Vol 1

Capítulo 4

O Chefe Oculto Encontra Um Dragão

“Qual é a dessa patricinha?” Suspirei.

“Acho que está tudo bem. Pense nisso como algo com que você só terá que lidar até a formatura e seja apenas amiga dela.”

Patrick e eu conversávamos enquanto caminhávamos lado a lado por um corredor da Academia. Eleanora parecia não ter se cansado de mim e ainda falava comigo o tempo todo. Eu estava contando com Patrick, mas ele parecia se divertir ao me ver sendo seguida por ela.

“Não quero lidar com a família do duque.”

“Conversei um pouco com a senhorita Eleanora. Ela é bem estranha, mas você sabe que ela não é má pessoa. Não faria mal se você se esforçasse um pouquinho”, comentou Patrick.

“Vou pensar nisso”, resmunguei. “Bem, estou voltando para o meu quarto agora.”

Patrick realmente continua nos incentivando a nos darmos bem.

Chegando em frente aos dormitórios, virei a esquina e comecei a caminhar na direção oposta de Patrick, mas fui parada imediatamente.

“Ah, espera aí”, gritou Patrick. “Você vai à festa de fim de ano?”

“Eu realmente não me importo com eventos sociais, então acho que não irei.”

“Entendo”, disse Patrick depois de um momento. “Você deveria vir, caso mude de ideia.”

Depois de me despedir de Patrick, fiquei pensando sobre a ocasião enquanto caminhava de volta para meu quarto.

“A festa de fim de ano, hein”, murmurei para mim mesma.

Aquele evento escolar era uma verdadeira festa, pois servia também como prática de etiqueta social. Em outras palavras, não tinha nada a ver comigo, então achei que não tinha nenhum problema em faltar.

Ah, é verdade. No jogo, havia um evento em que você escapava do local da festa com o interesse amoroso com o maior parâmetro de afeição.

Eu quero ver qual caminho Alicia estava seguindo, embora isso possa não ser uma informação realmente útil, visto que já tínhamos nos desviado bastante da história original do jogo. Eu ficaria grata se ela seguisse o caminho do Príncipe Edwin da história principal. Se fosse esse o caso, ela derrotaria o Lorde Demônio e então ficaria noiva do príncipe como a segunda vinda da santa, deixando-me completamente ilesa — pelo menos, idealmente, ela faria isso.

Eu já havia avisado o Patrick que não compareceria, mas talvez não me incomodasse dar as caras por um breve tempo. Os vários pensamentos que me rondavam me impediam de notar a presença de alguém por perto. De repente, uma voz me chamou à queima-roupa.

“Yumiella! Já escolheu seu vestido para a festa de fim de ano?”

Uau, é ela de novo.

Ultimamente, eu tinha me acostumado um pouco com ela, e minhas respostas estavam se tornando extremamente superficiais.

“Meu vestido? Não posso usar meu uniforme?”

“Você não pode, de jeito nenhum. Vamos usar vestidos fabulosos e dançar!”

“Mas eu não tenho um parceiro de dança”, tentei argumentar.

“O quê? Você tem o Patrick, não é?”

A patricinha de cabelo cacheado duplo está dizendo algo engraçado. Por que o nome do Patrick está aparecendo?

{Moon: EU NÃO SEI Yumi-chan… Por que será?}

Eu sabia dançar — tínhamos aulas simples na Academia, e eu provavelmente conseguiria dançar muito bem se usasse minhas habilidades físicas ao máximo, pelo menos uma vez. Afinal, era um evento da escola; talvez fosse bom comparecer. A única questão era: eu tinha mesmo um vestido?

“O Patrick não tem nada a ver com isso. Além disso, eu não tenho vestido.”

“Entendo. Se tivéssemos um, não ficaria pronto a tempo. Então… vou te emprestar um dos meus! Vamos escolher juntas!”

Eu disse que não tinha vestido, mas seria mais correto dizer que não sabia se eu tinha um vestido. Passei o último ano alternando apenas entre meu uniforme e pijama.

Sinto como se tivesse um armário no meu quarto… talvez…

Depois de me livrar da Eleanora com sucesso, voltei para o meu dormitório.

“Ei, Rita, eu tenho algum vestido?”

Os olhos de Rita se arregalaram. “Que incomum você se preocupar com vestidos, senhorita.”

Não precisa ficar tão surpresa…

Desde que foi enviada pelos meus pais, Rita continuou a me transmitir as instruções deles. No outro dia, ela mencionou conversas sobre um casamento arranjado pela enésima vez, o que eu brilhantemente ignorei. Rita se resignou a apenas transmitir as mensagens deles em vez de tentar me fazer seguir suas instruções, porque eu sempre me recusei a ouvir.

“Preciso de um para a festa de fim de ano. Se não tiver, posso usar meu uniforme…”

“Bobagem! Esta festa é uma ocasião especial, senhorita. Vamos te maquiar também.”

“Maquiagem é desnecessária.”

Rita desempenhava seu trabalho de empregada com perfeição, e o chá que ela preparava era maravilhoso. Eu só queria que ela parasse de tentar aproveitar todas as oportunidades de fazer eu me arrumar.

Não importa se é senso comum ou não neste mundo, os alunos não deveriam usar maquiagem.

“Então, temos algum vestido?”

“Bem, nós temos, mas…”, respondeu Rita vagamente. Ela foi até o armário e abriu as portas para me mostrar o que havia lá dentro.

Ah, entendi.

O armário estava cheio de uma infinidade de vestidos fabulosos. Os vestidos em tons pastéis machucavam meus olhos.

“Ah, uau…” Eu consegui forçar a fala. “Que maravilha… Esses babados e fitas são tão exagerados e totalmente incríveis.”

“A patroa encomendou estes”, respondeu Rita ao meu sarcasmo. Fiquei me perguntando quantos anos essa minha mãe achava que eu tinha.

Os vestidos, que eram vários, eram todos de cores quentes, como rosa e amarelo. Eram feitos sob medida para o meu uniforme, então o tamanho não parecia ser um problema, mas isso me deixou ainda mais desconfortável.

“Algo um pouco mais simples seria legal, como preto ou branco.”

“Branco é para casamentos, e preto é para funerais”, afirmou Rita, com naturalidade.

“Então que tal marrom ou cinza?”

“Elas não são cores realmente comuns.”

Por que não? Eu não desgosto de cinza.

Nesse momento, ouvi o som de uma batida, seguido pela voz de alguém: “Entrega para a senhorita Dolkness.”

“Eu pego”, Rita ofereceu.

Vou deixar que ela cuide dos convidados. É uma pena, mas acho que vou desistir da festa de fim de ano. Espera… que pena? Eu não estava particularmente ansiosa pela festa, então por que ela parece uma pena?

Rita voltou enquanto eu ainda estava pensando.

“É de Sua Majestade.”

Parecia que o convidado trouxe um presente enviado pela rainha. Eu já havia recebido vários presentes da rainha, como chá ou guloseimas; no entanto, este presente parecia diferente.

“O que é isso? Não é meio grande?”

Rita segurava uma bolsa mais ou menos da sua altura — era do tamanho perfeito para guardar um vestido.

Será que é realmente…? Que tipo de timing foi esse?

“Vou abrir”, disse Rita, revelando o presente. “Como esperado, é um vestido.”

O presente era um vestido vermelho. Era o tipo de vermelho que poderia ser descrito como profundo, refinado ou, talvez, semelhante ao vinho.

“Uau, esse vestido vermelho carmesim vai ficar muito bem em você, minha senhora.”

Minha falta de vocabulário parecia estar em evidência.

Chama-se vermelho “carmesim”, hein? Eu devia ter feito uma avaliação de cor ou algo assim.

“Bem, acho que não vai servir”, declarei.

“Vamos experimentar!”

Rita estava mais agressiva do que o normal e me incentivou a experimentar o vestido. O modelo sem mangas e justo era perfeito para o meu corpo.

Espere… Por que ela sabe meu tamanho?

 

<==<>==<>==<>==>

 

Chegou o dia da festa de fim de ano, e os alunos, todos vestidos a rigor, estavam reunidos num salão da Academia. Olhar para o lustre reluzente e os rapazes e moças dançando num espaço aberto abaixo dele me deixou morrendo de vontade de ir embora.

O salão ficou em silêncio quando entrei. Continuei caminhando para o local sem me importar, apesar de todos os olhares que sentia se concentrando em mim. Lentamente, começaram a circular sussurros, provavelmente sobre coisas como meu vestido estar tingido de vermelho por causa dos respingos de sangue — era fácil perceber, mesmo sem ouvir.

Havia uma pessoa vindo em minha direção, enquanto todos os outros mantinham distância. Eleanora, que estava um pouco longe de onde eu estava, veio direto em minha direção ao me ver entrando no salão. Ela ajeitou o vestido, aparentemente acostumada a esse tipo de evento.

“Nossa, Yumiella! Acho que você decidiu vir, afinal”, disse ela, alegre.

“Olá, senhorita Eleanora.”

“Você não pediu para o Patrick acompanhá-la?”

Eu queria perguntar por que o Príncipe Edwin não a acompanharia, mas isso era algo que eu não diria de jeito nenhum. Eu havia confirmado que Patrick compareceria, mas, tirando isso, não havíamos conversado sobre a festa. Ele era popular entre todos os aristocratas provincianos, independentemente do gênero, então havia uma chance de que ele tivesse planejado acompanhar outra pessoa.

“Por que você está falando do Patrick?”, perguntei, genuinamente confusa.

É porque não passo tempo com mais ninguém? A Eleanora precisa parar de pensar em romance.

“Huh? É porque vocês são—“

“Yumiella, você veio”, uma voz gritou como se quisesse interromper Eleanora.

“Vou para outro lugar, para não incomodar vocês dois”, disse ela antes de sair apressadamente do local.

