A Classe de Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 2 - Volume 1

Capítulo 5: Classe D vs. Classe D

JÁ ERA QUINTA-FEIRA, e o fim de semana se aproximava. Depois que a aula terminou, fui à biblioteca com Horikita me acompanhando. Era lá que teríamos nossa conversa com a Classe 1-D, que Nanase traria conosco hoje. No caminho, conversamos sobre o exame especial.

— Você viu a atualização de hoje? — perguntei a ela.

— Dezessete novas parcerias foram finalizadas. O que eleva o total para setenta e três — respondeu Horikita.

Embora o número total de parcerias em si não fosse algo particularmente notável, havia uma diferença significativa entre essa última atualização e as duas anteriores: dois alunos da Classe 1-D já haviam escolhido seus parceiros. Agora havia sinais visíveis de atividade em uma classe que, nos últimos três dias, parecia inerte.

— Estou um pouco surpresa. Achei que Housen-kun pretendia esperar e ver como as coisas se desenrolariam um pouco mais. Tentei conversar com alguns alunos da Classe 1-D durante o almoço hoje, mas eles apenas me ignoraram, dizendo que não sabiam de nada sobre os estudantes que já escolheram parceiros — disse Horikita.

— É difícil dizer se eles realmente não sabem ou se estão sob algum tipo de ordem de silêncio.

Não seria muito surpreendente se houvesse algum tipo de regra proibindo-os de formar parcerias ou até mesmo falar sobre a situação, a menos que algum dos alunos mais espertos recebesse muitos pontos.

— É verdade. De qualquer forma, é ótimo que vamos nos encontrar com Nanase-san agora. Tenho certeza de que ela poderá nos dizer algo sobre essa situação — disse Horikita.

Horikita só tinha encontrado Nanase uma vez, e nunca tinham realmente tido uma conversa adequada. Mesmo assim, Nanase, a pessoa que estivera ao lado de Housen, parecia alguém com quem poderíamos nos comunicar. Pessoalmente, tive a forte impressão de que ela era uma pessoa honesta quando conversamos. Tinha um caráter firme e íntegro, vagamente lembrando Ichinose de alguma forma.

Horikita e eu chegamos à biblioteca. Quando entramos, a primeira pessoa a nos cumprimentar não foi Nanase, mas Shiina Hiyori, da Classe 2-C.

— Oh, olá! Que surpresa vê-los aqui — disse Hiyori.

Aparentemente, essa estudiosa havia vindo direto para a biblioteca após a aula.

— Podemos fazer um pouco de barulho hoje. Vamos conversar com alguns calouros sobre o exame especial — disse eu.

— Ah, é? Nesse caso, talvez seja uma boa ideia usarem os assentos lá no fundo. Assim não atrapalharão os outros frequentadores, e ainda poderão conversar um pouco. Além disso, vão perceber rapidamente se alguém tentar se aproximar — disse Hiyori.

Decidi seguir o conselho que ela gentilmente me deu.

— Está tudo indo bem na Classe C? — perguntei.

— Sim, está. Parece que há muitas coisas acontecendo agora.

Como nossas classes competiam entre si, não podíamos exatamente contar os detalhes internos umas para as outras. Assim, com essa breve troca de gentilezas, nos despedimos de Hiyori e seguimos para nossos assentos. Ainda curioso sobre o que estava acontecendo com Hiyori, fui com Horikita para os assentos no fundo da sala.

— Deixando Nanase-san de lado, agora que estamos nos envolvendo com a Classe 1-D, fica a questão se Housen-kun vai aparecer — disse Horikita.

— É. Acho que a presença dele vai fazer uma diferença considerável em como as coisas vão se desenrolar.

Como não impusemos restrições a Nanase, não havia garantia de que ela não traria Housen junto. Se ela o trouxesse, teríamos que nos arriscar e negociar ao máximo, improvisando totalmente.

— Espero que não se importe se eu perguntar algo antes de começarmos uma discussão completa. Você tem estudado? — perguntou Horikita.

— Bem, um pouco, aqui e ali. Por quê? — perguntei.

— Só queria saber se você está tendo tempo suficiente para estudar, considerando que eu tenho vantagem nessa situação por poder escolher a matéria.

— Ah, é? Vai ter pena do inimigo? — provoquei.

— Como se fosse. Não sou tão boa assim a ponto de abrir mão de condições vantajosas. Esta é uma prova que eu preciso vencer — disse Horikita.

Mesmo assim, ela aparentemente se preocupava se eu estava estudando direito. Ou seja, ela realmente temia que eu inventasse alguma desculpa, dizendo que estava ocupado demais com o exame especial para estudar, ou algo do tipo.

— Olha quem fala. Passa muito tempo organizando nossa classe — respondi.

— Eu sempre faço questão de dedicar tempo aos meus estudos. Não tenho nenhum problema quanto a isso — disse Horikita.

Ela parecia bastante confiante de que estava conseguindo administrar bem o tempo, com todas as tarefas da sua rotina diária.

— Bem, relaxa. Não pretendo perder — disse eu.

— Bom, isso é bom de se ouvir, eu suponho… — respondeu ela.

Estranhamente, ela não parecia confiar em mim. Não parecia achar que eu estava levando o teste a sério.

Até aquele momento, havia outra coisa que eu queria perguntar a ela. Horikita tinha muitas funções para cumprir, além de manter nossa classe organizada. Ela precisava dedicar tempo aos próprios estudos e, além disso, dava aulas particulares para outros. Eu não fazia ideia se ela conseguiria manter esse ritmo até o dia do teste.

Quando estava prestes a perguntar sobre isso, Nanase apareceu na biblioteca, sozinha. Ela rapidamente nos localizou, correu até nós e inclinou a cabeça em cumprimento. Pelo que parecia, Housen não iria participar desta primeira conversa.

— Desculpem a demora — disse Nanase educadamente.

— Ah, não, acabamos de chegar — respondi.

Horikita convidou Nanase a sentar-se na cadeira diretamente à sua frente e iniciou a conversa com uma breve saudação introdutória.

— Certo, então… Mais uma vez, meu nome é Horikita Suzune. Obrigada por reservar um tempo para conversar conosco hoje — disse Horikita.

— Sim, e eu… Err, quero dizer, sim, sou Nanase Tsubasa. Mas não fiz nada que mereça seus agradecimentos. Se é para ser honesta, eu é que deveria agradecer a vocês — respondeu Nanase.

Todos nós estávamos na Classe D, então todos começávamos de uma posição excepcionalmente humilde. Após ouvir as palavras educadas e formais de Nanase, Horikita decidiu ir direto ao ponto.

— Desculpe se está sendo repentino, mas posso fazer algumas perguntas? — perguntou Horikita.

— De jeito nenhum, fique à vontade — disse Nanase.

— Primeiro, só para termos uma base, gostaria de saber quais são as políticas da sua classe. Dois alunos confirmaram parcerias hoje, enquanto o status dos demais trinta e oito ainda não está definido. Você foi uma das duas alunas que confirmaram a parceria, não é, Nanase-san? — perguntou Horikita.

Embora não estivesse claro se era Housen ou outra pessoa, estava evidente que alguém da classe deles estava dando as ordens ali.

— Está certo. Eu suspeitava que você me perguntaria sobre isso. Imagino que você tenha feito a mesma pergunta a Kajiwara-kun hoje, não foi? — respondeu Nanase.

Kajiwara era o nome de outro aluno da classe de Nanase. Aparentemente, ela já sabia que Horikita havia conversado com alunos da Classe 1-D durante o almoço. Se esse era o caso, supus que também deveríamos assumir que ela sabia que havíamos contatado Shiratori e seus amigos no primeiro dia do período do exame.

— Estou surpresa. Você parece ter um ótimo controle da situação — disse Horikita.

— Muitos alunos já estão agindo sob as ordens de Housen-kun — disse Nanase com naturalidade, admitindo abertamente que Housen estava liderando, sem evasivas.

— É por causa da atitude agressiva dele? Não, não posso imaginar que seja só isso. Que métodos ele usou exatamente? — perguntou Horikita.

Nanase pareceu perdida em pensamentos por um breve instante. Depois, abriu a boca para falar.

— Lamento muito, mas, infelizmente, não posso dizer exatamente que métodos ele usou. Housen-kun reuniu a classe. Se o modo como ele fez isso foi certo ou errado, não sei. Mas deixar que essa informação vazasse seria um ato de traição — disse Nanase.

— Entendo. Está certa em dizer isso — disse Horikita.

Em resposta, Nanase agradeceu novamente e inclinou a cabeça. Suponho que só por sermos senpais dela, não significava necessariamente que ela nos contaria algo. Assim como na conversa do outro dia, parecia ter pensamentos e convicções firmes como membro da sua classe.

— Nesse caso, vou direto ao ponto. Podemos assumir que conseguiremos trabalhar com sua classe? — perguntou Horikita.

— Como você deve ter ouvido de Shiratori-kun, nossa oferta está sempre aberta. Contanto que nos ofereçam um número definido de Pontos Privados na sua proposta, aceitaremos quaisquer pedidos de parceria, sem hesitar — disse Nanase.

Então, nossa conversa com Shiratori e seus amigos havia chegado a Housen, afinal. A partir disso, podíamos inferir que um grande número de pontos foi concedido aos dois alunos da classe deles que conseguiram parceiros.

— Mas o que estou perguntando hoje é diferente de estabelecer um contrato de parceria baseado em pontos — respondeu Horikita.

— Sim, eu sei. Já ouvi um pouco sobre sua oferta do Ayanokoji-senpai. Uma relação colaborativa em que nos protegeríamos mutuamente — ou seja, trabalharíamos juntos para proteger os alunos menos inclinados academicamente em nossas classes, certo? — respondeu Nanase.

— Sim. Se você veio para esta conversa entendendo tudo isso, deve haver algum espaço para negociação, certo?

— Há… Ou pelo menos, gosto de pensar que há.

O rosto de Nanase escureceu. Então ela continuou a falar.

— O modo de pensar de Housen-kun está enraizado em ideias de individualismo intenso. E ele aplica essa ideologia de forma rigorosa. Se as coisas continuarem nesse ritmo, os alunos menos capazes academicamente não conseguirão encontrar parceiros e ficarão para trás. Se apenas tivessem seus Pontos Privados retidos por três meses, não seria tão ruim. Mas temo que acabem sendo rotulados como incompetentes por não conseguirem parceiros. Bem, não… Suponho que isso também não seria tão ruim. O que realmente não quero que aconteça é que esse intenso individualismo domine nossa classe no futuro, a ponto de perdermos qualquer senso de unidade — disse Nanase.

Horikita ouviu atentamente tudo o que Nanase disse e, mentalmente, calculou o que poderia acontecer com a Classe 1-D no futuro.

— Certo, isso é uma preocupação válida — disse ela. — Se ninguém na classe ajudar o outro, a tendência ao individualismo naturalmente se acelerará. Quando não houver ninguém por perto para auxiliar os alunos, todos sentirão que precisam agir sozinhos. E, uma vez que essa ideologia se firmar, mesmo que alguém peça ajuda, ninguém vai intervir. O que significa que, se sua classe fosse submetida a um teste que exigisse funcionar como uma unidade, vocês perderiam essa batalha.

Era exatamente por isso que Nanase assumiu a responsabilidade de negociar sozinha com Horikita. Ela estava tentando evitar esse destino.

— Você não tem medo de Housen-kun? — perguntou Horikita.

— Não — respondeu Nanase, firmemente, sem hesitar.

Ela não havia me olhado muito até aquele momento, mas agora virou o olhar na minha direção. Era o mesmo olhar que me dera duas vezes antes. Lembrei que, quando lhe perguntei algo parecido, ela respondeu: "Nunca cederei à violência."

Havia coisas sobre ela que me incomodavam, é claro, mas Nanase poderia ser a única pessoa capaz de colocar sua classe do nosso lado. Se isso realmente fosse apenas um encontro casual, eu era sinceramente grato por isso.

— Então, gostaria de fazer uma pergunta um pouco mais detalhada. Quantos alunos da sua classe estão tendo dificuldade para encontrar parceiros? Por favor, nos conte sobre o maior número possível, independentemente da habilidade acadêmica — disse Horikita.

O aplicativo OAA podia informar quais alunos ainda não haviam confirmado parcerias, mas não indicava a probabilidade de conseguirem parceiros ou não. Para saber disso, só era possível perguntar a alguém diretamente ligado àquela classe.

— No momento, acredito que há cerca de quinze alunos que teriam dificuldade em encontrar um parceiro por conta própria — disse Nanase.

— Quinze… Isso é mais do que eu esperava — disse Horikita.

No entanto, muitos alunos da nossa própria classe também não haviam encontrado parceiros. Se conseguíssemos formar boas combinações, ainda havia espaço para nossas classes colaborarem de forma eficiente.

— Nanase-san, se nos permitir, gostaríamos de chegar a um acordo significativo com sua classe — disse Horikita.

— Um acordo significativo? — repetiu Nanase.

— Espero que possamos formar quinze pares de parceria e resolver isso de uma vez, Nanase-san. Não importa se eles têm nível E ou A de habilidade acadêmica. Não há condições. E, claro, nenhum ponto estará envolvido. Uma parceria igual baseada na colaboração mútua, onde ambos nos esforçamos para ajudar quem precisa — explicou Horikita.

Em outras palavras, dar e receber. A ideia era que agiríamos de forma mútua, sem envolver pontos ou sentimentos. Estabelecer tal acordo provavelmente reduziria significativamente a probabilidade de expulsão de alunos.

Mas tanto Horikita quanto Nanase sabiam que não seria tão simples.

— Tudo isso se baseia na suposição de que podemos chegar a um acordo. Mas não há garantia de que conseguiremos salvar os alunos da sua classe que estão próximos do nível E em habilidade acadêmica, Horikita-senpai. A maioria dos alunos da nossa classe que está tendo dificuldade para encontrar parceiros está em níveis C ou D — disse Nanase.

Mesmo que o aluno mais bem classificado disponível tivesse C+, ele ainda estaria em risco significativo se fosse emparelhado com um aluno de nível E da nossa classe. Pode-se dizer que os benefícios de tal acordo eram quase nulos.

— Nesse caso, vou precisar que você faça o possível para garantir que as coisas não saiam assim para nós — disse Horikita.

— Sim, você tem razão. Mesmo assim, não acho que conseguiremos chegar a um acordo tão facilmente — disse Nanase, sem negar que poderiam haver problemas, mas admitindo-os abertamente. — Housen-kun nunca aprovaria ajudar vocês de graça. Muito menos agora.

A Classe 1-A havia acumulado muitos pontos desde que começou a escola no ano passado e tinha fundos de sobra. Mesmo que a Classe C tivesse gasto uma boa quantidade de pontos para salvar Ryuen, ainda tinha uma reserva estável graças ao contrato com a Classe A. Eu tinha certeza de que os colegas de Ryuen também tinham pontos guardados. Considerando a situação atual, onde 2-C e 2-A estavam jogando muitos pontos em uma guerra de lances, não era surpresa que os novos alunos quisessem "se vender" para quem oferecesse mais.

Pode-se dizer que a forma de pensar de Housen estava correta. Mas, mesmo que tentasse atribuir um preço alto aos alunos da sua classe, a verdade era que eles pediam mais do que as outras classes. O pequeno número de alunos da classe dele que já haviam definido parceiros provava isso.

— Mesmo que seja para o bem da própria classe dele? — perguntou Horikita.

— Não deve haver desvantagens para ele nisso — respondeu Nanase.

O problema seria mais sério se alguns alunos não conseguissem encontrar parceiros e, assim, fossem privados dos Pontos Privados que deveriam ter recebido. Mas eu tinha certeza de que isso era óbvio.

— Sei o que você está tentando dizer, Horikita-senpai. Entendo muito bem o que está dizendo — disse Nanase.

Ela parecia reagir positivamente à proposta de Horikita. Porém…

— Mas… não acho que Housen-kun vai permitir, afinal.

Houve uma breve pausa. Eu tinha uma ideia geral do que ela estava pensando, então arrisquei um palpite.

— Bem, há uma coisa que podemos ter certeza. Housen não está pegando os pontos para si mesmo — respondi.

— O que quer dizer? — perguntou Horikita.

— Achei que o motivo pelo qual Housen só permitia parcerias se as pessoas pagassem muitos pontos era porque ele ficaria com esses pontos. Mas se fosse realmente assim, ele seria mais proativo em tentar organizar até os alunos de menor nível. E, em casos extremos, ele diria a esses alunos para entregarem os pontos que têm para que ele pudesse ajudá-los a encontrar um parceiro — expliquei.

— Sim, você está absolutamente certo… Três meses de Pontos Privados não é pouca coisa. Seria muito melhor pagar a Housen-kun metade dos seus pontos e ser "salvo", do que tirar nota baixa e não ganhar nenhum ponto durante todo esse tempo — disse Horikita.

Não havia nada que sugerisse que Housen estivesse fazendo algo do tipo, porém. Nem pelo que vimos da classe dele até agora, nem em nossa conversa com Nanase.

— A dedução do Ayanokoji-senpai está correta. Housen-kun não recebeu nenhum tipo de compensação de nossos colegas — disse Nanase.

Ele controlava sua classe e impunha regras a eles. Presumivelmente, se um aluno quebrasse essas regras, seria completamente ostracizado por Housen e seus seguidores. Por isso eles não ousavam tentar encontrar parceiros sem permissão. Simplesmente não podiam. E o motivo pelo qual ninguém da classe deles apareceu para o encontro era porque sabiam que seria inútil.

— Você não poderia usar sua influência para controlar nem que fosse alguns dos alunos mais talentosos academicamente? — perguntou Horikita.

Não havia qualquer forma de troca nesse pedido de Horikita. Ela apenas queria que alunos de nossas classes ajudassem uns aos outros. Porém, diferentemente dos alunos do nosso nível, os calouros naturalmente tinham menos apego emocional à sua classe e aos amigos. Era irreal esperar que eles tivessem formado laços fortes em apenas algumas semanas de matrícula.

— Tentei conversar com alguns deles, mas nenhum disse que sequer consideraria — respondeu Nanase.

— Parece que algum tipo de troca acaba sendo necessário, então — disse Horikita.

— Se precisarmos de apenas alguns alunos, não poderíamos fazer um acordo usando pontos? — perguntei, virando-me para Horikita.

Se nosso objetivo fosse lutar com nossas carteiras, como Classe A e Classe C, precisaríamos de uma enorme quantidade de pontos para recrutar um número significativo de alunos. Mas, se focássemos apenas em conseguir alguns alunos, o suficiente para impedir que alguém fosse expulso, nossos custos seriam reduzidos proporcionalmente.

— É verdade… Suponho que, se realmente ficarmos sem opções, não teremos escolha a não ser seguir por esse caminho. Mas relações criadas usando Pontos Privados só podem ser mantidas com Pontos Privados. Eu quero uma relação que vá além disso — disse Horikita, respondendo a mim.

Ela então se virou para olhar diretamente para Nanase.

— O que quer dizer com isso? — perguntou Nanase.

— Nossos níveis de série estão em campos de jogo diferentes. Alunos do primeiro ano não correm risco de expulsão, então vocês estão em posição melhor que nós. Mas essa dinâmica não vai durar para sempre. O dia virá em que vocês terão que enfrentar uma batalha correndo risco de expulsão, e não será tão distante. Se vocês só estabelecerem relações baseadas em pontos, o que acham que vai acontecer quando chegar a hora de pagar e não houver mais pontos? — perguntou Horikita.

Alguns alunos ainda poderiam se salvar, mas não seria surpresa se muitos não conseguissem.

— É exatamente por isso que quero estabelecer uma parceria igualitária, e não uma dinâmica baseada em pontos. E quero construir confiança. O tipo especial de confiança que vem do fato de sermos de séries diferentes — acrescentou Horikita.

Ela estava basicamente dizendo que, ao agir dessa forma, estabelecendo esse tipo de parceria, poderíamos discutir as coisas como iguais quando surgissem problemas na classe de Nanase. Em resumo, uma estratégia que valorizava a confiança, assim como Ichinose fazia. A principal diferença entre nós e Ichinose, porém, era que estávamos nos concentrando exclusivamente na Classe 1-D, enquanto ela ajudava alunos de todas as classes. Ao invés de tentar agradar a todos, Horikita focalizou a Classe 1-D, querendo estabelecer uma colaboração com eles.

Já estávamos no quarto dia do período do exame especial. Não podíamos perder mais tempo. Nanase devia ter percebido o quanto Horikita era determinada. Mesmo assim, sua expressão escura não se iluminou.

— Entendo muito bem o que você está tentando dizer. Mas não acho que meus colegas compreendam da mesma forma. Muitos dos calouros estão correndo freneticamente para acumular Pontos Privados. Para eles, fazer parceria com alguém de graça seria uma perda, simples assim — disse Nanase.

A única forma de eles entenderem seria com o tempo, à medida que aprendessem como o sistema da escola funcionava.

— No momento, há dois grandes obstáculos para fazermos parceria com sua classe, pelo que você nos disse. Precisamos convencer Housen-kun e persuadir os alunos que querem pontos. Bem, suponho que o segundo ponto possa se aplicar a alunos de qualquer classe, não apenas a sua, mas…

Era verdade que, ao menos superficialmente, os obstáculos tornavam parecer que não era particularmente vantajoso se unir à classe deles. Um desses obstáculos, em especial, era lidar com Housen. Mas isso não era inteiramente verdade. Perguntei-me se Horikita estava ciente disso.

— Permita-me discutir as coisas com Housen-kun — propôs Horikita, decidida de que seria impossível prosseguir sem ele.

— Sim, suponho que seja razoável… Se vamos tentar estabelecer uma parceria igualitária, não podemos evitar falar com ele — disse Nanase.

— Se estiver tudo bem para você, estou pronta para encontrá-lo imediatamente — disse Horikita.

— Entendo. Vou tentar chamá-lo — respondeu Nanase.

Ela pegou o celular e se dirigiu à saída da biblioteca.

— Parece que o controle de Housen-kun vai ainda mais longe do que eu imaginava — disse Horikita.

— Parece que sim — respondi.

— Minha ideia de fazer parceria com a Classe 1-D não está… errada, certo? — perguntou Horikita.

— Olhar para o futuro e tentar construir uma relação com eles não é uma má estratégia — disse eu. — Se fosse, diria que é até um pré-requisito para o que precisamos fazer. Sakayanagi e Ryuen tentam comprar a confiança dos calouros habilidosos usando a reputação de suas classes ou pontos. Ichinose não tem pontos, mas também trabalha para ganhar confiança ajudando os necessitados. Você está fazendo algo parecido, mas focada em construir uma relação com apenas uma classe específica. Certo? É a mesma coisa, só que com métodos diferentes e em outra forma. Você já está se tornando uma líder capaz de competir com aqueles três.

Horikita assentiu após ouvir o que eu disse. Agora só precisávamos ver como ela lidaria com as negociações. Enquanto esperávamos, vi Nanase nos acenando, aproximando-se da saída e se inclinando em cumprimento.

— Será que aconteceu alguma coisa? — disse Horikita.

— Vamos lá descobrir.

Saímos da biblioteca e nos juntamos a Nanase.

— Desculpem-me, senpai. Hum, bem… Housen-kun está na linha — disse Nanase.

Ela passou o telefone para Horikita. Estava no mudo. Horikita o pegou, ativou o viva-voz e começou a conversa com Housen.

— Desculpe por fazer vocês esperarem — disse Horikita.

— E aí. Ouvi um pouco pela Nanase — respondeu Housen.

— Se possível, eu gostaria que nos encontrássemos pessoalmente para que eu pudesse explicar minha proposta diretamente — disse Horikita.

— Não precisa. Nem adianta marcar encontro — respondeu Housen, rindo.

— Então, isso… significa que você não está disposto a negociar?

— Exatamente o que significa. Nem valia a pena falar com você pelo telefone, mas Nanase não quis deixar passar.

— Housen-kun, acho que seria uma boa ideia considerar a oferta dela — disse Nanase.

— Cala a boca! Que direito você tem de falar comigo assim, hein? HEIN? Eu te mato!

— Não tenho intenção de deixar você me matar. Por favor, encontre-se com Horikita-senpai pelo menos uma vez — disse Nanase.

— Se não conseguir reunir pontos suficientes, então não me procure de novo.

Nanase tentou continuar a conversa, mas Housen desligou rapidamente. Ela ligou de volta imediatamente, mas, não importa quantas vezes tentasse, ele não atendia.

— Me desculpem! — gritou Nanase, pedindo desculpas a Horikita e a mim, curvando-se o máximo que podia.

Não era como se ela tivesse feito algo de errado.

— Vamos, levante a cabeça. Meus planos e os de Housen-kun são completamente diferentes. Estava claro que as coisas não seriam tão fáceis. Estou muito grata por você ter se esforçado tanto para nos ajudar — disse Horikita.

— Não foi nada demais… — respondeu Nanase, timidamente.

— Acho que por hoje é só isso. Agora precisamos pensar em um jeito de fazer Housen-kun falar conosco. Mas quero tentar resolver isso até o fim da semana — disse Horikita.

Se isso se arrastasse, ela teria que começar a olhar além da Classe 1-D. Ainda assim, eu esperava que não fosse necessário. Seria um trabalho extremamente cansativo tentar recrutar alunos das outras três classes, que já estavam bem escolhidos.

— Fico muito feliz em saber que você ainda não desistiu, Horikita-senpai. Mas… — Nanase ficou em silêncio, engolindo as palavras que ia dizer. Provavelmente ela ia nos avisar de que nunca conseguiríamos formar uma parceria de verdade com Housen, mas decidiu que seria o fim se realmente falasse isso.

— Pelo menos conseguimos transmitir a Housen-kun o que eu quero fazer. Isso já é suficiente por enquanto.

Mesmo com o tempo e a paciência se esgotando, Horikita ainda falava de forma encorajadora com sua kouhai. Ela então sugeriu que todos voltássemos juntos para os dormitórios, mas Nanase aparentemente tinha outro compromisso, então foi embora, dizendo que gostaria de nos encontrar novamente na biblioteca amanhã. Talvez ela fosse se encontrar com Housen.

— Vamos voltar. Ainda tenho um cronograma cheio pela frente hoje — disse Horikita.

Pelo que parecia, ela iria fazer uma sessão de estudos com Sudou e mais algumas pessoas depois de voltar para seu quarto.

— Ah, e acho que gostaria de saber mais sobre sua situação de parceiro agora, se possível. Se você vai procurar um parceiro por conta própria ou se pretende me deixar cuidar disso. Pode influenciar as coisas depois — disse Horikita.

Se fôssemos iniciar negociações com Housen, eu tinha certeza de que provavelmente precisaríamos ajustar o número específico de pessoas envolvidas.

— Tem alguém com quem acho que posso trabalhar — respondi.

— Quer dizer que você já tem uma pessoa específica em mente, e não está apenas olhando para o ranking acadêmico? Quem? — perguntou Horikita.

— Isso é um segredo — respondi.

— Um segredo…? O que você tem a esconder de mim?

— Eu só arranhei a superfície do que essa pessoa é, ainda não sei nada além disso.

— Isso é realmente um problema tão grande? Todos nós temos que nos esforçar e fazer o melhor para nos ajudar, certo? — disse Horikita.

— É, acho que sim. Achei que ficaria mais claro para mim hoje, mas… Bem, acho que vou saber até o fim da semana, no máximo.

— Suponho que tudo bem, mas… não sei o quanto posso te ajudar, mesmo que você venha chorando para mim na última hora, sabe.

— Vou lembrar disso. Ah, mais importante, esqueci de perguntar antes. Você está se sentindo bem? — perguntei.

— Você está preocupado comigo?

— Provavelmente não preciso me preocupar com seus níveis de energia agora, mas ainda faltam vários dias para o exame especial — disse eu.

Se ela ficasse tonta ou exausta na reta final, poderia afetar seu desempenho no dia do teste. Além das sessões de estudo diárias, ela também havia gasto bastante tempo se preparando para o desafio de culinária do Amasawa na noite de terça-feira. Estava óbvio que a fadiga estava se acumulando.

— É verdade que posso ficar exausta na reta final. Mas não tenho tempo para descansar agora. Não pretendo desabar até que o exame especial termine — disse Horikita.

Mais do que apenas tentar parecer dura, ela começava a mostrar a mentalidade de alguém que sabia que estava liderando sua classe em batalha. Yousuke e Kushida já estavam ajudando. Não precisavam de apresentação. Mas até outros alunos com alto nível acadêmico, como Keisei e Mii-chan, ofereceram ajuda a Horikita de imediato desta vez. Então ela decidiu seguir adiante com seu plano, baseado na premissa de trabalhar com a Classe 1-D agora e no futuro.

Se um líder agisse sem pensar, ou demorasse a tomar decisões, só poderia impactar negativamente aqueles que liderava. Nessa corrida contra o tempo, a velocidade com que resolvêssemos as coisas era crucial para nossa classe.

*

 

ESTAVA UM POUCO FRIO naquela noite. Eu estava na cozinha, preparando algo com a grande quantidade de mantimentos que fui forçado a comprar outro dia. Desta vez, é claro, eu estava usando receitas e vídeos como guia enquanto cozinhava. Queria experimentar por mim mesmo o tom yum goong que havia feito para Amasawa. O nome do prato, tom yum goong, era a combinação de três palavras tailandesas que significam "ferver", "misturar" e "camarão".

— Tem um sabor único, mas não é ruim — comentei em voz alta.

A forma como o picante e o azedo preenchiam minha boca, e como o aroma subia pelo nariz, realmente fazia parecer um prato que agradaria quem gosta desse tipo de sabor e sensação. Depois de terminar de limpar tudo, liguei o exaustor para me livrar do cheiro que havia tomado o ambiente. Mesmo com o barulho abafando outros sons, acabei percebendo meu celular vibrando na cama. Pensei em ignorar e retornar depois, mas como não parava de tocar, fui atender.

— Demorou pra atender, hein — disse a pessoa do outro lado da linha.

Era Kei. Era a primeira vez que eu recebia uma ligação dela em vários dias, desde que o exame especial começou. E a primeira coisa que ela disse foi uma reclamação.

— Não foi você quem mandou eu te ligar nesse horário? Se liga — acrescentou Kei.

— Foi mal. Então, você viu aquilo que te pedi pra investigar hoje de manhã?

— Só estou te ligando porque fiz um ótimo trabalho. Você não acha que devia estar sendo mais grato comigo?

— Eu estou grato. E então?

— Não parece nem um pouco… mas tudo bem. Enfim, segundo o atendente, só uma unidade foi vendida desde abril deste ano. Parece que quase não vende, comparado a coisas parecidas, e eles têm sorte se vendem uma ou duas por ano. Ah, mas olha só: teve um calouro que tentou comprar uma — disse Kei.

Eu já sabia exatamente quem tinha comprado uma. Então me interessava mais saber sobre esse aluno que tentou comprar.

— Quando você diz que "tentou" comprar, quer dizer que no fim não comprou, certo?

Não havia como alguém ser incapaz de comprar aquele produto, a menos que tivesse feito algo absurdo, como gastar todos os pontos logo ao entrar na escola. E, sendo um dos novos alunos deste ano, era difícil imaginar alguém fazendo algo tão imprudente.

— Então, eu perguntei ao atendente. Aparentemente, bem na hora de pagar, alguém apareceu e disse pra ele não comprar, pra devolver. E o aluno que tentou comprar era—

Enquanto ouvia Kei dar detalhes sobre esse aluno, analisei a situação na minha mente. Era um pouco… na verdade, era bem diferente do que eu havia imaginado. Nunca esperei que aquela pessoa estivesse envolvida nisso.

— Sabemos quem fez esse aluno desistir da compra? — perguntei.

— Não. O atendente não sabia quem era. Só disse que parecia ser uma garota — respondeu Kei.

Os alunos mostram o I.D. ao fazer compras, então o atendente saberia quem tentou comprar. Mas não teria como saber quem interferiu.

— Minha informação foi útil? — perguntou Kei.

— Foi. Muito mais útil do que eu imaginei.

— Hehe. Claro, eu sou competente. Você precisa demonstrar mais gratidão por isso. Mas por que me fez investigar algo assim? Eu realmente não entendo — disse Kei.

— Nem eu.

— Hã?

Eu achava que isso me ajudaria a entender o comportamento incompreensível dessa pessoa, mas o resultado foi além do que imaginei. Na verdade, foi tão diferente que me fez questionar se isso era sequer relevante.

— Ah, falando nisso, ouvi dizer que você já conseguiu um parceiro pro exame — comentei.

— Ah, sim. Shimazaki-san, da Classe 1-B, acho que era esse o nome. Sinto que a Kushida-san realmente salvou minha pele — disse Kei.

Como já resolvemos o assunto principal, decidi mudar de tema.

— Não acho que seu parceiro seja ruim nem nada, mas você está indo bem nos estudos, Kei?

— Ah, bem… como posso dizer…? Eu estava pensando em começar na última hora, talvez…

Eu sabia. Como não tinha ouvido nada sobre ela participar de grupos de estudo, já imaginava isso.

— Esse exame não é algo que você consiga passar sozinha, sabia? Kei, sua nota é D+. Se não levar em conta que você não está em uma boa posição, pode acabar se dando muito mal — avisei.

— Eu sei, eu sei. É só que… sei lá, não sinto motivação pra nada… E se eu for pro grupo de estudo, você não vai estar lá, Kiyotaka — disse Kei.

— O quê? Então você está dizendo que estudaria se eu estivesse lá?

— Sim, e daí? Eu me esforçaria na frente do meu namorado — disse Kei.

Não sabia se isso era verdade, mas, se fosse, havia uma solução simples.

— Nesse caso… certo. Que tal você vir ao meu quarto amanhã por volta das seis?

Considerando que teríamos uma reunião com Nanase depois da aula, ainda sobraria bastante tempo.

— Posso ir ficar com você?! — exclamou ela.

— Não vamos "ficar juntos". Vamos estudar — respondi.

— Hã?

Não vem com "hã".

— Vou te ajudar a estudar. Isso deve te dar um pouco de motivação, certo?

Primeiro, eu precisava ter uma noção concreta do nível real de habilidade da Kei. Depois, se percebesse que ela estava em um nível que exigia sessões extras de estudo, teria que incentivá-la firmemente a participar.

— Você está preocupado porque ficaria triste se sua namorada fosse expulsa, não é? — disse Kei de repente, animada, como se achasse que tinha vantagem sobre mim.

Eu poderia ter respondido de forma provocativa ou sarcástica, mas Kei provavelmente ficaria mais motivada se eu dissesse que estava preocupado.

— Claro que estou preocupado. Se a garota com quem acabei de começar a namorar fosse expulsa, isso não me deixaria feliz — respondi.

— E-Eu entendo… Quer dizer, claro, né?! Bem, nesse caso, acho que não tenho escolha, tenho? Eu até tinha um monte de coisas planejadas, mas vou fazer uma aparição especial, só por você — disse Kei.

Não era exatamente a resposta mais sincera que eu poderia ter dado, mas era um pequeno preço a pagar para fazê-la avançar.

— O que eu devo levar? — ela perguntou.

— Tudo que você precisa já está aqui no meu quarto. Desde que não se atrase, não precisamos de mais nada — respondi.

— Tá bom — disse Kei.

— Certo, vou desligar agora.

— E-Espera! Espera aí! A gente só falou sobre o exame e estudos e essas coisas! — reclamou Kei.

Aparentemente, ela queria conversar sobre algo não relacionado a isso.

— É, acho que você tem razão.

— Nossa, você é mesmo complicado — disse Kei.

Por um tempo depois disso, paramos de falar sobre o exame ou estudos. Em vez disso, ela continuou me enchendo de críticas.

*

 

NA SEXTA-FEIRA, o quinto dia do período do exame, oitenta e uma parcerias haviam sido confirmadas. Isso significava que um pouco mais da metade dos alunos já tinha encontrado parceiros, incluindo cada vez mais estudantes da Classe 2-D.

O mesmo valia para aqueles próximos a mim. Ontem, Kei havia conseguido um parceiro. E agora Airi e Haruka, do Grupo Ayanokoji, também haviam confirmado suas parcerias.

A força motriz por trás dessas parcerias era Kushida. Ela trabalhou junto com seu kouhai do ensino fundamental, Yagami, para apresentar alguns alunos da nossa classe a estudantes da Classe 1-B. Isso foi um grande avanço. No entanto, não resolveu todos os nossos problemas. Embora Yagami estivesse ganhando destaque em sua classe, ele não parecia ter intenção de assumir um papel de liderança, cooperando com Kushida apenas como indivíduo. Não era como se ele pudesse nos fornecer alunos suficientes para cobrir todos da nossa classe que estavam em dificuldade.

Yagami tinha apenas uma condição para cooperar: que fosse parceiro de Kushida. Isso aparentemente se concretizou ontem, como mostrado na atualização do OAA. Fazer Kushida formar dupla com Yagami basicamente consumiu uma das nossas alunas mais competentes academicamente, mas Horikita não parecia insatisfeita com a troca, considerando o apoio que conseguimos em troca.

Ainda havia vários alunos capazes em nossa classe, incluindo a própria Horikita, Yousuke, Keisei, Mii-chan, Matsushita e outros. De qualquer forma, só porque um aluno já havia escolhido um parceiro não significava que podia relaxar. Era preciso estudar bastante. Isso era inevitável. Se fosse para dizer algo, a competição realmente começava depois que você encontrava um parceiro.

Mesmo sem falar muito com ninguém, eu conseguia sentir um senso de união na classe, com todos trabalhando juntos. Isso era possível justamente porque éramos amigos que já haviam passado por muitas coisas juntos ao longo de um ano. E, no meio de tudo isso…

Um dos alunos se levantou, tentando sair da sala. Então Horikita, como se estivesse esperando o momento certo, se aproximou e o chamou.

— Parece que você ainda não encontrou um parceiro, Koenji-kun.

— E o que tem isso? — respondeu Koenji.

Era uma intervenção de Horikita dirigida à única pessoa que não contribuía para o espírito de união da classe.

— Só pensei em conversar com você, como colega de classe, para ver como estão as coisas. Então, como está a situação? — perguntou Horikita.

Normalmente, até os alunos mais independentes acabavam deixando escapar o que estavam fazendo ao conversar com outros. Mas, como Koenji não dizia absolutamente nada, não havia como saber o que se passava com ele.

— Você é inteligente. Nunca chegou a considerar a possibilidade de ser expulso, chegou? — disse Horikita.

— Claro que não.

— É, imaginei. Mesmo se você fosse parceiro de um aluno com notas como as do Ike-kun, ainda assim conseguiria algo próximo de quatrocentos pontos com facilidade. Acho que estaria seguro — disse Horikita.

Em geral, seria natural considerar Koenji como um dos maiores trunfos da classe, já que ele era um aluno inteligente. Provavelmente era esse o motivo de Horikita abordá-lo assim, mas ainda assim…

— Fufufu. O que estou dizendo é que não pretendo fazer absolutamente nada neste exame especial. O importante é que quem for meu parceiro consiga ao menos cento e cinquenta pontos na prova. Desde que esse requisito mínimo seja atendido, será extremamente fácil para mim alcançar uma pontuação suficiente para passar — respondeu Koenji.

De acordo com o que Chabashira nos disse, todos deveriam conseguir ao menos cento e cinquenta pontos neste exame. Então, a menos que você formasse dupla com algum "assassino da Sala Branca", era improvável ter que se preocupar com seu parceiro tirando zero, como pode acontecer comigo.

Ainda assim, você precisava confiar no parceiro. E, por mais que procurasse, dificilmente encontraria um aluno capaz de afirmar com cem por cento de certeza que atingiria uma pontuação específica. Tanto alunos do primeiro quanto do segundo ano precisavam partir do pressuposto de que seus parceiros alcançariam pelo menos cento e cinquenta pontos. Era uma certeza de noventa e nove vírgula nove por cento, no máximo.

Para aproximar isso o máximo possível de cem por cento, a escola havia implementado uma regra: alunos que tirassem notas muito abaixo do esperado para seu nível acadêmico seriam expulsos. Por causa disso, Koenji podia se dar ao luxo de estar confiante. O que significava que ele não precisava se esforçar para conversar com ninguém ou construir relações.

— Quer dizer que você está bem com qualquer parceiro? Nesse caso, por que não me deixa escolher seu parceiro por você? Eu entendo que você acha que estará seguro de qualquer forma, mas imagino que preferiria evitar uma penalidade de cinco por cento — disse Horikita.

Era uma proposta bastante simples. Ela estava oferecendo cuidar de tudo por ele — algo que, em essência, só traria benefícios.

— Sim, de fato, é como você diz. No entanto, devo recusar sua proposta — disse Koenji.

— Por quê? Posso perguntar o motivo? — disse Horikita.

— Porque eu sou quem eu sou.

Em outras palavras, ele simplesmente não gostava da ideia de ser usado para a conveniência de Horikita. Independentemente da situação, Koenji era Koenji. Se eu algum dia precisasse contar com ele para vencer, provavelmente pensaria que deveria ter escolhido outra estratégia desde o início para evitar chegar a esse ponto.

— Satisfeita? — perguntou Koenji.

Depois de ouvir a resposta dele, Horikita não pôde insistir mais. Koenji não era o tipo de pessoa que cederia, mesmo sob pressão. Seria perda de tempo.

— Sim, por enquanto. Mas você não pode continuar assim para sempre. Quando a classe precisar se unir, vamos precisar da sua cooperação — disse Horikita.

Ela não estava falando deste exame específico. Horikita estava pensando no futuro. Parecia querer deixar algo registrado para ele considerar.

— Bem, eu entendo por que você gostaria de contar com alguém tão perfeito quanto eu, mas não acho que possa lhe dar qualquer conselho — disse Koenji.

E então ele saiu, como se não tivesse interesse em ouvir mais nada, indo para algum lugar desconhecido, como sempre.

— O Koenji é realmente impossível, né — comentei com Horikita, dando minha opinião quase sem pensar.

— O que me irrita é que, se ele levasse isso a sério, nossa classe seria muito mais forte — disse Horikita.

Poucas coisas eram tão frustrantes quanto ter uma arma secreta que não podia ser usada. Era justamente por ter expectativas nele que ela sentia frustração quando tudo terminava assim.

— Se eu estivesse no seu lugar, nem teria contado com ele desde o início — falei.

Talvez fosse mais fácil passar a tratá-lo como um caso à parte e pronto.

— Eu não vou desistir — disse Horikita.

— Entendo…

Eu temia que ela acabasse apenas perdendo tempo e andando em círculos, mas, ainda assim, era bom ver que estava motivada.

*

 

ASSIM QUE ENTREI na biblioteca naquele fim de semana, percebi que o ambiente estava diferente do outro dia. Muitos alunos, tanto do primeiro quanto do segundo ano, haviam se reunido ali. A maioria tinha tablets e cadernos abertos à frente, participando de algo que parecia uma sessão de estudos.

Parecia que muitos estavam começando a agir, tomando as medidas necessárias, em vez de relaxar após encontrar um parceiro. Lembrei vagamente que, cerca de um ano atrás, também tivemos uma sessão de estudos na biblioteca.

— Isso pode ser um problema. Com tanta gente, podemos acabar chamando atenção desnecessária — disse Horikita.

— Nesse caso, é melhor tentarmos nos misturar.

Felizmente, os assentos que usamos no fundo da biblioteca no dia anterior ainda estavam livres. Como não seria estranho se já estivessem ocupados, direcionei meu olhar para uma parte específica da sala. Logo depois, vi Hiyori acenando para mim com um sorriso gentil.

— Achei que vocês poderiam vir hoje, Ayanokoji-kun, então pedi especialmente para reservarem esses lugares para vocês — disse Hiyori.

— Isso não causou problema? — perguntei.

— Bem, seria diferente se a biblioteca estivesse lotada, mas não há com o que se preocupar — disse Hiyori.

A biblioteca era espaçosa, então ainda havia bastante lugar. Mesmo assim, foi um gesto gentil da parte dela.

— Por favor, fiquem o tempo que precisarem — disse Hiyori.

Ela aparentemente não pretendia ficar muito tempo, pois saiu logo depois.

— Ela realmente é muito gentil, não é? Será que ouviu nossa conversa outro dia? — perguntou Horikita.

— Difícil dizer. Pela distância, acho que seria complicado ela ter escutado.

Como os assentos haviam sido reservados para nós, sentamos no mesmo lugar de antes. Pegamos nossos materiais e fingimos estar ali para estudar. No entanto, por mais que esperássemos, Nanase não aparecia.

— Nanase-san está atrasada — disse Horikita.

Tínhamos combinado de nos encontrar às quatro e meia da tarde, logo após as aulas. Mas já passava das cinco. Mandamos várias mensagens, mas não havia sinal de que ela tivesse lido. Talvez fosse melhor irmos procurá-la, mas isso era difícil, já que não sabíamos onde ela estava.

— Devemos dar uma olhada nas salas do primeiro ano por enquanto…? — sugeriu Horikita.

Quando estávamos prestes a fazer isso, Nanase apareceu, visivelmente apressada. Ao nos ver, se aproximou ofegante.

— D-Desculpem! Fiz vocês esperarem tanto e…! — disse Nanase, sem fôlego.

— Está tudo bem. Só ficamos preocupados se algo tinha acontecido — disse Horikita.

— Eu estava negociando com Housen-kun, tentando ver se conseguia trazê-lo comigo de alguma forma — disse Nanase.

— Entendo… Parece que não conseguiu, infelizmente.

Não havia sinal de mais ninguém entrando na biblioteca.

— Mesmo assim, ele não tentou impedir você de vir falar conosco hoje? — perguntou Horikita.

— Não. Provavelmente porque ele acredita que nada pode ser decidido sem ele — disse Nanase.

Por mais que Nanase tentasse agir por conta própria, a palavra final era de Housen. Se ele tinha tanta confiança nisso, não havia motivo para impedi-la ou adverti-la toda vez que ela tomasse alguma iniciativa.

— Parece que não temos escolha a não ser forçar um encontro com ele, afinal — disse Horikita.

— Mas…

— Eu sei que não vamos resolver isso facilmente. Mas, se não tentarmos discutir cara a cara, nunca chegaremos a nenhum tipo de acordo — disse Horikita.

A conversa de hoje certamente não era algo que ela gostaria de conduzir de forma precipitada.

— Sim, você está certa… mas, bem… — disse Nanase, hesitando.

Ela parecia indecisa sobre o que dizer, mas logo se decidiu e voltou a falar.

— Horikita-senpai, você quer estabelecer uma relação de cooperação com a nossa classe, custe o que custar. Estou errada? — disse Nanase.

— De forma alguma. Você está absolutamente certa.

— Nesse caso… poderia ouvir a minha proposta?

Nanase parecia ter pensado em algo por conta própria.

— Está claro que, mesmo que você proponha ao Housen-kun uma parceria justa e igualitária, ele recusará sem pensar duas vezes. Acredito que isso aconteceria mesmo que vocês se encontrassem pessoalmente, Horikita-senpai. Sendo assim… que tal negociarmos em segredo? — disse Nanase.

— Negociar com você, Nanase-san? Mas seus colegas não aceitariam nossos planos sem o envolvimento do Housen-kun, aceitariam? — disse Horikita.

— Você tem razão. No entanto, isso só acontece porque eu ainda não me apresentei como líder — disse Nanase, fazendo uma proposta inesperada. — Decidi que não podemos continuar seguindo os métodos do Housen-kun. Mesmo sendo uma medida desesperada, espero me tornar a líder da classe antes que as ideias perigosas dele se espalhem demais. E, para isso, gostaria de estabelecer uma relação com a sua classe, Horikita-senpai.

Horikita não esperava algo assim. Nem eu. Nanase Tsubasa pretendia se tornar a líder da Classe 1-D, derrubando Housen. Se esse plano desse certo, o objetivo de Horikita de formar uma parceria colaborativa se tornaria realidade rapidamente.

— Ainda não temos informações suficientes para dizer se você ou o Housen-kun seria o melhor líder, Nanase-san. Mas uma coisa eu posso afirmar: não temos muito tempo — disse Horikita.

O período do exame especial já estava chegando ao fim. Não havia tempo para uma disputa de liderança.

— Muitos colegas não concordam com a forma como Housen-kun faz as coisas. Na verdade, depois de conversar com alguns deles — como fizemos ontem e hoje — consegui que sete alunos aceitassem me ajudar — disse Nanase.

— E você tem certeza de que não são apenas alunos com baixo desempenho acadêmico? — perguntou Horikita.

— Sim. Há cerca de três alunos com nível B- ou superior dispostos a negociar — disse Nanase.

— Entendo….

Horikita pensou por um momento. Três não era ideal, mas se conseguíssemos mais alguns, talvez não fosse uma má ideia avançar com essa parceria tendo Nanase como ponto central.

— Não vai ser problemático para nós se o Housen-kun descobrir isso? — perguntou Horikita.

— Haveria problemas, sem dúvida. Por isso, precisamos manter tudo em segredo até o dia anterior ao prazo final de escolha dos parceiros. Se enviarmos os pedidos no último momento, ele não perceberá nada — disse Nanase.

— Mas isso não dificultaria conquistar os alunos mais capacitados da sua classe? — perguntou Horikita.

Esses alunos ainda desejariam Pontos Privados.

— Nós podemos compensar isso. Os alunos da minha classe com dificuldades acadêmicas serão salvos graças a vocês, evitando a penalidade de três meses. Por isso, podemos fornecer pontos. Mesmo que sejam necessários duzentos mil pontos para garantir a cooperação dos melhores alunos, conseguiremos cobrir isso. Não chegaremos aos quinhentos mil que Housen-kun exige, mas ainda assim será aceitável — disse Nanase.

Ou seja, eles mesmos resolveriam o problema internamente. Em vez de usarmos nossos próprios pontos, os alunos com pior desempenho da Classe 1-D estariam, na prática, financiando a cooperação dos mais capazes.

— Dessa forma, não causaremos problemas para você nem para sua classe, Horikita-senpai. Claro, Housen-kun ficará furioso quando descobrir, mas assumirei total responsabilidade para garantir que ninguém que colaborou comigo seja prejudicado. O que acha? — perguntou Nanase.

— Isso é… Mesmo dizendo que assumirá tudo como líder, não acha que está colocando um peso grande demais sobre si mesma? — disse Horikita.

— Está tudo bem. Não quero perder essa oportunidade, nem perder sua confiança, Horikita-senpai, depois de você ter me estendido a mão.

Para Nanase, esse era um preço pequeno a pagar para salvar seus colegas.

— Além disso, mesmo que minha classe não me reconheça como líder, ainda posso salvar a sua classe neste exame especial, Horikita-senpai.

Considerando apenas os benefícios imediatos, a proposta dela não era ruim. Restava saber como Horikita responderia.

— Há algo que ficou muito claro para mim agora: eu quero formar uma parceria real com a sua classe — disse Horikita.

— Nesse caso, você concorda com a minha proposta? — perguntou Nanase.

— Não. Receio que não posso aceitá-la.

— Mas não há outra maneira…

— Todos os problemas da sua classe serão resolvidos se trouxermos Housen-kun para o nosso lado. Você não quer realmente se tornar líder. Você só não gosta da forma como ele faz as coisas. Não é isso? Nesse caso, se Housen-kun aceitar fazer isso sem pagamento, muitos outros alunos também o apoiarão, certo? — disse Horikita.

— Bem… sim, acho que sim. Certamente — respondeu Nanase.

— Além disso, se você e o Housen-kun entrarem em conflito, há a possibilidade de sua classe acabar se dividindo em duas, em vez de se unir como uma só. Não podemos permitir que isso aconteça. Então, que tal me deixar ajudá-la a fazê-lo mudar de ideia? — disse Horikita.

Aparentemente, essa conversa com Nanase também fez Horikita perceber algo: se conseguissem trazer Housen para o lado deles, o restante dos problemas se resolveria.

— É uma aposta arriscada. Se falhar, talvez nossas classes nunca mais consigam colaborar no futuro — disse Nanase.

— Estou preparada para isso… Bem, não, isso não está exatamente certo. Eu acredito que é totalmente possível trabalharmos juntas. E não sou só eu. Tenho certeza de que o Housen-kun também pensa assim — disse Horikita.

— Mesmo depois da forma rude como ele falou com você ao telefone? — disse Nanase.

— Vou encarar isso como alguém se fazendo de difícil. Pelo menos por enquanto.

Nanase pareceu entender o que Horikita queria dizer e rapidamente concordou.

— Vejo que foi a decisão certa ter vindo encontrá-los hoje, Horikita-senpai, Ayanokoji-senpai. Ao que parece, meu palpite não estava errado.

— Como assim? Eu rejeitei sua proposta, não foi? — disse Horikita.

— Não, não rejeitou. Na verdade, você e eu pensamos da mesma forma desde o início, Horikita-senpai — disse Nanase.

— Espere… Quer dizer que você também estava pensando em tentar persuadi-lo? — perguntou Horikita.

— Exatamente — respondeu Nanase.

Ao que tudo indicava, a ideia que Nanase havia apresentado — de se tornar líder — era completamente inventada. Era um teste. Se Horikita tivesse ignorado o futuro da Classe 1-D em troca de benefícios imediatos para sua própria classe, aceitando a proposta, Nanase provavelmente teria recusado ajudá-los depois.

— Como você mesma disse antes, não temos tempo, Horikita-senpai. Não podemos avançar sem reunir todos para negociar, mesmo que precisemos ser um pouco mais firmes. Poderia me permitir organizar esse encontro? Vou garantir que o Housen-kun venha falar com você depois de amanhã, no domingo — disse Nanase.

Desta vez não parecia um teste, considerando que ela se curvava profundamente ao pedir ajuda. Se o encontro acontecesse no domingo, significaria que teríamos ainda menos tempo disponível.

Horikita voltou o olhar para mim, buscando confirmação. Achando que valia a pena correr esse risco, assenti com a cabeça. A hesitação nos olhos dela desapareceu.

— Eu acredito em você. Ficarei aguardando você e o Housen-kun depois de amanhã, no domingo — disse Horikita.

— Sim… Com certeza. No entanto, gostaríamos de evitar um local público. Dependendo de como as coisas se desenrolem, há uma boa chance de que o Housen-kun aja de forma imprevisível — disse Nanase.

— Entendo. Nesse caso, um karaokê pode ser um bom lugar para nos encontrarmos. Também não me importo de ser à noite, se o Housen-kun preferir — disse Horikita.

De fato, um encontro tarde da noite num domingo reduziria bastante o risco de sermos vistos.

— Entendido. Vou avisá-lo — disse Nanase.

Assim que a conversa começou a tomar forma, o celular de Horikita tocou. Ela olhou a mensagem e suspirou.

— O que foi? — perguntei.

— É hora do grupo de estudos. Parece que estão com pouca gente sem mim lá — disse Horikita.

Já eram cinco e meia sem que eu tivesse percebido.

— Acho que já terminamos por aqui. Pode cuidar do resto? — perguntou Horikita.

— Claro.

Horikita fez uma breve reverência educada para Nanase, pegou suas coisas e foi ao encontro dos colegas para o grupo de estudos. Para apoiar toda a classe, ela precisava se desdobrar em várias tarefas.

— Ela é realmente muito ocupada, não é? Digo, a Horikita-senpai — comentou Nanase.

— É assim que é manter uma classe unida — respondi.

— Espero conseguir me tornar alguém tão impressionante quanto ela daqui a um ano…

— A Horikita não perguntou, mas fiquei curioso… como você pretende convencer o Housen a vir? — perguntei.

— Bem… posso responder isso, Ayanokoji-senpai, mas antes gostaria que você me dissesse algo sobre você.

— Algo sobre mim?

O sol começava a se pôr lá fora, tingindo o mundo de um laranja intenso.

— A Horikita-senpai é a líder da classe. Mas você é diferente, não é, Ayanokoji-senpai? — perguntou Nanase.

Entendi. Ao que parecia, Nanase não tinha certeza se eu era a pessoa certa para estar ali naquele momento. Se eu dissesse que só estava ali porque Horikita me obrigou a acompanhá-la, isso provavelmente teria o efeito contrário e faria Nanase se fechar.

— Senpai… que tipo de pessoa você é? — perguntou ela.

Quando não respondi, Nanase apoiou o braço sobre a mesa à sua frente, mostrando apenas o perfil do rosto. Parecia algum tipo de estratégia defensiva, para impedir que qualquer pessoa além de mim pudesse ler suas expressões ou o movimento de seus lábios.

— Pode me responder, por favor?

— Nanase, pelo jeito, o que você quer saber não é que tipo de relação eu tenho com a Horikita — respondi.

Ela estava perguntando algo completamente diferente. Queria saber que tipo de ser humano eu era.

— Isso mesmo. Eu acredito que você é uma pessoa má… repugnante, Ayanokoji-senpai. É isso que eu penso — disse Nanase.

Foram palavras fortes, carregadas de intensidade. Mas, apesar do conteúdo, Nanase me encarou sem hesitar, com uma honestidade quase excessiva. Sinceramente, eu não fazia ideia do que tinha feito para que ela me visse daquela forma.

Considerando todas as nossas interações até agora, ela só deveria ter informações superficiais sobre mim. Além disso, apesar das dificuldades que tenho em me relacionar com os outros, não me lembrava de já ter sido chamado de "maligno" antes.

Nanase Tsubasa poderia ser exatamente a pessoa que eu procurava. Alguém enviada pela Sala Branca.

Havia razões para pensar isso. Mesmo que a missão principal fosse me expulsar, não significava que fariam isso de forma mecânica. Ao contrário, se aproximariam de mim — Ayanokoji Kiyotaka — para me observar. Era o que eu acreditava.

Não bastaria apenas me expulsar. Eles também desejariam provar que eram superiores a mim. Bem, suponho que, se não fosse assim, ele nunca os aprovaria. Se eu estivesse no lugar deles, encarregado de expulsar Ayanokoji Kiyotaka, provavelmente pensaria da mesma forma.

Ainda assim, o que Nanase acabara de dizer parecia um pouco fora do padrão esperado para alguém que veio da Sala Branca, como eu.

— Quando converso com você assim, você parece uma pessoa normal, Ayanokoji-senpai — disse Nanase.

— Isso significa que normalmente você me vê como alguém que não é normal? — perguntei de volta.

— Não. Não é isso que eu quis dizer — respondeu ela.

Ela negou, mas fiquei me perguntando se não era isso que realmente pensava, no fundo. Já a havia encontrado quatro vezes, e em todas senti aquele olhar estranho vindo dela. Tive a sensação de que estava prestes a descobrir de que lado ela realmente estava… mas a oportunidade escapou rapidamente.

— Desculpe, mas, por favor, esqueça que falamos disso. O importante agora é saber se nossas classes podem cooperar — disse Nanase.

Nós dois nos levantamos e saímos da biblioteca. Quando estávamos prestes a nos separar, lembrei de algo que queria perguntar.

— Ah, falando nisso… quando mencionamos a perda de três meses de Pontos Privados, você disse que perderia apenas duzentos e quarenta mil. Por quê? — perguntei.

Ao ouvir a pergunta, a expressão de Nanase já não era mais a mesma de antes. Seu rosto havia voltado ao normal.

— Por quê? Eu apenas calculei que, se mantivermos os oitocentos Pontos de Classe que recebemos ao entrar na escola, isso resultaria em duzentos e quarenta mil pontos… — respondeu ela, parecendo confusa. Ao que tudo indicava, os novos alunos deste ano começaram em condições diferentes das nossas.

— No ano passado, nós recebemos um total de mil Pontos de Classe no início — expliquei.

— Hã? Então você quer dizer que recebemos duzentos pontos a menos?

— Exatamente. Fico me perguntando como estão as coisas para as Classes A e B do seu ano.

— Acho que eles também começaram com oitocentos pontos. Foi o que o professor Shiba nos explicou — disse Nanase.

Por que, então, não houve nenhum aviso oficial sobre isso? Imaginei que, ao descobrir que estavam recebendo menos Pontos de Classe do que os alunos dos anos anteriores, seria natural acharem isso injusto. Será que a escola simplesmente decidiu não se preocupar com isso, considerando que oitenta mil Pontos Privados já era bastante dinheiro?

Não… mesmo que fosse esse o caso, deveriam ter informado desde o início, em vez de esconder por descuido e correr o risco de os alunos descobrirem depois e reclamarem. Os alunos provavelmente teriam ficado mais satisfeitos se houvesse uma explicação prévia. Além disso, havia várias outras coisas que sabíamos que estavam diferentes em relação ao ano passado.

— Você sabe que o que faz todos os dias afeta os Pontos de Classe, certo? — eu disse.

O professor responsável pela Classe 1-D, Shiba-sensei, havia dito algo antes que me fez pensar que eles já sabiam disso. Ele comentou: "Tenho certeza de que as regras da escola já foram tão marteladas na cabeça de vocês que parece que vai explodir."

— Sim. Disseram-nos que "atrasos, faltas e conversas durante as aulas influenciam os Pontos de Classe" — respondeu Nanase.

Será que a escola havia reduzido a quantidade de Pontos de Classe concedidos justamente por ter explicado as regras aos novos alunos desde o início? Sabíamos que contribuição social era um fator importante no OAA, então, mesmo que fosse algo oculto, os alunos acabariam descobrindo.

Eu estava prestes a dizer que entendia e aceitava a resposta dela, quando percebi que Nanase ficou pensativa por um momento. Logo depois, surgiu em seu rosto uma expressão de quem havia tido uma ideia — mas apenas por um instante. Em seguida, desapareceu. Foi um gesto muito sutil. Só percebi porque a havia encontrado várias vezes nos últimos dias. Como Nanase não disse nada, decidi não insistir. Caminhamos juntos até a saída da biblioteca.

— Bem, então, senpai, com licença — disse Nanase.

Quando ela estava prestes a ir embora, chamei-a e a fiz parar.

— Nanase, isso não é exatamente um agradecimento por você ter me contado sobre os Pontos de Classe, mas… você já ouviu falar de algo chamado Pontos de Proteção? — perguntei.

— Pontos de Proteção? Não, nunca ouvi falar — respondeu ela.

— É um sistema no qual alunos que possuem esses pontos podem usá-los para se proteger de penalidades que normalmente resultariam em expulsão. Mas, como poucas pessoas do nosso ano têm isso, é compreensível que você não saiba — expliquei.

— Hum, entendo… Mas por que está me contando isso? — perguntou Nanase.

— Porque você me deu uma informação. Achei justo retribuir um pouco.

Depois disso, nos despedimos. Eu havia decidido testar as habilidades de Nanase. Queria ver se ela conseguiria fazer uso do que acabei de contar.

*

 

Embora tenha levado algum tempo para tudo se encaixar, ficou decidido que tentaríamos ter uma conversa com Housen — mesmo que à força — graças à cooperação dedicada de Nanase. A situação ainda era imprevisível, mas já era um avanço concreto.

Pouco antes das seis da tarde, a campainha do meu quarto tocou. Kei devia ter acabado de voltar do prédio da escola, pois ainda estava de uniforme.

— Sabe, tem muita gente indo e vindo nesse horário, então tive que tomar cuidado. Tipo, tive que usar as escadas e tudo mais — disse Kei.

Provavelmente não eram muitas as garotas que iam ao quarto de um garoto — e menos ainda as que ficavam por um longo período. Isso normalmente só acontecia quando estavam namorando.

— Certo, então vamos começar — eu disse.

— Hã?! Ah, qual é, a gente não vai fazer outra coisa antes? — reclamou Kei.

Ela nem tirou o material de estudo. Parecia que queria conversar. Mas o tempo era limitado. Quanto mais tarde ficasse, menos tempo teríamos para estudar.

— Se não houver problemas com seus estudos, podemos conversar o quanto quiser — respondi.

— Aff…

— Primeiro, precisamos descobrir no que você é boa e no que não é.

— E como você vai fazer isso? — perguntou Kei.

— Com isso aqui.

Peguei cinco folhas de prova. Keisei havia preparado para o nosso grupo, para identificar os pontos fortes e fracos de cada um. Eram extremamente úteis, considerando o tempo que levaria para montar algo assim do zero. Horikita e Yousuke também estavam usando esses testes em seus grupos.

— A maioria dos nossos colegas já fez esses testes — expliquei.

— Ah…

— Cada um tem limite de dez minutos. Pode começar.

— Tá bom…

Mesmo resmungando, Kei começou. Após cinquenta minutos, ela desabou sobre a mesa como se estivesse exausta.

— Ugh, estou morta…!

— Você se saiu bem. Então consegue se concentrar em provas normais, afinal.

— Ah, qual é… Eu estudei o dia inteiro hoje, cansa. Não dá pra simplesmente ligar um botão — resmungou. Enquanto ela reclamava, corrigi rapidamente as provas.

— Certo. Acho que já entendi bem o seu nível, Kei.

— C-Como eu fui? — perguntou ela.

Ela claramente não sabia, olhando para mim com expectativa e ansiedade.

— A partir de amanhã, você vai para o grupo de estudos do Yousuke.

— O quê?!

— Não precisa entrar em pânico. Mas, sendo sincero, se você não continuar estudando, vai correr sério risco de ser expulsa.

— M-Mas espera… meu parceiro é o Shimazaki-san. Ele tem B-, né? Então eu vou ficar bem, não vou? — disse Kei.

— A nota de aprovação deste exame é 501 pontos. Alguém como você, que não estuda o suficiente, provavelmente faria cerca de 200 pontos. Já o Shimazaki deve fazer por volta de 350. É difícil dizer que um total estimado de 550 pontos te deixa completamente segura. E, além disso, se esse Shimazaki não gostar de estudar como você, é bem possível que ele faça menos de 300 — expliquei.

Se isso acontecesse, havia uma grande chance de ela ficar abaixo dos 500 pontos.

— Agora eu fiquei com medo de verdade… — disse Kei, em voz baixa.

— Por isso é importante garantir que você consiga, no mínimo, 250 pontos na prova o quanto antes.

Este exame foi feito de forma que até um aluno com nota D+ consiga atingir isso, desde que estude de forma eficiente.

— Ei… eu tenho uma pergunta — disse Kei.

— Uma pergunta?

— Quer dizer… você vai me dar aulas e tal, mas você não tem um C em habilidade acadêmica, Kiyotaka? Então isso não quer dizer que você é… mediano? Mas aposto que, na verdade, você tipo… consegue fazer bem melhor que isso, não consegue? — disse Kei.

— Algo assim.

— É tipo como você também é muito bom em luta. Por que você esconde tudo isso? — perguntou Kei.

— Eu não quero me destacar. Então não tento tirar notas altas, só isso — respondi.

— Tá, então… quantos pontos você acha que conseguiria tirar se levasse isso a sério? — perguntou Kei.

— Não faço ideia.

— Ah, para, não me enrola. Só me fala! — disse Kei, empurrando meu ombro com força, mas de forma brincalhona, e sorrindo enquanto insistia.

— Terei o maior prazer em responder sua pergunta se você aparecer e se dedicar no grupo de estudos a partir de amanhã.

— Eu vou, com certeza. Tipo… estou sentindo uma sensação de perigo iminente com o que você acabou de dizer — admitiu.

— Em vez de te dizer quantos pontos eu posso tirar, vou te dizer quantos pontos eu decidi que vou tirar — falei.

— Q-Quê? O que isso quer dizer? É uma afirmação e tanto — disse Kei.

Havia um total de cinco matérias. Eu não tinha a menor intenção de relaxar em nenhuma delas, considerando que precisava competir com Horikita em uma. No entanto, se eu realmente desse tudo de mim em cada matéria, minha reputação entre meus colegas mudaria drasticamente.

— Quatrocentos pontos — eu disse.

— Espera, sério? Quatrocentos pontos, isso com certeza é…

— O equivalente a uma classificação A.

Era um nível que apenas alguns poucos alunos brilhantes da nossa turma, como Horikita e Keisei, conseguiam alcançar. Teria sido mais preciso dizer "perto de quatrocentos pontos", mas provavelmente não havia necessidade de corrigir isso agora.

— E-você está dizendo que consegue tirar essa pontuação se quiser? — perguntou Kei.

— Claro. Não houve um único problema que eu tenha achado que não conseguiria resolver desde que me matriculei aqui.

Eu não sabia quantas questões extremamente difíceis seriam incluídas nessa prova, mas, comparado ao tipo de estudo pelo qual passei na Sala Branca, parecia justo assumir que seria bem fácil. Percebendo que Kei estava com uma expressão vazia, incapaz de entender o que eu estava dizendo, decidi trazê-la de volta à realidade.

— Agora que você consegue ver o quadro geral, quero que mantenha essa sensação de perigo iminente em mente e se concentre — eu disse.

— Tá… acho que vou estudar aqui por mais um tempo e depois volto para o meu quarto…

Ainda eram pouco mais de sete da noite, então não havia problema nenhum em ela ficar mais uma hora ou menos. Isso também seria útil para mim, já que eu poderia explicar melhor ao Yousuke qual era o nível da Kei amanhã.

— Certo. Então vamos começar agora mesmo.

— Ei, aqui — disse Kei.

— Hm?

Eu pretendia começar enquanto ficávamos sentados um de frente para o outro, mas Kei deu leves tapinhas no chão ao lado dela.

— Me dá aula aqui, do meu lado — disse Kei.

*

 

Passamos pouco mais de uma hora juntos no meu quarto. Durante esse tempo, dei conselhos à Kei enquanto ela estudava. Tive a impressão de que, no fundo, ela era inteligente, mas o fato de não ter levado os estudos a sério até agora estava a impedindo de avançar. Ainda assim, eu não pretendia apontar isso para ela.

Se Kei tivesse simplesmente negligenciado os estudos desde cedo, eu poderia repreendê-la por isso, mas, no caso dela, foi o abuso que sofreu no ensino fundamental que a impediu de ter uma educação adequada. Por não ter aprendido corretamente o "básico" naquela época, ela agora tinha dificuldades nas aulas do ensino médio. Considerando tudo isso, eu diria que ela estava indo até que muito bem.

Guiá-la com compaixão e oferecer conselhos provavelmente era a decisão correta. Se ela conseguisse passar a ver os estudos como algo não doloroso, talvez começasse a crescer e amadurecer de forma significativa, assim como o Sudou.

— Hum…

— O que foi? — perguntei.

Kei de repente começou a olhar para o chão. Então, após alguns segundos encarando o piso, ela estendeu a mão e pegou alguma coisa. Achei que fosse um pedacinho de lixo ou poeira, mas…

— O que… é isso? — perguntou Kei, estendendo o braço para me mostrar o que segurava entre o polegar e o indicador.

Era um único fio de cabelo longo e vermelho.

— Parece um cabelo — respondi.

Assim que falei exatamente o que pensei, o rosto de Kei foi gradualmente se transformando no de um demônio furioso.

— Um cabelo vermelho! E… e… é longo! Do jeito que você olha, só pode ser de uma garota! — ela gritou.

Bom, sim, provavelmente ela estava certa. Era fisicamente impossível aquilo ser meu, considerando o comprimento. E, claro, meu cabelo também tinha uma textura completamente diferente. A dona daquele fio veio imediatamente à minha mente. Só podia ser Amasawa Ichika, que tinha me feito cozinhar para ela outro dia.

— Quem você trouxe aqui?! — perguntou Kei.

Provavelmente ela estava perguntando porque não fazia ideia de quem poderia ser, entre nossos colegas ou outras pessoas.

— Espera, isso é aquilo? Ciúmes…? — perguntei.

— E isso é ruim, por acaso?! Eu sou sua namorada, Kiyotaka! Tenho o direito de ficar de olho nessas coisas!

Era a primeira vez que eu ouvia falar de um direito desses. De qualquer forma, havia uma lição a tirar disso. Ou seja, depois de convidar uma garota para o seu quarto, você deve limpar tudo muito bem.

Achei que a lição terminaria aí, mas o desastre ainda estava longe de acabar. Enquanto eu quebrava a cabeça tentando encontrar a melhor forma de me explicar, a campainha tocou sem aviso. O som ecoou pelo quarto, e então a imagem do saguão apareceu no monitor.

Eu, o morador do quarto, não fui o único curioso sobre quem havia tocado a campainha. Kei também estava. Nós dois olhamos para o vídeo no monitor. Na tela, vimos Amasawa, acenando com um grande sorriso no rosto. A primeira a reagir não fui eu, mas Kei, ainda segurando o fio de cabelo.

— Cabelo vermelho. Uma garota que eu nunca vi antes… — ela murmurou.

Era quase como se estivesse resolvendo um mistério de programa infantil de detetive. Kei estendeu a mão e apertou o botão de chamada antes que eu pudesse fazer isso.

— Alô, quem é?! — perguntou Kei, com a voz claramente carregada de irritação.

Amasawa, naturalmente, ficou surpresa.

— Hã? Espera… este é o quarto 401, certo? O quarto do Ayanokoji-senpai? — disse ela.

Afastei o braço de Kei à força e assumi.

— Desculpa. Sou eu. O que você quer? — perguntei.

Era uma visitante inesperada, mas eu não podia simplesmente deixar Kei lidar com isso. Além da questão da Amasawa, também havia o problema de outras pessoas no saguão poderem ouvir que Kei e eu estávamos juntos.

— Ah, tem alguém aí com você? Quer que eu volte mais tarde? Tinha algo que eu queria conversar, então pensei em dar uma passada — disse Amasawa.

Mesmo me lançando um olhar fulminante, Kei fez um gesto para que eu deixasse Amasawa subir, em vez de dispensá-la. Aparentemente, ela queria ter certeza de que o cabelo era dela.

— Não, tudo bem. Pode subir — falei.

Apertei o botão de destravar e deixei Amasawa entrar pelo saguão.

— Tem certeza de que isso é uma boa ideia? Outros alunos vão saber que você está aqui — eu disse a Kei.

— Ah….

Pelo visto, ela tinha ficado tão irritada que o sangue subiu à cabeça e ela perdeu o foco. Foi a própria Kei que disse que deveríamos manter nosso namoro em segredo por enquanto. Se esbarrássemos com alguém, havia a chance de rumores começarem a circular.

— Bom, já é meio tarde pra isso. Vamos ter que tentar esconder — disse Kei.

De qualquer forma, Amasawa já tinha ouvido a voz dela, e tentar mandá-la embora agora não faria muita diferença. Na verdade, isso poderia até gerar suspeitas estranhas. Cerca de um minuto depois, Amasawa provavelmente chegou ao quarto andar. A campainha tocou novamente.

— Vou abrir pra ela, então fica aí sentada por enquanto — falei para Kei.

— O-Ok…

Fui até a porta e recebi Amasawa.

— Desculpa aparecer assim de repente, Ayanokoji-senpai — disse ela.

Depois de observar minha expressão, ela olhou para os sapatos perto da entrada de forma calculista. Como dizer…? O jeito como ela analisava o ambiente… parecia aquilo que chamam de intuição feminina.

— Namorada? — disse Amasawa, perguntando direto, com um sorriso largo.

— O que você quer? — perguntei.

— Ahh, você não caiu na provocação. Bom, pra falar a verdade, senpai, acho que esqueci algo no seu quarto.

— Esqueceu algo? — repeti.

— Meu elástico de cabelo favorito. Não estou conseguindo encontrar em lugar nenhum…

Então ela veio até aqui depois de perceber que tinha perdido, hein?

— Nesse caso, pode entrar — falei.

Não dava pra deixá-la esperando do lado de fora, então decidi deixá-la entrar. Achei que seria mais rápido deixar a própria Amasawa explicar tudo do que eu tentar inventar desculpas esfarrapadas sobre o cabelo.

— Desculpa invadir assim! — Amasawa entrou no meu quarto, completamente despreocupada com a presença da outra visitante. Ela devia estar voltando da escola, pois ainda carregava a mochila.

Então ela ficou frente a frente com Kei, que estava sentada esperando.

— Ah, olá! Eu sou Amasawa Ichika — disse ela.

— Oi.

Kei claramente não estava feliz com aquilo, mas parecia estar tolerando à sua maneira.

— Ah, você também é minha senpai, né? Eu adoraria saber seu nome.

— Karuizawa Kei.

— Karuizawa-senpai, é? Ah, parece que vocês estavam estudando juntos. Por acaso você é a namorada dele? O Ayanokoji-senpai desviou da pergunta quando tentei fazer isso antes, então quis tentar de novo — disse Amasawa.

Era até um dom conseguir simplesmente perguntar o que quisesse, sem hesitar.

— Isso não é da sua conta, é? Aliás, espera aí… e você? Qual é a sua relação com o Kiyotaka? — perguntou Kei.

Embora o fato de Kei me chamar pelo primeiro nome naturalmente tenha aumentado ainda mais as suspeitas de Amasawa, ela passou a olhar ao redor do quarto.

— Eu respondo a sua pergunta daqui a pouco, então espera, tá? Hmm… não estou vendo em lugar nenhum à primeira vista. Tenho certeza de que tirei quando estive aqui da última vez. Talvez tenha rolado pelo chão… — disse Amasawa.

Sem dar a menor atenção ao olhar fulminante de Kei, ela se ajoelhou, tentando espiar debaixo da cama. Ao fazer isso, sua saia subiu um pouco, destacando naturalmente suas curvas, já que estava de costas para nós.

— Ah… senpai? Acho que isso pode parecer um pouco… malicioso — provocou Amasawa, olhando para trás. O tom dela deixava claro que fazia de propósito.

Kei reagiu imediatamente, virando a cabeça para me encarar.

— Eu vou procurar — falei.

Comecei a procurar, vendo se o elástico tinha ido parar debaixo da cama.

— Ei, dá pra não me ignorar? Responde a pergunta — disse Kei.

— Hmm, deixa eu ver… acho que o Ayanokoji-senpai é meu… hm, qual seria a melhor forma de dizer? Meu chef particular? — disse Amasawa.

— Hã? Espera, o quê? — Kei, sem entender nada, olhou para mim de novo. E o olhar dela estava ainda mais intenso do que antes.

— Ela é parceira do Sudou. Algumas coisas aconteceram, e acabamos nos conhecendo. Eu acabei preparando uma refeição para ela uma vez — expliquei.

— Tá, desculpa, mas eu realmente não estou entendendo nada. Por que você cozinhou para a parceira do Sudou-kun? — perguntou Kei.

Bom, considerando que ela só tinha ouvido um resumo superficial do que aconteceu, era compreensível que estivesse confusa. Respondi explicando a situação com mais detalhes, enquanto continuava procurando o elástico debaixo da cama.

— Ah, posso dar uma olhada na cozinha também, só por via das dúvidas? Talvez eu tenha tirado lá quando estava lavando a louça. Ah, mas por favor, continua procurando aqui no quarto, senpai. Tipo… talvez debaixo do armário ou algo assim? — disse Amasawa.

— Certo.

Não encontrei nada debaixo da cama, então comecei a procurar perto do armário. Kei então se aproximou de mim.

— Espera um pouco… essa história de o elástico dela talvez estar aqui… o que isso quer dizer?! — disse Kei, em voz baixa, tentando entender a situação.

— Eu já te disse. Convidei a Amasawa uma vez e cozinhei para ela. Só isso.

— F-Foi só isso mesmo que aconteceu? — perguntou Kei.

— Claro que foi — respondi.

— Sério….? — insistiu.

Parecia que, mesmo eu dizendo isso, ela não ia acreditar tão facilmente.

— Vou perguntar pra ela e confirmar se isso é verdade — disse Kei.

Mas, quando ela tentou se levantar, eu segurei seu braço com firmeza. Em seguida, levei rapidamente o dedo indicador aos lábios, sinalizando para que ficasse em silêncio. Kei era rápida em entender situações assim e não fez alarde.

— Quero que você procure por aqui também — falei.

— O-Ok — respondeu.

Mesmo sem entender minhas intenções, ela percebeu que era importante e começou a me ajudar a procurar.

— Ah! Ayanokoji-senpai, está aqui! — disse Amasawa, sua voz ecoando da cozinha.

Quando Kei e eu olhamos para a cozinha ao mesmo tempo, Amasawa mostrou o elástico, apoiado na palma da mão.

— Parece que caiu no espaço entre o balcão e a geladeira — disse ela, sorrindo satisfeita enquanto guardava o objeto no bolso. — Bom, parece que acabei interrompendo alguma coisa aqui, então já vou indo.

— Desculpa pela confusão — falei.

— Não, tudo bem. Eu que não deveria ter esquecido aqui. Enfim, desculpa de novo por incomodar! — disse Amasawa, pegando rapidamente a bolsa e calçando os sapatos na entrada. — Mas, sabe… você é bem esperto, senpai, não é? Nunca imaginei que teria uma namorada tão fofa assim.

Ela levou um dedo ao rosto, como se estivesse pensando.

— É… pensando bem, você tem razão. Da próxima vez que eu pedir pra você cozinhar pra mim, talvez não seja uma boa ideia ficarmos sozinhos — acrescentou.

— É óbvio! — gritou Kei.

— Nesse caso… a Karuizawa-senpai vai ter que comer com a gente. Bom, até mais! — disse Amasawa.

Ela apareceu como um furacão e foi embora da mesma forma.

— Parece que você fez amizade com uma kouhai bem bonitinha, hein, Kiyotaka? — disse Kei.

— Você não vai me ouvir, não importa o que eu diga, vai?

O clima já não era mais propício para estudar. Não tive escolha a não ser explicar o que realmente tinha acontecido repetidas vezes para Kei, até que ela ficasse satisfeita.

*

 

A sexta-feira passou, e agora o sábado, nosso dia de folga, havia chegado. Tive muitas oportunidades de interagir com os alunos mais novos durante a semana por causa da prova especial. Houve meu encontro com Amasawa, da turma 1-A, o que acabou me levando a ter que preparar uma refeição caseira para garantir um parceiro para Sudou. Também houve as conversas com Nanase sobre firmar um acordo com a turma 1-D.

Além do que estava acontecendo comigo, Kushida teve uma conversa com Yagami, da turma 1-B. Graças ao pedido de Kushida para que ele apresentasse alguns de seus amigos, conseguimos garantir parcerias para Kei e outros alunos da nossa turma. Embora a importância dessa prova especial varie dependendo do ponto de vista, tenho certeza de que ela foi extremamente significativa no que diz respeito à interação entre os diferentes anos. Muitos alunos já conheciam nomes e rostos de estudantes de séries acima ou abaixo, e até sabiam quais eram suas notas.

Também conseguimos identificar as tendências de cada turma. A turma 1-A não tinha um líder claro no momento. Tive a impressão de que cada aluno era basicamente livre para fazer o que quisesse. Um dos motivos para isso era o excelente desempenho acadêmico geral da turma. Fazendo jus ao nome, eles tinham o maior número de alunos com nota B- ou superior entre as quatro turmas do primeiro ano.

Muitos dos alunos mais dedicados aos estudos já haviam negociado individualmente seus próprios acordos com as turmas 2-A ou 2-C, usando pontos. E, embora naturalmente houvesse alguns alunos classificados como D- em habilidade acadêmica, eles também foram escolhidos pela turma 2-A por se destacarem em outras áreas. Dos quarenta alunos da turma 1-A, trinta e quatro já haviam confirmado parcerias.

A turma 1-B apresentava tendências semelhantes à 1-A, no sentido de também não ter um líder claro. Além disso, os bons alunos estavam se vendendo individualmente, um após o outro. A diferença era que a maioria dessas parcerias não era com a turma 2-A, mas com a turma 2-C. Fiquei me perguntando se isso se devia ao fato de Ryuen e seu grupo estarem oferecendo uma quantidade maior de pontos do que Sakayanagi. Os detalhes exatos ainda não estavam claros, mas, no momento, trinta e três alunos deles já haviam fechado parceria.

Quanto à turma 1-D, Housen tinha controle total, governando sua classe com mão de ferro. Se eu tivesse que comparar com algo do nosso ano, diria que era praticamente igual à forma como Ryuen costumava agir. O que me chamou atenção foi que a turma 1-D também era a que tinha o menor número de parcerias entre todas. Provavelmente descobriríamos mais detalhes quando nos encontrássemos no domingo.

E, por fim, havia a turma 1-C — a classe com a qual eu praticamente não tive contato ao longo da semana. Eu já havia memorizado os nomes dos alunos, mas essa turma sequer surgiu nas conversas, nem mesmo com Horikita. Qual seria o principal motivo disso? Bem, foi o evento de integração liderado por Ichinose, da turma 2-B. Como resultado, muitos alunos dessa turma já haviam garantido parcerias.

Dez alunos dessa turma ainda não tinham finalizado suas parcerias, mas, desses dez, nenhum possuía nota D- ou inferior em habilidade acadêmica. Em outras palavras, quase todos haviam conseguido garantir uma posição segura. Talvez houvesse alguém organizando tudo nos bastidores e que conseguiu salvar os colegas por meio do evento de integração.

Pouco depois do meio-dia, abri o aplicativo OAA e verifiquei as parcerias formadas até aquele momento.

— Cento e cinco parcerias formadas. Quase setenta por cento, hein?

Se você considerasse o número de pessoas na biblioteca ontem, dava para perceber que a maioria dos alunos queria resolver tudo antes do fim de semana. Houve mais movimentação na turma 1-D, e agora um total de oito alunos deles havia confirmado parceria. Não sabia se o fato de ser fim de semana estava deixando Housen impaciente…

De qualquer forma, o número restante de alunos do primeiro ano que ainda não haviam escolhido parceiro era cinquenta e cinco, e, no segundo ano, cinquenta e dois. Se havia um agente da Sala Branca escondido entre esses alunos restantes, então as chances de eu acabar formando dupla com ele eram bem altas. Para ser sincero, não havia garantia de que eu não escolheria justamente esse aluno, já que ele não dava nenhum sinal de si.

Eu vinha adiando a decisão, esperando que algo surgisse no caminho para me ajudar a determinar se alguém seria uma escolha segura ou não, mas estava chegando ao meu limite. Precisaria decidir antes que minhas opções diminuíssem ainda mais.

Embora estivéssemos próximos de negociar com a turma 1-D, eu queria ter outras opções disponíveis. Decidi ir até o Keyaki Mall naquela tarde de sábado para ampliar minhas possibilidades.

*

 

Naturalmente, o shopping num sábado estava completamente lotado de alunos, especialmente aqueles que já haviam confirmado suas parcerias para a prova especial. Como já não precisavam mais se preocupar com isso, estavam apenas estudando com os amigos para a prova escrita da próxima semana — e também se divertindo um pouco para relaxar.

Eu ainda não tinha tido contato com nenhum aluno do primeiro ano ali, mas, mesmo assim, senti que, se houvesse um agente da Sala Branca por perto, eu provavelmente já o teria encontrado.

Ainda assim, não tive nenhuma intuição de que alguém que encontrei fosse esse agente. Se tivesse que apontar um momento em que senti algo assim, seria quando conversei com Nanase na biblioteca. Muito provavelmente, Tsukishiro — ou alguém próximo a ele — havia ensinado minuciosamente o agente a agir como um "estudante" de verdade.

O problema não era se ele tinha uma personalidade peculiar ou não. O problema era se conseguiria esconder completamente o "cheiro" que o denunciaria como alguém vindo da Sala Branca.

Eu mesmo estive numa situação parecida um ano atrás, quando cheguei a esta escola. Havia desvantagens claras em ter sido criado sem conhecimento do mundo exterior. A principal delas: eu não sabia como era ser um estudante.

Naturalmente, isso não era algo ensinado na Sala Branca, já que nunca tiveram a intenção de nos mandar para uma escola.

Foi por isso que, ao chegar aqui, tentei por um tempo criar um "personagem" para interpretar. Experimentei várias coisas — ser mais falante do que o normal, mudar meu tom de voz… agir como um estudante um pouco arrogante, com uma visão cínica e astuta do mundo.

Bem…

No fim, achei tudo aquilo cansativo demais, então logo voltei a ser eu mesmo. Percebi que podia continuar sendo um "estudante" ali sem precisar esconder quem eu realmente era.

Mas a pessoa enviada pela Sala Branca agora era diferente.

Ela estava atuando. Se camuflando como estudante para impedir que eu descobrisse sua verdadeira identidade. Eu não fazia ideia se estava interpretando um aluno excêntrico ou alguém completamente comum. De qualquer forma, não seria fácil enxergar através da atuação.

Qualquer pessoa que tivesse sobrevivido naquele ambiente não podia ser subestimada — independentemente de ser homem ou mulher. Embora eu tivesse confiança de que poderia vencer em termos de habilidade individual, eu estava em uma posição extremamente desvantajosa, já que era forçado a agir na defensiva. Meu oponente poderia me expulsar de qualquer forma que quisesse, enquanto tudo o que eu podia fazer era me defender, tentando antecipar seus movimentos.

Depois de passar na Humming e já estar voltando, acabei esbarrando em Sakayanagi.

— Ora, parece que você tem sido bastante proativo em interagir com os alunos novos, não é, Ayanokoji-kun?

— É porque essa prova deixa os alunos com notas baixas sem outra escolha além de lutar desesperadamente para sobreviver. Só estou ajudando a Horikita a encontrar parceiros para o Sudou e o Ike.

— Entendo. De fato, se qualquer um desses dois tiver azar e acabar com um parceiro ruim, a expulsão seria inevitável — disse Sakayanagi, aparentemente aceitando minha explicação. Mas ela continuou: — Mas será que é só isso mesmo?

— O que quer dizer? — perguntei.

— Bem, eu estava pensando se talvez… a Sala Branca, ou algo semelhante, não teria enviado um "assassino" entre os alunos do primeiro ano para expulsá-lo, Ayanokoji-kun. Mesmo que você tire nota máxima na prova, se seu parceiro tirar zero, ambos seriam expulsos. Espero que não se importe, mas deixei minha imaginação correr solta sobre essa prova especial… e cheguei à conclusão de que ela pode ser particularmente problemática para você — disse Sakayanagi.

Tentei me fazer de desentendido, mas aquilo não parecia apenas uma hipótese levantada por ela. Ela falava como se já soubesse, desde o início, que esse cenário era inevitável.

— Você não pode viver uma vida tranquila aqui na escola para sempre, pode? Se o seu oponente quiser, certamente não se importará em expor suas verdadeiras habilidades para todos, Ayanokoji-kun. Embora, se você conseguir manter uma vida agradável aqui independentemente disso, talvez tudo isso não passe de uma preocupação desnecessária da minha parte — acrescentou.

— Você não precisa se preocupar com isso.

— Posso perguntar o motivo?

— Vou abandonar minha antiga forma de pensar. A forma como venho agindo até agora. Não pretendo mais me conter.

No momento, continuar minha vida nesta escola era minha maior prioridade. Se eu continuasse agindo pela metade, poderia acabar sendo derrubado a qualquer momento.

— Entendo. Bem, considerando que você já mostrou parte de suas habilidades ao Mashima-sensei, talvez seja mais conveniente simplesmente revelar tudo de uma vez — respondeu Sakayanagi, claramente satisfeita com minha resposta. — Então, indo direto ao ponto: se você ainda não escolheu um parceiro, gostaria que eu o ajudasse nisso? Não tenho certeza absoluta, claro, mas há alguns alunos do primeiro ano que me vêm à mente. São estudantes que não lhe causarão problemas caso se tornem seus parceiros, Ayanokoji-kun.

Parecia que Sakayanagi tinha se dado ao trabalho de investigar por conta própria, tentando determinar quais alunos seriam escolhas seguras para mim.

— Isso é muito generoso da sua parte. Mas vou ter que recusar sua oferta — respondi.

— Você não confia no meu julgamento? — ela retrucou.

Ela já havia me entendido completamente há bastante tempo. Sabia que eu precisava tomar uma decisão em breve.

— Eu reconheço suas habilidades. Mas serei eu quem decidirá o meu próprio destino.

Se eu falhasse depois de confiar meu destino a outra pessoa, não me restaria nada além de arrependimento.

— Além disso, já tenho uma boa ideia de como vou lidar com isso — acrescentei.

— Ah, é mesmo? Nesse caso, vou me abster de fazer comentários inconvenientes. Observarei de longe para ver como você se sai nesta batalha, Ayanokoji-kun. E espero pelo dia em que possamos lutar novamente em um futuro próximo — disse Sakayanagi, fazendo uma leve reverência antes de ir embora.

Ela nem sequer considerava a possibilidade de eu ser expulso. Nesse sentido, acho que ela tinha uma confiança imensa em mim.

*

 

Enquanto voltava do Keyaki Mall para o dormitório, ouvi uma voz um pouco lenta e tensa me chamar por trás.

— Com licença, você tem um minuto?

Quando me virei, vi um garoto e uma garota me encarando. A garota parecia alternar o olhar entre mim e o celular. Era Tsubaki Sakurako, da turma 1-C. Seu acompanhante também era da mesma turma: Utomiya Riku.

— Você é… o Ayanokoji-senpai, da turma 2-D, certo?

Eu não conseguia ver a tela do celular dela por causa do ângulo, mas provavelmente estava com o aplicativo OAA aberto.

— Meu nome é Utomiya, e o dela é Tsubaki. Podemos conversar com você sobre uma parceria? — perguntou Utomiya.

— Sobre uma parceria? — repeti.

— Sim. Estamos procurando alunos veteranos com nota C ou superior em habilidade acadêmica, para ver se alguém pode nos ajudar — respondeu ele.

Como eu mesmo estava procurando um parceiro, aquilo parecia bom demais para ser verdade. Era quase como se eles estivessem esperando por mim. Eu deveria considerar suspeito alguém que se aproximasse de mim tão diretamente? Ou, ao contrário, deveria vê-los como uma opção segura? Não… o mais perigoso seria tirar uma conclusão baseada apenas no momento em que apareceram.

— Eu também estou tendo bastante dificuldade para encontrar um parceiro. Podem me contar um pouco mais? — perguntei.

Com o aplicativo, era possível saber a aparência de um aluno, seu nome e suas notas. Mas não dava para entender sua personalidade — e era justamente por isso que encontros presenciais eram necessários, para que cada lado pudesse avaliar se o outro era confiável.

Aliás, Utomiya já havia encontrado um parceiro, mas Tsubaki ainda não. Sua habilidade acadêmica não era alta — apenas C-. Era natural que ela quisesse alguém com C ou superior. Pelo visto, os dois estavam procurando alguém do meu ano com C ou mais, mas… estavam fazendo isso para ajudar Tsubaki? Ou para outro colega?

— Prefiro não ficar conversando aqui em pé. Que tal irmos para o café? — sugeriu Utomiya, conduzindo a conversa com bastante respeito.

Não era algo que pudesse ser decidido em poucos minutos, então aceitei mudar de lugar. O café estava cheio, mas encontramos um espaço vazio em um canto e nos sentamos.

— Peço desculpas pela pressa, mas gostaríamos de ir direto ao ponto, se não se importar — disse Utomiya, olhando para Tsubaki e fazendo um gesto para que ela falasse.

— Eu não gosto de dever nada a ninguém, e também não gosto que fiquem me devendo. Não sou fã de dívidas. Então quero uma relação que não volte para me prejudicar depois — disse Tsubaki, olhando para as próprias unhas enquanto falava, com um tom despreocupado e direto.

De fato, a diferença entre um C- e um C era pequena — o que tornava difícil para alguém se sentir superior nessa situação.

— Posso perguntar algo que está me incomodando? — retruquei.

— Sim, claro — disse Utomiya.

— A maioria dos alunos está na faixa de C. Então por que ela não encontrou um parceiro antes?

Claro, assim ela não conseguiria uma pontuação alta, mas ao menos evitaria a expulsão. Tenho certeza de que alguns alunos do segundo ano teriam aceitado formar dupla com Tsubaki. O fato de ela ainda estar sem parceiro até agora, já na metade do período da prova, era preocupante.

— Bem… — começou Utomiya, mas hesitou, como se as palavras tivessem ficado presas na garganta.

Percebendo a dificuldade dele, Tsubaki virou-se para mim e fez contato visual pela primeira vez durante toda a conversa.

— Foi culpa minha. Eu não falei nada antes — disse ela.

Utomiya tomou isso como ponto de partida e completou:

— A Tsubaki não falou com ninguém sobre encontrar um parceiro. Acho que ela ficou impaciente quando chegou sexta-feira, porque foi a primeira vez que veio me perguntar o que deveria fazer…

Ou seja, Utomiya, colega de classe dela, começou a ajudá-la a encontrar um parceiro numa corrida contra o tempo. Pelo visto, a maioria da turma deles já tinha garantido parceria. Mesmo ainda restando uma semana, era compreensível que estivessem preocupados.

— Considerando a habilidade acadêmica da Tsubaki, a penalidade de cinco por cento pode ser um problema — disse Utomiya.

Provavelmente era por isso que tinham vindo falar comigo, já que eu tinha nota C. Em uma situação normal, eu talvez aceitasse de imediato. Mas havia um motivo para eu não poder simplesmente dizer "sim".

Isso acontecia porque a situação era muito semelhante a um cenário que eu havia imaginado no início da prova. Ou seja, as maiores chances de parceria seriam com alguém do mesmo nível acadêmico que eu.

E agora, Tsubaki — com C- — tinha vindo até mim. Eu acabara de conhecer Tsubaki e Utomiya. Portanto, o primeiro passo era entender melhor quem eles eram.

— Quero perguntar uma coisa. Você disse que estavam procurando um parceiro… com quantas pessoas vocês falaram antes de vir até mim? — perguntei.

Achei que seria um bom ponto de partida. Mas a resposta de Utomiya foi inesperada.

— Desculpe. Acho que pode ter sido meio desonesto da minha parte dizer aquilo. Para ser sincero… você é a primeira pessoa com quem falamos, Ayanokoji-senpai — disse ele, se desculpando diretamente, como se antecipasse minhas suspeitas. — Se isso significar que você não quer formar parceria com ela, vamos procurar outra pessoa.

— Ah, entendi. Então você está dizendo que eu apenas fui a primeira pessoa com quem vocês falaram.

— Foi coincidência termos abordado você, mas há um motivo para você ser o primeiro, Ayanokoji-senpai. Achamos que, se fôssemos falar com alguém da turma 2-A ou 2-C, talvez precisássemos negociar usando pontos privados — explicou Utomiya.

