Volume 1
Capítulo 2 - Saindo do Submundo
O ritmo da Locomotiva 09 era hipnótico. O clack-clack das rodas de ferro nos trilhos oxidados ecoava pelas paredes estreitas do túnel como um batimento cardíaco mecânico. Dentro do vagão de carga, a única luz vinha de um lampião de querosene pendurado no teto, balançando a cada solavanco.
Henry estava sentado em um caixote, limpando metodicamente as lâminas serrilhadas de seus socos-ingleses. Elena sentava-se à frente dele, afiando suas adagas de pulso em uma pedra de amolar, enquanto Kane permanecia perto da fresta da porta blindada, observando a escuridão passar velozmente.
— Você acha que o Condutor estava blefando? — Elena perguntou, sem tirar os olhos do aço. — Sobre esse "chefe"?
Henry parou o movimento das mãos. A imagem de Arthur Volkovich — um homem que não temia ninguém na superfície — tremendo ao mencionar um superior, não saía de sua mente.
— Volkovich é um sobrevivente, Elena. Ele não inventaria uma história dessas só para nos assustar. Se ele diz que há alguém acima dele, essa pessoa detém as chaves de tudo o que acontece aqui embaixo.
— O mundo costumava ser simples — comentou Kane, virando-se para o interior do vagão. — Nações, regras comerciais, aviões que não caíam do céu. Agora, estamos em um trem de sucata indo em direção a um mistério, fugindo de lendas e servindo a um mestre que nos deu máscaras de madeira em vez de nomes.
Henry olhou para sua máscara azul descansando ao seu lado.
— Solomon nos deu mais do que máscaras, Kane. Ele nos deu o direito de não sermos como os Cruzados. Ele nos deu uma escolha.
O momento de reflexão foi estraçalhado por um som agudo. Não era o trem. Era o som de metal arranhando a parte externa do vagão no teto.
Kane, posicionado perto da cabine de controle, levantou a mão pedindo silêncio. Seus olhos estavam fixos no teto do túnel à frente.
— Vocês ouviram isso? — sussurrou Kane.
Antes que Henry pudesse responder, um estrondo metálico sacudiu o vagão. Não foi um descarrilamento, mas o som de ganchos de abordagem prendendo-se às laterais do trem. De repente, as janelas reforçadas foram atingidas por coquetéis molotov improvisados, cobrindo o exterior do trem com chamas alaranjadas que iluminavam o túnel.
— Emboscada! — gritou Kane, acelerando o ruído estridente de suas serras.
O trem começou a desacelerar bruscamente enquanto figuras de camisas vermelhas saltavam das passarelas de manutenção superiores para o teto do comboio. Eram dez deles — um destacamento significativo, cerca de 13% de todo o exército de Vincent Malakor. Eles não estavam lá por acaso; o cheiro de PCP e o fanatismo em seus olhos denunciavam que sabiam exatamente quem estavam caçando.
Um dos Cruzados, com o rosto pintado com uma cruz de sangue fresco, chutou a escotilha superior e gritou com uma voz rouca e maníaca:
— Vincent quer a sua liberdade, Herege! A pólvora exige a sua cabeça para o batismo!
Henry sentiu o sangue ferver. A interrupção da missão, a ameaça aos civis que esperavam por aquela carga e a audácia da Cruz de Pólvora em invadir o território dos Viajantes foi o limite. Ele encaixou seus socos-ingleses com um clique seco e violento, seus olhos brilhando com fúria por trás da máscara de madeira azul.
— Filhos da puta... — rosnou Henry, sua voz ríspida e pesada de ódio. — Vou mandar todos vocês para o inferno!
Henry não esperou que eles descessem. Ele usou um caixote de carga como degrau e saltou em direção à abertura do teto, agarrando o Cruzado que gritava pela garganta. Com um movimento brutal, ele cravou a lâmina serrilhada de seu soco-inglês no peito do homem e o arremessou para fora do trem em movimento, observando-o desaparecer na escuridão dos trilhos.
Do lado de fora, no topo da Locomotiva 09, o vento cortante e as faíscas criaram uma zona de guerra. Os nove Cruzados restantes avançavam com facões e barras de ferro, deslizando sobre o metal quente.
— Kane! Elena! Saiam do trem! — ordenou Henry, já se lançando contra os próximos dois atacantes. — Eu cuido desses ratos aqui em cima!