A consideração dela é desnecessária. Não há sentimentos não correspondidos ou correspondidos entre o Patrick e eu.

{Yoru: será…? | Del: Sip. | Moon: “Melhor você dizer isso para ele, meu amor… Só o amor te deixa maluco assim…” (entenderam a referência?)}

Virei-me e encontrei Patrick, exatamente como eu esperava. Eu sempre reconheço sua voz.

“Eu meio que senti vontade de vir”, expliquei. “Mas eu estava pensando que, afinal, eu deveria ir embora.”

Usar esse vestido é realmente um pouco embaraçoso…

Patrick não respondeu a nada do que eu disse e ficou ali paralisado e com os olhos arregalados.

Confusa com sua reação e falta de resposta, dei um passo para mais perto dele, mas Patrick imediatamente deu um passo para trás.

“O que houve?” perguntei.

“N-Nada.”

Não tem como não ser nada.

{Yoru: O cara foi pego de surpresa, foi super-efetivo kkkk}

O olhar de Patrick disparou ao redor com desconfiança.

“Sério, o que houve, Patrick? Você está procurando alguém?”

“Não é nada.”

O que está acontecendo com ele? Ele está mesmo procurando alguém, ou… Ah! Já sei!

Não seria incomum que Patrick tivesse uma queda por uma ou duas garotas. Não seria bom para ele se ela nos visse juntos.

Acho que vou ser atenciosa agora e ir embora. Que triste…

“Então vou indo.”

“Espere”, disse Patrick com uma expressão estranhamente séria. Ele agarrou meu braço para me impedir, o que fez meu coração disparar.

Seria por causa do calor da mão dele? Quer dizer, este vestido não tem mangas.

“Hum… Tudo bem se for só uma música, mas você me honraria com uma dança?”

“Honrar você com uma dança” soa tão aristocrático. Eu também deveria ficar feliz com isso, como uma aristocrata, e dizer algo em troca.

“Claro.”

Ah, não, isso soou meio frio.

“Essa resposta é muito sua”, disse Patrick com um pequeno sorriso.

Acho que está tudo bem.

Em uma área afastada do centro do salão, Patrick e eu começamos a dançar de mãos dadas. Na minha cabeça, eu conseguia dançar perfeitamente e tinha confiança nos movimentos do meu corpo, então por que meus movimentos estavam tão desarticulados? Eu estava com inveja de Patrick, que estava perfeitamente na liderança. “Tudo bem se você pisar nos meus pés. Relaxe um pouco mais.”

“Você não se importa de ter seus pés esmagados?”

“Ei, pisar e esmagar são duas coisas diferentes.”

Enquanto brincávamos como sempre, comecei a me acostumar a dançar, e meu corpo começou a se mover suavemente com a música. Com um pouco mais de espaço para respirar, consegui olhar ao redor. Havia muitos olhares em mim, especialmente os dos alunos do sexo masculino. Eles devem ter sentido como se estivessem vendo um robô de batalha começar a dançar de repente.

“Não tem muita gente olhando?”

“É porque você está bonita.”

“O quê—?”

O que você está dizendo? E sem hesitar? Preciso me acalmar. Não sou alguém cujos sentimentos se deixam influenciar por gentilezas sociais. Mas minhas mãos estão começando a suar. O que faço…?

“Se você disser coisas assim para qualquer um, as pessoas não vão acreditar em você”, eu disse, tentando me acalmar.

“Não sei se você é apenas lerda ou…”

“Bem, não há como eu dar uma resposta adequada a uma gentileza social.”

“Na verdade, eu sou o mais lerdo. Hoje finalmente percebi que eu—“

{Yoru: 👀 | Moon: Ah meu casal… Fofo…}

Meus únicos pensamentos eram sobre minhas palmas suadas, então, no momento em que a música terminou, rapidamente soltei suas mãos e limpei as minhas no vestido.

“O que você estava dizendo?” Então, percebi que talvez tivesse sido rude. “Ah, não foi porque suas mãos estavam sujas nem nada. É só o meu suor.”

“Eu sei. Deixa pra lá”, respondeu Patrick, um pouco irritado.

Desculpe-me por ter dançado tão mal. Bem, é hora de ir embora.

Quando eu estava prestes a perguntar a Patrick quais eram seus planos depois do baile, uma voz veio do meu lado.

“Senhorita Yumiella, você me honraria com uma dança?”

A oferta parecia ter vindo de um aluno de um ano superior.

Quem é você, sujeito?

Eu podia ouvir Patrick chupando os dentes.

Ah, entendi. Não sei os detalhes, mas esse cara não deve se dar bem com o Patrick. Isso é trabalho para o meu golpe final.

“Só estou interessada em pessoas mais fortes que eu.”

“Ah, hum, entendi”, respondeu ele com um olhar vazio. Abatido, recuou.

Legal! Eu o afastei, Patrick.

“Seu tipo é… gente forte…” Patrick estava murmurando algo com uma expressão séria no rosto.

{Yoru: vixe, o golpe atingiu o aliado também… | Del: Fogo amigo tá ativado. | Moon: Virou Minecraft do nada?}

Você está bem?

 

<==<>==<>==<>==>

 

A festa de fim de ano havia acabado e as longas férias de primavera estavam à nossa frente. Muitos alunos me convidavam para tomar chá ou participar de festas. Os alunos que conversavam cautelosamente comigo provavelmente estavam sendo instruídos por suas famílias a me convidar. Cada vez que eu recusava, me deparava com uma expressão complicada que parecia uma mistura de alívio e uma pitada de decepção.

Naturalmente, minha família me disse para voltar para casa. O convite veio com o objetivo de tentar me apresentar a “alguém maravilhoso”, o que eles não pareciam ter a menor intenção de esconder.

Acima de tudo, não creio que possam chamar de “voltar para casa” ir a uma casa onde nunca estive antes para visitar pessoas que nunca conheci.

Havia um lugar para onde eu queria desesperadamente ir durante as férias de primavera. Eu iria mesmo sem ser convidada, mas, se possível, seria melhor ser convidada. Eu não tinha certeza se meus sentimentos a afetariam, mas apenas três dias antes das férias, a garota que eu estava esperando finalmente veio falar comigo.

“S-Senhorita Yumiella, há algo que eu gostaria de falar com você.”

“Claro, eu posso falar, Jéssica. E você pode tirar o ‘senhorita’. Não precisa de formalidades.”

A garota cujo convite eu esperava era Jessica Montford. No jogo, ela era amiga de Alicia. Ela conversava gentilmente com Alicia, que estava tendo dificuldades para se adaptar à Academia, e com valores plebeus semelhantes, as duas se tornaram amigas rapidamente. Jessica compartilhou informações aristocráticas básicas que ajudariam Alicia e a ajudariam a progredir no jogo — ela era uma personagem coadjuvante. No entanto, aqui Alicia se aproximou dos interesses amorosos quase imediatamente, então as duas nunca desenvolveram uma amizade. Eu nunca tinha falado com Jessica antes, mas precisava ir à casa dela.

“Bem, então, Yumiella, você deve ter planos para as longas férias, certo?” ela perguntou enquanto se contorcia como um pequeno animal.

“De jeito nenhum. Minha agenda está completamente vazia.”

Então, por favor, me convide para sua casa.

“Hum, um dragão apareceu perto da Baronia de Montford, onde fica minha casa. Atualmente, apenas gado foi ferido, mas pessoas podem ser feridas a qualquer momento. O exército central não se envolve até que alguém seja ferido, então… pensei que talvez você pudesse fazer algo a respeito, mas não tem como, né?”

Naturalmente, respondi imediatamente: “Vamos nos livrar daquele dragão”. Não pensei que seria tão fácil.

Este era um evento importante no jogo. Jessica teria pedido ajuda à sua amiga Alicia durante a crise em seu baronato, mas, devido aos meus efeitos como anormalidade, elas nunca se tornaram amigas. Isso levou Jessica a recorrer a medidas desesperadas e vir até mim.

Claro, havia uma razão para eu ter aceitado o pedido dela: a recompensa por esse evento era muito atraente.

“Hum, está tudo bem mesmo?” Jessica pareceu perplexa com minha disposição.

Pode ficar feliz com isso. Eu também fico feliz que você tenha vindo até mim.

Patrick me convidou para visitar o território do marquês, mas é claro que recusei.

 

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A longa pausa havia começado, e eu estava na Baronia de Montford. Jessica, que costumava ter medo de mim, agora conseguia conversar comigo normalmente — talvez ela tivesse se acostumado comigo durante a viagem de carruagem.

“Você tem certeza de que o dragão é do tipo fogo?” perguntei em algum momento da jornada até seu domínio.

“Sim, é o que diz a carta do meu pai. Aparentemente, ele está instalado na montanha mais alta da região.”

“Entendo. Há mais alguma coisa que eu deva saber?”

“Hum… A carta também mencionava que não parecia possível derrotá-lo sem contramedidas contra fogo. Acho que posso te dar mais detalhes quando chegarmos em casa.”

É como o jogo, acho que posso esperar por isso também.

Agradeci a Jessica e me virei para olhar pela janela no momento em que sua casa surgiu. A baronia do Barão de Montford ficava no campo, em uma terra rústica e repleta de natureza. Eu conseguia entender por que era alarmante para um domínio daquele tamanho ter um dragão aparecendo.

“Cheguei!”, anunciou Jessica em voz alta, às portas da mansão do barão. “Trouxe alguém que provavelmente pode derrotar o dragão!”

Um após o outro, os criados apareceram, felizes com seu retorno.

“Bem-vinda ao lar, senhorita. Deve ter sido uma longa viagem para você e sua amiga.”

Heh heh, “amiga”. Acho que você quis dizer “exterminadora de pragas”.

“Muito obrigada pelo convite. Sou Yumiella Dolkness.”

