Volume 2 – Parte 2
Capítulo 45: Confronto na Neve
Conforme os dias passavam, menos vontade de seguir em frente a dupla tinha.
Nenhuma nevasca como a daquele dia envolveu a cabana onde residiam.
Mesmo assim eram dominados pela ausência de motivação em iniciarem uma nova busca pela Marcada de Vega.
Os sinais de desistência começaram a tomar forma a partir do momento que a barriga da garotinha gritou de fome.
Numa situação crítica, nenhum deles se alimentou direito desde a partida da igreja, onde foram acolhidos por uma marcada sem nem desconfiarem da hipótese.
E mesmo sofrendo após devorar o que restava dos biscoitos e guloseimas encontradas no caminho, Bianca se recusava a abordar sobre a necessidade de comer.
Para ela, o ronco que vinha do estômago já era suficiente a fim de elucidar suas condições atuais.
Com o rapaz não era diferente.
Sentado na cama maltrapilha, observava o lado de fora, onde flocos de neve caíam de maneira graciosa sobre a superfície esbranquiçada.
Nenhum sinal de pessoas, animais ou dela foram detectados durante esse meio tempo.
Não havia muito o que fazer, pois não faziam ideia de qual direção a garota tomou ao desaparecer da cabana.
No fim, restavam os ruídos gorgolejantes que vinham da menina, deitada logo atrás dele.
Eles cresciam à medida que os minutos avançavam, ao ponto de se tornarem incômodos ao jovem quieto.
— Bianca...
— Eu ‘tô bem. — Ela nem o permitiu continuar.
“‘Cê não ‘tá nada bem”, ele guardou a resposta na própria mente, as sobrancelhas retraídas mediam sua preocupação com o estado real dela.
Para Bianca, ficar sem comer dessa maneira não era novidade, ainda que não fizesse nada bem a seu corpo.
Mesmo que desejasse esperar pelo retorno de Layla, acabaria sucumbindo no meio do caminho se o caso de ela não voltar prevalecesse.
Conhecendo a situação pela qual a criança passou antes de ser resgatada na batalha contra o Marcado de Regulus, Norman decidiu agir em prol de sua saúde.
Se levantou do colchão duro, esticou o corpo inteiro e andou até o outro lado, para onde o rosto dela se encontrava frontalmente.
— Vamo’ lá naquela igreja. Você precisa comer algo.
A favor deles estava a hospitalidade daquela que, de forma natural, deveria ser uma adversária na seleção.
Beatrice Grace deixou bem clara a recepção amigável para com os dois marcados, mesmo depois do pequeno conflito que tiveram durante a chegada das pequenas freiras.
Sem rumo naquele momento, restava à dupla aceitar a oferta para buscar um abrigo mais favorável com a Marcada de Capella.
Sem deixar a garotinha recusar, pôs casaco e cachecol em volta do pescoço dela e a conduziu até saírem da pequena cabana.
Pelas lembranças da última experiência, o rapaz sabia que não demoraria muito até chegarem ao grandioso templo no meio do nada.
“Espero que estejam lá”, pensou ao iniciar o trajeto sem olhar para trás.
Em alguns minutos, adentraram na zona onde foram encurralados pelas condições climáticas desfavoráveis de dias atrás.
O esforço feito por ambos a fim de prosseguirem sobre o acúmulo nevado fazia a fome crescer aos poucos. A ânsia de alcançar o local o quanto antes seguia o mesmo rumo.
Contudo, ao diminuírem a distância até o objetivo, o arrepio singular os aterrorizou em segundos.
Tal como a ocasião passada, a ressonância do alerta se pronunciou em plena região deserta.
Se daquela vez a responsável pelo ressoar foi a grande freira, por conta das imediações com o templo, agora o risco era ainda mais severo.
“Mais outro!? ‘Tá de sacanagem!”, o Marcado de Altair rangeu os dentes enquanto varria os arredores com os olhos arregalados.
Ao seu lado, Bianca tremulou em aflição, também procurando o possível inimigo.
Norman pensou rápido e decidiu correr até a igreja.
Conhecendo o poder de Beatrice, capaz de anular qualquer Áster de outros marcados, cogitava ser a grande chance de evitar problemas maiores.
