Volume 11
Capítulo 4: A inversão de papéis
— Ayano, Ayano~ já pode vir~.
— Sim.
Depois da turbulenta reunião do conselho estudantil e da furiosa caçada ao mentor por trás de tudo, no último dia do feriado prolongado, na residência Kuze, Ayano recebeu a ordem de esperar no quarto de Yuki, vestindo roupas casuais.
Quando ouviu Yuki chamá-la, saiu para o corredor. Caminhou em silêncio, abriu a porta da sala de estar — e congelou.
— Ayano! Ótimo trabalho na missão de espionagem!
— Bom trabalho. Certifique-se de descansar direito hoje.
Masachika e Yuki a receberam com sorrisos calorosos. E o que eles estavam vestindo era um uniforme de mordomo e um traje de empregada.

— ?????
Naquele momento, a própria Ayano estava vestida com roupas casuais, conforme as instruções de Yuki. Em contraste, Yuki estava ali, usando um traje de empregada, e Masachika, completamente trajado como mordomo.
O que está acontecendo aqui...?
Claro, seus amados mestres vestiam até mesmo roupas de servo com elegância e perfeição — mas seria realmente apropriado dizer "fica muito bem em vocês"? Mais importante — Isso não estava completamente invertido? Parecia que seus papéis habituais haviam sido trocados. Como se ela fosse a jovem dama da casa.
...?
Dominada pela situação incompreensível, Ayano procurou o chefe da casa, Kyotaro, como se buscasse socorro — mas ele não estava em lugar algum. Só então se lembrou de que ele havia ido à residência da família Suou mais cedo naquela tarde.
— Ayano, você sabe que dia é hoje?
— Hoje...?
Diante da pergunta de Yuki, Ayano forçou seu cérebro paralisado a funcionar.
— Hoje é 23 de novembro. Dia de Ação de Graças pelo Trabalho.
— Exatamente! Em outras palavras, é um dia para expressar gratidão pelo serviço leal dos nossos serviçais!
— Então — continuou Masachika — decidimos agradecer você de verdade hoje. Olhe — até fritamos seus donuts favoritos.
— Vá, sente-se, sente-se.
Instigada pelos dois, Ayano sentou-se de maneira desajeitada. Diante dela, Masachika colocou um prato fundo cheio de donuts recém-feitos. Então Yuki lhe entregou uma xícara de chá recém-preparado.
— Aqui está.
— Obrigada...
Ainda incapaz de processar completamente o que estava acontecendo, Ayano levou a xícara aos lábios.
— ! Quente—!?
— Por que você não esperou esfriar—Onii-chan, gelo!
— Certo!
Ela havia tomado um gole sem pensar e imediatamente recuou por causa do calor intenso. Masachika rapidamente trouxe um copo de água gelada cheio de cubos de gelo e entregou a ela.
— M-Muito obrigada, Masachika-sama...
Sua língua latejava dolorosamente. Ela colocou um cubo de gelo na boca e o pressionou contra a queimadura.
— Sinceramente, tenha cuidado, Ayano. E, aliás, nada de "sama" hoje.
— Nada de honoríficos.
Como estava pressionando o gelo contra o interior dos lábios com a língua, Ayano só conseguiu encarar Yuki, confusa. Yuki ergueu o dedo indicador e declarou:
— Hoje, você tem que nos chamar como fazia antes: "Yuki-chan" e "Chika-kun".
— E nada de linguagem formal também.
Assustada, Ayano quase engoliu o cubo de gelo por acidente. Por reflexo, quase o cuspiu, mas conseguiu segurá-lo no último instante.
— Ei, você está bem? Engasgou?
Vendo Ayano inflar as bochechas e piscar freneticamente, Yuki deu leves tapinhas em suas costas. De algum modo, Ayano conseguiu evitar a desonra de cuspir qualquer coisa. Enquanto o gelo derretia, ela organizou seus pensamentos.
— Hum... isso é uma ordem—
— Linguagem formal.
— Ah...
Mesmo assim, a linguagem honorífica enraizada em seu corpo era difícil de abandonar. Incapaz de responder de imediato, ela desviou o olhar para os donuts.
— Obrigada pela comida...
