Volume 2
Capítulo 7: O Plano de Confissão
— O que diabos ele está fazendo?
A voz desconfiada de Naomi-san tornou tudo ainda mais vergonhoso.
Eu definitivamente não esperava que ela aparecesse ali — muito menos naquele momento
Mas, pensando bem… fazia sentido. Se ela estava ali, então aquilo tinha relação com o plano que Natsuki-senpai mencionou mais cedo. O problema é que… eu não entendia como chegamos a essa situação absurda
“Não… espera…”
— Parece que você finalmente entendeu — disse Yoshiko-sensei.
— Hã… pessoal? Alguém pode me explicar? Acho que eu ainda não entendi… — murmurou Yuji. — Entendi o quê? Por que diabos estamos aqui?
Natsuki-senpai e Naomi-san entraram no depósito. Logo depois, Yoshiko-sensei também entrou… e fechou a porta
click
— Você não entender não é surpresa, Yuji…
— Espera, o que você quer diz—
— …Mas eu esperava mais de você, Ryoichi.
Yoshiko estava certa.
Se era o que eu estava pensando… então aquilo deveria ter sido óbvio desde o começo.
— Foi tudo… uma armação.
— Bingo! Trinta pontos pra você, Ryoichi-kun! — exclamou Natsuki-senpai, animada.
Naomi — Ayumi Naomi — continuava em silêncio, observando tudo com uma expressão séria e claramente incomodada.
O que não era surpresa.
Ela estava completamente fora do ambiente dela.
Uma garota popular… presa num depósito com um grupo de esquisitos.
Incluindo eu. E, por mais que eu tentasse ignorar… era impossível. Afinal, foi ela quem fez o pedido.
— Como eu disse mais cedo, Naomi-chan e eu combinamos de nos encontrar para ajustar os últimos detalhes do plano — começou Natsuki-senpai. — Mas não dava pra fazer isso em qualquer lugar.
Ela levantou o dedo indicador, como se estivesse dando uma aula.
— Além disso, Naomi-chan está sempre cercada pelas amigas. Se ela sumisse do nada, levantaria suspeitas.
Mesmo assim… ela falava com uma naturalidade estranha para alguém que, até onde eu sabia, nem era próxima da Naomi.
— Por isso — continuou Yoshiko-sensei — decidimos nos reunir em um ponto cego. Um lugar onde ninguém prestaria atenção.
— Então criamos uma situação — completou Natsuki — pra tirar vocês dois… e nós duas… sem parecer estranho.
— Então você não ficou brava por eu ter te chamado de ogr—
THUD
— AI!!
A “ogr— digo, Yoshiko-sensei” deixou bem claro que não apreciava o apelido.
— Pela reação do Yuji… posso assumir que ele não faz parte do plano?
— É óbvio que não. Você acha mesmo que esse idiota conseguiria seguir um plano?
— Realmente.
— Vocês são todos muito maus… hunf!— Yuji suspirou, fazendo beicinho.
Naomi continuava observando tudo em silêncio.
Sua impaciência era evidente — o leve bater do pé no chão, os pequenos movimentos inquietos. Ainda assim, talvez por saber que tudo aquilo só estava acontecendo por causa dela… tentava manter a compostura.
— Querendo ou não, aquela situação foi perfeita pra tirar vocês dali — disse Yoshiko-sensei. — Nem precisei armar nada. Foi até mais fácil do que lidar com as garotas.
— Foi bem mais difícil… — destacou Natsuki-senpai. — Diferente de vocês, mexer com a Naomi-chan causa muito mais alvoroço.
— …Sim — continuou Yoshiko, interrompendo. — Não podíamos inventar qualquer desculpa. Isso poderia afetar a reputação dela. Não só como estudante… mas como pessoa.
Naomi não disse nada.
Mas, por um instante, desviou o olhar.
— Além disso — continuou a sensei —, precisava ser algo que também justificasse a saída da Yumi-chan.