No entanto acabaram interrompidos quando enxergaram uma figura encapuzada alguns metros adiante.
De pouco em pouco foram reduzindo a intensidade da maratona de urgência, incapazes de passarem pela pessoa de pé ali.
Ela utilizava um casaco azul bem grosso, que deixava metade do rosto coberto, enquanto as mãos repousavam nas laterais do corpo.
“É o marcado?...”, Norman semicerrou as vistas ao encarar o provável novo adversário no bloqueio da única passagem até o abrigo na igreja.
Por meio de um estalo de língua, ele levantou a mão destra na direção da pessoa, mas...
— Ei, pra onde ‘tá mirando!? — Uma voz masculina o alcançou da retaguarda.
No mesmo instante, se virou a fim de conferir o responsável pelo grito de tom convencido.
As sobrancelhas arregalaram assim que se deparou com a queimadura permanente na face do outro garoto.
Lá descansava o grande símbolo de um asterismo irradiando um cintilar branco-amarelado bem pálido.
Ao passo que o fulgor diminuiu, junto da sensação arrepiante da ressonância, puderam fitar sua face sorridente com mais clareza.
“Essa forma... é a Constelação do Centauro”, o Marcado de Altair identificou com presteza a natureza daquelas conexões entre os pontos brilhantes.
E ao verificar a maior delas, também elucidou a estrela que havia o escolhido.
— Rigil... Kentaurus... — murmurou o pensamento, tamanha a aflição sobre todos os sentidos.
— Olha só, ‘cê conhece bem isso aqui, hein!? Que nem ela falou... — Levantou um dos braços, esticando o indicador na direção oposta... — Foi a mesma reação dessa daí. Acredita nisso!?
Norman encarou a encapuzada por cima do ombro no instante que o Marcado de Rigil Kentaurus, a estrela mais brilhante do Centauro, também ergueu o queixo.
— Então... ela é uma marcada também, eu suponho...
“Preciso manter a calma, senão as coisas vão ficar piores...”, voltou a ranger os dentes. “A gente ‘tá fraco de fome, foi uma hora tão ruim quanto aquela da nevasca!”
Franziu o cenho ao sentir uma gota de suor escorrer na lateral de sua face.
Na pior das hipóteses, deveria fazer o possível para proteger a criança em sua companhia, quase que agarrada em seu outro braço.
— Na real, ela não é que nem a gente. — A resposta do com a marca de queimadura o fez contorcer uma das sobrancelhas em dubiedade. — De qualquer jeito, é uma ótima sócia que encontrei! Já que o objetivo dela é o mesmo que o meu!
— Ah, é? E qual seria?
— Te encontrar... Marcado de Altair, Norman Miller!
O rapaz, que apesar de agasalhado num casaco não utilizava outra roupa por baixo do torso, abriu os braços.
— Então me conhece, é? — mussitou. — Não ‘tava nos meus planos ficar famoso assim. Eu prefiro passar despercebido...
— Ah, fica tranquilo, não é culpa sua! Eu poderia te matar aqui e agora, assim como essa marcadinha, mas prefiro observar um pouco do show!
— Show?...
— Como eu disse, ela queria te encontrar também, afinal. — O homem de piercings nas orelhas projetou um sorriso vil na face bicolor. — Então, que tal prestar contas com minha sócia, Miller?
Norman manteve-se inerte conforme o adversário declarado declamava cheio de pompa, como se tivesse a plena superioridade da situação.
Num primeiro momento parecia uma tática para tentar desnorteá-lo, mas o que viria a seguir serviria ao propósito com primor.
E, por isso, o garoto de cabelo cacheado jamais iria esperar.
— Faça como quiser... Simmons.
“Simmons?”
Primeiro, o rapaz pensou ser qualquer nome, mas logo quando ligou as poucas pistas, não resistiu a esgazear as vistas.
— Ei...
Virou o rosto junto do tronco com cuidado, estremeceu da cabeça aos pés sem nem perceber.
Não demorou muito até lembrar do sobrenome dela.
A brisa bateu, fazendo os fios bagunçados de seu cabelo menearem, assim como o capuz grosso que cobria a cabeça daquela pessoa.
