Web Novel

Capítulo 20: "O Dever de um Educador"

"Ru, Rumi-chan, isso é uma falta de respeito com o professor...!" 

“............’’

Embora a mãe de Murakumo-san tentasse repreendê-la às pressas, a garota continuou sem responder.

Bem, era perfeitamente compreensível. Uma vez desamparada pela conselheira em quem depositava toda a sua fé, ela jamais abriria o coração para um novo professor cujo rosto sequer conhecia.

"Eu quero te ajudar. Se você não se importar, gostaria de conversar um pouco, o que acha?" 

“............”

Mesmo com as minhas tentativas de aproximação, ela não emitiu mais nenhum som. Não sei se o silêncio era por conta da presença da mãe ou se ela realmente não queria nenhum contato comigo.

Independentemente do motivo, tentar forçar a barra com uma jovem nessa situação só surtiria o efeito reverso. O único caminho era esperar até que ela estivesse pronta para se abrir por conta própria. A partir daqui, será um teste de paciência... — pensei.

"Tudo bem, por hoje eu vou embora. Mas gostaria de tentar conversar de novo em outra oportunidade." 

"Hã...?"

Ao fazer menção de me retirar, a mãe de Murakumo-san demonstrou uma clara hesitação. Ela provavelmente não esperava que eu fosse desistir de forma tão abrupta.

No entanto, por ser o nosso primeiro contato — e por eu carregar o estigma de ser um "professor" —, a guarda dela estava altíssima. Insistir mais naquele momento só serviria para manchar a minha imagem e, pior ainda, poderia impor um fardo emocional desnecessário à Murakumo-san. Por isso, decidi que a visita de hoje se resumiria a uma mera apresentação.

"Mãe, a senhora e eu poderíamos conversar a sós por um instante?"

[Jeff: "Okaasan" (お母さん) é a palavra em japonês para "mãe". É um termo padrão e educado utilizado para se dirigir à sua própria mãe ou à mãe de outra pessoa, aqui ele usa para se dirigir a mãe da aluna.]

Contudo, eu não pretendia ir embora de mãos abanando. Mesmo que eu não pudesse extrair informações diretamente da filha, ainda restava outra pessoa ali que poderia me dar alguma luz.

"Ah, sim... Por favor, venha até a sala de estar..."

Ao ouvir o meu sussurro, ela assentiu prontamente e me conduziu até o cômodo. Assim que nos acomodamos frente a frente na mesa, fui direto ao ponto.

"Analisando a situação sob a sua perspectiva, a senhora tem alguma ideia do motivo que levou a Murakumo-san a se isolar em casa?"

Embora o motivo fosse quase que certamente o bullying, eu precisava entender até onde a mãe estava ciente dos fatos. Se eu revelasse as minhas suspeitas logo de cara, acabaria induzindo o pensamento dela, o que poderia fazê-la focar apenas nessa narrativa e ocultar, sem querer, outros detalhes que poderiam ser cruciais. Por isso, evitei mencionar a palavra "bullying" e fiz uma pergunta ampla.

"...Não, eu não faço ideia..."

Após refletir por alguns instantes, ela balançou a cabeça negativamente e baixou o olhar. Sendo assim, a mudança de comportamento da filha provavelmente aconteceu de forma sutil a partir do momento em que ela retornava da escola.

"Apenas para fins de esclarecimento... A senhora mencionou agora há pouco que ela não tem saído para nada. Esse comportamento já era comum antes, na época em que ela frequentava as aulas?" 

"Vejamos... Ela sempre foi uma menina mais caseira e reservada, mas, quando queria comprar algo de seu interesse, saía sozinha sem problemas... E a Ayaka-chan, que é amiga de infância dela, costumava chamá-la para brincar com frequência, então ela até que saía bastante de casa."

"Entendo. Então a recusa não se limita apenas à escola, ela passou a rejeitar o ato de sair de casa como um todo..."

Se esse era o caso, surgia a possibilidade de haver fatores externos à escola... Contudo, eu precisava ir mais a fundo.

"Ela chegou a dizer algo marcante na época em que começou a se isolar?"

Qualquer detalhe, por menor que fosse, importava. No momento, eu precisava acumular o máximo de pistas possíveis que me levassem até o autor do bullying. O ideal seria extrair isso da própria Rumi-san, mas, pelo estado em que ela se encontrava, seria uma tarefa extremamente difícil.

"Não... A partir daquele período, ela de repente passou a falar muito pouco... Ela sempre foi muito tímida e retraída perto de estranhos, sendo mais calada fora de casa, mas aqui com a família ela costumava conversar bastante..."

A ausência de diálogo era o reflexo claro de um coração profundamente ferido e deprimido. Tendo sido traída por alguém em quem confiava, ela provavelmente chegou a um extremo onde já não conseguia confiar nem mesmo na própria família.

Sob essa ótica, o fato de uma garota que parecia ser tão doce pela voz ignorar a própria mãe mesmo após ser repreendida passava a fazer total sentido...

"Mas... pensando bem, ela repetia com frequência que não queria ir para a escola. Bem, em parte a culpa deve ter sido minha, já que no começo eu insistia quase todos os dias para que ela fosse..."

Enquanto eu organizava meus pensamentos sobre o caso, a mãe murmurou uma frase que me chamou a atenção.

"Com licença, a senhora disse que ela especificava que não queria ir 'para a escola'?" 

"S-Sim... Disso eu tenho certeza absoluta..."

Entendi. O problema dela era, de fato, a instituição de ensino. Como Kamijou-san e eu havíamos deduzido, o culpado estava dentro dos muros da escola. Se o fator estivesse fora dali, ela não demonstraria uma rejeição tão específica e focada contra o ambiente escolar.

Para início de conversa, o fato de ela ter recorrido à antiga conselheira de classe já indicava fortemente que o agressor era um aluno, mas agora eu tinha a confirmação definitiva.

"Muito obrigado. Por hoje eu vou me retirar, mas a senhora se importaria se eu passasse a vir aqui com frequência a partir de amanhã?" 

"O senhor faria isso...? Mas o professor deve ser um homem tão ocupado, não seria um incômodo enorme...?" 

"Não se preocupe com isso. Embora eu ainda não tenha visto o rosto dela, a Rumi-san é uma aluna preciosa para mim. Claro que não quero atrapalhar o descanso de vocês no final de semana, então virei apenas nos dias úteis."

Eu não sabia a rotina do pai da Murakumo-san, mas ele provavelmente trabalhava fora. Se eu invadisse a casa deles nos dias de folga, a família não conseguiria relaxar adequadamente. Minha estratégia seria fazer breves visitas após o término das aulas durante a semana; com o tempo, eu esperava fazer com que ela gradualmente confiasse em mim.

"Professor... muito obrigada, de verdade..."

Com os olhos marejados, a mãe de Murakumo-san curvou o corpo em uma profunda reverência. A reação dela me deixou totalmente sem jeito.

"P-Por favor, não faça isso...! Eu ainda não consegui realizar nada concreto. Agir em prol dos alunos é apenas o cumprimento do meu dever básico como professor...!"

Apesar dos meus protestos, ela continuou curvando-se repetidas vezes, expressando sua gratidão. Era muito provável que ela já tivesse tentado buscar ajuda com a escola antes, mas foi completamente negligenciada pela diretoria.

Lembrando-me da postura fria do vice-diretor, era fácil desenhar essa cena na mente. Se estivéssemos lidando com uma daquelas famílias barulhentas e implacáveis nas cobranças, a diretoria certamente teria se mexido para evitar problemas, mas a mãe de Murakumo-san claramente não tinha perfil para bater de frente com a instituição...

Eu estava apenas cumprindo com a minha obrigação como educador, não havia necessidade de tantos agradecimentos...

Retornei para casa com a resolução tomada, no entanto, a realidade se mostrou implacável. Mesmo visitando a residência dos Murakumo diariamente após as aulas, a garota continuava trancada em seu quarto, recusando-se a dirigir a palavra a mim.

 

Server do discord: https://discord.gg/moonlight-valley-1123194351095402526 

 

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora