Our Satellites Brasileira

Autor(a): Augusto Nunes


Volume 4

Prólogo: O Satélite de Hisashi Masayoshi

Uma vez, um sociólogo definiu que:

A coercitividade é um poder usado pelos padrões culturais de estabelecer um senso em comum que deve ser seguido.

Se um indivíduo não estiver de acordo com esse senso comum, será considerado alguém fora do padrão.

Isso é o mesmo dele ser fortemente criticado por literalmente qualquer coisa que fará.

Essa é a chamada — margem da sociedade —.

***

Um dia, houve um escritor que criou uma história sobre:

Uma aventura espacial com uma forte mensagem sobre a sociedade.

Esta história é sobre um garoto que quer ser um astronauta.

Ele tinha muitas dificuldades e era fortemente criticado pela sociedade. Não possuía muitas qualidades, mas uma delas era que sempre se dedica em tudo o que faz.

Este era o seu orgulho.

Por isso, ele estudou mais do que qualquer um, se dedicou mais do que qualquer outro, e aos poucos não era mais conhecido como — o garoto defeituoso —, sendo reconhecido como — um defeituoso dedicado —, passemos a chamá-lo de “Defeituoso”, então.

Nessa ficção, as pessoas não são chamadas por seus nomes. Todos se conhecem pelas suas características.

Defeituoso era um jovem sonhador. Ele não aguentava mais viver onde estava e queria um lugar para chamá-lo de seu.

Trabalhar e estudar para conseguir comprar uma casa era muito fora de cogitação. Quanto tempo ele teria que gastar de sua vida para conseguir um cantinho em seu nome?

E quem iria garantir que esse lugarzinho que conseguisse seria um bom lugar, com bons vizinhos? A cidade onde vivia sempre exalava problemas e transmitia desmotivação e mesmo que fosse para outro lugar, tudo ao redor dali parecia deter das mesmas razões.

Sua vida já começou fora da linha de largada por causa das suas dificuldades. Ele lutou toda a vida para conseguir alcançar o direito de ser como qualquer outro e obter os próprios ganhos.

Em um certo momento, “Defeituoso” passou a se chamar “Dedicação”. Passemos a chamá-lo de Dedicação, então.

Dedicação não queria morar em nenhum lugar daquela cidade e em local algum dali. Discriminação e julgamento eram presentes a todo momento.

Não era questão de ele não saber lidar contra aquilo, era puramente o desejo de não querer viver entre aquele meio. Ele sabia que podia mais e conseguir algo melhor. Sabia que poderia alcançar o objetivo que tinha em mente.

Novamente, esta história é de como ele se torna um astronauta.

Neste momento, a estação espacial da qual ele trabalhava ficou eufórica por terem achado um novo satélite.

Mas, logo essa animação se desvaneceu. Havia se tornado algo como — nada demais, é apenas um satélite —.

Neste instante, Dedicação entendeu como a vida agia.

Não importava os meios, não importava se tivesse uma razão, não importava se era algo bom ou ruim. Tudo o que era fora do padrão seria alarmado e então, tratado como algo irrelevante.

Sim, aquele satélite foi descartado do interesse de todos. Da mesma forma que foi com ele.

Apesar de ter muitas dificuldades, Dedicação era alguém conhecido pelas suas habilidades.

Então, aquele satélite era conhecido pelo quê?

E após tanto pensar, Dedicação se deu conta de uma coisa.

Somente ele estava pensando sobre aquele satélite.

Somente ele estava interessado em saber sobre aquele satélite.

Somente ele...

Somente ele...

Então, um vislumbre lhe ocorreu.

Aquele satélite era igual e ele.

Por mais que fosse reconhecido pelas suas habilidades, Dedicação apenas detinha isso. Ele ainda era tratado como alguém fora do padrão. E o satélite só era reconhecido por ser um satélite, nada mais que um pedaço de rocha no espaço.

Dedicação percebeu que não havia outro lugar naquele planeta que desejava estar. Seja cidade, estado, país ou continente. Ele não queria morar ali.

Se era considerado fora da margem daquela sociedade, então desejou estar em um lugar que era considerado igual a ele. E por fim, decidiu morar naquele pequeno espaço de rocha chamado de satélite.

Dedicação se tornou o Astronauta.

Astronauta foi até a estação espacial em órbita do planeta para conseguir o direito de morar no satélite, e teve que encarar missões de explorações complexas em outros planetas, mas que retratavam a mesma situação do seu planeta de origem.

Astronauta percebeu que sua jornada seria árdua e que independente de quem encontrasse no meio deste caminho, manteria a promessa que fez consigo mesmo: apenas querer um lugar fora do que as pessoas consideravam ser o ideal.

Ele não queria algo que fosse considerado ideal pelos outros. Se algo fosse ser ideal, ele mesmo definiria aquilo.

Depois de uma grande aventura em vários planetas, Astronauta conseguiu o direito de querer viver em seu satélite, mas foi interrogado de que poderia viver em lugares melhores do que num mero satélite. Afinal, ele viajou para inúmeros planetas e todos eram escolhas infinitamente melhores do que aquele satélite.

Astronauta respondeu:

— Isso pode ser verdade. Todos os lugares que visitei são melhores que aquele pequeno satélite em vários aspectos. Mas tem uma coisa que este satélite possui e os outros, não. Todos são opções que qualquer um pensaria, sem nem levar em conta o esforço de conseguir isso. Quanto ao satélite, não gerou interesse de ninguém... é apenas um lugar do qual ninguém pensaria em estar.

— O que muitos confundem é que um lugar bonito só foi considerado assim por terem moldado desta forma, mas um local como um satélite que precisa de cuidados ninguém se propõe a cuidar. Lugares bonitos são para quem não tem desejos de mudança. O satélite é um lugar que me sentirei bem por ele ser o que é.

Essa foi a trilogia de Hisashi Masayoshi.

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