Foi insuficiente para retirá-lo daquela posição, mas pôde oferecer a ele a visão que desejava.
“Impossível...”, buscou renegar com todas as forças, mas a verdade encontrava-se estampada à sua frente, ao vivo e em cores.
— Helen?...
Bianca não compreendeu o nervosismo súbito que dominou o parceiro de repente.
Porém, também encarou a garota responsável por bloquear sua passagem antes do outro escolhido aparecer.
O Marcado de Altair poderia desmontar ali mesmo, tamanha a perplexidade que o preenchia por dentro.
Sua amiga da universidade, única sobrevivente à chacina que caminhava para completar quatro meses, estava de pé a poucos metros de distância.
A expressão fechada em sua face corroborava a tensão estabelecida no clima local.
Enquanto fios do curto cabelo escuro dançavam sobre as vistas castanhas vidradas no garoto, ela cerrou os punhos livres com força.
— Faz um tempo... Norman... — murmurou sem muita vontade na voz. — Três meses e meio, para sermos exatos.
Encarado pelo semblante cabisbaixo da companheira de faculdade, o garoto não encontrou palavras para respondê-la durante um bom tempo.
Afinal, sequer conseguia achar palavras a favor dos questionamentos que tomavam conta de sua cabeça.
“O que ela ‘tá fazendo aqui!? Por quê?”, cerrou os punhos em busca de retomar o controle das emoções deturpadas, mas... “Ele fez algo com ela!?”
A hipótese mais simples a ser cogitada não lhe permitia respirar com tranquilidade.
— Eu estava preocupada... Com saudades. — Ela puxou de volta a atenção dele. — Minha terapia foi difícil... Até hoje não consigo dormir direito pensando no que aconteceu naquele dia.
Enquanto ela falava, Norman seguia paralisado, como se fizesse parte do próprio cenário alabastrino.
— Só queria um apoio. Meus pais fizeram de tudo para me ajudar, mas eu queria algo a mais. Era de você que eu precisava, Norman... — As sobrancelhas se retraíram. — Onde esteve esse tempo todo? Aqui? Em outro lugar? Por que nunca mais deu notícias? Por que nunca mais me ligou ou retornou minhas mensagens? Simplesmente quis esquecer de mim e de tudo que aconteceu naquele dia, é isso?
— N-não, Helen! — Ele hesitou, mas enfim venceu o temor para discutir, extremamente aflito. — Aconteceu muita coisa, muita mesmo! É difícil de acreditar, mas...!
— Não precisa contar. — O interrompeu. — O Lucas já me contou tudo.
“Lucas? Esse cara?”
Deu uma rápida olhadela na direção do marcado que, com os braços cruzados, acompanhava o diálogo entre os amigos sem dizer uma palavra.
Ele chegou a acenar com uma das mãos, sarcástico, ao receber a encarada.
— Foi difícil de acreditar no começo, mas ele me provou que era tudo verdade. — Helen tornou a trazê-lo de volta. — Acabou que você teve seus motivos para fugir e desaparecer dessa forma, não foi?
— S-sim...
A resposta do rapaz quase que não saiu de sua boca.
— Entendo... É como ele contou mesmo. — Helen levou uma das mãos ao bolso do casaco e, dali, retirou um objeto escuro. — Foi você, não foi, Norman? Você foi o culpado pelo Willian e Hudson terem morrido, não é!?
Lucas abriu um sorriso com os dentes, que ia de orelha a orelha.
Quando ela apontou a pistola em sua direção, o Marcado de Altair foi incapaz de manter a boca fechada.
Primeiro se prontificou a mover-se à frente de Bianca, de maneira a protegê-la com todo o corpo, independente do que acontecesse com si próprio.
Em seguida, tratou de manter a calma por meio do controle respiratório — inspirava pelo nariz e expirava pela boca, soltando camadas de ar condensado defronte a face.
Ao constatar a própria serenidade sobrepor a inquietação tremenda que a imagem adiante lhe trazia, decidiu se pronunciar:
— O que ‘tá fazendo, Helen? O que essa pessoa falou!?
— Me responde... — O murmúrio dela saiu arranhado. — É verdade que você... possui poderes especiais? Que está lutando contra outras pessoas com os mesmos poderes em uma seleção maluca dessas!?
