Vol 1
Interlúdio 1: Coração Molhado em Eco
Era noite. Uma melodia cantarolada sobrepunha-se ao ritmo da chuva que castigava a cidade silenciosa.
Eu — Amamori Junna — estava em um estado de espírito estranhamente bom. Sentada na beira da minha cama, balançava o corpo de um lado para o outro enquanto prosseguia com o meu “trabalho”.
A imagem de um garoto que eu conhecera recentemente flutuava em minha mente.
Seu cabelo preto ondulado — se era permanente ou natural, eu não sabia dizer — era leve no geral, mas sua franja era cortada de forma pesada, e seu rosto era, para o bem ou para o mal, comum.
O corpo dele parecia esguio, mas como ele aparentemente fazia parte de um clube de esportes, talvez fosse, na verdade, magro e definido. Quando eu quase estraguei a experiência dele com a novel sem querer, a mão que ele encostou nos meus lábios era firme e fresca.
Será que é verdade que pessoas com mãos frias têm corações quentes? — Quando penso nele, um calor suave se espalha pelo meu peito.
Ele foi quem disse que “amava” aquilo que eu apenas “gostava”—
A melodia do meu cantarolar mudou. Em resposta, apressei o meu trabalho.
Envolvi um punhado de lenços de papel em um pano preto, torci para fechar e amarrei com um barbante. Eu estava usando um pano preto em vez de papel porque parecia ser mais eficaz dessa forma.
O oposto de branco é preto, e o oposto de ensolarado é chuvoso. Um furefure bozu é um teru teru bozu pendurado de cabeça para baixo para desejar chuva. Cantarolando, terminei de pendurar o furefure bozu preto concluído no trilho da minha cortina e soltei um suspiro. Parei de cantarolar e disse:
“—Mhm. Ficou bom... mas talvez eu os tenha feito fofos demais?”
Contemplei a cena diante de mim. Uma cortina azul-violeta. Acima dela, as silhuetas pretas dos furefure bozu estavam alinhadas sem um único espaço vago. Havia cerca de trinta deles no total. Mas, bem, se eu fiz tantos assim, deve continuar chovendo amanhã também. Vai continuar, não vai?
“Certo, então—”
Tendo terminado aquela tarefa, passei para outra. Interrompi a gravação que estava fazendo no meu celular, sentei-me à escrivaninha e virei-me para o computador.
Quando coloquei meus fones de ouvido, o som da chuva desapareceu, e o ruído do mundo sumiu. Mesmo assim, a melodia que transbordava dentro de mim não parava.
Eu não conseguia evitar o desejo.
Espero que amanhã também seja um temporal.
Traduzido por Moonlight Valley
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