Volume 6
Epílogo
— É uma história completamente ridícula, não é? — disse Maomao, folheando a tragédia romântica que havia chegado até eles de algum país distante. Jinshi acabou de devolver seu exemplar original. (Bem, sua cópia da cópia original.)
— Concordo. — Jinshi, que tinha vindo devolver o livro, apoiou-se em uma prateleira, olhando pela janela para o céu.
A atmosfera entre eles era difícil de descrever. Embora estivessem sozinhos agora, Jinshi não demonstrava a mesma insistência de antes. Maomao sabia que ele entendia que aquele não era o momento.
A Concubina Lishu, ou melhor, a ex-Concubina Lishu, voltaria a ser freira, por ordem do próprio Imperador.
— Suspeito que Sua Majestade já tinha isso em mente há algum tempo — disse Jinshi.
A mãe de Lishu era uma antiga conhecida tanto do Imperador quanto de Ah-Duo. Sua Majestade devia ver Lishu quase como uma filha. Foi por isso que a chamou de volta ao palácio interno, na esperança de que, de alguma forma, ela pudesse ser feliz.
Mas o mundo nunca era tão generoso, e sua tentativa de fazê-la feliz acabou dando errado. Lishu acabou sendo intimidada pela meia-irmã e pelas próprias damas de companhia e, no fim, graças à posição como concubina de alto escalão, chegou a ter sua vida ameaçada. Trancá-la na torre-prisão tinha sido um ato de misericórdia por parte do Imperador, uma tentativa de protegê-la do risco real de assassinato. A antiga dama-chefe de Lishu, em termos simples, estava tentando conseguir uma nova senhora. Muito provavelmente já estava em contato com a emissária do oeste, por meio dos pombos, porque sentia que não teria como subir mais na vida ao lado de Lishu. A “carta de amor” fazia parte dessa comunicação.
O fato de Lishu ter acabado presa junto com a Dama Branca só podia ser chamado de azar. Talvez ela realmente tivesse nascido sob uma estrela ruim.
Na torre, Lishu começou a ver coisas estranhas, causadas por aquele incenso doce e amargo, o mesmo cheiro que vinha da Dama Branca. Isso não chamou atenção quando a mulher foi revistada antes de ser levada para a torre, mas, quando Maomao a examinou pessoalmente, encontrou um fio preso a um dos dentes dela. A Dama Branca tentou mordê-lo para romper, mas isso só despertou ainda mais curiosidade sobre o que havia preso ali. Quando puxaram, descobriram um pequeno sachê de incenso. Era uma mulher capaz de beber mercúrio, por que não esconder incenso no próprio corpo?
Aquilo poderia ter sido perigoso se Lishu continuasse exposta, mas Luomen (um oficial médico!) afirmou que, como a exposição tinha cessado naquele estágio, não havia motivo para preocupação. O fato de Lishu ter, por acaso, uma constituição física que tornava tais drogas especialmente eficazes nela foi apenas mais um golpe de azar.
— Uma concubina não pode causar tamanho tumulto — disse Jinshi.
Nenhuma concubina poderia provocar algo assim sem sofrer consequências, daí o convento. No entanto, antes de dar sua sentença, o Imperador convocou Maomao e fez duas perguntas:
— Qual é o tempo de vida de um rumor?
Ela respondeu que eram setenta e cinco dias, mas ele balançou a cabeça e disse que isso não seria suficiente para preservar a dignidade. Então ele perguntou:
— Se houvesse um homem adequado para Lishu, que tipo de homem ele seria?
Soou quase como um pai procurando um bom partido para a filha. Se ele agia assim com Lishu, filha de outro homem, Maomao só podia imaginar como seria quando chegasse a vez de encontrar um marido para sua própria filha, a princesa Lingli. Maomao sabia que a menina era o xodó dele.
[Kessel: Que gracinha! Saudades da Lingli!]
Por um instante, ela pensou no homem com uma cicatriz na bochecha direita, mas decidiu não dizer nada. Esqueça o estrangulamento, isso poderia acabar com sua cabeça fora do seu pescoço.
— Receio que essa não seja uma pergunta que eu possa responder, senhor… mas talvez o senhor possa considerar que o homem que quebrou as duas pernas, arrancou todas as unhas de uma das mãos e deslocou o ombro para salvá-la, mereça uma recompensa.
