Volume 1

Capítulo 1: Bem-vinda ao sistema

“Era apenas uma colegial comum que gostava de otome games, agora sou a figurante amiga da vilã principal!”.

— Diário da Liz.


 

Finalmente consegui sair de casa! Ah! Que bom que a mamãe me trouxe hoje. Quanto tempo faz?

Um novo grupo de comerciantes chegou à ilha, e o vovô nos mandou dar uma olhada; procurar coisas interessantes.

“Tantas coisas! Hmm… Onde eu vou primeiro?”

Olhei ao redor e vi um monte de barracas. Tinha de tudo! Armas, livros, comidas…

 

Sistema iniciado.

 

Olhei para trás. “Quê?” Achei que tinha ouvido alguém, mas não tinha ninguém perto de mim.

— Elizabeth! Não se afaste muito de mim, menina! Você vai acabar se perdendo mais uma vez.

— Mamãe… Não precisa se preocupar.

Mamãe é sempre assim! Pelo menos me deixe ver as coisas! Sempre falando Ande logo, ande logo. Não posso sair de casa todo dia, quero aproveitar.

Mesmo falando isso, ela continuou andando e olhando apenas para as mercadorias.

Sempre fazia isso, mas pelo menos conseguia ver o que queria por causa disso.

"Ninguém vai ligar se eu ficar só um pouquinho para trás… certo?” Dei uma risadinha e olhei para trás. “Vamos começar a aventura!”

Era um dia de semana e muitas barracas ainda estavam sendo montadas, então não tinha muita gente na feira.

“Vovô fala que esse é o melhor momento, pois um bom comerciante chega cedo” fala isso, mas não vem olhar ele mesmo.

Depois de algum tempo em busca de algo interessante, uma barraca chamou minha atenção. Estava longe de tudo, com alguns raios de luzes coloridas.

Quando cheguei perto vi...

“Pedrinhas coloridas!”

Parecia o festival das cores. As pedrinhas foram colocadas como pingentes nos cordões.

— Minha querida, deseja alguma coisa?

— Quê?! — Dei um salto para trás. “De onde você saiu, senhora?!”

Eu estava tão concentrada que nem notei a presença da comerciante.

Pela cor preta do seu cabelo, raro por aqui, sabia que era do grupo que acabou de chegar.

— Peço perdão por isso — desculpou-se preocupada, em seguida deu uma risadinha. — Não era minha intenção te assustar.

— Ce-certo.

Meu coração parecia que iria explodir; precisava de alguns segundos para conseguir me recuperar.

“Por favor, não faça isso de novo! Eu tenho saúde fraca, senhora!”

Com um pouco de receio, me aproximei da barraca de novo.

— Gostou de algum colar?

Balancei a cabeça em concordância.

Seu sorriso ficou ainda maior e pareceu pegar algo de trás do balcão.

“Essa cor… Ele é mais bonito.”

— Olha esse aqui. Esse aqui combina com seus olhos, não acha?

Senti algo refrescante, um sentimento familiar.

— Não é um minérios mágicos? Como ficou tão bonito?

Ao ouvir minha pergunta, a comerciante deu outra risadinha: — Vejo que a senhorita é bem espertinha. — Abaixou para pegar alguma coisa. — Oof! Onde estava mesmo? Hmm.... Achei!

Ela colocou uma pequena caixinha sobre a mesa e abriu. Estava cheio de pedrinhas.

O sentimento refrescante ficou ainda mais forte. Tão bom…

— Essa é uma nova tendência no continente. A lapidação. Agora conseguimos limpar os minérios mágicos sem perder suas propriedades mágicas.

O vovô já tinha falado algo sobre essa tal “lapi-alguma-coisa”, mas nunca tinha visto isso!

Tirando os olhos das pedrinhas, olhei para o rosto da vendedora; estava com um sorriso ainda maior, enquanto esfregava as mãos.

— Gostou delas? Que tal chamar sua mamãe e pedir uma? — Ela se inclinou sobre a bancada, quase tocando nossos narizes.

Eh, Ela parece o vovô falando de negócios."

