Volume 1
Capítulo 13 : O conselho.
No longo corredor de pedra do castelo, passos calmos ecoavam no silêncio. Os cavaleiros que cruzavam o caminho da mulher inclinavam-se respeitosamente. Seu vestido vermelho captava o brilho trêmulo das lamparinas, refletindo tons quentes e intensos nas paredes frias.
Sua caminhada foi interrompida diante de uma imponente porta de madeira maciça. Atrás dela ficava a sala do trono, mas algo havia quebrado a habitual serenidade do lugar. Vozes exaltadas se erguiam do outro lado, em um acalorado debate.
A mulher suspirou e empurrou a pesada porta. As dobradiças rangeram alto, mas o som não foi suficiente para interromper a discussão que acontecia no salão. Seu olhar percorreu a sala e encontrou os líderes das famílias reais trocando acusações entre si.
O espaço se assemelhava a uma câmara de conselhos. Diante do trono, uma imponente mesa de concreto dominava o centro do salão. Sentados ao redor dela estavam os chefes das três famílias reais, acompanhados por alguns de seus membros, que se mantinham de pé logo atrás das cadeiras.
— ISTO É UM ULTRAJE! NÃO VAMOS ACEITAR QUE SUA FAMÍLIA PERMANEÇA NO PODER! — bradou um homem, o rosto tomado pela fúria. Seu traje azul-escuro denunciava sua linhagem.
Cada uma das famílias era representada por uma cor distinta, um código que permitia à população identificar sua nobreza e linhagem à primeira vista.
O azul pertencia aos Troy, senhores dos portos do reino.
O verde era a marca dos Gomes, grandes proprietários das terras férteis onde os produtores do reino cultivavam seus bens.
O rosa simbolizava os Rethels, mestres do comércio em Hiden e além de suas fronteiras.
E o vermelho representava os Lennox, a família de diplomatas que há gerações conduzia as relações do reino.
A discussão continuava a escalar.
— CALADO, IMUNDO! — vociferou um homem trajando vestes rosa. — ISSO NÃO REPRESENTA OS RETHELS!
— Mas todos sabem que sua família não passa de um bando de ratos — retrucou a mulher de vestido verde, um sorriso carregado de desprezo nos lábios. — O que aconteceu agora foi a gota d’água. O reinado de vocês chegou ao fim.
— SILÊNCIO! — A voz firme da mulher de vermelho cortou o salão como um golpe certeiro.
As famílias se calaram de imediato. Todos os olhares se voltaram para a mulher que avançava pelo centro da sala, posicionando-se diante do trono. Seus cabelos dourados reluziam sob a luz das lamparinas, balançando suavemente a cada passo. Os olhos verdes, tão frios quanto esmeraldas sob o gelo, percorriam cada rosto ali presente.
— Está atrasada, Dulce — provocou uma mulher de vestido verde, um tom de escárnio em sua voz. — Onde está a família Lennox?
— Marilda, eles concordam comigo, por isso apenas minha presença é necessária — respondeu Dulce, inabalável. — Fico feliz que todos estejam aqui. Já sabemos o que aconteceu com o rei e a rainha... foi uma grande tragédia.
— Tragédia é essa maldita família ainda ser considerada nobre — resmungou alguém entre os Troy, fazendo vários rirem em deboche.
— Quem disse isso? — Um homem de bigode fino, porte atlético e vestes rosas se adiantou. Seu olhar faiscava de raiva. — Vai pagar pelo que disse!
— Por favor! — interveio Dulce, tentando restaurar a ordem. — Vamos manter a decência. Este é um assunto delicado e pode desencadear um declínio irreversível no reino. Todos aqui pertencem às famílias fundadoras... estamos prestes a desonrar o legado dos nossos ancestrais.
— O legado já foi manchado pelos crimes e pela corrupção dessa família. — Marilda lançou as palavras como lâminas afiadas.
— CALE A BOCA! — O líder dos Rethels bateu as mãos com força sobre a mesa, erguendo-se com fúria. Seus olhos brilharam perigosamente, e uma aura mágica começou a tomar forma ao seu redor.
— Ora, ora... — O líder dos Troy sorriu de canto, como se tivesse esperado por aquilo há muito tempo. — Quer calar nossas bocas à força, é isso?
A tensão no salão se tornou palpável. O ar parecia mais denso, carregado com a promessa de um confronto iminente.
— Melhor ainda, podemos acabar com eles aqui mesmo. — Marilda murmurou com um sorriso presunçoso, enrolando distraidamente uma mecha de seu cabelo castanho entre os dedos.