De fato, Basen foi quem mais sofreu em todo o incidente. Sem ele, Lishu provavelmente teria terminado como um caqui esmagado. Basen, entendendo que alguns colchões não seriam suficientes para salvar a jovem em queda livre, improvisou outra estratégia. Em vez de empilhá-los em um só lugar, ele mandou espalhá-los pela área onde ela provavelmente cairia e então absorveu com o próprio corpo o impacto que os colchões não conseguiriam suportar. E Maomao achava que Jinshi era masoquista! Jinshi alegou que Basen não sentia dor como as outras pessoas, mas ainda assim…
Uma coisa era certa: ela não conseguia imaginar mais ninguém capaz de salvar Lishu naquele momento. Conseguia até imaginar a reação das cortesãs do distrito dos prazeres se ouvissem essa história: — É destino! — diriam, com os olhos brilhando.
E havia também Lishu, que Maomao sempre considerou tímida perto de homens, mas que enterrou o rosto no peito de Basen e chorou. Maomao não era tão ingênua a ponto de não entender o que aquilo significava. Jinshi rapidamente afastou todos e teve a delicadeza de esperar até que Lishu terminasse de chorar. Isso atrasou o tratamento de Basen, mas provavelmente o jovem não ficou totalmente insatisfeito com a situação.
Foi decidido que Lishu passaria um ano no convento e depois retornaria à família, destituída do título de concubina. Sua família, no entanto, não seria punida.
Quanto a Basen, ele receberia qualquer coisa (isso foi enfatizado) que desejasse. Um objeto ou até uma pessoa, desde que estivesse ao alcance do Imperador, ele concederia. E não precisava decidir imediatamente. Poderia esperar até um ano para fazer seu pedido.
Maomao sorriu com um toque de amargura: aquele jovem e aquela jovem tinham se apaixonado à primeira vista, mas descobriram que o amor verdadeiro não corria tão suavemente quanto nas histórias. Ainda assim, aquele não era, de forma alguma, um desfecho ruim.
Depois disso, Maomao releu o romance trágico mais uma vez, mas ele ainda não fazia sentido para ela.
Nem tudo, porém, foi resolvido com tanta facilidade. A emissária do oeste solicitou a custódia da Dama Branca, que havia sido presa como criminosa. O motivo?
— Porque ela era uma das agentes de Ayla.
Ayla: a outra emissária, aquela envolvida na venda de armas feifas para o clã Shi. A mulher que, de alguma forma, ainda causava problemas para eles mesmo agora.
E isso não foi tudo. A emissária fez um pedido ainda mais ousado: ela já havia pressionado Lahan anteriormente por ajuda ou asilo, e agora insistia neste último. Aquilo deve ter surpreendido Lahan, que andava ocupado com o cultivo de batatas. Além disso, a emissária apresentou uma ideia surpreendente de como o asilo deveria acontecer: pediu para entrar no palácio interno.
— Não preciso ser uma concubina de alto escalão — disse ela. — Até mesmo o status de concubina de médio escalão já basta.
De fato, seria uma forma menos chamativa de colocá-la no país do que declarar abertamente que ela estava recebendo asilo.
Uma coisa que não sei é quanto do que ela disse é verdade, pensou Maomao. Ela queria simplesmente esquecer tudo e tirar um cochilo, mas enquanto Jinshi estivesse ali, isso não seria possível. Ela desejava que ele fosse embora logo.
Por sua vez, Jinshi não parecia nem um pouco interessado em ir embora. Ele não era exatamente direto, mas parecia ter muita coisa em mente.
— O que é isso? — perguntou ele, pegando um livro que era, francamente, uma desculpa esfarrapada. Até ele parecia confuso com aquelas páginas cheias de caracteres que parecem minhocas secas.
— O que você acha? — respondeu Maomao.
— É… Go? — disse ele, observando as fileiras desorganizadas de círculos pretos e brancos. — Não me diga… o honorável estrategista?
— Sim, senhor.
Lahan havia empurrado aquilo para ela em troca de informações sobre a emissária, assumindo que Maomao conhecia alguém na gráfica.
Ela não tinha ideia se aceitariam o trabalho. Ainda mais depois de ter comprado o livro que pretendiam usar como base para impressão. Mesmo que aceitassem, ainda precisariam conseguir ler o texto, o maior obstáculo. Normalmente, ela teria devolvido aquilo imediatamente para Lahan, mas, para sua própria surpresa, acabou aceitando o livrinho patético.