Mamãe sempre fala para ficar longe dos comerciantes, porque são pessoas avarentas. Não sei bem o que é isso, mas parece alguma coisa ruim, então é melhor eu ficar longe.

Dei outro passo para trás.

“Preciso de uma desculpa.”

— Liz, cadê você?!

No momento perfeito! A minha mãe me chamou e podia me livrar dessa senhora.

— Perdão, mas mamãe vai me dar uma branca se não ir logo. — Me virei para correr, e desejei boa sorte: — As pedrinhas são bonitas, espero que a senhora ganhe muito dinheiro.

A mulher falou alguma coisa, mas não prestei atenção, tinha que me apressar.

— Estou indo. — Pensei que tinha gritado, mas minha voz não saiu. — O que…

Minhas pernas começaram a tremer. Puxei o cordão que sempre carregava.

“Quê? Por que...” Fui atacada por enjoo e tontura. “Por que... tudo está girando?”

 

O usuário deseja jogar no Modo Normal ou no Modo Cheat?

 

— Quê? Cheat?

 

Modo Cheat ativado. Seja bem-vinda ao sistema, usuária.

 

Senti que eu já tinha escutado essa voz antes.

— Ei! Você está bem?! — A comerciante, agora com uma expressão preocupada, se aproximou.

— Não, eu…

Quase cai, mas consegui me segurar na bancada.

 

A fusão entre Elis e Elizabeth começará imediatamente. Elizabeth está entrando em estado de repouso.

 

Tudo ficou escuro.

“Minha… Cabeça...”

 

 

— Elis, estou começando a ficar preocupado com você.

Essa voz… de quem era mesmo? Tinha um sentimento nostálgico ao ouvi-la. Conseguia lembrar de alguém, mas seu rosto estava embaçado.

Não conseguia mexer meus braços e pernas, um sentimento parecido a… afundar.

Apesar da situação assustadora, não fiquei desesperada. Aquela voz me acalmava.

“Onde estou?”

Lembro que estava na feira vendo uma barraca e… o que aconteceu depois?

”Eu desmaiei e vim parar no hospital?”

— Elis, estou falando sério.

Elis? Quem é essa? Parece o meu nome, mas ninguém me chama assim. Sempre fui Elizabeth...

— O mundo não é tão simples.

Essas memórias… são minhas?

— Estou cansada disso, não seria legal poder recomeçar? Poder fazer tudo de novo?

A escuridão desapareceu aos poucos...  Abri os olhos e vi um teto branco.

Ei, ei… Tem algo errado aqui!”

Tentei me levantar…

—  Ai! —  Um choque passou pelo meu corpo. Parecia que tinha sido atropelada de novo.

O que é isso? Nem fui para a academia ontem. Bem, eu nunca vou pra academia. No que estou pensando? Foco!

Coloquei força nos braços e, com muito cuidado, consegui me sentar. Observei o local: um quarto com móveis de aparência rústica, como aqueles de filmes medievais.

— Esse é o meu quarto? — falei ainda um pouco grogue de sono.

“IMPOSSÍVEL!”

O lugar era muito maior do que meu apartamento. Até a cama era mais macia do que a minha antiga!

Arregalei os olhos. O choque me despertou de uma só vez.

“Onde tô? Como vim parar aqui? Não é possível, fui sequestrada?!”

Não tem porque algo assim acontecer. Nem sou filha de uma família rica ou uma daquelas garotas superbonitas e populares da escola! Não tem como isso acontecer!

Sou apenas uma simples e, no máximo, bonitinha garota geek.

“Descobriram que sou a FakeKami, a nova top 1 no Loyal?!”

Merda, merda, merdaaa…

Não se desespere! Isso, tente ficar calma, Elis. Não estou amarrada,  posso andar pelo quarto e descobrir algo. Certo, vamos fazer isso.

Desesperada, saí da cama com um salto.

Aargh! — gemi de dor. — Por que dói tanto?

Assim que toquei meus pés no chão, uma dor horrível passou pelo meu corpo.

Inspirei com força, tentando me recuperar. Minhas pernas não paravam de tremer.

“A janela...”

Durante o tempo parada, vi uma janela do outro lado da cama...

