Sessão 1

Episódio 1: Sobre a Vez em que Fui Ameaçado Depois de Ajudar a Garota que Eu Via Sempre no Trem

Dentro de um trem que balança com um som estridente. O ar abafado entre as pessoas arde de desgosto.

Eu consigo suportar esse ar porque ela está lá.

Ela sempre entra no trem em uma determinada estação. Uma garota linda de cabelos brancos. Provavelmente é uma estudante de intercâmbio ou algo assim. Seus olhos e nariz são bem definidos, e ela tem uma atmosfera fria.

Os olhos dela são um pouco afiados e sua expressão facial raramente muda.

Eu não falo com ela. Não quero me aproximar dela nem nada do tipo.

……Claro, em parte é porque eu já vi outros alunos tentarem falar com ela e serem rejeitados na hora. Qualquer um que se aproximasse, homem ou mulher, ou era repelido pela atmosfera dela ou…… dispensado por fazer algo como dar em cima, e acabava mudando para outro vagão.

Agora só resta eu e ela nesse vagão.

Existe outros motivos… como posso dizer? Ela vive em um mundo diferente, eu acho. Ela era como uma idol, atriz ou alguma outra celebridade da TV.

Eu não tenho confiança para ir falar com uma celebridade que eu goste, mesmo que ela estivesse bem na minha frente.

Primeiro de tudo, dizem que as mulheres conseguem perceber pelo jeito que você olha. 

Eu ficaria apavorado com um homem que ficasse me encarando o tempo todo e tentasse falar comigo.

Então, eu apenas observo de longe.

Aqueles dias… continuaram por muito tempo.

Num outono.

Me pergunto se foi porque eu sempre a observava. Eu percebi algo incomum de imediato.

A expressão dela está tensa. Não, ela sempre foi tensa. 

De qualquer forma, algo está diferente.

Será que tem algo de errado com ela?

Enquanto eu pensava nisso, notei outra coisa.

…..A mão de um homem de meia-idade está debaixo da saia dela.

—Um assediador.

Mesmo que eu tente impedi-lo, tem gente demais.

……Ignoro? Não, isso seria péssimo.

É isso. Normalmente, eu acabo tomando a iniciativa sozinho.

Ignoro meu coração agitado e solto o ar de uma vez.

"Tem um pervertido aqui!"

Eu gritei.

Naquela hora, o velho deu um pulo com os ombros tremendo. Ele saiu rapidamente. As pessoas ao redor pareciam incomodadas, mas ninguém tentou detê-lo. Fiquei pensando se deveria gritar: "É aquele ali, bem ali!"… mas parei quando vi o rosto dela.

Ela olhou para mim. E balançou a cabeça.

◆◆◆

"Então, sabe. Eu ouvi dizer que tinha algum tipo de tarado no trem perto daqui hoje de manhã. Você sabe de alguma coisa?"

"…..Não, não sei."

Meu amigo Makizaka Eiji disse isso enquanto eu desviava o olhar dele.

"Sério? Não sabia? Bom, estavam comentando que ele estava no trem onde a sua namorada anda. Você não sabia?"

"…..Eu não sei."

"Tudo bem então. Se não sabe, não sabe. Você não mentiria, né?"

"Claro que não…"

Eu contei para o Eiji sobre ela… Já que ela é bonita.

"Em vez disso. Por que você não arruma uma namorada?"

“A conversa mudou de rumo, hein… Não é que eu não consiga, é que eu não quero, acho que você está enganado."

"Haa, Você quer passar a juventude sem ter uma namorada no ensino médio pelo menos uma vez?"

"A presença ou ausência de uma namorada não define a juventude de ninguém. …..Bom, acho que seria mais divertido ter uma. Mas para mim, me divertir e estudar direito já é o suficiente. Mas acho que isso muda quando a gente encontra alguém que gosta."

Mas, infelizmente. Para minha tristeza, não tenho ninguém que eu goste.

"Hm? E aquela garota do trem?"

"Ela é de outro mundo. Eu gosto de idols e atrizes, mas não consigo me apaixonar por elas. A palavra 'impossível' está sempre na minha cabeça. Em primeiro lugar, se ela é tão bonita assim, deve ter um ou dois namorados."

