Volume 2 – Arco 7
Capítulo 186: Essas Lágrimas São Verdadeiras?
Seu corpo paralisou pelo choque enquanto os olhos se enchiam de lágrimas.
Clarah teve um turbilhão de pensamentos, desde sua infância até aquele momento, refletindo sobre como se declararia a Minty e, ao mesmo tempo, revivia a cena da morte dele em sua mente várias e várias vezes.
Um looping. A explosão. O corpo caindo. O sorriso gentil. A lágrima. A explosão. O corpo caindo. O som brutal. A carcaça sem vida. Seu amor perdido. Seu sentimento de culpa... mas, em meio a tudo, um berro interno procurava pela lucidez:
"ISSO NÃO É HORA! PENSA, PENSA! FOCA, FOCA!"
Paralisada, com todos os moradores a poucos metros atrás, sem saberem o que fazer, aguardando a ordem da menina... todos viam Ezze se aproximando mais e mais. Aquela criação balançava a cabeça "sem" sustento, o corpo para todos os lados como se estivesse bêbado.
— Jaan, desgraçado, vai pagar pela morte da minha irmã — ele repetia em murmúrio perverso, balançando a cabeça com mais força, Scrrrrechh! coçando o rosto até sangrar.
Clarah assumiu o controle da própria mente. Em meio aos pensamentos e o replay constante da morte, focalizou no que importava de verdade naquele momento difícil — não deixar mais nenhuma pessoa morrer.
Revendo a morte de Minty, conseguiu notar o símbolo que Ezze realizou quando Minty o atacou. A magia se dissipando... a magia sendo absorvida para o corpo daquela criatura humanoide.
"Então é só eu..."
— EIII!? — gritou Ezze na direção de Clarah. — Onde está o Jaan, garotinha? Fala logo, que eu deixo você correr de mim por 15 segundos antes de eu te caçar — com um sorriso maligno, Slisk deslizou a língua na mão suja de sangue preto.
Ao ser interrompida, Clarah desceu o olhar distante na direção dele. O encarou e criou uma adaga de sangue branco. Não perdeu tempo. Vul... arremessou-a na direção dele.
— Kop...
A adaga se aproximava com rapidez, mas Ezze não se mexeu para desviar ou se defender. Vendo o rastro da magia de luz, apenas esperou para absorver o ataque como qualquer outro... Péssimo erro.
— Tu.
PHAAMM!
Clarah se teletransportou — a adaga desapareceu e um chute no meio do rosto da criatura a assustou. O símbolo foi feito, mas não adiantou. Nada foi absorvido. Clarah não usou magia. Usou a mais pura força bruta.
SCRBSCBSB-BAM!
Ezze capotou violentamente por alguns metros até bater suas costas na parede de uma casa, Parrhf... o corpo descendo lentamente até cair sentado no chão... Abriu os olhos, o corpo todo dolorido — sua regeneração não existia mais... Vermelho morrera, o destino de suas criações era o mesmo.
Espanto.
Um chute de perna direita estendida chegando para se chocar com sua cara amedrontada. BUUMMM! Abriu a boca em grito, conseguiu piorar o estrago. A face afundada no crânio. Os dentes saltaram da boca amassada.
CRASHH!
Com a força do chute, Ezze foi arremessado através da casa. BAMCRECK!-BAMCRECK!-BAMCRECK! Ainda estava vivo, mas administrar um corpo colapsando não era nada fácil. Clarah apareceu com uma sequência de socos nas costelas, esmagando-as a cada golpe... que Ezze não conseguia desviar nem em pensamento.
CRECKSSCHH!!
Tentando contra-atacar com um soco no rosto dela, Clarah segurou o braço esquerdo e o quebrou, PHAAMMCK! puxou-o, e o mesmo veio como um saco de batatas sem sustentabilidade. Girou em 360° e o acertou um chute que dobrou a coluna de Ezze sobre sua perna.
PHAAMM!
Girou mais uma vez, no sentido contrário e antes de Ezze pensar em cair com o corpo regaçado, Clarah voltou acertando-o e o forçando a se dobrar para o outro lado... era impossível manter-se de pé. Não via mais nada, só sentia e escutava.
