Volume I

Capítulo VII: Sangue, Suor e Honra | Parte III

Sienna tomou um pequeno gole de cez antes de responder e apoiou o cotovelo na mesa.

— Está dormindo. Coberto de compressas de vater fria… no corpo inteiro.

Ela suspirou.

— O treinamento com Isaac foi… intenso.

— Entendo. — murmurou Darvor, pedindo mais um pouco de cez para completar o copo.

— Levarei o jantar dele quando terminarmos. — completou Sienna.

Darvor assentiu, mas Sienna, inquieta, continuou:

— Isso tudo é realmente necessário? Nosso filho está quase morto de exaustão. Mal consegue mover os braços e as pernas…

Darvor pousou o copo devagar e a fitou com seriedade.

— Dóryon enfrentará desafios muito piores do que um dia de treinamento. Se quiser sobreviver… terá de se tornar mais forte.

Ele se recostou na cadeira e acrescentou, com a voz baixa, quase amarga:

— Isaac, apesar de tudo, ainda está pegando leve com o garoto. O que eu fiz com ele foi muito pior.

Sienna desviou o olhar e apertou os dedos.

— Só espero que nosso filho não sofra tanto. — disse, com a voz tomada de preocupação.

— Sofrer faz parte da vida de um guerreiro. É uma cicatriz inevitável. Deve-se tratá-la como uma lâmina na mão — não com medo, mas como uma extensão de si mesmo.

Sienna se levantou.

— Terminei. Com sua permissão, vou aos aposentos do nosso filho.

— Vá. — respondeu Darvor, voltando o olhar para o prato.

Um tempo depois, a noite já tinha caído. O quarto estava escuro, exceto pela lamparina tremulante ao lado da cama.

Dóryon jazia de costas, o corpo rígido, o rosto suado.

As compressas de vater fria cobriam ombros, braços, peito e pernas, e mesmo assim ele parecia queimar por dentro.

Ele cerrou os dentes.

Os músculos latejaram.
Os ossos pareciam pulsar.
Cada respiração doía.

— Aaaah… — gemeu baixinho.

Tentou virar.

Foi um erro.

Uma pontada atravessou suas costas, e ele se contorceu.

— Droga… — os olhos se encheram de lágrimas involuntárias.

Quando a dor pareceu insuportável, a porta se abriu suavemente.

Sienna entrou com uma bandeja: sopa quente de javali-rochedo, legumes, uma tigela de ervas para tratar a queimadura e novos panos limpos.

— Ainda está acordado… — disse ela, aproximando-se. — Venha, querido. Vamos, sente-se um pouco e coma.

Com cuidado, ela o ajudou a erguer o tronco.

Enquanto trocava as compressas, tratava das queimaduras nas costas e removia panos encharcados, perguntou:

— Como foi seu dia?

Dóryon, tremendo, levou a colher à boca.

— Fo-foi difícil… muito difícil… mas… apesar de tudo… eu me sinto animado. Empolgado até. — respondeu com esforço.

Sienna franziu o cenho.

— Você ainda pode desistir, meu amor. Ainda dá tempo.

Ele deu um sorriso fraco.

— Estou bem, mãe. Eu vou ficar bem.

Ela segurou o queixo dele com delicadeza.

— Me prometa que não fará nenhuma loucura. Se for demais para você… pare. Por favor.

Ao lembrar dos problemas recentes com o pai, Dóryon desviou o olhar.

Não respondeu.

Prometer algo que talvez não pudesse cumprir era pior.

Sienna terminou de ajeitar tudo e respirou fundo.

— Pronto. Agora volte a deitar. Vou pedir aos empregados para trocarem suas compressas a cada hora. Descanse.

Ela recolheu a bandeja e saiu.

Dóryon permaneceu imóvel, o corpo ardendo, a alma inquieta. 

Com os pensamentos presos ao passado e temeroso pelo que o aguardava no dia seguinte, ele ficou desperto até ouvir, por fim, os pássaros anunciarem a chegada de um novo dia.

Com dificuldade, levantou-se, ajeitou-se e desceu para tomar o café da manhã. Depois partiu para o campo, ainda coberto pela neblina.

A grama estava úmida.
O ar, frio.
O mundo, silencioso.

Isaac estava parado no centro do campo, com a capa branca ondulando atrás dele, e segurava a mesma armadura pesada.

