Volume I
Dia 2
01
No dormitório da escola, ainda eram 5h00, era perfeitamente compreensível voltar a dormir nesse horário já que as aulas só começam às 7h00. Mas isso pouco importava para aqueles dois — já de pé enquanto seu outro colega de quarto ainda dormia, eles conversavam.
— O grito da professora nova foi bem intenso, hein? Deu pra ouvir do outro corredor. — O garoto de cabelos negros e olhos verdes comentou.
— É bem compreensível, dadas as circunstâncias. — Fadıl respondeu.
— Eu sei. Mas, ainda assim, fico incomodado… — o garoto fez uma cara de poucos amigos, queixo tencionado indicando que seus dentes estão cerrados e rugas na testa devido às sobrancelhas arqueadas, como se não soubesse o que sentir de fato. — Zacarias. Ele está tentando se envolver naquelas coisas de novo.
— Hum.
— Não me entenda errado, eu não acho que ele tenha envolvimento com a morte do cara lá, sabe?
— Tudo bem, eu não acho que você tá suspeitando ou algo assim. — ele responde e então, quase como se fosse contaminado pelo desconforto do garoto, o lobo faz uma carranca de frustração. — Eu sei, é complicado mesmo. Parece que os surtos dele voltaram por completo.
— É, e ele já tava dando sinais disso.
— Acha que ele vai se meter em muita encrenca?
— Eu não faço ideia, muita gente aqui já sabe do comportamento mitomaníaco dele, mas a professora nova pode pegar uma certa antipatia por isso.
— É, isso que fode.
TOC TOC
— Hum? Uma batida na porta justo nessa hora da manhã? — o lobo resmunga. — Quem é?
— Eu. — a voz de Hinako pôde ser facilmente reconhecida pelos dois, assim como pelo urso que ainda estava dormindo e levantou de repente com a aparição da garota.
— Hinako? Quê que tu tá fazendo aqui? — o urso pergunta.
— Na pior das hipóteses, vou tomar uma advertência por estar no dormitório dos garotos, ou ser expulsa pelos cigarros, — a garota de cabelos rosa fala, então dá uma rápida risada de escárnio e logo continua: — mas isso ia ser mais escandaloso pra eles do que pra mim. Agora abre logo a porra da porta.
O lobo refletiu por um momento, pensando se valia a pena o risco de ser expulso por alguma trapalhada de Hinako. Mas, no fim, os cinco anos de convivência falaram mais alto.
Abrindo a porta, a jovem entrou radiante e de peito estufado, como se tivesse um grande anúncio a fazer.
— Tá. — falou Fadıl. — O que você quer?
— Foder.
— …
Um silêncio ensurdecedor toma conta do dormitório.
Podia parecer uma piada, mas eles, em especial Fadıl, sabiam que ela não estava brincando.
— Cara, na escola não, Hinako… — Fadıl repreendeu sem jeito (por um milagre, sua cauda não dava quaisquer sinais de abanar).
— Eu não curto mulher muito nova… — Misha rejeitou a investida.
— Não. — O garoto apenas negou.
— Ugh, tô cercada de broxas mesmo. — Hinako resmungou.
— Enfim… — Fadıl cortou o assunto enquanto apoiava uma de suas mãos contra o rosto. — Você veio aqui por outro motivo, certo?
— Hum?
— Você pode até ter cara de quem fode no campus — Ele apontou discretamente na direção de Hinako e prosseguiu: — Mas de certo isso não é a única coisa que você quer falar, eu te conheço. Desembucha O que tu quer.
— Oh! Você, realmente, sabe analisar bem a situação, lobinho. — Hinako sorriu, tal qual um personagem estereotipicamente misterioso de um anime ou série (fazendo o lobo inclusive pensar como ela deveria ter mais toque com a realidade). — Bem eu, na verdade, vim fazer uma pequena proposta pra vocês: que tal a gente voltar com o Clube de Detetives?
— Hã? — o lobo indaga.
— Hein? — o urso se surpreende.
— Fala daquele que tínhamos no primeiro ano? — o garoto questiona.
— Exatamente!
— Mas por quê isso do nada?
— Simples, lobinho~! Agora que o caso daquele cara que sumiu reacendeu, os meus pais, de certo, vão vir aqui investigar também. Minha proposta é pegarmos qualquer material reserva que eles não sintam falta e usar na nossa própria perícia.
— Ainda não respondeu o porquê do interesse repentino no clube de novo.
