Volume 3
Epílogo: Another One
Ikki passou uma semana inteira dormindo após seu duelo contra Touka. A exaustão do inquérito, combinada com as drogas que lhe haviam sido forçadas e o efeito colateral do uso de Ittou Rasetsu, fora severa, portanto não era nada surpreendente.
Enquanto ele permanecia inconsciente, o alvoroço em torno de seu relacionamento com Stella ter sido considerado um escândalo acabou diminuindo. O pai de Stella, o rei de Vermillion, registrara uma queixa formal contra o Comitê de Ética da filial japonesa da Federação de Cavaleiros-Magos após ouvir de Stella como eles haviam abusado de Ikki e o manipulado para aquele duelo. Naturalmente, a mídia não pôde continuar divulgando informações falsas depois disso, e também se aquietou.
O rei ainda declarou publicamente que desejava que Ikki visitasse Vermillion após o término do Festival das Sete Estrelas, ocasião em que decidiria se aprovava ou não o relacionamento dos dois. Além disso, Akaza fora destituído do cargo de presidente do Comitê de Ética, de modo que não restava mais ninguém disposto a questionar as qualificações de Ikki como cavaleiro.
Com tudo isso já resolvido, os estudantes da Academia Hagun foram convocados ao ginásio, que raramente era utilizado. Aquele era o dia em que os seis representantes da escola para o Festival das Sete Estrelas seriam oficialmente nomeados.
“Muito bem, é hora da cerimônia de nomeação. Aqueles cujos nomes forem chamados, por favor, subam ao pódio”, disse Kurono com uma voz clara que ecoou por todo o ginásio. “Primeiro ano Rank A, Stella Vermillion. Terceiro ano Rank D, Hagure Botan. Terceiro ano Rank B, Toutokubara Kanata. Terceiro ano Rank C, Hagure Kikyou. Primeiro ano Rank D, Alisuin Nagi... está ausente hoje por motivos urgentes. E, por último, primeiro ano Rank F, Kurogane Ikki.”
Ikki levantou-se.
“Presente.”
Ele caminhou até o pódio e parou diante de Kurono. Ela lhe entregou uma pequena medalha, assim como fizera com os outros quatro representantes presentes.
“Parabéns.”
“Muito obrigado.”
Ele se curvou diante dela e então se virou para encarar o restante do corpo estudantil junto aos outros representantes. Quando todos já estavam alinhados, Kurono declarou:
“Os cinco estudantes que vocês veem aqui, juntamente com Alisuin Nagi, serão os representantes da Academia Hagun no Festival das Sete Estrelas!”
Os alunos aplaudiram Ikki e os demais com entusiasmo. Durante suas lutas, Ikki não se importara muito em ser o centro das atenções, mas ali, em uma cerimônia pública, parecia estranho ter tantos olhares voltados para ele. Nunca se interessara por status social ou pelo respeito dos colegas, então não estava acostumado a esse tipo de ocasião. Sinceramente, desejava poder sair dali. Infelizmente para ele, porém, a cerimônia ainda não havia terminado.
“Agora anunciarei quem será o capitão da equipe. Por favor, deem um passo à frente quando seu nome for chamado”, disse Kurono. “Primeiro ano Rank F, Kurogane Ikki. Você será o capitão da equipe.”
“O quê?” Surpreso, Ikki se virou novamente para Kurono. “Eu vou ser o capitão? P-Por que me escolher?”
Ikki imaginara que Kanata, membra do conselho estudantil e uma das Blazers mais fortes da escola, ou Stella, amplamente divulgada como a primeira aluna cavaleira a alcançar o Rank A, seriam as escolhas naturais para a posição.
Kurono lançou-lhe um olhar exasperado.
“Por que você acha? Você derrotou o Hunter, o Runner’s High e a Raikiri. Todos eram favoritos nas seletivas, e você superou cada um deles. Quem mais eu escolheria como capitão? Agora trate de vir para cá.”
“O-Okay.”
Ikki deu um passo à frente quase por reflexo. Na verdade, ainda não tinha certeza de que era a escolha certa e, como não gostava de ser o centro das atenções, teria preferido muito mais permanecer no fundo. Kurono percebeu seu desconforto, mas prosseguiu com a cerimônia mesmo assim.
