Volume 7
Capítulo 14: Encontro com a Sacerdotisa
Perto da vila de Ah-Duo, próxima à corte, havia outro edifício semelhante cuja principal finalidade era hospedar visitantes estrangeiros. No momento, a sacerdotisa de Shaoh e sua comitiva estavam hospedadas ali. Foi para lá que Maomao, Yao, Luomen e vários guarda-costas foram para realizar o exame dela. Maomao reconheceu os guardas, eram eunucos que ela conhecia do palácio interno. Com a presença da sacerdotisa, a vila era, em certo nível, um lugar onde homens não eram permitidos, daí os acompanhantes emasculados.
— Que lugar estranho — comentou Yao. Embora fosse perto da corte, ficava na direção oposta do dormitório de Yao e Maomao, então elas nunca tinham tido a chance de observá-lo direito. Maomao já tinha dado algumas olhadas quando ia até a vila de Ah-Duo, mas só agora percebeu que Yao tinha razão. Realmente parecia estranho.
Talvez o estilo possa ser considerado estrangeiro. A arquitetura não parecia exatamente shaohnesa, mas algo vindo de terras ainda mais a oeste. A própria Maomao nunca tinha visto um prédio assim pessoalmente, mas havia ilustrações semelhantes em um livro que ela tinha pegado emprestado muito tempo atrás. A construção usava madeira e, ocasionalmente, tijolos, enquanto o topo das molduras das janelas tinha formato de luas crescentes. O uso de vidro em alguns pontos só ressaltava o luxo do lugar. O jardim possuía arcos de rosas que deviam ser magníficos quando as flores desabrochavam.
Os uniformes dos criados eram igualmente marcantes, embora os próprios empregados tivessem olhos e cabelos escuros que indicavam serem pessoas de Li. Acho que não dá para contratar estrangeiros para servir uma dignitária estrangeira. Se um deles acabasse sendo um agente infiltrado, a culpa cairia sobre você. Maomao tinha certeza de que até mesmo a senhora de meia-idade coberta de lama, cuidando do jardim, tinha sido cuidadosamente investigada.
Eles entraram no edifício e foram recebidos por uma mulher cuja aparência gritava “estrangeira”. Ela era alta, tinha cabelos castanhos-claros e olhos cor de oliva, em algum ponto entre o verde-claro e o amarelado.
— Estávamos aguardando vocês — disse ela, com a entonação peculiar de Shaoh. — Por favor, entrem.
Ela as conduziu para dentro, onde descobriram que o interior do edifício era muito mais elaborado do que o exterior. Havia lajotas de pedra sob seus pés, enquanto muitos dos pilares de pedra espalhados pelo prédio estavam decorados com entalhes. Diversos objetos de exibição estavam distribuídos pelo local. Pareciam importados; se um plebeu derrubasse um deles, Maomao suspeitava que essa pessoa trabalharia a vida inteira sem conseguir pagar.
Quanto mais avançavam pelo edifício, mais escuro ficava. Cortinas tinham sido fechadas sobre as janelas, bloqueando a luz externa.
Certo. Ela é albina… Ou seja, alguém com cabelos brancos, pele pálida e olhos vermelhos. Dizia-se que alguns tinham olhos azuis ou alguns fios dourados no cabelo, mas todos eram sensíveis à luz do sol. O velho de Maomao havia lhe contado que pessoas albinas não possuíam a substância que normalmente dava cor à pele, então o sol era mais agressivo para elas do que para a maioria das pessoas. Para compensar as janelas fechadas, havia velas posicionadas ao longo do chão em intervalos regulares, queimando mesmo em pleno dia.
— Por aqui, por favor — disse a mulher. — Pedimos sinceras desculpas, mas teremos que pedir aos homens que esperem aqui.
— Claro, entendemos — respondeu Luomen, e ele e os guardas pararam na entrada.
Maomao e Yao seguiram para dentro do aposento. O lugar era escuro e impregnado pelo cheiro de incenso. Uma luz alaranjada tremeluzia, revelando a silhueta sobre uma cama com dossel.
— Eu as trouxe, milady.