“Obrigado por ter vindo”, cumprimentou Sir Montford. “Infelizmente, um dragão apareceu nesta área, então talvez não possamos ser tão hospitaleiros quanto esperávamos”, disse ele, desculpando-se.

Huh? Achei que a Jessica tivesse enviado uma carta explicando as coisas.

“Pai, a Yumiella é a pessoa que derrotará o dragão por nós.”

O rosto do barão se contorceu em confusão com a explicação de Jessica. “Ah, ela é a pessoa que você disse que era tão forte quanto o Lorde Demônio?”

Espera, Jessica. Você escreveu na carta que eu sou tão forte quanto o Lorde Demônio?

Enquanto eu a encarava com o canto do olho, Jessica entrou em pânico para explicar.

“O nível da Yumiella é 99. E eu disse que ela era forte o suficiente para derrotar o Lorde Demônio, não que ela era tão forte quanto.”

A expressão do barão permaneceu inalterada. Era algo que eu não sentia há algum tempo.

Na manhã seguinte, parti imediatamente para a montanha para derrotar o dragão, acompanhada de dois soldados que me indicaram o caminho. Jessica foi atenciosa e se ofereceu para se juntar a mim, mas recusei educadamente, pois ela não parecia ser uma vantagem para a batalha.

“Ei, por que temos que concordar com o que uma aristocrata mimada quer?” um dos soldados murmurou para o outro.

“Não sei. Temos que seguir as ordens do barão.”

Os dois soldados aparentemente pensaram que eu era uma garota mimada que só queria ver um dragão. Ignorei a discussão silenciosa deles e subi a trilha da montanha em alta velocidade.

Finalmente encontramos uma clareira no meio da montanha, e decidi esperar o dragão lá.

“Vamos fazer uma pausa aqui.”

Os dois que me seguiram sentaram-se no chão, sem fôlego.

Vocês precisam de mais resistência. Posso sugerir subir de nível?

“Senhorita”, começou o soldado mais velho, entre arquejos. “Esqueci de mencionar isso, mas se o dragão aparecer, vamos embora imediatamente. Mantenha sua devassidão aristocrática ao mínimo.”

Eles ainda não entenderam o que está acontecendo? Não acham estranho que eu não esteja nem perto de ficar sem fôlego vindo até aqui?

De repente, estava ali. Olhei fixamente para um ponto no céu sem responder ao soldado. Confusos com minhas ações, os soldados também olharam para o céu, encontrando uma única sombra.

“O-O que é aquilo? Essa sombra… É o d-dragão?”

A sombra cresceu à medida que se aproximava e, por fim, chegou perto o suficiente para ser facilmente reconhecida como um dragão.

“Escondam-se! Vamos esperar ele passar!”

“Parece que já nos encontrou”, informei-os calmamente.

Os soldados correram e se esconderam na sombra de uma pedra próxima.

Eles não me ouviram? Se esconder é inútil agora.

O dragão circulava a área ao nosso redor — talvez estivesse em guarda porque humanos haviam invadido seu território. O dragão que apareceu era do tipo fogo, exatamente como Jessica havia descrito. Chamas se curvavam ao redor de sua boca, como se nos avisasse que ele poderia cuspir fogo a qualquer momento.

Enquanto eu olhava para o dragão no céu, pensei em como o derrotaria. Se possível, eu queria recuperar as pedras mágicas depois de derrotá-lo, mas a maioria dos meus feitiços de longo alcance destruiria tudo, sem deixar nada para trás, e meus feitiços direcionados eram ativados através das sombras do alvo, o que significava que eu não poderia usá-los contra um inimigo voador.

Olhei rapidamente para os soldados escondidos atrás da pedra, apenas para encontrar seus rostos contorcidos em desespero.

“É-É o fim… Vamos ser comidos…”

Vocês não estão desistindo muito fácil?

Meus companheiros pareciam estar doentes mentalmente, então decidi cuidar das coisas rapidamente.

Buraco negro.”

Meu feitiço foi ativado, cobrindo a asa esquerda do dragão com escuridão. A asa então desapareceu, junto com a escuridão. O dragão girou e mergulhou no chão. Eu estava prestes a acabar com ele, mas parecia que ele já havia morrido com o impacto.

Bem, ele foi mais fraco do que eu pensava.

“V-você conseguiu! Você é incrível, senhorita!”

Os soldados tinham mudado de água para vinho e ficaram tão comovidos que começaram a chorar.

Foi realmente tão impressionante? Eu disse que cuidaria do dragão três vezes inteiras no caminho para cá.

“Odeio estragar seu momento de felicidade, mas ainda não acabou.”

Sim, eu havia derrotado o dragão do tipo fogo, mas a batalha ainda não havia terminado. A verdade é que o dragão que se estabeleceu nesta montanha era um de um casal reprodutor. No jogo, dizia-se que o elemento do chefe era fogo, então muitos jogadores provavelmente equipavam armas do tipo água e armaduras resistentes ao fogo. No entanto, após derrotar o dragão do tipo fogo, havia outra batalha com um dragão do tipo vento. Claro, o segundo era mais forte, então o evento era uma armadilha onde você realmente tinha que se preparar contra o elemento vento.

De repente, um rugido reverberou por toda a montanha.

Talvez esteja com raiva porque a esposa foi morta. Mas espere… Talvez este aqui seja o marido?

O dragão de vento voou para o céu a partir de uma floresta próxima, vindo direto em nossa direção.

Aí está o tipo vento. É muito mais forte que o último dragão.

“C-Cuidado!” gritou um soldado, vendo que o dragão estava vindo em minha direção.

Mas não foi problema para mim.

Lança das Sombras.”

O dragão parou bem na minha frente, perfurado no ar pela profusão de lanças que se projetavam da minha sombra antes de morrer. A morte deste dragão veio por me atacar da direção em que minha sombra foi projetada.

Os soldados pareciam ter envelhecido vários anos depois de duas rodadas da montanha-russa emocional que foi se preparar para morrer e sobreviver no final. Mandei-os de volta com duas grandes pedras mágicas pelo trabalho. Quanto a mim, fui ao topo da montanha para obter o item que vim buscar.

Por que um casal de dragões reprodutores veio de repente para esta montanha? Para criar um filho, é claro. Não pude deixar de sorrir ao ver como as coisas tinham corrido tão bem.

Dentro do ninho estava o item que eu estava procurando: um ovo de dragão.

 

<==<>==<>==<>==>

 

As longas férias de primavera acabaram, e hoje era meu primeiro dia como aluna do segundo ano. Considerando que cheguei no primeiro dia do novo semestre segurando um ovo enorme, chamei bastante atenção.

“Ei, Yumiella, quanto tempo”, Patrick me cumprimentou. “Então, erm... O que é isso?”

“É o meu filho. Eu o dei à luz.”

Patrick me levou a sério por um momento e me agarrou pelos ombros. “O quê!? Com qu—! Ah, você está brincando”, interrompeu ele, milésimos antes de me interrogar sobre quem era a outra pessoa.

{Yoru: KKKKKKKKKKKKKKKK | Del: Enfim, Yumiella. | Moon: akakakakak Gênia demais!!}

Nossa, não imaginei que ele fosse entrar em pânico tanto. Será que eu pareço que poderia botar um ovo?

“É um ovo de dragão. Aconteceram algumas coisas durante as férias. Você entendeu.”

“Entendi o quê? Não acho que ‘algumas coisas’ normalmente levam a pegar um ovo de dragão. Você vai chocá-lo?”

“Esse é o plano. Já discuti com Sua Majestade.”

Eu havia obtido permissão do rei para ficar com o dragão por meio do diretor. Domadores de dragões eram valiosos e geralmente pertenciam ao estado, mas recebi o tratamento gentil de obter uma isenção para isso também. Até me perguntaram se havia alguma preocupação com a minha vida escolar — pelo menos para os que estavam no topo, este país era o melhor.

Quanto à minha piada anterior, a parte sobre o ovo ser meu filho não estava completamente errada. Dragões incubam seus ovos despejando energia mágica neles. Quanto mais energia mágica fosse despejada em um ovo, mais forte o filhote ficaria, então os pais dragões passavam o tempo despejando magia no ovo a ponto de as refeições se tornarem uma necessidade constante — e é por isso que, na Baronia de Montford, eles estavam atacando o gado de forma incomum.

Ao eclodir, o bebê dragão reconheceria a entidade da qual recebeu a maior parte da energia mágica como seu progenitor, mesmo que essa entidade fosse de uma espécie diferente. Em outras palavras, se um humano chocasse um ovo de dragão, o dragão o reconheceria como seu progenitor. Dizia-se que monstros nunca poderiam se conectar completamente com um humano, mas dragões eram os únicos monstros que tinham a possibilidade de obedecer às pessoas.

Dito isso, era extremamente difícil obter um dragão que se sentisse à vontade com humanos. Ovos já eram difíceis de encontrar e, mesmo que encontrasse um, despejar mais magia no ovo do que os dragões originais não era algo fácil de fazer. O fato de o Reino de Valschein ter domesticado apenas dois dragões era prova disso.

No jogo, o ovo foi afetado pela energia mágica de Alicia e, assim, produziu um dragão do tipo luz. Esse dragão cresceu o suficiente para voar com os membros do grupo. Sim, eu havia me intrometido no evento em que você obtinha um método de viagem. Imaginei que não havia restrições como no jogo, onde você só podia viajar para lugares que já tivesse visitado, então era extremamente atraente para mim. Eu queria voar. Era um método de viagem conveniente e, se necessário, certamente seria útil para facilitar uma fuga do reino.

“Não sei como dizer isso, mas… há algo de sinistro nisso, para dizer o mínimo”, disse Patrick, olhando para o ovo enquanto falava.

Bom, isso é meio maldoso.

Era verdade que o ovo, que tinha ficado preto como petróleo depois que eu despejei tanta energia mágica nele que fiquei com medo de que ele explodisse, estava emitindo uma aura intimidadora.