Notando a tremulação intensa que, de repente, tomou conta da postura da amiga, o marcado estreitou as vistas.
— Sim, é verdade. Não tive oportunidade de te contar e também não queria te envolver nisso. Não mais do que ocorreu naquele dia...
— Mentiroso! — O grito dela assustou não só a dupla, como o próprio Lucas, logo a atrás. — Você só quis se afastar de mim, porque eu seria um fardo, não é!? Ou então foi porque sentiu culpa de ter matado nossos amigos e decidiu esquecer isso indo para longe!?
— Por que diabos eu faria algo assim? Eu fiz isso pra te prote...
— Eu não consigo tirar da minha cabeça!! — A voz embargou no corte preciso da explicação do rapaz. — Quando o Willian foi assassinado... Quando Hudson me protegeu e morreu queimado... Nada disso sai... Eu não aguento mais!
Sem ter o que dizer naquele momento em que lágrimas passaram a verter dos olhos brilhantes da garota, Norman ajeitou a postura na frente de Bianca, amedrontada.
— Se tivesse nos contado, teríamos te ajudado... Nada disso teria acontecido... A culpa é sua, Norman!! — Ela destravou a pistola e levou o dedo ao gatilho. — Eu só quero... me livrar disso...!
— Helen... abaixa essa arma.
Às palavras tranquilizantes do rapaz, um burburinho ressoou de sua retaguarda, até se transformar em uma risada de escárnio.
Virou o rosto a fim de conferir o Marcado de Rigil Kentaurus gargalhar diante do conflito entre os dois.
O mar de emoções furiosas o acometeu de modo inevitável, mas o cacheado conseguiu reter a vontade de agir pela impulsão.
Só que o cenário ia de mal a pior assim...
— Não dê ouvidos a ele, Simmons! Sua mera presença trouxe um fim trágico a seus amiguinhos, assim como a muitas outras pessoas inocentes naquele dia, não foi!? Matar ele é o melhor caminho pra compensar todo esse sangue que foi injustamente derramado!!
— Seu filho da puta — rosnou diante do soberano manipulador.
Apertou os palmos fechados perante toda a impotência que o cercava.
Entretanto, surgiu uma nova linha de pensamento lógico capaz de fazê-lo entrar em um dilema.
Se fosse pensar por aquele lado, as palavras do garoto chamado Lucas não estavam erradas.
Caso optasse por não ir à faculdade naquele dia, talvez a tragédia não teria ocorrido; pelo menos, não lá.
Willian e Hudson estariam vivos, Helen seguiria com a própria vida normalmente e a situação atual jamais existiria.
Toda a carga sobre os ombros da garota naquele instante tratava-se dos frutos daquela escolha.
“Eu poderia ter feito diferente?”, ainda assim, preferiu agarrar o benefício da dúvida.
Gostava das ideias que tangiam o efeito borboleta, a teoria do caos e os multiversos, onde cada ação diferenciada originaria uma nova linha de seguimento no tempo e na história.
No fim, tudo não passava de teoria. Isso o levava a imaginar, numa fração célere de segundos, como deveria ser caso não fosse à universidade naquele dia.
Um turbilhão de sentimentos diferenciados o percorreu da cabeça aos pés, fazendo a tensão corporal aumentar de maneira considerável.
Planejava utilizar a Telecinesia em prol de evitar qualquer tipo de ataque realizado por ambas as partes, mas...
Ele apenas abaixou os braços, fixando o olhar soturno na direção da amiga traumatizada. Quando todos esperavam por novas súplicas a favor de ela abaixar a pistola...
— Me desculpa. — A resposta veio do fundo da alma, capaz de tocar a dela de alguma forma. — Eu ainda ‘tava confuso e não fazia ideia do perigo que levei pra vocês. Também me arrependo disso até hoje, é impossível esquecer... Por isso eu quis, de alguma forma, proteger tudo que me restou. Pra que esse confronto sem sentido não cause mais tragédias, eu me afastei sem dar notícias e decidi pôr um fim nisso tudo.
Conforme ele falava, com seu tom sério, porém acalentador, a garota rangia mais os dentes.
Era como se tentasse segurar o ímpeto deturpado que a conduzia a tocar o gatilho da arma estremecida.
— Você pode não acreditar em mim, mas é a verdade — prosseguiu. — Só queria que ficasse segura. E me afastar foi o melhor que pude pensar...
— Você realmente é bom com as palavras, hein, Miller!? — Lucas voltou a provocar. — Acha que isso é o suficiente pra curar a dor e o sofrimento que ela passou durante todo esse tempo, sozinha!?
— Eu sei que é difícil... Sei que errei, e muito. Mas... — O garoto projetou um fraco sorriso. — Eu acredito e sempre acreditei na força dela.
Tal afirmação, pura e gentil, atingiu Helen como se o coração fosse atingido por uma flecha certeira.
O baque cresceu, a oscilação sofrida por todos os membros se manteve, assim como o pranto a cair pela face enrubescida de frio.
— Nada disso vai apagar seus pecados, Miller! Essa é a oportunidade que ela tanto desejou... Se puder acabar com o verdadeiro culpado pela tragédia que matou seus amigos, então poderá seguir sua vida com a consciência limpa! Por isso, vamos lá, Simmons! Força no gatilho, e...!
— Cale a boca...
O grunhido dela fez o Marcado de Rigil Kentaurus contorcer uma das sobrancelhas.
“Não... ela não é assim. Eu sei disso.”
Norman estava confiante de que alcançaria um desfecho positivo com a parceira, mas a posição nada equilibrada dela ainda o preocupava.
“Seja o que for, não vou usar”, decidiu com afinco em largar de mão a Telecinesia em qualquer instância.
Para isso, trazendo a Marcada de Deneb consigo enquanto protegida por suas costas, começou a avançar a passos curtos na direção da traumatizada.
“Preciso alcançar ela...”, com todo cuidado do mundo, seguiu em frente, diminuindo a distância aos poucos.
— Isso não vai mudar nada! Atire, Simmons! Se não fizer isso, ele vai te matar também!!
Ao escutar os gritos sorridentes do adversário, Norman não se contentou a devolver na mesma moeda:
— Helen! Acredite em mim!
Pressionada por ambos os lados, a mente da garota entrou em colapso num piscar. A produção de adrenalina foi tamanha que a fez fechar os olhos.
De maneira completamente impulsiva, gritou ao passo que o indicador destro empurrava o gatilho da pistola.
O som do disparo ecoou pelo local vazio.
Tais ecos foram altos o suficiente para alcançarem os ouvidos da grande freira no templo particular.
Enquanto orava em frente ao altar iluminado, Beatrice virou o rosto por cima do ombro, conferindo as grandes portas fechadas.
“Isso foi um tiro... e perto daqui”, logo pensou, levantando-se do assento de madeira mais próximo da plataforma elevada e indo em direção à saída.
Quando alcançou as maçanetas, prestes a tocá-las com as mãos no intuito de puxá-las, a sensação arrepiante lhe percorreu a partir do centro da testa.
Coberto pelo véu do hábito religioso, o símbolo não pôde irradiar o brilho dourado da ressonância, porém serviu ao propósito de paralisá-la por inteiro antes de sair dali.
O mesmo efeito ocorria com as garotas, abrigadas nos cômodos pessoais da mulher.
— Irmã Judith... isso é...
Sarah olhava para a coxa. A marca de sua constelação emanava o fulgor branco-azulado.
Judith, atônita, descansava a mão sobre o lado do pescoço onde o sinal se proliferava pela sala de estar iluminada por velas.
Uma gota de suor escorreu da testa à face, essa contorcida em nervosismos por meio das sobrancelhas trêmulas e dentes unidos.
— Tem alguém aqui... — murmurou com embargo na voz.
Ninguém poderia prever, mas nos telhados do grandioso templo, o responsável pela ativação do brilho de alerta olhava para baixo.
O casaco acinzentado, com capuz de pelo sintético que envolvia seus ombros, também impedia a proliferação do símbolo estampado em suas costas.
Ao passo que a brisa fria fazia as pontas maiores do cabelo curto dançarem, os olhos de íris ametista fitavam o caminho designado ao alcance dos novos alvos.
Opa, tudo bem? Muito obrigado por dar uma chance À Voz das Estrelas, espero que curta a leitura e a história!
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