Uma mulher que parecia ser uma assistente estava ao lado da cama. Ela tinha pele escura e parecia estranhamente familiar. Maomao inclinou a cabeça, tentando descobrir quem era, quando Yao exclamou:
— Ah!
Maomao lhe deu uma cotovelada, mas no mesmo instante percebeu por que a mulher parecia familiar. Era a mesma que estava acompanhando a garota jovem, Jazgul, outro dia. O tecido bordado que ela tinha lhes dado como agradecimento fez Maomao presumir que ela fosse uma mulher rica, mas ela jamais teria imaginado que ela fosse a assistente da sacerdotisa.
Então a sacerdotisa também come sapos, é? Ela tinha certeza de que a sacerdotisa evitava carne e peixe pela crença de que não se devia tirar vidas. Quando ouviu dizer que a mulher estava doente, Maomao imaginou que talvez fosse desnutrição por não comer carne, mas aparentemente estava errada sobre isso.
A mulher bronzeada também parecia se lembrar delas, porque demonstrou surpresa, mas apenas por um instante. Logo recuperou a compostura, deixando o rosto inexpressivo outra vez. Maomao e Yao estavam ali a trabalho. Nenhuma delas podia perder tempo com recordações pessoais durante um dever oficial.
— Se puderem — disse a assistente, com forte sotaque. Ela afastou a cortina, revelando uma bela mulher que realmente era albina. Ela parecia jovem para alguém que supostamente estava na casa dos quarenta anos. Maomao achou que ela parecia bastante alta, embora fosse difícil dizer enquanto estava deitada. Ela também tinha uma leve barriga saliente, mas suas mãos eram longas o bastante para que não parecesse acima do peso.
Se fosse um pouco mais jovem e um pouco mais magra… Maomao pensou. Bem, então ela se pareceria exatamente com a mulher estrangeira que o pintor havia visto. E havia também… Sim, elas realmente se parecem.
Ou seja, a sacerdotisa e a Dama Branca.
Maomao também tinha sua missão secreta, confiada a ela por Lahan. Ele quer saber se essa “sacerdotisa” realmente possui as qualificações para ser uma sacerdotisa, ou se...
Ou se suas “qualificações” tinham desaparecido há muito tempo, quando ela deu à luz a Dama Branca.
Vou ter que verificar se há algum sinal de que ela já deu à luz. A maneira mais rápida seria simplesmente olhar entre as pernas dela, mas isso estava fora de questão. Existia grosseria, e existia grosseria demais. Mas há outra maneira. Durante a gravidez, a barriga se expande rapidamente ao longo de nove meses. Fica tão grande que parece prestes a explodir, apenas para murchar assim que a criança nasce. Isso resulta em estrias, que aparecem porque a pele nem sempre consegue crescer rápido o bastante para acompanhar a expansão acelerada da barriga durante a gravidez, causando rupturas físicas.
Embora a Imperatriz Gyokuyou e a Consorte Lihua tenham conseguido evitá-las...
Normalmente, o parto deixa estrias. Não era garantia, mas era uma das evidências que Maomao podia usar. Espero que ela pelo menos permita que eu examine sua barriga.
Maomao fez uma reverência e se aproximou da cama. Ela e Yao já tinham discutido suas respectivas responsabilidades. Maomao faria o exame físico, enquanto Yao tomaria notas. Yao queria realizar o exame pessoalmente, mas um dos médicos disse que Maomao era mais precisa ao verificar pulsos, e Yao teve que aceitar. Mesmo odiando saber que não conseguia se sair tão bem quanto Maomao.
Maomao começava a entender os inúmeros motivos pelos quais En’en achava Yao tão adorável. Ela era quase dolorosamente sincera e transparente, e quando alguém discordava dela podia ser tanto irritante quanto inspiradora. Assim como aceitou a escolha de Jinshi por En’en como uma de suas damas de companhia, ela também era madura o bastante para admitir que Maomao a superava em habilidade médica.
Elas já tinham visto um relatório escrito detalhando a natureza da doença da sacerdotisa e quais tratamentos haviam sido tentados anteriormente. Maomao e o velho dela discutiram aquilo juntos e levantaram vários diagnósticos possíveis.