“Certo, preciso apenas chegar lá.” Como a minha professora de português, uma velha de duzentos anos, caminhei até a janela. “Pra que colocar uma janela tão alta?!”

— Beleza. Um, dois e…

Ficando na ponta dos pés, consegui olhar para o lado de fora.

Prédios residenciais se estendiam, e alguns poucos carros passavam na rua.

“Ufa! Tudo... normal, certo?”

PORRA NENHUMA!

— Onde é isso?! Vim parar na Europa?

Pior ainda, tudo parecia ter vindo do século passado.

Os carros e prédios possuíam uma aparência antiga, igual aquelas imagens amareladas na internet.

“Preciso confirmar.” Começando a achar que estava ficando louca… virei e analisei o quarto.

“Televisão?” Não tinha.

“Computador?” Negativo.

“Outro sinal de modernidade?” Nenhum.

“Cômodos antigos?” Todos.

Tem algo muito errado aqui!

— Elizabeth, a senhorita acordou? — Uma voz feminina veio do lado de fora.

“Uma das sequestradoras?” Foi a primeira coisa que pensei, mas por algum motivo aquela voz parecia familiar. Arrgh! Não importava, era melhor fazer alguma coisa mesmo assim.

“Preciso de algo para me defender.”

Olhei para os lados, em busca da arma perfeita e avistei algo…

“Perfeito.”

Sem demora, fui até a escrivaninha e peguei a minha arma: um abajur.

Ignorando a tremedeira das minhas pernas, andei de mansinho até a porta.

Estendi a mão direita à maçaneta, enquanto a outra segurava minha arma mortífera.

Só que a porta foi aberta pelo outro lado.

Em minha frente, com uma expressão confusa, estava uma mulher com roupa de empregada — até aí tudo normal. Cabelo negro, olhos castanhos-escuro, estatura média, orelhas de gato, uma cauda… Quê? Orelhas de gato? CAUDA?!

— Senhorita, você acordou? — disse animada, mas parou e olhou para minha para minha mão. — Eeeh… Um abajur? Está alucinando?

A mulher deu um passo em minha direção; eu recuei outro.

Ela pareceu ainda mais confusa com minha reação.

— Senhorita Elizabeth, aconteceu alguma coisa? — Se aproximou mais uma vez.

Eh, como você me chamou mesmo?

— Elizabeth…?

Agora tinha duas pessoas confusas no local.

— Está passando mal? — Ignorando minha arma, colocou a mão sobre a minha testa e começou a medir a temperatura. — Será que está febril?

Pensei que iria ser atacada, então virei o rosto por reflexo. Quando abri os olhos, avistei um espelho na parede. Duas pessoas eram refletidas: a empregada e uma garota, mas...

Hã? Quem é essa?”

A aparência da garota chamava muita atenção: cabelo branco e olhos violetas.

“Ela me lembra aquela personagem de Love Me Royal Academy.”

Ufa, a senhorita está bem… — A empregada tirou a mão da minha testa. — Peço que volte para a cama descanse mais.

— Espe… — Virei meu rosto para falar com a mulher, algo estranho aconteceu. A garota do espelho se mexeu ao mesmo tempo. — Hã?

Balancei minha cabeça; a garota repetiu o movimento.

Ei, ei… tem alguma coisa errada…”

Levantei minha mão; a garota levantou também.

“Está me copiando?!”

Ainda não entendia, mas meu olhar desceu para sua mão. Segurava uma arma, digo, um abajur?

As engrenagens em minha mente começaram a se mover.

No jogo… tinha uma personagem parecida, e o seu nome era...

— Elizabeth!!! — gritei.

— Senhorita?!

A empregada, assustada, deu um salto para trás, e ficou com sua cauda e cabelo eriçados.

Foi então que alguns flashes, de quando estava desacordada, vieram na minha mente…  eram memórias de uma infância que não tive.

Eu sou a Elizabeth?!

— Não pode ser! Meu progresso… Estava quase no 110%... — Sem aguentar continuar de pé, minhas pernas fraquejaram.

Por sorte, a empregada conseguiu me segurar.

 

Bem-vinda ao sistema, usuária.



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