De repente, a sala foi tomada por uma pressão sufocante. O ar ficou pesado, e as paredes pareciam vibrar com a energia crescente. A magia dos líderes das famílias se intensificava, tornando a atmosfera quase insuportável. Dulce tentou intervir, mas suas palavras se perderam no caos — ninguém mais a ouvia. As auras mágicas cresciam ao redor dos três líderes, e seus olhares se tornaram lâminas afiadas, prontos para se cravar uns nos outros.
O combate era iminente.
— Ei. — Uma nova voz ecoou pelo salão.
A pressão no ar se multiplicou num instante, avassaladora. Os corpos dos presentes estremeceram, a sensação de ameaça cravando-se em suas peles.
Uma mulher de armadura branca caminhou até o centro da sala, seus passos ressoando firmes no chão de pedra. Seus cabelos brancos como a neve contrastavam com os olhos de cores diferentes, que brilhavam com intensidade quase etérea.
— Yuki... — murmurou Dulce, aliviada. — Você está atrasada!
— Foi mal — Yuki deu de ombros, estalando os dedos. — Parei pra conversar com alguém no caminho.
Ela então virou-se para os nobres e, com um sorriso irônico, declarou:
— Seus merdas, vamos parar com essa baboseira. Se continuarem, vão acabar tendo o mesmo destino do rei e da rainha.
— Sabe com quem está falando, sua insolente?! — Marilda explodiu em fúria.
Yuki inclinou levemente a cabeça, o olhar afiado e brincalhão ao mesmo tempo.
— Não sei. Gostaria muito de conhecer.
O chão tremeu. Seu olhar se fixou em Marilda com uma intensidade esmagadora.
A mulher hesitou. Ninguém na sala ousou responder ou enfrentar a capitã.
— Muito bem, como eu dizia... — Dulce retomou a palavra, erguendo-se diante dos nobres. — Ontem, todos tomaram conhecimento da tragédia que se abateu sobre o reino. Mas o que realmente querem saber... é sobre a sucessão ao trono.
Os olhares se cruzaram. Era evidente o desejo de cada família: não se tratava de justiça ou dever, mas da busca insaciável pelo poder.
Yuki observava aquilo com nojo. Ambição, cobiça e traição estavam estampadas nos rostos à sua frente.
— A herdeira legítima, a princesa Isabella Rethel, ainda é muito jovem para assumir o trono...
— Mas não queremos que essa família continue governando! — interrompeu um dos nobres da família Troy, seu tom carregado de desprezo. — São corruptos! Durante a guerra, desviaram fundos para enriquecer a si mesmos e a outros nobres enquanto o povo morria nos campos de batalha!
A tensão na sala atingiu um novo pico. O futuro do reino estava prestes a ser decidido — ou destruído.
— Ronan, pelo que sei, membros da família Troy, da qual você é o responsável, também estavam envolvidos nesse esquema. Tenho nomes e documentos que provam isso e...
— Tudo bem! Continue o que estava dizendo. — Ronan interrompeu rapidamente, recuando sutilmente, como se já tivesse admitido sua culpa.
Dulce manteve a postura firme e prosseguiu:
— Como eu dizia, o trono deveria ser passado provisoriamente para outro membro da família real. Como todos sabem, Connor Rethel está preso. Sendo assim, como irmã mais nova da rainha, eu assumi a coroa.
O silêncio tomou conta do salão. O clima se tornou hostil, mesmo sem ninguém dizer uma palavra. Mas Dulce não hesitou:
— No entanto, tenho um projeto a apresentar e espero que todos considerem. Quero dividir o poder da coroa com um conselho. — Ela ergueu a mão em um gesto triunfante. — Com isso, todas as famílias terão autoridade igual. Não precisarão mais pedir permissão para governar seus próprios territórios, apenas fornecer relatórios ao conselho. As decisões não virão mais apenas de mim, mas serão debatidas por todos… até que a princesa esteja pronta para assumir o trono.
A tensão pairou no ar.
Yuki estreitou os olhos para a amiga, sua mente fervilhando de questionamentos.
”Como ela pode fazer isso? Dar poder para esses riquinhos de merda? Ela já tem a coroa, por que... AH!”
A capitã finalmente compreendeu o jogo de Dulce.
— O que acham? — Dulce insistiu, encarando os líderes.
O chefe da família Rethel foi o primeiro a se manifestar:
— E a princesa? Ela é a herdeira legítima do nosso antigo líder.
Dulce respirou fundo antes de responder:
— Como tia dela, eu mesma cuidarei de sua educação e preparo até que tenha idade suficiente para assumir o trono. Todos aqui conheciam minha irmã. Esse era o desejo dela. Peço que considerem isso.