— Gostaria de começar verificando seu pulso, milady, se me permitir? — disse Maomao, falando devagar e com clareza.
— Faça por favor — disse a sacerdotisa, estendendo a mão. Maomao achou seu toque macio. A pele pálida facilitava enxergar onde estavam as veias. Ela colocou três dedos sobre o pulso da sacerdotisa. Ela conseguia sentir as batidas do coração da mulher sob as pontas dos dedos. Tum-tum, tum-tum, tum-tum. Ela contou quantas batidas havia em um determinado período de tempo. Então fez um gesto para Yao, usando os dedos para comunicar o número, que Yao registrou em um pequeno conjunto portátil de escrita.
— Está nervosa? Seu pulso está um pouco acelerado — disse Maomao.
A pergunta pareceu escapar à sacerdotisa, porque ela lançou um olhar confuso para Maomao. A mulher ao lado delas disse algumas palavras em shaohnês, após o que a sacerdotisa sorriu e respondeu:
— Sim, um pouco.
De qualquer forma, o número não estava fora do normal de forma excessiva, então Maomao não viu motivo para preocupação.
— Posso tocar em seu rosto, senhora? Gostaria de examinar seus olhos e sua língua.
— Sim, fique à vontade.
Maomao colocou as mãos nas bochechas da sacerdotisa. Ela tinha linhas de expressão, mas fora isso sua pele era firme e bonita. Maomao puxou a pele abaixo dos olhos dela para enxergar melhor os globos oculares. Depois pediu que abrisse a boca e mostrasse a língua.
De certa forma, tivemos sorte, pensou Maomao. Ela estava pensando no encontro com a garota Jazgul no outro dia. Romãs e hasma...
Os itens que a assistente havia comprado naquele dia eram medicinais. Ainda assim, o relatório que receberam não mencionava nada disso, o que implicava que os remédios eram simplesmente parte da dieta regular da sacerdotisa. Maomao lançou um olhar para a mulher ao lado da cama. Todo o espanto tinha desaparecido; agora, ela parecia como se nada estivesse fora do normal.
Talvez ela nem estivesse fazendo remédios. Talvez tenha sido coincidência.
Tomar remédios em excesso pode causar efeitos nocivos ao corpo.
— Perdoe-me, mas poderia fazer a gentileza de anotar detalhadamente as comidas favoritas da sacerdotisa? — perguntou Maomao.
— Muito bem — disse a assistente. Ela fez algumas anotações rápidas, mas infelizmente estavam em shaohnês. Maomao não conhecia todas as palavras. Teria que traduzir depois e então analisá-las. De qualquer forma, seria o pai dela quem daria o diagnóstico final; ela esperava que ele conseguisse ler a lista melhor do que ela.
— Poderia remover sua roupa de cima por gentileza?
— Certamente — disse a sacerdotisa e começou a tirar as roupas. Sabendo que o exame aconteceria, ela tinha vestido roupas de dormir que fechavam na frente. Maomao agora conseguia ver claramente seus seios e o umbigo.
— Posso realizar um exame físico? — perguntou Maomao.
— Vá em frente.
Maomao começou a apalpar o corpo da sacerdotisa, ouvindo diferenças sutis no som. Enquanto isso, ela observava a barriga da mulher. Não há estrias. A leve barriga da sacerdotisa tornava as estrias menos prováveis, mas também existia a possibilidade de toda a hipótese deles estar errada. Que ela jamais tivesse dado à luz. E o que fazia Maomao pensar isso? Os seios dela são pequenos para a quantidade de gordura em seu corpo.
Quando a primeira menstruação não acontecia, uma pessoa podia acabar meio yin e meio yang, nem exatamente homem nem exatamente mulher. Isso talvez explicasse o tamanho do peito dela, mas talvez seus seios simplesmente sempre tivessem sido pequenos. Era impossível saber com certeza se a sacerdotisa havia dado à luz ou não. Se ela estava doente e de que forma também dependia de sua visitante mensal sequer ter vindo algum dia.
