Volume 2
Epílogo: UMA INESPERADA CONTINUAÇÃO
Embora nosso encontro tivesse acabado, Nanami-san e eu estávamos voltando juntos para a casa dela. Eu estava feliz porque nossa caminhada habitual para casa nos permitia passar mais tempo juntos. Estávamos de mãos dadas como sempre e a única diferença era que, dessa vez, não estávamos carregando sacolas de compras nas mãos livres.
Como Nanami-san e eu tínhamos saído hoje, Tomoko-san se ofereceu para fazer o jantar para todos. Eu estava ansioso para saborear sua comida.
— O aquário foi super divertido, não foi? — perguntou Nanami-san.
— Sim, mas foi uma pena o show dos golfinhos. A gente precisa voltar algum dia para conseguir dessa vez. — respondi.
— Já está me convidando para outro encontro, hein? Você ficou ousado.
Segurei, ainda mais forte, a mão dela em resposta.
Estávamos quase chegando na casa dela. Para evitar que a família dela nos provocasse, geralmente soltávamos as mãos um do outro antes de entrar, mas hoje, ainda estávamos um pouco animados, então acabamos entrando ainda de mãos dadas.
— Chegamos! — gritou Nanami-san.
— Chegamos… — eu disse um pouco mais sem jeito.
Eu ainda não estava acostumado a dizer algo assim com a expectativa de que alguém estivesse lá quando eu entrasse. Enquanto pensava nisso, porém, fomos recebidos por dois personagens inesperados.
— Ah, ei, vocês chegaram! Nossa, de mãos dadas e tudo mais... vocês dois estão mesmo apaixonados.
— Bem-vindos, vocês dois.
Diante de nós estavam Otofuke-san e Kamoenai-san, que nos deram as boas-vindas. Nanami-san e eu ficamos tão surpresos que paramos no meio do caminho. Nanami-san não conseguia parar de olhar, ela estava tão chocada.
— Ei, que roupa bonita, Nanami. — disse Otofuke-san — Nossa, sua cintura é tão fina. Estou com inveja.
— Você também é super magra, Hatsumi. — retrucou Kamoenai-san — Além disso, você tem um belo tanquinho. Eu mataria por ter abdominais assim.
— Valeu… — Otofuke-san deu um tapinha na cabeça do menor Kamoenai-san.
As duas estavam tão relaxadas que pareciam estar em sua própria casa.
— Por que vocês duas estão aqui?! — Nanami-san exclamou.
Ela finalmente recuperou a razão e agora apontava para elas enquanto tentava articular seus pensamentos. Na verdade, ela estava tão surpresa que apertou minha mão com mais força do que nunca. Suas duas amigas, por outro lado, parabenizaram-se com um high five, sorrindo como crianças que acabaram de fazer uma brincadeira bem-sucedida.
— Surpresa! — Otofuke-san gritou.
— Iupiii! — Kamoenai-san comemorou.
Em total contraste com a dupla feliz, Nanami-san e eu permanecemos completamente confusos. Nesse momento, atrás das duas garotas, Tomoko-san e Saya-chan apareceram.
— Vocês dois já estão em casa?— Tomoko-san disse — Pedimos para elas virem nos visitar.
— Hatsu-nee e Ayu-nee estavam esperando por vocês. Nós quatro preparamos o jantar juntas, então vocês têm muito o que esperar! — Saya-chan acrescentou.
Ela respirava pelas narinas e cerrava os punhos na frente do peito, como se estivesse se preparando para uma luta.
Otofuke-san e Kamoenai-san, no entanto, estavam coradas e pareciam um pouco envergonhadas. Tomoko-san olhava para os dois com carinho.
Espere, o que diabos está acontecendo?
Nanami-san e eu apenas nos olhamos com curiosidade.
Quando tentei perguntar com meu olhar se ela sabia sobre isso, ela balançou a cabeça para indicar que também não tinha ideia do que estava acontecendo. Fiquei um pouco surpreso por ela ter entendido o que eu estava tentando perguntar sem que eu precisasse dizer nada, mas também fiquei surpreso por ela também não saber de nada.
— Bem, sinto um pouco de culpa por isso, Yoshin-kun, mas… — Tomoko-san disse antes de parar de falar.
— Há algo errado? — perguntei.
— Você se importaria de passar a noite em nossa casa hoje? Bem, não se preocupe com um lugar para dormir. Vou arrumar um futon no quarto da Nanami.
— Como assim?! — eu gritei.
— Mãe?! — Nanami-san exclamou.
Tendo sido atingidos por bombas como essa. Nanami-san e eu soltamos as mãos um do outro em choque mútuo.
Espere, passar a noite? Aqui? O que isso poderia significar?
Nanami-san parecia tão confusa quanto eu. Dava para ver os pontos de interrogação flutuando em sua cabeça. Enquanto ficávamos ali em choque, Otofuke-san e Kamoenai-san vieram em nosso auxílio e explicaram a situação.
— Gen-san não está aqui hoje. — disse Otofuke-san.
— Um velho amigo dele chamou ele para beber. — acrescentou Kamoenai-san.
Gen-san... Eles estão se referindo a Genichiro-san? Espere, é normal chamar o pai do seu amigo dessa maneira?
Embora totalmente perplexo com essa prática desconhecida, percebi que elas estavam certas, pois Genichiro-san não estava lá. Normalmente, quando a família de Nanami-san nos recebia na porta, todos os moradores da casa estavam presentes. Eu não tinha percebido, de tão confuso que estava.
Mas como isso me leva a eu dormir lá?
— Meu pai disse que, como não pode te levar para casa, você deveria ficar lá hoje à noite. — explicou Saya-chan.
— Mas eu posso simplesmente ir a pé para casa. Assim, não iria incomodar vocês, né?
— Andar tarde da noite pode ser perigoso. — disse Tomoko-san com naturalidade — Além disso, nós, meninas, nos sentiríamos muito mais seguras com outro homem na casa.
É assim que funciona mesmo? Mesmo assim, ainda há um problema…
— Mas temos aula amanhã, então vou precisar do meu uniforme e outras coisas. — eu disse.
— Ah, não se preocupe com isso. Temos um conjunto extra aqui. — respondeu Tomoko-san.
Como assim?!
Enquanto eu ficava ali, completamente atordoado, Tomoko-san tirou meu casaco do uniforme do nada. Ao lado dela estava Saya-chan com uma expressão de triunfo no rosto, segurando o conjunto de materiais escolares de que eu precisava para amanhã.
Enquanto minha mente corria para entender o que estava acontecendo, Otofuke-san e Kamoenai-san colocaram as mãos nos meus ombros. Suas expressões pareciam transmitir a maior simpatia.
— Desista, Misumai. Quando a Tomoko-san diz algo assim, significa que ela já planejou tudo e colocou em ação. — disse Otofuke-san.
— Ela realmente garantiu que não haja escapatória pra você, então só desista, tá? — acrescentou Kamoenai-san.
O que é essa atitude de “toda batalha é vencida antes mesmo de ser travada”? Somos guerreiros ou algo assim?
No entanto, em termos de não ter como escapar, eu entendi que Tomoko-san tinha se certificado de cobrir todas as bases. Considerando que até meu uniforme escolar estava aqui, realmente só havia um desfecho para essa situação, mas, mesmo assim, eu precisava perguntar mais uma coisa.
— Você já falou com meus pais?
— Claro. Já tenho a permissão deles. Foram eles que me trouxeram seu uniforme e tudo mais. — respondeu Tomoko-san alegremente, como se estivesse afirmando o óbvio.
Com isso, não pude deixar de baixar a cabeça. Eu iria conversar com meus pais mais tarde.
— Oh, qual é, por que você está tão triste? — perguntou Otofuke-san — Poder ficar na casa da sua namorada e ter a permissão dos pais de ambos? É um ótimo negócio.
— É verdade… — acrescentou Kamoenai-san — Tenho tanta inveja. Eu nem tenho permissão para dormir na casa do meu namorado, então você deveria estar muito feliz.
— Isso é porque você estragou tudo daquela vez — apontou Otofuke-san.
— Como assim? Mas como você consegue se controlar quando está com a pessoa que gosta? — perguntou Kamoenai-san, fazendo beicinho.
Eu estava com medo de perguntar o que Kamoenai-san tinha feito, mas as duas garotas tinham razão. Se eu tinha permissão para passar mais tempo com Nanami-san hoje, seria um desperdício não aproveitar ao máximo.
— Mas, por favor, deixem-me dormir em um quarto diferente.
— Bem, se você diz isso — respondeu Tomoko-san — Eu estava apenas brincando ao dizer que colocaria seu futon no quarto de Nanami, embora eu não me importe, desde que você seja capaz de manter as coisas apropriadas para alunos do ensino médio.
Então ela estava apenas brincando, hein?
Não, é claro que não estou desapontado. Na verdade, sinto-me aliviado, porque não tenho certeza se seria capaz de me controlar para não fazer algo. De qualquer forma, poderei ficar com Nanami-san pelo resto do dia.
Nesse momento, percebi que não tinha ouvido a voz de Nanami-san durante toda essa provação.
— Nanami-san? — eu disse em voz alta, virando-me para olhar para ela, apenas para descobrir que ela tinha ficado vermelha como um tomate e se encolhido no chão.
Embora inicialmente tenha ficado chocado por ninguém estar prestando atenção nela, logo percebi que ela estava murmurando coisas para si mesma. Quando aproximei meu ouvido da boca dela para ouvir o que ela estava dizendo...
— Passar a noite aqui? Tipo, dormir aqui? Vamos dormir no mesmo quarto? Espera, vamos dormir juntos? Vamos dormir na mesma cama?
Ufa, ela não estava ouvindo a conversa.
Suponho que todos os outros deram prioridade à discussão comigo porque sabiam que ela ficaria assim. Ninguém parecia conseguir se comunicar com ela.
— Nanami-san… — eu disse, colocando minha mão em seu ombro.
— Hããã?! — Nanami-san exclamou, dando um grito parecido com o de uma galinha e pulando — Y-Yoshin, de que lado da cama você quer dormir?!
— Ok, vamos nos acalmar um pouco, Nanami-san. Primeiro, quero que você respire fundo e, depois, quero que ouça com atenção o que vou lhe dizer.
Eu a abracei pelos ombros enquanto respirava fundo, tentando acalmá-la. Ao me ver, Nanami-san também respirou fundo algumas vezes para se acalmar gradualmente.
— Como você está? — perguntei a ela.
— Hm, desculpe por isso. Minha cabeça estava uma bagunça completa. Então, o que está acontecendo?
Agora que ela estava um pouco mais calma, expliquei o que havia discutido com Tomoko-san e os outros. Nanami-san ainda parecia ficar nervosa de vez em quando, mas cada vez que isso acontecia, ela respirava fundo para se acalmar.
— Entendo. Nossa... então vou poder passar mais tempo com você mesmo depois disso? — disse ela, assim que terminei.
Aquelas palavras me deixaram mais feliz do que qualquer coisa que eu poderia imaginar. Eu não tinha pensado nisso dessa forma até que alguém me mostrou, mas Nanami-san já estava vendo o lado bom da situação.
Nós nos olhamos nos olhos e sorrimos timidamente, mas então...
— Hã… Ei, pessoal. Vocês não querem entrar na casa agora? — perguntou Otofuke-san, trazendo-nos de volta à realidade.
Certo, ainda estamos no corredor. Eu me esqueci completamente disso.
Envergonhados com o comentário dela, tiramos os sapatos e entramos na casa, sendo recebidos com um caloroso “Bem-vindos!”. Nanami-san e eu sorrimos agradecendo em resposta. Não sei se poderíamos chamar a próxima parte do nosso dia de encontro também, mas eu estava incrivelmente feliz que nosso tempo juntos ainda não tivesse acabado.
Enquanto eu estava absorto em pensamentos, Saya-chan me lançou um sorriso provocador.
— Você tem um belo harém, hein, onii-chan?
Nanami-san levantou a voz com raiva, mas eu não pude deixar de inclinar a cabeça.
— Harém? — perguntei.
Parecia que Saya-chan não esperava minha reação, pois continuou como se eu soubesse do que ela estava falando.
— Claro. Você é o único cara, cercado por um monte de garotas... Não é isso que todos os caras sonham?
Onde você aprendeu essas coisas? Além disso, não tem como isso ser um harém…
— Otofuke-san e Kamoenai-san têm namorados, além de que Tomoko-san é casada com Genichiro-san… o seu pai… Eu só estou namorando Nanami-san, então isso não significa que não é um harém.
— Uau, você está dando uma resposta séria e real. — ela respondeu, um pouco surpresa.
— Pensando bem, você não é a única aqui que não está namorando ninguém?
Para ser justo, eu não tive nenhuma intenção ruim com o que disse. Eu estava simplesmente descrevendo a situação. Mesmo assim, minhas palavras impensadas pareceram magoar Saya-chan profundamente. Ela lentamente se curvou no chão, pressionando as duas mãos contra o piso. Sua sequência de movimentos, executada em câmera lenta, foi realmente muito suave.
Ah, não, espere... Agora não é hora de admirar a ação!
— Ah, droga — murmurou Otofuke-san.
— Ele disse…— sussurrou Kamoenai-san ao lado dela.
Quando percebi o que tinha feito, já era tarde demais. Otofuke-san e Kamoenai estavam sorrindo com ar de satisfação, enquanto Tomoko-san simplesmente ficava ali parada com seu sorriso habitual.
— Ah, qual é, você não deveria provocá-lo assim! Por que você está tão incomodada com o comentário dele, afinal? — Nanami-san interveio.
Até ela estava olhando para Saya-chan, com os lábios congelados em um sorriso um tanto perturbado. Achei isso horrível da minha parte, mas, assim que me preparei para pedir desculpas, Saya-chan pulou do chão.
— Eu também vou arranjar um namorado! Você vai ver! Alguém que não vai perder para o onii-chan! — com isso, Saya-chan começou a chorar alto.
Ela apontou para mim como se estivesse declarando guerra e saiu correndo da sala. Todos nós a ouvimos subir as escadas e bater a porta, então ela deve ter voltado para a segurança do seu quarto.
Sim, com certeza vou ter que pedir desculpas mais tarde.
♢♢♢
— Ei, Nanami, é impressão minha ou seus peitos ficaram maiores? Misumai tem alguma fórmula mágica ou algo assim?
— Uau, você finalmente está até deixando ele ficar te fazendo massagem aí. As crianças crescem tão rápido, Hatsumi.
— Ei, ele não fica me apalpando! E por que você parece tão feliz, Ayumi?!
Tomar banho é tão bom no final de um longo dia. Hoje, porém, a hora do banho foi um pouco diferente. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava tomando banho junto com minhas amigas, Hatsumi e Ayumi.
Será que realmente não fazíamos isso desde o ensino fundamental maior?
Agora que éramos estudantes do ensino médio, o banheiro da família parecia um pouco apertado com nós três dentro dele.
— Nossa, estou com tanta inveja do seu corpo em forma, Hatsumi. — disse Ayumi — Sua cintura é fina e você tem até um tanquinho.
— Vou ter que tomar cuidado, porque não quero ficar mais definida do que isso. Enfim, você não está ficando um pouco gordinha, Ayumi?
— Hmm, acho que não. Tenho comido muitos lanches ultimamente, mas tenho certeza de que ainda peso o mesmo.
Vestindo nossas roupas de aniversário, estávamos todas sentadas na banheira enquanto comentávamos sobre os corpos umas das outras. Eu tinha tanta inveja do corpo lindo da Hatsumi. Embora ela tivesse mencionado que a Ayumi estava ficando com um pouco de barriga, eu estava preocupada com isso. A comida ficava tão gostosa quando eu comia com o Yoshin que eu sempre acabava comendo mais do que deveria.