“Não diga algo tão terrível para o meu filho. Ele é tão fofo”, respondi enquanto abraçava o ovo. A princípio, pensei no meu futuro dragão como um táxi conveniente, mas depois de carregá-lo comigo o dia todo, todos os dias, comecei a cuidar e me importar com ele. Ele nasceria através da minha magia negra, então era igual ao meu próprio filho — eu não o trataria mal porque ele era classificado como um monstro.

Patrick ergueu as sobrancelhas. “Fofo?”

“Sim, tenho certeza de que este dragão ficará adorável quando nascer. Ah, certo, preciso pensar em um nome.”

“Entendo. Então você não está tentando criar o dragão mais forte do mundo”, disse Patrick, parecendo um pouco estranho.

Do que ele está falando?

“É meu filho, então é claro que será o dragão mais forte do mundo”, eu disse.

“Ah, entendi. Bem, espero que ecloda em segurança”, respondeu ele com um olhar cansado antes de se levantar e ir embora. Patrick só fazia aquela cara quando eu fazia algo errado, mas geralmente ele se dava ao trabalho de me corrigir. Eu me perguntava se eu tinha dito algo ridículo sem perceber.

{Yoru: Nem te conto.}

Algum tempo se passou, e eu já era conhecida como “a pessoa perigosa com o ovo” pelos novos alunos da Academia. Foi nessa época que notei o ovo se mexendo de vez em quando. Considerando o tempo que havia passado, imaginei que ele chocaria em breve — talvez até hoje ou amanhã. Convidei Patrick na esperança de compartilhar aquele momento tocante com ele.

“Bem-vindo. Agora que penso nisso, é a primeira vez que convido alguém para o meu quarto.”

“O-obrigado por me receber.”

Patrick estava obviamente nervoso quando entrou no meu quarto.

Talvez seja aquela coisa de garoto, de ficar envergonhado por estar no quarto de uma garota. De jeito nenhum, não consigo imaginá-lo pensando em mim desse jeito.

Conversamos sobre o que fizemos durante o intervalo enquanto cuidávamos do ovo. Finalmente ficou tarde demais e estávamos prestes a desistir de esperar que ele eclodisse hoje, mas então, o ovo mostrou sinais de movimento. Depois de um momento, rachaduras começaram a se formar e o ovo começou a balançar.

“Você consegue!”, gritei. O ovo começou a se mover mais agressivamente em resposta e, por fim, uma garra preta surgiu. “Eba! Conseguimos, Patrick!” Olhei para ele e o vi com um olhar solene de determinação.

Não pensei que você levaria o nascimento do meu filho tão a sério...

Patrick devia estar nervoso. “Essas garras afiadas…”, começou a resmungar. “Eu devia ter dito algo antes. Nunca ouvi falar de um dragão fofo. Você vai se decepcionar.”

“Hã, o que você disse?”, perguntei, mal prestando atenção nele. “Ah, espera, olha! Está quebrando mais da casca! Continua! Você consegue!”

Assim que sua mão se libertou, tudo aconteceu rapidamente. O filhote de dragão rompeu a casca e saiu rastejando. Fiquei tão comovida que fiquei paralisada.

Depois de um instante, Patrick começou a falar gentilmente: “Hum, eu sei que você estava imaginando um dragão fofo, mas acho que um dragão assu… quer dizer, um dragão maneiro, não é tão ruim, então…”

Patrick achou isso legal, mas para mim estava mais para...

Fofo!

Que dragão fofo!

O filhote era quase do tamanho de um cachorro de médio porte, com uma boca e olhos grandes. Sua aparência era divina. Naturalmente, seu corpo era todo preto, como meus cabelos e olhos. Afinal, as crianças puxam os pais.

“Acho que se você acha fofo, então tudo bem. Mas eu acho meio celestial.”

Patrick dizia algo, com a voz abafada, mas não consegui me conter e abracei meu filho. O rostinho do filhote estava enterrado no meu peito, ronronando como um gato.

“Patrick! Está ronronando como um gato!”

“Parece mais como se estivesse rosnando…”

Continuei acariciando meu filhote enquanto pensava em um nome. Eu vinha pensando nisso o tempo todo, mas não conseguia pensar em nada de bom.

“Seu nome será… Hmm… dragão, ryuu…”, pensei em voz alta. Um nome baseado apenas nessas palavras provavelmente é simples demais

 “Esse nome ‘Ryuu’ parece bom”, disse Patrick.

“Hã? Ryuu é… Ah, certo.”

Patrick teve uma ótima ideia. Neste mundo, a palavra japonesa para dragão, “ryuu”, não existia. Gostei do nome Ryuu. Eu não sabia diferenciar os sexos dos dragões, mas tinha a impressão de que ele era um menino, então era perfeito.

“Ryuu. Seu nome é Ryuu.” Eu não tinha certeza se ele entendeu minhas palavras, mas Ryuu gritou alegremente enquanto cuspia fogo. Afastei o fogo que ele cuspiu bem no meu rosto com a mão e me preparei para discipliná-lo. “Ryuu, você não pode cuspir fogo dentro do quarto.”

Ele gritou mais uma vez, dessa vez sem cuspir fogo.

{Moon: Uma ótima mãe…}

Que bom menino!

O problema é que ele também disparava lasers pretos dos olhos, dos quais tive que torcer o pescoço para desviar.

“Isso também foi ruim. Bom, Patrick, eu deveria colocar o Ryuu na cama, então vamos encerrar o dia.”

“Espere, você está planejando manter o dragão neste quarto?” Patrick perguntou do canto mais distante para onde ele havia se encaminhado, onde ele estava se encolhendo.

Quando isso aconteceu? Talvez ele não seja bom com animais.

“Claro. Vamos dividir a cama até ele crescer.”

Ryuu provavelmente ficará grande demais para caber no quarto, mas essa era uma coisa que eu me preocuparia quando chegássemos lá.

“Entendo. Tenho certeza de que você vai ficar bem, mas não morra, okay?”, disse Patrick antes de sair do quarto às pressas.

Na manhã seguinte, acordei com Rita gritando. Me levantei com um pulo, completamente acordada e preocupada com o que tinha acontecido, apenas para encontrar um Ryuu, agora muito maior do que eu, dormindo profundamente.

Dizem que as crianças crescem rápido, mas eu não imaginei que fosse assim...

Por enquanto, eu estava feliz que meu filho estava saudável e crescendo. A próxima questão que me preocupava era como tirar Ryuu do quarto.

 

<==<>==<>==<>==>

 

Mais tarde, descobri que os filhotes crescem a partir da energia mágica que seus pais lhes dão. Eu tinha o hábito de despejar energia mágica no ovo enquanto dormia, o que me levou a fazer o mesmo com Ryuu, descuidadamente, depois que ele nasceu — não era de se admirar que ele tivesse crescido e ficado maior do que eu da noite para o dia.

Depois de conseguir tirá-lo pela janela, decidi procurar um lugar para Ryuu viver. Eu já havia obtido permissão do rei para criar um dragão, então certamente não seria um problema para a Academia preparar um lugar para ele dormir.

“Temos que decidir onde você vai morar”, eu disse a Ryuu. “Você provavelmente prefere um lugar perto do meu quarto, certo?”

Ryuu latiu em concordância enquanto caminhava ao meu lado nos pátios da Academia.

Ele entende o que estou dizendo? Meu filho é um gênio?

Observei-o enquanto ele caminhava tranquilamente de quatro, enquanto suas grandes asas faziam batidas curtas e contínuas.

Ele é muito fofo!

“Aaah!” O som de uma garota gritando ressoou por todo o pátio da Academia.

O que está acontecendo?

{Moon: Nem te conto…}

“Ryuu, isso pode ser perigoso. Fique atrás de mim.”

Verifiquei cuidadosamente os arredores com Ryuu escondido atrás de mim. Encontrei a aluna que gritava em uma parte do pátio não muito distante, mas não havia sinais do que pudesse ter causado seu alarme. Ouvindo o mesmo grito, outros alunos e professores chegaram ao local, imaginando o que havia acontecido, apenas para gritarem simultaneamente: “Aaahh!”

“Aaah!”

Do que todos têm tanto medo? Há um perigo desconhecido por perto, e eu preciso proteger meu filho!

“Dragão! Tem um dragão!”

Parecia que um dragão, um dos monstros mais fortes deste mundo, havia aparecido na Academia. Olhei para o céu em busca do dragão, mas não consegui encontrar nada. Patrick também havia se dirigido ao pátio e caminhava lentamente em minha direção.

Não é hora para tanto lazer, Patrick!

“Nossa, eu não sabia que dragões podiam ficar tão grandes em um dia.”

“Parece que um dragão apareceu na Academia, mas não consigo encontrá-lo”, expliquei preocupada.

“Como assim? Está bem atrás de você.”

O quê? Mas atrás de mim estava apenas Ryuu, meu adorável e adorável filhote de dragão.

Ah.

“Entendo”, eu disse, relaxando. “Todo mundo estava fazendo alarde sobre o Ryuu.”

“É normal fazer alarde por causa de um dragão. De qualquer forma, estou surpreso de que ele tenha ficado tão grande.”

Gritar depois de ver um animal fofo não é normal, é simplesmente assustador. Gostaria que eles não fizessem isso. Mas acho que entendo o porquê.

“Bem, acho que ele é fofo mesmo. É possível que em breve vejamos o Ryuu ganhar popularidade.”

Patrick pareceu perplexo. “O quê?”

“Ryuu!”, virei-me para o meu bebê, animada. “Todo mundo está se oferecendo para brincar com você!” Antes que eu percebesse, mais alunos se reuniram para ver Ryuu.

Todos eles devem ser amantes de animais, e todos os amantes de animais são boas pessoas.

Ryuu saiu correndo em direção aos outros alunos, na esperança de brincar com eles.

