Volume 1

Capítulo 71: Feriado Romano (4)

— Ei! Anna! — Torres se virou para Anna, quando viu Marco correndo em sua direção: — Você o conhece? 

— … Ele é o líder da Family que eu fazia parte. — A garota encarava o chão, sua voz sem vida.

— Tsk, é um dia importante. — Torres estalou a língua. Olhou em volta e entrou dentro de um beco.

— Anna! Anna! — Marco a chamava enquanto os seguia, ele piscou quando viu Torres dando um enorme sorriso.

— Quem é você e por que está chamando por ela? 

— O-olá! Eu sou Marco. Sou o irmão mais velho da Anna… 

— Ah, então você é o Marco? Eu ouvi muito sobre você. Não é mesmo, Anna? 

— … — Mesmo com a pergunta de Torres, Anna não tirou os olhos do chão.

— … Ela parece um pouco estranha. Ela está doente? — Quando Marco perguntou preocupado, Torres deu um tapinha no ombro da Anna.

— Claro que não. Anna só está cansada porque acabou de acordar. Não é mesmo? 

— Sim. 

— Haha. Anna, faz tempo que você não vê sua família, você deveria cumprimentá-lo com um sorriso. 

— Um sorriso… — Seus olhos vazios foram preenchidos do nada com vida. Ela segurou as mãos de Marco e pulou para cima e para baixo, como se nada tivesse acontecido. — Kyaa! Marco oppa! Há quanto tempo? Uns dois meses? 

— Sim, como anda? — Marco sorriu quando ele viu a Anna que conhecia.

— Sim! Paraíso é ótimo. Os professores são legais e a comida é gostosa! E você consegue ver o quão limpa minhas roupas estão? 

— Claro que sim! Parecem novas. Estou feliz que você está bem. — As dúvidas de Marco começaram a desaparecer.

— Como Max e os outros estão? Pierre continua chorando muito? 

— O mesmo de sempre. Pierre chora bastante porque sente sua falta. 

— Nossa, que chorão… Se eu pudesse sair mais vezes, poderia ir visitá-los. 

Marco balançou a cabeça negativamente. — Não. Estamos felizes se você está feliz. Eu vou dizer para as crianças que você está bem. 

— Sim, por favor. 

Torres interrompeu a conversa deles: — Marco, você disse a algum dos seus irmãos que estava vindo aqui? 

— Huh? Não. Eles estão dormindo. 

— … Sério? — Os lábios de Torres se curvaram para cima. Ele levantou sua mão para o Marco. — Nesse caso… 

— Oh, aqui está você! 

Torres rapidamente puxou sua mão de volta. Ele contorceu seu nariz quando um homem entrou no beco.

"Óculos escuros com uma máscara e chapéu?"

Um estranho com o rosto completamente coberto caminhou até eles, segurando um guarda-chuva.

— Pelo menos me fale para onde está indo. Por que correu sozinho? 

— Oh… Foi mal. Só fiquei feliz de ver a Anna. 

Torres se intrometeu: — E você é…? 

— Oh, um turista. Me chamo Sonny. Contratei esse cara para ser meu guia local. 

— Sonny… Entendo. Me chamo Torres. 

Os olhos de Seo Jun-Ho brilharam ao ouvir o nome.

"Ele tem coragem. Me dizendo seu verdadeiro nome." Provavelmente acreditava que nunca seria pego.

Seo Jun-Ho levantou sua mão: — Prazer em conhecê-lo, Torres. 

— Sim, é um prazer, Sr. Sonny. — Após apertarem as mãos, Torres olhou para sua palma e então para Seo Jun-Ho perguntando: — Você é um Jogador? Você tem um aperto forte. 

— Nossa, como você sabe? Está certo. Estou no nível 27. — Ele encheu o peito de ar como se estivesse se vangloriando.

— Entendo, nível 27. Você deve ser um excelente Jogador. 

— Sim, pessoas me chamam de gênio o tempo todo, e… Provavelmente eu seja. 

— Ah… Entendo. — Torres sorriu, mas ele estava zoando dele por dentro. Ele já tinha feito sua avaliação.

"Então ele é nível 27… Dá para ver."