Kane surgiu logo atrás dele, o zunido das serras abafando o motor do trem. Ele era um borrão de movimento, enquanto Elena deslizava pelas sombras laterais, pronta para colher as gargantas de qualquer um que tentasse entrar na cabine.
A luta nos trilhos, nas entranhas da garganta de pedra de Oregon, acabara de se tornar um matadouro.
O vento nos túneis era como uma lâmina gelada, fustigando a jaqueta azul de Henry enquanto ele se equilibrava no teto instável da Locomotiva 09. O ambiente era um caos de faíscas, fumaça preta de diesel e o piscar intermitente das luzes de emergência do túnel.
Três Cruzados cercaram Henry. Um deles, visivelmente mais alto e usando um colar feito de estojos de munição deflagrados, brandia um facão de açougueiro com destreza maníaca.
— O Vazio espera por você, Herege! — gritou o Cruzado, avançando contra Henry.
Henry esquivou por milímetros, sentindo o ar deslocado pelo golpe do facão. Ele não recuou. Em vez disso, usou o próprio impulso do trem para girar e desferir um soco lateral. O metal do soco-inglês atingiu em cheio as costelas do segundo Cruzado que tentava flanqueá-lo. O estalo de ossos quebrando foi abafado pelo ronco do motor, e o homem foi lançado para fora do teto, desaparecendo no abismo dos trilhos.
O Cruzado líder rosnou, seus olhos injetados de PCP brilhando em um vermelho doentio.
— Você luta bem para alguém que adora galhos secos! — Ele avançou novamente, uma série de golpes rápidos que forçaram Henry a usar as lâminas de seus socos-ingleses para bloquear o aço pesado do facão.
O som do metal colidindo criava faíscas que iluminavam a máscara de madeira de Henry por frações de segundo. Henry aproveitou um golpe alto do cultista grandalhão e se abaixou, executando uma rasteira técnica. Mas o homem, drogado e ignorando o equilíbrio básico, simplesmente pulou e tentou descer o facão em um golpe vertical com as duas mãos.
Henry rolou para o lado, sentindo o facão se cravar profundamente no teto de metal do vagão.
— Agora você é meu! — rugiu Henry.
Antes que o Cruzado pudesse puxar a arma presa, Henry atacou como um predador. Ele desferiu um direto de direita no rosto do Cruzado, estraçalhando o nariz do homem. Sem dar tempo para reação, Henry agarrou seu braço e o torceu, ouvindo o ombro saltar da articulação.
O homem não gritou de dor; ele riu, um som borbulhante de sangue e loucura.
— Sangue para a pólvora... — ele cuspiu no rosto da máscara de Henry.
Henry não hesitou. Ele cravou a faca serrilhada de seu soco-inglês esquerdo no pescoço do Cruzado e, com um chute poderoso no peito, empurrou-o para longe. O corpo foi varrido para trás pelo vento e atingiu uma viga de suporte do túnel com um baque surdo.
Apenas dois estavam no teto, mas eles hesitaram ao ver o mais forte de seu bando ser descartado como lixo.
— Quem mais quer ir para o inferno hoje? — perguntou Henry, sua voz fria e letal, enquanto o sangue escorria de suas luvas.
Naquele momento, o túnel começou a se abrir. A luz pálida da lua de Oregon começou a inundar a área enquanto o trem emergia das entranhas da terra.
Os dois Cruzados restantes trocaram olhares rápidos, a hesitação lutando contra o delírio químico em seus cérebros. Mas para Henry, a hesitação era um convite para o fim.
A Locomotiva 09 rompeu a boca do túnel, e o ar gelado da superfície atingiu o teto do vagão como um tapa. Sob a luz fria do luar, Henry se moveu.
O primeiro fanático tentou uma estocada desesperada com uma faca de combate, mas Henry desviou o corpo e, em um movimento fluido, agarrou o pulso do atacante. Com uma torção brusca, Henry usou o impulso do trem para arremessar o homem contra a borda do vagão; o Cruzado perdeu o equilíbrio e caiu sob as massivas rodas de aço, silenciado instantaneamente pelo peso do comboio.
