Volume 1
Longe de Casa
Acordo saltando do lençol. Sinto meu rosto suar levemente na região da minha testa e escorrer pela lateral. Respirava profundamente pela boca e um medo toma meu corpo me fazendo perder a noção por um instante. O nome “Lilith” é exclamado pela minha boca. Erik salta do seu banco improvisado.
— Ei! Ei! Se acalma, tá tudo bem. — Ele me segura pelos ombros.
Meus olhos arregalados se mantêm fixos para o horizonte. Minha respiração, no entanto, se acalmara aos poucos. Ele me deixa novamente no colchão improvisado aterrissando gentilmente minha nuca ao travesseiro manchado.
— O-onde estamos? — digo eu com esforço na voz arrastada, meus olhos rodeiam o lugar com curiosidade. Um quarto caído aos pedaços, o teto quebradiço levando as rachaduras até os cantos das paredes e buracos mostrando o céu à fora. O mofo é penetrante nas paredes, teias foram tecidas e a poeira com destroços cobrem uma parte do assoalho.
Erik se senta no ao meu lado.
— Não sei ao certo. Estamos fora da cidade. Longe, mas ainda podemos vê-la pela janela. Um pontinho laranja fraco.
Dou um suspiro de alívio e fecho os olhos procurando sentir se eu estava inteira.
— Como você está? — ele me pergunta.
Meus olhos, entreabertos, encararam meus pés sob o lençol. Meus lábios se recursavam a querer responder, mas eu precisava botar o que estava na minha garganta para fora pela minha própria sanidade. Enfim, respondi a pergunta com meus olhos fugindo do seu olhar:
— Dada às circunstâncias do meu pai ter morrido e minha melhor amiga, recentemente… eu me sinto uma completa merda… E meu nariz está com um dos lados entupido…
Minhas mãos acariciam meu rosto involuntariamente. O lado do nariz que estava normal eu sentia apenas o cheiro de sangue.
— Sabe… — continuei. —, pensei que indo para algum canto distante isso poderia atrair aquele sujeito para longe deles. Mas não fez diferença. Ele ainda está por aí me procurando, a Praga retornou… estamos condenados.
Senti formar pequenas lágrimas na extremidade dos meus olhos.
— Olha… vamos dar um jeito. Deve ter algum inseticida ou…
— Não existe jeito — eu o encaro com tom sério na voz, só percebi sua piada momentos depois, mas não estava com humor para tal. — Nunca conseguiram descobrir um jeito. E Provavelmente nem exista.
Meus braços se esforçam para levantar meu corpo, solto alguns grunhidos e me sento primeiro.
— Espera, vai com calma. Foi a primeira vez que usou teleporte, você enfraqueceu e desmaiou.
Ignoro seus avisos e me ponho de pé. Recupero o equilíbrio aos poucos com a parede e sigo para o cômodo seguinte: vejo o lugar desabitado, esquecido, sugerindo estar caído em ruínas para então não ser lembrado, a sala que entro é quebrada e empoeirada, o lugar de uma poltrona é substituído por uma pilha de madeira e destroços; livros queimados num canto escuro às cinzas, metade da parede à minha frente não existia mais e as janelas se foram. Olho para fora, naquele vão aberto, e noto que estamos em um edifício, o vento entra para dentro e bate no meu rosto suavemente. É refrescante mesmo pela madrugada. O frio da noite. No horizonte vejo a descrição de Erik: Homeworld tão longe e pequena que parece apenas uma pequena luz laranja enfraquecida. Suspiro devagar pelo único lado do meu nariz, dando várias e leves piscadas.
— Impressionada?
— Ai! Porra… — Me assusto fortemente. Shaw estava logo atrás, perto da saída sem porta. — Você… me assustou.
Encaro Shaw numa cadeira velha de frente para o mesmo vão que eu. Ele acende um lampião em seguida.
— Hmm... achei que tivesse me notado.
— Não, é que eu não lhe vi aí no escuro.
— É por que sou negro?
Essa pergunta me pegou desprevenida.
— O quê? Claro que não... Não mesmo, eu juro, eu só…
Ele solta um gargalho rápido sem tirar os olhos de mim.
— Eu tô brincando, garota. — Ele solta um sorriso, toma um gole do seu cantil e o deixa no chão.
Eu fico toda sem graça.
Shaw, pela aparência, é um homem de um bom físico, na faixa etária dos 40 anos. Vestia um colete vermelho-carmesim cujas mangas dobradas nos seus braços mostram suas mãos ríspidas e cansadas. Usa botas escuras e calças largas marrom.
— Devia estar descansando. — Disse ele. Ele me encara com seus olhos castanhos escuros e rosto quadrado.
Seu semblante transmite um ar de cansaço, seus olhos ferozes aparentam estar pesados, e sua barba é metade grisalha e malfeita. Embora na batalha anterior ele carregava uma espada negra em suas costas, agora ela descansava em sua bainha no pé da porta próxima.
— Bom… acho que é difícil eu descansar depois de tudo que houve.
— É, não tem como negar. Mas levando em conta desde o dia em que as anomalias aconteceram no seu quarto ou do acontecimento da sua irmã, você tem lidado com isso tudo até que bem…
É estranho um elogio desse calibre, mas ele me despertou um alerta: como ele sabia desses eventos? Ocorreram em ambiente fechado e ninguém foram pessoas próximas de mim sabiam disso tudo. Havia algo por trás…, foi então que juntei as peças, a pessoa que me seguia era ele. Me vigiando e sempre por perto.
— Espera… era você me vigiando esse tempo todo! Por quê?
— Porque já houve outra anomalia antes. Nas Montanhas Cúbicas e num dos Arcos próximos da cidade. O Temporizador me mandou te vigiar, ele sabia que era apenas uma questão de tempo.
Uma questão de tempo, mas para quê? Por que eles tinham que ficar de olho em mim por todo esse tempo por conta da anomalia? É deveras estranho e ansiava para conversar com Temporizador.
Volto a olhar o horizonte, suspiro suavemente com pesar e desconforto — ainda sentia apenas o cheiro de sangue pelo meu nariz. “Agora não há mais volta, não é?”, pensei. Apesar de isto ser o que eu queria, não foi como planejei que terminasse. Pergunto o paradeiro do Cavaleiro Atemporal e Shaw me indica o caminho.
Subindo uns degraus feitos de escombros, olho pelas brechas das paredes o lugar em que estamos alocados, a vegetação cobria a maior parte do lugar, com alguns edifícios na qual eu tentava identificar. Sentia que conhecia onde estávamos, mas a certeza continua a escapar de mim. O caminho levou-me para o topo, devastado e com abertura para o céu noturno e, neste momento, limpo; o chão áspero pinicava meus pés junto às pequenas pedras por ali e aqui. O caminho me era amplo para andar com destroços e entulhos nos cantos. Temporizador estava de frente para o mesmo horizonte. Em pé e imponente. Braços cruzados e o vento brandia seu manto que cobria o braço esquerdo. Eu mal fazia barulho, e só de chegar próxima minha língua ficava sem o que dizer e minha mente ficava perdida em como agir. Eu dava “oi”? O saúdo? Nunca soube como cumprimentar um homem do seu status, minha mãe sempre tomava as rédeas quando eu travava, e este momento é um deles. Me mantive estática ali por um tempo, sua imponência é grande com a áurea de um verdadeiro Cavaleiro. Minhas mãos se remexeram uma pela outra, engoli seco, e quando abro minha boca ele me saudou primeiro. Me mantive perplexa por uns instantes. O uivo do vento abafou o silêncio total.
Eu ainda não sabia o que falar.
— Descansou bem?
— Bem… digamos que sim, mas ainda sinto que vou ter que viver fugindo. — Baixei a cabeça, meus olhos ficaram tristonhos.
— Tecnicamente, sim.
— E-encontrei-me com Shaw lá embaixo. Ele me disse que estarias aqui. E este me disse que vocês me vigiavam por um tempo porque posso ter algo relacionado com as anomalias que vem acontecendo. É verdade?
Sua pose se manteve estática, assim como seu silêncio breve.
Me aproximo ao seu lado.
— Mas… Por quê? — eu arrasto minha voz, olhando para a cidade junto com ele.
— Porque foi necessário — meu olhar se volta para ele. — Mas isto aconteceu após seu nascimento. Um nascimento que mudou o rumo das coisas.
E assim ele contou: “Naquela época, visitei uma Premonitora, contou-me ela de uma criança e uma série de eventos indicando que o temido Acrônimus retornaria.
Sua mãe e o reino haviam recentemente terminado de reformar tudo após a Guerra.
Ela havia-lhe dado à luz, e nisto, veio os eventos: O gigante, adormecido, que nunca se movimentou, moveu-se de lugar, deixou seu esqueleto, e sua espada cravada no peito, na costa da Montanha Cúbica; plantações se apressaram na passagem do seu amadurecimento e desbalanceou o equilíbrio. O mar trouxe baleias mortas para o litoral no norte da ilha… Seu nascimento acarretou algumas situações incomuns, nisto decidi manter-me de olho em você mesmo com seu pai na cola.”
Eu fiquei impressionada, e assustada ao mesmo tempo.
— Seu crescimento fora normal para uma princesa, apensar de eu avisar sua mãe das atividades excessivas no seu cronograma, principalmente o balé no gelo.
— É, aquilo não era nada legal…, mas o que o Carniceiro tem a ver com isto tudo?
— Venha — diz ele.
Cruzamos rapidamente uma ponte de cipós para o outro edifício destroçado. Fitei por uns instantes o cipó, sua cor verde já desgastada dava uma falsa impressão de desgaste e que romperia nos deixando cair, mas ela não fez barulho algum. Enquanto atravessávamos, Temporizador conta quando surgiu Merovak, o Carniceiro: não se sabe ao certo quando ele surgiu, mas fez bastante estrago em seus primeiros anos matando aleatoriamente várias pessoas de todos os tipos e raças, alguém despretensioso, mas que criou uma grande reputação com o vasto derramamento de sangue por Ecor. Ele era louco na época. Se quer tinha um nome. Então foi sumindo da vista de todos bem na época em que nasci, agora retorna com a identidade de Merovak, o Carniceiro, um ser calculista e insano cuja matança não é mais sem sentido, seu propósito real para com o sangue das princesas ainda é desconhecido.
Assim, atravessamos a ponte.
Temporizador temia pelo pior e isto era nítido pela história contada. Engoli seco e permaneci caminhando atrás dele. O Cavaleiro suspeita que Merovak esteja atrás de um poder maior, um que será libertado a partir de um ritual que exigia sangues de princesas. Não é algo concreto e sim especulações e deduções feitas por ele.
— Temo que você seja a última para que ele possa completar o ritual e roubar o poder d’A Ira Encarnada de Ínnumar.
Meus olhos se arregalaram, e meu rosto em expressão de espanto.
— Espere. Está falando do…
— Sim. Temo que Merovak planeja obter o poder de Acrônimus.
Acrônimus, uma criatura tão maléfica e horrenda que os mais temidos usuários de magia tremem ao ouvir eu nome. Canções ecoam seus feitos em eras passada de terror, morte e medo. Nunca se foi possível ter certeza de onde a criatura surgiu, nem sua fisiologia. Lembro-me de ouvir nosso mago real, Paracelso, comentar comigo numa de suas aulas.
Neste edifício, estávamos cobertos desta vez e à frente uma mesa improvisada de concreto com algumas coisas acima, dela o Temporizador pegou e deu-me um livro antigo que continha escritas em vermelho sobre a criatura e um desenho descritivo: alto e de aparência raquítica, os braços largos caíam quase tocando no chão, seus dedos, afiados, podiam enrolar no pescoço de qualquer um e suas pernas lembravam de um inseto ambulatório. Seu rosto? Apenas um sorriso estridente alargado. Claramente um desenho exagerado.
— M-mas ele é só uma história — comento com medo. Meus olhos se viraram para seu elmo. — Ele não pode ser real… ou pode?
— É tão real quanto o sol que nasce toda manhã. Para nossa sorte o poder da criatura não pode ser obtido por completo, nenhum ser é capaz de obter tamanho poder sem enlouquecer e morrer segundos depois. Mas uma fração é o suficiente.
— Certo… — digo eu, suspeitando. — Mas está tudo bem agora, certo? Quero dizer, estou a sei lá quantas léguas de distância de casa num lugar que nem mesmo eu sei onde estamos, mas, mesmo assim, você ainda sente uma enorme preocupação. Por quê?
Temporizador virou, apoiou as mãos no escombro entre seus trambolhos e à luz ambiente vinda de fora. Explicou, então, que o Carniceiro possuía um meio de rastreio. Sua espada. Fazia-o sentir meu rastreio por onde quer que eu fosse, o teleporte não duraria por muito tempo até me achar nestas ruínas. Engoli seco e senti um arrepio vindo dos meus pés até meu menor fio de cabelo.
