Volume I
Capítulo 4: Ataque Duplo
Bastou sair da estação de trem para o cenário mudar: telas gigantes disputavam a atenção, músicas vazavam de lojas abertas e mulheres fantasiadas distribuíam panfletos com sorrisos ensaiados.
Era a primeira vez que eu pisava em Akihabara. A grandiosidade e excentricidade daquele lugar intimidavam um pouco, mas nada se comparava à satisfação de sair da zona de conforto por um dia.
O GPS era a única coisa entre mim e me perder naquela multidão, então me certifiquei de segurar o celular com toda a força que tinha.
Com o rosto quase colado na tela, caminhei algumas quadras pela avenida movimentada. Depois, virei em uma rua lateral, um pouco mais silenciosa. Continuei andando, dobrei outra esquina…
Até que o GPS anunciou que eu havia chegado ao meu destino.
Olhei em volta, procurando algo que parecesse minimamente com um clube de xadrez. Segundo as imagens na internet, esses lugares eram construções pequenas ou parecidas com uma casa. Mas tudo o que eu via era comércios pouco movimentados e prédios semi-abandonados.
“Será que o endereço está certo?”
Abri a galeria de imagens do clube. A maioria das fotos mostrava o interior, mas, ao rolar bastante para o lado, tinha uma do que parecia ser a fachada.
Olhei para a esquerda e encontrei um lugar idêntico à foto: um prédio baixo, espremido entre um antiquário e uma livraria.
Era cinza, descascada em alguns pontos, com fios aparentes e uma pintura que já tinha visto dias melhores. No térreo, não havia porta nem recepção. Era só… uma garagem.
Pisquei algumas vezes.
— Esse é o clube?
Mesmo que eu tivesse coragem de perguntar a alguém, não havia nenhum transeunte por perto para confirmar a informação.
E nenhum sinal das minhas colegas.
Meu coração começou a apertar. Eu não estava acostumada a andar por aí sozinha — muito menos num lugar ermo como aquele.
“O que eu faço agora?”
Foi então que um som peculiar atrás de mim me fez sobressaltar como um gato assustado.
Um grande carro preto parou bem ao meu lado, com todas as janelas fechadas. Qual é a primeira coisa que passa pela sua cabeça quando um carro assim para do seu lado?
Eu estava me afastando com passos rápidos, quando a porta traseira se abriu.
— Ei, Hanamura-san! Onde você tá indo?
Quem saiu de lá não foi ninguém suspeito: era a Daniela.
Ela não estava sozinha. Rachel e Beatrice saíram do mesmo carro.
Era a primeira vez que eu via as três com roupas casuais…
Daniela usava uma camiseta oversized estampada com uma declaração de amor ao xadrez: um coração vermelho atravessado por um peão.
Rachel, por outro lado, parecia ter saído de um ensaio fotográfico: camisa vermelha-clara de tecido fino e caimento impecável, calça jeans com lavagem branca e uma pulseira discreta brilhando no pulso direito.
Beatrice não ficava para trás. Vestia um vestido lilás delicado, levemente rodado, e uma tiara da mesma cor que segurava seus cabelos ruivos com charme.
— E-Eu estava procurando o clube de xadrez! — Tentei disfarçar o fato de que estava prestes a fugir do carro.
— Mas o clube é aqui mesmo — Daniela disse, apontando para o prédio.
Olhei outra vez para a fachada desgastada.
— Tem certeza?
— Eu ia perguntar a mesma coisa — comentou Rachel, examinando o lugar. — Esse lugar tá abandoned.
— O clube fica no terceiro andar, não no prédio inteiro.
Mesmo assim, por mais que eu, Rachel e Beatrice examinássemos o edifício, nada ali dava a impressão de que havia um clube — ou qualquer outra coisa — funcionando lá dentro.
Enquanto ponderávamos sobre o prédio, ouvi o carro preto acelerando para longe.
— Aquele carro é de vocês?
— Não. É de aplicativo.
— Eu achei que vocês tinham motorista particular ou algo assim…
Daniela riu, antes de explicar:
— Pois é, seria ótimo. Mas meus pais acham que é um desperdício de dinheiro.