“Agora apresentaremos ao capitão da equipe a bandeira da escola.”
Assim que Kurono disse isso, Touka entrou por uma porta lateral, carregando a bandeira da Academia Hagun.
“Presidente Toudou...”, disse Ikki, surpreso.
“Não tivemos oportunidade de conversar desde nossa luta. Fico feliz que esteja melhor agora.” Touka sorriu gentilmente para ele e ergueu a bandeira. “No ano passado, fui eu quem recebeu esta bandeira como capitã da equipe. Planejava levá-la novamente ao Festival das Sete Estrelas este ano, mas, no fim, perdi para você. E foi exatamente por isso que pedi à diretora que me deixasse ser eu a entregá-la desta vez.”
Ikki não soube como responder. Touka tivera uma semana inteira para organizar seus sentimentos, e estava claro que já não carregava o peso da derrota. Ele, por outro lado, havia acordado poucas horas antes. As lembranças do duelo ainda estavam vívidas em sua mente. Não sabia o que deveria dizer à pessoa que derrotara.
Mas, embora não soubesse quais palavras seriam as corretas, sabia que queria agradecê-la. Era profundamente grato por Touka tê-lo enfrentado com tudo o que tinha, apesar das maquinações egoístas que haviam levado àquele duelo desigual. Fora graças a ela que conseguira extrair tamanha força de si mesmo.
“Toudou-san. Foi justamente por estar lutando contra você que consegui dar tudo de mim. Foi porque eu queria tanto derrotá-la que consegui reunir forças para continuar lutando. Se não fosse você diante de mim... acho que eu não—”
“Kurogane-kun”, interrompeu Touka, fitando-o nos olhos. “Kurogane Ikki-kun. Vencer significa herdar as esperanças e os sonhos daqueles que você derrotou — daqueles que queriam estar onde você está hoje, mas não conseguiram — e carregá-los consigo. Esta bandeira representa esses desejos. Não vou pedir que lute por nós. Mas, por favor, ao menos leve esta bandeira — leve a todos nós — até o topo. Até o trono do Soberano das Sete Estrelas.”
Ela estendeu a bandeira para Ikki, e ele compreendeu que quaisquer palavras adicionais seriam desnecessárias. Havia apenas uma forma de demonstrar sua gratidão a Touka — e a todos os outros cavaleiros que haviam lutado com todas as forças contra ele, mas não alcançaram seus sonhos. Vencer significava herdar as esperanças e os sonhos dos derrotados. Restava-lhe apenas uma coisa a fazer.
Ele recebeu a bandeira de padrão negro e declarou:
“Eu prometo levar todos vocês até lá comigo.”
Os demais estudantes começaram a vibrar.
“Você consegue, Capitão!”
“Vou assistir às suas lutas!”
“Você até derrotou a presidente, então é melhor ganhar tudo agora!”
“A gente acredita em você, Ikki-kun!”
“Acaba com todos eles, Another One!”
Ikki conseguia sentir fisicamente o respeito e a admiração contidos naquelas vozes. Um arrepio percorreu sua espinha, e ele mordeu o lábio para impedir que as lágrimas transbordassem. Com o rosto rígido, ergueu a bandeira para que todos vissem, então voltou ao seu lugar ao lado dos outros representantes.
“Stella”, disse, virando-se para a garota ao seu lado.
“Sim?”
“Para ser sincero, eu nunca me importei muito com o que os outros pensavam de mim. Nunca tive a aprovação de ninguém, e achava que nunca teria. Sempre pensei que, se eu estivesse satisfeito com o que conquistasse, isso já seria suficiente. Mas... ser reconhecido pelos outros é surpreendentemente bom.”
Ikki não sabia dizer se estava sorrindo ou chorando, mas Stella sorriu ao ver sua expressão, então ele concluiu que devia parecer, ao menos, bastante feliz.
Assim, foram escolhidos os representantes da Academia Hagun, da região sul de Kanto. Juntar-se-iam a eles, no Festival das Sete Estrelas, os representantes da Academia Donrou, da região norte de Kanto; da Academia Kyomon, de Tohoku; da Academia Rokuzon, de Hokkaido; da Academia Bunkyoku, de Kyushu e Okinawa; e da Academia Rentei, de Chugoku e Shikoku.
