O Primeiro Serafim Brasileira

Autor(a): Anosk


Volume 1

Capítulo 7: Forças Catastróficas

— Esta foi uma bela batalha — comentou Yaxun.

— Sim, não esperava que Raymond fosse perder.

— Ele teria ganho se tivesse mantido a guarda desde o começo. Agora o próximo é Sariel, quero ver como ele se saí contra um de meus generais.

— Para a próxima batalha, teremos SARIEL CONTRA HUNAC, UM BRAVO GENERAL DE K’AK’ QUE ELIMINOU DEZENAS DE ANJOS.

O viajante entrou calmamente junto de seu oponente no lado oposto da arena. Ele vestia roupas vermelhas e usava um capacete com dezenas de penas brancas.

— Sariel, huh? Espero que seja forte o suficiente para me acompanhar — disse erguendo seu punho direito e sorrindo.

— É um prazer, Hunac. Pelo que posso ver, sua contagem é de 37 anjos, certo?

— Ora, ora, como sabe?

— Contei suas penas, sei que vocês têm o costume de usar as penas dos anjos que mataram em suas vestimentas como troféu de seu triunfo.

— Para um estrangeiro de longe você conhece bastante sobre nós, hein? Me deixa um pouco desconfortável por não saber nada sobre seu reino.

Haha! Não se preocupe, após terminarmos teremos bastante tempo para nos conhecer.

— Gostei de você garoto! Vamos lutar com todas as nossas forças!

— Com certeza! — respondeu o viajante com um sorriso simpático.

O rei de K’ak’ observou Sariel com bastante curiosidade durante a conversa.

Hmm... Não espera um estrangeiro saber sobre isso — comentou Yaxun.

Luna não disse nada, no entanto ela observou com atenção o rei e tentou contar suas penas.

— Curisosa? Não se preocupe que lhe digo quantas são! Matei centenas de vocês! — disse o rei apontando seu dedo para a princesa. — Cheguei até aqui usando os corpos de sua maldita raça como escadas.

Luna ficou em silêncio por um tempo e voltou seu olhar para a arena, até que ela respondeu: — Pode ser um rei, entretanto lhe falta aprender a agir como um...

— Uma aberração como você ous...

— QUE A BATALHA COMECE!

Yaxun foi interrompido pelo narrador anunciando o início do combate entre Sariel e Hunac. Contudo, no momento seguinte que a batalha foi autorizada, dois sons altos e secos puderam ser ouvido em sequência, e quando olhou para a arena novamente, tudo o que viu foi seu general caído e recostado contra a parede da arena que brilhava em dourado, como se tivesse absorvido algum impacto grande.

Já o viajante estava parado no lugar que Hunac ocupava antes e olhava tranquilamente para seu oponente derrotado.

A plateia, que a princípio estava barulhenta e clamando pelo nome do general, agora estava mortalmente silenciosa, sem entender o que havia acontecido — de novo.

— O que... diabos aconteceu? — perguntou Yaxun perplexo.

— Sariel... se aproximou de Hunac e o socou... eu acho... fazendo com que ele voasse através da arena... e se chocasse contra a barreira — explicou Luna com dificuldade. Mesmo que estivesse olhando com atenção, tudo que conseguiu ver foi o viajante desaparecendo em um instante, e no outro, Hunac sendo arremessado.

— Impossível! O combate começou agora! Como ele poderia tê-lo derrotado tão rápido?

— Talvez você teria visto se não estivesse distraído — provocou Luna.

— Sua...

— A vi... a vitória é de... de Sariel — anunciou o locutor com dificuldade.

A população permaneceu calada, se limitando a apenas aplaudir fracamente conforme observavam o viajante, que ao invés de deixar a arena, se aproximou de seu oponente caído e abaixou-se na frente dele.

— Ei, tudo bem? — perguntou ao mesmo tempo que chacoalhava o general, tentando acordá-lo.

Huh... O quê...? — Hunac recobrou sua consciência aos poucos. Seus olhos enxergavam com dificuldade a figura diante dele.

— Vejo que está bem, consegue se levantar?

— Acho que sim... mas o que aconteceu? Por que estou no chão? — perguntou confuso.

— Peço perdão, usei mais força do que deveria, haha!

— Você... eu nem o vi se movendo... É mais forte do que eu esperava.

— Agradeço o elogio, contudo é melhor você ir logo, procure um curandeiro, pois é provável que tenha algum osso quebrado.

— Tem razão, urgh — resmungou conforme se levantava. — Estou ansioso pela sua batalha final.