Ela juntou as palmas das mãos suavemente e deu uma mordida. A parte externa, recém-frita, produziu um leve crocante, seguido por uma massa quente e macia que derreteu em sua língua. Uma doçura suave se espalhou por sua boca.
— Ahh...
Um suspiro involuntário de êxtase escapou de sua garganta. Simples, não excessivamente doce, leve na textura e impossível de enjoar — verdadeiramente delicioso. E ainda por cima, feito pelas mãos de seu amado mestre.
— Ham...
Ela devorou três em pouquíssimo tempo — então percebeu os olhares gentis que os irmãos lhe lançavam e ficou rígida.
— Estão muito deliciosos, Masachika-sa—
— Linguagem formal.
— Muito deliciosos. Obrigada, Chika...
— Oh... isso soa meio nostálgico...
Masachika falou com um toque de emoção. Ayano encolheu-se levemente, e Yuki se inclinou com um sorriso travesso.
— E o chá? Está bom?
— Sim... está bom.
— Que bom. Que bom.
Sorrindo calorosamente, Yuki moveu-se para trás de Ayano e colocou as mãos no encosto da cadeira.
— Certo, agora levante um pouco o quadril e vire para a direita — isso, isso. Como você tem trabalhado tanto todos os dias, Ayano — não, Ayano-sama — agora vamos lhe dar uma massagem.
— O-O quê—
Ela estava prestes a protestar, a dizer que era demais—
Mas então prendeu a respiração. Yuki havia se ajoelhado graciosamente a seus pés.
— N-Não há necessidade de—!
— Muito bem, então relaxe. Vou tocar seus ombros, está bem?
Ayano tentou se levantar às pressas — mas antes que pudesse, Masachika colocou as mãos firmemente em seus ombros por trás. Incapaz de afastá-lo à força, ela ficou imóvel. Enquanto ainda tentava entender o que estava acontecendo, Yuki pegou suavemente sua perna e começou a massagear lentamente sua coxa.
Ah — Vovó, por favor me perdoe… Ayano está permitindo que seus honrados mestres façam algo tão impróprio…
Sem qualquer meio de resistência, Ayano só pôde confessar mentalmente seu "pecado" à falecida avó. Ser servida por aqueles a quem ela própria deveria servir era, em sua mente, impensável.
— Ooooh~. Nossa, você está bem tensa aqui, senhorita.
— Sério? Os ombros dela não parecem tão rígidos para mim…
— Eu só estava falando.
— Que diabos foi isso?
A conversa deles chegou aos seus ouvidos, de cima e de baixo. Vergonha e culpa se misturavam dentro dela, e ela soltou uma voz fraca.
— Por favor, isso é realmente demais…
— Hã? Não, não, estamos só começando.
— Não foi isso que eu quis dizer… fazer algo assim…
— Está tudo bem, está tudo bem. Vamos, relaxe~.
— Mas isso é demais—
— Quietinha! Só coma seus donuts!
nham nham nham nham nham nham
— Fwahhh~ Ayano, você é adorável! Ayano mastigando é a coisa mais fofa! Quero que você mastigue para sempre!
— Então continuarei comendo até meu estômago explodir!
— O que há de errado com vocês duas…
Soando exasperado, Masachika passou dos ombros dela para a cabeça.
— Que tal isso? É uma massagem no couro cabeludo…
— Mmm… é… gostoso…
— Gostoso? Haha, talvez seja difícil perceber no começo.
Era diferente de quando sua avó costumava lavar seus cabelos. Seu couro cabeludo estava sendo puxado gentil, mas firmemente, para cima em movimentos constantes. Ela não sabia como reagir—
— Certo, agora reflexologia~.
— Orya!
……
— Hã? Não funcionou? E aqui?
……
— Não pode ser… ela está perfeitamente saudável…!?
Funcionou. Ela apenas estava aguentando. E se pensasse na dor como algo concedido por seus mestres, então não passava de uma recompensa.
Ainda assim. Ser servida assim pelas duas pessoas a quem servia diariamente causava uma sensação crescente no fundo de seu estômago — algo entre pânico e medo.
...!
— E então? Começando a ficar bom?
— Sim.
— Ayano, a linguagem formal voltou.
— T-Tá…
Aquela sensação estranha se intensificou sob a pressão de ser proibida de usar honoríficos. Continuava aumentando—
— Certo, agora suas costas.
— Okaaay~. Então vamos para a cama, milady.
No momento em que Yuki a chamou de "milady", algo dentro de Ayano finalmente se rompeu.
— Fumi— fumi fuuuuuuuu!!
— Ei!?
— O que aconteceu!?
— Fii—shita—fuuuu!!
— A Ayano quebrou!?
Segurando a cabeça, ela rolou pelo chão, gritando. Por fim, encolheu-se de bruços, respirando pesadamente. Ainda encarando o chão, forçou as palavras:
— Por favor, pisem em mim.
— Hã?
— Com licença?
— Por favor. Pise. Em. Mim…!
— Pisar em você…?
— Assim?
Cautelosa, hesitante, Yuki subiu nas costas de Ayano.
— Aahhh…!
O peso sobre suas costas. A pressão em seus membros. A culpa e o turbilhão emocional acumulados dentro dela se dissiparam de uma vez.
Neste momento, Yuki-sama é uma serva… e eu sou apenas a cadeira em que ela se senta… o que significa que sou inferior a uma serva… um móvel… não, talvez gado? Hehehe…
— Por que ela está sorrindo? Isso é assustador.
— Ela está estabilizando a mente ao diminuir a própria autoestima…?
— Nesse ponto, isso não é autoestima. É autodepreciação.
— Bem, tanto faz. Já que estou aqui, melhor dar um tapinha no bumbum dela—oh ho, nada mal.
— Assédio casual—para com isso.
— Ai—! Enfim, acho melhor abandonarmos as fantasias e essa regra de não usar honoríficos. Pela estabilidade mental da Ayano.
— Foi você quem disse que deveríamos levar o tema até o fim.
— Eu sei, mas…
Depois daquela troca de palavras, Masachika e Yuki voltaram a vestir roupas confortáveis de casa. Só então Ayano começou, aos poucos, a recuperar seu estado mental habitual. Os três sentaram-se à mesa, frente a frente. Masachika abaixou a cabeça com uma expressão séria.
— Bem… acabou ficando com cara de brincadeira. Mas… me desculpe. Eu fiz você passar por muita coisa.
— Você não precisa—
— Não, por favor. Deixe-me terminar.
……
O tom solene fez Ayano engolir as palavras que estava prestes a dizer.
— Eu te dei um papel doloroso para carregar. E depois fiz algo que poderia ter sido visto como uma traição à sua devoção. Eu sinto muito, de verdade — ele se curvou profundamente mais uma vez antes de erguer a cabeça, agora com a expressão suavizada. — E… eu sou muito grato por você se importar comigo. Por ter se preocupado comigo. Obrigado.
As palavras sinceras aqueceram o peito de Ayano. De repente, sua visão ficou turva. O calor se acumulou atrás dos olhos. Debaixo da mesa, ela apertou as mãos com força, piscando rapidamente enquanto tentava firmar a voz.
— Suas palavras são mais do que eu mereço.
Após respirar fundo para acalmar as emoções, acrescentou — para que seu mestre não se preocupasse demais:
— E… eu não considero aquilo uma traição. Fiquei, sim, surpresa naquele momento… mas, como candidatos adversários, era inevitável. Eu compreendo isso.
— Entendo.
Masachika assentiu, visivelmente aliviado. Então Yuki falou:
— Deixa eu agradecer também. Dessa vez, você realmente nos salvou. Se não estivesse lá… nossa campanha poderia ter sido completamente arruinada pela Nonoa. Talvez nem tivéssemos tido a chance de confrontar nossos ideais. Então… obrigada. Fico muito feliz por você ser minha parceira, Ayano.
Ao ouvir aquelas palavras, a frágil barreira dentro de Ayano finalmente desmoronou. Sua visão se encheu de lágrimas. Gotas escorreram por suas bochechas.
— M-Muito obrigada…!
Seu peito trêmulo mal conseguiu articular essas poucas palavras. Então ela abaixou a cabeça e deixou as lágrimas caírem. Da frente veio o som áspero de uma cadeira sendo arrastada. Um instante depois, ela sentiu o calor de sua amada mestra — contra suas costas, contra sua cabeça.
Ah…
Na verdade, ela estivera ansiosa o tempo todo. Quando enfrentou Nonoa na escadaria de emergência, havia percebido instintivamente: essa pessoa está tramando algo. Agindo por impulso, lançou-se para dentro do círculo de Nonoa.
Mas ainda não tinha certeza do que Nonoa pretendia fazer… se aquilo realmente prejudicaria seus dois mestres… não tinha garantia alguma. E pior — e se o que ela mesma estava fazendo fosse considerado traição? Se confessasse que havia enganado alguém, mesmo que fosse por eles… seus mestres ficariam decepcionados?
Esses medos rodavam incessantemente em sua mente. Mas agora — todos eles haviam sido varridos. O alívio, junto com a confirmação de que tinha sido útil para eles, se fundiu — até que toda a ansiedade e o medo que reprimira transbordaram em lágrimas.
— Ainda bem… ainda bem…
Segurada gentilmente nos braços de Yuki, enquanto Masachika acariciava suas costas com suavidade, Ayano continuou a chorar baixinho. Um silêncio tranquilo se instalou…
Quando suas lágrimas finalmente diminuíram e ela recuperou a compostura, uma vergonha feroz tomou conta de seu corpo inteiro.
— Eu… hum…
Ela se mexeu levemente, a voz quase inaudível. Entendendo, os dois a soltaram e voltaram aos seus lugares à mesa. Sentindo, contra a própria vontade, uma pequena pontada de solidão com a distância, Ayano levantou-se — a cadeira raspando alto no chão.
— Desculpem… eu vou lavar o rosto…!
Curvou-se apressadamente e fugiu direto para o banheiro. Lavou o rosto, arrumou o cabelo, estabilizou a respiração — e então voltou para a sala.
— Desculpem por fazerem esperar…
Ainda envergonhada demais para encará-los, sentou-se. Yuki, com uma expressão gentil, perguntou:
— Então… Ayano. O que você quer fazer?
— Hã…?
— Quer dizer… depois de tudo o que aconteceu, eu fiquei pensando. A Nonoa disse que queria que eu e meu irmão nos déssemos bem… e comecei a me perguntar se aquilo não era… de certa forma, a verdadeira intenção dela.
Yuki acrescentou:
— E… também pensei se talvez você não quisesse enfrentar meu irmão na eleição desde o começo…
Decidida, Yuki continuou.
— Pensando bem, acho que nunca perguntei direito o que você queria.
Coçando a cabeça com um sorriso sem jeito, Yuki perguntou novamente:
— Então deixa eu perguntar direito. Ayano — o que você quer? O que você quer que a gente faça?
Masachika mantinha a mesma expressão gentil, aguardando em silêncio sua resposta.
Eu…
Por um breve instante, Ayano quase confessou o desejo que mantinha escondido no fundo do coração—mas o engoliu no último momento possível. Um desejo egoísta como aquele era algo que uma serva jamais deveria expressar. Então, em vez disso… ela verbalizou outro desejo.
— Eu… quero jogar cartas.
— Cartas?
— Cartas?
— Sim. Como antigamente… quero que nós três joguemos cartas juntos.
Yuki e Masachika trocaram olhares e sorriram de maneira levemente constrangida. Ayano sabia. Entendia perfeitamente que aquela não era a resposta que seus mestres realmente queriam.
Ela havia dado uma resposta deliberadamente fora do alvo — de propósito.
— Muito bem, como solicitado — vamos jogar cartas. Afinal, decidimos que hoje é o Dia de Fazer Tudo o que Ayano Quer~.
— Sim. Cartas… onde colocamos mesmo…?
Ayano tinha certeza — não, ela sabia: eles haviam percebido que ela estava evitando a verdadeira pergunta. E ainda assim fingiram não notar, e seguiram com a ideia dela mesmo assim.
Me desculpem… e obrigada.
