Volume 1
Capítulo 0: Morte no Céu
Essas duas figuras flutuavam no céu, encarando-se de maneira tensa. Nunca havia presenciado algo assim e, mesmo sem querer, senti um frio de preocupação ao imaginar o que poderia acontecer. Então suas vozes enfim romperam o silêncio.
— Pensei ter dito para você não se intrometer no que é meu.
— Desde quando vidas pertencem a você?
Elas permaneceram frente a frente, e o tempo pareceu desacelerar. Não era apenas a minha aflição: todos ao redor estavam imóveis, silenciosos, nenhuma voz ousava se levantar. Olhei para o lado; o garoto, um pouco afastado de mim, ainda jazia inconsciente no chão, o peito perfurado pela lança, enquanto seus companheiros tentavam desesperadamente estabilizá-lo.
— Acho que esse é o fim…
Murmurei, a decepção transparecendo em minha voz. Minha mão tremia tanto que eu já não conseguia sustentar minha espada.
Ao redor, corpos estavam espalhados por toda parte. Homens e mulheres choravam em silêncio, cientes de que ninguém ousaria interferir nas duas presenças celestiais que pairavam acima de nós, imponentes, envoltas em uma aura capaz de comprimir o próprio céu.
Mais adiante, no horizonte daquele campo ensanguentado, meus olhos voltaram para a garota demoníaca. Ela ainda extravasava uma fúria descontrolada, golpeando sem parar o corpo de um soldado já sem vida, enquanto chorava de forma histérica e repetia, entre soluços, que mataria todos. Eu podia entender sua dor; afinal, ambas havíamos perdido alguém importante…
— Você…
Observei-a no alto. Seus longos cabelos dourados brilhavam sob a luz, combinando com a cor dos olhos. Minha vontade de matá-la aumentou, senti o gosto de ferro na boca. Tentei me abaixar para pegar a espada, mas meu corpo desabou sob o peso do cansaço.
Ainda não… por favor… preciso continuar lutando…
As lágrimas começaram a se formar e, com a adrenalina se dissipando, uma dor pesada passou a pulsar por todo o meu corpo. Cada respiração fazia meus pulmões arderem, mesmo assim, agarrei a espada e reuni forças para me erguer. Só consegui ficar de pé porque a lâmina me serviu de apoio.
Mesmo cravada no chão, a espada tremia tanto que eu já não sabia se quem estava com medo era ela… ou eu. Os gritos de dor ao meu redor aumentavam, e minha determinação vacilou. Tudo o que conseguia pensar era no garoto, distante. Forcei meu corpo a avançar, até que uma das figuras no céu falou:
— Já te aturei por tempo demais. Tentei ignorar o passado, mas agora sei que cometi um erro.
Sua aura pressionou o mundo com tanta intensidade que me fez cuspir sangue — mas nem isso foi suficiente para me fazer parar.
— Pois bem — respondeu a outra, erguendo a mão com calma e frieza —, então permita-me corrigir o verdadeiro erro.
O choro coletivo cresceu, carregado de um arrependimento silencioso. Consegui chegar até o corpo dele. Os companheiros, que choravam sem controle, se afastaram, como se reconhecessem que ninguém me impediria. Abaixei-me e segurei sua mão; o gesto me fez lembrar da garotinha de olhos inocentes caminhando ao nosso lado, feliz, enquanto segurava nossas mãos.
— Eu queria ter passado mais tempo com você…
As palavras escaparam junto com o aperto firme que dei em sua mão. O sangue que escorria de minha testa turvou minha visão, junto das lágrimas que insistiam em cair. Passei a mão em seu rosto; sua pele estava fria… fria demais.
— Não pense que dessa vez irei parar. Suma da minha frente: Explosão Celeste.
A primeira figura declarou com autoridade, e feixes de luz intensa despencaram do céu. A adversária se esquivou em um borrão impossível de seguir com os olhos e, no instante seguinte, já estava em posição segura, encarando-a de volta com uma calma de arrepiar.
— Você fez sua escolha. Não há mais volta. — Ela ergueu a mão, e uma energia roxa se concentrou na palma. — Abismo Lunar.
Uma pequena esfera foi lançada ao céu e, então, um vórtice negro se abriu, sugando tudo ao redor com força aterradora enquanto avançava contra a Deusa luminosa. Corpos de cavaleiros, vivos e mortos, eram arrastados. Agarrei-o e envolvi nós dois com mana para não sermos puxados. O chão começou a brilhar, e engoli em seco antes de olhar para cima.
Fui cegada por uma luz tão intensa que meus sentidos simplesmente… desapareceram.
Parece que eu estou morta.
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