, pode me levar nas costas?
— Não. Estamos prestes a descer as escadas. Aqui, eu te seguro enquanto você tenta caminhar.
— Droga.
As escadas já eram perigosas por si só, mas levá-la nas costas com um traje tão curto era perigoso de outra maneira. Nanami-san tinha percebido? Não, provavelmente não. Ela parecia não estar pensando com clareza ainda.
Finalmente, chegamos à sala. Saya-chan, a irmã mais nova, e Genichiro-san, o pai dela, estavam cozinhando juntos. Suas duas amigas, Otofuke-san e Kamoenai-san, estavam ajudando.
— Bom dia! — chamou Nanami-san.
— Bom dia, Nanami. — respondeu Genichiro-san — Dormiu be-Nanami?!
O pai de Nanami ficou tão surpreso que não conseguiu terminar o cumprimento. Ao lado dele, Otofuke-san e Kamoenai-san trocaram olhares de culpa. Saya-chan, por sua vez, parecia vagamente divertida.
— Ah, oi, papai — disse Nanami-san — Você chegou tarde em casa ontem à noite? Sabe que não deveria beber demais.
— Uh, não, eu não bebi tanto. Espere um momento! Não é isso que estou tentando dizer.
Genichiro-san apontou um dedo trêmulo para o traje de Nanami-san. Pelo visto, ele não tinha notado que ela estava segurando a minha mão. Então, ele se virou lentamente e desviou o olhar para mim. Olhei de volta, diretamente em seus olhos. Eles brilhavam levemente, como se tentasse me perguntar algo.
— Yoshin-kun... — disse ele — não me diga que a razão pela qual você dormiu no sofá ontem à noite foi porquê-
— É como você suspeita. — respondi, assentindo levemente.
Genichiro-san relaxou os ombros e se aproximou de mim. Segurando meus ombros com firmeza, olhou nos meus olhos e disse com muita sinceridade:
— Sinto muito pela minha filha. Estou surpreso que você tenha sido capaz de se conter. É impressionante.
O pedido de desculpas foi um pouco exagerado. Afinal, não era para tanto. Mesmo assim, era verdade que eu tinha me controlado, então o fato de ele me elogiar por isso me deu um certo frio na barriga. Não pude evitar me sentir um pouco feliz com aquilo. Ei, espere um momento. Eu fui capaz de me conter? Eu fui?
Enquanto eu inclinava a cabeça, Genichiro-san se inclinou mais na minha direção para sussurrar
— Nos velhos tempos, eu não era capaz de me conter.
Por um breve instante, imaginei o sorriso de uma certa mulher. Genichiro-san não mencionou ninguém em particular, mas eu só conseguia pensar em uma pessoa: a mãe de Nanami-san. Genichiro-san e eu nos cumprimentamos com a cabeça e apertamos as mãos. Nanami-san franziu a testa enquanto nos observava, sem dúvida se perguntando o que estávamos fazendo. Isso não é algo que você precise saber, Nanami-san. Provavelmente é algo que só os homens conseguem entender.
— Bom dia, Nanami. Bom dia, Yoshin. — disse Otofuke-san, que finalmente criou coragem para intervir.
— Bom dia, pessoal! Se divertiram ontem à noite? — Kamoenai-san acrescentou de forma sugestiva.
Kamoenai-san, por que você pergunta algo assim? Vocês duas sabem que não aconteceu nada!
— Bom dia, Otofuke-san, Kamoenai-san — respondi.
— Bom dia para as duas — disse Nanami-san — Vocês duas ajudaram na cozinha? Sinto muito por não ter levantado. Mas agora eu posso ajudar.
No entanto, quando ela soltou minha mão e tentou entrar na cozinha, suas duas amigas levantaram as mãos para impedi-la. O gesto delas a fez cambalear e cair de costas contra mim.
— Tudo bem, sabe? Hoje vamos cozinhar para agradecer por nos deixar passar a noite e para nos desculpar por várias outras coisas aleatórias.
— Sim! Sente-se e relaxe. Não tem problema descansar de vez em quando.
Entendo. Nesse caso, eu também deveria ajudar…
Era o que pensava enquanto dava um passo em direção à cozinha. Foi então que Nanami-san sussurrou algo. Embora sua voz fosse suave, ela falou claro o suficiente para que eu pudesse ouvir.
— Mas eu quero fazer o bento do Yoshin…
Todos ficaram imóveis. Enquanto falava, Nanami parecia não se dar conta do que estava fazendo, mas de repente recuperou os sentidos e cobriu a boca com ambas as mãos. Quanto a mim, fiquei congelado na minha postura desajeitada de um passo à frente. Senti meu rosto esquentar. Como se acompanhasse a velocidade com que minhas bochechas coravam, o rosto de todos os outros se desmanchou em um sorriso. Todos pareciam muito divertidos e dispostos a zombar de nós sem piedade.
— Entendo. Então você quer fazer o bento do Misumai sozinha, hein? — perguntou Otofuke-san.
— Uau, quem dera eu tivesse gravado isso. — acrescentou Kamoenai — Assim eu poderia mostrar para a Tomoko-san quando ela acordar.
Saya-chan parecia disposta a nos fazer em pedaços.
— Você já gosta dele a estas horas da manhã? Te invejo, onee-chan.
— Você cresceu muito, Nanami — interveio Genichiro-san.
Arrebatados pelas reações deles, Nanami-san e eu ficamos ainda mais vermelhos e permanecemos em silêncio. Eu estava suando tanto que sentia minhas costas úmidas. O suor se devia claramente a toda aquela pressão, mas logo eu me veria suando ainda mais.
— Então deixe o café da manhã e a maior parte do almoço conosco. Deixaremos o bento do Misumai para você — disse Otofuke-san.
— Nós vamos fazer o trabalho de preparação. — disse Kamoenai-san — Ah, por que você não conversa com o Misumai sobre isso?
Ela tirou o telefone do bolso para nos mostrar uma imagem que eu conhecia muito bem. Era a foto de ontem, de mim beijando a testa de Nanami-san. Senti Nanami-san ofegar ao meu lado. Genichiro não estava olhando para o telefone, então pareceu estranhar a reação dela.
Eu, por minha vez, suava mais do que nunca, não só nas costas, mas também no rosto.
— Ei, Yoshin, posso perguntar o que está acontecendo aqui? — perguntou Nanami-san.
Ela tinha um sorriso muito doce no rosto e falava com uma voz muito suave. Claro, sua expressão era tranquilizadora, mas, ainda assim, eu não conseguia parar de suar. A única coisa que pude fazer foi responder imediatamente de forma afirmativa.
Nanami-san pegou minha mão e nós dois nos dirigimos lentamente para a sala. Eu não esperava que o que eu quis dizer a ela — mas não disse, admito — se voltasse contra mim, mas era inútil chorar sobre o leite derramado, como costumam dizer.
Enquanto eu tentava freneticamente inventar uma desculpa, Nanami-san parou fora do alcance dos ouvidos dos outros e sussurrou para que apenas eu ouvisse:
— Não me entenda mal. Não estou brava nem nada disso. Só quero saber por que você fez aquilo.
Levando o dedo indicador aos lábios, Nanami-san corou levemente e sorriu para mim de forma despreocupada. Ela esperava com impaciência pela minha explicação, ou pelo menos foi o que me pareceu.
Embora eu tenha me sentido aliviado ao ouvir aquilo, enfrentei a realidade de que teria que explicar por que a havia beijado. Isso provocou outro dilúvio de suor.
Não seria melhor que ela ficasse brava logo comigo?
Pensei, enquanto continuava procurando freneticamente uma forma de me explicar.
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