— O que já é complicado por si só — comentei. — Já é estranho o bastante uma aluna do terceiro ano estar em uma viagem do segundo.
— Exatamente — Yoshiko assentiu. — Oficialmente, Yumi-chan está aqui como membro do Clube de Amigos. Isso, por si só, não chama tanta atenção.
Ela fez uma breve pausa
— O problema… é a fama dele
Natsuki sorriu de leve, meio sem graça.
— Diferente dos novatos, muita gente sabe quem ela é — continuou a sensei. — Se começassem a notar que ela anda constantemente com a Naomi-chan…
— …isso poderia afetar a reputação dela — completei.
— Exatamente.
Por um breve momento… o silêncio tomou conta do depósito.
Eu não estava com eles há tanto tempo. Ainda assim, uma coisa já era clara: Yoshiko-sensei detestava a forma como as pessoas tratavam o Clube de Amigos.
Lembro de ela já ter mencionado, certa vez, que tentou inúmeras vezes acabar com essa “fama”.
Mas esse tipo de coisa… não desaparece tão fácil.
Na verdade, costuma ser o contrário. Ela se enraíza. Como o joio misturado ao trigo — indistinguível à primeira vista, mas sempre ali, contaminando tudo ao redor.
Mesmo alguém na posição dela, por mais que tentasse confrontar, corrigir ou punir… dificilmente mudaria algo. Às vezes, só piora tudo. Porque quanto mais se bate de frente… mais resistência surge. Mais desconfiança. E por consequência, mais ódio.
E então vêm os boatos. As fofocas. As versões distorcidas. E quando você percebe… aquilo já se espalhou. Se fixou e virou “verdade”. Os anos finalmente passam… mas o desprezo continua ali para sempre. Como se nunca tivesse ido embora em momento algum.
É como enxugar um grande cubo de gelo
Por isso…
O que ela estava fazendo agora era tão contraditório.
Para que o plano desse certo… Yoshiko-sensei precisava agir exatamente da forma que mais odiava.
Que irônico.
— Caham. Me desculpem, mas podemos ir direto ao ponto? Eu não posso ficar aqui perdendo tempo — disse Naomi, passando a mão pelos longos cabelos cor de mel. — Prometi sair com a Seiko e a Akari. Vamos visitar algumas cafeterias em Arashiyama

Como se tivesse finalmente chegado ao limite, Naomi — que até então só observava — decidiu intervir
E, com uma única fala… tomou o controle da situação.
O depósito inteiro a observou em silêncio. No entanto, havia algo estranho. A forma como ela falava conosco… era completamente diferente da que eu já tinha visto quando estava com as amigas. Ela era muito mais fria, direta e impaciente do que parecia ser
Dizem que as pessoas revelam muito de si nas primeiras impressões.
Se isso fosse verdade…
A minha dela não tinha sido das melhores.
Nossa sensei, que por alguns minutos parecia ter se esquecido da presença de Naomi, voltou imediatamente sua atenção para ela.
— Oh? Naomi-chan. Acredito que você prometeu cooperar com o plano. Estou errada?
— Claro que eu lembro. Afinal, fui eu quem fez a requisição. — Naomi suspirou, claramente incomodada. — Mas estamos perdendo o foco aqui. Está quente demais nesse lugar… e eu realmente não tenho tempo pra ficar brincando com vocês.
Ela não estava errada.
O depósito parecia um forno. Tirando a pequena janela perto do teto, quase não havia circulação de ar.
— Naomi-chan… — Natsuki-senpai chamou sua atenção com um sorriso um pouco forçado. — Eu entendo o que você quer dizer. Mas, para que nossa missão tenha mais chances de dar certo… não acha importante que nós nos conheçamos melhor?
— Não.
A resposta veio rápida demais.
— Eu não tenho interesse em conhecer vocês melhor. Só quero que cumpram o que prometeram.
