Receitas da Maomao
Namasu

O aperitivo servido era um dos favoritos do Imperador; um prato que às vezes aparecia quando ele passava a noite no palácio interno. Aparentemente, o palácio interno cuidava da cozinha para este banquete. O prato era bastante familiar. Como os outros provadores observavam Maomao atentamente, ela rapidamente levou os hashis à boca.
O prato era peixe cru e legumes temperados com vinagre. Sua Majestade podia ser um pouco excessivo em desejos sexuais, mas suas preferências alimentares tendiam a ser surpreendentemente saudáveis, pensou a provadora impressionada.
Maomao pegou com os hashis o namasu servido num prato de prata.
Quando a degustação terminou e todos começaram a comer seus aperitivos, Maomao viu algo que, em sua mente, reforçava a suspeita de que houve engano na distribuição dos pratos. Lishu, a concubina alheia a tudo, encarava seu aperitivo com uma expressão um pouco pálida.
Volume 1, Capítulo 18 - A Festa no Jardim (Parte 3)
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Nenhuma mudança de cor no prato. Sem problemas no cheiro. Quanto ao sabor…
A textura dos vegetais salgados ainda mantinha uma firmeza agradável ao morder, enquanto o peixe azul cuidadosamente limpo de espinhas estava macio. Embora fosse um prato temperado com vinagre, a acidez havia sido suavizada com mel, e o aroma das folhas de chá tornava tudo mais fácil de apreciar.
Hmmm… está delicioso.
Quando se fala em acompanhamentos, o olhar costuma ir direto para grandes pedaços de carne ou peixe. Porém, são justamente os pratos servidos como entrada que revelam a verdadeira habilidade de um cozinheiro. Sem se apoiar em caldos gordurosos e chamativos, o prato realçava plenamente o sabor natural dos ingredientes.
Mesmo apreciando o gosto, Maomao mantinha os sentidos aguçados, verificando se algo estranho havia sido misturado. Após mastigar cuidadosamente, ela finalmente engoliu.
— Não há problemas.
Ao ouvir a confirmação de Maomao, Hongniang, a chefe das criadas, serviu namasu no prato da Concubina Gyokuyou.
— Pode comer, Lady Gyokuyou.
— Então vou experimentar.
As duas estavam levemente tensas porque aquele namasu era o mesmo prato servido no recente banquete do jardim. No banquete, o namasu não levava peixe azul, mas água-viva. Isso porque o prato havia sido trocado com o da Concubina Lishu, que estava sentada ao lado.
Aquele banquete terminou abruptamente no meio da refeição. O motivo foi um envenenamento na comida. Não foi o namasu que recebeu o veneno, mas o simples fato de lembrar o cardápio daquele dia provavelmente deixava Gyokuyou e as outras apreensivas.
Quando ainda estava grávida da princesa Lingli, a Concubina Gyokuyou já havia sofrido várias tentativas de envenenamento.
Maomao enxaguou a boca com água antes de provar o próximo prato.
A refeição terminou sem incidentes. Felizmente, ou infelizmente, não havia veneno algum na comida. Para Maomao, aquilo trazia tanto alívio quanto uma leve decepção. Um pensamento impróprio que ela jamais colocaria em palavras.
— Então, com licença.
Quando estava saindo do aposento, pensando que o trabalho havia terminado, Hongniang a chamou.
— Espere um momento.
— Mestre Jinshi virá para cá em breve.
Maomao imediatamente fez uma expressão amarga.
— Peço desculpas por aparecer tão tarde da noite.
O eunuco surgiu exibindo um sorriso celestial, embora, ao contrário das palavras educadas, não demonstrasse o menor sinal de culpa. Em compensação, Gaoshun, que o acompanhava, parecia claramente constrangido.
— Não tem problema algum. Hoje não é um dia em que Sua Majestade virá aos meus aposentos.
Por um instante, Maomao ficou imóvel ao ouvir as palavras da Concubina Gyokuyou. Usando a rede de informações do palácio interno, era fácil descobrir em qual aposento o imperador passava a noite. Durante um período, ele vinha visitando com frequência a Concubina Lihua, e aparentemente aquilo continuava até agora.
Parece que as coisas estão indo bem por lá.
Maomao manteve um sorriso rígido enquanto permanecia em pé.
— E o que o traz aqui hoje?
— Como de costume, vim conversar para saber se existe algum problema ou dificuldade.
O trabalho de Jinshi era observar a situação das concubinas do palácio interno. Ele visitava regularmente desde as concubinas de alto escalão até as de menor posição. Naturalmente, quanto mais elevada a posição, maior a frequência desses encontros.
— Ora, ora… ultimamente eu achava que seu trabalho era trazer os problemas junto consigo.
— É mesmo? Eu apenas acredito que, já que fui eu quem recomendou a provadora de venenos, não posso permitir qualquer falha.
Os dois sorriam com expressões igualmente difíceis de decifrar.
Será que isso vai demorar para acabar…
Enquanto distraidamente pensava que os desenhos da madeira no teto pareciam rostos humanos, Maomao deixou a mente vagar.
— A propósito, como estava a refeição de hoje?
Jinshi perguntou com um sorriso agradável. Ele não estava olhando para a Concubina Gyokuyou, mas diretamente para Maomao. Quando Maomao hesitou em responder, Gyokuyou abriu um sorriso suave. Parecia dizer para ela responder logo.
— Não houve problema algum. Estava tudo muito saboroso.
— Que bom ouvir isso. Os cozinheiros ficaram desesperados por causa do incidente do veneno, mesmo tendo se esforçado tanto na preparação. Chegaram até a dizer que nunca mais fariam aquele prato novamente.
— É mesmo? Então, por favor, diga a eles que estava delicioso.
Será que ele tinha vindo até ali só para fazê-la dizer isso? Se fosse assim, Maomao preferiria que tivessem servido uma sopa feita com vísceras de baiacu.
— Fufufu. Tudo bem brincar com a gata, mas não se esqueça do seu verdadeiro trabalho. — A Concubina Gyokuyou comentou alegremente.
— Perdoe-me. Então, indo ao assunto principal…
— Mesmo que você diga “assunto principal”, imagino que seja apenas perguntar como estou de saúde, não? — Gyokuyou sorriu de maneira satisfeita.
— Exatamente.
— Nesse caso, posso fazer uma pergunta?
— Sobre o incidente do envenenamento… vocês descobriram alguma coisa sobre o culpado?
— Lady Gyokuyou…
Hongniang parecia exasperada com a forma direta da concubina.
— Quanto a esse caso, nós mesmos estamos conduzindo a investigação. Gostaríamos que aguardasse tranquilamente.
Em outras palavras: “não se meta no assunto”, imagino. Maomao pensou enquanto encontrava mais um rosto humano escondido nos padrões do teto.
— Porém, investigações exigem bastante ajuda.
— Ora, então estão com falta de pessoal?
— Sim. Pensei que talvez pudéssemos pegar emprestadas as patas de uma certa gata.
Jinshi olhou para Maomao e sorriu.
— “As patas de uma gata”, é? — Gyokuyou também sorriu.
— Vou pensar no assunto.
— Agradeço muito.
Ao sair, Jinshi piscou um olho para Maomao.
Ela sentiu os pelos do corpo inteiro se arrepiarem de uma vez, fazendo-a estremecer.
— Parece mesmo que ele gostou bastante de você. Então, se alguma coisa acontecer de novo, ajude-o um pouquinho, está bem…?
[Kessel: Como é bom voltar a quando tudo começou!!! Que nostalgia dessa época!!!]
(Os eventos dessa história acontecem durante o Volume 1!)
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