O último sobrevivente da emboscada, vendo-se sozinho, tentou pular do trem na esperança de escapar pelo mato alto. Ele não foi rápido o suficiente. Henry arremessou sua faca de combate reserva — aquela guardada no coldre da perna — com precisão cirúrgica. A lâmina enterrou-se nas costas do homem ainda no ar, e ele caiu sem vida sobre o cascalho dos trilhos, tornando-se apenas mais uma silhueta desaparecendo na distância.
Henry respirou fundo, limpando o sangue de sua máscara de madeira com as costas da mão. O silêncio da superfície era perturbador após o caos do túnel.
A Visão do Desastre
O trem começou a desacelerar, parando com um rangido em um trecho da ferrovia que contornava uma encosta devastada. Kane e Elena subiram no teto, parando ao lado de Henry. Nenhum deles falou por alguns segundos, ambos exaustos por terem eliminado sua própria cota de Cruzados.
Lá embaixo, no vale entre pinheiros carbonizados, jazia o que restava do orgulho bósnio.
O avião de carga era imenso, uma carcaça de metal retorcido que parecia uma baleia prateada encalhada em um mar de lama de Oregon. A fuselagem estava partida em três pedaços principais, e as asas haviam cortado as árvores como se fossem grama.
— Algo está errado — sussurrou Elena, apontando para os destroços.
Uma fumaça densa de um tom verde doentio emanava de dentro do porão de carga rompido, rastejando pelo chão da floresta como uma névoa viva. Não parecia fumaça comum de incêndio; era pesada, química, e brilhava levemente sob a luz do luar.
— O Condutor estava certo sobre uma coisa — observou Kane, ajustando o foco de seus binóculos. — Não há sinais de fogo de artilharia e mísseis na fuselagem. Ele não foi explodido. Foi rasgado.
Henry desceu do teto do trem, pulando no solo úmido. Ele observou a névoa esverdeada se aproximando.
— Isso não é fogo — disse Henry, ajustando as travas de seus socos-ingleses. — Não importa quem derrubou este avião, quem quer que tenha feito isso pode ainda estar aqui embaixo.
Ele olhou para a floresta silenciosa que cercava o local da queda. O ar cheirava a metal e a algo doce e podre ao mesmo tempo. A missão de resgate acabara de se tornar uma missão de sobrevivência em território desconhecido.
O Silêncio das Folhas
A névoa esverdeada que serpenteava pelos destroços do avião bósnio não era apenas química; era um véu. Henry, Kane e Elena desceram a encosta com cautela, suas botas afundando no solo macio coberto por agulhas de pinheiro e fragmentos de metal.
— Henry, olhe — Elena parou, apontando para o tronco de uma árvore próxima.
Encravado na madeira, quase invisível, estava um dardo de cerâmica fino. Não havia sangue, mas a casca ao redor do ponto de impacto murchava instantaneamente. Henry se inclinou para perto, mas não tocou no objeto.
— Zarabatana — sussurrou ele. — Isso não é obra dos Cruzados. Malakor prefere barulho e terror. Isso é precisão.
— Os Espectros — disse Kane, com a voz mal audível. Ele ajustou suas manoplas-serra, mas não as ligou. O som das serras seria um sino de jantar para os caçadores nômades. — Eu ouvi histórias sobre espanhóis que cruzaram o oceano em navios à vela para reivindicar a terra. Dizem que a floresta os aceitou.
De repente, o vento mudou. O cheiro de metal oxidado foi substituído pelo aroma de musgo úmido e ervas amargas.
— Eles já estão aqui — afirmou Henry, cerrando os punhos.
Ele não conseguia vê-los, mas podia senti-los. O ambiente, antes meramente silencioso, agora parecia vigilante. A vegetação não era apenas cenário; era uma armadura. Entre as sombras dos pinheiros e os destroços do avião, vultos começaram a se materializar — não como pessoas saindo de esconderijos, mas como se o próprio chão e as folhas estivessem tomando forma humana.
Eram os Espectros. Seus trajes ghillie misturavam-se perfeitamente ao terreno, transformando-os em borrões verdes e marrons sob a luz do luar.
Do topo de uma asa retorcida do avião, uma figura se destacou. Ele não usava máscara de madeira ou metal, mas seu rosto estava pintado com pigmentos naturais que imitavam as sombras da floresta. O Major Ghost observava os Hereges com uma calma gélida, segurando sua zarabatana de cerâmica com tanta naturalidade como se fosse uma extensão de seu próprio corpo.