"Seria um problema se ela tivesse dois… Mas bem, entendi o que você quis dizer."

Eu concordei com as palavras do Eiji.

"…..Eu acho que ela não tem nenhum."

"Você disse alguma coisa?"

"Não, nada. Mais importante, você quer ir no karaokê hoje?"

"Ah, boa ideia. Eu quero ir."

"Claro."

Muita coisa aconteceu, mas acho que voltei à minha vida normal.

—Ou pelo menos foi o que eu pensei naquela hora.

◆◆◆

Claque, sacode, balança.

Enquanto era balançado pelo movimento do trem, eu ficava mexendo no celular.

Naquele momento, senti alguém me cutucar.

Deve ter sido a mochila de alguém. Não me importei muito.

Mas cutucaram meu ombro de novo.

"….Ei."

Deve ter sido imaginação minha. Voltei a mexer no celular.

Cutuc, cutuc.

"Hum. Com licença."

"S-Sim? Você está falando comigo?"

Deixei escapar uma voz boba sem querer. Quando me virei, lá estava—

Aquela garota está parada ali.

Seu cabelo e sua pele são brancos como a neve. Seus olhos tem uma linda cor azul e seus cílios são longos.

Seu rosto é fino e digno. Sua expressão não muda em relação ao de sempre. Eu a acho… bonita e fofa ao mesmo tempo.

"….Hum."

O som da sua voz suave como um sino me trouxe de volta à realidade.

Ah, não. Ela está me encarando.

"……O que foi?"

De algum jeito, consegui forçar a voz a sair. Tentei não olhar para o corpo voluptuoso dela, então mantive meus olhos fixos nos olhos dela.

Fiquei surpreso ao ver como ela era alta. Não é tão diferente de mim. E também…

—Ela está muito perto de mim. Tem muita gente no trem. Quando nos olhamos, estávamos tão próximos que eu poderia beijá-la se aproximasse um pouco mais o rosto.

Bem, eu não vou fazer isso. Eu estaria no mesmo nível daquele assediador.

"Hum……você me ajudou outro dia…. Então eu queria te agradecer."

"……Ah, aquela vez…? Não se preocupe com isso…"

Achei que estava acostumado a usar linguagem formal porque converso com professores e outras pessoas de vez em quando, mas as palavras não saíram direito.

Mas, de alguma forma, ainda consegui dizer isso.

"…….Não, eu estava realmente… com medo. As pessoas ao redor não me ajudaram, pelo contrário, olharam para mim com……olhos sujos."

"……Entendo."

"Por isso, muito obrigada."

Dizendo isso, ela abaixou a cabeça. Era a primeira vez que uma garota me agradecia, então eu não sabia o que dizer…

"P-por nada?"

Eu respondi.

Ouvindo isso… ela riu de leve.

É um pouco diferente da sua expressão digna de sempre. Um sorriso que realça sua fofura.

Ah. Então ela consegue sorrir assim.

"….Ah, me desculpe. É que quase nunca ouço um 'por nada'. Mas não desgosto quando as pessoas aceitam meus agradecimentos."

"B-bem, é muito bom saber…?"

"Sim. E também, pode falar normal. Eu usei a formalidade por hábito, e também sou do primeiro ano do ensino médio…"

"…..Ah, obrigado. ….Quer dizer, obrigado. Também sou do primeiro ano."

Mas de repente, me veio à mente. Por que estou tendo essa conversa com ela?

……De algum jeito, comecei a suar frio.

Se isso continuar, sinto que minha vida diária vai mudar.

"Bom, acho que vou ficar por aqui…"

Vou manter distância e voltar aos meus dias de só observá-la de longe.

Ainda tem pouca gente por perto agora, então posso me mover com facilidade.

Não é tarde demais.

"Espera."

Mas seus pensamentos foram interrompidos em vão.

Porque ela agarrou minha manga.

Com um baque, meu coração pulou. Mas isso foi só um evento passageiro.

Vendo a expressão dela, minha expressão mudou.

