Amor Invisível Sob o Céu Noturno
Capítulo 9: Os Fogos de Artifício das Crianças
Fomos abençoados com um bom tempo no dia do Festival de Fogos para Crianças, e a equipe da empresa de fogos passou o dia inteiro fazendo os preparativos no campus.
Às três da tarde, fui ao quarto de Fuyutsuki no hospital e a ajudei a se sentar em uma cadeira de rodas.
A mãe de Fuyutsuki também estava lá. Ela sorriu e me contou o quanto estava ansiosa pelo evento.
“Espero que tudo dê certo hoje, Sorano,” disse ela.
“Eu também espero,” respondi.
“Consegui até pegar uma cadeira de rodas emprestada.”
A mãe de Fuyutsuki havia alugado a cadeira no hospital especialmente para aquele dia. Como havia poucas disponíveis, parece que foi bem difícil conseguir uma.
“Você pode levar a Koharu até o jardim?” ela perguntou.
“Mãe!”
“Por que não? Pense nisso como um encontro.”
“Não é isso,” insistiu Fuyutsuki, já sentada na cadeira de rodas.
“Você não precisa rejeitar a ideia desse jeito,” eu disse, rindo.
“Você poderia me empurrar?” ela pediu em voz baixa, soando envergonhada.
“Claro.”
Assim que comecei a empurrar a cadeira, ela deslizou pelos corredores com facilidade. Era mais leve do que eu imaginava, mas, ao perceber o quão leve realmente era, não consegui evitar de ficar meio chocado. Com as próprias mãos, senti o quanto o corpo de Fuyutsuki estava definhando, e uma dor aguda atravessou meu peito, como se alguém tivesse me apunhalado o coração.
E se Fuyutsuki percebesse a minha dor e ficasse triste por isso? Depois de todo o esforço que ela tinha feito para chegar até este dia, esse pensamento me preocupava.
Forcei um sorriso e levei Fuyutsuki até o jardim da cobertura.
O céu se estendia acima de nós. Eu podia ouvir o zumbido das cigarras e o farfalhar das folhas. Senti uma paz tranquila.
“Quer ir até a máquina de bebidas?” perguntei.
“Eu adoraria um chá com leite. Mas…”
“Se você não conseguir terminar, eu bebo o resto.”
“Você não devia me mimar tanto.”
“Como assim, te mimar?”
“Esquece,” respondeu Fuyutsuki, baixando o olhar.
Comprei um chá com leite gelado, com bastante açúcar, e entreguei a ela. Como antes, ela segurou o copo com as duas mãos e bebeu devagar. Quase dava para acreditar que estava quente.
“Você parece animada hoje,” comentei.
“É porque eu me esforcei ao máximo. Consegui aguentar até hoje.”
Ela disse isso como se sua força vital fosse se esgotar já no dia seguinte. Minhas palmas começaram a suar.
“Hoje não é a linha de chegada, sabia?”
“Hã? Achei que tivéssemos decidido que meu objetivo era ver os fogos.”
“Esse era só um objetivo intermediário.”
“Isso é injusto.”
“Você vai melhorar naquele outro hospital, não vai?”
“...Minha mão…” ela disse.
Fuyutsuki estendeu a mão em minha direção.
“Você segura para mim?”
A mão estendida tremia. Quando a segurei, estava gelada como gelo.
“Ahhh~… é tão quentinha,” ela disse.
“Você não devia falar da mão de alguém como se fosse uma bebida quente,” brinquei.
“Ah-ha-ha… bebida quente… haha— n-não me faça rir. Dói.”
“Desculpa,” eu disse, rindo.
“Sabe… eu sou realmente grata a você, Sorano. Agora sinto que não posso deixar essa doença me vencer.”
Ao ouvir aquilo, não consegui evitar desejar que a doença simplesmente desaparecesse. Desejei que ela saísse do corpo dela, como se nunca tivesse existido. Desejei um futuro em que os esforços de Fuyutsuki fossem recompensados de alguma forma.
Ficamos sentados em silêncio por um tempo.
De repente, Fuyutsuki falou:
“Se…”
“Hm?”
“Não, deixa pra lá.”
“O que foi?”
“Sério, não é nada.”
Pouco depois, levei Fuyutsuki de volta ao quarto.
“Eu volto para te buscar final de tarde,” disse a ela antes de retornar ao campus.
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Enquanto caminhava, pensei no desenho de Fuyutsuki. Fiquei me perguntando que tipo de fogos ela tinha criado.
Quando voltei ao campus, vi o reitor conversando com Hayase, perguntando como estavam indo as coisas.
O Festival de Fogos de Artifício das Crianças tinha se tornado um evento bastante aguardado, em parte graças aos panfletos distribuídos na região comercial próxima.
Essa popularidade também chamou a atenção da universidade, e o reitor comentou que, se fosse um sucesso, gostaria de transformá-lo em uma tradição anual.
Narumi girou a tampa de uma garrafa de água. Ele estava acompanhando de perto os preparativos dos fogos.
“E a Fuyutsuki?” ele perguntou, engolindo a água ruidosamente.
“Ela parecia bem.”
“Ela conseguiu autorização para sair hoje?”
“A mãe dela está conversando com o médico. Se a condição da Fuyutsuki não piorar, deve ficar tudo bem.”
“Que ótimo,” disse Narumi, tomando mais um gole.
O vento seco do fim de setembro entrava pelas mangas da minha camiseta. Era fresco contra a pele, mas o sol ainda era forte.
Comprei uma água com gás na máquina, e ela fez um chiado ao girar a tampa.
“Quantas crianças vão participar?” perguntei.
“Mais ou menos metade conseguiu permissão para sair do hospital.”
Narumi era o responsável por explicar tudo aos pais das crianças e guiá-los até o local do evento.
Os fogos estavam marcados para começar às seis da tarde, logo depois do pôr do sol.
“Fico mal pelas crianças que não vão poder ver,” comentei.
“Também temos um plano para elas.”
“Espero mesmo que dê tudo certo.”
“Tomara que ver os fogos faça a Fuyutsuki recuperar a memória.”
[Del: Aí você me quebra.]
“Bom… isso não me importa,” respondi.
Narumi pareceu surpreso.
“Está na hora de irmos buscá-la,” anunciei, e começamos a seguir em direção ao hospital.
No hospital, repassei o plano com os pais e as crianças que iriam ao campus naquela noite. Entreguei um mapa desenhado à mão, mostrando onde deveriam descer do táxi para caminhar menos, e indiquei os locais onde havia lugares para sentar.
Depois de terminar as explicações, me despedi de Narumi e fui até o quarto de Fuyutsuki.
Apressei o passo pelos corredores do hospital, incapaz de conter a ansiedade.
O desejo de Fuyutsuki estava prestes a se realizar.
Era o único pensamento que ocupava minha mente enquanto eu caminhava pelo corredor do sétimo andar da ala oeste do hospital.
A porta do quarto de Fuyutsuki estava aberta.
Uma sensação de mau pressentimento me atingiu.
Eu podia ouvir vários passos apressados ecoando pelo chão. Tive a forte impressão de que algo havia acontecido.
“Fuyutsuki-san! Você está bem? Está consciente? Vou ativar a sucção agora!”
A voz do médico soava urgente.
Antes que eu percebesse, já estava correndo em direção ao quarto.
“Fuyutsuki!” gritei da porta.
A mãe de Fuyutsuki estava com as mãos cobrindo a boca, encarando a filha.
“Ei, você aí! Saia! Não entre!” gritou uma enfermeira.
Ela gritou mais uma vez, no mesmo tom ríspido. Como eu permaneci parado, ela me empurrou pelo ombro, fazendo com que eu cambaleasse até o outro lado do corredor.
No fundo, eu torcia para que, se algo acontecesse, alguma das enfermeiras que me via visitar com tanta frequência pedisse que eu falasse com Fuyutsuki, na tentativa de alcançá-la.
Mas, naquela situação, eu não passava de um estorvo.
Todos estavam ocupados, fazendo seu trabalho, com expressões de pânico no rosto.
O medo parecia ter pregado meus pés ao chão. Eu não conseguia me mover. Meus joelhos tremiam, minha mente ficou em branco, e acabei caindo para trás.
“Isso não pode estar acontecendo,” murmurei, incapaz de distinguir o que era real. A realidade diante de mim era difícil demais de processar.
Quando tirei o celular do bolso, vi minhas mãos tremendo.
Eu precisava avisar Narumi o quanto antes que Fuyutsuki estava em perigo e entrar em contato com Hayase. Quanto mais eu pensava nisso, mais o pânico aumentava.
Antes que eu percebesse, tinha discado o número de uma ambulância. Desliguei antes mesmo do primeiro toque.
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Devia ser por volta das cinco da tarde quando a mãe de Fuyutsuki saiu do quarto. Ela se curvou profundamente para os médicos e enfermeiros enquanto eles se afastavam.
“A Fuyutsuki está bem?” perguntei.
“Desculpa ter te preocupado, Sorano. Ela apenas cuspiu um pouco de sangue, e isso acabou ficando preso nas vias respiratórias, dificultando a respiração. Agora ela está bem.”
Dava mesmo para dizer que alguém estava bem depois de cuspir sangue?
“Posso te pedir um favor?” ela perguntou.
“Claro.”
“Eu só estou…” — as palavras pareceram ficar presas na garganta — “…cansada.”
Havia lágrimas em seus olhos, e seu rosto estava pálido como papel. Ela devia já ter passado por esse tipo de situação inúmeras vezes. Será que ela ficava assim todas as vezes?
Meu coração doeu por ela. Apertei a parte do peito da minha camiseta com força, tentando suportar a dor.
“Você pode ficar ao lado dela por mim?”
“Com certeza. Vá descansar um pouco.”
Entrei no quarto de Fuyutsuki, como se estivesse substituindo a mãe dela. Sentei-me na cadeira ao lado da janela e a observei dormir profundamente.
Enquanto encarava seu rosto adormecido, a preocupação de que ela tivesse parado de respirar me consumia. Só relaxei quando vi seu peito subir e descer.
Ela estava viva. Só isso já era o suficiente para me tranquilizar.
Amá-la vinha com muitos desafios — eu precisava admitir. Cheguei perto de desistir inúmeras vezes, mas, ainda assim, continuei firme.
O sorriso de Fuyutsuki havia me atraído, e eu queria desesperadamente vê-lo de novo.
Quando atualizei Narumi sobre a situação pelo LINE, ele respondeu: Que bom ouvir isso. A mensagem seguinte começava com: Se a Fuyutsuki acordar…
Já era fim de setembro, então o sol se pôs por volta das cinco e meia. Não acendi a luz no quarto completamente escuro; em vez disso, abri as cortinas e deixei a janela entreaberta.
As luzes da cidade de Tóquio penetravam a escuridão.
“Sorano?”
Foi a primeira coisa que Fuyutsuki disse ao abrir os olhos.
“Sim?”
“Eu senti que era você.”
“Agora você consegue me sentir quando eu desapareço?”
“Consigo. Afinal, passamos muito tempo juntos.”
Fuyutsuki riu, com a voz rouca.
“Que horas são?”
“Cinco e quinze.”
“Vamos perder os fogos.”
“Você não pode sair hoje.”
Fuyutsuki fez uma expressão travessa, como se dissesse ‘ops’, mas lágrimas começaram a se acumular em seus olhos.
“Mas eu me esforcei tanto…”
As lágrimas escorreram por seu rosto, molhando o travesseiro. Fuyutsuki cobriu os olhos com os braços, tentando conter o choro.
Aproximei-me da cama e acariciei suavemente sua cabeça enquanto ela chorava.
“Está tudo bem.”
“O que você quer dizer com isso?” ela perguntou, afastando minha mão. “Já é tarde demais…”
Um sussurro escapou de seus lábios.
“Eu me esforcei tanto. Queria tanto sobreviver.”
Ela havia se agarrando à vida mesmo quando esteve tão perto de desistir. Eu queria lhe dar um vislumbre de esperança, mesmo que fosse algo pequeno.
A voz dela estava carregada de lágrimas, e voltei a acariciar sua cabeça.
“Está tudo bem. A gente vai conseguir,” eu disse.
“O que você quer dizer?”
Peguei meu celular e pedi que ela esperasse um pouco.
“Talvez não seja nada impressionante, mas…”
Apertei o botão de chamada.
Depois de alguns toques, ouvi a voz de Hayase.
“Koharu, você está bem?”
“O que está acontecendo?”, perguntou Fuyutsuki, confusa. Devia ter sido estranho ouvir de repente a voz de Hayase.
“É uma chamada de vídeo. Vamos assistir aos fogos daqui hoje.”
“Eu também estou aqui!” disse Narumi.
Ele não estava do lado de fora, mas parado diante de um papel de parede em tons pastel.
“Estou mostrando os fogos numa tela grande na Sala das Crianças, assim todo mundo que não pode sair consegue assistir.”
“Força, moça do piano!” gritou uma das crianças.
“Uau, isso é bem tecnológico.”
Fuyutsuki procurou minha mão, aquela que segurava o celular, e eu a peguei, colocando-a sobre a minha.
Mesmo sendo por uma tela, fazia muito tempo desde a última vez que nós quatro — eu e Fuyutsuki, Hayase e Narumi — estávamos juntos.
Fui tomado por uma alegria imensa ao ver nossos quatro rostos.
“Vai começar!”
Hayase trocou a câmera frontal pela traseira.
“Três, dois, um…”
Ouvi a contagem regressiva.
Então veio um whoosh, e um rastro de luz subiu ao céu. No instante seguinte — bang. Um fogo de artifício amarelo explodiu.
Os fogos cintilavam na tela do meu celular dentro do quarto pouco iluminado de Fuyutsuki.
Bang, boom, bang. O som vinha pelos alto-falantes do celular.
Cerca de cinco segundos depois, ouvi uma explosão do lado de fora da janela.
“Sorano.”
“Sim?”
“Me diga o que você está vendo.”
“Tá bom.”
Fuyutsuki apertou minha mão.
“Agora subiu um fogo de artifício amarelo. Ele explodiu formando um círculo perfeito, e depois desapareceu completamente.”
“Entendo.”
Boom.
“Espera… como eu explico esse? Parte da luz ficou no ar depois da explosão, e parece uma cerejeira chorona.”
“É bonito?”
“Muito bonito.”
Descrevi cada fogo de artifício para Fuyutsuki, um por um. Contei quais estavam sendo lançados e como surgiam e desapareciam.
“Estou tão feliz.”
Fuyutsuki encostou a cabeça dela na minha.
Quando olhei para ela de lado, vi lágrimas escorrendo por seu rosto.
“Estou tão feliz por poder assistir aos fogos com todo mundo.”
A tela do celular brilhou em amarelo, e um estrondo ecoou pelos alto-falantes. Uma sequência intensa de explosões curtas ressoou do lado de fora da janela.
Então ouvi a voz de Hayase.
“Agora é hora dos Fogos das Crianças, criados a partir dos desenhos delas. Esses são fogos moldados: a pólvora é organizada no formato de um desenho, que aparece no céu noturno. Espero que aproveitem esses fogos, que simbolizam os sonhos das crianças.”
Os fogos desenhados pelas crianças começaram.
“O primeiro é do Hiroto, que disse que ama ver o sorriso da mãe.”
Um fogo de artifício em forma de carinha sorridente iluminou o céu. O seguinte era uma flor desabrochando, desenhada por uma criança que queria se tornar florista quando se recuperasse da doença.
Hayase foi apresentando as crianças uma a uma.
Pelo celular, eu podia ouvir os gritos de alegria.
“Parece que elas estão se divertindo,” murmurou Fuyutsuki, feliz.
Ao vê-la assim, fiz uma pergunta:
“Por que você gosta tanto de fogos de artifício?”