A sobrancelha de Maomao se contraiu enquanto conduzia o exame; era frustrante não saber exatamente com o que estava lidando. O exame não estava deixando as coisas mais claras. Ainda assim, uma suspeita crescente a incomodava. Estou deixando passar alguma coisa. Havia algo errado, mas ela não conseguia identificar o quê, e não descobriu nem mesmo quando o exame terminou.
Queria poder ter examinado a parte de baixo dela, ela pensou, mas sabia que isso já seria pedir demais. Só o fato de ter conseguido ver os seios expostos da sacerdotisa já era um feito para seu primeiro exame. Até algumas das concubinas do palácio interno resistiam à ideia de estranhos tocando nelas.
— Pode vestir suas roupas novamente — disse Maomao. Ela sabia que nunca conseguiria descobrir tudo em apenas uma visita; o mundo simplesmente não funcionava assim. Continuar insistindo não a levaria a lugar algum. Era melhor voltar e contar ao pai o que havia descoberto.
— Vou discutir o caso com o médico com base no que vi e ouvi aqui — disse ela.
— Entendido — respondeu a assistente, ajudando a sacerdotisa a vestir novamente a roupa de cima. Maomao e Yao deixaram o quarto.
Assim que estavam em segurança na carruagem, voltando para casa, Yao exclamou:
— N-Nossa, eu estava tão nervosa!
Ela percebeu tarde demais que tinha falado em voz alta e rapidamente tentou agir como se não tivesse dito nada, mas já era tarde. Se En’en estivesse ali, provavelmente estaria fazendo aquela expressão de “minha senhora é tão fofa quando fala sem pensar”. Mas ela não estava. Em vez disso, Maomao observou Yao atentamente.
Na mente de Maomao, os resultados do primeiro exame só podiam ser considerados inconclusivos. Principalmente porque ela nem podia consultar o pai ali mesmo, tendo que esperar até deixarem a vila.
Tem que existir um jeito melhor. A mulher tinha vindo de um país estrangeiro, enfrentando toda uma viagem marítima apenas para receber tratamento ali, então Maomao presumiu que ela acreditava que os médicos de Li poderiam ajudá-la. E, ainda assim, agora que estava ali, nem sequer permitiam que um médico de verdade a examinasse.
— E então, como foi? — perguntou o pai dela. Mas Maomao teve a sensação de que o homem gentil, agradável e infinitamente cordial já sabia a resposta. Por isso, ela foi direto ao ponto.
— O senhor acredita mesmo que a honrada sacerdotisa esteja doente? — perguntou ela.
— O que quer dizer? Ela veio de Shaoh até aqui, não veio? — disse Yao.
— Sim, uma viagem longa e difícil. Suspeito que ela esteja doente, mas tenho minhas dúvidas se é algo que realmente exigia vir até Li para tratar — respondeu Maomao, tomando cuidado para falar educadamente com o pai na presença de Yao.
— E qual você acha que é a natureza da indisposição dela? — perguntou Luomen.
Maomao consultou as anotações de Yao antes de responder. — Ela relata fadiga e insônia, falta de resistência física e ganho de peso. E há mais uma coisa que me preocupa acima de tudo. — A sacerdotisa supostamente tinha um osso quebrado que se recusava a cicatrizar: o dedo mínimo da mão esquerda. Não atrapalhava sua vida cotidiana, mas certamente não facilitava as coisas para ela.
Maomao concluiu: — Acho que o qi feminino dela está diminuindo, causando esses problemas. Isso não é incomum conforme as mulheres envelhecem. — Na verdade, era uma condição bastante comum quando a visitante mensal deixava de vir. Com a diminuição do qi feminino, tanto o corpo quanto a mente podiam sofrer. Os ossos, por exemplo, frequentemente ficavam frágeis. Quarenta anos era relativamente cedo para a visitante parar de chegar, mas não era algo raro. E, se ela nunca tivesse vindo desde o começo, isso talvez tornasse a sacerdotisa ainda mais propensa a esses problemas.
[Kessel: Excelente forma de se referir a menstruação, hehe!]
— Entendo, entendo. Muito bem, vamos supor que você esteja certa, Maomao. Você sabe que países diferentes têm formas diferentes de tratar doenças. Talvez realmente acreditassem que não poderiam ajudar a sacerdotisa em Shaoh e a enviaram para Li. Você tem alguma evidência de que não seja esse o caso?
— Tenho. — Maomao mostrou a folha de papel detalhando a dieta da sacerdotisa. — Não deram a ela nenhum remédio especificamente para aumentar seu qi feminino, mas ela nem precisaria disso. A comida que vinha ingerindo já seria mais do que suficiente para compensar.
— Quer dizer todas aquelas coisas que a mulher estava comprando na loja? — perguntou Yao, entendendo. A assistente havia feito muitas compras, incluindo diversos itens que podiam tratar problemas de saúde femininos. A sacerdotisa sabia perfeitamente como tratar sua própria condição, e ainda assim tinha vindo até Li. Tinha que haver política envolvida.
— Posso assumir que vocês duas pensam da mesma forma? — perguntou Luomen a Yao.
— Não tenho tanto conhecimento médico quanto Maomao, mas também vi a assistente da honrada sacerdotisa comprando muitos remédios outro dia, então não tenho objeções. — Ela parecia um pouco abatida por ter que admitir sua própria ignorância em assuntos médicos. Ainda assim, estava disposta a ser honesta sobre isso, o que tinha seu próprio charme. Maomao praticamente começava a virar uma segunda En’en.
[Kessel: Que gracinha!!! Elas vão virar o time En’Mao, ambas em prol de apreciar a fofura que é a Lady Yao!]
Então ela sabe que aquilo era remédio. Isso significava que ela também sabia que seus lanches de hasma eram medicinais? Talvez um dia Maomao perguntasse.
Enquanto isso, Luomen parecia preocupado. Isso já era típico dele; naquele momento, porém, parecia um pouco mais preocupado do que o normal.
— Só gostaria de lembrá-las de uma coisa.
— Sim, senhor? — disseram Maomao e Yao ao mesmo tempo.
— Quando fazemos nosso trabalho, vidas humanas estão em jogo. — Claro que ambas sabiam disso. — Independentemente de como tratarmos a sacerdotisa, não devemos arriscar vida e integridade física ao fazer isso.
— Sim, senhor. Achei que isso fosse óbvio... — disse Yao, confusa.
— Em hipótese alguma a sacerdotisa ou as pessoas dela devem ouvir o que acabamos de discutir. Precisamos apenas encontrar e administrar o tratamento apropriado.
Mesmo que fosse exatamente o mesmo que aquelas pessoas já estivessem fazendo.
Yao não parece feliz com isso. E com razão. Ela devia estar se perguntando por que fariam exatamente a mesma coisa que a assistente da sacerdotisa já fazia. Isso não seria o mesmo que admitir que eram incompetentes? Mas saber quando se fazer de tolo também era uma habilidade importante.
O pai dela disse que não deviam arriscar “vida e integridade física”, mas Maomao suspeitava que ele não estava falando apenas da sacerdotisa, mas também deles próprios. Com o forte cheiro de política pairando no ar, dizer a verdade sem querer realmente podia colocar suas vidas em perigo. Talvez fosse um conceito difícil para uma jovem que ainda não havia perdido a inocência sobre o mundo.
Se En’en estivesse aqui, tenho certeza de que encontraria um bom jeito de explicar isso para Yao… Infelizmente, En’en estava fora em uma missão.
— Olha, já estamos quase chegando — disse Maomao para Yao, tentando mudar de assunto. Ir da vila até a corte demorava ainda mais do que chegar ao escritório médico depois de entrar na corte, então a viagem podia ser cansativa. — Quando chegarmos ao escritório, que tal procurarmos algum remédio? Algo que só exista no nosso país. Se ajudar nem que seja um pouco, já deve bastar.
— Certo... Tudo bem — respondeu Yao. Ela era inteligente o bastante para saber que fazer escândalo naquele momento não adiantaria nada. Para alívio de Maomao, ela agiu com maturidade e permaneceu calma.