— Ugh, é só pra eu não investigar sozinha, pô! A polícia normal nem tem escopo pra resolver esse crime se ele tiver algum quê relacionado à qualquer culto, seita ou organização vinculada ao Sistema Verdadeiro. Se a gente deixar a justiça normal acatar esse caso, quem fez isso vai, de fato, se safar! — Hinako falou. Alguns segundos de silêncio se passaram, ela então franziu a testa e disse em um tom mais baixo: — Também é uma oportunidade de ouro pra conseguir uns pontos de atividade extracurricular…
— Agora entendi o seu interesse repentino. — Fadıl falou em tom de julgamento.
— Me impressiona que não tenha nada a ver com alguma briga familiar sua. — o garoto complementou com um leve suspiro.
— Vai se foder, Gabriel! — Hinako resmungou.
02
São 6:30 e poucos da manhã e já estou na sala dos professores. Poderia dizer que já estou dedicada e trabalhando para melhorar meu método de ensino e me preparando para ter uma melhor reputação com os alunos do 3-E, mas a verdade é que estou me escondendo aqui.
É chegado o segundo dia da minha carreira profissional, e já sinto como se estivesse completamente destruída pelo tempo e ausência de sono — pois sonhei com algo estranho.
Não era como os pesadelos que se desdobravam com frequência, onde eu encontrava Takeshi. Este foi diferente, encontrei um homem estranho — tinha um aspecto vitoriano em suas roupas, sua expressão não carregava raiva ou remorso, mas sim uma loucura que parecia me contagiar pouco a pouco.
Lembro-me dele me fazer uma proposta…
— “Desista da sua carne defeituosa e abrigue um ser perfeito.”
Eu não compreendi o que aquilo significava, mas um medo estranho pôde se sobressair à histeria que sentia, mesmo que apenas por pouco. Dessa forma, eu recusei a oferta.
— “Humanos se acham tão superiores à tudo que acreditam serem capazes de consertar até mesmo o que não tem conserto — graças a Deus não sou mais parte desta excrescência.” — Ele falou e suspirou apaixonadamente. Era um tom de deboche, ele sorriu enquanto dizia aquilo
Não sei se ele queria passar essa impressão (provavelmente não, acredito eu), mas me parece muito apenas um balbuciar misantrópico de alguém que não é capaz de se adequar à sociedade.
Certo?
É, certo.
De fato, é isso.
Esse homem, fantasma, o que seja, não foi capaz de viver entre os humanos, e agora condena nosso estilo de vida.
Nojento.
Egoísta.
Se eu estivesse nessa situação de ostracismo e mártir, eu daria o meu máximo para fazer as coisas direito, afinal, eu sou humana — negar isso seria negar a única coisa que sou.
Antes um humano que tenta aprender com os erros do que um que insiste neles esperando um resultado diferente, certo?
Esses humanos obstinados com a liberdade são a escória!
Eu não sou escória — pois estou tentando evoluir, estou tentando acompanhar a sociedade!
Eu…
— Tá, mas como a gente vai conseguir acesso às câmeras, Hinako?
Hã? Ouço a voz de alguém. Se não me engano, é de um dos meus alunos — creio que ele seja um lobo, qual o nome dele mesmo?
Fadıl, é, acho que é isso.
Ele parece estar conversando com alguém no corredor rente à sala dos professores.
— Fadıl? — eu chamo por ele enquanto abro a porta da sala; ele está acompanhado por Misha, Gabriel e Hinako — O que fazem aqui? Ainda está no horário de café, não vão para o refeitório?
Nenhum dos quatro respondeu de imediato. Parecem estar me analisando. Por quê?
— Bom, você é a mais profissional nessa área, Hinako. — Gabriel fala, dando tapinhas nas costas da garota. — Faz as honras e diz se ela parece realmente afetada pela maldição.
— Bah, não tem nem o que falar. — Hinako riu. — Sem dúvidas! Olha a cara dela, totalmente catatônica e inerte do que tá acontecendo ao redor!
— Sua descrição me parece um pouco cruel demais. — Fadıl a repreende após o esculacho que ela me deu.
— Nah me poupe. Olha essa mulher Fadıl.
Ela tem algo contra mim?
— Devemos pedir ajuda dela? — Misha indaga.
— Sei não, chamar gente instável pra esse tipo de coisa não me parece certo… — Fadıl fala, apenas para ser repreendido por mim logo em seguida.
— E-ei! Quem é instável aqui!?
— Bah, foi mal a insensibilidade do cachorro aqui, prof.”, Hinako responde como se ela não fosse a que mais encheu a boca para me descrever da pior forma. — É que se você tiver decaindo muito pra maldição, pode ser perigoso mesmo.
— Ah. Hum, maldição?
— Ah, sim claro, óbvio que não iria saber. — Hinako resmunga. — Tá rolando desde 2004, alguma coisa que ‘pega’ a alma das pessoas. E fica substituindo elas por versões melhoradas, sacou?
