Caminho do Fim Brasileira

Autor(a): Quiceath


Volume 1

Capítulo 10.5: Presa e Predador

[PoV Knox]

Notei mana se formando na palma da mão do nobre que havia tentado me intimidar. Ele devia achar que não percebi suas intenções.

Não ligo, tente a sorte. Ignorei-o e comecei a caminhar em direção da loira; a expressão de medo em seu rosto me fez sorrir por instinto.

Que incômodo.

Avancei em alta velocidade contra o nobre ao meu lado, segurando seu pulso com força suficiente para cancelar qualquer ação que ele tentasse.

Esperava que os outros dois caídos no chão fossem o bastante para fazê-lo desistir de me atacar.

Engano meu.

— Então está valendo usar magia?

Se tivessem avisado antes, teria acabado com isso mais rápido. Seus lábios abriram para tentar me responder, mas não tive interesse. Desferi uma cotovelada em seu queixo.

Talvez tenha colocado mais força do que devia; além do sangue que escorreu de seu nariz, senti um choque leve no meu cotovelo.

Bem, não importa. Agora resta apenas a loira irritante.

Comecei a caminhar em sua direção, e, no meio do desespero, ela gritou me xingando de raça podre.

Raça podre?

Quase caí em gargalhadas. Ah, sim, o clássico sujo falando do mal lavado. Quando estava prestes a atacar, uma silhueta negra entrou no refeitório.

Por algum motivo, não conseguia ignorar o som dos passos da garota. O refeitório amplificou o eco de seu caminhar, e o silêncio se instalou imediatamente.

— O que vocês dois estão fazendo?

Ela parecia se dirigir a outra pessoa, mas voltou o olhar para mim. Pensei que poderia ser alguém importante na academia, o que me fez ter cautela.

Uniforme preto… então está no quarto ano. Mas o que diabos essa vadia faz aqui?

— Briguinhas na hora da refeição? Vocês realmente não têm nada melhor para fazer?

Seu tom foi tão irritante que me deu vontade de socar seu rosto com expressão indiferente. Ela estava fazendo pouco de mim?

Tentei mover meu corpo, mas sem sucesso. O que diabos está acontecendo? Ela virou as costas para mim como um tigre poupando sua presa.

Não poderia deixar essa humilhação passar em branco. Não por um nobre.

— Parem de brincar e vão comer — disse a garota.

Brincar? Estou brincando?

O ódio dentro de mim implorava por uma atitude, mas minha razão me mantinha imóvel. Chamei sua atenção; não permitiria que saísse tão facilmente dessa situação.

Ela ouviu meu chamado e parou. Aguardei em silêncio sua resposta.

Apertei o punho, pronto para avançar. Sua ação, no entanto, me fez paralisar completamente. Apenas inclinando a cabeça o suficiente para que eu visse um de seus olhos, ela me deixou arrepiado.

Não sentia nem meus batimentos. Meu coração ainda bate? Ainda estou vivo?

— Sim?

Ela perguntou, os olhos carmesins ainda fixos em mim. Senti que poderia vomitar sangue ali mesmo.

Tentei responder, mas sequer tinha voz. Até que finalmente percebi: eu estava com medo. Sabia que, se ela quisesse, poderia me matar na hora.

A garota finalmente desviou o olhar e seguiu para seu destino. Senti meus batimentos voltarem ao normal.

Observei-a conversar com o garoto de cabelos roxos, decidindo ignorar sua presença. Virei para a loira, que mantinha uma pose defensiva; o medo ainda estampado em seu rosto.

Algo me impedia de agir contra ela, mesmo com meu ódio por nobres. Juntei forças para, pelo menos, golpeá-la uma vez.

Mas não conseguia tirar da mente a imagem daqueles olhos de sangue mirando minha alma.

Porra.

Dei as costas para todos e tudo. Já não havia mais motivos para permanecer no refeitório.

— Não pense que vai ficar assim. Sou um membro da Lua Flamejante.

A garota lançou uma ameaça, mas sua tentativa de me intimidar foi inútil: nem o rei poderia me impedir de agir, caso eu quisesse.

Enquanto me retirava, acabei pisando na mão de um dos garotos que nocauteei. Não que eu ligasse.

Preciso encontrar Clurgi.

Agora no corredor, meu destino já estava definido.

***

Já na porta da sala do instrutor de assassinos, entrei sem rodeios. Antes de procurar pelo instrutor, fui surpreendido pelo embate de duas pessoas.

— Vamos lá! Trava.

O primeiro, de cabelos castanhos, avançou contra o outro garoto de grande estatura, que desviava de seus golpes com eficácia.

— O instrutor saiu, foi dar uma volta.

Explicou uma pirralha sentada próxima da porta, seus olhos acompanhando a luta sem nem olhar para mim.

— Esses dois estão treinando?

— Parece que sim. Você entrou na sala de treinamento, ou pensou que fosse um baile?

Foram poucas palavras, mas suficientes para me dar vontade de invocar minha espada e cortá-la ao meio.

— Vamos lá, não me olhe assim. Quem fez a pergunta idiota aqui foi você.

Preparei-me para invocar uma de minhas espadas, mas a garota percebeu minhas intenções.

— Tente — disse, um sorriso selvagem se formando em seu rosto.

Engoli em seco.

Destrava!

O garoto de cabelos castanhos ordenou, e lâminas brilhantes se formaram nos lugares por onde passou; algumas voando em direção ao adversário, outras espalhando-se pelo ambiente.

Uma das lâminas de mana veio em minha direção. Coloquei a mão ao rosto por instinto, sem acreditar que conseguiria desviar.

Ela simplesmente desapareceu antes de me alcançar.

— Calma, gatinho. Tem barreira.

A garota sentada no chão gargalhou. Talvez fosse hora de sacar minha espada. Ela olhou para mim novamente, já sem o tom de humor: tente.

Acha que vou ter medo de você?!

Invoquei uma de minhas espadas, pronto para avançar. Na verdade, a espada sequer teve tempo de aparecer; consegui chamar apenas o cabo.

A garota estava sobre mim sem que eu percebesse. Apareci deitado no chão, suas pernas prendendo meus braços, e eu sem forças para me soltar.

De repente, senti o metal frio tocar meu pescoço, e algo líquido escorrer pela lâmina.

Droga, não consigo sair.

— Vai, cadê aquela coragem de antes?

Juntei todas as forças para tentar me soltar, mas era inútil; o peso de suas pernas sobre meus braços era aterrorizante.

Ela finalmente retirou a lâmina de uma adaga do meu pescoço. Estava coberta de sangue.

Isso é…

— Vamos lá, não seja estúpido. É sangue de um javali que cacei — falou, saindo de cima de mim — você nem sentiu dor e já estava pensando que fosse seu.

Preciso acabar com essa vadia.

— Seu me-dro-so.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora