Volume 1
Capítulo 4: Estrela Cadente
Caminharam juntos, deixando para trás a praça central. O som dos bardos agora chegava abafado pelas ruelas laterais.
A multidão se espalhava sob lanternas de papel. Pessoas cruzavam o caminho com copos fumegantes, exalando o cheiro de hidromel quente e especiarias, rindo de piadas que Glenn não entendia. Crianças com os rostos pintados corriam entre as barracas de jogos, alheias ao peso nos ombros dos dois rapazes.
Louis parou diante de uma mesa comprida onde um concurso de comer tortas estava prestes a começar.
— Acho que se eu entrasse ali, ganharia por puro desespero — comentou Louis, tentando forçar uma leveza que a voz não alcançava.
Glenn deu um meio sorriso, chutando uma pedrinha.
— Você ia passar mal no terceiro pedaço. Sempre foi péssimo com doce.
— É, talvez — Louis deu de ombros, voltando a andar. — Mas pelo menos o estômago doendo me faria esquecer o resto por uns minutos.
Vendedores gritavam ofertas sobre panelas de cobre onde caldas borbulhavam. Perto da fonte de pedra, um casal dançava uma melodia lenta, indiferente ao caos ao redor. Louis parou por um segundo, observando o movimento dos dois.
— Engraçado, né? — murmurou, indicando os dançarinos com o queixo. — O mundo parece que vai acabar em festa para alguns, enquanto para outros... é só mais uma terça-feira difícil.
— Não é terça, Louis. É sexta — corrigiu Glenn.
— Dá no mesmo — retrucou ele.
Louis olhava em volta, mas seus olhos passavam pelas barracas sem realmente fixar em nada.
— Aquela barraca de espetinhos ali — apontou, a voz subitamente decidida. — O cheiro está matando a minha fome. Se eu não comer algo sólido agora, desmaio no meio da rua.
Glenn assentiu, seguindo o primo. Sabia que aquele apetite súbito era apenas a forma de Louis tentar preencher o silêncio que Ellie deixara.
— Eu pago — disse Glenn, levando a mão ao bolso.
Louis riu, um som seco.
— É o mínimo, Glenn. Depois de hoje, você me deve pelo menos uns três espetos e uma caneca de algo forte.
…
Louis devorava o terceiro espeto com uma ferocidade quase cômica. O suco da gordura escorria pelo queixo, e ele mal conseguia falar sem soltar farelos de pão tostado.
— Sabe o que é pior? — murmurou com a boca cheia, apontando o palito para Glenn. — O cheiro dessa cebola grelhada é melhor que a minha técnica de esquiva hoje na arena.
Glenn soltou um riso curto, o primeiro que não parecia forçado.
— Sua técnica de esquiva não é um parâmetro muito alto, Louis. Até uma tartaruga faria melhor.
Louis parou de mastigar, fingindo ofensa, e limpou o rosto com a manga da túnica.
— Você fala como se já tivesse visto uma em ação.
— Apostaria nela contra você.
Louis bufou, mas um sorriso escapou no canto da boca. Ele deu um tapinha no bronze que pendia no peito.
— Eu ganhei a medalha, esqueceu? Algum respeito seria bom.
— Isso é bronze, não é ouro…
— Você acha que eles dariam ouro aqui em Eloria?
Num movimento rápido, ele roubou um pedaço do espeto de Glenn antes que o primo pudesse reagir.
— Ei! — protestou Glenn.
— Taxa de proteção — justificou Louis, mastigando com um sorriso de canto. — Considere o pagamento por eu não ter te jogado no poço lá atrás.
Glenn observou o primo por um instante. A conclusão veio amarga: ninguém sairia inteiro daquela história. O custo seria uma parte do que os três construíram juntos.
Louis terminou o espeto e jogou o palito fora. O semblante mudou para algo mais sóbrio.
— Vai atrás dela, Glenn — disse, sem olhar para o primo.
Glenn travou, o espeto parado no caminho até a boca.
— O quê?
— Você ouviu — Louis virou-se, apoiando as costas contra o pilar de uma barraca. — Eu já comi e já aceitei que vou acordar com uma ressaca emocional amanhã. Eu vou ficar bem. Mas você... você parece um fantasma desde que nos encontramos.
— Louis, eu não acho que seja a hora…
— É agora, sim — o primo cortou com um gesto de mão. — Você já sabe como ela se sente. Se não for, vai passar a noite rodando em cima disso. E eu não vou ficar olhando pra sua cara de velório. Vai lá e resolve.
Glenn suspirou, erguendo o rosto. Acima deles, a lua se erguia, clareando o pátio. As palavras de Louis foram o empurrão final. Se o primo conseguia aceitar aquilo, Glenn não tinha mais desculpa para fugir.
— Tem certeza? — perguntou Glenn, a voz mais firme.