Ele bocejou.

— Espero que ele não tenha morrido durante a noite… isso pegaria muito mal para mim.

Quando virou, viu Dóryon caminhando lentamente pelo portão.

O garoto estava pálido.
Andava como se o corpo inteiro fosse feito de vidro.
Mas… andava.

Isaac ergueu uma sobrancelha, surpreso e, pela primeira vez, genuinamente impressionado.

— Você deveria estar desmaiado na cama.

Dóryon parou diante dele e respirou fundo.

— Eu… prometi que não vou perder.

Isaac sorriu.

Mas não foi o sorriso charmoso ou debochado.

Foi um sorriso de respeito.

— Muito bem, muralhinha.

Ele bateu a mão no ombro do garoto — e Dóryon quase caiu.

— Então hoje… nós vamos dobrar a dor de ontem.

Dóryon engoliu seco.

Isaac apontou para um conjunto de troncos, cordas, pesos e estacas fincadas no chão.

— Bem-vindo ao Dia Dois.

A madrugada ainda pesava sobre o campo quando Isaac avançou até o centro do gramado e bateu uma estaca no chão com a palma da mão, como se fosse leve.

Dóryon engoliu seco.

A armadura pesada estava à sua frente.
O escudo de ferro, enfiado na terra.
E ao redor… um conjunto de instrumentos de tortura física disfarçados de treinamento.

Isaac girou o ombro e soltou um estalo alto.

— Muito bem, muralhinha. Vamos começar devagar, já que você sobreviveu — surpreendentemente — ao Dia Um.

Dóryon ajeitou a postura e respirou fundo.

As pernas doíam.
Os braços pesavam.
Mas ele estava ali.

— Qual é o treino de hoje?

Isaac deu dois passos para trás e abriu um sorriso torto, provocador:

— Hoje você vai aprender a coisa mais importante que alguém sem dobra precisa saber quando luta contra alguém que controla o venwin…

Ele se inclinou para frente.

— Não ser jogado longe.

Ele estalou os dedos.

— Coloque a armadura.

Dolores apareceu à distância com duas empregadas, trazendo a monstruosidade de ferro.

Só de vê-la, Dóryon sentiu o corpo gritar.

Ele vestiu a armadura, peça por peça.

Quando a última parte foi colocada — o peitoral reforçado — ele quase caiu de joelhos.

Isaac observou tudo de braços cruzados e balançou a cabeça.

— Perfeito. Está parecendo uma estátua. Uma estátua sofrida, mas ainda assim uma estátua.

Dóryon tentou respirar.

— Qual é… o primeiro exercício?

Isaac apontou para duas árvores ao final do campo.

— Cinquenta golpes com o escudo. Contra elas.

Dóryon piscou.

— O que? Mas—

— O venwin não liga para o seu “mas”. Anda.

Dóryon pegou o escudo.

Levantá-lo já exigiu esforço.
Caminhar com ele foi um tormento.

Ele chegou diante da primeira árvore.

Isaac gritou:

— GOLPEIE.

Dóryon respirou fundo e bateu o escudo no tronco.

O impacto reverberou pelo braço inteiro.

O escudo deslizou.
O metal chiou.
A dor subiu pelo ombro até o pescoço.

— Um! — Isaac contou.

Dóryon cerrou os dentes e repetiu.

Dois.
Três.
Quatro.

A partir do décimo, ele já não sentia o braço direito.

Isaac caminhou ao redor, como um predador que examinava a presa.

— Entende por que Auror vai destruir você? — Ela impulsiona o corpo com o venwin. Cada golpe dela vem com o peso do elemento e o impacto de um chute de cavalo.

Ele apontou para o braço de Dóryon.

— Se você não aguentar levar um golpe… não precisa se preocupar com o resto da luta.

Dóryon continuou.

Quinze.
Vinte.
Trinta.

A visão começou a borrar.

Isaac encostou na árvore ao lado, relaxado.

— Vamos muralhinha… enquanto você demorar aí, mais tempo ela tem para te bater amanhã.

Com um último esforço, Dóryon chegou a cinquenta.

E caiu de joelhos.

Isaac estalou a língua, impressionado.

— Ainda não admira que você esteja vivo.

Isaac o ajudou a levantar, sem dificuldade, como se Dóryon não pesasse nada.

— Agora, segunda parte.

Ele apontou para estacas de madeira fincadas em círculo.

— Desviar.

— Desviar? — Dóryon piscou. — Mas você disse—

— Eu disse que você precisa resistir aos golpes.

Isaac ergueu o dedo.

— Mas também precisa saber quando não levar um.

Ele sorriu.

— O segredo é simples: Auror é rápida. Você precisa ser… imprevisível.

Isaac pegou uma vara longa e respirou fundo.

— Vou te bater.

Dóryon arregalou os olhos.

— O quê?

— Se desviar, ótimo. Se não desviar, também ótimo. Porque vai aprender o quanto dói ser atingido.

Isaac girou a vara, e ela cantou no ar.

— Posição de defesa, muralhinha. Agora.

Dóryon ergueu o escudo, tremendo.

— Lá vai…

E Isaac avançou.

O primeiro golpe veio rápido demais.

Dóryon não viu; só sentiu a vara bater no escudo com uma força absurda.

O segundo golpe veio de lado.

Dóryon tentou desviar, mas tropeçou na armadura.

O terceiro passou raspando e arrancou uma lasca da armadura do ombro.

Isaac riu.

— Bom! Finalmente começou a se mexer!

Dóryon girou o corpo e quase caiu.

— Isaac… isso é impossível!

— Auror não vai impedir seus golpes por pena! Anda! Olhos abertos!

A vara veio de cima — e Dóryon ergueu o escudo no último segundo.

— ASSIM! — Isaac grita. — De novo!

Eles continuaram por longos minutos que pareceram horas.

Dóryon, exausto.
Isaac, sorrindo como se apenas se aquecesse.

Por fim, o garoto caiu.

Literalmente.

Sem ar.

Isaac esfregou o queixo, avaliando.

— Ainda faltam muito para você conseguir alcançar sua adversaria… mas já é um começo.

Ele caminhou até o escudo caído ao lado de Dóryon, bateu com o pé e disse:

— Fim do treinamento de hoje.

Isaac entregou Dóryon novamente a Dolores, que já o esperava com panos, água e um olhar de morte direcionado ao guardião.

— Senhor Isaac, isso não é treinamento… isso é tortura!

— Garoto pediu. — ele boceja. — E amanhã ele vai pedir mais.

Antes que Dolores pudesse retrucar, Isaac virou de lado, avistou uma das empregadas e abriu seu sorriso costumeiro.

— Você… tem um minuto? Ou uma hora?

A moça corou.

Dolores revirou os olhos.

Isaac passou o braço por cima do ombro da jovem e seguiu caminho.

Ao cair da noite, no quarto, Dóryon ficou praticamente imóvel.

A respiração era curta. O coração batia acelerado pela dor. Os músculos estavam endurecidos como terarth.

Ele cerrou os dentes. Mesmo doendo. Mesmo queimando. Mesmo com a sensação de que o corpo ia se despedaçar.

Ele se concentrou na luta de sua amiga, e em como aquilo o marcara.

Dóryon fechou os olhos.

“Eu… vou vencer…”

E desabou no sono, vencido pela exaustão.

No outro dia, o ligne da manhã bateu no campo aberto. Isaac estava ali de novo. Girava duas lanças. Um sorriso de lado.

— Se você está vivo, apareça. Se morreu, vou te buscar no túmulo.

Através do portão, surgiu Dóryon.

Trôpego.
Lento.
Mas firme.

Isaac ergueu uma sobrancelha.

— Muito bem muralhinha…

Ele bateu as mãos.

— Hoje vamos testar outra coisa: sua capacidade de não desmaiar quando tomar um golpe real.

A capa dele balançava ao venwin enquanto ele apontava para uma caixa grande.

— Porque hoje… é o dia da força verdadeira.

O sol ainda nem subira totalmente quando Dóryon chegou ao campo.

Isaac estava no centro, parado, olhando para a superfície lisa de uma grande tina de vater.

O guardião girou o pulso, e o vater se ergueu como se estivesse vivo.

Dóryon engoliu seco.

A sombra de Isaac cresceu…

Mas não por causa do ligne do sol.

Era o vater, que se moldou atrás dele como uma figura gigantesca, uma extensão do próprio guardião.