Ele poderia matá-lo com um dedo. Quando ele estava prestes a parar de dar atenção…

Seo Jun-Ho a recuperou: — Oh, Marco. É essa a pessoa do Paraíso? 

— Sim. Anna está muito bem lá. É um lugar incrível. 

— … Espere, você não disse que era um turista? Como você sabe sobre o Paraíso? — Torres sorria, mas tinha suspeitas em seus olhos.

— Ouvi desse garoto. É uma longa história, certo? 

— Por favor, me conte. — Seo Jun-Ho sorriu. — Foi a uns 15 anos? Eu e meu irmãozinho… Oh, ele é dois anos mais novo que eu e era um pouco mais alto, mas eu era mais forte e sempre ganhava quando lutávamos… 

— Com licença, poderia resumir? — Torres estava ficando irritado com sua enrolação.

— Tsk. Só porque estava chegando na melhor parte… De qualquer forma, eu acredito que meu irmão esteja no Paraíso. 

— Ele não deve estar. Nós não temos nenhum homem adulto no momento. 

— Provavelmente, mas ele deve ter passado por lá no passado. Vocês possuem registros, certo? Gostaria de dar uma olhada.

— … — Eles não tinham. Todas as crianças que iam para o orfanato ou eram mortas ou se tornavam demônios. Torres fez uns cálculos na cabeça.

"Isso não é bom."

Se ele mandasse o homem embora assim, a existência do Paraíso poderia ser revelada ao mundo. Pessoas não iriam acreditar em órfãos batedores de carteira, mas elas poderiam acreditar em um Jogador.

— … Claro. Vamos ao Paraíso juntos. Mas posso lhe perguntar algo antes? 

— O que seria? 

— Você não disse a ninguém sobre o Paraíso, disse? 

— Claro que não. Ninguém nem me conhece em Roma. — Seo Jun-Ho disse o que Torres queria ouvir e ele relaxou.

— Ótimo. Vou levá-lo até lá. 

— Minha nossa, você não estava indo para outro lugar? 

— … Meu compromisso foi cancelado. — Ele olhou para o Marco. — Você deveria vir também. 

— Huh? Eu tenho que alimentar as crianças. 

— Você não quer ver seus irmãozinhos? Vai demorar só umas duas horas. 

— Oh, se vai ser só duas horas… — Marco concordou lentamente. Ele queria ver seus rostos. — Eu vou. Está chovendo, então eles devem estar dormindo de qualquer forma. 

— Então vamos indo. — Torres começou a guiá-los e a Rainha Gélida estalou sua língua.

— Contratante, qual és teu plano? Acredito que este homem quer matar a tu e a criança. — Como a Rainha Gélida disse, as intenções de Torres eram evidentes. Ele estava planejando levá-los para o Paraíso e se livrar deles. Era a solução mais simples para o dilema.

Seo Jun-Ho esperou Torres pegar uma distância: — Qualquer um pode ter essa intenção fria. — Ele sussurrou.

Mas… Só até que eles fossem pegos de surpresa.

***

— … Nossa. — Marco estava maravilhado com o lugar atrás dos portões. — Esse é o Paraíso? 

— Haha, sim. Não é grande? 

O parquinho estava cheio de brinquedos. Escorregas, gangorras, campo de futebol, quadra de basquete.

— Quando não está chovendo, fica cheio de crianças. 

— Elas devem amar esse lugar. 

— Mas é claro. Esse é o Paraíso, no fim das contas. — Torres sorriu e abriu o portão. Eles passaram pelo parquinho e se aproximaram de uma grande instalação.

— Nossa, é aqui que elas vivem? 

— Dormitórios, salas de aula, cafeteria e até banheiros tem aqui. 

— Onde estão meus outros irmãos? 

— Eles estão no salão de estudos. — Ele se virou para Seo Jun-Ho. — Eu vou te mostrar o histórico após mostrar o lugar para ele. 

— Claro. 

— Por aqui. — Torres os escoltou pelos corredores explicando a história do Paraíso. — Esse ano é o 20º aniversário desde a fundação do Paraíso. 

— Deve ter uma história bem profunda. 

— Ah, sim. Paraíso foi construída por grandes indivíduos. 

— Sério? Quem? — Seo Jun-Ho perguntou do nada.

Torres congelou com a pergunta; a Rainha Gélida riu da cena: — Ele aparenta um cervo aos holofotes. Claro, ele não pode lhe contar. Afinal, todos são demônios cruéis. 

Torres riu sem jeito e continuou: — Bem, a maioria deles não gosta que os outros saibam que são órfãos. Eu não tenho permissão para revelar suas identidades. 

— Então não precisa. 

— Agradeço pela compreensão. — Torres se curvou, voltando a guiá-los, escondendo um olhar de desgosto.

"Merda, não acredito que tive que me curvar para esse inseto!"

Mas sua humilhação não duraria muito tempo. Ele já tinha ordenado seus subordinados a verificar se ninguém os tinha seguido assim que entraram no Paraíso. Se ninguém seguiu os dois homens, ele iria matá-los imediatamente.

— Quantas crianças têm aqui? 

— 217. 

— Você lembra o número exato? 

— Eles são como minhas próprias crianças. 

— Entendo. 

"Besteira." Pensou Seo Jun-Ho.

Ele parou e olhou pela janela do salão de estudo: — O que eles estão fazendo? —

Eles estavam em duas filas, se encarando com armas afiadas. Emanando um desejo por sangue fortíssimo.

— Haha, estão treinando para virarem Jogadores. 

— Diretor! — Um professor veio correndo até eles do outro lado do salão e sussurrou algo no ouvido do Torres.

— Tudo limpo. Checamos até o armazém, mas ele está sozinho. 

— … É mesmo? — Torres sorriu como se tivesse lembrado de algo engraçado e abriu a porta do salão: — Você não compartilharia seu conhecimento a essas crianças como um sunbae? 

— Eu? Eu não sou tão bom assim… 

— Tenho certeza de que as ajudará muito. 

— Bem, se você diz… — Seo Jun-Ho coçou sua cabeça e concordou. Torres o trouxe para dentro e bateu suas mãos.

— Atenção, todos! Por favor recebam… Qual era seu nome mesmo? 

— Sonny. 

— Por favor recebam o Sr. Sonny. Ele é um Jogador ativo e veio aqui ensiná-los um pouco como um sunbae. — Torres lançou um olhar para o professor, que rapidamente guiou as crianças para os bancos. Ao mesmo tempo, dúzias de homens e mulheres entraram pelas portas do salão, carregando armas afiadas.

— … Ei, você não acha que tem algo estranho? — Marco perguntou por detrás de Seo Jun-Ho, engolindo em seco. Ele retornou a pergunta com um sussurro: — Como eu pensei, você é rápido. Você será um bom Jogador. 

— Oi? — Marco não conseguiu ouvi-lo.

Um dos professores caminhou lentamente até Seo Jun-Ho. Seus olhos vermelhos como se fossem começar a derramar sangue a qualquer instante.

— P-porra! S-seus olhos são vermelhos?! — Marco xingou. Ele calou sua boca e olhou ao seu redor. As 200 crianças e 30 professores, todos com olhos vermelhos. — S-se seus olhos são vermelhos… 

— Significa que são demônios. 

Torres sorriu de um assento da audiência. — Você é azarado. Isso não teria acontecido se não tivesse mencionado o Paraíso na minha frente. 

— … Você alimentou as crianças com o sangue do clã dos demônios? 

Torres deu de ombros, abrindo os braços: — O que você acha? Como eles se tornariam demônios de outra forma? 

Seo Jun-Ho soltou um suspiro trêmulo. Todas as criancinhas se tornaram demônios e, provavelmente, nenhuma delas queria se tornar um.

— Elas não devem ter escolhido isso. 

— É claro que não, mas quando uma delas foi morta como exemplo, eles praticamente imploraram para beber o sangue. — Como se ele tivesse lembrado de algo divertido, Torres batia palmas e gargalhava com os ombros tremendo. — Oh, você deveria ter visto! Foi hilário! Elas até lamberam o sangue do chão… Hahahaha! Desesperados para viver. 

— … Espera, o quê? — Com uma expressão chocada, Marco empurrou Seo Jun-Ho de lado. Ele viu nos bancos, rostos familiares.