— Eu nunca tinha ouvido falar disso…
— Claro que nunca ouviu. Esse tipo de coisa ainda não tá muito pública, ninguém sabe quem pode ter sido o cabeça por trás disso! — A garota respira fundo. — Mas uma coisa, a senhora pode ter certeza, essas substituições existem.
Certamente, é algo totalmente sem pé nem cabeça. Ela sequer me deu uma explicação coerente ou um possível contexto disso. Tampouco sei se é alguma lenda urbana nova ou algo do tipo.
Mas, por algum motivo, essa fala de Hinako, essa possibilidade conspiratória, ecoa em minha mente, lembrando-me do Takeshi — de como aquele carro parecia ter surgido de lugar nenhum — de como o acidente parecia, simplesmente, algo encenado.
De repente, sou consumida por um sentimento de horror e revolta mesclados em um só.
Seria essa maldição a responsável pela morte de Takeshi?
Teria sido isso… obra daquelas megeras da escola?
Teria sido isso resultado da compaixão de Takeshi — ocasionando no desprezo das garotas populares!?
Elas iriam tão longe ao ponto de substituí-lo!?
É por isso que ele morreu!?
É por isso que o carro surgiu do nada!?
É isso?
É isso!?
É ISSO!?
No fim, eu decidi abruptamente auxiliar aqueles quatro liderados por Hinako Togawa, que os intitulava como Clube de Detetives, na sua investigação dessa maldição.
— Basta entrar na sala e pegar os registros das câmeras do corredor. — cochicho enquanto tomo um copo d'água na sala dos professores — estranhamente, ela está vazia agora.
— Hehe, que estranho… — sussurro com uma ligeira risada, daquelas que fazia na época da escola quando imaginava cenários na minha cabeça onde eu tinha algum superpoder ou era muito popular e querida.
Ah, estou divagando do que deveria estar fazendo agora: me preparar mentalmente para invadir a sala das câmeras!
Ainda assim, é muito estranho esse lugar vazio.
Ontem nesse mesmo horário, 12:30, a sala dos professores estava cheia — praticamente lotada — Eu me pergunto onde eles foram comer hoje.
No fim, essa pergunta foi irrelevante.
A noite chegou.
Todos os professores preparam-se para ir para casa — todos os alunos vão para os seus dormitórios.
E enquanto isso, cá estou eu — invadindo a diretoria da escola à procura da chave que abre a sala das câmeras.
— Ai, ai… — Uma parte de mim não quer acreditar que estou fazendo isso, parece irreal, absurdo, idiota.
E então…
BZZT!
— Professora? — Ouço a voz de Hinako através do pequeno walkie-talkie que me deram. Até agora me pergunto onde conseguiram isso — a desculpa de Hinako ser filha de investigadores não me desce (é bem estranho que adolescentes tenham isso, mesmo sob o pretexto extra de serem de um “clube de detetives”).
— Argh! — Eu me atrapalho por um instante com o dispositivo em minha orelha, tomando um susto com a voz repentina. O grito não foi tão alto, então acredito não ter chamado nenhuma atenção.
Então, quando vou responder à Hinako…
— Então a senhora, de fato, veio à procura de respostas, professora! — Ouço uma voz familiar, a voz do garoto que me avisou do corpo ontem, acredito que Hinako e o restante do clube me falaram dele: Zacarias Foster, um garoto com uma doença mental.
Eles não me especificaram qual o diagnóstico, apenas me falaram para ter paciência com ele, para não odiá-lo.
— Z-Zacarias? O que está fazendo aqui à essa hora?
O garoto sorriu novamente, como daquela vez, e então falou:
— Eu vim dar a resposta que a senhora precisa, professora, da mesma forma, eu vim atrás de cumprir o sentido da minha vida.
— O-o que quer dizer?
BZZT!
— Professora? A senhora pode me escutar?
— O clube de detetives está te ajudando?
— A-ah, s-sim… — Espera um pouco, como ele ouviu o walkie-talkie?
— Entendo. — o garoto suspirou. — Eu sei que não é da minha conta. Eles podem meter o nariz onde quiserem, mas eu, como amigo deles, desejo protegê-los.
Ele estendeu sua mão na minha direção, logo em seguida, pude sentir um calor aumentando constantemente no walkie-talkie em meu ouvido, o que me fez instintivamente arrancá-lo, o deixando cair no chão.
Lá, pude ver perfeitamente, o aparelho estava pegando fogo, e logo explodiu.
— Peço desculpas pela hostilidade, mas no final, você ainda me agradecerá. — outro sorriso. Efêmero e gentilmente bizarro. Um paradoxo. — Quando a injustiça deste mundo cai sobre pessoas boas, às vezes elas podem desejar uma retaliação. E às vezes, essa retaliação exige sacrifícios de indivíduos menos importantes.
— O… o que você quer dizer?