Assim que voltaram ao escritório, Luomen imediatamente foi organizar os documentos e preparar o relatório. Com a permissão dele, Maomao e Yao foram até a sala onde os remédios eram guardados e começaram a procurar algo que pudesse ajudar. Decidiram verificar tudo, embora soubessem que alguns remédios não funcionariam por causa da constituição da sacerdotisa, enquanto outros já tinham sido testados.
Elas tiravam os remédios um por um, Maomao trabalhando com a memória enquanto Yao consultava um livro. Apesar de terem permissão para estar ali, elas acabaram praticamente monopolizando o depósito de remédios. Eventualmente, um dos médicos colocou a cabeça para dentro da sala e resmungou:
— O que está acontecendo aqui? Tem remédio espalhado por toda parte! O que vocês estão procura…. Argh!
Era o velho conhecido de Luomen, um dos médicos que tinham ido consultar sobre a virgindade da concubina Lishu. Às vezes ele aparecia no escritório médico apenas para uma visita amigável.
— Há algum problema? Alguma dessas combinações o preocupa? — perguntou Maomao, olhando para ele.
— Er, não, eu só pensei... Por um segundo achei... que estavam me mandando de volta para lá.
— Para onde?
— Sabe, lá.
O homem apontou para o quarteirão norte da corte.
— O palácio interno!
— E por que acharia isso? Admito que esses são todos tratamentos para problemas femininos, mas isso não tem nada a ver com o palácio interno.
Maomao deixou o olhar vagar pelos remédios espalhados.
— Ah, problemas femininos... Sim, entendo. É só que eu lido principalmente com homens aqui na corte. Quando vi esses ingredientes específicos espalhados, entrei um pouco em pânico.
O homem parecia ter algum tipo de lembrança traumática do palácio interno. Isso lembrou Maomao de que, no passado, médicos que não eram eunucos tinham permissão para entrar e sair de lá.
— Verdade, ouvi dizer que o senhor trabalhou como médico no palácio interno há algum tempo — disse Maomao. — Aconteceu alguma coisa lá?
— Nada demais. Só uma lembrança ruim. Você pega isto, isto e mais um pouco destes aqui… — Ele começou a separar ingredientes da coleção de Maomao e Yao. — Misture tudo isso e vira um remédio especial de falso eunuco.
— Remédio de falso eunuco? — perguntaram Maomao e Yao ao mesmo tempo.
— É algo relativamente simples. Às vezes um homem que não é eunuco precisa entrar no palácio interno, mas isso pode causar... problemas. Eles não obrigavam você a virar eunuco, mas faziam tomar esse remédio, que suprime as funções masculinas.
— Ahh. — Agora Maomao entendia. Ela sempre se perguntou como Gaoshun entrava e saía do palácio interno sem problemas. (Jinshi era outro caso.) Ele provavelmente tomava esse remédio. — Admito que parece ter um gosto horrível.
— O pior possível. — O médico claramente falava por experiência própria. — E pode começar a causar efeitos colaterais estranhos conforme você se acostuma com ele.
— Eu sabia que devia ter efeitos colaterais!
— E como tem. Qualquer remédio tomado em excesso pode ser prejudicial. Foi por isso que fiquei preocupado quando vi essas coisas.
Ficava bem claro por que ele tinha ficado tão perturbado. Maomao queria perguntar exatamente quais eram os efeitos colaterais, mas o homem saiu da sala antes que ela conseguisse abrir a boca.
— Sinto que En’en saberia o que fazer numa situação dessas — disse Yao.
— Concordo. Esse tipo de coisa é bem a especialidade dela.
— Com toda essa conversa sobre efeitos colaterais... Você acha que deveríamos escrever uma carta para ela e pedir sua opinião?
— Acho uma excelente ideia. Além disso, En’en ficaria feliz em receber notícias suas.
Ela provavelmente já estava à beira de sofrer abstinência por falta da “jovem senhorita”. Ainda assim, a ausência dela fez Maomao e Yao conversarem mais, então havia alguma compensação nisso.
Os pensamentos de Maomao voltaram para qual combinação de remédios deveriam usar.
[Noelle: Gente, por que ela não pergunta para o pai dela? kkkk]
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