Com isso, Hunac abandonou a arena atordoado, deixando Sariel e uma plateia atônita para trás.

— Ainda bem que temos essas Pedras de Proteção na arena toda, se não fosse pelo escudo mágico protegendo as paredes da arena parte da arquibancada teria sido destruída — disse Yaxun.

Luna, que ainda observava o viajante com surpresa, se lembrou da pedra que carregava consigo e a mostrou para o rei: — Pedras de Proteção? Por acaso se parecem com isso?

— Isso mesmo, e além das Pedras de Proteção também usamos Pedras de Selagem para selar todo tipo de magia dentro da arena, dessa forma, mesmo que alguém tente usar magia não conseguirá manifestar seu Poder Mágico.

— E agora será a grande final do torneio! Aquele que vencer terá a oportunidade de enfrentar alguém muito poderoso e prestigiado! Entrem! SARIEL CONTRA SHIINA!

O viajante aguardou na arena conforme aguardava a assassina aparecer. Entretanto, quando Shiina entrou, ela apenas levantou seu braço esquerdo e disse:  — Eu desisto! Conheço minha força e sei que não tenho a mínima chance! — Em seguida, ela deixou o campo.

Em casos normais o povo teria a vaiado, porém todos sabiam que ela fez a escolha óbvia, já que estava claro que ela não seria capaz nem de chegar perto dele.

Era uma oportunidade perfeita para uma revanche da luta que tiveram na floresta, porém após ver a maneira como o viajante derrotou Hunac, Shiina percebeu que seria impossível ganhar dele.

— Deixarei que Aegreon se divirta contigo — disse conforme caminhava pelos corredores da arena e sorria maleficamente.

— Bem, isso então torna Sariel o CAMPEÃO! E SUA RECOMPENSA SERÁ LUTAR CONTRA AEGREON DO CONSELHO! TODOS DEEM SUAS BOAS-VINDAS AO PILAR DA CONJURAÇÃO.

Aegreon entrou na arena e o povo gritou enlouquecidamente. Após a última batalha, todos estavam com altas expectativas, e agora que descobriram que um Pilar lutaria todos estavam malucos para ver uma luta que seria única em toda as suas vidas.

Ambos se posicionaram nas extremidades da arena e se encarando. O viajante observava Aegreon com cautela e atenção, mas o Pilar o fitava com um olhar sanguinário e frio.

Uma onda de intensão hostil se alastrou por toda a arquibancada, calando todos e fazerem sentirem frio na espinha. O ar se tornou pesado e difícil de respirar, e um sentimento de que algo terrível estava prestes a acontecer tomou conta de todos.

— Espere, não me diga que Aegreon pretende lutar usar toda sua força? — perguntou Yaxun, que também havia sido afetado pela pressão do Pilar.

Ambos continuaram se encarando e a pressão terrível exercida pelo Pilar apenas aumentava.

— Droga! Tenho que impedir que essa luta se ini...

— QUE COMECE A BATALHA! — Porém, o rei demorou demais para agir.

Aegreon partiu na direção de Sariel imediatamente e com a fúria de um demônio.

O viajante havia sido veloz em suas batalhas anteriores, no entanto seu oponente era um membro do Conselho, uma das pessoas mais poderosas do mundo, sendo superado apenas por Ardos, um anjo.

Dessa vez, nem mesmo Yaxun pôde ver o Pilar se movendo, em um momento ele estava parado e no outro ele surgiu na frente de Sariel já no meio de um gancho de direita usando toda sua força.

“Ele morreu”

Foi o que Yaxun pensou, mas o viajante surpreendeu a todos ao bloquear o golpe, segurando o punho de seu oponente com apenas uma mão.

O impacto entre o soco e o bloqueio havia sido tão imensa que uma onda de vento forte foi criada pelo impacto.

O povo ficou atônito com o que viram. Todos conheciam o poder de um Pilar, portanto parar um golpe daquele e sem usar magia era algo que apenas alguém no mesmo nível seria capaz de fazer.

Sariel, ainda segurando o punho de Aegreon, usou seu outro braço para contra-atacar. O Pilar falhou em bloquear e o golpe o atingiu em cheio no rosto, empurrando-o de volta ao seu ponto de início, contudo ainda se mantendo de pé apesar da força tremenda do ataque.

— Você realmente achou que eu não tinha percebido seu plano, Aegreon? — disse Sariel calmamente, mas com um tom intimidador.

O Pilar permaneceu em silêncio enquanto observava o viajante. Estava tão furioso, que se alguém estivesse ao seu lado poderia ouvir o som de seus dentes rangendo.

— Você apenas me permitiu no grupo pois queria me trazer aqui, um local onde não posso usar magia, e me matar usando sua força física bruta. Se soubesse que lutei contra o Pilar do Vento pouco antes de ir para Fordurn você não teria pensado em um plano tão falho.

— O que você fez com Feng Ping? — gritou Aegreon.

— Não sei... por que não faz outra visita a ele para descobrir? — provocou Sariel com um tom misterioso.

Ao ouvir isso, Aegreon imediatamente partiu em direção de Sariel que também avançou. A velocidade de ambos estava no mesmo nível e em um piscar de olhos já estavam próximos novamente.

O viajante socou com seu braço direito e o Pilar bloqueou, criando mais poderoso impacto.

Com isso, um combate feroz se iniciou. Aegreon socou Sariel, que abaixou e o chutou de forma ascendente. O golpe o atingiu em cheio, arremessando-o para cima.

Contudo, o Pilar se recuperou no meio do ar e, à medida que subia, pisou de ponta cabeça em uma superfície invisível no ar, que brilhou em dourado assim que seus pés a tocaram.

Em seguida, ele flexionou suas pernas e desceu como um raio na direção do viajante, que deu um pequeno salto para desviar do golpe. No momento que Aegreon atingiu o chão, a barreira foi revelada mais uma vez ao brilhar em dourado.

Esta era uma barreira poderosa e raramente seu formato era revelado, mas agora todo golpe resultava no brilho do domo, demonstrando o quão poderosos aqueles dois eram.

Entretanto, apesar de todo esse combate intenso, tudo o que os espectadores viam eram dois vultos se movendo rapidamente, acompanhados de sons que apenas poderiam se comparados a de um deus da forja trabalhando incessante e impetuosamente.

Era impossível descobrir quem estava ganhando, parte disso por causa da velocidade com que se moviam, e parte por causa da luz da barreira que se tornava cada vez mais intensa.

O combate prosseguia sem que um dos lados demonstrasse cansaço, até que Aegreon foi arremessado contra os limites da arena e colidiu fortemente com ela.

Sariel, ao invés de continuar sua ofensiva, permaneceu parado e observando o Pilar.

— Maldito... O que você fez? Por que está tão forte...? — perguntou Aegreon com seus olhos queimando de fúria. — Por que não sinto sua aura?

— Legal né? Um truquezinho interessante que você provavelmente conhece, afinal, Feng Ping também conseguia fazer o mesmo... Conseguia.

— Seu...

— Mas sabe, estou curioso quanto a você... o que diabos aconteceu contigo para lhe deixar nesse estado?

— Calado! — Aegreon avançou e atacou Sariel múltiplas vezes, que bloqueou todos os golpes usando movimentos estranhos que o Pilar sabia muito bem de onde vieram.

— O que ele quis dizer com isso? — perguntou Luna.

— Não sei... acho que ele percebeu algo — respondeu Yaxun.

— Sua pele está toda necrosada... rasgada...

— CALA A BOCA!

O Pilar aumentou ainda mais sua velocidade e seus golpes. Seus punhos eram como duas sombras mortais, entretanto o viajante repelia a maioria deles.

— É como se alguém tivesse esfolado sua pele, deixando-a em carne viva... Por que impede seu corpo de curar este ferimento?

— EU VOU TE MATAR! — Aegreon estava colérico. Seus olhos não enxergavam mais nada além de Sariel, seus punhos moviam-se sozinhos, e o ódio que sentia seria capaz de assustar até mesmo o pior dos demônios.

— O quê... ele quer dizer com isso? — perguntou Luna.

— As roupas de Aegreon... — começou Yaxun com dificuldade. — Não é uma veste de palha... é a própria pele dele, fatiada e pendurada? — terminou com um tom de pergunta, como se não acreditasse no que acabara de dizer.

— Im-Impossível! Seu corpo todo iria doer se fosse o caso!

— Sim, iria doer como o inferno! Mas ele é um Pilar, somente alguém como ele suportaria essa dor.

Luna observava o Pilar com outros olhos neste. Ela sempre achou que ele apenas vestia uma roupa exótica, porém ela percebeu agora o quão sinistro era sua aparência. Aquilo que ela achava ser um tecido vermelho e escuro era na verdade, sua carne viva, podre e necrosada, e o que ela achava ser tiras de palha, eram filamentos de sua própria pele rasgada e pendurada.

A morte encarnada, era isso o que ele era. Sua própria pele era sua roupa, se assemelhando a um manto desgastado por intermináveis anos de ceifar vidas, e sua arma — a foice que felizmente não possuía no momento — era a responsável por levar as almas ao outro mundo.

Esse tempo todo, todos achavam que Aegreon tinha uma aparência comum se comparada com os outros pilares, e isso mudou completamente, tornando-o agora o mais macabro do Conselho.

— Ou talvez... seu corpo não consegue se regenerar... — continuou o viajante.

Sariel permaneceu recuando até que sentiu algo tocar suas costas.

— Recuei demais, huh?

— MORRA! — gritou Aegreon, aproveitando a oportunidade que ganhara.

O golpe do Pilar foi rápido, e atingiu Sariel em cheio. O soco o atingiu com tanta força, que todo o domo brilhou, impedindo completamente a visão do que acontecia na arena por um mero segundo.

— Ouch! Isso doeu! — exclamou o viajante. — Minha vez!

— O qu...

Apesar do golpe que recebera, Sariel agarrou o braço de Aegreon e o jogou contra a parede, atingindo-o em seguida com um soco no estomago.

Crack!

O som de algo rachando pôde ser ouvido claramente. Todos olharam com curiosidade para o Pilar, acreditando que o soco havia quebrado algum osso seu, mas o que viram foi algo muito pior.

Uma fenda enorme apareceu na barreira, se alastrando desde o ponto onde Sariel e Aegreon estavam e subindo até a plateia. O viajante havia usado tanto poder neste golpe que a barreira fora danificada.

Após receber este soco, o Pilar não se demorou e contra-atacou novamente. Mais uma vez, a luta continuou e mais feroz que nunca. Aegreon, neste ponto já não pensava logicamente e apenas atacava como se fosse a única coisa que soubesse fazer.

Enquanto isso, a barreira — que já estava danificada — começou a sucumbir aos poucos, com inúmeras fendas surgindo ao redor de toda a arena. Por mais que fosse projetada especialmente para suportar golpes pesados de até mesmo o rei Yaxun, era insuficiente para aquelas duas forças catastróficas.  

— Temos que pará-los! — disse Luna para Yaxun. — Se isso continuar, a barreira se quebrará e as pessoas estarão em grave perigo!

— É impossível! Eles são como duas forças da natureza em conflito. Tentar pará-los é loucura!

— Nós temos que fazer alguma coisa! As pessoas estão em perigo! Diga a eles para evacuarem!

Yaxun olhou com curiosidade para Luna.

— Rápido! O que está esperando? — urgiu a princesa.

O rei então se lembrou da situação em que estavam e gritou com uma voz estrondosa para o povo: — TODOS VOCÊS SAIAM DA ARENA AGORA! VOCÊS ESTÃO EM PERIGO! A BARREIRA NÃO IRÁ RESISTIR! SAIAM AGORA!

Ao ouvir o quão desesperado soou a voz de seu rei, o povo se desesperou e tentou sair da arena o mais rápido possível, e devido ao desespero as saídas foram obstruídas pelas pessoas que se amontoaram e bloquearam o caminho. Algumas pessoas caiam e eram pisoteadas, por sorte não havia nenhuma criança presente, caso contrário seriam mortas pelo pânico de seus compatriotas.

— Tem alguém aqui que pode usar Magias de Proteção? Eles podem tentar reforçar a barreira para aguentar um pouco mais — sugeriu Luna.

— QUEM PUDER USAR MAGIAS DE PROTEÇÃO REFORCEM A BARREIRA ENQUANTO A EVACUAÇÃO É REALIZADA! RÁPIDO! — gritou assim que ouviu a sugestão da princesa.

Ao ouvir as ordens de seu rei, várias pessoas se juntaram e usaram Magia de Proteção para fortalecer a barreira. As fendas tentavam se fechar, porém não rápido o suficiente, já que cada impacto aumentava ainda mais as rachaduras e criava cada vez mais fissuras.

Depois de alguns segundos intensos, uma boa parte da arena havia se esvaziado e uma parte do estádio já estava totalmente livre de pessoas.

— Alteza! Temos que sair daqui agora! — disse uma voz atrás da princesa.

Ao se virar, Luna se deparou com Raymond, que havia deixado a arquibancada para ir protegê-la.

— Raymond, e quanto aos...

— Já é o suficiente! — gritou Sariel trocando golpes com Aegreon. — Esta luta acabou!

O viajante atingiu o Pilar em cheio e o fez voar e se chocar contra a parte da arena que estava livre de pessoas. Em seguida, ele avançou contra Aegreon e chutou com sua perna direita em seu estômago, acertando precisamente e com uma força descomunal.

A barreira não resistiu a tamanho poder e enfim cedeu. E sem ela, a arena receberia todo o poder do viajante.

E foi exatamente o que aconteceu. O chute não apenas destruiu a barreira, como também dizimou completamente mais da metade da arena, transformando a rocha em pó. Um som tão alto como a erupção de um vulcão pôde ser ouvido por todos no reino de K’ak’, e uma enorme nuvem de poeira invadiu a capital, tornando impossível ver um palmo a sua frente.

Cof cof! O que... aconteceu? Cof! — perguntou Luna com dificuldade e sem ver nada. A poeira não só tornava difícil enxergar, como também era um grande incomodo para os pulmões.

— Alteza, você está bem?

Ao ouvir essa voz, Luna percebeu que estava sendo abraçada por Raymond, e isso a fez percebeu o que ocorreu. O golpe de Sariel destruiu a parte oposta que ela estava, mesmo assim, o impacto fez o camarote desmoronar. Entretanto, seu guarda-costas agiu rápido e a pegou conforme caia e a protegeu da queda.

— Raymond... Estou bem, e você — perguntou preocupada.

— Estou bem, uma queda curta dessas não é o suficiente para me ferir muito — respondeu Raymond. Contudo, apesar de ter dito “apenas”, o camarote a parte mais alta da arena, erguendo-se por dezenas de metros.

— Mas e Sariel e Aegreon? — perguntou Luna na medida que se levantava.

— É melhor não ir atrás deles, eles podem estar lutando ainda.

— Não ouço o som dos socos deles, vamos antes que continuem! — disse conforme se levantava e ia em direção ao lugar que julgava ser o certo.

— Alteza, espere! — Raymond foi atrás de Luna, mas a perdeu de vista devido à poeira. Como não sabia onde ela estava, ele decidiu ir para o lugar onde estava Aegreon e talvez Sariel, pois a aura assassina do Pilar ainda era forte o suficiente para determinar sua localização.

Ao chegar aonde o Pilar estava, se deparou com Luna, Yaxun e Shiina juntos. Além disso, mais à frente, havia uma silhueta em pé e parada, e mais ao fundo, apesar de não puder ser visto — apenas sentido — estava Aegreon.

— Já chega disso vocês dois — disse Yaxun em um tom autoritário. — Se você atacar Sariel novamente terei que bani-lo de meu reino!

Fez-se um silencio profundo e prolongado. Ninguém se moveu e a poeira foi baixando aos poucos, revelando finalmente a figura do Pilar, que estava bem apesar do golpe que recebera.

Aegreon olhava para Sariel com raiva intensa, porém não o atacou. Ele não foi capaz de matá-lo na arena mesmo que seu uso de magia estivesse selado, então fora dela seria completamente impossível. Além disso, se o atacasse ele perderia a oportunidade de conseguir ajuda de Yaxun.

— Resolveremos isso mais tarde — rosnou Aegreon conforme caminhava onde o rei de K’ak’ estava.

— Boa sorte com isso – disse Sariel calmamente e sorrindo.

A poeira finalmente se dispersou por completo e revelou o tamanho do estrago que Sariel provocou. Além de ter destruído a arena, uma parte da floresta que ficava atrás dela foi destruída também. A parte mais próxima do impacto ficou totalmente devastada e com uma depressão de uns 5 metros, já as áreas mais distantes tiveram arvores arrancadas pela força do vento. Além de tudo, parte da muralha que era conectada com o estádio também caiu, devido ao tremor.

Aegreon se aproximou de Yaxun, que perplexo ao ver o dano, e disse: — Precisamos conversar. Está na hora de me pagar o favor que deve.

— Certo... Chamarei um guarda para levá-los para o palácio real, terei que ficar para lidar com os danos que vocês causaram.

— Eu posso ficar para ajudar — disse Sariel.

— Não, vocês são meus convidados, pode ir.

— Esse estrago é responsabilidade minha. Além disso, se eu ajudar as coisas serão mais rápidas.

Yaxun hesitou por alguns segundos, então suspirou e disse: — Certo, aceitarei a sua ajuda. Vocês podem ir na frente. — Enquanto conversavam, alguns guardas chegaram para averiguar a situação. — Você, leve-os até o palácio e trate-os como meus convidados de honra — ordenou apontando para um dos guardas.

— Sim senhor! Me acompanhem. — O guarda se afastou acompanhado do grupo, deixando Sariel e Yaxun para trás.



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