Louis deu um empurrão leve no ombro dele, um gesto de anos de irmandade.
— Tenho. Agora some daqui antes que eu mude de ideia e peça para você pagar o quinto espeto.
Glenn assentiu.
— Olha… uma estrela cadente — murmurou alguém.
Algo riscou o céu. Rápido e silencioso demais. Uma linha de luz atravessou a escuridão. As pessoas pararam, apontando para cima.
Glenn ergueu o olhar. A estrela não desapareceu; ela cresceu. O brilho pulsou, mudando do branco ao laranja, e do laranja ao vermelho. O silêncio quebrou com um rugido profundo que subiu das nuvens.
O céu explodiu. Um jato de fogo desceu em espiral, rasgando o firmamento em chamas. O impacto veio um segundo depois. O chão tremeu. As janelas estremeceram e um sopro de calor atravessou a vila. Lanternas mágicas se partiram, caindo como chuva de faíscas.
O cheiro de hidromel foi engolido por fumaça e ferro queimado.
Gritos. Mães chamaram pelos filhos. Os bardos largaram os instrumentos, que tombaram com sons secos. Barracas viraram tochas. O sino da igreja soou uma vez. Duas. Na terceira, calou-se.
Louis se virou, o rosto tomado pelo reflexo vermelho. Glenn continuava estático, as pupilas dilatadas.
— Não… não pode ser… — murmurou.
Outras espirais de luz desceram como lâminas, atingindo casas, torres e barracas. O solo voltou a tremer quando uma delas encontrou o sino da igreja. O metal explodiu num som oco e o bronze imenso se soltou da torre. Girou no ar antes de despencar sobre um homem que corria com a filha nos braços. O impacto esmagou os dois. Não houve tempo para o grito.
— Isso está vindo da praça! — gritou Louis. — ELLIE!
Eles correram. A multidão virou uma manada de corpos que se chocavam e tropeçavam. O ar queimava.
Uma casa ardia à direita. O teto colapsou com o estalo de um osso quebrando. No chão, uma mulher se jogou sobre o filho, tentando protegê-lo com o próprio corpo. Ela gritava, a voz cortando o ar como vidro.
Então veio a lança. Negra. A lâmina rompeu as costas da mulher. O corpo arqueou num espasmo e o grito morreu.
Glenn parou. O som ao redor pareceu se apagar. O assassino caminhou até ela sem pressa. A armadura leve refletia o fogo e uma máscara de osso, rachada no lado esquerdo, cobria o rosto.
Ele parou ao lado dela e puxou a lança de volta. O corpo da mulher estremeceu. Com um movimento seco, o homem esmagou o crânio dela com o cabo da arma.
Um estalo final. Silêncio.
Glenn não conseguiu se mover. O coração batia rápido demais, mas o corpo não obedecia. O mundo parecia longe, irreal. Ele não chorou nem gritou. Apenas sentiu algo quebrar por dentro.
Louis puxou seu braço.
— Glenn!
A voz dele parecia distante. Mas Glenn ainda olhava: a fumaça, o sangue, a máscara rachada.
Avançaram pelas ruas tomadas pelo fogo. O vilarejo que conheciam já não existia; as casas se contorciam sob o calor. Entre as labaredas, figuras em armaduras escuras se moviam com precisão. Runas vermelhas gravadas em seus peitos pulsavam.
Um deles agarrou uma criança pelo braço — um movimento rápido e impessoal — e a arremessou contra uma parede de pedra. O impacto soou como o estalar de uma fruta madura. O sangue escorreu pelas fendas, pintando o chão.
Glenn cambaleou, a bile subindo à garganta.
— Pelo inferno… Eles estão matando todo mundo... — murmurou, a voz perdida no barulho das chamas.
— Não são bandidos comuns — respondeu Louis, firme, embora o tremor na voz o traísse.
Um dos invasores ergueu a cabeça. Por trás da máscara de osso, os olhos brilharam. Ele pronunciou algo numa língua gutural e as veias do seu braço acenderam. Espinhos vermelhos explodiram do chão, perfurando a parede de uma casa próxima. A madeira se rompeu como papel. Lá dentro, um pai tentava empurrar a família pela janela, mas um homem de capuz negro estendeu a palma. O fogo girou no ar como uma serpente.
Em um sopro, a casa virou cinza.
O clarão engoliu tudo. Glenn protegeu o rosto enquanto o calor atravessava a pele. Explosões vinham de todos os lados. Ele queria correr, queria lutar, queria Ellie. Mas Louis o agarrou pelos ombros, os dedos apertando forte.
— Procure nossos pais, Glenn — disse Louis, a voz tensa.
— O quê? E a Ellie?!
Louis o empurrou um passo para trás e ergueu a espada.
— Eu vou atrás dela. Estou armado, lembra?
— Mas eu—
— GLENN! — o grito rasgou o ar. — Eu vou proteger a Ellie! Você não tem mana. Você é mais frágil que a própria Ellie nesse sentido… O que você poderia fazer? Me diz!
Glenn parou. O peito ardia, as mãos fechadas em punhos inúteis.
Mais frágil?
Louis estava certo. Num mundo de mana, ele era o espaço vazio. O que só assistia.
— Por favor, Glenn… — a voz de Louis caiu para um sussurro. — Ache nossos pais. Eu tiro ela daqui.
Glenn engoliu em seco.
— Tá… mas toma cuidado, irmão.
Louis assentiu com um sorriso quebrado.
— Sempre tomo.
Ele virou as costas e correu em direção ao inferno, desaparecendo entre a fumaça e os gritos. Glenn ficou parado por um segundo. O gosto de ferro tomou sua boca.
— Certo… tio Reynolds… tia Vivian…
Ele virou-se e correu.
As chamas avançavam como um animal, devorando casas e estandartes. O chão sumia sob destroços e o som de ferro contra carne se misturava ao estalo das vigas. O céu, antes pontilhado de lanternas, agora era uma boca negra cuspindo fogo.
Glenn dobrou uma ruela lateral. A fumaça ardia nos olhos e a sensação de que algo o caçava crescia a cada passo. Ele parou bruscamente.
Um homem de túnica negra estava de costas. A lâmina brilhou vermelha antes de descer num arco preciso. O som que se seguiu foi úmido. Definitivo.
Glenn se jogou contra a parede, ofegante. O ar não vinha. As pernas mal sustentavam o peso enquanto gritos ecoavam em ondas. Ele fechou os olhos, mas o som do metal rasgando a carne não saía da cabeça.
— Por favor… tia Vivian… tio Reynolds… — sussurrou. Era mais um pedido que uma prece.
Avançou pelos cantos, passando sob uma viga caída. Um telhado cedeu ao lado, espalhando faíscas que rasparam seu rosto. As mãos tremiam, sujas de fuligem.
Se eu tivesse treinado mais… Se ao menos tivesse mana…
Ele correu. Fogo, poeira, estilhaços. As ruas que conhecia eram agora um labirinto em chamas. Ao desviar de uma carroça tombada, viu outro vulto de manto negro golpear alguém no meio da rua. O corte foi limpo; o corpo caiu antes que o sangue tocasse o chão.
Glenn recuou, o coração batendo tão alto que temia ser ouvido.
— Ellie… — o nome escapou como um suspiro.
Quis correr até ela, mas as mãos estavam vazias. O medo e a impotência subiram como uma maré amarga. Acima, a lua continuava a mesma — cheia, fria, indiferente.
Glenn ergueu o rosto. Por um segundo, o ruído da destruição se afastou.
Naquela mesma lua, o mundo estava quieto.
Ele estava sentado no telhado da velha escola, o lugar onde se escondia quando queria desaparecer. O cheiro de pó e grama molhada preenchia o ar e a vila dormia sob um manto prateado. O canto das cigarras ocupava o silêncio quando uma voz suave chamou:
— Oi.
Ele não precisou se virar. Reconhecia o passo leve, como se o mundo abrisse espaço para ela passar.
Ellie subiu os degraus de pedra. O vestido azul prendia-se nas bordas do muro e o cabelo loiro refletia o brilho lunar.
— Então… o que você queria conversar? — perguntou, parando ao lado dele.
Glenn deu de ombros.
— Nem sei. Só… queria falar com você.
Ela sorriu. Havia naquela expressão uma calma que desacelerava o tempo. Ellie sentou-se ao lado dele, balançando as pernas sobre o beiral.
— É bonito aqui em cima — disse ela, olhando o horizonte. — Dá pra ver tudo.
— É por isso que eu venho. Aqui, parece que a vila fica… menor.
— Ou você é que fica maior — ela brincou.
Glenn riu baixo, observando a lua prateado no céu.
— Quero aprender a lutar. E despertar minha mana. Quando isso acontecer… eu vou para a capital.
As pernas de Ellie pararam de balançar. Ela desviou o olhar, a sobrancelha contraída num gesto quase invisível.
— Eu devia ter imaginado… — murmurou. — Todo mundo quer ir embora.
— Mas eu não sou como eles — Glenn disse. — Não vou só atrás de trabalho. Vou me tornar um cavaleiro mágico.
Ellie ergueu as sobrancelhas com um meio riso.
— Um cavaleiro mágico? Não é difícil?
— É. Por isso… talvez eu demore para voltar.
O silêncio caiu, preenchido pelo canto das cigarras.
— Será que vão cantar músicas sobre você nas tavernas? — perguntou Ellie. — Ou colocar seu rosto nos jornais?
Glenn riu baixo.
— Quem sabe. Vou tentar merecer.
Ellie voltou a balançar as pernas, olhando o horizonte. A luz da lua desenhava caminhos suaves em seu rosto.
— Então… — sussurrou. — Me promete uma coisa? Daqui a um tempo, quando você for um cavaleiro famoso... e eu estiver em apuros... promete que vem me salvar?
Glenn piscou, surpreso.
— É isso que cavaleiros fazem, não é? — ela riu baixinho. — Eles salvam pessoas.
— Ellie…
— Promete. Só dessa vez.
— Tá bom… — a voz de Glenn saiu baixa, mas firme. — Prometo. Quando você precisar, eu vou estar lá. Não importa o que aconteça. Vou ser capaz de te proteger.
Sob aquele céu, o instante pareceu eterno.
...
Agora, Glenn também olhava para a lua. Mas ela era fria e indiferente. Ele soltou o ar devagar, fechando o punho. As palavras da conversa anterior voltaram como poeira: "Nunca me vi com uma espada na mão".
O riso dela apagando, o silêncio de Ellie. Ele tinha esquecido o peso daquela promessa até o fogo e o caos a trazerem de volta.
A parede fria pressionava suas costas. O ar trazia o cheiro metálico de ferro queimado e o coração batia alto demais para o peito. O pensamento veio amargo: Não mudou nada.
Não aprendeu a lutar. Não despertou mana.
Um riso curto e quebrado escapou, quase um soluço.
— Eu… não sou nada.
O sorriso morreu. O olhar endureceu e ele se virou de uma vez. A fumaça invadia os olhos e os pulmões imploravam por oxigênio, mas um único nome ocupava o vazio.
Ellie.
As pernas se moveram.
— O que eu tinha na cabeça… — murmurou, sem fôlego. — Não posso deixá-la. Não vou deixar o Louis sozinho.
Cada passo batia no chão como um desafio.
Mesmo sem espada. Mesmo sem mana.
Ela não vai estar sozinha.
E então, o impacto.
Glenn foi arremessado. O ar saiu dos pulmões num estalo e o corpo bateu no chão, pesado.
Quando abriu os olhos, o mundo girava. Diante dele, uma silhueta negra, alta e imóvel. Cada respiração do cavaleiro soava como um trovão abafado dentro do elmo de caveira.
Glenn tentou se mover. O corpo não respondeu.
O cavaleiro ergueu a espada. O aço rasgou o ar, refletindo o fogo numa centelha dourada.
Glenn observou a lâmina descer com uma calma que não lhe pertencia.
Então é assim. Sem feitos, sem glória. Só eu e o medo.
O mundo estancou. O fogo congelou em labaredas estáticas e a cinza suspensa no ar cintilou como poeira. No meio do nada, uma pena branca caiu. Ela girava devagar, tocando o chão com o som de algo quebrando.
O fio da espada partiu-se. Desfez-se em mil fragmentos de luz.
O tempo recomeçou com um estrondo. O vento trouxe de volta o rugido das chamas e o corpo do cavaleiro se dobrou, despedaçando-se como vidro sob um martelo invisível. O sangue quente respingou no rosto de Glenn.
Atrás do que restava da armadura, ela surgiu. Pálida, recortada pela luz avermelhada, com cabelos brancos que se moviam como névoa e olhos prateados.
Glenn recuou de joelhos, tropeçando em um corpo.
— Q-quem é você? O que quer?
A garota deu um passo. A voz soou direto em seu pensamento, antiga e profunda.
— Ainda não é a hora.
O corpo do cavaleiro dissolveu-se em pó. Ela se agachou diante de Glenn. O cheiro do ar mudou: frio, metálico, ancestral.
— Tão jovem... — disse, enquanto tocava o rosto dele com a ponta dos dedos. — Tão belo.
Glenn firmou o maxilar.
— A vila se desfaz sob as chamas — sussurrou ela, e o espaço ao redor pareceu dobrar. — A caverna o reclama como parte do abismo... Sua existência se fragmenta entre sombras vivas... A floresta o enfeitiça com verdades que não se dizem…
Dessa vez, ela tocou o rosto dele com a palma. O toque era frio, irreal, e ainda assim familiar.
— Será que você está pronto? — os olhos prateados refletiam o rosto de Glenn com perfeição. — Você ainda precisa acordar. Você não está pronto.
O peso da exaustão atingiu Glenn de uma vez. O corpo lembrou-se das feridas e da dor.
— Eu... — ele tentou, a voz falhando. — Tenho que encontrar... Ellie... Louis…
As palavras quebraram. O mundo girou num borrão de fogo e frio. Antes que a escuridão o tomasse, ele viu o contorno dela, imóvel e serena. O sorriso era doce, quase humano.
— Eu te amo, Glenn.
A voz ecoou dentro dele muito depois de tudo se apagar.
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