A expressão no rosto dela…

"Por favor, preciso de um favor. Por favor."

Ela parecia estar sofrendo.

"……O que foi?"

Respondi com a expressão mais gentil que consegui.

Vendo isso, ela mostrou um rosto aliviado.

……Hoje eu vi muitas expressões diferentes dela. Será que hoje foi meu dia de sorte?

Mesmo eu não acreditando em horóscopo, fiquei pensando nisso.

"Então, hã……sobre o favor……"

Embora ela tenha engasgado nas palavras, ela me olhou nos olhos.

"Enquanto eu estiver no trem, eu quero que você……fique ao meu lado."

Foi isso que ela disse.

Por um momento, minha mente ficou em branco.

Por quê?

Por que isso?

Esmaguei as perguntas na minha cabeça. Reiniciei meus pensamentos.

Então uma resposta surgiu.

"…….Será que… você tem medo de homens ou algo assim?"

Eu disse isso. Ela assentiu… com uma expressão misteriosa no rosto.

Não é de admirar. Uma mulher que sofreu assédio sexual… ou um homem, tem medo do sexo oposto. Ou até do mesmo sexo.

Tem quem não goste de ser tocado, e tem quem preferiria morrer a ser tocado.

Ela fazia parte do segundo caso. É só isso que estou dizendo.

"…Antes, eu fui tocada por um estranho. Fiquei com medo de andar de trem e… até m-mesmo na escola. Fiquei com medo do jeito que os homens me olhavam… também fiquei com medo de sair de casa de manhã."

……Entendo. Isso parece bem sério.

Mas uma pergunta permaneceu.

"……Por que eu?"

—Sim, é isso. No máximo, sou um estranho, só a ajudei uma vez.

"….Sinceramente, essa opção é arriscada demais. Talvez você só tenha tido sorte. Sou só um estranho, aquele homem de quem você tem medo."

Não sei por que estou tão desesperado.

É porque tenho medo de que minha vida diária seja perturbada?

"Quero que repense isso. Talvez você devesse pedir para suas amigas ou para um homem em quem você confie."

"….Eu não tenho nenhum."

Mas ela me interrompeu.

"Você é tudo que eu tenho."

A voz dela chegou aos meus ouvidos com clareza.

"…….Tenho vergonha de admitir, mas não tenho amigos em quem possa confiar. Então essa é a aposta da minha vida."

Ela coloca as mãos no meu peito com um baque surdo.

"O tempo dirá um dia. Pode ser verdade, mas por causa desse 'um dia', posso acabar perdendo grandes oportunidades… relacionamentos, ou estudos? Talvez até uma prova…. ou pode ser outra coisa."

……Isso é uma ameaça?

"Não me importo se você interpretar como uma ameaça… Mesmo assim, eu preciso apagar esse medo."

Havia um traço de culpa no rosto dela.

……Deve haver um motivo.

"E… a razão pela qual eu escolhi você. O motivo é simples, diferente das outras pessoas, você não olha para mim além do meu rosto… Você me olha nos olhos e conversa comigo assim."

Mesmo surpreso… eu concordei com as palavras dela.

"……Eu entendo. Vou ficar ao seu lado enquanto você estiver no trem."

Não há motivo para recusar.

"…Muito obrigada."

Quando eu assenti, ela pareceu aliviada… e sorriu.

E então, ela soltou a voz.

"Ainda não me apresentei."

"……É mesmo."

Ela pigarreou. E me olhou nos olhos.

"Meu nome é Shinonome Nagi. ……Sei que pareço uma estrangeira, mas fui adotada por um certo casal, por isso tenho esse nome. Tirando minha aparência física, pode me considerar japonesa."

—Shinonome Nagi.

Por que será? Mesmo tendo aparência de estrangeira.

O nome combina muito com ela.

"Meu nome é Minori Souta."

"Certo, conte comigo de agora em diante, Minori-kun."

Dizendo isso, ela segurou minhas mãos timidamente.

Então ela — Shinonome Nagi, sorriu.

Era um sorriso suave que eu nunca tinha visto antes. Era um sorriso caloroso.

A partir daquele dia, minha vida diária mudou drasticamente.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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