Ano 3 - Volume 4
Prólogo: Monólogo de Ibuki Mio
EU SEMPRE tive a sensação de que um dia tudo acabaria assim, que mais cedo ou mais tarde eu não conseguiria acompanhar o sistema desta escola. Eu era péssima em estudar. Também não era exatamente boa em trabalhar com outras pessoas.
A única coisa em que eu podia dizer que era boa... era lutar. Por isso, em algum lugar no fundo do meu coração, eu já tinha percebido que, quando chegasse a hora, seria eu a ser descartada.
Ryuen, obviamente, e até mesmo Shiina e Katsuragi, eram indispensáveis para a turma. Mas, ao contrário deles, eu sempre estive à beira do precipício. Foi por isso que pensei que ficaria bem mesmo se fosse expulsa.
Foi nisso que acreditei durante todo esse tempo. Que não tinha deixado nenhum arrependimento para trás. Pelo menos, era o que eu pensava… Mas agora, enquanto encarava as costas de Ayanokoji, percebi que ainda havia uma coisa que eu não tinha feito.
Se eu seria expulsa de qualquer maneira, então, antes de desaparecer, queria acertar pelo menos um soco de verdade em Ayanokoji, custasse o que custasse. Fitando aquelas costas irritantemente impassíveis, fortaleci minha determinação.
Um ataque surpresa?
Fintas antes do golpe verdadeiro?
É, eu já sabia que nenhuma dessas porcarias funcionaria com esse cara. Então eu faria do jeito certo.
De frente. Limpo e justo. Dei um passo firme à frente e reduzi a distância entre nós. Ayanokoji se virou. Com a mesma expressão indecifrável de sempre. Agarrei-o pela gola e puxei o punho para trás.
— Vou aceitar a expulsão — cuspi as palavras. — Então me deixe acertar você uma vez antes de eu ir embora.
Era um pedido completamente absurdo. Uma tentativa sem esperança. Eu tinha plena certeza de que ele recusaria, diria que não tinha motivo algum para atender ao meu capricho, e, no instante em que o fizesse, eu já estava pronta para atacar mesmo assim.
Mas a resposta que recebi foi a última coisa que eu esperava.
— Afinal, fui eu quem decidiu que você seria expulsa — disse Ayanokoji, em tom calmo. — Acho que posso conceder pelo menos isso.
Ao ouvir aquilo, o canto da minha boca se ergueu levemente.
— Você tem muita coragem — murmurei, apertando ainda mais a gola dele. — Muito bem, então. Não espere que eu pegue leve.
Eu não pegaria leve. Se ele achava que podia subestimar a força de uma mulher, estava completamente enganado. Eu certamente arrancaria um ou dois dentes dele. Então, reunindo cada último resquício de força que eu possuía, desferi o soco mais sério, mais direto e mais poderoso de toda a minha vida.
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag
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