— Talvez Ayumi e eu devêssemos fazer dieta… — murmurei.
Ayumi franziu a testa.
— Hã? Nanami, você não precisa perder peso. Nossa, eu queria que toda a minha gordura fosse para os meus peitos, que nem você.
— Pare com isso. — disse Hatsumi, ao ver Ayumi levantando os próprios seios.
Eu tinha certeza de que meus seios não tinham ficado maiores.
Tipo, meu sutiã ainda cabe como sempre…
Ayumi disse que tinha inveja de mim por algum motivo, mas eu tinha mais inveja delas duas.
Acho que a grama do vizinho é sempre mais verde.
Como não era possível cabermos as três na banheira ao mesmo tempo, Ayumi e Hatsumi estavam relaxando nela primeiro, enquanto eu me lavava nas proximidades.
— Então, como foi o encontro? Você conseguiu beijá-lo? — perguntou Hatsumi.
— Você beijou? Beijou, não foi? Você enfim teve seu primeiro beijo?
Como elas sabem disso?!
Enquanto eu as encarava com os olhos arregalados, Hatsumi começou a sorrir. Ayumi tinha seu sorriso inocente de sempre, mas parecia estar se divertindo um pouco mais do que o normal.
— Não sei do que vocês estão falando… — respondi.
Eu sabia que não adiantava discutir depois de uma pausa tão longa, mas fiz o possível para me recompor e mostrar meu sorriso mais convincente. Não sei por quê, mas senti um arrepio na espinha. Talvez fosse porque o chuveiro quente não estava batendo nas minhas costas ou talvez eu tenha imaginado isso.
Sim, deve ser isso.
— Ah, você não precisa fingir. Ouvimos tudo da sua mãe. — disse Hatsumi.
— Sim, ouvimos que ela disse para você beijá-lo hoje.
Mãããêêêêêêêê! O que você anda fofocando para as pessoas?! Você não pode dizer coisas assim para essas duas! É por isso que elas estão aqui hoje? Elas vieram porque queriam ouvir todas as fofocas? Nossa, elas deveriam estar está focando em seus próprios namorados. Por que elas precisam saber tudo o que estou fazendo com o meu?
— E então? Desembucha, garota.
— Vocês dois se beijaram? Foi de língua?
— Lí-Língua?!
Como eu poderia fazer algo assim?!
Vendo isso, Hatsumi acabou dando um soco em Ayumi.
Dói mesmo quando ela faz isso.
Ela bate onde seu punho é mais forte, então realmente faz sua cabeça zumbir. Hatsumi começou a repreender Ayumi, que estava segurando a cabeça. Eu incentivei Hatsumi a repreendê-la mais.
— Você é muito explícita, Ayumi. — gritou Hatsumi — Não há como uma iniciante como Nanami fazer isso.
— Não é legal, Hatsumi! Isso doeu.
Hatsumi saiu da banheira, mesmo com Ayumi resmungando suas reclamações. Eu tomei o lugar de Hatsumi, feliz que o assunto da conversa tivesse mudado.
— Então? Até onde você chegou? Você o beijou? — perguntou Ayumi.
Retiro o que disse; não mudou nada. Elas não tinham esquecido e continuavam determinadas a descobrir mais. Então, coloquei meu dedo indicador nos lábios e disse simplesmente:
— É segredo.
Era verdade que eu tinha beijado Yoshin, mas tentar me lembrar com calma e compartilhar isso com as duas era muito constrangedor.
— Ah, vamos lá, conte para a gente. — implorou Hatsumi.
— É, qual é o problema? Conte para a gente!
— Segredo é segredo. — eu disse.
Elas continuaram me pressionando por uma resposta, mas eu teimosamente me recusei. As coisas continuaram assim por um tempo, mas finalmente eu disse a elas:
— Chega. O que há com vocês duas? É domingo. Vocês deveriam estar com seus namorados. — as duas ficaram em silêncio ao mesmo tempo.
Uau, eu disse algo errado?
— O que aconteceu? — perguntei, incapaz de conter minha preocupação.
— Ele não está em casa hoje. Ele tem uma partida ou algo assim. — disse Hatsumi.
— Eu também. Onii-chan está fora da cidade e não vou poder vê-lo por um tempo… — concordou Ayumi.
Ambas deram um suspiro profundo e, então, começaram a me olhar novamente como se quisessem que eu lhes contasse mais sobre meu encontro para que pudessem preencher suas próprias lacunas românticas. Mesmo assim, eu continuei recusando. Parece que elas finalmente perceberam que eu estava decidida, porque acabaram desistindo.
— Bem, acho que estou feliz que as coisas parecem estar indo bem para vocês. — disse Hatsumi, cedendo.
— Já se passaram duas semanas? Nossa, como o tempo voa rápido.
— Espera! Sério? Duas semanas? Mas já?
Todos ficamos em silêncio. Já estávamos na metade do prazo prometido de um mês.
Yoshin e eu estávamos desenvolvendo nosso relacionamento da maneira que deveríamos?
Hatsumi e Ayumi davam a entender que sim, mas eu não tinha tanta certeza. Foi então que Ayumi se virou para mim com uma expressão séria e disse:
— Ei, Nanami, quero te dar um conselho.
Era raro Ayumi compartilhar sua opinião comigo de forma tão direta. Ela sempre parecia estar se divertindo e raramente ficava séria assim. Aparentemente, Hatsumi estava tão surpresa quanto eu, mas ouviu com toda a seriedade.
— Seja beijar ou fazer sexo — disse Ayumi — se você quiser fazer isso, vá em frente. Não se contenha, ok?
— O que você está dizendo com essa cara séria?! — gritou Hatsumi.
Eu também fiquei surpreso com o conselho repentino, mas Ayumi parecia totalmente séria. Sua expressão não mudou nem um pouco.
— Tenho a sensação de que Misumai é como meu irmão mais velho, então será difícil ir além de beijá-lo. — disse ela tirando tirou a mão da banheira e tocou os lábios.
— Além de beijar?
Isso já é demais para mim.
— Uma garota também quer fazer coisas, sabe? Mas se ele não fizer nada, a única coisa que ela pode fazer é perguntar a ele, certo?
Enquanto Ayumi acariciava seus lábios com os dedos, ela tinha uma expressão sensual que eu nunca tinha visto antes.
Será que esse é o olhar que ela só mostra para o namorado? Mas eu meio que… entendo o ponto de vista dela. Dar o primeiro passo também é importante.
Enquanto eu ficava impressionado com o conselho de Ayumi, Hatsumi estreitou os olhos, exasperada.
— Hã.. com licença. Seu namorado é maior de idade. Ele não vai ser preso se fizer alguma coisa com você? Isso não passa de morte social.
— Ah, você diz a mesma coisa que ele, mas se eu estou bem com isso, então está tudo bem, certo? Então, apenas apalpe-os um pouco! — gritou Ayumi.
Apalpar o quê, exatamente?!
Eu me arrependi de ter levado Ayumi a sério por um momento sequer. Ela já estava de volta ao seu jeito normal.
— Então, sim, hoje vamos vestir aquelas roupas sedutoras que eu trouxe e conversar de mulher para mulher no seu quarto! Podemos descobrir como fazer Misumai dançar totalmente na palma da sua mão!
— Não me diga que você trouxe essas roupas… — Hatsumi murmurou.
— Sim. Trouxe algumas para vocês duas também, para que possamos combinar! São todas iguais, mas em cores diferentes.
A julgar pela expressão no rosto de Hatsumi, o que quer que Ayumi tivesse trazido não era nada bom.
Não, espere, mais importante...
— Mas eu quero conversar com Yoshin hoje à noite — eu disse.
— Ah, qualé? — Ayumi resmungou — Vamos deixar você ir rapidinho. Mas se você usar o que eu trouxe, Misumai vai ficar super feliz também!
— Não tenho tanta certeza disso. Pode não ser uma boa ideia. — murmurou Hatsumi.