PHAAM!
Voltou um pouco a perna, antes de subi-la com um chute no queixo, enviando-o para o céu. No ar, Clarah surgiu sobre ele, girando em piruetas enquanto emanava um rastro lindo se desenhando por onde passava, uma aura de magia de luz extremamente brilhante.
— AAAAAAAARRRGGHH!!
BÁAUUUMMM!
Gritando com toda a sua alma e descarregando todo o seu ódio, acertou um chute aéreo que despedaçou o corpo de Ezze, deixando apenas parte do busto com o braço direito e metade da cabeça voando, BMSCHSCNM... capotando vários metros.
Thum-Thum!
O coração ainda batia, BM mas parou quando seu corpo encontrou uma pessoa que segurou sua cabeça. Sangrando e dilacerado, sem conseguir se regenerar com o restante do sangue saindo como uma cachoeira do corpo, Ezze tentou realizar seu último selo de mão, Crunch mas Nina esmagou sua cabeça sem magia, matando-o instantaneamente.
Parrff...
O corpo começou a se transformar em fumaça vermelha lentamente.
Clarah olhou para frente e viu Nina. Naquele momento, não conseguiu mais segurar sua dor; seus olhos cederam e ela começou a chorar, correndo até sua amiga, Thumf! que a abraçou enquanto Clarah a apertava com todas as forças, tentando aliviar a dor.
— E-eu n-não me declarei... — balbuciou muito baixo, voz embargada, difícil de ser entendida.
— O quê? O que aconteceu aqui? Por que tá chorando?
— M-Minty morreu — olhou para o rosto de Nina, enquanto as lágrimas continuavam a escorrer de seus olhos.
Jaan, mesmo estando preso no casulo, escutou as palavras que atravessaram a barreira abafada. Lágrimas se formaram. Tentou segurar o choro, mas saber que matara seu melhor amigo despedaçou seu coração.
Nina observou o rosto de Clarah.
— O-o quê?! Cadê a Anna?
Clarah não conseguiu dizer nada, apenas chorou sem parar, abraçando-a. Rosto apoiado. Nina a abraçou, fazendo carinho no couro cabeludo, tentando confortá-la. No céu? O Leviatã surgiu, exibindo seu corpo imenso e longo, dançando no ar como se nadasse no vento, com Anna em cima dele.
Desceu, diminuindo gradativamente seu tamanho até chegar na vila. Anna desceu e o Ragnarok desapareceu.
— Matei o Primordial Vermelho — comentou, olhando para Clarah chorando nos braços de Nina. "Hãm? Essas lágrimas são verdadeiras?" pensou estranhando abundantemente. Conseguia ver a máscara que Clarah usava desde que chegara, e vê-la daquela forma deixou Anna curiosa.
Um grito ressoou vindo do lado delas:
— Papai...! Papai! — Ron chorava.
Wime o abraçou enquanto tentava segurar as lágrimas:
— Papai está em um lugar melhor agora, meu filho — sussurrou, tremulando cada sílaba.
Dentro da casa de Roberto, seu corpo morto estava estirado no chão, mutilado após lutar com Lezze para ganhar tempo de sua mulher e seu filho se salvarem... Ron permanecia na frente da porta de sua casa, enquanto Wime o abraçava para que ele não visse o corpo ensanguentado do pai.
Nina, ao observar tudo aquilo, sentiu uma raiva intensa, desejando matar Jaan ali mesmo. O sangue vociferava: "Mate-o, faça-o sofrer." Mas ela sabia que não tinha o direito de fazer isso. Mesmo desejando, sabia que seria egoísmo dela; a dor dela ao saber a importância que Nino tinha quanto à vida de Roberto não se comparava à de Clarah com Minty.
Escutando-a chorar e apertando-a em angústia, Nina decidiu deixar a vida de Jaan nas mãos de Clarah. Todos os moradores chegando mais próximo. Todos tristes. Todos tocados pela dor que era transmitida no choro angustiante, no grito em lágrimas que só queria que tudo fosse mentira. Um sonho. Uma pegadinha de mal gosto.