— Bom, o que estamos esperando? Precisamos ir logo!
— Não é tão simples — ele diz. — Fui encarregado de encontrar a solução para o problema da Praga em Ecor. Não iremos sair sem rumo, temos um curso e o seguiremos.
O Cavaleiro saiu para se juntar ao outros. Enquanto ele atravessava a ponte contestei sua fala. Ninguém jamais foi capaz de criar uma solução definitiva para a Praga, é dito em livros, contos e ensinamentos que se tornou um fato, tal coisa. Eu estava confusa, perdidamente confusa. Como ele poderia tornar um fato conhecido em algo obsoleto e contornar afirmação de anos conhecida? Apenas seguindo-o nesta jornada para saber a verdade.
— O inexplorado pode ser catalogado. O inalcançável, ultrapassado. O fato, contornado.
Certamente isto ficará ponderando em minha mente depois.
Descemos o caminho de volta para com os dois. O céu parecia ser mais vívido e brilhante lá de cima. Ao andar piso numa pelúcia, meus pés reconhecem a pelagem macia idêntica ao urso da minha irmã menor, isto fez meu cérebro recordar dos momentos com Lana e a saudade tomou meu coração. Meus olhos encaram a pelúcia queimada.
Erik estava sentado naquele vão com a vista para fora.
— Fazia tempo que eu não observava uma paisagem como essa.
O observo por um curto período e solto um sorriso de canto. A conversa com Temporizador voltava e voltava em minha cabeça, sempre desejei sair e me aventurar em uma guilda, ser reconhecida por meus feitos, e ajudar os reinos em momentos de crise, mas a realidade mostrou-me que meu destino é algo mais trevoso: viver sendo perseguida até minha morte sem jeito de sair viva no fim pondo pessoas ao meu redor em perigo, era isto mesmo esta minha vida agora? Viver fugindo sem rumo apenas sobrevivendo até onde eu conseguisse? Me via obrigada a concordar comigo mesma, mas se fosse isso mesmo eu não colocaria mais ninguém em perigo, nem mesmo meus salvadores que quase morreram por mim.
Sigo meu caminho para o mesmo cômodo na qual acordei, meus olhos procuram rapidamente minha mochila. Agarro-a e começo a verificar se minhas coisas ainda estavam ali: roupas, suprimentos...
Aparentemente tudo certo.
Agarro umas botas boas, mas velhas, do cômodo e começo a tentar calçá-las. Admito que não estava fácil, pois a entrada não era do meu tamanho, mas teria de servir.
Assim que eu estava conseguindo vejo um movimento estranho no fundo da minha mochila. Pego-a pela alça a trazendo para perto e o instante que abro um animal pula para fora. Acerta meu rosto, caio para trás e ele sai correndo pelo quarto, assustado. Quando o vejo ele se esconde debaixo da coberta na cama. Aproximo-me com cautela, me arrastando no chão agachada até suspender o lençol: é aquele dragão pequeno que encontramos nas masmorras. “Oh. Você deve ter fugido no dia do ataque não foi, pequeno?”, pensei o fitando com olhar sereno.
— Terá de vir conosco — Diz o Temporizador, no pé da entrada. — Será um árduo caminho, sim, mas logo se acostumará com… o que está fazendo?
Meu rosto vira involuntariamente para o Cavaleiro. Me levanto e volto ao meu objetivo. Com tudo verificado e colocado de volta na mochila, agarro-a pela alça e a ponho nos ombros.
— Estou partindo. — Fecho os olhos de costas para ele.
Ele se mantém estático, vê-me para lá e para cá ajeitando as botas nos meus pés.
— Por quê?
Assim que o ouço, levanto-me, já calçada, e o respondo:
— Oras!… Porque isto não é para mim, isso tudo que passei e as pessoas que coloquei em perigo foram culpa minha e quando achei que estariam salvos quando eu estava indo embora, mais uma pessoa preciosa na minha vida morreu… Essa merda toda é sim culpa minha, e daquele monstro desgraçado. Não vou fazer com que vocês fiquem em perigo e morram também.