Jinshi também pareceu surpreso. Maomao bufou como quem diz não dê importância para isso e voltou o olhar para as roupas lavadas, que se recusavam a secar naquele período chuvoso.
Por quanto tempo aquela conversa poderia continuar? Ela desejava que continuasse assim. E também esperava que ele não resolvesse mexer no seu pé novamente. Ela se sentou sobre os próprios pés para que Jinshi não pudesse vê-los.
Ele pareceu perceber o que ela pensava, pois sorriu com indulgência. Ele realmente sabia como irritá-la. Ela estava lançando seu olhar mais feroz de Vá embora! quando a porta se abriu.
— Ah, oi, senhor — disse Chou-u. Jinshi apenas assentiu e levantou a mão em cumprimento.
Chou-u entrou na loja, ignorando o quão apertado o espaço estava com três pessoas ali dentro. Maomao ainda se perguntava o que ele queria, quando ele passou o dedo pelas costas dela, fazendo sua pele arrepiar inteira.
— Quer saber de uma coisa, senhor? A Sardenta aqui não aguenta quando passam o dedo nas costas dela. É hilário!
Maomao, sem entender por que diabos ele diria aquilo naquele momento, levantou a mão para dar um soco na cabeça dele.
Jinshi, porém, disse:
— É mesmo? — e sorriu.
Então ele tirou a bolsa e colocou uma moeda de prata na mão de Chou-u, muito mais do que qualquer criança precisaria de mesada.
— Hã? O que é isso, senhor? O que está acontecendo? — perguntou Chou-u.
— Ah, só quero que faça um pequeno favor para mim. Não tenha pressa.
Os olhos de Maomao se arregalaram.
— Uau! Você é o melhor, senhor!
— Sim… leve o tempo que quiser.
— Chou-u! — exclamou Maomao, mas o pestinha saiu da loja como se já tivesse feito tudo o que precisava ali. Ela se levantou para ir atrás dele, mas sentiu um arrepio percorrer sua coluna.
— M-Mestre Jinshi…
— Ora! Então funciona mesmo. — Ele sorria triunfante. — E ainda não terminei de te dar o troco.
Nenhum jovem jamais pareceu tão travesso quanto ele naquele momento.

Noelle: E assim finalizamos mais um livro, uma introdução muito boa para Lishu e Basen não é mesmo? Tivemos migalhas do nosso casal principal, mas que bom que no fim eles conseguiram nos fazer sorrir não é? Não sei vocês, mas nesse volume percebi uma Maomao mais madura, uma evolução nos seus próprios sentimentos, que antes eram “tanto faz” para as pessoas, ela se importando com a Lishu deixou meu coração quentinho… até mesmo a forma dela observando e falando do Basen e Lishi, e também de Jinshi… ela não negou totalmente ele então por mais que sejam migalhas, é uma esperança para um desenvolvimento não é mesmo apotecários? Espero que tenham gostado, estou amando ler e traduzir simultaneamente de forma inédita aqui com vocês, nos vemos na próxima semana com um volume novoooo <3 Ah e não deixem de comentar, dar coraçõeszinhos e falarem também o ponto de vista de vocês!
Kessel: Que loucura, apotecários(as)! Chegamos ao fim de mais um volume, e assim como a Noelle disse, um volume muito especial. Finalmente a Maomao resolveu encarar os seus sentimentos pelo Jinshi. Quem sabe o que os próximos volumes nos trarão de bom sobre esse casal? E falando em casal, que sofrimento que foi ver a Lishu passando por isso tudo... ainda bem que no fim das contas, ela parece ter tido o que queria. É verdade que ela vai ser afastada do palácio, mas convenhamos, é tudo que ela precisa. Que a sorte finalmente possa sorrir para ela, e que ela consiga ficar junto do Basen. Eles são muito fofos juntos! O pessoal do nosso servidor do Discord (entrem!!!) sempre me veem usando um pato nos emojis lá. E por que estou falando isso agora? Bem, nos próximos volumes vocês descobrirão! hehe! Obrigado por continuarem acompanhando conosco. Uma honra tê-los aqui!
Não fecha ainda! Tem um capítulo extra prontinho para a leitura! Clica em "Próximo" e boa leitura!
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