DYSTOPIA Brasileira

Autor(a): SkullGuy


Volume 2

Capítulo 13 - Prove seu Valor

QG dos Ceifadores – 04:45 AM

 

A escuridão do quarto do Henry é dissipada pelo brilho de uma lanterna tática. Ele já está sentado na beira da cama, completamente trajado com o uniforme negro e prata.

 

Elijah está encostado na porta, mas quem entra é Silas. O líder dos Ceifadores caminha até o centro do quarto, observando Henry como um mestre observa uma criação que ainda precisa ser testada.

 

— Levante-se, Henry — a voz de Silas é um comando baixo. — Hoje o mundo precisa ser limpo. Próximo daqui, a Linhagem das Cinzas está tentando queimar a terra para provar uma "pureza" que eles não possuem. Aqueles racistas acham que o enxofre é um batismo.

 

Silas se aproxima, a máscara de crânio já em seu rosto, a voz distorcida e poderosa.

 

— Faremos com eles o que fizemos com o Hidro-Conselho. Eles achavam que eram donos da vida porque controlavam a água; nós os deixamos em estacas. Agora, a Linhagem das Cinzas vai descobrir que só existe uma linhagem que importa: a nossa. E ela é forjada em aço, não em preconceito.

 

Henry olha para Silas, a cruz de prata brilhando entre seus olhos. Silas faz um sinal para o corredor.

 

— Originalmente, você iria com Elijah e Ian. Mas o Ian... — Silas faz uma pausa dramática — ...ele ainda não confia que você esqueceu o azul dos Hereges. Ele acha que seu coração ainda bate por Solomon. Por isso, você vai com Lil e Andrew. Se você sobreviver a eles e executar a missão, talvez o Ian comece a olhar para você sem o dedo no gatilho.

 

O Pátio de Saída – 05:15 AM

 

O som é ensurdecedor. Três motos pretas de alta cilindrada, modificadas com blindagem leve, estão roncando no pátio.

 

Andrew está montado em uma delas, empinando a moto parado enquanto mastiga um alcaçuz vermelho. Ele usa sua máscara marrom de olhos negros e sorriso discreto. Lil está na outra moto, acelerando o motor obsessivamente, sua foice gigante presa em um suporte lateral que parece uma asa de morte.

 

Silas aponta para a terceira moto, uma máquina agressiva e totalmente negra.

 

— Sabe andar de moto, Henry? Não importa. Você vai aprender no caminho ou vai ser deixado para trás na poeira. Siga o Andrew. Não dê ordens ao Lil. E acima de tudo... não morra por nada.

 

A Estrada para a Aldeia

 

As motos cortam a névoa das Cascades como projéteis. Henry sente a potência do motor sob ele; é uma velocidade que o parkour nunca poderia proporcionar. Andrew vai na frente, fazendo manobras arriscadas entre as árvores, enquanto Lil solta gritos agudos que se perdem no vento, entrando em seu estado de euforia pré-combate.

 

Pelo rádio, a voz de Jester surge com o tilintar de guizos:

— Oh, o trio maravilha! O Louco, o Caçula e o Pinóquio! Que combinação deliciosa! Estamos chegando ao perímetro da Linhagem. Eles estão queimando um acampamento de refugiados agora mesmo. É hora de transformar cinzas em pó!

 

Henry vê ao longe o clarão das chamas. O cheiro de enxofre começa a invadir os filtros de sua máscara.

 

O Ataque Começa

 

Andrew freia a moto bruscamente, deslizando de lado. Lil pula da moto ainda em movimento, soltando a foice do suporte com um rugido.

 

Vorian, no centro da praça, ergue seu cajado.

— Sintam o cheiro, meus irmãos! — Vorian clama, sua voz fanática ecoando. — O enxofre anuncia a chegada dos demônios de metal! Eles vêm para testar nossa pureza! QUEIMEM O CHÃO! QUE NADA SOBREVIVA À PASSAGEM DA LINHAGEM!

 

Triângulo de Morte

 

Andrew é o primeiro a atingir o perímetro. Ele saca sua submetralhadora com uma mão e despeja chumbo contra os encapuzados que guardavam a entrada.

 

— Ei, Henry! Vê se aprende! — Andrew grita pelo rádio, ele gira o facão de caça em uma mão e a arma na outra. Ele se move como se estivesse dançando em um playground, cortando gargantas entre uma risada e outra. 

 

— Cinza combina com vermelho, não acham?!

 

Lil entra logo atrás atacando um racista, a foice em um arco devastador que separa o tronco das pernas em um borrão de sangue.

 

Henry entra por último, mas com uma precisão que silencia o campo de batalha. Ele usa o impulso da moto para saltar sobre uma fileira de arqueiros que disparavam flechas incendiárias. No ar, aciona seu bidente de lâminas. Henry cai sobre um dos capitães de Vorian, cravando as lâminas no peito do homem. Ele não grita como Lil, nem ri como Andrew. Ele é o silêncio entre os estrondos.

 

Henry desliza pelo chão cinzento, chutando uma tocha para longe dos refugiados e usando um movimento de parkour para escalar uma estátua de cinzas, ficando cara a cara com o palanque de Vorian.

 

Vorian aponta o cajado para Henry.

— Vejam só, você cheira a arrependimento, garoto. Por trás dessa máscara, eu vejo um homem que ainda teme o fogo. Você acha que essa prata na sua testa te faz superior? Você é apenas uma sombra tentando apagar o brilho da verdadeira linhagem!

 

Vorian tenta girar o cajado para um golpe de impacto, mas Henry é mais rápido. Usando sua base de parkour, o Ceifador corre pela lateral de uma parede de pedra, pegando impulso para um salto diagonal.

 

No ar, Henry aciona as lâminas de suas mangas. O som de "clic" é a última coisa que Vorian ouve antes do impacto.

 

Henry aterrissa sobre os ombros de Vorian. Com um movimento técnico de Jiu-Jitsu, ele trava as pernas ao redor do pescoço do líder. Vorian tenta erguer o cajado, mas Henry é impiedoso: ele crava a manopla direita diretamente no pulso de Vorian, desarmando-o, e com a esquerda, desfere um golpe seco com a lâmina na garganta do racista.

 

O Julgamento de Lil e Andrew

 

Henry se levanta, limpando o sangue das lâminas no traje preto. Ao redor dele, o cenário é um massacre.

 

Lil caminha em direção ao corpo de Vorian, arrastando sua foice gigante pelo chão. Ele para diante do cadáver e olha para Henry.

— Ele morreu... sem receber a última ordem — Lil murmura, a voz trêmula, mas calma agora. — Você foi rápido, Azulzinho. Silas vai gostar dos seus... reflexos.

 

Andrew aparece logo atrás, guardando o facão e limpando uma mancha de cinzas da sua jaqueta preta. Ele solta uma bolha de chiclete que estoura com um estalo seco.

— É, nada mal para um novato — Andrew diz, dando um chute leve na cabeça de Vorian. — Mas o Ian ainda vai dizer que você demorou três segundos a mais do que o necessário. Ele é um chato.

 

Andrew então olha para os sobreviventes que a Linhagem das Cinzas estava prestes a queimar. Eles olham para os três Ceifadores com um terror ainda maior do que tinham de Vorian.

 

— E aí, Henry? — Andrew inclina a máscara marrom. — O que fazemos com as testemunhas? O protocolo do Silas é "limpeza total". Mas o "Coração de Ouro" dos Hereges ainda bate?

 

O Decreto do Ceifador

 

Os sobreviventes da vila — homens, mulheres e crianças que estavam prestes a ser sacrificados — observavam Henry com uma mistura de esperança e pavor. Eles viram o traje negro, a cruz de prata e o rastro de sangue deixado pelas suas lâminas.

 

Henry caminhou até o centro do grupo, as botas esmagando as cinzas quentes. Ele não retirou a máscara. Através do modificador de voz, suas palavras saíram pesadas, destituídas de qualquer calor humano.

 

— Ouçam bem — Henry disse, e o silêncio que se seguiu foi absoluto. — A Linhagem das Cinzas não existe mais. Mas isso não significa que vocês estão livres.

 

Ele apontou para as montanhas e depois para o solo manchado de sangue.

 

— Este território, cada árvore e cada ruína das Cascades, agora pertence aos Ceifadores. Se voltarem aqui, se tentarem reconstruir qualquer coisa sem a nossa permissão, as cinzas que encontrarão serão as suas.

 

Aterrorizados, os sobreviventes fugiram para a floresta, levando consigo apenas a história de que um novo demônio, vestido de preto e prata, agora guardava as terras de Silas.

 

O retorno ao QG da CIA é marcado pelo som pesado dos motores ressoando no concreto estéril do hangar. A poeira cinzenta da vila da Linhagem ainda impregna as dobras do traje negro de Henry, uma prova física do massacre que acabara de ocorrer.

 

Quando as portas pneumáticas se abrem, Henry, Lil e Andrew caminham em direção ao centro do complexo. Os outros nove Ceifadores já estão lá, posicionados em um semicírculo perfeito, como estátuas de ébano aguardando o relatório do inquisidor.

 

Henry caminha à frente. Ele para diante de Silas.

 

— A Linhagem das Cinzas não existe mais — a voz de Henry sai firme, amplificada pelo modificador. — Eles estão extintos. O fogo deles apagou.

 

Um murmúrio de aprovação quase imperceptível percorre o grupo. Zack guarda seu baralho com um estalo seco, e Diego balança os brincos de caveira, satisfeito. Ian permanece de braços cruzados, observando Henry com seus olhos severos, mas o dedo não está mais no gatilho de sua arma.

 

Silas dá um passo à frente. Ele abre um sorriso por trás das faixas brancas, um gesto raro de contentamento.

 

— Viram? — Silas exclama, abrindo os braços para os outros dez. — Eu disse que ele poderia ser útil. O Henry não é apenas um sobrevivente; ele é um predador que precisava apenas da matilha certa.

 

Silas então faz um sinal para Jester, que desliza em seu hoverboard trazendo um estojo metálico. Silas o abre e retira o revólver original de Henry. Ele entrega a arma pessoalmente nas mãos enfaixadas do Herege.

 

— Aqui, Henry. Como recompensa pela sua eficiência. Eu mandei limpá-la e lubrificá-la. Só restam seis balas... então use-as com sabedoria.

 

Henry sente o peso familiar da arma em sua mão. Ele olha para Silas, a cruz de prata brilhando entre seus olhos.

 

O grupo começa a se dispersar para suas alas. Quando Henry faz menção de se retirar, Sílvia caminha em sua direção. Ela não usa a máscara agora; seu rosto pálido e o cabelo wolfcut branco moldam uma expressão de respeito silencioso.

 

Ela para diante dele e, sem dizer uma palavra, fecha o punho e dá um leve soco no peito de Henry — o sinal universal de respeito entre soldados que compartilharam o campo de batalha.

 

Fim do Capítulo

 

 

 

 

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