Contra o Mundo Brasileira

Autor(a): Petter Royal


Volume II

Capítulo 41: O início de uma grande conspiração

Ao voltar para a mansão de Rosetta, onde estava hospedado atualmente, Peppe permitiu-se perder em seus proprios pensamentos. Depois daquela conversa e do acordo com Lux, Floquinho e Dio explicaram algumas coisas. 

Em síntese, eles eram espíritos ancestrais. Representavam dois dos sete pecados capitais. Outros cinco estavam por aí, espalhados pelo mundo. 

Pelo que entendeu, eles tinham um objetivo secreto que não queriam compartilhar, mas que foi a razão pela qual fizeram os pactos com os dois jovens. Era como um jogo: cada um escolhia um campeão que poderia ser utilizado para aumentar o próprio poder, enquanto esse próprio hospedeiro se beneficiava com isso, como um sistema de RPG. 

Dio já estava com Lux há anos, segundo disseram, enquanto Floquinho e Peppe se encontraram há poucos meses. 

"É por isso que esse travequeiro safado tá poderoso desse jeito", refletiu.

Pelo que parece, o motivo pelo qual Lux entrou na Academia não era apenas para buscar abrigo, e sim para reunir poder, informação e influência. Coisas que ele fazia ao mesmo tempo quando promovia orgias e festas sexuais entre a elite de Celestria. 

Quando a carruagem parou nos imponentes portões da mansão, o silêncio da noite foi despedaçado por vozes alteradas.

— Já te disse, seu rato de esgoto! Afaste-se dos portões! — o rugido de um guarda ecoou na calada. — O príncipe não recebe visitas a essa hora!

— Não sou rato! Conheço o mestre da casa. Preciso de falar com o príncipe! — Uma voz mais jovem, rouca de desespero e fadiga, gritava em resposta.

O jovem em questão desceu da carruagem, apressado para ver o que estava ocorrendo.

Reconhecia aquele tom. Era uma voz do seu passado recente, um passado de becos, dinheiro sujo e sangue.

À luz dos archotes dos guardas, um homem parrudo e careca estava para ser empurrado para a lama pelos guardas. As suas roupas estavam rasgadas e sujas, o cabelo embaraçado. Mas mesmo através da sujidade e da exaustão, Peppe reconheceu os olhos — olhos duros, que já tinham visto muito, mas que agora brilhavam com um lampejo de esperança desesperada.

— Derik? — A palavra saiu dos lábios de Peppe antes que ele pudesse pensar.

O brutamontes no chão congelou. Ergueu o rosto e, ao ver Peppe de pé e vestido como um nobre, uma onda de emoção crua atravessou as suas feições. Sentiu alívio, incredulidade, um traço de mágoa.

— Garot... Alteza — a voz de Derik quebrou. — Você está vivo. Preciso... preciso de ajuda...

Os guardas hesitaram, olhando confusos de Peppe para o maltrapilho e de volta para Peppe. A aura de autoridade que agora involuntariamente emanava do jovem príncipe era inegável.

Ele olhou para Derik, depois para os guardas, e finalmente para a mansão iluminada atrás deles. 

De início, pensou em ir até a Mão Sombria no dia seguinte e ver como estava o brutamontes. Só não esperava que ele que viria a seu encontro. 

***

Cerca de uma hora depois, e ele estava na sala de estar da mansão, com o rosto mais limpo, uma espécie de roupão de lã e um copo de alguma bebida importada nas mãos. 

O garoto real o acompanhava, com uma caneca com bebida quente. 

— Derik. Você realmente tá vivo — Peppe disse, sem surpresa. 

Ao que parecia, homens como Derik eram difíceis de matar.

— Por um triz — o homem cuspiu no chão, despertando a fúria da empregada de plantão. — Foi um massacre. Uma dúzia deles, com aquelas porcarias encantadas que suprimem magia. Jasper... o velho não teve chance.

Um silêncio pesado pairou entre eles. Peppe sentiu uma pontada de algo que poderia ser um princípio de culpa, já que viu a taberna sendo queimada ao longe e não fez nada, porém o sentimento foi rapidamente engolido pela lógica fria de Floquinho: "Custos operacionais. Inevitáveis."

"É, você tem razão", concluiu Peppe, virando-se para o brutamontes e falando: — O que você quer, Derik? 

Cinco segundos de silêncio se seguiram.

— O que eu quero... Bom, acho que quero ver essa cidade queimar — rosnou o bandido. — Mas por enquanto, quero sobreviver. O Clã Thoth está caçando os remanescentes. Eles oferecem 'incorporação' para os que se rendem. Tornar-se um cão de guarda deles. Ou... eliminação.

— Clã Thoth? 

Haviam três grandes clãs que controlavam o submundo no Continente. Um deles era o Clã Thoth. Tudo dava a entender que eles, que eram conhecidos por ter os assassinos mais implacáveis do mundo, haviam sido contratados pelo governo de Rochedo para ajudar a "limpar" o país de criminosos e a controlar o submundo. 

Isso fez com que Peppe refletisse um pouco.

— E você não quer ser um cão de guarda — disse. 

— Eu tenho meus princípios. São poucos, mas tenho. — Derik olhou para Peppe de cima a baixo. — Ouvi rumores. Que você tem um patrono poderoso agora.

Ele entendeu. O homem não estava lá por acaso.

— Você quer um emprego?

— Não. Eu quero que você me ajude a reconstruir a Mão Sombria. Quero assumir as coisas e expulsar o Clã Thoth de Celestria. 

Aquilo fez Peppe ficar pensativo. Agora que Rosetta o estava apoiando, ele não precisava mais de dinheiro. Então a Mão Sombria não seria de muita valia, a não ser por um único motivo.

"Aceite a proposta. É uma ótima oportunidade para reunir mais almas. E você também pode se beneficiar tendo uma organização do submundo sob seu poder". 

A reflexão de Floquinho fazia sentido. Ter uma facção do submundo poderia ser muito útil no futuro. Seria a fachada perfeita para "lidar" com seus inimigos políticos sem parecer suspeito. Também ajudaria a conseguir informações. 

— Muito bem, posso ver o que consigo fazer. Mas não posso envolver a condessa nisso, então não tenho dinheiro. 

— E quem falou em dinheiro? 

Derik riu. Em seguida ergueu o copo de cristal, o líquido âmbar balançando perigosamente perto da borda. 

Enquanto isso, lá fora, a noite de Celestria continuava seu curso indiferente. 

As luzes da cidade alta brilhavam em suas torres de marfim; os becos da cidade baixa engoliam mais uma leva de sonhos desfeitos. Em algum lugar, o Clã Thoth consolidava o controle sobre o submundo recém-conquistado. 

O que não tinham como imaginar era que um jovem príncipe exilado e um ladrão falido de meia idade logo mais estariam se colocando entre seus planos de dominação. 

Aquele seria o início de uma grande conspiração. 

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