Volume 1
Capítulo 16: A Porta Vermelha
O corredor se estendia como um túnel silencioso, lapidado em mármore branco tão puro que refletia cada passo. As paredes eram adornadas por luminárias de mana — artefatos caros, que pulsavam uma luz azulada, quase etérea, dançando como chamas presas em vidro cristalino.
A cada passo, porém, aquela luz diminuía.
A cada metro, o corredor perdia cor.
A claridade parecia fugir dele.
O garoto caminhava sem hesitar.
Cabelos brancos como neve sob a lua. Pele escura, de um tom profundo e marcante. Olhos atentos, que varriam a sombra que o engolia pouco a pouco.
Ele não sabia dizer com que idade aquele corpo parecia. No sonho, nunca sabia. Mas conhecia a sensação — aquela mistura de reconhecimento e estranhamento que apertava o peito.
O brilho dos artefatos sumia. As bordas do corredor escureciam, depois o teto, depois o chão. Até que o mármore branco se transformava em uma faixa cinzenta sob seus pés.
E, no fim de tudo, ela aparecia.
A porta dupla.
Vermelha.
Profunda.
Sólida como um coração que não quer ser aberto.
Ronan parou diante dela.
— É o sonho que sempre tenho… — murmurou. — Eu sempre tenho. E sempre me esqueço.
O corredor desaparecia atrás dele, engolido por um escuro que parecia vivo — mas era a porta que puxava o ar, como se respirasse baixo, bem baixo.
Ronan sentia o pulso acelerar sem saber por quê.
Então ela chamou.
— …Ronan.
A voz atravessava a madeira.
Não parecia perto. Nem longe. Soava… errada. Fragmentada. Como se tivesse sido quebrada e, mesmo assim, ainda tentasse falar.
— Lisa? — ele sussurrou, aproximou o rosto. — Lisa, você… você está aí?
Os dedos dele tocaram a superfície da porta. Quente. Sempre quente.
Ele engoliu seco.
— Sai daí… pelo menos no sonho… me deixa te ver.
Do outro lado, algo se movia. Não um passo. Não um gesto. Algo… deslizava.
O coração de Ronan disparou.
— Ro…nan…
A voz parou.
Parou de um jeito que apertou o peito dele, como se o mundo inteiro prendesse a respiração com ele.
Foram segundos longos demais.
Quando voltou, veio firme, cortante:
— Não abra essa porta.
Ronan recuou meio passo sem perceber.
A mão dele tremia. A madeira vibrava sob o toque, como se tivesse sentido.
A garganta travou.
A voz repetiu — mais baixa, mais urgente:
— Nunca.
A luz dos artefatos atrás dele se apagou de uma vez. O corredor sumiu. Só a porta permanecia.
E então — o chão cedeu sob os pés dele.
Ronan caiu.
O mundo o puxou de volta.
Ele acordou num salto.
O corpo arqueou, buscando ar como se tivesse emergido debaixo d’água.
— Haa… haah… hah… — os pulmões ardiam.
O quarto estava quieto demais.
O suor escorria pela têmpora. A respiração vinha rápida, irregular. O coração? Descompassado, pesado. Ele passou a mão pela testa, tentando segurar o sonho antes que escapasse — e falhou. A sensação ficou.
— Acho… que tive um pesadelo… — murmurou, encarando o teto que não oferecia respostas.
Mas o tremor leve nos dedos dele dizia outra coisa.
Ronan sentou-se na cama por alguns segundos, até o quarto parar de girar em torno dele. A respiração ainda vinha curta. Ele passou a mão no rosto, afastou o suor frio e se levantou devagar.
O quarto era pequeno.
Quente demais.
A janela permanecia escondida atrás de uma cortina pesada, marrom desbotado. A pouca luz que entrava era fraca — suficiente apenas para revelar os móveis simples: uma mesa estreita com livros empilhados, uma cadeira torta, um baú gasto no canto.
A porta recebeu três batidas curtas.
Ronan virou o rosto de imediato, o corpo enrijeceu. Engoliu a ansiedade que subiu pela garganta e murmurou:
— P-po… pode entrar.
A porta se abriu com um rangido leve.
— Bom dia, jovem Ronan.
Ela entrou com passos pesados e precisos — uma anã de cabelos ruivos presos num coque impecável. O uniforme escuro contrastava com a pele clara pontilhada de sardas, e o olhar… carregava aquela formalidade irretocável, com um fio permanente de sarcasmo elegante.
Ronan desviou o olhar. Os olhos caíram no chão, no próprio pé, em qualquer lugar que não os dela.
— Sua postura matinal continua irrepreensivelmente… humana — comentou ela, ajustou o avental. — Mas deixarei de lado minhas expectativas. Vossa majestade requisita sua presença… assim que estiver aprontado.
O tom era culto, impecável, mas cada sílaba soava lustrada com uma ironia discreta.
Ronan assentiu de leve, ainda evitando o olhar dela.
— O-obrigado… — disse em voz baixa.
Ela apenas inclinou a cabeça e saiu. Fechou a porta com a mesma elegância meticulosa com que falava — sem esperar resposta, sem disfarçar o tédio.
O silêncio voltou.
Ronan ficou parado por alguns instantes, encarando a madeira da porta.
A respiração ficou presa na metade do caminho.
— Por que… ele quer me ver? — murmurou, quase sem som.
O peito apertou.
Ele mordeu o lábio inferior.
Forte demais.
Sentiu o gosto metálico antes de perceber que a pele havia se rompido.
A cortina balançou com o vento que entrava pela fresta da janela — o único movimento dentro do quarto.
...
Os corredores de Karak-Dûm nunca foram verdadeiramente silenciosos — o som das botas sempre ecoava entre as colunas de pedra, como um sussurro persistente.
Ronan seguiu por eles sem pressa, sem alternativa. Os ombros curvados, o corpo encolhido, como se quisesse desaparecer nas sombras.
As paredes, talhadas em basalto escuro, subiam tão alto que estrangulavam qualquer traço de luz. As tochas presas nelas soltavam uma chama firme, porém contida — parecia até que o fogo receava se expandir ali dentro. O ar era denso, quente demais, e o som das passadas voltava rápido demais para ele.
Dois funcionários anões vinham na direção oposta, carregando caixas reforçadas por runas douradas. Notaram Ronan de longe — e o desagrado veio rápido, nítido demais.
Ronan baixou o olhar antes mesmo de alcançá-los.
Passou.
E atrás dele, quase de imediato:
— Cresceu… mas continua estranho.
O outro soltou uma risadinha abafada.
— O rei devia ter adotado um cão. Seria mais útil.
A mandíbula de Ronan se tensionou. Os dedos se fecharam. Mas ele seguiu. Sempre seguia.
No próximo corredor, dois guardas estavam em posição. As armaduras brilhavam sob a luz azulada das tochas de mana. Eles o viram e assentiram.
Ronan tentou corresponder.
— B-bom dia…
Cinco passos depois, as vozes:
— Dá até vergonha ver ele andando pelos corredores.
— Pelo menos hoje não tropeçou.
A risada seca que veio em seguida rasgou o silêncio. Ronan apenas respirou — fundo, lento — e manteve o rosto abaixado.
Quando ergueu os olhos, parou.
A porta da câmara real.
Alta, larga, reforçada com ferro decorado e runas em brilho constante. O ar ali era mais frio, mais pesado.
Ronan permaneceu imóvel por alguns instantes. Inspirou fundo — não muito, apenas o bastante — e estendeu a mão. Bateu. Uma vez. Depois outra. E mais uma. O som morreu depressa no corredor, tragado pelas paredes de pedra. Empurrou a porta. A madeira pesada rangeu, cedeu devagar e revelou o que havia além.
Então, ele entrou.
A câmara real do castelo tinha a grandiosidade de um túmulo antigo.
As paredes eram forradas por tapeçarias pesadas, tingidas em vermelho profundo e marfim — cenas de batalhas antigas, forjas lendárias, reis. O chão era frio, recortado em blocos grandes demais para qualquer criatura comum carregar.
Havia poucos móveis: um conjunto de assentos baixos e robustos; uma mesa pequena com pergaminhos enrolados; e, perto da janela larga, uma escrivaninha de madeira negra com uma poltrona de couro gasto.
Mas não foi ali que Ronan encontrou o rei.
Baragor estava diante da lareira.
A enorme figura recortava o calor das chamas — o rei era maior que a média dos anões, um corpo de força bruta, um titã em carne, parado como se fosse parte da própria montanha. A barba trançada, grossa e longa, ultrapassava o comprimento do braço de um homem comum. O torso largo parecia esculpido à força, marca por marca. E os olhos… escuros, profundos, brilhando como ônix polido.
Baragor não observava o fogo.
Ronan percebeu de perto.
O rei fitava as pedras de mana vermelhas sob as brasas — gemas que ardiam como corações expostos, pulsantes, alimentando um fogo eterno que jamais diminuía.
O aroma do hidromel escapava do copo grosso que ele segurava, dourado sob a luz do fogo.
Ronan avançou mais um passo. O piso vibrou sob o calor da lareira.
A voz do rei veio antes que ele pudesse erguer o olhar.
Grave. Densa.
— Passou a noite inteira na biblioteca outra vez, não foi, garoto?
Ronan parou. As mãos tremiam.
Assentiu, devagar.
A barba de Baragor se mexeu quando ele soltou um som curto — algo entre riso e desdém.
— Hmph.
A runa sobre a lareira brilhou intensa, tingindo-lhe o rosto de vermelho vivo.
Baragor virou apenas o suficiente para que um olho o fitasse pelo canto da visão.
— Ainda perdido nos livros de fantasia, hã? — murmurou.
Ronan tentou responder, mas o rei ergueu um dedo pesado, silenciando-o.
— São boas histórias, sim. — O grunhido profundo vibrou em seu peito. — Mas os livros de história também guardam dragões… e romances. Devia dar uma chance.
Virou o copo de hidromel de uma só vez. O dourado desapareceu em sua garganta como se fosse nada. Limpou a barba com o dorso da mão, gesto bruto, quase ritual.
Afastou-se da lareira e afundou no sofá robusto. A madeira rangeu, mas não ousou protestar.
— O que importa mesmo… — a voz caiu, mais grave — …é isto.
Pegou a garrafa, serviu seu copo com precisão quase militar. Depois, encheu outro.
Empurrou-o para Ronan sem olhar.
Sabia que o garoto não beberia.
Servir era parte da lição.
— O passado não vale nada… — ergueu o copo. — …se você não aprender a moldar o presente.
Ronan respirou fundo e se aproximou. Sentou-se à frente do rei, o sofá parecendo grande demais para o corpo dele.
Baragor tomou mais um gole — outro inteiro — como se o copo fosse só um atraso entre ele e a próxima frase.
— O mundo está mudando, Ronan. — Baragor falou sem encará-lo, observando o hidromel girar no fundo vazio do copo. — Mais rápido do que muitos ousam admitir.
A voz dele se reduziu até quase virar um sussurro.
— E sabe quem molda o presente com perfeição?
Ronan, inquieto, balançou a cabeça em negativa.
Baragor finalmente o fitou. Os olhos escuros cintilavam em vermelho, refletindo as brasas eternas atrás dele.
— Aldebaran. — O nome saiu áspero, pesado. — Ainda queima na língua… mesmo depois de séculos.
Recostou-se na cadeira. O couro gemeu sob o peso.
— Ronan… — a voz parecia rolar pelas pedras da câmara. — Você sabe o que dizem dos anões, não sabe?
Ronan assentiu, sem erguer muito o olhar.
Era impossível não saber. Os sussurros nos corredores, os comentários escondidos nos livros… sempre a mesma ladainha:
Humanos diziam que os anões eram gananciosos. Obcecados por ouro. Bons apenas para cavar, forjar, beber… e nada além disso.
Baragor puxou o ar pelo nariz, como se confirmasse em silêncio tudo aquilo que Ronan não ousava dizer.
— Acham que somos pedras com pernas — rosnou. — Que não sentimos, que não pensamos. Que magia é coisa dos elfos, guerra é coisa dos humanos, e que nós só servimos para martelar ferro e contar moedas.
THUM
A mão dele desceu na mesa como um trovão.
A caneca tremeluziu. O hidromel balançou.
Ronan nem piscou.
Já estava acostumado.
— Mas a magia verdadeira… — Baragor se inclinou sobre o tampo da mesa — …corre nas veias da terra. Lenta. Profunda. Antiga.
Ronan desviou o olhar para o chão.
"Eu odeio essas metáforas…"
Mas manteve a postura.
Baragor apoiou o punho fechado sobre a madeira.
— E a terra, moleque… — ele inclinou o rosto, um brilho antigo passando pelo olhar de ônix — …é nossa casa.
A risada que veio depois foi grande, sonora, quase violenta — uma risada que só um rei anão conseguiria dar sem parecer uma ameaça.
Baragor então se calou, colocando o silêncio no lugar certo, como uma pedra encaixada na forja.
— Há um poder que ultrapassa a magia ordinária, Ronan — falou, a voz mergulhada em um timbre profundo. — É algo incomum. Não pode ser forjado… apenas aqueles que nascem já o carregam.
Levantou a mão, e os dedos pesados se fecharam sobre o nada.
— Esse dom… — o tom tornou-se áspero — …é conhecido como Graça Primordial.
As chamas da lareira vacilaram.
As pedras de mana sob as brasas pulsaram uma só vez — vermelhas como um coração prestes a explodir.
Ronan engoliu em seco.
— Graça… primordial? — perguntou.
Baragor assentiu devagar.
— É um presente de Aldebaran — explicou. — O Rei dos Reis. Dado apenas aos povos que ele… favoreceu.
Ronan franziu a testa.
— E essa Graça… o que ela faz?
Baragor acomodou-se melhor no sofá, inclinando o corpo para frente. As brasas refletiam nos olhos, que ardiam como pequenos sóis.
— Entre os elfos — murmurou — a Graça surge nas vinhas vivas. São plantas que escutam. Que se erguem ao comando. Que se armam. A própria floresta se torna guerreira ao lado deles.
Ronan permanecia imóvel, o olhar fixo.
Baragor continuou:
— Entre os anões… — seus dedos grossos tamborilaram na madeira da mesa — é a gravidade que nos atende. O peso da montanha corre em nosso sangue. O solo se abre. As pedras se curvam.
Algo no tom dele soava… treinado. Provavelmente já repetira aquilo muitas vezes, para muita gente antes.
Ronan percebeu o peso daquilo, mas ainda assim arriscou:
— E… os humanos?
Baragor soltou um som breve, quase um riso seco, sem qualquer traço de alegria. Apenas moveu a cabeça em negativa.
— Humanos? — murmurou. — Não. Jamais.
Ronan baixou os olhos para as próprias mãos, como se nelas repousasse a sentença. O silêncio se expandia no aposento, pressionando as paredes, tornando o ar mais denso.
Tentou outra vez, com voz mais lenta:
— Mas se é uma forma de magia…
Baragor ergueu a mão, cortando a frase no meio.
— É magia — afirmou, firme. — Só não da maneira que você imagina.
A mão desceu, e ele girou o hidromel no copo, como se procurasse palavras nas ondas douradas. Bebeu em seguida.
— A Graça Primordial não se aprende — prosseguiu. — Ou nasce com ela… ou não nasce. Permanece oculta, em silêncio, até despertar aos quinze anos.
Ronan franziu a testa.
Queria entender.
Queria encaixar as peças.
Baragor pousou o copo na mesa com um som seco, abafado.
— Só desperta em sangue real — disse sem hesitar. — Nas raças que Aldebaran escolheu.
Ronan endireitou-se, respirando fundo. A pergunta escapou quase sem pensar:
— Então… por que nunca em humanos?
Baragor fez uma careta, como se o tema lhe fosse cansativo demais.
— Quem sabe? — murmurou, erguendo os ombros num gesto de desdém.
Rodou o copo vazio, o vidro arranhando a madeira num ruído áspero.
— Alguns juram que é porque os humanos são impacientes. Querem tudo de imediato.
Expeliu o ar pelo nariz, num sopro curto.
— Outros… — a voz desceu, mais grave — acreditam que Aldebaran simplesmente não os ouve.
A resposta caiu entre os dois como uma pedra lançada num lago.
Ronan permaneceu imóvel. Os dedos apertaram o próprio joelho sem que ele percebesse.
Baragor apenas observou. Depois disse, num tom estranho… quase íntimo:
— Mas… você sente, não sente?
Ronan ergueu o rosto devagar.
— O quê?
Baragor inclinou o corpo à frente. Os olhos tinham aquele brilho de quem aposta tudo numa única pergunta.
— A montanha. — Disse sem rodeios. — Mesmo sendo… — parou, buscando outra palavra que não viesse carregada de veneno — …você.
Ronan encheu os pulmões, e o ar pareceu pesar ainda mais.
Baragor não lhe deu tempo de negar:
— Quando toca a pedra. Quando caminha pelos túneis. — A voz se reduziu a quase um sussurro. — Você sente… lá embaixo. A montanha responde.
O silêncio se derramou pelo aposento. Ronan abriu a boca, indeciso entre aceitar ou fugir daquela ideia.
“Responder… a mim?”
O pensamento surgiu frágil, rápido.
Baragor deixou escapar um meio-sorriso cansado, como quem finalmente encontra o que buscava há muito.
— Você não nasceu sob a montanha — disse devagar. — Mas ela te escuta, garoto. E isso… não deveria acontecer.
Sem aviso, o rei se ergueu. Caminhou até a escrivaninha, abriu uma gaveta com calma tensa e retirou um tecido negro, espesso, dobrado. Depositou-o sobre a mesa, sem pressa.
Ronan se aproximou.
Baragor desdobrou o pano.
No interior, repousava um cristal escuro.
Ele parecia pulsar. Uma batida discreta, escondida, como um coração que não queria ser descoberto.
— A Graça… — murmurou Baragor, a voz quase apagada — …é tão rara que muitos a chamam de mito.
Seus dedos tocaram apenas o tecido, nunca o cristal.
— A última vez que alguém presenciou esse despertar… — os olhos fixos na luz mínima que emanava — …foi há mais de quatro séculos.
Ronan sentiu o estômago afundar, como se o chão tivesse cedido sob seus pés.
— É por isso — prosseguiu Baragor — que sabemos tão pouco. Uma herança… quase perdida.
O silêncio se alongou. O cristal respirava em ritmo próprio — lento, tímido, como se buscasse acompanhar o fôlego de Ronan.
“É… belo.”
O pensamento escapou, frágil.
O cristal respondeu com um único pulso — discreto, quase envergonhado. Mas havia intenção ali. Atenção.
Baragor estreitou os olhos. Um rei anão não se surpreendia facilmente, mas por um instante, o espanto atravessou sua expressão.
— Isto é um fragmento de Terra Viva — murmurou, mais baixo que antes. — Foi encontrado há pouco tempo.
Ronan sentiu a boca secar. Uma gota de suor escorreu pela face.
Baragor não comentou. Apenas deixou que o peso das palavras se assentasse.
— Um coração de montanha.
Virou-se para Ronan. O olhar não trazia dúvida, apenas expectativa — e algo mais profundo, difícil de nomear.
As brasas refletiam nos olhos do rei quando ele disse, sem elevar a voz:
— Toque-o.
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