— Eu até tenho — acrescentou Beatrice — mas não trouxe ele para o Japão.
— Nunca precisei de um — Rachel deu de ombros.
Depois de eu descobrir que nem todos os ricos precisam de um chofer para sair de casa, seguimos Daniela até o interior da garagem — aberta para qualquer um entrar.
— Onde está a Esmeralda?
— Ela ficou revoltada com uma sequência de derrotas, então desistiu de vir… — Daniela explicou, com um peso no coração.
O espaço estava ocupado por algumas bicicletas, caixas empilhadas e um único carro estacionado.
Nos fundos, quase escondidos pela sombra, havia uma escadaria estreita de metal e uma porta de elevador antigo.
Ao lado dos dois, uma placa vertical chamava a atenção. Ela indicava o que tinha em cada andar.
Beatrice leu os nomes em voz alta:
— “Galeria de arte contemporânea”... “Boardgaming”...
Até que ela chegou onde queríamos: o terceiro andar.
♕ QUEEN’S PROMENADE ♕
Maid Cafe & Chess Club
Play chess, meet people, have fun!
Aquela placa era a mais bem feita. O fundo era roxo e tinha umas peças de xadrez desenhadas dos lados.
— Viu só, meninas? Esse prédio está mais vivo que a empresa de telefonia.
Daniela riu sozinha, como se tivesse contado uma piada. Será que era mesmo?
Chamamos o elevador. Dava até para ouvir o rangido das polias girando.
Quando a porta se abriu, o elevador não estava vazio. Lá dentro havia um homem vestido com um uniforme digno de um funcionário de hotel: vermelho intenso, detalhes dourados e até aquele chapéu cilíndrico típico.
Por um instante, pensei que fosse apenas alguém fantasiado prestes a sair.
Mas ele não saiu.
Minhas colegas entraram sem questionar nada, então segui o exemplo delas.
Assim que entramos, ele perguntou, com toda a formalidade:
— Qual andar, senhoritas?
— Terceiro andar — Daniela respondeu.
Depois de confirmar que não tinha mais ninguém a caminho de entrar, ele clicou no botão.
— Subindo!
Quando as portas se fecharam, perguntei a mim mesma:
“Ele está mesmo trabalhando sério?!”
Apesar dos ruídos preocupantes, chegamos no terceiro andar com segurança.
Entre o elevador e a entrada do clube havia um corredor. Seguimos por ele e, ao atravessar a última porta, finalmente chegamos no lugar que Daniela queria me mostrar.
Uma grande janela ao fundo inundava o salão com a luz da tarde. As paredes eram cobertas por papel de parede em padrão de losangos, alternando tons de roxo que lembravam discretamente um tabuleiro estilizado. O chão era tomado por um tapete espesso, cheio de arabescos difíceis de decifrar. Plantas dispersas davam um ar natural e, do teto, pendiam lustres elegantes que completavam a iluminação.
Espalhadas pelo salão, mesas quadradas acomodavam partidas em andamento. Havia poucos jogadores, mas o ambiente era tudo menos silencioso: conversas animadas se misturavam ao som seco das peças tocando a madeira e ao clique ritmado dos relógios sendo acionados.
— Olá, mestras! Sejam muito bem-vindas ao Queen’s Promenade!
Mal tivemos tempo de olhar em volta e já fomos recebidas por uma garçonete vestida com um uniforme de empregada europeia — ou melhor, aquela versão extremamente estilizada que se espera ver em um lugar com maid café no nome: saia rodada curta, avental branco cheio de rendas, meias altas e uma pequena touca decorativa.
— Por que ela chama a gente de “mestra”? — Rachel perguntou, incomodada.
— Faz parte do personagem, bobinha. Nunca foi num maid café, não?
— Claro que não. Eu vim aqui porque você disse que era um chess club, não um desses lugares esquisitos.
— Mais respeito, Rachel!
Apesar da sinceridade brutal, a garçonete segurou o sorriso e disse:
— Sem problemas, mestra.
Em seguida, retomou o tom animado:
— É a primeira visita de vocês ao nosso clube?
— É sim.
— Maravilha! Vocês podem escolher uma mesa só para vocês ou desafiar outros clientes para uma partida.
Daniela virou-se para mim e Beatrice.
— Bia, Hanamura-san, vocês sabem qual é a graça de um clube de xadrez de verdade?
Fiquei pensando, mas Beatrice foi mais rápida:
— Jogar contra outras pessoas?
— Exatamente! Você testa suas habilidades contra desconhecidos e, quem sabe, ainda faz amizade no processo.
A empregada assentiu com entusiasmo.
— Essa é justamente a proposta do Queen’s Promenade: jogar xadrez e conhecer pessoas novas enquanto joga!
Embora tivéssemos a opção de escolher, parecia que a decisão já estava tomada.
— Então, mestras, preferem escolher seus adversários livremente ou gostariam da ajuda desta humilde empregada?
— Qual é a diferença? — Rachel indagou.
— Se escolherem sozinhas, usam seus próprios critérios. Mas, se deixarem comigo…
Ela estufou o peito com orgulho, antes de dizer:
— Usarei meus refinados instintos de empregada para encontrar o adversário perfeito para cada uma!
Ela até girou levemente a bandeja que carregava, como se estivesse apresentando um número no palco.
Daniela respondeu imediatamente:
— Que legal! Eu quero sua ajuda.
Rachel cruzou os braços.
— Prefiro escolher sozinha.
— Chata como sempre…
Daniela olhou para mim e Beatrice.
— E vocês?
— Eu quero ajuda também! — respondeu Beatrice.
— É… acho que eu também.
A empregada anunciou, radiante:
— Perfeito! Então, por favor, sigam-me, mestras. Vou encontrar adversários à altura de cada uma!
Seguimos a empregada enquanto ela observava atentamente cada mesa ocupada por apenas uma pessoa. De vez em quando se inclinava um pouco, como se estivesse analisando de perto a “compatibilidade” entre possíveis adversários.
Rachel veio logo atrás de nós. Parecia igualmente concentrada em encontrar alguém “digno”.
Daniela foi a primeira a ser pareada. A empregada garantiu que aquele garoto retraído, que mal levantava os olhos da mesa, era o oponente perfeito para ela.
Depois foi a vez da Beatrice. O adversário dela era um jovem adulto de postura rígida, daqueles que parecem ter sido educados a nunca apoiar os cotovelos na mesa.
Rachel acabou se afastando do grupo para procurar seu próprio desafio.
Quanto a mim…
— Mil desculpas, mestra!
A empregada fez uma pequena reverência, constrangida.
Não havia mais nenhuma mesa com apenas uma pessoa esperando adversário. Em compensação, várias estavam completamente vazias.
— Tá tudo bem. Acontece.
— Enquanto espera por um adversário, gostaria de pedir alguma coisa?
— Hum… vocês têm suco natural de laranja?
— Claro!
Ela se afastou apressada para trazer meu pedido.
Assim que me sentei, meu cérebro começou a procurar qualquer coisa para preencher o silêncio de estar sozinha naquela mesa: pensamentos, aromas, sons…
Aos poucos, fui percebendo melhor o ambiente. O lugar era estranhamente aconchegante. Havia um perfume suave no ar. O eco dos relógios e das peças se movendo criava um som quase hipnótico. A iluminação não era nada agressiva, como se o salão tivesse sido pensado para deixar as pessoas confortáveis.
O suco de laranja chegou. Enquanto degustava, observei os jogadores ao redor rindo e conversando entre si — bem diferente das partidas sérias que eu costumava ver na internet, cheias de rostos concentrados e silêncio absoluto.
O lema que estava na entrada — “meet people and have fun” — parecia estar funcionando.
Ainda assim, o salão era grande demais para o número de pessoas presentes. Será que era estratégia de negócio? Um espaço mais reservado e calmo… ou estavam se preparando para o dia em que o xadrez se tornaria realmente popular no Japão?
— Com licença…
Ergui o olhar. Um homem estava parado ao lado da mesa.
— Está disposta a jogar? — perguntou, com um sorriso simpático.
— Ah, sim. Estou.
Ele virou a cabeça para trás e chamou:
— Eduardo, vem cá!
Outro homem se aproximou. O primeiro tinha uma aparência saudável, mas o recém-chegado parecia ter saído direto de uma academia de cross-fit.
— Esse é meu amigo, Eduardo. Ele que está procurando um adversário.
— Prazer em conhecê-la… — disse ele, coçando a nuca com certo constrangimento.
— Divirtam-se!
O homem se afastou, deixando-nos a sós.
Eduardo sentou-se à minha frente.
De perto, a impressão era ainda mais curiosa. O corpo alto e musculoso sugeria alguém com nervos de aço e disciplina praticamente militar, mas o resto contava outra história: olheiras profundas, olhar cansado e a cabeça raspada refletindo a luz. Eram traços de um assalariado que não sabe o que é folga há anos.
“Ser fisiculturista deve ser dureza…”
Voltei à realidade quando Eduardo perguntou, com uma voz grave:
— Qual controle de tempo você prefere?
— É… eu costumo jogar “dez mais cinco”…
Assim que respondi, ele começou a ajustar o relógio digital ao lado do tabuleiro. Seus dedos se moviam com uma naturalidade impressionante, apertando os botões e navegando pelas configurações sem nem precisar olhar direito. Diferente de mim, que tinha me enrolado toda na única vez que tentei mexer em um daqueles.
Quando terminou, ele estendeu a mão — uma mão enorme.
Apertamos as mãos e iniciamos a partida: eu com as peças brancas, ele com as pretas.
— Há quanto tempo você joga? — ele perguntou.
— Faz pouco tempo. Acho que… duas semanas.
— Hum…
Ele ficou em silêncio por quase um minuto, mas não parecia estar pensando no próximo lance.
De repente, ele pegou um dos cavalos pretos e… o retirou do tabuleiro.
— …
Eu não disse nada, mas meus olhos foram imediatamente para o espaço vazio.
— Eu jogo quase a vida inteira, então, pra deixar um pouco mais justo…
— Ah… entendi. Obrigada pela gentileza.
Fiquei olhando para o tabuleiro, ainda processando aquilo.
Ele estava tão seguro de si que podia se dar ao luxo de começar a partida com uma peça a menos?
Começamos empurrando nossos peões da coluna do rei para o centro.
Joguei tudo o que eu sabia: desenvolvi as peças menores, protegi meu rei através do “roque”... Até parecia que o oponente estava ajudando, pois ele jogava todos os movimentos que eu sabia responder corretamente.
Porém, nada mudava o fato de que eu tinha dificuldades no meio-jogo. Joguei um “plano básico” que aprendi na internet e também com os conselhos da Daniela, mas Eduardo, mesmo com uma peça a menos, não deixava nenhuma ponta solta.
Meu tempo no relógio escorria como água e minhas peças simplesmente não conseguiam avançar. Eduardo também não progredia, mas, no caso dele, parecia intencional. Talvez seu plano fosse fazer eu perder por apuro de tempo — quando o tempo do jogador se esgota.
Eu precisava fazer alguma coisa. Tentei uma jogada mais agressiva para abrir a posição, mas criei fraquezas para mim mesma no processo.
Não demorou muito para ele se aproveitar disso.
— Ah, não…
O único cavalo que ele tinha saltava entre minhas peças como se estivesse brincando de amarelinha. Ninguém conseguia capturá-lo nem bloquear o caminho dele.
Depois de uma sequência de xeques da dama preta, o cavalo entrou em cena com o golpe decisivo. Não era xeque-mate, mas era quase tão ruim quanto: ao saltar, ele colocou meu rei em xeque e, ao mesmo tempo, atacou uma peça indefesa — o temido ataque duplo. Não havia como salvar os dois. Em outras palavras, eu estava prestes a perder material sem poder fazer nada.
Escondi o rosto entre as mãos, reunindo coragem para desistir, quando ouvi meu oponente falar:
— Não fique triste. Esqueceu que eu comecei com uma peça a menos? Só estamos com o material igual agora.
Ele sorriu, como se estivesse me incentivando a continuar.