Ele tem tanta energia!

“Aaah! Corram!”

Todos os alunos se dispersaram imediatamente para os prédios ao redor do pátio.

Hã?

“Por que todo mundo está correndo?”, perguntei-me em voz alta.

“Pare ele, Yumiella!”, gritou Patrick. “Traga o Ryuu de volta!”

“Ryuu, venha aqui!” Eu chamei.

Acho que algumas pessoas têm medo de animais. Eu adoro animais, mas consigo aceitar e respeitar os sentimentos deles.

Ryuu voltou correndo, seu longo rabo abanando rapidamente.

“O que você acha?” perguntei a Patrick, mantendo os olhos fixos no meu filhote.

“O quê? Ah, sobre o Ryuu… certo. Não tenho certeza se ele é fofo… mas ele parece um bom menino. Só que é perigoso deixá-lo brincar com as pessoas, então—”

Antes que Patrick pudesse terminar a frase, sua boca foi obstruída pela de Ryuu. Na verdade, seria mais preciso dizer que a boca de Ryuu estava obstruída, já que a cabeça inteira de Patrick estava dentro dela.

Estou com tanta inveja. Queria que fosse eu.

Patrick deve ter ficado feliz que Ryuu estivesse sendo tão brincalhão com ele por causa do quanto ele estava gritando e se debatendo.

“Ryuu, acho que já chega”, alertei. “Sua baba vai sujar ele todo.”

Ryuu, meu menino muito esperto, ouviu e soltou Patrick.

{Moon: Ah mano kaakakakak, essas cenas foram genias, puro cinema!}

{Del: RAPAIZ, mas esse Ryuu tá tenebroso aqui na novel hein. | Moom: Eu achei fofinho…}

“Você está bem?”, perguntei a Patrick. “Você é o tipo de pessoa que se importa em ser babada?”

“Vou só ficar feliz por estar vivo”, disse Patrick, trêmulo. Ele se levantou e cambaleou para longe antes de finalmente se sentar no chão.

Decidi que era hora de brincar com Ryuu eu mesma. Não sabia bem o que os dragões faziam para se divertir, mas mexer o corpo provavelmente seria uma boa diversão. No entanto, antes que pudéssemos brincar, outra pessoa apareceu no pátio, atrapalhando a diversão em família.

Ela é irritante mesmo agora que somos alunos do segundo ano.

“Ah, Yumiella! Você também saiu para um passeio matinal? Eu… ah.” Eleanora caminhava em minha direção, mas parou no meio do caminho ao notar Ryuu. Depois de encará-lo em silêncio por alguns segundos, ela de repente soltou um suspiro alto.

Não grite, por favor. E se você assustá-lo?

“Quem é essa gracinha?!” ela gritou.

Ah, eu não achava que Eleanora era uma amante de animais. Achei que patricinhas como ela geralmente odiavam animais.

“O nome dele é Ryuu. E sim, ele é fofo, não é?”

“Posso te tocar?”, perguntou ela a Ryuu. Após obter sua permissão, Eleanora acariciou delicadamente seu pescoço e queixo negros como carvão. Ryuu ronronou estrondosamente, parecendo estar gostando.

“Ele é realmente adorável. Por que vocês não se aproximam?”, disse Eleanora, chamando sua comitiva. As meninas, que observavam de longe, balançaram a cabeça agressivamente em sinal de recusa.

“Muitas pessoas parecem ter medo de dragões. Acho que só três pessoas se sentem bem com ele.”

“Não são só duas pessoas?” Patrick, uma das três pessoas, corrigiu.

Entendo. Como mãe dele, eu não conto.

Ryuu parecia ter se interessado pelo broche que Eleanora estava usando, aproximando-se dele e cheirando ao redor.

Você gosta de coisas brilhantes, Ryuu? Você é um verdadeiro conhecedor de moda.

“Ah, você está interessado nisso?”, perguntou Eleanora.

“Vejo que ambos temos uma queda por pedras preciosas.”

Além do broche no peito, Eleanora também usava um colar com uma grande pedra preciosa. Francamente, não entendi o apelo.

“Aqui, Ryuu, vá lá e pegue!” Eleanora tirou o broche e o jogou com toda a força. O broche desenhou uma linda curva enquanto voava pelo céu.

Hein? Tudo bem jogar assim? Não é caro?

Ryuu seguiu as instruções de Eleanora e foi direto para a pedra preciosa em volta do pescoço dela, mordendo a cabeça de Eleanora como fez com Patrick.

Estou com tanta inveja!

“Você foi atrás da pedra preciosa do colar! Você é tão esperto, Ryuu!”, comemorei.

Todas as meninas da comitiva de Eleanora gritaram ao ver aquilo.

Se estão tão preocupadas com sua chefe, vocês deveriam vir salvá-la.

“Tudo bem, Ryuu, chega.”

Eleanora ofegou. “Achei que ia morrer!”

Morrer? Isso é um exagero.

Apesar de suas palavras, Eleanora parecia um tanto orgulhosa.

“O mundo é um lugar vasto, mas eu devo ser a única filha de um aristocrata que foi mordiscada por um dragão!” ela disse enquanto abraçava Ryuu após escapar de sua mordida.

“Sim, afinal, a maioria das pessoas morre depois de ser mordida.”

Se Ryuu tivesse tentado seriamente morder Patrick e Eleanora, eles teriam perdido a vida. Por outro lado, um dragão que morde de brincadeira… Bem, o que poderia ser melhor do que isso?

“Certamente o Sir Edwin vai me notar agora!”

Hmm, eu não teria tanta certeza.

Por fim, foi decidido que Ryuu ficaria em um armazém nos arredores da Academia.

É um pouco longe dos dormitórios, mas com certeza irei visitá-lo com frequência.

 

<==<>==<>==<>==>

 

Eu era agora uma aluna do segundo ano da Academia, algo que eu havia esquecido completamente durante a eclosão de Ryuu. Em outras palavras, havia alunos aqui agora que eram um ano mais novos que nós.

Aqueles alunos não sabiam nada sobre as várias coisas que eu havia feito na Academia. Em outras palavras, esses relacionamentos seriam formados do zero.

Espero poder usar meus erros do passado para construir bons relacionamentos com meus colegas mais novos. Tudo bem se eles forem um pouco arrogantes. Vou aceitá-los como são. Posso fazer isso como mais velha. Mesmo que digam algo sobre meu cabelo preto, vou deixar passar.

Com a virtude em mente, eu estava preparada para receber os alunos que chegavam, mas algo parecia estar errado com eles. Ao me verem nos corredores, eles se afastavam e ficavam paralisados, e se me vissem no pátio, corriam para dentro do prédio.

“Será que eu fiz alguma coisa com os alunos novos?”, perguntei ao Patrick um dia depois da aula. Ele era oficialmente a minha fonte de referência quando eu estava com dificuldades.

“Não creio que você tenha feito algo diretamente a eles, mas…” ele parou de falar.

“Eu fiz algo a eles indiretamente?”

“Bem, Yumiella, você é bem famosa. A maioria dos aristocratas deste reino sabe quem você é. Mesmo que não soubessem, ainda houve aquele incidente com o Ryuu.”

As coisas estavam melhores agora, mas todos na Academia tinham exagerado na reação a Ryuu. Eu conseguia entender o medo de um dragão, mas Ryuu era apenas um filhote, então não havia necessidade de ter tanto medo dele. Eu também estava infeliz com o fato de Eleanora ser a única que concordava comigo.

Minhas aulas acabaram por hoje. Talvez eu devesse ir ver o Ryuu. Vou convidar o Patrick também!

“Você está livre depois disso?”

“Desculpe, tenho uma coisa para fazer.”

Patrick parecia estar ocupado desde a festa de fim de ano. Parecia estar viajando para fora da Academia, mas não me dizia para onde estava indo. Fiquei preocupada porque ele às vezes voltava com lesões.

“O que está acontecendo com você ultimamente? Se tiver se metido em alguma encrenca, eu gostaria de ajudar.”

“Só mais um pouquinho. Espere só mais um pouquinho”, disse ele com um olhar sério. “Quando chegar a hora, tem uma coisa que eu quero te contar.”

O que ele quer me dizer?

Patrick começou a agir de forma diferente quando nos tornamos alunos do segundo ano, mas as únicas coisas que aconteceram naquela época foram a festa de fim de ano e o nascimento de Ryuu.

Ah, entendi! Deve ter algo a ver com o Ryuu.

“Posso estar enganada, mas acho que o que você quer me dizer e o que estou pensando são a mesma coisa.”

“O quê? Isso… Espera, não. Eu quero ser quem vai dizer”, Patrick gaguejou, com o rosto vermelho.

Eu conseguia entender perfeitamente como ele se sentia. Afinal, eu também estava com um pouco de medo.

“Pode acabar sendo divertido, ou pode acabar sendo doloroso. Mas acho que devemos simplesmente dar esse salto em vez de ficar parados.”

“Certo. Você tem razão”, concordou Patrick, parecendo determinado. “Vamos dizer ao mesmo tempo, então. Yumiella, eu…”

“Patrick, eu…”

Temos os mesmos sentimentos. Está tudo bem.

“Eu quero voar no Ryuu!” Eu disse, realizando meus desejos no céu que eu tanto desejava.

Espera, Patrick acabou de dizer algo diferente?

{Yoru: não sei se eu rio ou se eu choro… | Del: Há tempo para tudo debaixo dos céus meu caro tradutor, no seu tempo, no seu tempo. | Moon: Coitado…}

Suas palavras foram abafadas pelas minhas, e eu não entendi o que ele disse. Patrick falou novamente primeiro. “Voar… tipo pelo céu? Nas costas do Ryuu?”

“Sim! Estou com um pouco de medo, mas isso não significa que você pode tentar por conta própria antes de mim. Isso não seria justo.”

