Volume 3

Interlúdio 1: Os Rumores e a Minha Mão Esquerda

Quando Yoshin foi embora, deitei-me na cama, sozinha no meu quarto. Antes eu tinha usado o colo de Yoshin como travesseiro, mas agora usava um normal. Levei a mão esquerda em direção ao teto e olhei para o meu dedo anelar. Não havia nada, mas por algum motivo, não conseguia afastar os olhos dele. 

Enquanto dava aulas ao Yoshin, falei para ele sobre as minhas esperanças para o futuro. Disse sem pensar que gostaria de ter um anel no dedo anelar esquerdo. 

Céus, sério, por que eu disse algo assim?

Eu não sabia como responder naquele momento. Provavelmente, devo tê-lo impressionado muito, porque ele me perguntou se não achava exagerado demais receber um anel. Eu me interessava por joias e essas coisas, mas estava me referindo apenas às baratas que poderíamos comprar com a nossa mesada. Era cedo demais para pensar em colocar um anel no dedo.

Quem podia imaginar que os sentimentos mudariam com o tempo? Não os meus, principalmente os dele. Mas... 

— Eu me pergunto o quanto ele gosta de mim… — murmurei para mim mesma. 

Toquei suavemente a testa com a ponta do dedo. Era o lugar onde ele me dava o beijo de boa noite na foto que a Ayumi tinha me mostrado. Quando o rocei, senti cócegas. Levantei a ponta do dedo da testa e a passei pelos lábios. 

Se ele me beijou por vontade própria e não por acidente, então é o mais lógico a se pensar que ele gostava de mim, né?

Eu não sabia como os garotos se sentiam em relação a essas coisas, mas quando olhei para aquela foto, minha ansiedade desapareceu um pouco. E quando decidi continuar a refletir sobre, vi que eu ainda tinha todo tipo de perguntas sobre a noite de domingo. 

Por que eu caí no sono? Melhor… como é que eu acabei ficando bêbada? Quer dizer, eu sabia que era porque tinha comido bombons de uísque demais, mas... só isso? Que desperdício! 

Não pude evitar me perguntar se Yoshin teria feito exatamente o mesmo se eu estivesse acordada e sóbria. Talvez tivéssemos nos despedido sem nos beijarmos. Se fosse assim, mesmo que o beijo tivesse sido por acaso, talvez eu tivesse feito a coisa certa. 

— Mas nunca mais voltarei a comer bombons de uísque. Sem chances! — disse, apertando o punho.

De fato, não pretendia consumir álcool de jeito nenhum, nem mesmo depois de completar vinte anos. Em todo caso, embora fosse apenas o segundo dia da semana, sentia que esses dois dias tinham sido bastante agitados.

「NT: Apesar da maioridade no Japão ser à partir de 18 anos, algumas permissões variam. Semelhante aos Estados Unidos, onde a maioridade é a partir de 18 anos e a permissão para dirigir carros é a partir de 16 anos.」

Embora as segundas-feiras de manhã costumassem ser deprimentes, nesta segunda eu me senti feliz desde o início. Yoshin estava comigo quando acordei, tínhamos tomado café da manhã comigo e depois caminhamos juntos para a escola.

Eu não estava me sentindo cem por cento quando acordei, mas quando vi o rosto dele, qualquer pensamento ruim sumiu. Cheguei à escola com a ilusão de que algo bom ia acontecer, mas foi exatamente o contrário. Ouvi dizer que, no fim das contas, todos os altos e baixos da vida se equilibram. Talvez isso tenha sido uma pequena amostra disso.

Quem é que poderia imaginar que rumores como aqueles correriam por aí?

Era impossível que o Yoshin me traísse. A possibilidade dele ter um harém era ainda menos provável. No entanto, os rumores se dissiparam rapidamente, graças à ajuda de todos e, embora agora corresse outro boato no lugar, esse era menos problemático.

É menos problemático… certo?

Para falar a verdade, eu tinha ficado surpresa quando ouvi um dos rumores, não o do harém nem o de que ele me traía, mas o de que eu tinha deixado o Yoshin, porque esse rumor poderia ser verdade, mas ao contrário. No próximo mês, eu ia dizer a ele que gostava dele, desta vez de verdade. Também ia me desculpar.