Algum tempo depois, Nina chamou todos para o centro da vila:
— Pessoal... Infelizmente, nesse ataque surpresa que sofremos, acabamos perdendo duas pessoas muito importantes para nós. Roberto e Minty faleceram tentando proteger a todos. No momento do ataque, eu não estava aqui... Jaan disse que havia encontrado frutas diferentes, então fui ajudar ele a buscar. Porém, era tudo mentira. Quando percebi o ataque, tentei retornar e o vi fugindo para o outro lado. Eu o prendi, mas quando voltei, o ataque já havia terminado. Sinto muito...
Uma tristeza silenciosa. Enterraram os corpos dos dois juntos, ao lado da placa onde estavam escritos os nomes deles e de todos os amigos e familiares que os moradores haviam perdido enquanto eram escravos.
Após o enterro, permaneceram em pé ao lado dos túmulos em silêncio por um tempo. Depois do momento de respeito, as pessoas voltaram para suas casas e começaram a arrumar a bagunça da destruição.
Nina entrou na casa de Anna junto dela e Clarah:
— O que quer fazer com o Jaan? — perguntou em tom baixo.
— ...Não estou pronta para olhar para o rosto dele. Deixe-o passar fome por um tempo e depois eu tiro informações antes de matá-lo. Tenho uma coisa que preciso perguntar a ele — respondeu mais baixo do que a pergunta. Não olhava para Nina. Só para baixo... Só para baixo.
Subiu as escadas, indo para o quarto. Seu corpo meio bambo. Não era só fraqueza depois de descarregar tanto poder de uma única vez. Era os pensamentos, os replays, os loopings tomando o controle de sua cabeça, atrapalhando-a até mesmo de andar com atenção.
Nina, em pé, e Anna, sentada à mesa, se entreolharam por um segundo, antes de desviarem... respeitando sua escolha.
Anna ajudou os moradores a arrumarem algumas coisas ainda naquela manhã, enquanto Nina entrou na floresta para buscar os cavalos. Rrrrchhh... o casulo com Jaan dentro sendo arrastado. Nina procurando um lugar para deixá-lo preso.
Antes de chegar aos animais, encontrou uma caverna em uma montanha e entrou. Não era muito profunda, Crummnm... mas ainda assim diminuiu um pouco mais, usando magia de pedra e prendeu Jaan de cabeça para baixo, com o casulo aberto, deixando apenas a cabeça dele para fora.
Nina usou magia da natureza para criar tochas nas paredes, mas não as acendeu, deixando-as lá para que Clarah pudesse acendê-las com magia quando decidisse ir. A Primordial olhou-o. Jaan não conseguia olhá-la. Não dizia nada, apenas chorava enquanto Nina saía da sala esculpida, criando degraus até a entrada de fora. Crummn... fechou-a com uma grossa camada de magia de pedra, deixando aquele lugar completamente escuro.
Saindo de lá, com Rag disputando o controle, emergindo sobre sua Marca e sendo reprimido constantemente, sentindo todo o ódio da menina pensando em Nino, em como Nino iria reagir quando chegasse e descobrisse que seu amigo morrera... Nina continuou seguindo até os cavalos e carroças, controlando toda a sua raiva internamente, matando — sem querer — a vegetação por onde passava.
Minutos antes da Lua Azul:
Nino caminhava pela grande rua de Alberg, com as mãos nos bolsos da calça e um semblante de puro tédio. Muitas pessoas o olhavam e, mesmo com medo, todas o agradeciam. Embora não fosse com palavras, demonstravam sua gratidão com sorrisos sinceros e abaixando a cabeça.
— M-muito obrigada por salvar minha filha, senhor — uma mulher, com sua filha no colo, abaixou a cabeça para Nino.
— Tranquilo.
Continuou caminhando até se aproximar do palácio, quando sentiu-se observado e olhou para a rua à direita. Lá, viu vários homens com túnicas brancas à frente da catedral da igreja. O observavam com desprezo, mas, quando o Primordial os encarou, rapidamente todos forçaram um sorriso, e todos os sorrisos eram exatamente iguais.