O clima do depósito pesou imediatamente.
— M-mas Naomi-chan… — Natsuki pareceu hesitar por um instante. — Foi você quem pediu nossa ajuda. Não acha que poderia ser um pouco mais gr—
— Grata?
Naomi a interrompeu sem hesitação.
— Isso é literalmente o trabalho de vocês, não é? Ninguém obrigou o Clube de Amigos a aceitar meu pedido.
Ela cruzou os braços.
— O problema é que já estamos no meio da viagem… e vocês ainda nem parecem ter um plano concreto.
Natsuki ficou em silêncio.
— Isso é…
— …Ou eu estou errada?
“Natsuki-senpai…”
Aquilo era algo que eu definitivamente não esperava ver.
Natsuki-senpai sempre parecia ter controle de tudo.
Calma. Pacífica. Aquele tipo de pessoa capaz de suavizar qualquer situação apenas com algumas palavras.
Mas agora…
A senpai sempre tão confiante — tão acolhedora — estava em silêncio.
E, pela primeira vez desde que entrei naquele clube…
Parecia derrotada.
Naomi tinha assumido completamente o controle da conversa.
— Viu? — disse ela, ajeitando o cabelo. — Eu estava certa.
Sua voz permanecia fria.
— Então parem com essa conversa inútil e comecem logo a trabalhar. Seus amadores, eu não posso perder mais tempo aqui.
Ela desviou o olhar por um instante.
— Tudo depende dessa viagem.
Naomi parecia satisfeita.
Ela sabia que havia vencido.
E, no momento em que Natsuki hesitou… ninguém mais conseguiu contrariá-la.
Sem dizer mais nada, Naomi caminhou até a porta do depósito.
click
Então saiu.
***
Natsuki-senpai ainda parecia abalada pela discussão com Naomi-san.
Mesmo assim, logo após a saída dela, pediu para Yoshiko-sensei ir atrás dela.
— Se ela voltar sozinha, vai parecer estranho.
— …Tudo bem. Mas consegue lidar com isso sem mim, Yumi-chan?
— Eu não estou sozinha. Tenho o Ryoichi-kun e o Yuji-kun comigo.
— …
Yoshiko-sensei ficou em silêncio por alguns segundos.
Então, um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Você realmente cresceu, Yumi.
Foi a última coisa que disse antes de sair do depósito.
Natsuki-senpai apenas sorriu de volta.
Depois disso, ela pareceu pensar por alguns segundos.
— Bem… onde estava mesmo…? Ah! Yuji-kun, você pode olhar embaixo das prateleiras?
— Hã? — Yuji piscou, confuso por ter sido chamado de repente. — Claro… mas por quê?
Antes mesmo que ela respondesse, ele já começou a se arrastar pelo chão, tentando enxergar alguma coisa sob as velhas prateleiras.
Pela reação da senpai, realmente parecia haver algo escondido ali.
O problema era que o depósito estava escuro… e o chão definitivamente não parecia limpo.
— Ah… isso vai acabar com a minha rinit— Oh? Tem alguma coisa aqui…
Yuji tateou por mais alguns segundos antes de puxar um objeto empoeirado debaixo da madeira.
Parecia um tipo de mapa turístico.
— Era isso que você queria encontrar, Natsuki-senpai? — perguntou ele.
— Eu não sei. Eu não consigo enxergar
— Ah… é verdade.
Natsuki soltou uma pequena risada diante da reação exagerada de Yuji.
Aos poucos, ela parecia voltar a ser a senpai de sempre.
— Vamos ver… é um mapa?
— Uau?! Como você acertou?! — Yuji arregalou os olhos, genuinamente impressionado.
— Você é idiota? — respondi imediatamente. — É óbvio que ela já sabia.
— Hihi… provavelmente. — Natsuki sorriu. — Mas, se Yoshiko-sensei fez tudo como eu pedi… então deve haver alguns locais marcados aí. Certo?