Ao terminar, Dulce curvou-se respeitosamente perante os líderes.
— Pela família Rethel, têm nossa confiança.
As demais famílias hesitaram por alguns segundos, avaliando a situação com desconfiança. Marilda suspirou, cedendo ao pedido.
— Farei isso por Rachel. A família Gomes concede seu voto de confiança.
Todos voltaram o olhar para Ronan. Ele se viu encurralado, mas ao trocar um olhar com Marilda e sorrir discretamente, tomou sua decisão.
— A família Troy dá seu voto de confiança.
Dulce manteve a postura firme, mas seu alívio era visível.
— Agradeço a todos.
##
— AAAAARF! — Dulce resmungou, jogando-se sobre a varanda, apoiando os braços no parapeito. — Eu odeio ser diplomática! Por mim, teria quebrado a cara de todo mundo ali… Mas agora sou a líder desse maldito conselho.
Yuki, que observava a amiga se lamentar, começou a gargalhar.
— Mas pelo menos você evitou que as famílias se matassem. Eles fariam de tudo para tomar a coroa dos Rethels… até mesmo de você.
— Nem me fale. A última coisa que precisamos agora é um conflito interno.
— Mas eu esperava mais ação. — Yuki fez um bico, sentando-se sobre a varanda. — Nem sequer soquei alguém. Eles aceitaram muito fácil.
Dulce sorriu, já prevendo esse comentário.
— Eu sabia que diria isso. Mas não se engane… Não descarto a possibilidade de tentarem algo no futuro. Por enquanto, essas feras vão se acalmar.
Ela olhou para Yuki, que bocejou longamente. Sem conseguir conter o riso, Dulce começou a rir junto.
— Para falar a verdade… Usei isso como desculpa para ver minha antiga amiga. Desde que essa guerra começou, não nos encontramos.
O sorriso de Yuki se desfez aos poucos ao perceber a melancolia no olhar de Dulce.
— Essa guerra levou meu marido… e meu filho está na linha de frente.
— Ele está mandando muito bem, o moleque é realmente bom. Nunca vi algo assim antes. — completou a capitã, rindo.
Dulce golpeia a cabeça de Yuki.
— VOCÊ ESTÁ DIZENDO ISSO PORQUE NÃO SABE COMO UMA MÃE FICA PREOCUPADA! ELE PODE FAZER O QUE QUISER, EU VOU CONTINUAR PREOCUPADA!
O olhar da cavaleira se acalma, e ela abre um leve sorriso.
— Na verdade, acho que sei sim... Achei aquele pirralho muito engraçado. Sem magia, mas com aquele papo de querer ser o mais forte. Ele ainda não sabe qual é o lugar dele. Comecei a treinar ele, só pra ver até onde vai.
— Sem magia? Que interessante. — Dulce solta algumas risadas. — Está toda boba falando dele. Onde ele está? Quero conhecê-lo.
— Ah, eu deixei ele na Floresta Negra.
Dulce a encara por um tempo, achando que é brincadeira, mas logo percebe que Yuki fala sério.
— VOCÊ O QUE, SUA IDIOTA?!
O grito de Dulce ressoou pelo castelo, e todos puderam ouvir.
— COMO PODE FAZER ISSO? ELE É SÓ UMA CRIANÇA! ELE NÃO É UM MONSTRO IGUAL A VOCÊ! SUA MERDA! — gritou, furiosa, enquanto desferia golpes em Yuki.
— EI, EI, EI! EU NÃO SOU LOUCA! EU SEI DO QUE ELE É CAPAZ! — respondeu Yuki, indignada.
— E O QUE TE FAZ PENSAR ISSO?
— Ele é neto de Thomas Grey.
— O Scarface? E o pai dele o Major Grey não tinha filhos?
— Não posso entrar em detalhes. Mas só o fato de ele ser um Grey já faz com que ele seja difícil de derrubar. — Yuki se pendura de cabeça para baixo, com as pernas segurando a sacada.
Ela observa a cidade cinza além dos muros do castelo, onde as casas estavam sem luz, exceto por algumas lamparinas nos postes. Na rua de concreto, apenas alguns cavaleiros da capital faziam patrulha. Yuki continua:
— Eu sei que este reino, esse mundo, ainda vai conhecer o nome desse pirralho.
— Interessante. Quero conhecê-lo em breve. Será uma ótima companhia para a Isabella.
Yuki sorri, cruzando os braços.
— E a princesa, como ela está lidando com tudo isso?
— A Isabella está aterrorizada. Ela não quer sair do quarto, só quer chorar. Fica deitada o dia inteiro. Os olhos da minha sobrinha eram tão alegres, mas agora ela parece alguém enfermo na cama.
— Ela viu tudo?
— Sim... — Dulce apertou os dedos contra a varanda de concreto. — E ela... ela... fez aquilo...
— Aquilo? — Yuki perguntou, apreensiva.
— Já ouviu falar em “ despertar divino”?
— Hm? Isso é uma lenda, ninguém teria capacidade de despertar outro núcleo de mana depois que nasceu. É algo gerado enquanto ainda está na barriga da mãe.
Dulce não respondeu, apenas encarou a capitã.
— Todos viram, ela teve esse despertar. Ela despertou magia de cinco tipos de elementos. As outras famílias foram informadas de que o rei tirou a própria vida, mas foi a princesa... ela perdeu o controle.
— Isso... isso é incrível. Ela poderia se tornar cavaleira...
— Não! — Dulce interrompeu com um tom firme. — Não quero ela envolvida com nada disso. Ela precisa focar nos deveres do reino para se tornar uma rainha e ficar protegida.
Yuki permaneceu em silêncio, pensativa. Até que, finalmente, ela quebrou o silêncio:
— Eu tive uma ideia. — disse a capitã.
##
— OLHE, SANCHO! UM ENORME MONSTRO DE MADEIRA!
Dom e Sancho estavam lutando contra uma árvore gigantesca no pátio do castelo.
O homem magro acertou um golpe no tronco da árvore, que, em resposta, lançou uma fruta pesada na cabeça de Dom. O impacto foi como uma pedra caindo sobre seu capacete.
— Merda! Ele me atacou! — Alonso cambaleou para trás, tonto.
— Deixa comigo! — Jeff saltou por cima de seu companheiro e, com um golpe certeiro, atingiu o tronco da árvore.
A pancada foi forte, fazendo a árvore tremer. No entanto, ela mostrou que era a mais forte. Uma pilha enorme de frutas caiu sobre os dois cavaleiros. A vitória foi da árvore.
Perto dali, Johan observava a cena. Como um pai que observa as crianças, temendo que façam mais besteiras.
— Idiotas! — resmungou, acendendo um cigarro.
— Papai?
Uma voz infantil ecoou na mente de Johan. Seu corpo estremeceu e sua pressão caiu.
— Papai? — A voz continuou chamando.
— Timmy? — Johan chamou o nome de seu falecido filho, olhando para todos os lados, enquanto suava frio. — Onde você está?
— Aqui, papai!
Johan viu, à distância, a silhueta de sua esposa e filho. Ambos faziam gestos com as mãos, chamando-o. Ele parecia hipnotizado com aquilo, largando o cigarro e caminhando devagar em direção às sombras.
— SOCORRO!! — O grito desesperado de Dom e Sancho tirou Johan do transe.
Ele voltou sua atenção para os dois cavaleiros.
Um enorme ogro segurava a cabeça dos dois em suas mãos, erguendo-os do chão. Ele usava uma armadura verde, e sua pele cinza, com tatuagens, era o que mais se destacava.
— Olha só quem eu encontro aqui! Os dois melhores cavaleiros da Yuki! Ahahahlhahaaaa! — O ogro zombou.
— Socorro!! — Berrou Sancho.
— Deixa eu descer daqui e vou te eliminar, seu ogro maldito! — Dom ameaçou, golpeando o ar.
— YAAHAHAAA!!
Johan olhou novamente para onde sua família estava, mas eles haviam sumido. Confuso, ele se aproximou do local onde estavam.
— Bronny, por favor, pode largar meus cavaleiros?
— Deixa eu brincar mais um pouco, Johan! — respondeu o ogro, com um sorriso travesso.
— Por acaso tem a mesma mentalidade que eles? — Johan perguntou, colocando as mãos sobre o cenho, já irritado.
Bronny largou os dois cavaleiros, que imediatamente fugiram para longe.
— O que é isso? Você de mau humor? — Bronny estranhou o comportamento de Johan. — Você adora sacanear seus cavaleiros.
— Não enche. — Johan respondeu, impaciente.
Johan se afastou do ogro.
— Não tinham uma missão a oeste? — Bronny caminhou atrás do homem.
— Pedimos que os Tigres fossem em nosso lugar. Tivemos que vir por causa de uma urgência da Família Lennox.
— Vocês têm contato direto com a família real? Então sabem o que aconteceu com o rei e a rainha. Pelo que ouvi, o rei enlouqueceu, matou a rainha e tentou matar a própria filha...
— Como sabe disso? Não era para ser divulgado ainda. — Johan interrompeu, surpreso. Na carta, falava sobre confidencialidade.