A última escola participante era aquela cujos representantes haviam chegado às finais do Festival das Sete Estrelas por vinte anos consecutivos e vencido nos últimos cinco: Academia Bukyoku, representante das regiões de Kinki e Chubu, reconhecida como a principal escola de Blazers do Japão e uma das melhores do mundo.
Naturalmente, cada uma dessas instituições possuía Blazers notáveis a serem observados. A Academia Kyomon contava com Tsuruya Mikoto, conhecida como a Icy Sneer. A Academia Rokuzon tinha Kaga Renji, apelidado de Panzer Grizzly. A Academia Donrou apresentava Kurashiki Kuraudo, o famoso Sword Eater. E, claro, havia também o vencedor do Festival das Sete Estrelas do ano anterior, o atual Soberano das Sete Estrelas, Moroboshi Yuudai.
Cada um desses Blazers era um combatente extremamente habilidoso, que sobrevivera a incontáveis batalhas — e Kurogane Ikki teria de derrotá-los se quisesse conquistar o título de Soberano. Mais do que isso, precisaria vencê-los para cumprir a promessa feita à sua maior rival, a Princesa Carmesin, Stella Vermillion.
Por fim, o objetivo pelo qual ele vinha lutando estava ao seu alcance.
◆
Enquanto isso, sob um viaduto deserto de uma rodovia, uma figura solitária falava ao telefone.
“Heh heh heh, parece que os representantes da Hagun já foram decididos. Estou surpreso que Raikiri, Runner’s High e até mesmo Lorelei não tenham se classificado”, disse a pessoa do outro lado da linha.
“Dois deles ficaram presos com os piores oponentes possíveis.”
“Sorte também é uma habilidade. Se tiraram o palito mais curto nos confrontos do torneio, isso só significa que era esse o nível deles como cavaleiros. Ou, bem, é o que o Ouma-kun diria, pelo menos.”
“Não importa de qualquer forma.”
“Oh, qual é. Não precisa ser tão fria. Enfim, seus preparativos estão prontos?”
“Sim. Eu não esperava que Lorelei não fosse participar, mas isso não afetará meus planos. Posso matá-los a qualquer momento.”
“Heh heh heh. Não esperava menos de uma assassina de elite. Dá para entender como você limpou a Killing House com a maior pontuação da história, Black Hand. Ah, perdão, acho que agora você atende por ‘Black Sonia’. Não é mesmo, Camarada Alisuin?”
Alisuin não respondeu. Seu rosto estava tomado por uma expressão extremamente fria — algo que ela jamais demonstrara diante de Ikki, Shizuku ou de qualquer pessoa próxima. Era difícil imaginar que um ser humano pudesse exibir um semblante tão desprovido de emoção. Aquela face mal parecia a de Alisuin.
E, ainda assim, havia uma beleza inquietante naquela frieza.

“De qualquer forma, parece que tudo está pronto para o espetáculo.”
A pessoa do outro lado do manual estudantil de Alisuin — que não era o da Hagun — soltou uma risada abafada, como se zombasse do mundo. Havia êxtase evidente em sua voz.
“Todos acham que o elenco já está completo, mas não percebem que a verdadeira estrela ainda não entrou em cena. Está na hora de ensinarmos uma lição de humildade a esses tolos arrogantes que se acham os protagonistas. As verdadeiras estrelas do Festival das Sete Estrelas somos nós, Akatsuki.”
O Festival de Artes da Espada das Sete Estrelas se aproximava rapidamente — e, nas sombras, engrenagens sinistras começavam a girar.
— Almeranto: Enfim, que volume maravilhoso de se traduzir cara. Esse foi extremamente gratificante de fazer, fiquei realmente imerso na história, mesmo já tendo lido uma vez. Esse final também não decepciona, o que será que está por trás do “homem” chamado Alisuin Nagi? Vocês veram no volume 4. Até lá e abraços!
E só uma acrescentação, releia ou reveja histórias que você já viu antes. Principalmente aquelas que você viu a muito tempo, você pode ter uma experiência totalmente diferente.
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