Vol 1

Interlúdio 4

Patrick Ashbatten

“Ei, Patrick. Você estará livre depois disso?”

“Desculpe, estou ocupado”, disse Patrick Ashbatten, o segundo filho do Marquês de Ashbatten, rejeitando Yumiella. À primeira vista, Yumiella parecia inexpressiva, como sempre, mas Patrick percebeu que ela estava chateada. Ao longo do tempo que passou com ela, ele aprendeu a notar as pequenas mudanças em sua expressão.

“Ei, não acha que já está na hora de me dizer o que você está sempre fazen—”

Patrick percebeu que estava prestes a ser interrogado por Yumiella, mas um reforço inesperado apareceu.

“Yumiella! Acho que esse acessório vai ficar incrível em você!”

“Ai, ela apareceu de novo”, resmungou Yumiella. “Espere aqui, Patrick.”

“Por que você simplesmente não aceita a senhorita Eleanora como amiga? Bem, eu já estou indo embora.”

Para sua sorte, Yumiella acabou se envolvendo com Eleanora. Patrick aproveitou a oportunidade para deixar a Academia e dirigiu-se a uma masmorra perto da Capital Real, que vinha visitando nos últimos meses sempre que tinha tempo livre.

A masmorra ficava a menos de uma hora a oeste da Capital Real, e os monstros que ali surgiam eram de um nível consideravelmente alto. Havia uma masmorra de nível inferior ao sul da Capital Real, usada pela maioria dos estudantes da Academia e membros das forças armadas, o que fez com que a masmorra ocidental fosse conhecida como uma masmorra secreta.

Patrick chegou à entrada da masmorra secreta com uma espada em uma das mãos. Devido à proximidade da masmorra com a Capital Real, um soldado guardava a entrada para impedir a entrada de civis. O soldado, que já era conhecido de Patrick, dirigiu-se a ele com familiaridade. Contudo, ele ainda não sabia que Patrick era filho de um marquês.

“Você está aqui de novo?”, perguntou ele, de forma amigável. “Não sei como você sempre entra lá e sai ileso. Por que você vem aqui com tanta frequência?”

“Só tenho algo para o qual preciso ficar mais forte.”

“Ah, é? É por causa de uma garota? Você tem algum rival amoroso ou algo assim?” provocou o soldado. “Brigar por uma garota… Isso é coisa de jovem. É melhor você não causar um banho de sangue.”

“Bem, eu não tenho um rival romântico, mas a garota em si é…” Patrick parou de falar, tentando propositalmente permanecer ambíguo depois de sentir que havia falado demais. Ele deixou o soldado, que certamente não tinha ideia do que estava falando, e entrou na masmorra escura.

Enquanto derrotava os monstros que apareciam esporadicamente com sua espada e magia, Patrick refletia sobre o motivo de estar passando por toda aquela dificuldade.

“O tipo dela é alguém mais forte do que ela, né?”, murmurou para si mesmo.

As palavras de Yumiella na festa de fim de ano foram o que motivaram Patrick a se dedicar tanto ao aprimoramento de suas habilidades. Patrick sabia que Yumiella só havia dito aquilo para rejeitar um aluno que a convidara para dançar, mas se perguntava se alguém que quisesse apoiar Yumiella poderia se dar ao luxo de ser fraco.

Com certeza, essa pessoa não poderia ser tão fraca a ponto de arrastá-la para baixo, se envolvendo acidentalmente em uma situação de reféns ou algo do tipo. Além disso, era necessário um certo nível de força para acompanhar as ações frequentemente bizarras de Yumiella.

Por isso ele precisava se tornar forte — para poder dizer a ela o que sentia.

“Há três dias, ela quebrou uma das espadas da escola e, antes disso, estava lançando magia para o céu porque ‘deixava o Ryuu feliz’”, ele contou em voz alta. “Por que eu fui me apaixonar por ela?”

Patrick girou e atacou um monstro que surgiu por trás dele, enquanto pensava no motivo de ter se afeiçoado a Yumiella. Ela estava em seus pensamentos desde o primeiro momento em que a viu na cerimônia de entrada, mas na época era mais por pena do que por interesse romântico. Ele pensou em todas as dificuldades que ela havia enfrentado até então e nas que ainda enfrentaria, tudo por causa de seus cabelos negros. Tendo ele passado por um período em sua vida em que se sentia inseguro por causa de seus cabelos grisalhos, ele entendia bem a situação dela.

Contudo, ela conquistou seu espaço à força com seu nível extremamente elevado. Ele até ouvira dizer que ela se portava com confiança durante sua audiência com o rei. Ela parecia indiferente ao medo que as pessoas ao seu redor sentiam dela e lidava com consideração aqueles que se aproximavam por causa de seu poder. Patrick estava cético quanto ao rumor de que ela poderia ser a Lorde Demônio, mas se perguntava se ela seria algo diferente dele e dos outros.

“Não, a Yumiella é uma pessoa normal”, disse ele, balançando a cabeça como se quisesse afastar esses pensamentos. “Ela se magoa com as menores coisas e se preocupa com bobagens.”

Imaginando que deveria retornar à superfície em breve, Patrick começou a caminhar na direção de onde viera, enquanto continuava a relembrar o passado. Embora a respeitasse e admirasse, ao mesmo tempo, sentia medo de Yumiella. Mas um dia, por pura coincidência, esse medo desapareceu.

Sozinha no jardim da Academia, Yumiella estava visivelmente emburrada depois que o gato que ela estava chamando fugiu.

“Ela é só uma garota normal da minha idade. Normal… Será que ela é normal?”

Ela não era. Patrick não havia esquecido o alvoroço que ela causara durante o primeiro treino ao ar livre. Será que a obsessão dela por subir de nível era por causa da infância infeliz ou algo inato? Para Patrick, que a conhecia há algum tempo, ainda não estava claro, e era questionável se a própria Yumiella sequer sabia.

“Não adianta. Não consigo entender”, suspirou ele, enquanto se lembrava de várias outras confusões que ela havia causado.

Ele se apaixonara por ela sem perceber, conforme passava mais tempo com ela — essa era a única explicação. No entanto, Patrick ainda não tinha descoberto se o que sentia por ela era platônico ou romântico por um tempo.

Ele se deu conta de seus sentimentos na festa de fim de ano, no início da primavera. Isto, pois, vestida com um elegante vestido, Yumiella estava de uma beleza estonteante. Vários pensamentos passaram por sua mente depois de vê-la: a constatação de que provavelmente muitas outras pessoas também haviam notado sua beleza, a possibilidade de alguém que gostasse dela aparecer e a constatação de que ele sempre soubera que ela era bonita. Todos esses pensamentos levaram Patrick a finalmente compreender seus sentimentos.

Patrick continuou a subir à superfície, pensando que talvez fosse tão denso quanto Yumiella.

Quando retornou à Academia, a noite já havia caído. O sol se pôs completamente e a área estava iluminada apenas pela fraca luz mágica emitida pelos postes de iluminação pública. Ao entrar na Academia, sentiu o olhar de reprovação do porteiro por seu retorno tardio. Apressou-se pelo caminho vazio até o dormitório e encontrou alguém à sua espera.

“Bem-vindo de volta. Você tem algum ferimento hoje? Está tudo bem?”

“Ah, é você, Yumiella. Não se preocupe, eu não me machuquei. Você deveria voltar para o seu quarto. Já está escuro aqui fora.”

“Está tudo bem. Quando seu nível é tão alto quanto o meu, lugares escuros não são um problema.”

Yumiella estava certa. Os cinco sentidos se aguçavam à medida que os níveis aumentavam — isso também se aplicava à visão noturna. A capacidade de Patrick de enxergar no escuro também havia melhorado, mas não o suficiente para ver que tipo de expressão facial Yumiella estava fazendo.

“Bem, então eu vou indo. Boa noite, Yumiella.”

“Espere, Patrick!” ela gritou. “Eu descobri para onde você sempre vai!” exclamou, fazendo Patrick parar abruptamente.

Patrick ficou paralisado, temendo que finalmente tivesse sido descoberto.

“Não precisa ficar constrangido”, continuou Yumiella. “Embora eu esteja preocupada com a possibilidade de você se machucar. Eu sei que não é exatamente da minha conta, mas que tipo de pessoa é essa namorada?”

“Namorada?” A mente de Patrick ficou em branco com a palavra inesperada. Yumiella tinha uma imaginação fértil — algo que Patrick entendia, pois a conhecia muito bem. Ele se recompôs e perguntou: “Você está falando da namorada de quem?”

“Sua namorada. Sua pessoa amada. Você sai todos os dias para encontros com ela, não é?”

“Isso está completamente errado. Para começar, eu não tenho uma parceira que more fora da Academia.”

“Ah, então ela está na Academia? Vocês voltam em horários diferentes para evitar serem vistos juntos? Nossa, eu não sabia que as pessoas realmente faziam coisas assim.”

Patrick não fazia ideia do que a levara a pensar daquela forma. Era algo que acontecia com frequência, mas ele ainda assim não conseguia entender. Se lhe pedissem para explicar, certamente ela seguiria uma linha de raciocínio lógica, mas ele não estava com vontade de perguntar.

“Isso também está errado. Eu não tenho uma parceira.”

“Entendo. Isso é inesperado. Acho que tudo bem, então. Boa noite, Patrick”, disse Yumiella secamente antes de se dirigir para os dormitórios femininos.

Patrick ficou sozinho, confuso sobre o porquê de ter que declarar que estava solteiro.

“Acho que ela não pensa em mim dessa forma”, murmurou para si mesmo.

O desanimado Patrick não conseguiu ver uma Yumiella saindo saltitante e feliz.

Após retornar ao dormitório, Patrick foi para um quarto que não era o seu. Ao chegar ao quarto fortemente vigiado, foi conduzido para dentro, onde ele aguardava.

“Peço desculpas pelo atraso”, disse Patrick.

“Eu a vi esperando para te emboscar. Acho que você pode estar certo”, disse o dono do quarto, erguendo os olhos do livro.

Patrick sentou-se à sua frente com familiaridade e tranquilidade. “Sobre o que conversaremos hoje, Príncipe Edwin?”

 

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