Ryuu vinha crescendo rapidamente e agora era do tamanho de uma casa. Além disso, ele conseguia voar sem que ninguém o tivesse ensinado. Ver Ryuu daquele jeito só me levava a um único pensamento: eu quero subir nas costas do meu dragão e voar pelos céus. Era o sonho de qualquer um. Patrick devia estar indo visitar Ryuu sozinho e se machucou brincando com ele algumas vezes.

“Hum, eu particularmente não quero voar.”

Eu fiquei perdida. “O quê? Então o que você acabou de dizer?”

Patrick desviou o olhar. “Estou surpreso que você tenha medo de voar”, disse ele, mudando de assunto descaradamente. “Achei que você não tivesse medo de nada.”

Acho que é bem constrangedor eu achar que estávamos pensando a mesma coisa. Mas fui eu quem cometeu esse erro, então deveria ser ainda mais constrangedor para mim.

Decidi continuar com o assunto atual, deixando de lado o que Patrick realmente queria dizer.

“Estou com um pouco de medo de cair do céu”, admiti.

“Acho que isso é assustador para qualquer um. A menos que você seja um mago de vento veterano, é difícil controlar o corpo no ar.”

“Não é? Não consigo parar de pensar no que aconteceria se eu caísse onde alguém estivesse. Mesmo que eu estivesse bem, seria perigoso para a pessoa em quem eu caísse.”

Eu provavelmente ficaria bem se caísse de um lugar alto, mas não era o caso das pessoas em quem eu cairia. A ideia de algo ruim acontecer com elas me assustava tanto que me impedia de voar.

“Ah, então você não estava com medo por si mesma.”

“Mas tudo bem. Acho que vou tentar agora mesmo.”

Não havia momento melhor do que o presente. Decidi ir para onde Ryuu estava imediatamente.

Patrick disse que tinha planos, mas foi junto. Talvez ele estivesse interessado em voar, afinal. Caminhamos lado a lado e chegamos ao armazém da Academia, que agora era sua casa.

“Ryuu!” Eu gritei.

Ryuu colocou a cabeça para fora das portas do armazém, que haviam sido alargadas após uma construção apressada. Ao ver meu rosto, ele caminhou alegremente em minha direção e esfregou a cabeça no meu lado.

Ahh, ele é muito fofo!

“Eu estava pensando que você poderia nos dar uma carona hoje”, eu disse a Ryuu. “Só me avise se estiver difícil voar.”

Ryuu latiu em resposta, como se estivesse me dizendo para deixar isso com ele, e bateu suas grandes asas, mostrando que estava disposto e animado.

“Você não deveria esperar se está preocupada?”, Patrick interrompeu, estragando a nossa diversão. Ele olhou para Ryuu. “Você não poderia usar uma sela ou algo assim para se prender a ele?”

“Está tudo bem. Sinto que agora consigo!”

“Com base na minha experiência, você é mais perigosa quando está confiante. Não há dúvida disso.”

Nossa, eu não sabia que ele não me dava tanta confiança.

Se eu esperasse e conseguisse uma sela como o Patrick sugeriu, quem sabe quando seria meu primeiro voo? Uma sela para um dragão provavelmente exigiria uma encomenda personalizada, o que levaria um bom tempo para ficar pronta. Fui em frente e pulei nas costas do Ryuu.

“Vamos, Ryuu! Hoje vamos além do céu!”

Poucos minutos depois, eu estava em queda livre. A causa era minha própria animação. Olhei para Ryuu enquanto caía, que agora estava bem acima de mim, na esperança de conseguir sua ajuda. Ele me lançou um olhar confuso, como se perguntasse que jogo estávamos jogando agora.

Parece que ele não será de muita utilidade.

Eu não tinha certeza se era por causa de seus instintos ou por causa de como eu costumava brincar com ele, mas Ryuu parecia me perceber como um indivíduo muito mais forte do que ele.

“Talvez eu possa pelo menos mudar a trajetória da minha queda”, murmurei para mim mesma.

Se eu continuasse no meu caminho atual, acabaria na área comercial da Capital Real. Tentei pensar em algum lugar que fosse um espaço aberto, sem pessoas, e escolhi o terreno da Academia. Havia muitos prédios perto do campus, mas a área onde Ryuu morava era relativamente vazia.

“Talvez se eu apenas disparasse um pouco de energia mágica…” murmurei, com a mente trabalhando.

Isso poderia ter sido mais fácil se eu pudesse usar magia de vento, mas, infelizmente, eu só tinha magia negra à minha disposição. Decidi liberar uma rajada concentrada de pura energia mágica para o lado, na tentativa de mudar a trajetória da minha queda.

Foi extremamente ineficiente, mas meu plano improvisado deu surpreendentemente certo — agora eu estava caindo direto em direção à Academia. A velocidade da minha queda começou a aumentar, mas parecia que eu chegaria lá sem problemas. Para ter certeza, continuei a fazer pequenos ajustes disparando rajadas horizontais de energia mágica.

“Ah, espere, eu não poderia simplesmente ter apontado a rajada para baixo?”

Eu só estava pensando em pousar em algum lugar longe de outras pessoas, então tinha me esquecido completamente de que poderia simplesmente diminuir minha velocidade usando minha energia mágica da mesma forma. Mas quando o pensamento me ocorreu, já era tarde demais. Caí no chão com um estrondo escandaloso.

Uma nuvem de terra se formou ao meu redor. Consegui mudar a direção do meu corpo no último minuto e cair de pé, o que, felizmente, manteve meu uniforme seguro.

“Tem tanta sujeira no ar.” Tossi. “E meus sapatos também estão estragados…”

Bem, foi uma experiência e tanto.

Me sentei no chão sem pensar muito.

“Yumiella! Você está bem?!”, Patrick gritou enquanto corria em minha direção. Ele provavelmente tinha presenciado minha queda.

“Estou bem. As únicas vítimas foram meus sapatos”, brinquei, apontando para eles. 

“Espera aí. Eu te carrego num instante.”

“O quê? Espera, eu consigo andar. Está tudo bem!” Não havia necessidade de se preocupar tanto.

Tão rápido que não houve tempo para detê-lo, Patrick me pegou no colo e me segurou como uma noiva. Eu me debati, mas não parecia que eu conseguiria escapar. Quer dizer, eu provavelmente conseguiria escapar se me debatesse com toda a minha força, mas eu não queria machucar Patrick, então me contive em todos os meus movimentos. Esse momento trouxe à tona minha fraqueza — mesmo tendo músculos, eu era leve.

{Del: É o homem, mesmo sabendo que ela é forte, ainda a trata como uma dama. Um verdadeiro gentleman.}

“Onde dói? Vou te levar para a enfermaria agora mesmo. Não, espera, se usássemos a magia de recuperação da Yumiella, você poderia simplesmente… Onde está a Yumiella?”

Você está tão nervoso assim? Você está me segurando.

Demorou um pouco para Patrick se acalmar depois de tudo isso. Aparentemente, a história de como Patrick correu pela Academia me carregando como uma noiva se espalhou imediatamente entre os alunos.

“Ei, por que você ficou tão em pânico?” perguntei quando ele se acalmou.

“Desculpe, pensei que você tivesse se machucado e não consegui me conter.”

“Não tem como eu me machucar depois de uma coisa dessas. Você se preocupa demais.”

“Você precisa cuidar mais de si mesma. Os outros podem não pensar assim, mas você também é humana.”

Hein? As pessoas não acham que eu sou humana?

Senti como se ele tivesse me dito algo vagamente terrível, mas deixei passar, pois Patrick era o único que se preocupava comigo daquele jeito.

Preciso ser grata a ele.

 

<==<>==<>==<>==>

 

Minhas segundas férias de verão já haviam chegado, e eu estava visitando a Ala dos Artesãos, na Capital Real, para pegar minha sela personalizada para Ryuu. Eu não achava necessário, mas depois de ser pressionada por Patrick, decidi mandar fazer uma.

Sendo um pedido personalizado, demorou um pouco para a sela ficar pronta. Enquanto isso, eu vinha praticando minhas explosões mágicas de energia e agora conseguia pousar suavemente, mesmo sendo arremessada para o alto, o que tornava a sela ainda mais desnecessária.

Enquanto eu caminhava por uma rua repleta de barracas de comida a caminho da Ala dos Artesãos, um homem se aproximou de mim e começou a caminhar ao meu lado.

Ele está dando em cima de mim?

“Não responda e apenas ouça”, ele falou baixinho, olhando para a frente. “Sou um agente do Reino de Lemlaesta. Tenho algo para discutir com você. Se pretende ouvir o que tenho a dizer, continue em frente e entre no restaurante à direita. É o prédio de dois andares com o telhado vermelho”, disse ele antes de se afastar abruptamente de mim.

É, eu obviamente sabia que ele não estava dando em cima de mim. Seja como for, o que eu faço?

Lemlaesta era um reino vizinho e próximo da casa de Patrick, o Marquesado de Ashbatten. Eu esperava que um agente de um reino potencialmente inimigo entrasse em contato comigo em algum momento, mas parecia que era tarde demais. Talvez houvesse algumas circunstâncias atenuantes, ou talvez isso fosse mais do que uma simples extração.

Minha curiosidade superou a sensação de perigo e decidi entrar no restaurante designado. Parecia bem caro para um estabelecimento no Bairro dos Plebeus — talvez aristocratas também o visitassem secretamente. Ao entrar, um garçom me guiou até a sala do segundo andar, bem nos fundos. Fiquei animada com a natureza clandestina daquilo tudo.

Dentro da sala, havia um homem de aparência comum, sem nenhuma característica marcante, sentado a uma mesa. Ele gesticulou para que eu me sentasse.

“Você deve ser a Yumiella. Obrigado por vir aqui hoje. Sou do Reino de Lemlaesta. Por favor, me chame de Linus.”

“Aqui está o cardápio. Peça o que quiser”, ele insistiu.

Parecia que a conta seria dele, então decidi encomendar o quanto quisesse. Eu não tinha problemas financeiros, graças às pedras mágicas que coletava e vendia de monstros, mas agora que tinha uma criança grande para cuidar, não havia mal nenhum em ser um pouco frugal.

“Vou querer o cozido de porco.”

Um ensopado como este provavelmente era preparado com antecedência, então ficaria pronto imediatamente. Era a refeição perfeita para pedir, dada a situação, mas eu também queria comer algo com sabores marcantes, pelo menos uma vez.

“O-Ok. Vou fazer o pedido”, disse ele com um olhar preocupado antes de sair da sala para fazer o pedido ao garçom.

Ele achou que eu estava insinuando que comeria seus intestinos ou algo assim?

“As pessoas não costumam pedir um bolo ou algo assim?”, ouvi-o murmurar do outro lado da porta.

Ah, entendi. A culpa é toda minha. Desculpe.

Linus voltou logo com o ensopado.

“Obrigada pela comida”, eu disse alegremente. “Ah, vou ficar ouvindo enquanto como, então você pode ir falando.”

Um encontro secreto com um agente de um reino vizinho enquanto comíamos um ensopado de porco… De qualquer forma, a situação toda parecia uma piada. A atmosfera agora estava monótona, mas Linus começou a falar.

“Vejamos, por onde devo começar? Sou um agente secreto que atualmente reside na Capital Real do Reino de Valschein. Há alguns de nós aqui, incluindo o homem que falou com você antes. Sabemos de você desde que entrou na Academia e temos coletado informações e pesquisado sobre você.”

Pesquisando sobre mim? Eu não sou uma espécie nova.

“Como resultado”, continuou ele, “chegamos à conclusão de que seria extremamente difícil recebê-la em nosso reino. Você não parece ter nenhum interesse em títulos ou riquezas, e mesmo que deixasse este reino por algum motivo, não haveria motivo para ir para o Reino de Lemlaesta, que fica perto.”

Então foi por isso que não entraram em contato comigo. Não sei por que decidiram agir agora.

“No entanto, os superiores do nosso reino não ficaram satisfeitos com isso. Parece que certos aristocratas também estão se intrometendo, então, depois do dragão, não consegui mais os conter. Os caras lá em nossa terra estão sempre dando ordens do conforto de suas casas…”

A segunda metade se transformou em Linus desabafando sobre seu trabalho.

Fiquei sem saber o que dizer e decidi lhe enviar algumas palavras de agradecimento.

“Hum, obrigada pelo seu trabalho duro…?”

“Preciso perguntar: você tem algum interesse em vir para o Reino de Lemlaesta? Nós lhe daremos tudo o que estiver ao nosso alcance.”

“O que serei forçada a fazer em troca?”

“Acredito que você entrará no exército.”

Se eu estiver no exército, este reino será meu inimigo. Além disso, a casa de Patrick será o campo de batalha.

“Devo recusar educadamente.”

“Claro que sim.”

Parecia que Linus esperava minha resposta, pois não parecia nem um pouco decepcionado. Ele era agente de um reino vizinho, então eu havia me preparado mentalmente para algo inusitado, mas as coisas não estavam indo como eu esperava. Na verdade, isso não estava correspondendo a nenhuma das minhas expectativas.

Eu realmente comecei a me sentir mal por Linus, então, de certa forma, ele poderia ter tido sucesso em seu trabalho.

“Há mais uma coisa que eu gostaria de perguntar”, disse Linus. O objetivo principal da nossa conversa havia terminado, mas parecia que ele ainda não tinha terminado. “É por curiosidade minha”, acrescentou.

“O que é?”

“Qual é o seu motivo para permanecer neste reino? Presumimos que você fugiria para algum lugar distante em seis meses, especialmente porque a discriminação contra cabelos pretos é particularmente horrível neste reino.”

Ele estava um pouco certo. Imediatamente após entrar na Academia, planejei esconder quem eu era e ir viver em um reino distante. Então o que me levou à situação atual? Era realmente desconcertante.

Não, eu sei a verdade. As coisas provavelmente mudaram depois do treinamento ao ar livre na Academia, quando eu conheci ele.

“Estou aqui porque preciso derrotar o Lorde Demônio. Afinal, é uma crise global.”

Mentira. Se souberem que me importo com ele, podem tomá-lo como refém.

“O quê? O Lorde Demônio só deveria atacar este reino.”

O alvo do Lorde Demônio é apenas o Reino de Valschein? Nunca ouvi nada sobre isso. O rei e o diretor parecem saber algo sobre o Lorde Demônio, mas será que eles sabem disso também? Acho que existe a possibilidade de Linus estar enganado.

“O que quer di—” Comecei a perguntar a Linus, mas parecia que era tarde demais. “Parece que estamos sem tempo”, disse a ele.

Eu podia ouvir o som de armaduras batendo do lado de fora do restaurante. Provavelmente eram soldados Valschein. Eu esperava que viessem, mas parecia que este reino também havia designado um agente para mim.

“Sem tempo?”

“Haverá gente entrando neste estabelecimento. Eles também bloquearam a porta dos fundos. Acho que você consegue escapar se sair pela janela e pular o telhado.”

Não demorou muito para que Linus se movesse. Ele imediatamente fez o que eu disse e pulou pela janela.

Ele se virou por tempo suficiente para dizer: “Muito obrigado. Com certeza retribuirei esse favor um dia”, e então se foi.

Eu queria perguntar mais sobre o Lorde Demônio, mas também não queria vê-lo novamente. No entanto, essa interação foi proveitosa. Graças à pergunta de Linus, consegui perceber meus sentimentos por ele.

Mesmo que ele estivesse falando comigo apenas por pena, mesmo que estivesse lidando com a criança problemática apenas por senso de dever, ele falava comigo. Tínhamos conversas triviais e ríamos juntos, ele se colocou em perigo quando um monstro me atacou e se preocupou genuinamente comigo quando eu caí de Ryuu. Ele me tratou como uma garota normal.

Era assim que Patrick era, e eu provavelmente gostava dele.

{Yoru: É TETRAAAAA!!! | Del: Aeeeeeee!!! É isso, é o Patrick, casal top! | Moon: FINALMENTE AEEEE, VÁ PARA O SEU HOMEM IMEDIATAMENTE!!}

 

<==<>==<>==<>==>

 

Em uma escola primária no interior, havia uma menina que era a única aluna da sua série. O aluno mais próximo dela em idade era um menino dois anos mais velho. Ele ouvia com prazer o que ela tinha a dizer e até a ajudava a estudar. O primeiro amor daquela menina, sem dúvida, seria aquele menino.

“Acho que minha situação é semelhante à daquela garota.”

“O quê? Parecida com quem?”

“Acho que ela está apenas confundindo familiaridade com amor porque não interagiu com muitas pessoas.”

Depois de deixar Linus, o agente secreto de um país vizinho, escapar, eu saí do restaurante pelo mesmo caminho. Ao retornar à Academia e analisar calmamente meus pensamentos, cheguei à conclusão de que minha crença de que gostava de Patrick era um mal-entendido da minha parte.

{Yoru: … | Del: Nah-hã-ah. | Moon: Com licença, eu vou ali me jogar da jan–}

Eu estava discutindo esses pensamentos com Patrick, mas deixei de fora o preâmbulo porque era constrangedor. Naturalmente, ele não tinha ideia do que eu estava falando e tinha perguntas.

“Vou perguntar de novo. Do que você está falando?”

Finalmente criei coragem para dizer o que estava pensando. “Hum, sobre como eu quero ser sua amiga.”

“Você nem pensava em mim como amigo até agora?” ele perguntou, parecendo abatido.

“O quê?”

“Eu pensava em você como uma amiga.”

{Yoru: amiga… sei…}

Que declaração de beleza interior. Aliás, ele era bonito por dentro e por fora. Ninguém é bom por dentro e por fora. Deve haver algo errado. Não vou me deixar enganar!

“S-Só para você saber, não invadirei Lemlaesta”, tentei assegurá-lo. “Se necessário, posso oferecer alguma proteção à sua marca.”

A casa de Patrick ficava na fronteira do reino. Meu valor utilitário deve ser inestimável para o Marquês de Ashbatten.

“Seus problemas de confiança são bem profundos, né? Acho que a culpa é das pessoas ao seu redor. É meio constrangedor ter que dizer isso assim, mas eu nunca vou tentar te usar para conseguir seus poderes. Sei que você fugiria se eu tentasse fazer algo assim, e eu nem quero fazer algo assim, pra começo de conversa”, declarou ele. Ele me encarou por um instante antes de seu rosto ficar vermelho e ele se virar. “Mesmo que você de alguma forma caísse para o nível 1, eu ficaria com você.”

“Tudo bem. Se isso acontecer, vou upar tudo de novo do nível 1.”

“Não é isso que eu… Deixa pra lá”, ele suspirou.

Eu só disse aquilo sobre voltar a me esforçar para esconder meu constrangimento.

Mas eu senti que ele já sabia disso, o que também era constrangedor.

Tentando mudar de assunto, apontei para o boletim afixado no corredor.

“Ei, olha só. São os resultados das provas de meio de semestre. Você está no topo de novo, Patrick.”

“Você também. Afinal, pelo menos você sabe estudar.”

Meus olhos brilharam. Ele estava insinuando que estudar era a única coisa que eu podia fazer?

Havia dois exames por ano na Academia Real — um pouco antes das férias de verão e outro no final do ano letivo. As perguntas geralmente abordavam tópicos sobre a história e as leis do reino, então era extremamente fácil. Consegui passar nos dois exames do primeiro ano com facilidade e consegui tirar quase a nota máxima neste exame de meio de semestre.

Patrick e eu olhamos para os nomes dos melhores desempenhos enquanto continuávamos nossa conversa.

“Talvez eles estejam sendo atenciosos ao não postar os resultados de todos”, pensei.

“Provavelmente haveria muitos problemas se as pessoas pensassem que o herdeiro de uma família poderosa fosse burro.”

Os maiores pontuadores foram eu, Patrick, Príncipe Edwin e Oswald. Foi basicamente a mesma escalação do ano anterior.

“Acho que não há bônus por tirar boas notas nos exames.”

“Também não afeta os exames de carreira para se tornar um oficial de alto escalão após a formatura. Estudantes de famílias de escalão inferior também economizam para passar despercebidos.”

Fiquei intrigada. “O quê? Eu não sabia disso. Talvez eu também devesse cometer erros de propósito. Não quero atrair nenhuma atenção negativa.”

“Não há outras coisas que você deva considerar se não quiser atenção negativa?”, perguntou Patrick, incrédulo. “Além disso, acho que é mais conveniente para você se as pessoas acharem que você é esperta.”

Como Patrick disse, haveria muitos inconvenientes se as pessoas pensassem que eu era simplória. Muitos tentariam me enganar e me atrair para seus campos.

“Espera aí. Isso quer dizer que as pessoas acham que eu sou inteligente?”

“Bem, as notas dos exames não são tudo”, respondeu Patrick imediatamente.

Isso não é algo que alguém com notas ruins diria?

Olhei para Patrick com o canto do olho, mas ele fingiu ignorar e mudou de assunto.

“Você sabia que se suas notas forem ruins o suficiente, você tem que fazer uma prova de recuperação? Aparentemente, eles informam os alunos que precisam fazer a prova secretamente.”

“Isso não é só um boato?”

Não se podia confiar em boatos, principalmente quando havia rumores circulando dizendo que eu estava planejando governar o reino nos bastidores ou treinar meu dragão para se rebelar contra o reino.

Mesmo que realmente fizessem provas de recuperação, eu não conseguia imaginar um aluno que ficaria perplexo com essas perguntas. Afinal, devia ser só um boato.

“É verdade”, disse Patrick, reconhecendo que a informação não era confirmada. “Mesmo que fosse confirmada, não é algo com que você teria que lidar.”

 

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Esqueci completamente da existência duvidosa da prova de recuperação e, no dia seguinte, fui chamada por Eleanora. Normalmente, ela me dizia para que estava me convidando, se para um chá ou para falar sobre acessórios, mas nunca era nada sério.

Mas desta vez foi diferente. Tudo o que ela me disse foi que “precisava discutir algo de extrema importância”. Eu costumava inventar alguma desculpa para recusar, mas isso era fora do comum, até para ela.

Depois da escola, cheguei à sala de estar que Eleanora frequentava e abri a porta nervosamente. Eleanora e alguns membros de sua comitiva me aguardavam lá dentro.

“Yumiella! Você finalmente chegou!”, exclamou Eleanora, pulando da cadeira. Ela pegou minha mão e me levou até o meu lugar.

“Olá”, respondi cordialmente. “Então, o que você queria discutir?”

A família dela liderava os radicais deste reino — um fato importante que eu quase esquecia com frequência. Por isso, eu não conseguia nem imaginar o que sairia da boca dela.

Depois de virar a cabeça para verificar o ambiente, Eleanora se inclinou para perto de mim.

Argh, eu sabia. É algo horrível que não pode ser discutido abertamente. Vou ser arrastada para uma guerra que vai dividir o país, não é?

“Você poderia me ajudar a estudar?” Eleanora sussurrou em meu ouvido.

“O quê? Estudar?”, perguntei sem pensar.

Esse código é para alguma coisa?

“Eu falei errado. Eu permito que você me ajude a estudar.”

“Hum, o que exatamente você quer dizer?”

Tudo o que ela fez foi transformar sua declaração de semi-educada em condescendente.

Eleanora pareceu frustrada por eu ainda não entender o que ela queria. “Estou dizendo que quero que você me ajude a estudar para eu passar na prova de recuperação!”, ela disparou.

Qual foi o sentido de ficar quieta antes?

“A prova de recuperação? Quer que eu te ajude a estudar?”

“Exatamente. Você não é a melhor da turma?”

Parecia que a prova de recuperação existia, afinal. Além disso, também existia alguém que precisava fazer a prova de recuperação.

Ela não poderia simplesmente pedir ajuda à sua comitiva? Elas estão sempre juntas, de qualquer forma. Não estou com muita vontade de dar aulas particulares.

“Hum, que tal pedir ajuda a elas?”, perguntei, gesticulando para a comitiva dela.

“Isso é impossível porque eu tenho a melhor pontuação entre todas nós.”

Você só pode estar brincando.

Olhei para a comitiva dela, mas eles desviaram o olhar desajeitadamente.

“Senhorita Eleanora, você olhou todas as folhas de respostas delas?”

“Não, eu só perguntei quais eram as notas delas”, disse Eleanora, inclinando a cabeça, confusa. As meninas empalideceram com a resposta dela.

Ah, entendi o que está acontecendo aqui.

A comitiva dela provavelmente relatou notas mais baixas do que as dela em consideração à Eleanora. Eu entendia por que os alunos economizavam, como Patrick explicou ontem. Se descobrissem que alguma dessas meninas tinha um desempenho excelente, certamente seria um desastre.

“Acho que vou fazer isso…”, suspirei. “Só preciso dar uma ajudada nos seus estudos, certo?”

“Isso mesmo! Sabe, não tem muita gente que possa me ajudar a estudar.”

Considerando a intensidade com que eu esperava que essa discussão fosse acontecer, senti que algo pequeno como isso provavelmente seria suficiente para ajudar.

Pouco tempo depois, eu estava cumprindo minha promessa e ajudando Eleanora.

“Diz aqui que, três gerações atrás, nosso governante era o Rei Ciro”, li para Eleanora.

“Espere. Então, quem é Douglas?”

{Yoru: eu sou o Douglas, você não é o Douglas…}

“Ele era o rei antes de Ciro.”

Essa patricinha era catastroficamente ruim em estudos. A maioria das pessoas conseguia passar em uma prova se conseguisse memorizar pontos-chave, mas até mesmo a memorização parecia ser difícil para ela. Minha capacidade de falar formalmente também começou a ruir — até mesmo sua comitiva foi embora com medo de que ela explodisse com minha insolência, me deixando sozinha com Eleanora.

Se você vai alegar que está na facção dela, não deveria pelo menos ser capaz de lidar com isso?

“Você parece ter um bom conhecimento da história recente, senhorita Eleanora.” Estranhamente, eu nem estava sendo sarcástica.

“Claro que sim! É sobre o pai e o avô de Sir Edwin!”

Parecia que ela não tinha problemas em lembrar informações sobre tópicos dos quais gostava.

Agora que penso nisso, ela sempre falava sobre chá e perfume com tantos detalhes. Detalhes tão longos…

“Você conseguiria se lembrar de coisas relacionadas a Sua Alteza?” Eu podia sentir meu cérebro trabalhando.

“Claro! Eu sei tudo sobre o Sir Edwin.”

Acho que “tudo” pode ser um exagero. Sinceramente, é um pouco nojento o quanto ela gosta do príncipe.

“Talvez devêssemos simplesmente relacionar tudo a Sua Alteza e lembrar dessa forma? O Rei Ciro era avô do avô do Príncipe Edwin.”

“Ah, era mesmo? Então isso faz dele… tataravô do Sir Edwin, certo?”

Por que você está surpresa? É assim que as famílias reais funcionam.

Havia muita coisa errada na percepção que Eleanora tinha das coisas.

Depois de desenvolver esse novo método, Eleanora progrediu muito nos estudos. Seja história ou direito, se eu me esforçasse para relacionar minhas explicações ao Príncipe Edwin, Eleanora conseguia memorizar tudo rapidinho.

“Quem concluiu com sucesso a irrigação em larga escala de Matlock?”

“Hum, era o irmão mais novo do bisavô de Sir Edwin, então… Era o Príncipe Cliff!”

“Está correto.”

Esse foi realmente o único problema que nem eu consegui responder na última prova.

Sua paixão pelo que gostava era incrível.

Eleanora acabou passando na prova de recuperação com louvor, quase tirando nota máxima na parte de história.

“É tudo graças a você, Yumiella! Muito obrigada!”, disse ela com um sorriso.

Tenho que admitir que não foi tão ruim ser agradecida com um sorriso genuíno como aquele.

“Vamos estudar juntas para a próxima prova também!” Eleanora sorriu.

Preciso ajudá-la a estudar de novo? Isso vai continuar até a gente se formar?

Meu breve momento de bem-estar se dissipou e fiquei instantaneamente desanimada.

Sinto que estou apenas tendo prejuízos aqui.

 

Resenha do Tradutor e Revisores

Yoru: Fala galera! Nossa, que capítulo lindo. O tanto que eu ri enquanto traduzia não tá escrito kkkkkkkkkk. Finalmente temos a Yumiella começou a perceber os sentimentos dela para com o Patrick (mesmo que só um pouco). Infelizmente ela ainda não percebeu os sentimentos do próprio Patrick, mas isso vem com o tempo. Fora isso, esse capítulo da novel durou uns 3 a 4 episódios do anime, eu achei massa kkkk. Enfim, espero que tenham gostado. Passem no nosso servidor para conversar sobre essa obra maravilhosa e ficarem sabendo das novidades! 😉

MoonLak: Gente, realmente muito bom, assim como o Yoru, o tanto que eu ri e surtei não está escrito. Que capítulo maravilhoso akkaka, mas simbora que eu to ficando super empolgada agora pra continuar revisando (são 23:03 e eu estou ouvindo “Ghouliday” do álbum de Soundtrack de Undertale, por isso, eu queria os deseja um Fanliz Natal e Boooooooaaas festas! akkakak

 

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