O garoto sentiu um arrepio que nada tinha a ver com o frio.

Isaac o encarou por cima do ombro.

— Bem-vindo ao Dia Três, muralhinha.

Ele estalou os dedos, e o vater se armou atrás dele como dezenas de lanças transparentes.

— Hoje você vai entender o que significa enfrentar alguém que domina uma dobra de verdade.

Ele fechou a mão.

E o vater se comprimiu, virando uma esfera densa, pulsante.

— E vai entender por que a maioria das pessoas só vê um guardião de longe. E por que muitos desmaiam antes mesmo do primeiro golpe.

Dóryon deu um passo atrás.

Isaac sorriu.

— Não adianta correr. Eu já vi assassinos tentar isso. Eles ainda correm… na minha memória.

Isaac apontou para um tronco grosso, caído no campo — parte de uma árvore derrubada por uma tempestade meses antes.

— Observe.

Ele estendeu o braço.

O vater atrás dele se deformou, como um chicote líquido.

Com um movimento suave, quase preguiçoso…

SLASH!

O vater cortou o tronco ao meio.

Limpamente.
Sem respingos.
Sem hesitação.

Só o som de madeira se partindo sob a força pura do elemento.

Dóryon arregalou os olhos.

— Você… você corta madeira com vater?!

Isaac girou o pulso, e a lâmina líquida voltou a uma forma amorfa.

— Corto madeira. Terarth. Aço. Gente.

Ele piscou.

— Mas prefiro pessoas que merecem.

Dóryon tentou engolir, mas a boca estava seca.

Isaac desfez a sombra líquida com um gesto, como se nada tivesse acontecido.

— Agora que já te assustei o suficiente… vamos ao treino.

Isaac pegou uma vara de madeira, mas desta vez mergulhou a ponta no vater da tina.

A madeira começou a brilhar. O elemento aderiu a ela, como centenas de fios azuis vibrantes.

— Hoje, você vai defender um golpe de vater pela primeira vez.

Dóryon ergueu o escudo.

— Isaac… isso não vai me matar, vai?

— Se fosse matar, eu teria avisado?

— …não.

— Exato. Agora prepare-se.

Isaac caminhou em círculos ao redor dele. O campo se encheu de tensão. O ar pareceu mais pesado, como se o vater se espalhasse pela atmosfera.

— Auror vai usar o venwin para te acertar. Venwin bate e empurra.

Isaac ergueu a vara.

— Mas o vater…

A ponta vibrou.
Pingou como se estivesse fervendo.

— Vater entra. Se infiltra. Te desmonta por dentro.

Isaac desapareceu.

Literalmente.

O corpo dele se moveu tão rápido que virou um borrão.

Dóryon só viu um brilho azul vindo de cima.

Ele ergueu o escudo no último instante.

CLAAAAAANG!

Um impacto avassalador o jogou de costas.

Ele rolou três vezes no chão antes de conseguir parar.

O braço inteiro formigou.
A armadura rangeu.
O escudo ficou com uma marca funda, como se tivesse sido atingido por um aríete.

Isaac apareceu ao lado dele, sem sinais de cansaço.

— Bom reflexo. Horrível execução.

Ele deu um leve tapinha no ombro de Dóryon.

— De novo.

Dóryon tentou levantar.

Fracassou.

Tentou de novo.

Conseguiu.

Isaac sorriu como um mestre que acabara de ganhar um brinquedo novo.

— Agora você começa a treinar de verdade.

Isaac avançou.

Numa velocidade que nenhum garoto de doze invernos deveria ter de enfrentar.

Golpes vieram de todos os lados:

CLANG!
SHAA!
THUD!
CRACK!

O vater vibrou contra o metal. O metal vibrou contra os ossos de Dóryon. A cada impacto, Isaac comentou:

— Muito lento.
— Desviou tarde demais.
— Essa posição te mataria.
— Se eu fosse Auror, você já teria voado dez metros.
— Melhor, mas ainda ruim.

Dóryon tentou acompanhar. As pernas queimaram. Os braços pesavam como troncos encharcados.

Até que Isaac simplesmente parou. A sombra líquida atrás dele se desfez.

Ele cruzou os braços.

— Chega por hoje.

Dóryon caiu de joelhos, respirando como se tivesse corrido uma maratona inteira.