— Vocês caminham com o peso do metal, Hereges — a voz do Major Ghost era um sussurro rouco, seu sotaque espanhol ainda presente após anos de isolamento. — O chão geme sob suas botas. O ferro em suas mãos grita para retornar à terra.
Henry deu um passo à frente, mantendo as mãos visíveis para mostrar que não pretendia atacar primeiro, mas sem baixar a guarda.
— Major Ghost — cumprimentou Henry, reconhecendo a autoridade da lenda. — Não viemos pelo ferro. Viemos pelos remédios e pelos tecidos. Há pessoas morrendo de frio e infecção em Oregon.
— Aquilo que morre serve de adubo para aquilo que nasce — respondeu o Major, descendo da asa com uma leveza sobrenatural. Ele parou a poucos metros de Henry. — A civilização é uma doença que a pólvora tentou curar com o fogo. Nós somos a recuperação. O que caiu do céu agora pertence à floresta.
Henry olhou para os destroços, onde a fumaça verde parecia ser controlada ou utilizada pelos Espectros.
— Se vocês guardarem tudo, o equilíbrio que você tanto prega vai acabar — retrucou Henry, aumentando o tom de voz. — Porque se o povo de Oregon não tiver esses suprimentos, eles virão para a floresta em massa para caçar o que quer que tenha restado. E eles não virão com o silêncio dos Hereges. Eles virão com as tochas dos Cruzados.
O Major Ghost estreitou os olhos, sua faca de osso brilhando levemente. A tensão entre o metal dos Hereges e a fibra dos Espectros estava a um triz de romper.
O Major deu um sorriso irônico, mas seus olhos permaneciam tão frios quanto o inverno nos Pireneus. Ele girou a zarabatana de cerâmica entre os dedos com uma destreza hipnótica antes de guardá-la em um coldre de couro cru.
— Você está enganado, guerreiro azul — disse o Major calmamente. — Nós não derrubamos esse pássaro. Viemos apenas observar o cadáver. O que trouxe isso ao chão não foi o silêncio da nossa floresta, nem o barulho dos seus rivais da Cruz. Foi algo cirúrgico. Um poder militar que não deveria mais existir nestas terras.
Henry trocou um olhar rápido com Elena. Se não foram os Cruzados nem os Espectros, a lista de suspeitos em Oregon estava ficando perigosamente curta — ou ganhando um novo nome invisível.
O Major Ghost caminhou lentamente ao redor do grupo, parando em frente a Kane. Ele avaliou o físico do inglês e o peso das manoplas-serra desligadas em seus pulsos.
— Você — o Major apontou a faca de osso para Kane. — Você se move com a leveza de quem conhece as alturas, mas suas mãos cheiram a óleo e metal. Proponho um acordo. Uma forma de decidir quem merece a herança deste desastre sem desperdiçar mais sangue do que o necessário.
Os caçadores camuflados começaram a emergir totalmente da vegetação, formando um círculo escuro e orgânico ao redor dos destroços. Eram figuras que pareciam feitas de musgo e casca de árvore.
— Um duelo — decretou o Major. — Corpo a corpo. Sem serras, sem neurotoxinas. Apenas força e instinto. Se o seu batedor me vencer, vocês levam 70% dos suprimentos médicos e tecidos. Se ele cair... a floresta reclama o que é dela, e vocês retornam ao submundo de mãos vazias.
Kane olhou para Henry, buscando confirmação. O inglês soltou as travas de suas manoplas, deixando-as cair pesadamente no chão coberto pela fumaça verde. Ele começou a alongar os ombros, o rosto inexpressivo.
— 70% é comida e remédio para centenas de pessoas, Henry — disse Kane, deixando cair seu casaco e sua máscara verde no chão. Parado apenas com uma regata escura, ele revelou músculos tensos e cicatrizes de batedor. — Eu aceito.
— Kane, cuidado — alertou Henry em voz baixa. — Eles não lutam como nós. Lutam como animais protegendo o território.
O Major Ghost também se alongou, dando o sinal.
— Que a terra decida quem é digno! — gritou o Major.
O duelo estava prestes a começar, sob a fumaça esmeralda e os olhos atentos de cinquenta caçadores invisíveis.
— Sem metal. Sem truques — disse o Major Ghost, assumindo uma postura de combate baixa, quase animalesca. — Apenas o que a natureza lhe deu.