O Cavaleiro Atemporal adentra no quarto, com passos pesados rangendo a madeira do chão, ele chega bem próximo de mim e me encara, a lamparina jogava sua sombra para as paredes dando a impressão de que iria cobrir o quarto todo. Antes dele sentar-se, inclinei a cabeça e vi os arranhões de batalha escondidos no seu elmo. Ele junta as mãos e continua a me encarar. Mantenho firme minha palavra mesmo me sentindo desconfortável com o tempo que estava levando para ele sair do silêncio e, assim como a Sombra, tentar me convencer.
— Certo.
“Certo?”, pensei confusa. Minhas sobrancelhas serraram e meu rosto mudou de face.
— Érr… Como assim “certo”?
— Não posso obrigá-la a ficar contra a vontade. Pode ir, mas acho difícil sobreviver aqui fora. Aqui não é mais Homeworld. A salvamos, e somos, pois, capazes de lhe proteger e ensinar a se defender verdadeiramente…
— Isso está ficando interessante.
“Está estranho, na verdade.”
— Entendo seu medo, mas asseguro que já enfrentei coisas piores. Sou mais velho do que aparento. Erik não pode morrer. Shaw tem experiência em combate.
Suas palavras estavam me influenciando sem eu perceber. Será que posso mesmo ficar com eles sem os pôr em risco? Seu chamado é óbvio, mas não desejava me iludir e o ciclo de morte reiniciasse. Mas ele está certo: não estou mais em Homeworld e aqui fora eu estou sim perdida. Eles são os únicos dispostos a me ajudar, certamente. Se eu não morresse pelo Carniceiro, morreria pela natureza.
— Não sei bem…
Ele se levanta e tira do bolso de trás uma pequena haste de ferro, sua mão a cobria e ao sacudir duas vezes ela se transforma em um cajado. O mesmo cajado que a rainha usou no2 dia do ataque e que a derrubou por exaustão. Ambos observávamos o brilho que emanou, as partículas sumiram rapidamente no ar e o cristal no orbe da extremidade do cajado criou luz.
— Essa é…
Ele estica os braços e minha direção mostrando o cajado. Meus olhos brilharam pela maravilha em minha frente. Que estupendo! Minha boca se abriu sozinha, quase podia a ouvir chamando por mim, olhar o cristal rodar no próprio eixo é de fato relaxante e hipnotizante.
Eu voltei a mim quando Temporizador a ofereceu-me.
— Pouco depois do enterro do seu pai, sua mãe deu-me isto. Disse para lhe dar quando chegasse a hora…
O senti o peso em minhas mãos pequenas, como se eu estivesse carregando um grande pedaço pedra em minha mão. Senti-me realizada, meu primeiro cajado, minha primeira arma. Um sorriso se abriu em meu rosto se esticando cada vez mais.
Shaw nos chama para irmos, o sol em breve nascerá e logo teremos de partir. O Cavaleiro assentiu.
— Oh… e eu tenho um presente para você.
Ele tira das costas uma caixa retangular, achatada, ornamentada com um laço no topo, verde. Apoio o cajado na parede e pego a caixa misteriosa, meu sorriso se torna tímido e some pela metade. Pisco algumas vezes antes de abri-lo, imaginando muitas possibilidades, mas era muito melhor. Como todo grupo de aventureiros e guildas os membros precisam de roupas adequadas, e como tal Temporizador providenciou a realização deste meu sonho com a mesma roupa que eu frequentemente observava e sonhava pela vitrine de uma certa loja. Mas em outra cor. A camisola com manga é azul marinho enquanto a calça é um ciano vivo, ambas dobradas dentro da caixa, ao lado dois braceletes e uma ombreira protetora com o símbolo de Homeworld. O sorriso, antes tímido, voltou a cobrir meu rosto.
— E-eu…
Os sentimentos se misturavam assim como as palavras em minha língua, elas se entrelaçavam tanto a ponto de não conseguirem sair de uma só vez. Mas Temporizador, esperto e astucioso, percebe minha gratidão e assente para mim. Meu coração bate rapidamente e involuntariamente o abraço num piscar de olhos. Abraço-o com vontade. Meus braços mal conseguiam alcançar suas costas, minhas bochechas acariciavam seu tórax cheio de camadas de ferro e roupas, mas não importava, eu precisava demonstrar minha gratidão mesmo que eu tenha o conhecido por pouco tempo. Ele, aos poucos, envolve meu corpo com seus braços da forma mais tímida que já vi.
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