A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 2 - Volume 2

Prólogo: O Monólogo de um Aluno da Sala Branca

A ADVANCED NURTURING HIGH SCHOOL.

Naquele momento, em uma das salas de aula do primeiro ano daquela escola em particular, acontecia uma aula extremamente rudimentar e de nível absurdamente baixo. Os alunos tinham a mesma idade que eu, mas se esforçavam desesperadamente para resolver questões tão simples que chegavam a me dar sono. Eu me sentia como um adulto que havia sido colocado no meio de crianças do jardim de infância.

Mais de uma vez, lamentei a inutilidade de receber educação naquele lugar e o fato de meu tempo estar sendo desperdiçado. E, nesses momentos, uma certa pessoa sempre vinha à minha mente. Bastava pensar nela para que o ódio brotasse do fundo do meu coração, lembrando-me do motivo pelo qual eu precisava estar ali. Como esperado, senti uma força fluir para minha mão direita, que apertava o tablet.

Ayanokoji Kiyotaka.

Quando foi a primeira vez que ouvi esse nome? Eu me perguntei. Tentei me lembrar, mas era difícil recordar a data exata. Ainda assim, eu tinha certeza de que aquele nome estava gravado em minha memória desde sempre. Não existia uma única pessoa estudando na Sala Branca que não conhecesse esse nome.

E por quê?

Porque ele era simplesmente superior a qualquer outro estudante dali, independentemente da idade ou da época. Porque ninguém conseguia superar o aluno da quarta geração, Ayanokoji Kiyotaka.

Como resultado, Ayanokoji Kiyotaka era tratado como o espécime perfeito. Aquele único garoto exerceu um impacto gigantesco sobre a Sala Branca, e nós, da quinta geração, provavelmente fomos os mais afetados. Diziam que ele sempre obtinha notas altíssimas, não importava o quão severo fosse o currículo. Mas o mesmo também valia para mim. Continuei alcançando resultados extraordinários entre os alunos da quinta geração. Continuei provando que era um gênio, superior a todos os outros.

E, ainda assim… nunca fui elogiado pelo meu talento. Acho que nem preciso explicar o motivo. As palavras frias que saíam da boca dos instrutores eram sempre as mesmas:

— Ayanokoji Kiyotaka, no ano passado, foi muito mais impressionante.

Não importava o quanto eu me esforçasse ou o quão excepcional fosse meu desempenho, eu jamais era reconhecido. Tudo o que recebia eram ordens para tentar alcançar alguém que parecia um deus inalcançável. Algumas das pessoas que estudavam na mesma sala que eu chegaram até mesmo a venerar o divinizado Ayanokoji Kiyotaka. Patético.

As pessoas da Sala Branca eram treinadas para se tornarem a elite da elite. Mas agora estavam abandonando esse objetivo. Não havia a menor chance de pessoas assim sobreviverem até o fim naquele lugar. E, como esperado, acabavam ficando pelo caminho, sem sequer arrancar de mim um sorriso de escárnio.

Mas isso não significava que eu nunca tivesse momentos de fraqueza.

Embora eu não o idolatrasse, cheguei a suspeitar que a pessoa chamada Ayanokoji Kiyotaka nem sequer existia de verdade, sendo apenas um personagem fictício criado para nos inspirar. Acho que meus instrutores perceberam esses sentimentos com facilidade. Certo dia, fui levado por eles até uma das salas de observação usadas por visitantes externos. Foi ali que vi Ayanokoji Kiyotaka pela primeira vez com meus próprios olhos, ainda que através de um espelho unilateral, e confirmei que ele era real.

Ele não fazia ideia de que estava sendo observado.

Seu desempenho era impressionante, embora demonstrasse completo desinteresse por aquilo. Até hoje me lembro de como meu corpo começou a tremer inconscientemente apenas ao vê-lo. No entanto, se me perguntassem se senti como se tivesse acabado de ver um deus, eu negaria com todas as forças.

Ele não era um deus. Era alguém que merecia ser odiado.

"Adoração" estava fora de questão. "Ódio" era precisamente a emoção necessária para nos impulsionar. Sim… era o ódio que fazia meu corpo tremer. Eu sobrevivi à Sala Branca justamente porque me agarrei a esse ódio intenso, sem esquecê-lo nem por um único instante.

No fim das contas, porém, adoração e ódio não passavam de pensamentos e sentimentos pessoais. Para as pessoas da organização, o que nós, estudantes, sentíamos vinha em segundo plano. O objetivo final da Sala Branca não era criar um único indivíduo que representasse o ápice da humanidade. Era conduzir pesquisas e produzir em massa pessoas extraordinárias e excepcionais. Essa era a razão da existência da Sala Branca.

Se existisse um modelo de sucesso, não importava quem fosse essa pessoa — não importava se fosse eu ou Ayanokoji Kiyotaka. E era exatamente por isso que… fracassos não tinham absolutamente nenhum valor. Então, se Ayanokoji Kiyotaka fosse escolhido como o modelo de sucesso, o que aconteceria comigo, que agora estudava naquela escola?

Eu não fazia ideia de qual seria minha razão de existir. Como um experimento fracassado, minha vida simplesmente terminaria. Eu seria privado de qualquer valor. Que fim miserável seria esse. Eu não seria diferente dos alunos que ficaram pelo caminho. Jamais poderia permitir que isso acontecesse.

Não importava o que fosse necessário, eu precisava provar que Ayanokoji Kiyotaka não era o melhor. Precisava fazer a organização reconhecer que o modelo de sucesso era eu. Então, de repente, uma oportunidade única na vida caiu em minhas mãos.

Ayanokoji Kiyotaka desobedeceu às ordens e não retornou à Sala Branca reaberta. Eu nunca havia cruzado caminhos com ele antes, mas, graças a isso, tive a chance de encontrá-lo.

…Isso mesmo.

Recebi uma oportunidade única de lançá-lo pessoalmente no esquecimento. E, para fazer isso, o melhor seria abandonar de vez conceitos imaginários como "bom senso".

Falando de certa forma, uma maneira de resolver meu problema seria… matá-lo.

 

 


 

 

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag

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