Para mim, perder aquela peça já era uma derrota. Mas o comentário de Eduardo mudou minha perspectiva. No fim das contas, o material só tinha voltado ao equilíbrio. Minha posição ainda era jogável — e, para compensar, eu até estava com um peão a mais.
Engoli a frustração e encarei o tabuleiro.
— … Tem razão.
Respirei fundo e resolvi seguir em frente.
Perdi de qualquer jeito… e foi por apuro de tempo!
— Você joga bem pra quem começou há duas semanas.
— É mesmo? — Fiquei contente.
— Quer revisar?
— Sim!
A última vez que eu tinha jogado e analisado uma partida presencialmente tinha sido no dia em que visitei o clube da escola — e nenhuma daquelas partidas tinha durado tanto quanto esta.
Eduardo começou a recolocar as peças nas casas iniciais enquanto comentava:
— Eu não sou a melhor pessoa pra te ensinar alguma coisa, mas diria que você está indo muito bem na abertura. E jogou com bastante maturidade na partida inteira. Normalmente, quando eu jogo com desvantagem contra alguém, o adversário tenta forçar jogadas agressivas pra ganhar rápido. Mas você preferiu manter uma posição sólida o tempo todo.
Apenas assenti ao elogio. Mas, para falar a verdade, em nenhum momento tentei jogar de forma “sólida”. Eu só estava com medo de perder.
— Como você já deve ter percebido, você tem que melhorar mais sua consciência tática. E também aprender mais sobre jogo estratégico. Percebi que você ficou um pouco sem saber o que fazer no meio-jogo.
— Verdade. Eu tenho bastante dificuldade de pensar em um plano…
— Você estuda xadrez pra valer ou só joga ocasionalmente?
— Procuro lições na internet, minhas colegas me ajudam… Mas é tanta coisa pra aprender, sabe?
— Xadrez é um assunto denso, exige paciência. Mas você não precisa aprender tudo rápido. Aprender um pouco todos os dias faz você evoluir querendo ou não.
Conforme conversávamos, ele foi montando algumas posições-chave no tabuleiro e me mostrando o lance que eu deveria ter jogado.
Deixei passar tantas oportunidades…
Mas o que mais me impressionou foi a memória do Eduardo. Eu sabia que tinha jogado mal a maior parte do jogo, mas não lembrava do lance a lance com a mesma precisão que ele.
— Você se lembrou da partida inteira?
— Depois de jogar tanto tempo, memorizar uma partida é facinho.
Quando ele repetiu o fato de que jogava há muito tempo, conectei alguns pontos:
Joga “quase a vida inteira”, memorizou uma partida de mais de trinta lances sem dificuldade, me venceu mesmo com uma peça a menos…
— Se me permite perguntar, por acaso você… é profissional no xadrez?
— Sim, sou — Ele respondeu como se não fosse nada.
Tudo passou a fazer sentido.
“E eu achando que ele era fisiculturista…”
— Nossa, que honra conhecer mais um enxadrista profissional!
— “Mais um”? Você conhece outro?
— Uma colega da escola também é.
— Quem diria… uma enxadrista profissional estudando no Japão. Qual é o nome dela? Vai que eu conheço.
— Hechyeru Sharp.
— Rachel Sharp? É, conheço. Mas como você virou amiga dela? Dizem que ela tem um gênio forte.
— Não somos exatamente amigas. Está mais pra “ela é amiga da minha amiga”.
— Entendi…
Depois da revisão, concordamos em jogar mais uma vez.
Lembrei de quando Daniela disse que jogar contra pessoas mais fortes era uma coisa boa, que me “obrigava a evoluir”. Eu aceitava que ia perder, só estava em busca de todo o conhecimento que o oponente tinha para me passar.
No meio-jogo, eu costumava gastar bastante tempo pensando, tentando encontrar o melhor lance que conseguia. Em um desses momentos de reflexão intensa, tirei os olhos do tabuleiro, para dar um pequeno descanso à mente.
Foi então que percebi que conseguia ver minhas colegas espalhadas entre as mesas, todas concentradas em suas próprias partidas.
Não pude deixar de me perguntar:
“Como será que está o jogo delas?”
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