— Sora Tokimoto. — Zacarias assumiu uma expressão séria. — Desejas o perdão de Takeshi Shinohara, assim como ele deseja retornar à este mundo. Correto?
— …
Não sou capaz de responder mas, tampouco quero responder. Apesar disso, não consigo estranhar o fato dele saber dessas coisas. Acho que, no fim, quero muito acreditar que, por algum milagre, Takeshi esteja vivo. Mesmo que esse milagre não tenha sentido.
— Se desejas, de fato, a capacidade de invalidar a injustiça imposta sobre ambos, prova tua capacidade de repudiar a vida neste mundo, prova tua capacidade de matar o que está no teu caminho.
Zacarias puxa uma arma, algum revólver e me entrega (eu não sou muito chegada em armas, o máximo que consigo puxar de memória seria um armamento usado pela polícia).
— O… o quê?
— Eu não sou o responsável pela morte do seu amigo, dez anos atrás. Mas sou uma oportunidade de cuspir no rosto de quem decidiu retirá-lo deste mundo. Da mesma forma que reescreveram a vida de Takeshi Shinohara, reescreve minha morte para trazê-lo de volta. — O garoto sorriu. Mas seus olhos não demonstravam emoção alguma, como se Zacarias Foster fosse um corpo vivo, funcional, mas sem qualquer sinal de uma alma. — Atire. Sora Tokimoto. Desconte sua raiva da injustiça ao executar o que não é digno de se viver.
— …
Qualquer um, em sã consciência, jamais tomaria essa decisão. Qualquer pessoa minimamente normal, jamais iria decidir matar alguém de bom grado para cumprir um objetivo ou obter a simpatia de alguém específico. Isso é loucura.
Isso é loucura.
ISSO É LOUCURA!
— Takeshi… — Meus olhos ficam inchados, o calor das lágrimas recém-chegadas percorre minhas bochechas.
“Ele, certamente, irá te perdoar.”
A voz de Zacarias ecoou com o som do tiro do revólver.
Quando retornei aos meus sentidos, eu havia puxado o gatilho.
O garoto estava estirado no chão, com um buraco entre o olho esquerdo e a bochecha (olho esse que estava vermelho e com a íris quase oculta pela pálpebra semi-fechada, talvez algum tendão ou nervo soltou naquela área). Apesar disso, ele tinha um sorriso de satisfação no rosto — a sua expressão era tranquila — quase angelical.
E então, antes mesmo de poder gritar, ou sequer processar o que ocorreu, eu vejo alguém se aproximar nos corredores escuros.
Eu vejo alguém familiar.
Takeshi Shinohara.
Ele ainda estava com o uniforme da nossa escola enquanto começava a comer o cadáver de Zacarias Foster. Eu não sei como ele tinha tamanha força para, simplesmente, agarrar pedaços da pele do corpo e arrancá-las para levar à sua boca.
Primeiro, foram as entranhas. Já tinha ouvido falar em um programa sobre a natureza que as vísceras eram ricas em nutrientes.
Logo em seguida, foi a carcaça — a casca de carne e músculos que guardava os órgãos.
Quanto tempo se passou desde então?
Alguns segundos? Não.
Alguns minutos? Não.
Horas? Talvez.
Mas ainda assim, o tempo parecia não obedecer a lógica convencional.
Tudo o que sei, era que quando Hinako e o restante do clube de detetives chegou…
— Professora!
— H-Hinako…
— Takeshi! —Hã? Hinako falou com o raposo como se o conhecesse.
— O que você tá fazendo aqui!? — Ela exclamou.
— Ah… — Pela primeira vez, eu pude ouvir a voz dele depois de dez anos. — Eu fiquei curioso com a professora andando por aí a noite, e eu vim dar uma espiada… — ele sorriu timidamente. Logo percebi que o sangue e pedaços da carcaça de Zacarias Foster haviam sumido dele.
— Cara, a gente tá no meio de uma investigação, tá bom!? Já que você tá aqui, ajuda a gente a achar as gravações lá na sala das câmeras! — Hinako resmungou e suspirou.
— Ah, claro! — Takeshi se prontifica, anda a passos apressados para a sala das gravações e então troca olhares comigo.
Não tinha palavras para descrever aquele turbilhão de emoções — sequer percebi de imediato que a arma que usei para matar Zacarias também havia desaparecido.
— …
— Qual o seu nome mesmo, professora?
— Sora. Sora Tokimoto…
— Certo. — Um clima estranho paira sobre nós. — É um prazer, professora Sora. — Ele sorri, sem muito jeito ou confiança.
— O prazer é todo meu. — respiro fundo. — Takeshi Shinohara, certo?
— Isso mesmo. Hinako falou de mim?
— É. Ela falou…
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