Que tipo de roupa faria Hatsumi, que geralmente usava roupas superreveladoras, hesitar? Na verdade, eu meio que queria que Yoshin me visse usando aquilo, fosse o que fosse.Isso era ruim?
Mas, naquele momento, eu ainda não tinha ideia de que continuaria com o conselho de Ayumi na cabeça e que, usando a roupa em questão, faria algo tão ultrajante com Yoshin. Na verdade, eu nem descobriria isso até a manhã seguinte.
♢♢♢
— Yoshin-kun, querido, você prefere chá preto ou chá verde? — perguntou Tomoko-san.
— Ah, hmm… verde, por favor.
— Certo. Quer um pouco de chocolate para acompanhar, então?
Se você imaginou que eu estava sozinho com Tomoko-san… você adivinhou.
Saya-chan estava trancada no quarto dela, enquanto Nanami-san e as outras tinham saído para fazer suas próprias coisas. Havia uma razão legítima para as três garotas nos deixarem juntos. Tipo, uh... Bem, é difícil dizer...
— Vamos conversar um pouco até as meninas terminarem o banho. O que você acha, Yoshin-kun? — disse Tomoko-san, me entregando alguns chocolates e uma xícara de chá verde quente.
Era como se ela tivesse lido minha mente. Então, a Nanami-san, Otofuke-san e Kamoenai-san tinham ido tomar banho juntas. Quando Saya-chan se retirou para o quarto, com Nanami-san e eu ainda tentando decidir o que fazer, mas Otofuke-san e Kamoenai-san agarraram as mãos de Nanami-san.
“Tudo bem, Nanami, vamos tomar banho! É hora de uma conversa entre garotas!”, disse Otofuke-san.
“Yaaay! Conversa entre garotas, conversa entre garotas”, acrescentou Kamoenai-san.
“Hã? Como assim, vamos tomar banho?! Ei, espere, você é muito forte, Hatsumi!”, gritou Nanami-san.
E, com os protestos de Nanami-san ecoando pelo corredor, o trio saiu correndo para o banheiro. Honestamente, eu nem tive chance de falar nada. Depois disso, os únicos que restaram foram eu, tentando alcançar o nada, e Tomoko-san.
— Nossa, você também queria se juntar a elas? — ela perguntou — Mas eu acho que nosso banheiro seja pequeno demais para 4 pessoas.
— Não é nada disso! — respondi imediatamente.
— Ah, é mesmo? Então você gostaria de tomar um chá comigo até elas voltarem? Ah, ops, isso soa como se eu estivesse dando em cima de você.
— Não sei não, mas se você não se importar, adoraria me juntar a você… — eu disse, tentando controlá-la.
Ficar sozinho com a mãe da sua namorada não era normal. Quer dizer, sobre o que eu deveria conversar agora?
Eu gostaria de poder conversar com o Baron-san em momentos como esse, mas não podia simplesmente pegar meu celular na frente da Tomoko-san. Eu teria que passar por isso sozinho.
— Não precisa ficar tão na defensiva. — disse Tomoko-san — Eu ouvi você conversando com meu marido enquanto ele te levava para casa, então fiquei com um pouco de inveja.
Eu devia estar mais tenso do que imaginava. Quando ela apontou isso, senti meu coração disparar.
— Sinto muito por você ter que ficar sozinho com uma mulher de meia-idade. — disse ela.
— Não, de forma alguma. Eu nem duvidaria se você me dissesse que você e Nanami-san são irmãs.
A princípio, Tomoko-san pareceu surpresa, mas então essa surpresa se transformou em um sorriso gentil. Sua expressão era tão parecida com a de Nanami-san que meu coração disparou. Tomoko-san era realmente jovem. Não pude deixar de me perguntar se Nanami-san também seria assim quando crescesse. Para me acalmar, levei o chá verde aos lábios. Seu calor reconfortante e seu leve amargor se espalharam pela minha boca enquanto eu bebia.
— Como foi o seu encontro hoje? — perguntou Tomoko-san.
— Foi divertido. Nós comemos o bento juntos e...
Comecei a contar a Tomoko-san isso e aquilo sobre o encontro. É claro que só compartilhei as partes inofensivas, mas ela parecia encantada de qualquer maneira. Eu me vi falando a maior parte do tempo, com ela fazendo comentários aqui e ali e acenando com a cabeça de vez em quando. Mas, quando eu pensava que ela estava gostando de ouvir, lágrimas começaram a cair do rosto de Tomoko-san.
Essas lágrimas, acompanhadas por seu sorriso, me deixaram sem palavras. Comecei a entrar em pânico, pensando que tinha dito algo errado, mas não parecia ser o caso.
— Estou feliz. Estou tãããããoooooo feliz… — disse ela.
Tomoko-san estava feliz, tão feliz que chorava lágrimas de alegria. Eu, no entanto, fui pego de surpresa ao ver uma mulher adulta chorando bem na minha frente. Enquanto eu ficava sentado sem saber o que fazer, Tomoko-san enxugou as lágrimas com a ponta dos dedos. Ela então falou em voz baixa, como se quisesse me tranquilizar.
— Sinto muito. Não consegui me controlar. Estou muito feliz que Nanami tenha gostado de sair com um jovem tão legal.
Sua reação foi bem parecida com a de Genichiro-san antes e foi por isso que entendi que, para os pais de Nanami-san, vê-la namorando comigo tão feliz era uma bênção. Talvez meus pais sentissem o mesmo.
Pensando bem, a Nanami-san disse que tinha ganho os ingressos para o aquário de Tomoko-san.
— Sei que é um pouco tarde, mas obrigado pelos ingressos para o aquário. Nós realmente nos divertimos muito hoje. — eu disse.
Enquanto fazia uma reverência, ouvi Tomoko-san rir. Era um riso suave que quase parecia um suspiro. O que ela disse em seguida foi um choque.
— Ah, claro. Na verdade, eles não eram realmente meus. Eram de Hatsumi-chan e Ayumi-chan.
O quê? Os ingressos eram da Otofuke-san e da Kamoenai-san?
Olhei surpreso para Tomoko-san, que cobria a boca com os olhos arregalados. Fiquei imediatamente perplexo com a mudança inesperada de expressão.
— Ops! — após um breve silêncio, Tomoko-san mostrou a língua e suspirou.
Acho que ela deveria ter guardado essa informação para si mesma… Mas isso significa que os ingressos tinham vindo delas? Eu pensei que a intromissão teria parado com o desafio. Quer dizer, por que elas se dariam ao trabalho disso? Agora que penso nisso, aquele corte de cabelo talvez tenha sido um pedido meio estranho também.
Enquanto eu ficava sentado ali pensando sobre as verdadeiras intenções deles, Tomoko-san falou novamente.
— Essas duas estão torcendo muito por você e Nanami.
Elas estão torcendo por nós? É verdade? Quer dizer, eu fico feliz e tudo mais, mas eu deveria realmente acreditar nisso?
— As meninas me pediram para manter segredo, então, não conta para Nanami, ok?
— Claro.
Tomoko-san levou o dedo indicador aos lábios em um gesto fofo. Acho que estava bem claro que eu não poderia contar para Nanami-san e que também não poderia perguntar para as duas se elas realmente apoiavam nosso relacionamento. Sem conseguir me decidir, levei o chá aos lábios mais uma vez. Ainda estava quente e me acalmou um pouco. Tomoko-san tomou um gole do seu e nós duas suspiramos de alívio.
— Yoshin-kun, como você sabe, Nanami costumava ficar muito desconfortável perto dos garotos. — Tomoko-san falou suavemente, como se estivesse falando consigo mesma.
Eu já sabia da situação de Nanami-san e ela mesma me contou depois que começamos a namorar. Porém, Tomoko-san continuou.
— Nanami se veste assim para se dar coragem, mas na verdade ela é muito sensível e se magoa facilmente. Ela é uma garota normal.
Nanami-san me disse que gostava de usar roupas que não fossem tão chamativas. Pensando bem, eu nunca perguntei a ela por que se vestia como uma gyaru.
Então era por isso, hein?
— Eu também acho… — eu finalmente disse.
Eu concordava com o que Tomoko-san tinha dito, afinal, Nanami-san era uma garota normal e sensível. Era por ser sensível que ela tinha se tornado incapaz de ficar perto de garotos, e esse desconforto provavelmente não tinha sido completamente eliminado, mesmo agora.
Eu achava que ela tinha se aberto um pouco… talvez isso possa ser apenas uma ideia da minha cabeça.
Seria ótimo se ela gostasse de mim, mas, de qualquer forma, eu tinha que agir como se ela realmente gostasse. Ainda assim, eu não tinha provas para sustentar essa suposição e sempre fui cético e não conseguia mudar isso. Pelo menos eu sabia que uma coisa era verdade: Se, ao sair comigo, ela se sentisse mais confortável, eu estaria fazendo algo de bom, mesmo que ela não gostasse de mim.
— Nanami-san é uma pessoa importante para mim. Isso não mudará, não importa o que aconteça. — declarei, tentando mostrar minha determinação.
Talvez isso não fosse algo que se fizesse normalmente na frente da mãe da namorada, mas eu senti que precisava fazer isso. Tomoko-san piscou algumas vezes e pareceu surpresa novamente.
Então, suas sobrancelhas se inclinaram levemente enquanto ela me olhava com um ar de desculpas. Eu não conseguia entender muito bem aquela expressão.
— Uma pessoa importante... Fico muito feliz que alguém diga isso sobre ela. Significa tanto quanto se alguém dissesse isso sobre mim. — disse Tomoko-san.
As palavras e a expressão de Tomoko-san não combinavam. Ela disse que estava feliz, mas sua expressão era de tristeza. Havia algo estranho em sua resposta, mas eu não conseguia entender o que era.
— Yoshin-kun, você vai ficar com Nanami a partir de agora? Mesmo que vocês dois briguem, vocês vão se reconciliar e ficar juntos?
Lembrei-me do meu encontro com Nanami-san, relembrando suas palavras em minha cabeça.
— Conversei sobre algo semelhante com Nanami-san mais cedo. Ela disse que mesmo que cometamos erros, ou tomemos desvios, ou brigamos, ela quer ter um tipo de relacionamento em que possamos olhar para trás algum dia e rir.
Por mais que eu dissesse isso, também pensava comigo mesmo: Nanami-san está mentindo para mim e eu estou mentindo para ela.
Será que eu realmente preciso continuar mentindo para ela assim para que nosso relacionamento dê certo? Eu queria ser honesto com Nanami-san e queria ficar com ela apesar disso.
Tomoko-san ouviu em silêncio, com um olhar sério. Eu nunca tinha tido uma conversa tão séria com ninguém antes, nem mesmo com Genichiro-san.
— Eu também me sinto assim… que não importa o que aconteça, eu quero superar e ficar ao lado de Nanami-san. — eu disse.
Tomoko-san olhou para mim por um momento, parecendo aliviada com a minha resposta.
— Obrigada, Yoshin-kun. — ela respondeu.
Ela exalou e terminou o resto do chá.
Mas por que Tomoko-san mencionou isso? É como se ela soubesse que Nanami-san iria se machucar em um futuro próximo.
Eu me senti um pouco estranho com a nossa conversa. Não havia absolutamente nenhum problema da minha parte, já que eu já sabia que queria ficar com Nanami-san.
Será que Tomoko-san também participou de toda aquela história do desafio?
— Você quer mais chá? — perguntou Tomoko-san, estendendo a mão enquanto eu ficava sentado ali, pensativo.
Foi então que percebi que o chá na minha xícara tinha esfriado. Terminei o pouco que restava e ofereci minha xícara a ela.
— Sim, por favor.
Tomoko-san pegou a xícara e foi para a cozinha. Eu a observei enquanto ela se afastava.
Sim, provavelmente estou pensando demais.
Tomoko-san nem sabia que eu existia até me conhecer. Ela provavelmente disse tudo isso por amor e preocupação como mãe, alguém que observava Nanami-san há muito tempo.
Ah, cara, agora eu realmente quero ver o rosto de Nanami-san de repente.
Falando sério, eu já tinha ouvido dizer que as mulheres demoram muito no banho, mas esse banho estava demorando muito mesmo. Eu senti que já estava conversando com a Tomoko-san há um bom tempo, mas, graças a isso, eu não só renovei minha determinação em relação aos meus sentimentos pela Nanami-san, como também me aproximei da Tomoko-san.
Enquanto eu estava mergulhado em minhas emoções, Tomoko-san falou.
— Vocês dois se beijaram no encontro de hoje?
Não estávamos tendo uma conversa muito agradável até um segundo atrás?! Por que você está me interrogando assim de repente?!
— Uh, sem comentários… — murmurei.
— ah, meu Deus. Eu disse à Nanami para te beijar hoje. Ela não fez isso? Que garota boba.
Então você incentivou Nanami-san a fazer isso?!
Eu estava me perguntando por que Nanami-san estava tão ousada hoje, mas agora o mistério estava resolvido.
O clima sério de um momento atrás desapareceu em um instante, e Tomoko-san voltou a ser a mesma sorridente de sempre enquanto me servia meu chá. Se eu estivesse bebendo o chá quando ela perguntou sobre o beijo, tenho certeza de que teria jogado tudo no chão.
Naquele momento, ouvi a voz que eu queria ouvir.
— Oi, só vocês dois? Sobre o que estavam conversando?
Quando olhei na direção da voz, vi Nanami-san parada ali, recém-saída do banho.
Sua pele, revigorada e rosada, parecia mais sexy do que nunca. Eu simplesmente não conseguia parar de olhar para ela. Ela estava usando uma blusa de mangas curtas que revelava um pouco os ombros. Na parte de baixo, ela usava um short jeans que parecia uma calça hot pants. O visual geral era bem casual, talvez porque ela tivesse acabado de sair do banho. Eu me vi em um dilema, encantado por ela, mas sem saber para onde olhar.
— Yoshin-kun acabou de me contar que vocês dois se beijaram. Muito bem, Nanami! Sua mãe está muito orgulhosa.
— Sobre o que vocês dois estavam conversando? O beijo foi só na bochecha... Meu Deus!
Tomoko-san e eu estávamos conversando, mas não tínhamos chegado a esse ponto. Tomoko-san tinha acabado de fazer uma pergunta capciosa e Nanami-san tinha caído na armadilha. Eu mantive minha política de permanecer em silêncio.
Nanami-san também pareceu perceber seu erro. Ela tapou a boca com as mãos e olhou para Tomoko-san com raiva, mas Tomoko-san manteve a calma e agiu como se não tivesse feito nada de errado.
— Na bochecha, foi? Bem, fico feliz que as coisas estejam indo tão bem entre vocês. Então, me diga, quem beijou quem?
— Não vou te contar! Puxa vida!
Nanami-san gritou, inflando as bochechas de raiva, mas uma mão surgiu por trás e agarrou seu ombro, enquanto outra cutucava uma de suas bochechas infladas.
— O que é isso, Nanami? — Otofuke-san disse — Você disse no banho que era segredo, então eu estava aqui, tentando pensar em uma maneira de fazer você confessar.
— Um beijinho na bochecha, hein? Que fofo! — acrescentou Kamoenai-san.
As duas seguiram Nanami-san até o quarto. Elas também estavam vestindo roupas extremamente casuais. Eu sabia que era rude da minha parte ficar olhando, mas Otofuke-san estava usando uma blusa regata e calças de moletom largas. Kamoenai-san estava usando um vestido folgado que eu imaginei ser um tipo de camisola. Ambas as roupas combinavam perfeitamente com cada uma delas — a de Otofuke-san revelava bastante pele, mas destacava seu brilho saudável, enquanto a de Kamoenai-san sugeria sua inocência infantil.
Olhei novamente para as três quando começaram a conversar, mas concentrei-me principalmente em Nanami-san.
Sim, Nanami-san é definitivamente a mais bonita de todas.
Ela deve ter percebido que eu a observava, porque saiu do grupo e veio se juntar a mim, estreitando os olhos.
— O que foi? Você estava olhando para elas porque são tão bonitas? — perguntou.
Vendo a adorável demonstração de ciúme de Nanami-san, Tomoko-san e eu nos olhamos e rimos. Nanami-san estava fazendo beicinho e não pude deixar de pensar como isso era encantador. Tomoko-san deve ter sentido o mesmo.
Vendo a mim e sua mãe começando a rir, Nanami-san inclinou a cabeça. Otofuke-san e Kamoenai-san nos olharam sem entender nada. Decidi dizer o que sentia honestamente, alto o suficiente para que as três ouvissem.
— Não consegui deixar de olhar para você, Nanami-san. Você é tão bonita.
Nanami-san agora olhava para mim sem entender, incapaz de processar minhas palavras, mas então seu rosto começou a ficar cada vez mais vermelho. Suas duas amigas assobiaram com olhares provocadores, enquanto Tomoko-san sorria com satisfação.
Eu sabia que estava um pouco nervoso, mas será que dizer aquilo na frente de todos tinha sido muito ousado da minha parte?
— O-O-O-O-O-O-O quê?! — Nanami-san repetiu o mesmo som várias vezes, incapaz de responder completamente.
Ela é realmente muito bonita.
♢♢♢
— Bem, então...
Eu estava agora no quarto que eles me mostraram. Nanami-san não estava lá, nem Tomoko-san. Eu estava completamente sozinho.
Parecia que este era o escritório da família Barato, um que eles não usavam com muita frequência. O chão tinha tatames e havia apenas algumas estantes de livros. O quarto também parecia servir como quarto de hóspedes, pois havia um futon dentro.
Após nossa conversa anterior, comemos uma refeição que Tomoko-san preparou para nós. Depois disso, tomei um banho e voltei para a sala de estar para conversar mais com todos antes de ser levado para este quarto.
Nanami-san estava em seu próprio quarto com Otofuke-san e Kamoenai-san. Elas provavelmente ainda estavam conversando sobre todas as coisas que as meninas conversam quando estão juntas. Nanami-san disse que elas iriam discutir o beijo que mencionamos anteriormente. Na verdade, elas até me convidaram para participar, mas eu recusei educadamente. A ideia de um introvertido como eu se juntar a um grupo de garotas rindo parecia uma tarefa muito difícil.
Em vez disso, Nanami-san e eu prometemos que, depois que elas terminassem de conversar, ela e eu poderíamos conversar um pouco no quarto onde eu iria dormir. Tomoko-san já tinha dado o seu aval. Na verdade, ela tinha incentivado a ideia.
CANYON: E cá estamos agora.
BARON: Espere aí! Tendi foi nada.
A única coisa a fazer enquanto esperava era relatar ao Baron-san sobre o encontro de hoje. Eu pretendia fazer isso em casa, mas acabei vindo aqui. O Baron-san parecia completamente perplexo e a Peach-san não respondeu nada. Eu tinha certeza de que ela estava lá, mas era raro ela não dizer nada.
BARON: Então, você pode repetir isso para mim mais uma vez?
CANYON: Claro. Então, simplificando, depois do nosso encontro, acabei ficando na casa da minha namorada.
BARON: Sim, ainda não entendi.
Enquanto tentava processar a resposta do Baron-san, recebi uma mensagem da Peach-san.
PEACH: Você é mesmo ousado, Canyon-san. Melhor, você vai rápido demais.
Agora era minha vez de pedir para eles esperarem. Eu não tinha feito nada, então eles não podiam dizer que eu fui rápido demais. Eu simplesmente não tive coragem. Se tivesse, as coisas entre Nanami-san e eu teriam progredido muito mais. Na verdade, eu provavelmente não teria sido escolhido como alvo do desafio.
CANYON: De jeito nenhum. Tipo, tem outras pessoas aqui. É que eu sou o único homem.
BARON: Espere, você tem um harém agora?
CANYON: Claro que não. Todas as outras têm namorados. Acho que a irmã mais nova dela não tem namorado, mas ela está apenas no ensino fundamental.
PEACH: Você está... em um triângulo amoroso com a irmã mais nova?!
CANYON: Claro que não! A irmã mais nova dela quer um namorado, mas está procurando qualquer um, menos eu.
Como você chegou a essa conclusão? Você leu um mangá assim em algum lugar?
O interesse de Peach-san parecia ter sido despertado, mas não haveria tal reviravolta. Senti que estavam me provocando, mas nada disso tinha a ver com o que eu queria perguntar. O que eu queria perguntar a eles era…
CANYON: Então, o que devo fazer agora?
BARON: Por que você não divide a cama com ela?
PEACH: Vamos fazer você dormir ao lado dela.
Os dois responderam ao mesmo tempo, quase com a mesma naturalidade com que me diriam para dar uma volta pelo bairro.
Mas eu não posso fazer isso… Ora, vamos lá. Eu não poderia dormir na mesma cama que ela enquanto a família e as amigas dela estão sob o mesmo teto.
BARON: Mas eu achei que estava tudo bem, desde que vocês mantivessem as coisas apropriadas para alunos do ensino médio.
PEACH: Vai ficar tudo bem, desde que você consiga se controlar e não fazer nada! Dormir lado a lado... é legal.
Senti que precisava ter uma longa e agradável conversa com a Peach-san um dia desses.
Ela não está apenas no ensino fundamental? Ela sabe o que significava “fazer coisas”?
Os outros membros da nossa equipe agora estavam gritando para que eu dormisse ao lado da Nanami-san também. Parecia que eu não iria mais conseguir respostas decentes. A conversa ficou caótica por um tempo, mas, por fim, Baron-san se manifestou.
BARON: Você vai conversar com sua namorada mais tarde, certo, Canyon-san? O que você fará se ela te convidar? Você vai recusar? Isso parece rude, não é?
A pergunta dele era realmente incômoda, porque, superficialmente, ele tinha razão, mas não havia como isso acontecer… Ou pelo menos era o que eu pensava.
CANYON: Tudo começou porque ela não é boa com homens, então não há como ela sugerir tal coisa. Vamos conversar um pouco e depois dormir em quartos separados, e pronto.
BARON: Bem, isso é uma pena, mas espero que você consiga suprimir seus desejos enquanto conversa.
Foi uma coisa bastante sinistra para ele dizer, mas ele estava certo.
Meu senso para essas coisas havia ficado entorpecido, mas não era ruim para um rapaz e uma moça ficarem juntos no mesmo quarto sozinhos antes de dormir?
Só percebi isso quando Baron-san mencionou. O que dizem é verdade: quando colocadas em situações anormais e impossíveis, as pessoas tomam decisões questionáveis.
Oh, droga. Isso é ruim. Estou começando a ficar nervoso. E como se fosse para dar mais um golpe, Peach-san enviou outra mensagem.
PEACH: Canyon-san, se sua namorada te convidar para dormir com ela, por favor, responda gentilmente. É preciso muita coragem para uma garota pedir algo assim.
Bem, caramba, quando você fala assim, como eu poderia recusar? Eu estava ficando ainda mais nervoso, mas Nanami-san não deveria chegar por mais meia hora ou mais, então eu poderia tentar me acalmar até lá. Mas, naquele momento...
— Yoshiiin! Cheguei!
A porta se abriu sem bater e Nanami-san entrou mais animada e muito mais cedo do que havíamos combinado. Fiquei tão surpreso que quase voei da cadeira. Virei meu corpo inteiro para olhar em direção à porta.
— Nanami-san, o que está acontecendo de repente... Hein?!
— Vim para a nossa conversa! Que divertido! — disse ela, rindo, mas eu não consegui encontrar palavras para responder.