A luta começou sem aviso. O Major Ghost não correu; ele deslizou. Seu movimento era errático, tornando difícil para Kane prever o próximo passo. O primeiro golpe do Major foi um tapa de palma aberta visando a orelha de Kane — um movimento projetado para desorientar. Kane esquivou por milímetros, sentindo o deslocamento de ar, e contra-atacou com um chute baixo rápido, que o Major absorveu com a canela como se ela fosse feita de carvalho.
A luta era uma exibição de técnica. O Major Ghost usava movimentos de Silat e combate na selva, tentando levar Kane para o chão, onde a lama e as raízes favoreciam o caçador. Kane, por outro lado, usava o parkour para transformar o ambiente em sua arma. Ele saltou sobre um pedaço de asa retorcida, usando o impulso para descer com uma joelhada voadora.
O Major bloqueou o impacto, mas o peso de Kane o forçou a recuar três metros.
— Nada mal, batedor — rosnou o Major, cuspindo sangue. — Mas você ainda respira como um homem da cidade. Ritmo demais, instinto de menos!
O Major Ghost avançou com uma sequência de golpes com a lateral da mão, visando os nervos e articulações de Kane. O batedor inglês sentiu seu braço esquerdo ficar dormente após um toque preciso do Major. A luta estava equilibrada; Kane tinha juventude e explosividade, mas o Major tinha décadas de experiência em sobrevivência.
Kane percebeu que, se continuasse aquela troca de golpes, acabaria sucumbindo à exaustão. Ele precisava de um movimento final.
Simulando um tropeço em uma raiz exposta, Kane abriu a guarda. O Major Ghost, vendo a oportunidade de encerrar o duelo, avançou para um golpe final. No último milissegundo, Kane usou a flexibilidade das pernas para girar no chão, agarrando o tornozelo do Major e usando o próprio peso do espanhol para desequilibrá-lo.
Enquanto o Major caía, Kane não o soltou. Ele escalou as costas do líder dos Espectros, aplicando um mata-leão técnico e apertando o golpe com uma força que fez suas próprias veias saltarem.
O Major Ghost lutou, tentando cravar os dedos nos braços de Kane, mas o batedor travou o golpe com as pernas. O silêncio na floresta tornou-se absoluto enquanto os dois guerreiros lutavam pelo último fôlego.
— Acabou... Major... — sibilou Kane entre os dentes.
O Major Ghost deu dois toques leves no braço de Kane — o sinal universal de desistência. Kane soltou o golpe imediatamente e recuou, arquejante, enquanto os Espectros assistiam em choque seu líder se recuperar no chão.
O Major Ghost levantou-se lentamente, massageando o pescoço. Ele olhou para Kane com um respeito genuíno, algo que poucos homens já haviam conquistado.
— O metal em seus pulsos pode ser barulhento — disse o Major, recuperando o fôlego — mas o espírito em seu peito é puro. O acordo está selado. 70% é de vocês.
A Revelação do Vazio
Henry aproximou-se de Kane, oferecendo o braço para ajudar o amigo a se estabilizar. Ele então voltou seu olhar para o Major, que agora apontava para a cabine de comando, onde a fumaça verde era mais densa.
— Levem os suprimentos — disse o Major Ghost, sua voz retornando a um tom de autoridade. — Mas saibam que o que derrubou este avião não veio por tecidos ou morfina. Eles vieram pelo que estava no cofre blindado na cabine.
Henry caminhou até a abertura da cabine, escalando os destroços. O cofre de liga de titânio, projetado para resistir a impactos de alta magnitude, estava escancarado. Não havia sinais de explosivos. O metal havia sido cortado com uma precisão térmica que deixou as bordas lisas, quase vitrificadas.
— O cofre está vazio — notou Henry, sentindo um calafrio na espinha. — E os cortes... isso não foi feito por facões ou ferramentas improvisadas.
— Exatamente — o Major parou ao lado dele. — Algum grupo com tecnologia que faria o seu Maquinista parecer um ferreiro da Idade Média esteve aqui minutos antes de vocês. Eles levaram o "Coração" do pássaro. E agora que o têm, Oregon não passará apenas fome... ela queimará.
Henry olhou para a floresta escura. O "grupo misterioso" estava lá fora, e eles eram muito mais perigosos do que qualquer Cruzado drogado.
Fim do Capítulo
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