Vai lá saber como as coisas podem acabar… Só de pensar nisso, eu já fico aterrorizada!

Para neutralizar essa ansiedade, comecei a ser muito mais carinhosa do que o normal com o Yoshin. Não parava de abraçá-lo, de dar comida na boca dele e coisas do tipo. Por isso, quando terminei de falar com as meninas e fui me encontrar com ele, fiquei tão feliz ao ouvi-lo dizer que tinha se sentido sozinho. 

Quando me reuni com as outras garotas, elas me perguntaram todo tipo de coisas sobre como as coisas iam entre o Yoshin e eu. Suas perguntas, no entanto, tinham sido tão intensas que me senti sobrecarregada. Tinham me perguntado coisas como se tínhamos nos beijado e até onde tínhamos chegado. Algumas das garotas com namorado tinham me perguntado coisas tão extravagantes que me deixaram sem fala. 

No começo, eu me limitava a responder às perguntas delas, mas depois de um tempo acabei sendo eu quem falava. Acho que o alívio que senti ao saber que os boatos tinham sido resolvidos também teve algo a ver. Parando para pensar, quando eu saí, todas estavam debruçadas sobre suas mesas.

Pergunto-me o que terá acontecido com elas... 

Uma das coisas que aprendi com o incidente dos boatos foi que as pessoas adoram falar de escândalos. Se o Yoshin e eu fizéssemos algo estranho, a notícia se espalharia rapidamente.

Vou guardar para mim o fato de que o Yoshin dormiu na minha casa na noite de domingo. Se um boato desse começar a circular…

Estremeci só de pensar. 

Quem sabe o que as pessoas diriam? Não consigo nem imaginar como a história seria distorcida. 

Eu precisava ter cuidado. Não queria que o Yoshin tivesse problemas. Precisava me abster de fazer algo descuidado, mas eu ainda queria passar tempo com ele. Por isso, mesmo hoje, após o desenrolar de todos esses boatos, estivemos estudando juntos no meu quarto.

Não digo isso em um sentido estranho, mas acho que pedir aquelas roupas emprestadas da minha mãe só para entrar no clima pode ter sido um erro. 

Provavelmente ele viu algumas coisas porque as roupas não serviram bem em mim. O Yoshin foi uma pessoa muito honesta ao me avisar. Se ele quisesse, poderia ter ficado olhando. 

Me pergunto se o Yoshin já está em casa. Vou enviar outra mensagem para ele depois de tomar banho e dizer que estou ansiosa para darmos o nosso melhor amanhã. 

Para falar a verdade, fiquei surpresa por Yoshin não ser tão bom nos estudos. Ele era um cara tão diligente que presumi que fosse estudioso. Realmente não se pode julgar um livro pela capa, mas isso não é algo que eu deva dizer. 

Na verdade, a personalidade cavalheiresca dele me salvou de várias maneiras. O que teria acontecido se ele tivesse caído no sono no domingo e estivesse deitado na minha frente, completamente vulnerável?Será que eu teria tentado algo com o Yoshin? 

Impossível! Eu não faria isso! Sério, eu juro! De qualquer forma, só de pensar nisso minhas bochechas ardem. Se ele estivesse dormindo na minha frente e estivéssemos completamente sozinhos, o que eu faria? Algo assim aconteceria? 

Ao perceber que era inútil pensar nessas coisas, sentei-me na cama.

Sim, eu me esforçarei ao máximo a partir de amanhã. Darei o meu melhor com o Yoshin, tanto nos meus estudos quanto no nosso relacionamento.

Parando para pensar, contei ao Yoshin minhas esperanças para o futuro, mas me pergunto quais são os sonhos dele. Talvez eu pergunte na próxima vez que o vir. Quem sabe, se for possível, acabemos indo para a mesma universidade.

Sim, isso me deixaria muito feliz. 

Imaginando nós dois juntos na universidade, dirigi-me ao banheiro, sentindo-me muito mais leve do que de costume.

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