Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 9

Prólogo: O Monólogo de Ichinose Honami

NUNCA REALMENTE PENSEI em mim mesma como uma pessoa boa, nem como uma pessoa má. Suponho que tenha conseguido me tornar uma pessoa honesta, exatamente como minha mãe teria desejado.

As coisas iam bem no ensino fundamental e no ginásio. Eu tinha muitos amigos, meninos e meninas — todo mundo. Tinha um pouco de dificuldade nos esportes, claro, mas me esforçava tanto quanto nos estudos. No terceiro ano do ginásio, consegui me tornar presidente do conselho estudantil, algo que eu sempre almejara. Até fui aceita em um colégio particular como estudante bolsista.

Uma vida escolar tranquila.

Uma vida em casa tranquila.

Mas eu… eu cometi um erro.

Algo que nunca deveria ter acontecido. Um "erro" imperdoável, que eu jamais deveria ter cometido.

O olhar furioso da minha mãe doente, deitada na cama. Suas lágrimas. A expressão de coração partido da minha irmãzinha, tão magoada e distante, recolhida dentro de si, se trancando… Eu nunca conseguirei esquecer. Volta para mim até hoje.

Meus dedos tremendo.

Meu corpo tremendo.

A escuridão rastejante que se espalhava pelo meu coração.

Joguei meu terceiro ano do ginásio no lixo. Passei cerca de meio ano trancada em casa.

Mas… um dia, tudo chegou ao fim.

Quando soube da existência desta escola, entendi que precisava pôr um ponto final naquilo. Eu… devolveria o sorriso ao rosto da minha mãe e da minha irmãzinha. Não fugiria do meu próprio "pecado". Não — eu o encararia de frente.

Ou assim eu jurei.

Mas…

Entrei nesta escola com um sonho, mas uma provação me aguardava. Quando encontrei a carta, congelei por completo, e à minha volta os colegas se viraram para observar, curiosos.

Li a carta repetidas vezes. Mas, por mais vezes que eu a lesse, as palavras se recusavam a mudar.

"Ichinose Honami é uma criminosa."

*

 

Muito, muito antes daquele incidente, ela estivera na sala do conselho estudantil em um dia sem aulas, sentindo-se incrivelmente nervosa.

— Você é Ichinose Honami, do primeiro ano, Turma B, certo?

— Sim — conseguiu responder. Ichinose Honami encarava o vice-presidente do Conselho Estudantil, Nagumo, com o nervosismo estampado no rosto.

Era uma entrevista especial, apenas entre os dois.

— O que o presidente do Conselho Estudantil disse a você? — ele perguntou.

— Ele disse que ainda não era o momento…

Ichinose queria entrar para o conselho estudantil desde o início. Procurara por eles logo após ingressar na escola, mas o presidente Horikita recusara seu pedido depois de entrevistá-la, deixando-a desanimada. No entanto, o vice-presidente Nagumo a procurou assim que soube do ocorrido.

Por quê? Três motivos: primeiro, ela era da Turma B, assim como ele. Segundo, suas notas eram excelentes. E, por fim, ela era bastante atraente — algo que Nagumo sempre apreciava no sexo feminino.

E Ichinose atendia facilmente a esse último e mais importante requisito. Os dois primeiros eram, afinal, apenas bônus. Ela tinha valor estético para ele, o que fazia dela uma peça valiosa a ser mantida ao seu lado.

— Ouvi dizer que você fazia parte do conselho estudantil no ginásio — disse Nagumo. — Era a presidente, na verdade. Certo?

— Sim. Por isso quis entrar para o conselho daqui — respondeu Ichinose, dizendo a verdade… mas também uma mentira.

— Sim, sua professora, a Hoshinomiya-sensei, me contou. E parece que você teve notas excelentes no exame de admissão também — disse Nagumo.

— Muito obrigada — respondeu humildemente, embora sem encará-lo nos olhos.

— Você é, sinceramente, excepcional.

— Mas… o presidente Horikita não reconheceu nada disso — disse Ichinose com um sorriso amargo. A vergonha a corroía: vergonha por não ter conseguido a posição que sabia merecer. Mesmo assim, manteve aquele leve sorriso. Não poderia causar uma boa impressão se parecesse abatida.

— Sim, o presidente Horikita é bastante rígido. Francamente, provavelmente rejeitou você porque não entrou na Classe A. Ele se apega muito à posição, sabe?

— Entendo… — disse Ichinose.

Claro, Nagumo estava mentindo.

À primeira vista, Horikita Manabu podia parecer alguém que valorizava status acima de tudo. Na realidade, era o oposto. Ele via profundamente o interior das pessoas, enxergava quem elas realmente eram. Reconhecia o excepcional quando o via, fosse na Classe D ou na Classe A. Mas para Ichinose, ainda ferida pela rejeição, as palavras de Nagumo soaram como verdade.

Ichinose suspirou.

— Acho que não tenho escolha além de chegar à Classe A, se quiser entrar para o conselho estudantil.

— Não sei quanto a isso. Mesmo que você chegue à Classe A, o presidente Horikita pode nunca reconhecê-la. O fato é, Ichinose, que você nunca foi considerada uma "pura-sangue" desde que entrou nesta escola. Por mais que se esforce daqui em diante, o presidente Horikita jamais aceitará uma estudante que foi colocada na Classe B — disse Nagumo.

Com uma única frase cruel, o leve sorriso de Ichinose desapareceu.

— Mas você está na Classe B, Nagumo-senpai. E é o vice-presidente, então…

Nagumo destruiu imediatamente qualquer esperança que ainda restasse nela.

— No meu caso, havia dois motivos. Veja… eu entrei no conselho estudantil antes que Horikita-senpai se tornasse presidente. Na época, um veterano diferente do terceiro ano ocupava o cargo. Horikita-senpai era o vice-presidente — e a única pessoa no conselho que se opôs à minha nomeação. Ele lutou contra isso até o fim.

A expressão de Ichinose se entristeceu ainda mais. Ver aquilo encheu o coração de Nagumo de satisfação. Ele decidiu, ali mesmo, que precisava tê-la no conselho estudantil — como seu brinquedo pessoal.

— O outro motivo — continuou — é que eu me conheço. Sei do meu alto potencial. Eu deveria, por direito, ter sido colocado na Classe A. Quando expressei meu desejo de entrar para o conselho estudantil, confessei toda a verdade sobre o motivo de terem me colocado na Classe B. Contei tudo imediatamente.

— Confessou…?

— Exatamente. Provei que, em termos de habilidade, não ficava atrás da Classe A. Foi isso que me levou à posição atual.

— Nagumo-senpai… quais foram essas coisas que você confessou?

Nagumo conteve um sorriso.

— Ora, ora, Ichinose. Não é você quem está sendo questionada aqui?

— E-Eu?

— Não estou totalmente convencido de algo. Veja… normalmente, seria perfeitamente razoável colocarem você na Classe A. Suas notas são excelentes, e suas habilidades de comunicação também. E se considerarmos seu histórico como presidente do conselho estudantil… bem, por que você acabou na Classe B? Deve haver algum motivo.

Ichinose não conseguiu esconder o constrangimento diante da dedução dele, mas isso era inevitável. Nagumo havia chegado àquelas conclusões com base em informações obtidas antecipadamente com a professora Hoshinomiya.

— Diga-me — continuou — aqui e agora, qual você acha que é esse motivo. Se conseguir me convencer de que é uma estudante digna da Classe A, então eu me responsabilizarei por trazê-la para o conselho estudantil.

— I-Isso é… possível?

— A autoridade do presidente Horikita é absoluta, certamente. Mas o que acontecerá depois que Horikita-senpai se formar? Se os alunos do primeiro ano não entrarem no conselho, será impossível treinar futuros membros. Imagine o transtorno que isso causará ao próximo presidente — ou seja, eu. Entende?

— E-Eu… acho que sim…

— Alguém que não consegue agarrar esta oportunidade não é qualificado para entrar no conselho estudantil.

O segredo de Ichinose a corroía por dentro. Lembranças de quando passou metade do terceiro ano do ginásio trancada no quarto voltaram à tona.

— O que eu disser aqui…

— Será confidencial. Seus segredos serão nossos — e só nossos.

O passado com o qual ela achou que poderia conviver. O passado que acreditou poder esconder para sempre. Mas como seguir em frente sem confiar nos outros? Ela havia perdido essa confiança… então talvez desabafar ajudasse a recuperá-la. A ajudá-la a confiar novamente. A fazer com que outros confiassem nela.

— Eu… eu…

E assim, Ichinose contou tudo.

Contou a ele sobre seu "erro".



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