Entendo. De fato, muitos alunos do primeiro ano estavam sendo "comprados" pelos do segundo ano naquele momento. Numa situação assim, se pedissem para alguém formar dupla com Tsubaki, não seria estranho envolver uma certa quantidade de pontos na negociação.

Mas ela não estava procurando alguém com notas excepcionais. Ainda havia vários alunos disponíveis, então provavelmente conseguiria formar dupla com alguém sem grandes dificuldades. Era improvável que eles não tivessem considerado isso.

Dito isso, também soaria estranho se eu respondesse algo como: "Acho que vai dar certo, então por que não tentar a turma 2-A ou 2-C?". Objetivamente, não havia motivo algum para eu recusar a proposta de formar dupla com Tsubaki. Minhas opções eram limitadas.

— No momento, eu ainda não tenho um parceiro, mas já encontrei um possível candidato. Conversamos algumas vezes para ver se conseguimos trabalhar juntos — falei.

O que eu disse era apenas parcialmente verdade, mas não havia como eles saberem disso. Além disso, se essa resposta fosse suficiente para fazê-los recuar, era bem provável que Tsubaki fosse uma escolha segura.

— Entendo… então você já tem alguém em mente — respondeu Utomiya, parecendo um pouco preocupado, enquanto olhava para Tsubaki.

— Nesse caso, não tem muito o que fazer, né? Acho que vai ser mais rápido procurar outra pessoa — disse Tsubaki, decidindo recuar assim que soube que eu já tinha um candidato.

— Só por curiosidade… com qual aluno do primeiro ano você pretende formar dupla? — perguntou Utomiya, de forma um pouco insistente, mesmo com Tsubaki já tendo se afastado da conversa.

— Não posso dizer. Mas uma coisa eu posso garantir: não é alguém da turma 1-C — respondi.

Embora eu não tenha explicado o motivo, eles provavelmente podiam imaginar. Afinal, se eu estivesse lidando com alguém de outra turma, não poderia simplesmente revelar informações a possíveis rivais.

— Vamos, Utomiya-kun. Não devemos tomar mais o tempo do Ayanokoji-senpai — disse Tsubaki.

— Sim, acho que você tem razão.

Fiquei grato por eles terem me procurado, mas não podia tomar uma decisão precipitada. Eu ainda tinha poucas informações sobre a Tsubaki.

— Só por precaução, aqui está meu contato — disse Utomiya, me entregando um papel com seus dados, que ele provavelmente já havia preparado antes.

— Isso pode soar meio conveniente da minha parte, mas… se a pessoa com quem estou conversando recusar minha proposta, talvez eu entre em contato. Se ela ainda estiver disposta a formar dupla comigo nesse momento, ficarei feliz em negociar — falei.

— Entendo. Vamos, Tsubaki — disse Utomiya.

Tsubaki descruzou os braços e se levantou. Fez uma leve reverência antes de sair com Utomiya, provavelmente em busca de outros candidatos além de mim.

— Tsubaki Sakurako e Utomiya Riku… vou ter que lembrar desses nomes — murmurei para mim mesmo.

Agora que eu tinha deixado passar a chance de garantir uma parceria ali mesmo, minhas próximas ações seriam cruciais. Não seria nada engraçado acabar formando dupla com outra pessoa e descobrir depois que foi a escolha errada.

*

 

Duas garotas da turma 2-D caminhavam lado a lado. Eu, Karuizawa Kei, e minha amiga Satou Maya.

Até alguns meses atrás, costumávamos sair bastante juntas. Mas, ultimamente, estávamos nos vendo cada vez menos — muito menos. Não era como se tivéssemos brigado nem nada. Só que, inconscientemente, eu vinha me sentindo culpada. E isso tornava muito difícil tomar a iniciativa de falar com ela.

— Desculpa te chamar assim do nada, Karuizawa-san.

— Ah, não, relaxa, tá tudo bem. Eu também estava querendo sair com você, Satou-san. Além disso, faz tempo que a gente não faz nada juntas, né? — respondi.

— É verdade! Quando a gente entrou aqui, parecia que saíamos o tempo todo.

Eu estava andando um pouco à frente dela. Virei para trás e perguntei o que faríamos hoje.

— Então, o que você quer fazer? Acho que ainda é meio cedo pra almoçar.

Ainda eram pouco mais de onze da manhã. Satou-san tinha me chamado para dar uma volta pelo Keyaki Mall. Mas, assim que nos aproximamos da entrada, ela falou de repente, parecendo um pouco nervosa.

— Ah… ei…

— O que foi?

— Será que a gente pode… ir por aqui? — perguntou, apontando para o caminho que levava ao prédio da escola, na direção oposta ao shopping.

— Ué, pra escola? Você precisa de alguma coisa? Mas hoje é folga, e acho que nem dá pra entrar com roupa casual, né?

— Eu não preciso de nada lá… mas… só queria ir pra algum lugar onde não tenha outras pessoas por perto agora — disse Satou.

Franzi a testa, confusa, sem entender bem o que ela queria dizer. Quer dizer… na verdade, eu tinha uma ideia. Mas empurrei esse pensamento para o fundo da mente, tentando me convencer de que não era isso. Continuei fingindo que não percebia nada.

— O que foi, Satou-san? Isso não parece com você. Tá tudo bem? — perguntei.

— Eu só queria conversar um pouco — respondeu.

Tive um mau pressentimento, mas não podia recusar naquele momento. Então concordei, e seguimos em direção à escola. Como era de se esperar, não havia ninguém por perto. Ninguém que pudesse ouvir nossa conversa.

— Tá bom, fala logo. Nós somos amigas, não somos? — fui direto ao ponto.

O que eu disse não foi nada gentil. Foi cruel. E, mesmo sabendo disso, não consegui evitar. Porque eu era Karuizawa Kei. A líder das garotas da turma. Uma pessoa egoísta, que não pensa nos outros — só em si mesma. Se eu não mantivesse esse papel, tudo o que construí desmoronaria.

Eu imaginava que a imagem que Satou tinha de mim combinava com a forma como eu estava falando agora. Por isso ela não parecia abatida nem irritada. Ela tiraria suas próprias conclusões, vendo Karuizawa Kei como alguém que não se importa — alguém que não levaria a sério o assunto que ela queria discutir.

Eu esperava que, talvez, isso fosse suficiente. Que a conversa terminasse ali. Que, se eu agisse de forma fria, ela evitasse tocar no assunto para não prejudicar nossa amizade. Mas Satou não recuou.

— Karuizawa-san… por que você terminou com o Hirata-kun?

— Hã? Eu já não te disse o motivo?

Mesmo não sendo diretamente sobre o Kiyotaka, a pergunta foi suficiente para fazer meu coração disparar. Ainda assim, consegui esconder isso, graças a tudo pelo que já passei.

— Quer dizer… sim, você explicou, mais ou menos. Mas… tem algo que não parece certo.

— Sério? Eu mesma achei que foi meio desperdício, sabe? Ei… será que você tá querendo virar namorada do Hirata-kun ou algo assim? — perguntei.

A Satou não estava mais interessada no Kiyotaka — era isso que eu queria confirmar. Por isso falei daquele jeito, como se estivesse testando se ela tinha voltado sua atenção para outra pessoa. Mas ela não respondeu. Em vez disso, lançou outra pergunta — como um ataque surpresa.

— Eu estava pensando… será que você terminou com o Hirata-kun porque, na verdade, tinha outro objetivo?

Então ela percebeu, afinal… Ela sabe que eu me apaixonei pelo Kiyotaka… que nosso relacionamento está mudando…

— Do que você está falando? Não faço ideia do que você quer dizer.

Mesmo naquele momento, eu me forçava a manter meu "personagem". Tentava ser a versão "normal" que eu havia criado. Mais cedo ou mais tarde, chegaria o dia em que eu teria que revelar meu relacionamento com o Kiyotaka. E, quando esse dia chegasse, eu provavelmente só conseguiria fugir — porque tinha decidido manter tudo em segredo.

Não importava o que Satou dissesse, eu estava determinada a manter as aparências. Ou melhor… achava que estava.

— Karuizawa-san… você está namorando o Ayanokoji-kun?

— Hã…?

Foi como levar um golpe direto no estômago, totalmente inesperado. Minha reação veio atrasada, como se eu tivesse sido atingida por trás. Se fosse outra garota, talvez fosse diferente. Mas, sendo a Satou, esse atraso foi fatal.

Ela percebeu tudo. Como se a resposta já estivesse óbvia. Se ela tivesse perguntado se eu gostava dele ou algo assim, eu teria conseguido lidar. Mas o que Satou-san disse foi além disso.

— Então eu estava certa, não é?

— Ei, espera, n-não, por que você pensaria isso?! — soltei, desesperada.

Claro que neguei. Independentemente de realmente querer negar ou não, fiz isso mesmo assim. Porque não havia como admitir a verdade naquele momento.

— Por que você… quer dizer, eu… — gaguejei.

Continuei tentando negar, mas me perdi no olhar da Satou-san. Ela parecia à beira das lágrimas — mas também estava com raiva. E era justo. Ela confiou em mim e veio me pedir conselhos para conquistar o Kiyotaka. E eu a ajudei… escondendo o fato de que também gostava dele.

Se eu estivesse no lugar dela, teria me dado um tapa na cara por acabar ficando com ele depois de tudo isso. Mesmo sem admitir, eu sabia que, na mente dela, a verdade já estava praticamente confirmada.

— Você já estava de olho no Ayanokoji-kun quando eu disse que queria conhecê-lo melhor e pedi sua ajuda? Ou começou a gostar dele antes disso?

— E-Espera, calma… eu…

Não tive escolha a não ser ficar ali, ouvindo tudo o que ela dizia.

— Eu… falei a mesma coisa pra Matsushita-san e para as outras também. Que achava que você terminou com o Hirata-kun porque gostava do Ayanokoji-kun. Mas não foi só um palpite aleatório, sabe? Eu já tinha quase certeza… foi por isso que trouxe o assunto à tona — disse Satou.

Eu já sabia que Matsushita suspeitava da minha relação com o Kiyotaka. Não havia mais como sair dessa com palavras.

— Por favor, me diga a verdade. Se não disser… eu… acho que não vou mais conseguir te ver como minha amiga, Karuizawa-san — acrescentou.

A intensidade dos sentimentos dela era clara em suas palavras. Na verdade, parecia que ela estava se esforçando ao máximo para continuar sendo minha amiga… até o fim.

— Eu… — murmurei.

Ao ver o quão sério era o olhar dela, não consegui mais mentir. Por onde começar? Bem… não fazia mais sentido esconder nada. O mínimo que eu podia fazer era me abrir e me desculpar.

— Eu estou… com o Ayano… Quer dizer… é como você pensou, Satou-san. Eu estou namorando o Kiyotaka.

Como esperado, ela reagiu fortemente. Mesmo depois de ser rejeitada, ela ainda gostava dele. E, justamente por eu também gostar, eu entendia bem o que ela sentia.

— Então você chama ele de Kiyotaka, né… — disse Satou.

Eu queria fugir daquele olhar frio… mas não consegui.

— A gente começou a namorar no fim das férias de primavera. Não faz tanto tempo assim — respondi.

— O que eu mais quero saber é quando você começou a gostar dele — disse Satou.

— Pra ser sincera, eu não sei exatamente. Mas quando você veio falar comigo, dizendo que queria namorar com ele… eu já começava a enxergar o Kiyotaka como algo mais que um colega — respondi.

— Entendo…

Não parecia que ela ficou satisfeita com a resposta.

— Você está com raiva de mim, não está? — perguntei.

Até pouco tempo atrás, ela me encarava diretamente, mas agora eu não conseguia fazer o mesmo.

— Bom, não posso dizer que estou feliz com isso. Você sabia como eu me sentia, mas foi pelas minhas costas e se aproximou do Ayanokoji-kun.

Não havia nada que eu pudesse dizer em resposta.

— Mas… o Ayanokoji-kun me rejeitou quando eu me declarei, então… não estou exatamente em posição de ficar com raiva de você. Só que…

Uma brisa suave de primavera passou por nós. Então ouvi um som seco e inesperado. No instante seguinte, percebi que havia levado um tapa no rosto.

— Acho que assim ficamos quites… Podemos esquecer tudo isso e continuar sendo amigas, Karuizawa-san? — perguntou Satou.

Sinceramente, o tapa me pegou de surpresa. Mas, ao mesmo tempo, entendi — era o quanto ela tinha sido ferida.

— Quer me dar mais um? — respondi com um sorriso leve, oferecendo a outra bochecha.

Afinal, a dor dela era muito maior do que a minha.

— N-Não, quer dizer… eu não acho que conseguiria fazer isso. Desculpa por ter te batido…

— Não, quem tem que pedir desculpa sou eu. Quer dizer… me apaixonar pela mesma pessoa que você, Satou-san, e…

— Ei, não te culpo por isso. O Ayanokoji-kun é incrível… e, sinceramente, bem mais bonito que o Hirata-kun — disse ela, em tom meio brincalhão. Sem pensar, abri os braços e abracei Satou com força.

— Ei, espera, Karuizawa-san, o que você tá fazendo?!

— Me desculpa!

— S-Sério, tá tudo bem, você não precisa…

Eu me sentia profundamente culpada por tudo… mas, ao mesmo tempo, estava feliz. Abracei-a com força, sem conseguir mais conter minhas emoções. Se apaixonar pela mesma pessoa era doloroso. Mas talvez isso significasse que nós duas entendíamos o quanto ele era especial. Não era uma questão de vitória ou derrota.

Na verdade, eu tinha certeza de que, a partir dali, mais e mais pessoas começariam a perceber o charme do Kiyotaka. E eu precisava continuar lutando para não perder para nenhuma delas. Se eu não levasse a sério o fato de ser a namorada dele, alguém poderia aparecer e tirá-lo de mim.

Talvez até a própria Satou se tornasse uma rival no futuro.

— Quer ir comer alguma coisa? — perguntei.

Ainda nos meus braços, Satou assentiu silenciosamente ao meu pedido egoísta.

 

 


 

 

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag

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