— Isaac… por que… por que você é tão forte?

O guardião olhou para o horizonte. O rosto ficou sério pela primeira vez desde que chegara àquela casa.

— Porque guardiões são o último muro entre este mundo e tudo o que tentaria destruí-lo.

Ele respirou fundo.

— Porque nós treinamos para matar monstros que um exército inteiro não venceria.

E então olhou para Dóryon, direto, intenso:

— E porque ser forte é a única forma de manter vivos aqueles que não têm como se proteger.

Dóryon sentiu aquilo entrar fundo. Mais fundo do que qualquer golpe.

Isaac estalou o pescoço.

— Mas no seu caso, muralhinha…

Ele sorriu.

— Eu só quero que você não morra de forma patética na frente de Auror.

Isaac então seguiu seu rumo, sempre com uma companhia ao lado. E Dóryon permaneceu ali, caído ao chão.

Os dias seguintes correram como lâminas afiadas: rápidos, duros, implacáveis.

Dóryon, antes cambaleante e quebrado sob o peso dos treinos, começou a encontrar um estranho ritmo naquela tortura diária. 

O corpo, marcado por hematomas que mudavam de cor como as fases da lua, passou pouco a pouco a responder melhor. 

Os músculos aprenderam a suportar os impactos. 

Os pés ficaram mais leves. A respiração, antes desesperada, ajustou-se ao fluxo do combate.

A resistência veio primeiro.
Depois, a força.
E, por fim, a tenacidade — aquela que habita apenas guerreiros que já provaram o próprio limite e ainda assim avançaram.

Os golpes de vater de Isaac, rápidos como lâminas, já não o deixavam sem ar.

Os ataques físicos, que antes o arremessavam ao chão como se ele fosse um boneco frágil, passaram a ser absorvidos, desviados ou bloqueados com movimentos cada vez mais precisos.

No sétimo dia, quando o sol começava a se inclinar rumo ao entardecer que antecederia o desafio contra Auror, Isaac chamou Dóryon para o centro do campo de treino.

— Hoje, sem armadura. Sem escudo de aço. — disse o guardião.

Sem explicações adicionais, Isaac virou-se até o suporte de armas e retirou um simples escudo de madeira, circular, com uma ponta metálica central polida pela guerra e pelo tempo. 

Ergueu-o entre os dedos, avaliou o peso, e então entregou ao garoto.

— Use isto.

Dóryon segurou o escudo, sentindo-o leve demais, quase frágil. Não parecia o escudo de alguém prestes a enfrentar um monstro.

Isaac, no entanto, deu alguns passos para trás e assumiu a postura de combate.

— Prepare-se.

Foi tudo o que disse antes de avançar.

Isaac atacou com a ferocidade de um predador experiente, sem aviso, sem contenção. Mas, desta vez, Dóryon não foi arrastado pela onda.

Ele a enfrentou.

Bloqueou os primeiros golpes com firmeza.
Desviou do segundo conjunto de investidas com uma precisão que nunca mostrara antes.
E reagiu — não apenas se defendendo, mas contra-atacando com disciplina, instinto e leitura da movimentação do próprio mestre.

A madeira do escudo vibrou e rangeu sob cada impacto, mas permaneceu firme. E o garoto também.

Isaac abriu um sorriso.

Não de ironia.

Mas de orgulho.

— Muito bem, Dóryon. — declarou, baixando a guarda por um instante. — Está lutando como alguém que finalmente compreendeu sua própria força.

O mestre caminhou até ele e repousou a mão pesada sobre seu ombro.

— A partir deste momento… você está pronto.

Dóryon ofegava, mas os olhos brilhavam com algo novo.

Determinação pura.

— Pronto para enfrentar sua inimiga. — completou Isaac. — E lembre-se disso, garoto: nada do que conquistou veio fácil. Tudo foi ganho com sangue, suor e honra.

Isaac ergueu o escudo simples entre eles, como se fosse um símbolo maior do que aparentava.

— Carregue isso para a batalha. Não pelo que ele é, mas pelo que você se tornou.

Dóryon assentiu, sentindo o coração pulsar como um tambor.

O sol, atrás deles, descia no horizonte, marcando o fim de sua preparação.

E o início do que viria confrontá-lo no dia a seguir.



Fim do Capítulo VII

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