Anna, Finn, Leo, Shu…

— Não… Não… Não pode ser… — Suas expressões não tinham vida, seus olhos queimavam em vermelho como os outros olhos. Marco caiu sobre seus joelhos, chorando. — E-eu os enviei… Eu os empurrei com minhas próprias mãos… 

Anna chorou porque não queria deixar suas irmãs e irmãos.

Finn reclamou que o Max seria o vice-líder se ele saísse.

Leo e Shu, os mais novos.

Ele os mandou embora com as próprias mãos. Marco só queria a felicidade deles.

— Mas… Como…? — Como eles viraram demônios? Por que eles o estavam encarando com aqueles olhos vermelhos?

— Urp… Bleeeghh! — Ele se sentiu doente, estava até vendo estrelas.

Depois de vomitar, Marco lentamente começou a se levantar.

— Seu maldito…! — Antes de Seo Jun-Ho o parar, Marco correu em direção a Torres, mas seu corpo foi jogado no chão. Um dos professores o socou na barriga. Marco se curvou no chão, vomitando de novo.

— Hahaha! Olha ele se contorcendo feito um inseto! — Torres apontou para Anna: — Esse é o seu irmão. O que você acha

— … — Ela o encarava gemendo no chão. — Eu… Não acho nada. 

— Kahahahahaha! Isso é hilário! — Torres gargalhou até chorar.

Bang bang.

Marco não conseguia superar sua ira e batia no chão com seus punhos. Sua pele começou a se rasgar e sangrar, mas ele não parava. Ele se sentia patético. Ele não podia nem se vingar de seus irmãos. Mesmo prometendo que ia tomar conta da sua família, ele os forçou a vir para um lugar como esse.

— Você… — Ele encarou Torres, com olhos cheio de veneno. — Espectro-nim vai matar todos vocês. 

— Espectro? Está aí um nome que não ouço a um tempo. 

Torres já admirou o Espectro uma vez. Ele era como uma estrela que um Jogador normal como ele nunca poderia alcançar.

— Muito tempo se passou. 

25 anos se passaram. Tempo mais que suficiente para a glória do Espectro se apagar.

— Mesmo que o Espectro esteja de volta, nenhum demônio tem medo dele. — Era verdade. Nem mesmo Torres tinha medo. Ele era nível 75 e tinha ficado mais forte como um demônio. Ele estava confiante que poderia derrotar Espectro.

— Você… Quando o Espectro-nim vir até você… — Em vez de medo, Marco tremia de frustração.

Seo Jun-Ho se aproximou do garoto: — Dói bastante, não é? 

— Você está realmente me perguntando isso agora… 

— Quando você se tornar um Jogador, vai passar por coisas piores que isso. 

Thump.

Seo Jun-Ho tirou seu casaco e o colocou sobre Marco: — Mesmo que as pessoas que você ama morram na sua frente, você tem que continuar lutando. É isso que significa ser um Jogador. 

— …? — Marco limpou suas lágrimas com as mangas, mas depois que começou a chorar, ele não conseguia parar.

— Se você quer realmente virar um Jogador, então tem que erguer sua arma até mesmo contra um inimigo que não possa derrotar. 

Marco encarou Seo Jun-Ho como se ele estivesse falando nada com nada. Mesmo se ele desconsiderasse as crianças, o número de demônios era acima de 30. Tentar lutar contra eles seria suicídio.

— Você está me dizendo para lugar agora? 

— Se for um Jogador, então você deve. Mas você ainda não é um, então… — Seo Jun-Ho tirou seus óculos escuros, máscara e boné. — Eu vou ajudá-lo dessa vez. 

Ele ergueu sua mão no ar. Alguma coisa apareceu. Era uma máscara negra simples. Sem símbolos ou palavras. Uma máscara simples, mas era a máscara mais famosa do mundo.

— Todos os demônios que eu encontrar serão estrangulados. — Seo Jun-Ho sussurrou enquanto apertava sua máscara. A escuridão a sua volta começou a ondular, ele olhou para os demônios dando um aviso final. — Seus corpos serão a única coisa que restarão. 

A voz do Espectro ecoou pelo salão.​

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