“Eu acho que admiro eles”, foi o que ela disse primeiro, antes de continuar:
“Acho que os fogos deixam uma marca no coração das pessoas. Quando eu era criança, estava me sentindo mal e doente, e meus pais me levaram para ver fogos. Teve um enorme que explodiu, e quando olhei ao redor, todo mundo estava olhando para o céu. Não sei por quê, mas aquilo me deu força para continuar. Até hoje, quando fico desanimada, essa lembrança de olhar para o céu me sustenta.”
Fuyutsuki estava observando os fogos. Os fogos que haviam permanecido em sua memória. Revendo lembranças de olhar para o céu.
Seus olhos já não funcionavam mais, mas não havia dúvida — ela estava vendo.
Ver o rosto de Fuyutsuki se iluminar de alegria fez meu coração transbordar de sentimentos. Meu peito apertou. Eu estava feliz. Meus olhos arderam com lágrimas.
Eu não sabia como chamar aquilo que estava sentindo.
Eu só queria que Fuyutsuki, que lutava contra tantas ansiedades silenciosas, pudesse olhar para o céu mais uma vez.
Enquanto ouvia os fogos das crianças explodirem, Fuyutsuki disse:
“Eu também quero viver de um jeito que deixe uma marca no coração de alguém.”
Ela sabia que a vida era curta. Talvez por isso a luz fugaz dos fogos despertasse tanta admiração nela.
“Você deixou uma marca no meu,” eu disse, com a voz embargada.
“É mesmo?” Fuyutsuki perguntou com um sorriso travesso. Ela devia ter notado o tom da minha voz.
No instante seguinte, ouvi a voz de Narumi.
“Em mim também.”
“Ei, Narumi, você estava ouvindo?!”
“Eu também!” disse Hayase. “Você está se divertindo, Koharu?”
“Estou me divertindo muito!” respondeu Fuyutsuki.
“Certo, o próximo é o da Koharu,” anunciou Hayase.
“O quê? Isso quer dizer que vou vivenciar meu fogo ao seu lado, Sorano?”
“A Koharu enfrentou a doença repetidas vezes, então, para expressar sua gratidão àqueles que a apoiaram—”
“Ah, não, isso é constrangedor. Não olha, Sorano!” exigiu Fuyutsuki, mas já era tarde.
Com um estrondo brando, o fogo se abriu no céu noturno. Era o desenho de um enorme coração.

“É um coração.”
“Eu sei! Fui eu que desenhei! Não precisa dizer em voz alta!”
“Por que você tem vergonha do seu próprio desenho?” rebati.
“Fica quieto,” ela disse, me dando um tapinha.
“E agora, o último fogo é do Kakeru Sorano,” anunciou Hayase.
Ah, é verdade…
Eu me lembrei de que Hayase também tinha me pedido para desenhar um fogo de artifício.
“Você desenhou um também?” perguntou Fuyutsuki.
Um rastro branco subiu ao céu. Por um instante, pareceu desaparecer — e então explodiu, iluminando tudo.
“Que forma você desenhou?”
Fuyutsuki virou-se para mim, sorrindo de forma travessa. Seu rosto estava bem perto do meu. Ela estava mais magra do que antes, mas seu sorriso ainda fazia meu coração disparar.
O fogo que brilhava intensamente no céu tinha a forma dela.
“Fuyutsuki…”
“O que foi?”
“Eu nunca te disse isso diretamente, mas…”
Minha boca se movia sozinha. Palavras que eu havia escondido e reprimido explodiram como fogos de artifício.
“Eu te amo. Posso ficar ao seu lado para sempre?”
No dia em que beijei Kakeru, acabei desmaiando em casa por causa de anemia.
Cheguei a pensar, em tom de brincadeira, que fosse amor demais, mas quando minha mãe — sempre preocupada — me levou para um exame noturno, encontraram uma sombra escura no raio-X.
No dia seguinte, o médico fez exames mais detalhados, e fui diagnosticada com câncer metastático em estágio IV. Fui informada ali mesmo de que precisaria ser internada.
Voltei para casa para arrumar minhas coisas, e foi então que minhas preocupações me atingiram de verdade.
Naturalmente, não era tanto o que aconteceria com meu corpo que me angustiava, mas sim o que aconteceria com Kakeru.
O que aconteceria se eu confessasse meus sentimentos? E se, por acaso, ele correspondesse?
Provavelmente tudo não passaria de um desperdício do tempo dele. E, se eu morresse, isso poderia traumatizá-lo.
Naquele momento, porém, eu ainda tinha a chance de desistir. Ele poderia encontrar outra pessoa.
Chorei e chorei enquanto esses pensamentos passavam pela minha mente. Chorei porque o amava — e porque precisava deixar esse amor para trás.
Então algo inesperado aconteceu.
Recebi uma mensagem no LINE da Yuuko. Ela tinha me enviado um vídeo. Toquei duas vezes na tela para reproduzir.
“Atenção, pessoal!”
Era a voz de Kakeru.
“Tenho um anúncio importante!”
Será que ele está planejando fazer algo engraçado? O momento não podia ser pior, pensei.
“Eu, Kakeryu Sorano—”
Ah… ele tinha errado o próprio nome.
Dei uma risadinha. Certo, vou guardar esse vídeo para sempre. Seria uma lembrança — uma celebração do meu primeiro amor e do meu coração partido.
Pensar nisso me fez chorar de novo.
Isso dói. Dói muito.
Então, enquanto esses pensamentos giravam na minha cabeça, eu ouvi:
“Eu, Kakeru Sorano, gosto da Koharu Fuyutsukiiiii! E eu quero sair com elaaaa!”
O momento realmente não podia ser pior.
Kakeru tinha acabado de dizer que gostava de mim.
Aquilo me deixou feliz, de verdade. Não tinha como não deixar. Mas, ao mesmo tempo, eu dizia a mim mesma que não podia sentir aquilo.
Eu não podia deixar isso ir adiante. Se deixasse, acabaria machucando Kakeru.
Então tomei uma decisão.
Decidi desaparecer silenciosamente da vida de todos. Se eu encontrasse Kakeru de novo, fingiria não conhecê-lo.
Continuaria assim até ele desistir de mim. Até me esquecer.
“Tenho certeza de que vai ser difícil para ele…” murmurei.
Foi nesse momento que percebi que lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Pela primeira vez na minha vida, odiei de verdade o meu destino.
Não era só a minha vida que estava sendo roubada — esses sentimentos tão importantes para mim também estavam.
Era miserável. Frustrante. Doloroso.
Quanto mais pensava em ter que esquecer Kakeru, pior eu ficava. Chorei até não aguentar mais. Eu não sabia o que fazer, e estava naturalmente preocupada com minha saúde. Quanto mais pensava, mais doía.
Eu estava em tanta agonia que fiquei completamente perdida.
No fim, tudo ficou demais para mim, e eu gritei, arremessando meu celular do outro lado do quarto.
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“Por que você não desiste logo de mim?!”
Fuyutsuki mantinha os braços pressionados contra os olhos, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
“Eu—”
Entre soluços, as palavras saíam aos pedaços.
“—não tenho muito tempo.” Ela chorava sem conseguir se controlar. “Eu vou morrer de qualquer jeito.”
Era uma coisa cruel de se dizer.
Fuyutsuki estava com medo.
Seu estado físico tornava impossível até mesmo imaginar que ela viveria para ver o dia seguinte. Era isso que tornava seguir em frente algo tão assustador.
Era como se ela estivesse correndo pela escuridão da noite com os olhos fechados. Incapaz de arrastar alguém para o próprio sofrimento, ela tinha escolhido enfrentar tudo sozinha.
O que eu posso fazer para ajudá-la nessa situação? Eu a amo tanto.
“Fuyutsuki, você consegue me ver?”
Peguei a mão dela e a coloquei sobre minha bochecha.
Aproximei meu rosto do dela, perto o suficiente para beijá-la, e ficamos frente a frente.
Claro que ela não podia ver meu rosto, mas ainda podia tocá-lo e sentir minha expressão.
O gesto inesperado a deixou surpresa no começo — mas, pouco a pouco, ela passou a ficar irritada.
“Do que você está rindo?!” ela gritou.
Eu estava com o maior sorriso que conseguia fazer.
“Porque.”
“Porque o quê? Isso não tem nada de engraçado para mim!”
“Porque…” repeti.
“Dizem que sorrisos assustam o câncer, não é?”
“Huh?”
Os olhos de Fuyutsuki se arregalaram de surpresa.
“É bem difícil sorrir quando ninguém ao seu redor está sorrindo, não é?” eu disse.
Fuyutsuki ainda parecia atônita.
“Por que você não se diverte comigo? Talvez você precise de alguém com quem possa fazer isso.”
As lágrimas ainda escorriam de seus olhos, mas já não dava para saber se ela estava feliz ou chorando.
“Como se isso fosse acontecer!” ela exclamou. “Kakeru… seu idiota.”
Fazia muito tempo desde a última vez que ela tinha me chamado de Kakeru.
Tomei aquilo como um sinal de que Fuyutsuki finalmente havia cedido.
Não sei por quê, mas meu coração se encheu, e minha visão começou a se embaçar com lágrimas.
Uma a uma, elas começaram a cair.
“Eu sabia…”
“O quê?”
“Às vezes, Fuyutsuki, eu te via sorrindo de lado… E outro dia você disse que aquele marcador era seu. Há muito tempo, você me contou que o fez depois de entrar na faculdade.”
“Eu disse?”
“Disse. Eu me lembro de tudo o que você já me falou.”
Ela me deu um soco leve no ombro. Ou melhor, ela desceu o punho, e meu ombro simplesmente estava ali.
“Au,” reclamei, e Fuyutsuki começou a fazer birra.
“Idiota, idiota, idiota.”
Era adorável.
“Você faz ideia de como foi—” Ela continuou me batendo. “—segurar tudo isso?”
Lágrimas grandes caíram de seus olhos no chão.
Minha resposta foi simples.
“Obrigado.”
“Seu idiota! Obrigado pelo quê?” Ela acabou me acertando com mais força.
“Quer dizer, foi para o meu próprio bem, não foi?”
Fuyutsuki ficou em silêncio.
Ela permaneceu calada por um instante, mas logo voltou a me bater e a me chamar de idiota.
“Kakeru?”
“Sim?”
“Obrigada por confessar seus sentimentos por mim duas vezes.”
“Não foi nada,” respondi, assentindo.
“Desculpa,” disse Fuyutsuki.
“Por mentir?”
“Bom… por isso também.”
“Então pelo que mais você está pedindo desculpa?”
“Por estar/ser tão doente.”
“Tudo bem. Você vai melhorar, não vai?” eu disse, acariciando seus cabelos.
“As minhas chances de sobrevivência são incrivelmente baixas.”
Mesmo assim, eu não ia desistir dela.
“Vai ficar tudo bem,” eu disse. “Você vai passar por isso.”
As lágrimas voltaram a escorrer dos olhos de Fuyutsuki.
“Vou dar o meu melhor,” ela disse, assentindo.
“Eu acredito em você.”
“Vou me esforçar ao máximo, então não perca a fé em mim.”
O rosto dela estava todo contorcido de tanto chorar, molhado de lágrimas, mas ela continuava assentindo e repetindo: “Vou dar o meu melhor.”
“Talvez eu vá para Hokkaido com você,” eu disse.
“Nem pensar. Continue na faculdade.”
“Eu te visito durante as folgas mais longas.”
“Isso vai sair caro.”
“Eu arranjo um trabalho de meio período.”
Depois dessa troca leve de provocações, ficamos de mãos dadas e compartilhamos os sentimentos que guardávamos a tanto tempo, conversando e rindo juntos.
-DelValle: Pprt, que plot meus amigos, eu simplesmente não consigo evitar o sorriso!
Na moral, o mano foi duro e veio a saber que é, ela na verdade atuou uma amnésia, ao ponto de passar as barreiras.
Francamente, eu meio que nem sei (na verdade sei, porque sou tradutor) no que vai dar, se é que ela ficará viva, mas eu já sinto uma imensa satisfação!!
Mal posso esperar pelo anime, que julho chegue logo!
Traduzido por Moonlight Valley
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