Nanami-san estava usando seu pijama, um conjunto muito bonito em rosa. Agora, porém, ela estava usando uma camisa azul com alça fina e um short. Sua roupa mostrava muita pele. Além disso, a camisa era muito fina e, embora não fosse transparente, mostrava as linhas do corpo dela muito claramente.
O que aconteceu?! Ela estava usando um pijama normal há pouco tempo!
Enquanto eu permanecia sem palavras, Nanami-san começou a se aproximar de mim de quatro, como algum tipo de predador.
— Yoshiiin, sua namorada está aqui. Você não está feliz? Você está feliz, certo?
O que diabos... Ei, espere. Esse cheiro... Por que Nanami-san cheira a álcool?
De repente, minha confusão foi interrompida quando Otofuke-san irrompeu na sala, estando vestindo roupas idênticas às de Nanami-san.
— Ei, Nanami! Misumai, você está bem?! — ela gritou.
— Nanami, você corre rápido demais! — reclamou Kamoenai-san, não muito atrás dela.
Tive que me virar para desviar o olhar. Só consegui dar uma olhada rápida, mas Otofuke-san estava usando uma camisa vermelha, enquanto Kamoenai-san estava usando uma amarela, semelhantes ao da Nanami.
Por que elas estão usando blusas iguais?
— Desculpe, Misumai… — disse Otofuke-san — Nós não percebemos, mas Nanami foi comer alguns bombons que continham álcool.
— E ela insistiu em vir aqui. — acrescentou Kamoenai-san — Nós nem tivemos tempo de impedi-la, hehe.
— Hum, eu entendo, mas por que vocês estão todas vestidas assim? — perguntei.
— Ayumi trouxe. Ela queria que Nanami usasse como roupa da sorte hoje à noite. — respondeu Otofuke-san.
— Não é sexy? Estamos todas combinando — acrescentou Kamoenai-san.
Suas vozes soaram em meus ouvidos com uma clareza assustadora. Então foi Kamoenai-san quem trouxe as roupas. Eu não sabia se deveria ficar com raiva dela ou elogiá-la pelo trabalho bem feito. Acho que ficar com raiva é um pouco exagerado. Bem, essa foi uma decisão fácil.
— Nanami-san não aguenta muito álcool? — perguntei.
Eu tinha que esquecer as roupas por enquanto, pois havia um assunto mais importante para tratar.
— Parece que sim. — respondeu Otofuke-san — Nós também não sabíamos. Parece que tinha bourbon nos chocolates que encontramos.
Ah, aqueles chocolates… os que vieram do exterior. Eles deviam ter álcool e Nanami-san os comeu sem saber.
— Ei, não fale com Hatsumi e Ayumi! Fale comigo. Vamos lá! — disse Nanami-san.
Ela colocou os braços ao redor do meu pescoço e se inclinou em mim por trás. Através do tecido fino de sua camisola, senti seu calor e dois montes macios pressionando minhas costas.
— A-Acalme-se, Nanami-san. Por favor, apenas acalme-se. — implorei
— Estou tão calma. Vamos, vamos conversar. Vamos, olhe para cá.
Falando com a entonação fofa que era mais familiar vinda de Kamoenai-san, Nanami-san balançava o corpo de um lado para o outro enquanto ainda estava agarrada a mim. A cada movimento, eu sentia uma pressão problemática nas minhas costas.
— Ei, ei! — eu gritei, virando-me para as duas garotas sóbrias — Otofuke-san, Kamoenai-san, me ajudem aqui! O que eu devo fazer?!
Meu apelo pareceu incomodar Nanami-san, porque ela colocou ainda mais força em seus movimentos. As duas amigas não responderam e o silêncio tomou conta da sala.
— Acho melhor deixar os pombinhos apaixonados em paz. — Otofuke-san finalmente disse.
— Vamos indo agora. Ah, vou trazer um pouco de água para ela mais tarde. — acrescentou Kamoenai-san.
Como assim? O que elas acabaram de dizer?
Com Nanami-san colada nas minhas costas, eu não conseguia me virar, então não pude ver o que as duas estavam fazendo. Ainda assim, ouvi a porta ranger.
Não me diga que...
Quando o som da porta se fechando chegou aos meus ouvidos, percebi que meus medos se tornaram realidade. Aqueles duas simplesmente fugiram.
Espere, eu devo interpretar isso como um gesto de consideração? Traição? Me diga!
— Yoshiiin, estamos sozinhos agora.
Nanami-san sussurrou essas palavras diretamente no meu ouvido, causando um arrepio na minha espinha. Enquanto sua respiração acariciava minha pele, uma agradável sensação de formigamento se espalhou pelo meu corpo.
Droga, droga, droga.
— O encontro de hoje foi muito divertido, não foi? — sussurrou Nanami-san, suavemente, mas com clareza. Ela não mostrou nenhum sinal de se afastar.
— S-Sim. Aconteceram muitas coisas, mas foi realmente divertido.
— Foi divertido... Foi mesmo.
Nanami-san agora balançava e cantarolava uma melodia. Embora tivesse vindo para conversar, ela não parecia ter muito a dizer. Ela estava apenas se aconchegando nas minhas costas.
Lembrei-me da nossa pequena pausa para o almoço durante o nosso encontro, mas a diferença agora era que meu coração batia loucamente. Na verdade, em comparação com o início do dia, tudo, desde as roupas dela até toda a situação, estava diferente. Mas enquanto todos estivessem por perto, eu não poderia fazer nada estranho.
Não que eu fosse fazer algo estranho com Nanami-san enquanto ela estivesse bêbada.
Meu corpo permaneceu paralisado. Eu senti como se alguém tivesse injetado metal líquido nas minhas articulações para impedir que elas se movessem, mas pelo menos assim eu não faria nada estúpido. No entanto, assim que pensei ter encontrado um pouco de paz de espírito, a mão de Nanami-san alcançou a minha.
— Tão quente… — ela murmurou, esfregando as costas da minha mão.
Isso por si só foi o suficiente para fazer minha ansiedade disparar, mas então, com a outra mão, ela começou a tocar minha barriga. Fiquei completamente imóvel. Eu estava apenas deixando ela fazer o que quisesse comigo, como um peixe na mesa de corte.
— N-Nanami-san?
— Eu pensei isso quando você se despiu daquela vez, mas você tem um corpo incrível. — disse ela, rindo um pouco mais — Você parece todo forte, que nem o meu pai.
Era a mesma coisa que ela havia dito às suas colegas de classe naquele dia na sala de aula, só que desta vez eu não senti nada daquela sensualidade encantadora vindo dela.
Na verdade, tá mais para uma inocência infantil.
Em contraste com as palavras de Nanami-san, porém, suas ações não eram nada além de problemas. Ela continuou a esfregar minha barriga.
Ainda assim, parecia que ela realmente havia voltado a um estado infantil. Ela estava apenas me acariciando e segurando minha mão, sem qualquer interesse em fazer mais nada. Se ela estivesse interessada, isso teria sido um grande problema.
Nanami-san continuou seu movimento até que percebi que ela estava gradualmente diminuindo o ritmo. Não pude deixar de pensar que ela estava apenas se preparando para agir no momento em que parasse.

E então o momento chegou.
Sua mão parou e o peso aumentou nas minhas costas. Percebi então que ela havia apoiado todo o seu peso em mim. Eu podia sentir os batimentos cardíacos de Nanami-san e o calor que ela exalava. Um batimento cardíaco fraco e uma respiração suave...
Respiração suave?
— Nanami-san? — sussurrei, finalmente conseguindo mover meu corpo.
Quando estiquei o pescoço, senti que ela soltou minha mão e quase escorregou das minhas costas. Corri rapidamente para segurá-la. Naquele momento, pouco antes de ela cair, a alça de sua camisa escorregou de seu ombro.
Uau, isso não é algo que eu deveria estar vendo agora.
Cuidadosamente, coloquei a alça de volta no lugar, fazendo o possível para não olhar ou tocar sua pele. Meus braços tremiam de nervosismo. Quando olhei para cima depois de finalmente conseguir arrumar sua roupa, vi que seus olhos estavam fechados e ela dormia pacificamente.