Enquanto se desculpava em seu coração por seus mestres infinitamente gentis, Masachika chamou do quarto:
— Ah—achei! As que usei para praticar… "Imaginação"…
— Ótimo! Vamos usar essas. Não tem nenhuma carta marcada aí, né?
— Não, não. Certo… com três pessoas… acho que vamos jogar pôquer?
— Sim. Está bom.
— Então precisamos de fichas… bem, chocolates servem.
Eles distribuíram dez chocolates para cada um como fichas. Masachika embaralhou o baralho.
— As regras são… o carteador gira, cinco cartas na mão, uma troca, depois apostas… tudo bem?
— Sim.
— Espera.
Yuki levantou a mão de repente.
— Se jogarmos normalmente, a Ayano — que não é boa em jogos mentais — vai ficar em enorme desvantagem em relação a nós. Não deveríamos acrescentar uma regra?
— Eu não me importo… mas que regra?
— Hehe~. Na verdade, encontrei um aplicativo engraçado outro dia~.
Como se estivesse esperando a pergunta, Yuki mexeu animadamente no celular e então mostrou a tela para os dois.
— Um aplicativo detector de mentiras! Vamos usar enquanto fazemos blefes!
— Isso ainda conta como jogo mental?
— Ah, vai. Baixem logo, vocês dois.
Seguindo a sugestão dela, os dois baixaram o aplicativo e fizeram uma configuração rápida. Aparentemente, ao colocar o dedo indicador na tela e falar, o aplicativo julgaria se a afirmação era verdadeira ou falsa com base no pulso e na voz e, quanto maior a probabilidade de ser mentira, mais o ponteiro na tela se moveria para a direita.
Nova regra:
Depois que todos terminassem a troca de cartas, mas antes do início das apostas, começando pelo carteador e seguindo no sentido horário, cada jogador poderia fazer uma pergunta a outro jogador. E quem fosse questionado teria que responder usando o aplicativo detector de mentiras.
— E então? Não é meio interessante?
— Acho que sim…?
Ayano disse isso, mas ainda não entendia completamente. Compreendia a regra em si — mas não conseguia imaginar que tipo de estratégias aquilo criaria, nem como o jogo se desenrolaria. Masachika, por outro lado, parecia já estar pensando várias jogadas à frente. Depois de um lento aceno reflexivo, disse:
— Certo. Vamos nessa.
— Certo! Então vamos começar. Duas rodadas. Seis mãos no total!
Com cada um colocando o celular sobre a mesa, o jogo começou.
Primeira mão
Após a troca, Ayano ficou com um par de ases. Começou a fase de perguntas. Masachika perguntou a Yuki:
— Yuki—sua mão é mais forte que dois pares?
— É.
Yuki respondeu instantaneamente, com um sorriso calmo. No celular dela, o ponteiro — numa escala de 0 a 100 — foi até cerca de trinta… e depois voltou.
Espera… isso foi mentira? Ou verdade?
Ayano hesitou, confusa com o resultado ambíguo. Então Yuki se virou para ela.
— Ayano, sua mão é mais forte que dois pares?
— Eu…
Naquele instante, Ayano forçou o cérebro a funcionar a toda velocidade—e percebeu que, se respondesse honestamente "Não", estaria praticamente declarando derrota.
— Sim.
No mesmo momento, o ponteiro do aplicativo disparou violentamente para a direita.
— Sério? Você é tão honesta assim?
— É tão óbvio, Ayano… seu rosto fica inexpressivo, mas o resto do corpo entrega tudo.
Diante da mistura de exasperação e diversão afetuosa dos dois, Ayano encolheu levemente os ombros.
— Certo, agora é sua vez de perguntar.
— Sim…
Ayano tentou organizar a situação.
Ok… a mão da Yuki provavelmente é dois pares ou mais. E como ela me perguntou isso… significa que o Masachika tem dois pares? E a Yuki percebeu isso também, e perguntou pra mim porque acha que pode vencer o Masachika, e— espera, espera…
Quanto mais tentava raciocinar, mais seus pensamentos se embolavam. E, além disso, a pressão de manter seus mestres esperando só piorava seu pânico—
— E-Então, qual é a sua mão, Yuki-sama!?
A pergunta escapou — absurdamente direta. Os olhos de Yuki se arregalaram um pouco, então ela riu e respondeu:
— Um straight flush real.