— Hã?! — (2x)
Levamos o mapa até a pequena área iluminada pela luz da janela.
Assim que conseguimos enxergá-lo melhor, percebemos que era um mapa turístico de Kyoto.
E realmente havia marcações.
Vários pontos espalhados pela cidade estavam marcados com um “X”. Ao lado de cada um, havia horários e nomes anotados cuidadosamente.
Mas o mais curioso era outra coisa.
As marcações estavam divididas em duas cores.
Rosa… e azul.
— Isso é…
— Pelo tom da sua voz, acho que você já entendeu, Ryoichi-kun — disse Natsuki-senpai.
Ela se aproximou lentamente do mapa.
— Esses são todos os lugares que Naomi-chan e Kamo-kun visitarão durante a viagem.
Seu dedo deslizou pelas marcações do mapa
— Rosa representa o grupo da Naomi-chan.
Então apontou para as demais
— E azul… o grupo do Kamo-kun.
Eu realmente tentei ignorar o fato de que ela tinha apontado para as cores erradas.
Me esforcei ao máximo para não olhar para o idiota do Yuji, que claramente estava se segurando para não rir.
— Você se lembra de como funciona a viagem do segundo ano? — perguntou Natsuki-senpai.
— Se me lembro bem… — comecei a recapitular — ela dura três dias e duas noites. Os alunos são divididos em grupos de até quatro pessoas. Existe um cronograma obrigatório da escola… mas cada grupo também pode montar o próprio roteiro
Passei os olhos pelo mapa mais uma vez
— Em resumo, fazemos turismo nos lugares definidos pela escola… enquanto visitamos outros locais por conta própria
— Bingo! Mais trinta pontos para você, Ryoichi-kun!
Sessenta pontos em um único dia
Definitivamente um novo recorde
Uma pena que eu não pudesse trocar isso por mangás… ou gemas de gacha
— Exatamente — continuou Natsuki-senpai. — É verdade que não sabemos quais lugares o grupo do Kamo-kun pretende visitar por conta própria, mas—
— …sabemos os lugares que eles são obrigados a visitar — completei.
O sorriso da senpai se ampliou imediatamente
— Isso mesmo.
— I-isso é genial! Você é incrível, senpai! — exclamou Yuji, impressionado.
De repente, Natsuki-senpai se virou abruptamente, ficando de costas para nós.
Ela manteve os braços cruzados atrás do corpo.
Por alguns segundos… apenas ficou em silêncio.
Como se observasse algo muito além daquele depósito abafado.
— Essa viagem… é tão importante pra vocês quanto é pra ela.
Sua voz saiu mais baixa do que o normal.
— Vocês estão sacrificando uma parte importante da juventude de vocês só pra ajudá-la…
— Natsuki-senpai…
O comportamento de Naomi claramente a tinha afetado.
Mas aquilo parecia ir além de simples irritação.
Era outra coisa.
Algo que eu ainda não tinha visto nela até então.
— “Vocês não trabalham?”
— “São apenas amadores?”
Ela repetiu as palavras de Naomi lentamente.
Então apertou os punhos.
— …Vamos ver.
Naquele instante, os sentimentos que ela tentava esconder se transformaram em determinação.
E, estranhamente…
Aquilo acabou me afetando também.
Até pouco tempo atrás, eu realmente não ligava muito para toda aquela missão.
Mas agora…
Eu queria provar que Naomi estava errada.
Natsuki-senpai brilhava diante de nós.
Não apenas como minha veterana.
Mas como uma verdadeira líder.
Ela então se virou novamente para nós, cheia de energia.
— Vamos mostrar pra ela, rapazes!
Um sorriso surgiu em seu rosto.
— A verdadeira força do Clube de Amigos!
Notas do Autor: Todas as Ilustrações dessa novel são feitas por IA. Comentem e façam teorias, leio e respondo todos os comentários
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