— Ela dormiu?
Pensando bem, ela tinha preparado tanta comida para o nosso bento naquele dia e depois tinha ido a um encontro agitado. Ela deve ter gasto muita energia. Além de tudo isso, ela tinha comido algo que não estava acostumada a comer. Não era surpresa que o cansaço tivesse vencido.
Tínhamos combinado de conversar, mas parece que isso não irá acontecer mais.
Coloquei a cabeça dela no meu colo o mais gentilmente que pude.
Quantas vezes já fizemos isso hoje?
Nanami-san parecia tão tranquila ali. Era quase como uma repetição da nossa soneca pós-almoço, mas desta vez eu não sabia o que fazer a seguir. Eu ainda estava olhando para o rosto dela quando Nanami-san. vestida apenas com sua camisa fina e shorts, soltou um espirro suave.
Claro... Ela está mostrando tanta pele que deve estar com frio.
— Nanami-san, você deve estar super cansada. Vamos para a cama. — eu disse, decidindo acordá-la, embora me sentisse mal por fazer isso.
Eu sabia que não era forte o suficiente para carregá-la até o quarto enquanto ela dormia.
Quer dizer, eu poderia levantá-la ou segurá-la, mas tentar movê-la para outro quarto dessa forma parecia perigoso.
Em vez disso, decidi que era melhor deixá-la caminhar até o quarto sozinha.
Mas Nanami-san conseguiu superar minhas expectativas mesmo assim. Ela murmurou “Mmm, sim... Vou para a cama...” e então se levantou de quatro e começou a se mover. Eu tinha certeza de que ela iria se levantar, mas, em vez disso, ela rastejou atrás de mim e se esgueirou para dentro do futon onde eu deveria dormir.
Hmm, Nanami-san, você ainda está meio adormecida?
Quando me aproximei dela lentamente, nosso olhar se encontrou. Ela olhou para mim como se estivesse em transe. Percebendo meu olhar, ela levantou um canto do cobertor e estendeu a mão em minha direção.
— Você ficou um pouco mais sóbria agora? — perguntei à ela.
Nanami-san me encarou em silêncio. Não conseguia dizer pela expressão dela se estava acordada, meio adormecida ou bêbada. Olhei para a mão dela por um momento, mas então finalmente cedi e a segurei.
Nanami-san sorriu, parecendo satisfeita, e apertou-a levemente.
Sua mão passou pelos meus dedos um por um, como se tentasse confirmar algo, antes de entrelaçar seus dedos nos meus. Com minha mão firmemente segurada, ela me puxou gentilmente em sua direção.
Foi realmente muito gentil, o suficiente para eu perceber que ela estava me puxando. Eu poderia ter resistido, é claro, e normalmente aquela força insignificante nem teria sido suficiente para fazer meu corpo se mover. Mas, por alguma razão, não consegui resistir à força de seu puxão, então acabei caindo ao lado dela. Deitamos juntos, frente a frente no futon.
Nanami-san moveu os lábios levemente. Estávamos tão próximos, mas eu não conseguia ouvir nada. Depois de formar palavras quase inaudíveis, ela sorriu, silenciosamente e lindamente. Então, ainda segurando minha mão, Nanami-san fechou os olhos. Ouvi sua respiração regular enquanto ela voltava a dormir.
Uau, essa foi por pouco. Ela fechou os olhos, então pensei que ela quisesse que eu a beijasse ou algo assim, mas eu estava errado. Eu estava errado, certo?
O forte aperto que ela tinha em minha mão afrouxou depois que ela adormeceu. Eu poderia facilmente tirar minha mão a qualquer momento, mas queria ficar assim por mais um tempo.
— O que será que você estava tentando dizer? — eu disse baixinho.
Nanami-san não me respondeu, é claro. Ela estava dormindo. Dormia profundamente, sem sequer falar durante o sono.
Hoje foi um dia muito divertido, não foi? Obrigado por isso… Bem, acho que é tudo por hoje.
Com cuidado para não acordá-la, lentamente soltei meus dedos dos dela. Uma parte de mim não queria fazer isso, mas é claro que não podíamos dormir juntos assim. Cara, que pena.
Eu me perguntava se Tomoko-san ainda estava acordada. Se ela já tivesse ido para a cama, eu poderia ficar acordado a noite toda jogando videogame. Eu tinha meu celular, então ficar no sofá da sala não seria uma má ideia. Sim, vamos fazer isso.
Reajustei o futon e certifiquei-me de que Nanami-san estivesse totalmente coberta, pensando que isso pelo menos a manteria aquecida. Um pouco aliviado, levantei-me e comecei a sair do quarto, mas ao vê-la dormindo, pensei em uma coisa que queria fazer. Era um pequeno desejo que brotou dentro de mim.
Senti-me covarde por fazer isso enquanto ela dormia, mas não conseguiria reunir coragem para fazê-lo enquanto ela estivesse acordada.
Uma estranha calma tomou conta de mim. Talvez meu coração estivesse cansado de bater loucamente antes e não conseguisse mais se mover. Sim, sim, eu sei que isso não é possível, mas com certeza senti que era.
— Boa noite, Nanami-san.
Não houve resposta dela. Ela estava dormindo com uma expressão adorável no rosto, o que estava totalmente bem. Eu só tinha dito isso para ter certeza de que ela estava dormindo. Quando toquei seu cabelo gentilmente, ele fluiu suavemente por entre meus dedos.
Finalmente convencido de que ela estava dormindo, aproximei meu rosto lentamente do dela. Movi-me o mais lentamente que pude, para não acordá-la. A distância entre nós diminuiu gradualmente e toquei meus lábios em sua testa.
Não foi um acidente, como da última vez que a beijei. Desta vez, foi por minha própria vontade que eu, hum, beijei sua testa enquanto ela dormia.
Ah, caramba. Só de pensar que a beijei já é meio embaraçoso.
Não havia como eu fazer o mesmo enquanto ela estivesse acordada. Essas eram as únicas circunstâncias em que eu poderia fazer algo assim, mas o fato de Nanami-san não estar reagindo de forma alguma estava realmente me assustando.
Está tudo bem eu fazer isso? Não, não, não desista agora. Eu não sei se fiz a coisa certa ou não, mas um beijo é o máximo que eu posso fazer agora. Nos lábios? Claro que eu não poderia fazer isso. Seria impossível.
— Será que vou conseguir fazer isso quando ela acordar um dia? — murmurei para mim mesmo. Talvez isso também fosse covardia da minha parte.
Mesmo enquanto eu estava questionando minha decisão, decidi sair do quarto e deixar Nanami-san continuar dormindo tranquilamente.
Então vi três rostos familiares.
Três mulheres estavam espiando pela porta, embora eu não soubesse quando ela havia sido aberta. Todas elas estavam apontando seus celulares para mim quando meus olhos se fixaram nelas.
— Posso perguntar o que exatamente vocês três estão fazendo? — eu disse.
Três cabeças estavam alinhadas em fila, cada uma com um tipo diferente de sorriso. Tenho certeza de que havia uma música assim que era popular na época.
— Estou apenas tentando capturar o crescimento do meu futuro genro. — disse Tomoko-san.
— Você parecia estar fazendo algo divertido, então pensei em assistir. — disse Otofuke-san.
— Achei que não seria certo interromper! — disse Kamoenai-san.
Como se fosse combinado, as três viraram seus celulares para me mostrar o que haviam capturado. Como estavam espiando pela abertura da porta, elas capturaram a cena em vários ângulos estranhos, o que significa que nenhuma das mulheres conseguiu a foto perfeita. No entanto, elas me flagraram quando eu estava abaixando meu rosto para encontrar a testa de Nanami-san.
Não como uma foto, mas como um vídeo.
— Ah, caramba. — murmurei.
Enquanto eu olhava para elas, as mulheres riam entre si. Estou tão feliz que todas vocês estejam se divertindo.

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