(N/SLAG: Uma sequência formada por um 10, um valete, uma dama, um rei e um Ás, todos de um mesmo naipe)
O ponteiro foi direto para noventa. Ao mesmo tempo, Ayano percebeu o erro.
— Ah…
Por que não perguntou como os outros fizeram? Uma pergunta tão específica obviamente seria respondida com uma mentira fácil de descartar… ela desperdiçara sua chance.
— Bem, é a primeira mão. Não se preocupe com isso, Ayano.
Masachika tentou amenizar, mas ela ainda abaixou a cabeça, envergonhada.
— Certo. Fase de apostas.
Ayano forçou a mente a mudar de foco. Reanalisou a intenção por trás das perguntas deles.
Masachika provavelmente tem dois pares… e Yuki algo mais forte. Se uma mentira óbvia deu noventa, então o "sim" dela para o Masachika antes provavelmente foi verdade…
De qualquer forma, com apenas um par de ases, suas chances pareciam baixas.
— Então eu começo… aposto. Aumento.
Yuki imediatamente adicionou dois chocolates. Vendo isso, Ayano transformou sua suspeita em certeza e colocou as cartas viradas para baixo.
— Eu desisto.
— Pago.
Os olhos de Ayano se arregalaram com a declaração inesperada de Masachika.
Masachika continuou!? A pergunta dele antes foi uma armadilha? Ele tem algo melhor que dois pares…!?
Enquanto ainda estava em choque, as cartas foram reveladas.
Masachika: um par de valetes
Yuki: um ble—
— Hã??
O resultado foi tão diferente do que ela imaginava que Ayano piscou repetidamente. Mas, de algum modo, os irmãos pareciam se entender perfeitamente. Trocaram sorrisos destemidos e cúmplices.
— Você começou a enganar o detector de mentiras desde o início, não foi?
— Hmph. Se você é um nerd de tecnologia, esse nível de habilidade é o básico da autopreservação, não acha? Além disso, foi você quem tentou me enganar com aquela primeira pergunta.
…
Aparentemente, os dois estavam jogando em um nível de estratégia que Ayano jamais poderia alcançar. Depois disso, continuaram manipulando o detector com facilidade — enquanto o ponteiro de Ayano reagia honestamente todas as vezes. Não havia como competir.
No fim, ela conseguiu vencer apenas uma vez — puramente por sorte — quando conseguiu um full house. Fora isso, seus chocolates desapareceram um a um.
E então veio a sexta e última mão — hora das perguntas.
— Hmm… certo então. Ayano.
Ayano já tinha feito sua pergunta, e Masachika também. Agora era a vez de Yuki. Quando Ayano levantou o olhar, Yuki sorriu gentilmente e disse:
— Vou perguntar de novo — mais uma vez — o que perguntei antes… O que você quer fazer, Ayano?
Sua mente parou.
— O que você quer que a gente faça por você?
Uma pergunta transbordando consideração. À sua frente, os dois a observavam com olhos gentis, esperando sua resposta—
…!
Não há nada que eu queira de vocês, ela quase respondeu por reflexo — mas o aplicativo detector de mentiras sobre a mesa chamou sua atenção.
Mas… eu não posso dizer.
Era o orgulho dela como serva — seu código. Uma serva não deve fazer pedidos presunçosos a seu mestre. Uma serva jamais deve "dar instruções" aos seus mestres como se fosse igual a eles.
Eu não posso dizer—
Mas também não podia mentir ali. Não depois de terem perguntado de novo — com tanta sinceridade. E também não podia desviar outra vez.
Eu—
Ela girou as palavras na boca repetidas vezes—
— Eu…
Seus pensamentos se embolaram. E então, antes mesmo de perceber, seus lábios começaram a formar as palavras sozinhos.
— Eu… quero que nós três fiquemos juntos. Sempre.
Depois que disse, as palavras começaram a fluir.
— Assim, para sempre… quero que nós três nos demos bem e fiquemos juntos. Sempre, sempre…!
Sua mão se fechou com força sobre o celular. Ela abaixou profundamente a cabeça, pressionando os lábios.
Eu disse…!
Vergonha — e depois arrependimento — começaram a subir como uma onda ardente… E então, gentilmente — alguém pousou a mão sobre sua cabeça abaixada.
— Obrigado. Fico feliz que você tenha dito isso.
Ao ouvir a voz suave de Masachika, Ayano levantou o rosto hesitante. Encontrou os olhares dos dois irmãos — inalterados.
Não… ainda mais gentis do que antes.
— É. Obrigada por nos contar honestamente. Agora eu entendo como você se sente.
Enquanto falava, Yuki envolveu suavemente com as duas mãos a mão fechada de Ayano sobre o celular. Olhando-a diretamente nos olhos, disse:
— Eu prometo. Onii-chan e eu sempre vamos ser próximos… e você também sempre vai estar conosco.
— É… não importa o que aconteça daqui pra frente, nós somos amigos de infância—
Masachika hesitou por um instante. Então sorriu suavemente e continuou:
— Eu… também penso em você como uma irmãzinha, Ayano. Nós somos família. Então sempre vamos ser próximos… e sempre vamos ficar juntos.
Um calor floresceu profundamente no peito de Ayano. Ela fechou os olhos e se permitiu mergulhar naquela sensação por alguns segundos… Então os abriu devagar e sorriu, de leve.
— Sim.
— É.
Os três trocaram olhares, compartilhando pequenos sorrisos em silêncio. Então, de repente, Yuki se afastou, como se tivesse voltado ao "modo jogo", e levantou a voz:
— Certo! Batalha final! Não faz sentido apostar pouco agora! Vamos com tudo!
— Ei, ei—sério? Vai apostar tudo? Então qual foi o sentido das rodadas anteriores…?
Declarando isso animadamente, Yuki empurrou todos os chocolates restantes para o centro. Masachika, fazendo uma careta com um sorriso torto, empurrou os dele também. Ayano fez o mesmo — colocando sua própria pilha na mesa… visivelmente menor que as deles.
O pote estava formado.
— Então… showdown! Revelem suas cartas!
Ao chamado de Yuki, os três viraram as cartas simultaneamente—
— O quê—!? Uma sequência!?
— Uau, sério mesmo?
Enquanto Yuki levava a mão à cabeça de forma dramática e Masachika soltava uma risada torta, Ayano encolheu os ombros, desculpando-se com o olhar. Mas Yuki logo abriu um grande sorriso. Com um movimento amplo, empurrou todos os chocolates pela mesa na direção de Ayano e começou a bater palmas animadamente.
— Parabéns, Ayano! Como esperado da estrela de hoje.
— Parabéns.
— M-Muito obrigada…
Receber aplausos dos dois só a fez se encolher ainda mais, sorrindo timidamente. Masachika bateu as mãos de leve.

— Certo então. E agora? Quer jogar outra coisa? Privilégio da vencedora — você escolhe o que quiser.
— Hum… deixa eu ver… então talvez… Jogo da Vida?
— Jogo da Vida, é… você ainda tem ele, Yuki?
— Hmm… não sei. Bom, na pior das hipóteses a gente usa a TV — tem algo parecido em um dos aplicativos de jogos.
Dizendo isso, os dois seguiram em direção ao quarto de Yuki. Ayano se levantou para ir atrás deles, mas—
— Está tudo bem, Ayano. Nós procuramos.
— Isso, isso. Desculpa, mas você pode guardar as cartas?
— Ah… s-sim, claro.
Ela se sentou novamente, obediente. Enquanto começava a organizar o baralho, seu olhar caiu sobre o próprio celular — ainda aberto no aplicativo detector de mentiras.
Naquele exato momento. Uma linha de texto permanecia na tela:
"Você queria voltar a passar seus dias tranquilamente com aqueles irmãos, apenas os três. E então… uma intrusa apareceu—"
(N/SLAG: Para os desafortunados, vou lembrá-los: essa mensagem aparece no volume 10, capítulo 7. Não aparece dessa maneira, no entanto... Pois essa é uma mensagem de texo.)
ENTRE NO DISCORD DA ARGO PARA FICAR POR DENTROS DOS PROXIMOS LANÇAMENTOS!
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