Os túnicas acenaram para o Herdeiro com a mão esquerda, e Nino continuou com seu olhar entediado.
"Que porra é essa?"
Virou o rosto, ignorando-os, e seguiu em direção ao palácio.
Quando começou a passar pelo jardim, sentiu novamente alguém o observando. Virou-se e viu dois homens com túnicas brancas tentando se esconder no telhado da grande catedral, próximo a um grande sino dourado.
— Bando de carentes — resmungou em rosnado.
Se dirigiu às portas do palácio enquanto os homens com túnicas tentavam sair de lá. Assim que deram um passo, um grande olho se abriu na frente deles, encarando-os fixamente. Shkr-rk-sr-r-s-shk-k! Paralisados de medo, um deles se mexeu minimamente e foi cortado em bilhões de pedaços, enquanto o outro, assustado com a morte do amigo, teve o mesmo destino.
Ao entrar no palácio, uma serva o encontrou e, com medo, ofereceu ajuda:
— P-p-posso ajudar?
— Me guie até o salão do rei — murmurou com naturalidade, mas ainda parecia extremamente ameaçador para a jovem.
— C-claro... Me siga. "Por favor, Grande Heroína... Esteja aqui!" Muito assustada, nem mesmo sabia o que estava acontecendo no Reino de Alberg.
Ao entrar pelo buraco que o mesmo criou onde as portas ficavam, a serva travou ao ver Nino junto de Nathaly.
"O-o quê?!"
— Nino? É você ou o clone?
— Sou eu, já desfiz o clone. Não estávamos tão longe.
"O-o quê?!" Completamente confusa ao ver a Grande Heroína conversando normalmente com um Primordial, quase caiu para trás com o cérebro buscando uma resposta coerente.
— Aurora decidiu deixar ele vivo então?
Aurora, deitada no colo do rei, dormia enquanto ele fazia carinho em sua cabeça.
— Ela ama muito o rei... E ele estava sendo controlado, não podemos culpar ele por tudo que aquela mulher fez.
— Aaaah... Tanto faz, não me importo.
Nino se dirigiu ao rei, e Nathaly o seguiu. Jonas e Liza, sem entender o que estava acontecendo, observavam. Os soldados que sobreviveram à pequena chacina no salão real foram dispensados anteriormente.
— AE?! O que tem de errado com a igreja?
— Como assim, senhor Primordial?
— Eles são estranhos. Não estavam felizes com o retorno das crianças, e quando os olhei, começaram a fingir. Além disso, tinha uns em cima da igreja me observando. "Não é necessário dizer que eu os matei, né?" deu um sorrisinho de canto de boca.
— Quando entrei no reino pela primeira vez, também notei que eles me olhavam de forma estranha — argumentou, ainda associava a serva de branco com a igreja em sua mente, mas não quis dizer nada sobre isso.
— Talvez eles estejam apenas desconfiados por você também ser um Primordial.
— Não faz sentido eles ficarem tão desconfiados a ponto de ignorarem o fato das crianças estarem bem.
— Vou investigar mais tarde. Também acho que algo está errado e talvez tenham envolvimento com a rainha. Não tenho certeza, mas eu tenho quase! — Nathaly fez um biquinho com os olhos meio fechados, desconfiada.
— Enten...
Fufufufufufu...
As tochas se apagaram, e tudo ficou azul.
— Que merda é essa? — Nino encarou profundamente os olhos do rei.
— N-não sei, senhor — Morf abaixou a cabeça com medo.
O Primordial se virou e, junto com Nathaly, saiu correndo do palácio.
Atravessaram o reino com uma velocidade absurda até chegar no topo da muralha oeste.
— Está vin...
— ANNA?! — desesperado, Nino interrompeu-a, saltou o fosso e, Fush! começou a correr em direção à Floresta do Desespero. Nathaly, ao perceber, saltou, Fush! e tentou segui-lo apertando ao máximo o passo.
— ME ESPEEERA!
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