— Cheguei na cidade há uns dias. Enquanto meu esquadrão se encaminhava para o quartel da capital, ouvimos diretamente das pessoas.
“Alguém deve ter vazado a informação para gerar essa revolta do povo. Isso deve ser coisa de alguma família real, eles não perdem tempo mesmo.”
Johan refletiu enquanto caminhava.
— Que tal bebermos um pouco? — O ogro colocou a enorme mão sobre o ombro de Johan.
— Não, me deixa em paz.
Quando se deu conta, já estava debruçado sobre uma mesa, com uma caneca de bebida em sua mão.
— ÃH! QUER BRIGAR, SEU VERME?! — Johan gritou para um elfo ao seu lado.
O elfo abanou o bafo de Johan para longe. Com um movimento brusco, derrubou bebida no uniforme verde do elfo.
— Pelo amor, tenha modos! — resmungou o elfo, levantando-se furioso.
— ANDE! VENHA! VOCÊ SE ACHA O BONZÃO COM ESSE NARIZ EMPINADO!
O ser mágico se afastou, indo até o balcão da taverna pedir uma toalha. Antes de limpar seu uniforme, teve que amarrar seus longos cabelos loiros.
— Ele fica assim mesmo, por isso está evitando beber. — uma voz disse ao seu lado.
O elfo olhou para o lado e observou alguém bebendo uma caneca enorme de cerveja e arrotando no final. Era Yuki Bonnie.
— De onde você veio? — ele questionou, confuso.
— Ah, Ezra, você sabe que onde tem bebida, sempre vai me encontrar. — ela se vangloriou, soluçando.
— Você tem que controlar seu vice-capitão!
Um barulho estrondoso ecoou pela sala.
Bronny estava golpeando a mesa, cantando e rindo. As pancadas faziam as paredes tremerem, parecia que, a qualquer momento, tudo poderia desabar.
— VEM AQUI, JOHAN! ELA NÃO ME QUER, POR ISSO QUE ESTOU NA PISTA! QUE TAL IRMOS ATRÁS DE ALGUMAS DAMAS? — berrou, agarrando Johan.
— Me solta, seu ogro imundo! — Johan gritou, tentando se soltar.
Yuki, vendo a cena, gargalhou.
— E você, controle seu capitão! — retrucou, em tom de deboche, para o elfo.
— Arf! Eu odeio encontrar vocês. O capitão sabe que só vocês aguentam beber com ele.
— E quem você acha que ensinou ele a beber? Eu sou a mestre de muitos.
O elfo ficou em silêncio por um momento, se aproximando do ouvido de Yuki.
— Vocês estão brincando aqui, mas a missão que você deixou para os Tigres Lazules quase deu errado.
— Como assim? — Yuki questionou, os olhos estreitando.
— Quem estava lá era Gadrel.
Yuki sentiu um arrepio na espinha ao ouvir o nome do segundo Anjo Caído mais forte.
— E por que ele estava lá? Não faz sentido, era uma base com demônios de classe baixa.
— Ele quer vocês. Todos os demônios dizem que ele está furioso. Mataram a irmã dele. Ele pretende ter sua vingança, a qualquer custo. — Ezra disse em tom sério, tirando a caneca da mão de Yuki.
— Isso é muito estranho. Demônios normalmente não se importam uns com os outros. — Yuki respondeu, confusa.
— Os de classe baixa são peões, foram criados desde pequenos para serem armas. Mas Gadrel é de uma classe superior. Não me surpreenderia se ele tivesse essa capacidade de se apegar.
— E o que aconteceu com o esquadrão? — Yuki perguntou, apreensiva.
— O capitão e o vice foram mortos de forma brutal. Os cavaleiros ficaram perdidos, mas Jacob Lennox, aquele jovem da família real, conseguiu liderá-los para resistir até que o esquadrão do meu pai chegasse. Mas Gadrel já não estava mais lá.
Jacob Lennox, filho de Dulce. Yuki se sentiu aliviada por saber que o garoto estava vivo. Não suportaria a culpa de ter mandado o filho de sua amiga para a morte.
— Merda! — ela socou o balcão com raiva.
— Bom, por um lado, tem algo positivo nisso tudo. Seu esquadrão é essencial para a retomada. Não poderíamos arriscar perder vocês.
Yuki se levantou bruscamente do banco.
— Está falando igual ao seu pai. — resmungou.
— Não diga isso! — ele retrucou, em tom de negação. — Aonde vai agora?
— Preciso buscar alguém. — Yuki respondeu, sem olhar para ele.
Ela saiu do lugar, arrastando Johan pela gola de seu uniforme.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios