Volume 2
Epílogo: Um Sorriso Gelado
“Worst One derrota o cavaleiro mais forte da Academia Donrou, Sword Eater, em uma batalha de dojô!” Essa foi a manchete estampada no jornal da escola no dia seguinte à luta de Ikki contra Kuraudo. Havia até fotos da batalha que haviam sido tiradas furtivamente por Kusakabe.
Pouco depois de ouvir a conversa entre Ikki e Ayase durante a luta deles, Kusakabe sentira que algo grande estava prestes a acontecer, e vinha seguindo os dois desde então. Como resultado, ela acompanhara Ikki, Ayase e Stella até o antigo dojô de Ayase e conseguira tirar fotos do duelo através das janelas. Ikki e os outros não haviam conseguido perceber sua presença de forma alguma, e quando perguntaram como ela tinha feito aquilo, ela respondeu: “Qualquer jornalista que se preze precisa ser bom em seguir pessoas!” Ikki ficou verdadeiramente impressionado com o quão boa Kusakabe era nisso.
Independentemente de como aquilo havia acontecido, a notícia estava causando um grande alvoroço por toda Hagun. Kuraudo era o cavaleiro mais forte da Donrou e um dos oito melhores Blazers estudantes do país. O fato de Ikki ter conseguido derrotá-lo provava que suas vitórias anteriores não haviam sido mero acaso. Até mesmo os mais ferrenhos críticos agora eram obrigados a admitir que Ikki realmente era forte.
Além disso, agora havia discussões acaloradas entre o corpo discente sobre se Ikki era ou não mais forte do que a principal cavaleira da Academia Hagun, a presidente do conselho estudantil Toudou Touka, cujo apelido era Raikiri. Ninguém sabia quem havia sido o primeiro a postar um tópico no fórum questionando se Ikki talvez fosse mais forte, mas, independentemente disso, era disso que todo mundo estava falando.
“Raikiri chegou às semifinais, não só às quartas. Ela tem que ser mais forte, né?”
“Não, o Worst One venceria.”
“De jeito nenhum, cara.”
“Acho que ele tem chance.”
“Nem ferrando.”
“Com certeza.”
As discussões só foram ficando mais intensas com o passar do tempo, e depois que uma semana se passou, todos estavam torcendo para que Ikki fosse colocado frente a frente com Touka, para que o debate fosse resolvido de uma vez por todas.
◆
Certa noite, uma semana após a batalha de Ikki contra Sword Eater, Ikki e Stella descansavam em um banco depois de terminarem o treinamento diário. Ikki acabara de receber uma mensagem de Ayase dizendo que seu pai finalmente havia acordado do coma.
“Sério? O pai da senpai finalmente se recuperou?!”
“Parece que sim.”
“Que timing perfeito.”
“É. A Ayatsuji-san também parecia bem animada. Olha só.”
Ikki mostrou a mensagem a Stella. “O papai acordou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”, dizia.
“São muitos pontos de exclamação. Mas não dá para culpá-la. Eu também ficaria feliz.”
“Fico contente que ela esteja bem.”
Ikki não via Ayase desde o dia de seu duelo com Kuraudo. Depois de terem voltado para a escola, Ayase dissera: “Acabei dependendo de você para tudo, Kurogane-kun, então o mínimo que posso fazer é me manter fiel aos meus princípios e encerrar isso da maneira correta.” Em seguida, ela fora até os professores para contar que havia trapaceado durante sua luta contra Ikki. Como admitira por conta própria e, graças a Oreki ter ficado do lado dela, não fora expulsa. Ainda assim, recebera uma suspensão de dez dias e, claro, fora desclassificada de participar do Festival de Artes da Espada das Sete Estrelas. Era por isso que Ikki estava tão feliz em receber notícias dela.
“Mas se o pai dela acordou, isso significa que ela vai ter bastante dificuldade para cuidar dele. Principalmente quando voltar para a escola”, Stella comentou.
“Verdade...” O corpo de Kaito certamente havia se deteriorado bastante durante os dois anos em que ficara adormecido. Ele provavelmente teria um período difícil de reabilitação. Sua condição cardíaca também significava que ele não tinha muito tempo de vida de qualquer forma, então Ayase iria querer passar o máximo de tempo possível com ele. “Duvido que ela vá continuar vindo aos nossos treinos”, Ikki acrescentou, com uma expressão abatida no rosto.
“Vai ser solitário sem ela.”
“É, mas às vezes as coisas simplesmente são assim.” Honestamente, já era um milagre Kaito ter acordado, considerando que os médicos haviam dito que talvez ele nem vivesse para ver o ano novo.
“Talvez eles não tenham muito tempo juntos, mas espero que consigam aproveitar bem o tempo que tiverem”, Stella disse.
“É.”
Os dois ergueram o olhar para o céu do entardecer. Após alguns minutos, o manual estudantil de Ikki começou a tocar. Ele olhou para baixo e viu que o nome exibido no identificador de chamadas não era outro senão “Ayatsuji Ayase”.
“Oh, agora ela está me ligando. Alô?”
Para surpresa de Ikki, quem atendeu do outro lado foi a voz rouca de um velho. “Então você é o Kurogane Ikki-kun, hm? Ouvi tudo sobre você pela minha filha. Ande logo e se case com ela para poder assumir o do—”
[Almeranto: Gostei do pai da Ayase kkkkkk.]
Thud!
“Não acredito que é esse o tipo de besteira que você começa a falar depois de finalmente acordar! Desculpa por isso, Kurogane-kun! O papai disse que queria te agradecer, então eu deixei ele te ligar. Não imaginei que ele só estivesse tentando me provocar.”
“Ha ha ha ha. Não precisa esconder, Ayase. Dá para perceber que você gosta desse Kurogane-kun. Seu velho aqui enxerga através de você. Quando você falava dele, ficava exatamente como a sua mãe ficava quando contava para os outros o quão incrível eu era!”
“Waaaaah! Cala a booooca!”
“Não precisa ficar tão envergonhada. Agora que acordei de novo, posso até comparecer ao seu casamento, se vocês organizarem isso rápido—”
“Volta a dormir por mais dois anos!”
“Bwagh!”
“K-K-Kurogane-kun, ignora tudo o que ele acabou de dizer, tá bom? Tchau!”
Beep. Beep. Beep.
“Talvez o Kaito-san viva muito mais do que a gente imagina”, Ikki disse após um breve silêncio.
“Que coincidência. Eu estava pensando exatamente a mesma coisa”, Stella respondeu com um sorriso. “Então acho que isso conta como um final feliz, né?”
“Com certeza.”
Ayase havia recuperado seu dojô, e Kaito ainda por cima acordara do coma. Embora fosse um pouco triste que Ayase não fosse mais se juntar aos treinos de Ikki e Stella, não era como se eles nunca mais fossem se ver. E apesar de Ikki sentir que vinha sendo levado pelo nariz desde o incidente no restaurante, agora que tudo havia terminado, ele estava satisfeito com o resultado.
“Ainda assim, nossos treinos vão ficar mais silenciosos com uma pessoa a menos”, Ikki comentou.
“E hoje estamos sem três pessoas inteiras”, Stella respondeu.
“É.”
Ayase naturalmente não estava ali, mas Shizuku e Alisuin também não haviam aparecido.
“A Alice às vezes falta, mas é estranho a Shizuku não estar aqui”, Stella disse.
“Você tem razão. Talvez ela não esteja se sentindo bem?”
“Não sei, mas isso significa que estamos sozinhos.”
Houve uma pausa, e Stella de repente colocou a mão sobre a de Ikki. Ikki se virou para ela e se surpreendeu com o quão nítido era o anseio em seus olhos. Depois daquele dia na piscina, eles não haviam compartilhado muito contato físico, mas ao menos tinham se tornado mais abertos um com o outro em relação aos próprios sentimentos. Como resultado, Ikki sabia o que Stella queria naquele momento. Quando o sol começou a se pôr além do horizonte, ele se inclinou para perto para beijá-la.
“Stella...”
“Ikki...”
“Oh, Ikki...”
“Hã?!” O casal se virou ao ouvir uma terceira voz. Ali, encontraram Alisuin observando-os atentamente.
“Hm? Vocês dois não vão se beijar?”
“Waaaaah!” Os dois gritaram de surpresa e caíram do banco.
“A-Alice?! O que você está fazendo?!”
“Oh, eu só estava pensando que, já que o clima está tão bom, talvez a gente pudesse tentar um trio.”
“De jeito nenhum!”, os dois gritaram.
“Só brincadeira. Vocês dois ficam tão fofos quando estão envergonhados. Aha ha ha.” Alisuin enxugou uma lágrima do canto do olho. “Mas estou surpresa. Depois de um mês inteiro sendo tão estranhos um com o outro, vocês conseguiram ficar tão próximos em tão pouco tempo que já estão dispostos a fazer sexo ao ar—”
“N-N-N-Nós ainda não estamos nesse nível!”, Stella gritou.
“Oh, entendi. Bem, pelo menos agora você já está disposta a implorar por beijos ao seu namorado. Isso ainda é um avanço enorme.”
“Espera, você sabia que a gente estava namorando?”, Ikki perguntou.
“Eu tinha uma suspeita. E agora eu tenho certeza.”
“Rgh.”
Stella franziu a testa. Alisuin era bastante popular no campus, e ela achava que poderia ser ruim alguém que falava com tantas pessoas ter descoberto a verdade. Ela lançou a Ikki um olhar questionador, tentando ver se havia alguma forma de eles saírem dessa conversa. Claro que, com o segredo já revelado, isso era impossível. Ainda assim, Ikki não achava que Alisuin fosse o tipo de pessoa que espalharia fofocas desse tipo, então sentiu que podia confiar nela.
“Então, Alice, a questão é—”
“Não se preocupe, eu sei. Não vou contar a ninguém.” Alisuin colocou um dedo sobre os lábios e deu uma piscadela travessa para Ikki. Ela entendeu a situação sem que ele precisasse dizer uma palavra. Ikki conseguia ver como Shizuku, apesar de misantrópica, havia passado a confiar em Alisuin. “Mas vou fazer questão de acompanhar o progresso de vocês a cada passo do caminho.”
Nunca deveria ter confiado em você. Espero que alguém coloque jalapeños na sua sobremesa.
“Acho que o único lado positivo é que a Shizuku não está aqui agora”, Stella disse com um suspiro.
“Pois é, né? Aliás, Alice, por que ela não está com você?”
“A Shizuku me disse que ia treinar sozinha hoje. Eu só cheguei um pouco atrasada porque perdi a noção do tempo jogando UNO com minhas fãs.”
Ela está treinando sozinha?
“Hã, isso é uma surpresa. Nunca imaginei que a Shizuku escolheria voluntariamente passar menos tempo com você, Ikki.”
“O próximo oponente dela é alguém para quem ela precisa se preparar a fundo, afinal.”
“Espera, o próximo oponente da Shizuku já foi decidido?”, Ikki perguntou.
“Hm? Ela não contou para vocês dois?”
Ikki olhou para Stella para ver se ela sabia de algo, mas ela apenas balançou a cabeça.
“Alice, com quem ela vai lutar para precisar levar isso tão a sério?”, ele perguntou.
Alisuin franziu a testa e respondeu: “Lamento informar, mas a próximo oponente da Shizuku é a cavaleira mais forte da nossa escola.”
◆
Por volta do mesmo horário, uma grande batalha acontecia no sexto campo de treinamento. As arenas eram usadas para lutas de seleção ao longo do dia, mas depois das cinco da tarde, eram liberadas para que os estudantes as utilizassem como bem entendessem. Eles eram obrigados a manter seus Devices em forma fantasma, mas fora isso, podiam realizar todo tipo de combate de treino com as regras que quisessem.
Como qualquer um podia aparecer ali para extravasar, até mesmo alunos que não estavam participando das lutas de seleção às vezes surgiam para enfrentar quem estivesse disponível. Assim, haver uma batalha em grande escala em um campo de treinamento durante a noite não era nada de novo. A que estava acontecendo naquele dia, no entanto, era diferente, por conta do quão silenciosa estava. Não havia confrontos de sangue quente ocorrendo pela arena, que estava coberta de gelo.
“O-O que diabos há com aquela garota?”, murmurou um dos espectadores nas arquibancadas.
“Ela é um monstro...”, disse outro.
Todos os lutadores no ringue também estavam congelados, com exceção de uma única pessoa.
“Ela realmente... enfrentou cinquenta pessoas sozinha...”
Cerca de dez minutos antes, uma única aluna do primeiro ano havia entrado no campo de treinamento e dito que queria lutar contra todos ali ao mesmo tempo. Os estudantes que estavam treinando aceitaram de bom grado, achando que conseguiriam dar uma lição em uma caloura arrogante, mas, em vez disso, ela derrotara todos eles sem dificuldade. Aquela garota era, naturalmente, Kurogane Shizuku, que recentemente havia recebido o apelido de Lorelei.

“Isso nem chega a fazer eu suar...” Shizuku suspirou enquanto observava o deserto de gelo que havia criado. Ela pensara que enfrentar cinquenta Blazers de uma vez ao menos ofereceria algum desafio, mas despachara todos eles com facilidade.
Hagun é realmente uma escola tão fraca assim? Lutar contra esses caras só vai aumentar o meu estresse, não diminuir.
“Tenho certeza de que você não vai me decepcionar, pelo menos”, disse Shizuku, olhando para baixo, para seu manual estudantil. Ele estava aberto no e-mail que a informava sobre sua próxima oponente nas lutas de seleção. Essa oponente, por coincidência, era a cavaleira mais forte da escola e a mulher que chegara às semifinais do Festival de Artes da Espada das Setes Estrelas do ano anterior: Toudou Touka, da turma 3-3.
Finalmente, um desafio de verdade.
Os lábios de Shizuku se curvaram em um sorriso feroz. Ela já estava cansada de se conter para não deixar cicatrizes permanentes em oponentes pateticamente fracos. Ela ansiava por uma luta em que pudesse dar tudo de si sem se preocupar em incapacitar o inimigo.
Acho que, nesse sentido, eu sou igual ao Onii-sama. Idealmente, eu gostaria de lutar contra a Stella, mas suponho que a Toudou sirva como uma substituta aceitável.
De fato, Touka era forte o bastante para que Shizuku talvez não vencesse mesmo usando toda a sua força. Mas era exatamente isso que ela queria. Ela queria uma chance de finalmente liberar todo o seu poder — de tentar, com seriedade, destruir o inimigo à sua frente.
“Aha ha ha ha ha!”
Embora o ar ao redor estivesse congelante, seu corpo ardia com uma excitação branca e incandescente. Normalmente, ela sempre mantinha a calma, mas, apenas daquela vez, deixou sua paixão correr solta e riu com abandono imprudente.
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