LOVCI Brasileira

Autor(a): Ana Júlia


Volume 1 – Arco 3

Capítulo 27: A Garotinha de Teresa (3)

Teresa, Comitê de Reuniões da Associação de Moradores – Noite, 18:23

Grande parte dos moradores da cidade estava presente, após todos os problemas que tiveram de enfrentar, era um alívio que a cidade voltaria a funcionar normalmente. A festa era uma forma que o governador havia encontrado de agradecer aos moradores. O salão foi decorado com as melhores tapeçarias e cortinas, o bufê era digno dos nobres e todos haviam colocado seus melhores trajes sociais. Risadas, conversas paralelas e despreocupação, os moradores haviam voltado ao de sempre, Teresa se reerguia.

― A assinatura de noventa e oito por cento dos cidadãos da nossa estimada cidade rendeu algo bom para todos, o Governo Celestial aceitou a morte da bióloga Erin Matiara como um disparo acidental. ―  O governador informou e um suspiro de alívio uníssono preencheu o enorme salão. ― Ainda não sabemos quem foi o autor, mas sei que apenas um de nós é o responsável, então não devemos nos sentir culpados e apenas seguir em frente.

O conselheiro assistia ao discurso com seriedade, olhava para todas aquelas centenas de pessoas e sentia nojo.

“Somos culpados sim, deixamos uma pessoa que poderia ser salva morrer injustamente”, era pior ainda quando se lembrava do que foi encontrado mais tarde, os exames verdadeiros alegaram que a bióloga não estava contaminada com a Peste Verde.

“Agora estão todos fingindo inocência…”.

O discurso perdurou por horas, o governador Eric Botas explicava com “clareza” a situação da cidade nos próximos dias, Teresa sairia de interdição, todavia ele precisava deixar claro que tudo que aconteceu nos últimos dias deveria permanecer em sigilo total. Com ameaças sutis, ele havia conseguido manipular a mente de todos.

A festa continuou após a reunião para alegrar e disfarçar a tensão criada, mas foi interrompida por uma ligação.

― Senhor! ― O secretário correu até o governador com a mesma palidez de quando algo ruim acontecia.

― O que foi? Alguém se matou outra vez? ― Perguntou ele com desdém, vestido em seu melhor smoking, ele aproveitava a festa luxuosa.

― Não senhor, uma tropa com seis guardas sofreu ataque nas fronteiras do bosque no lado leste da cidade. ― O rapaz informou e o governador ficou sério. ― Não temos registro de sobreviventes, todos com cortes profundos, estão deduzindo que seja um animal selvagem.

― Mas justo agora? Reforce a segurança! ― O governador largou a taça de champanhe sobre a mesa e subiu com o secretário para o escritório do comitê. ― Que merda, ainda não terminamos de apagar os vestígios, portanto não podemos pedir ajuda de fora!

― Já pedi para acionar o pelotão especial, devemos avisar os outros? ― Indagou o jovem secretário, estava visivelmente atordoado.

― Não, quase a cidade inteira está aqui, coloque todos os guardas para proteger a parte exterior e deixe apenas o pelotão especial responsável por procurar o tal animal selvagem. ― O governador ditou e o secretário acatou.

Eric convidou a banda a continuar tocando e a servir mais bebidas, dessa forma evitou levantar suspeitas da real situação.

 

Teresa, Lado Leste – Madrugada, 00:01

O homem viu a criatura pela janela do seu quarto, era metade criança e metade besta, ver algo assim no meio da noite foi horripilante. Pensou em ligar para a guarda da cidade, no entanto as linhas ainda estavam desativadas.

― O que foi querido? ― Sua esposa acordou ao vê-lo parado na janela.

― Venha ver isso, acho que estou delirando. ― Ele estendeu a mão a puxando na direção da janela.

― Deuses! ― A mulher se assustou.

Os dois observavam a criatura em silêncio, era algo bizarro e assustador, possuía longas garras negras e uma mandíbula terrificante. De súbito ela os viu, seus olhos dourados alcançaram a pequena brecha em que o casal a observava, correndo de forma desajustada arrastando as garras no chão, a criatura marcou o rumo da mansão.

― Ela está vindo! ― A mulher se desesperou.

― Leve as crianças para o porão! ― Ele ditou já procurando seu rifle escondido sob a cama. ― Não saia de lá, vou buscar ajuda!

A mulher saiu do quarto apressada, seguiu para o lado oeste da casa, onde ficava o quarto do seus dois filhos.

O homem desceu e encontrou com a criatura já em sua sala de estar, ela havia derrubado a pesada porta com facilidade. Ele disparou várias vezes contra a aberração, mas os projéteis atravessavam seu corpo como se ela fosse feita de fumaça.

― HIAAAAA! ― Ele se assustou quando ela ameaçou atacar e caiu tropeçando no divã.

A criatura não o poupou, arrancou uma de suas pernas com sua mandíbula poderosa e o deixou sangrando.

― NÃO, MEUS FILHOS! ― Ele gritou ao vê-la seguir adiante.

O homem tentou se mover, arrastando-se pelo piso e preenchendo todo o espaço com seu sangue. Alguns minutos depois escutou gritos e pedidos de socorro, entrou em pânico, mas não poderia fazer nada.

― Trouxe sua família para que você não morra sozinho. ― A criatura com voz de criança, lhe disse surgindo novamente, lhe jogou três cabeças. ― Morrer sozinho é triste.

― AHHHHH! ― Ele gritou ao perceber que era sua esposa e seus dois filhos, todos com olhos arregalados de pavor.

A aberração foi embora o deixando surtando aos gritos, seguia para a próxima mansão.

Ezza não perdoo ninguém, entrou nas mansões e matou tudo que encontrou pela frente. Rasgava seus pescoços ou os arremessava pelas janelas, esmagava suas cabeças ou arrancava seus membros para que morressem aos poucos.

A maioria começou tentar fugir e saiam de suas casas buscando sair da zona de perigo, isso fez com que Ezza começasse a desistir de invadir as casas e passasse a perseguir os que estavam nas ruas. Ela era mais rápida, mais forte e conseguia matar com golpes certeiros.

Nos últimos momentos do massacre do lado leste alguns contavam com o socorro médico para sobreviver, já outros conseguiram fugir sem ajuda. Ezza foi embora, pegando a rua principal ela mudou sua rota para o norte da cidade, seguia o cheiro e os sons.

 

Teresa, Lado Oeste – Madrugada, 00:45

Ofélia estava preocupada com Ezza, a menina estava desaparecida por quase um dia, já havia procurado por todos os lados, mas não havia sinais de que ela ainda estava viva.

― Você não sabe onde ela pode estar? ― Questionava Tim, mas o garoto estava mudo. ― O que aconteceu com você? Por que não fala?

Tim ainda estava pensando nos corpos desmembrados que viu no pântano, nada mais entrava em sua cabeça, ele estava anestesiado pelo trauma.

 

Teresa, Lado Norte – Madrugada, 00:50

Ezza estava indo bem em sua caça, encontrou uma estaca afiada e a usava como lança para alcançar os alvos mais distantes.

Uma mulher esguia e rápida já estava conseguindo sair de seu alcance, fugia para o leste. Ezza mirou bem e fez como já havia visto nos filmes, a lança foi arremessada com toda a força do braço de dragão, que agora ela possuía. A estaca cruzou o espaço reluzindo seu metal puro e atravessou a cabeça da mulher, saindo pelo seu glóbulo ocular esquerdo e a abatendo imediatamente.

A periferia estava vazia, grande parte estava na festa do comitê e isso deixou Ezza atiçada. Seria fácil acabar com todos, destruiu todos os barracos com chutes e socos, alguns moradores morreram esmagados por vigas e outros precisaram ser esmagados com golpes de “misericórdia”.

Ezza estava indo bem, até que o pelotão especial apareceu a distraindo, abrindo espaço para que alguns moradores escapassem.

― RENDA-SE ABERRAÇÃO! ― O líder ordenou, o pelotão possuía escudos de aço e se alinhavam ao redor de Ezza.

“Aberração?”, Ezza pensou um pouco, ficou impactada pela palavra.

Fogo foi liberado e todas as armas foram disparadas contra Ezza, ela estava distraída, mas nenhum projétil lhe atingiu. As balas atravessavam seu corpo de fumaça e caíam do outro lado perdendo a velocidade, o que deixou o pelotão inteiro em choque.

― AVANÇAR TROPA DA VANGUARDA! ― O líder convocou e isso acordou Ezza de seu devaneio.

Antes que pudesse se defender foi atingida por um golpe nas costas, a lâmina da espada atravessou sua carne e arrancou sangue.

― Arg! ― Ezza caiu no chão e foi alvejada pela tropa.

Ela parecia imobilizada e estava sem saída, repleta de cortes e presa por uma rede.

“O que eu faço?”, entrou em pânico.

― A criatura foi capturada, repito, a criatura foi capturada! ― O líder informou no seu ponto grudado na gola da farda. ― Mande a equipe de apreensão para levarmos a aberração.

 

Teresa, Comitê de Reuniões da Associação de Moradores – Madrugada, 01:02

A festa estava fluindo bem, mas algumas pessoas já queriam retornar para suas casas. Para impedir que isso acontecesse, o governador inventou mais um discurso longo. Começava a pensar sobre contar a verdade, já estava inventando histórias quando o secretário lhe cochichou algo:

― A criatura já foi capturada, a equipe de apreensão já chegou ao local.

O governador respirou aliviado, já não aguentava mais falar ladainhas. Encerrou seu discurso e voltou para o escritório do comitê, ao entrar se jogou no sofá e fechou os olhos.

― Que exaustivo! ― Suspirou.

― Mas os danos foram enormes, senhor, isso vai atrair o Governo Celestial, são mais de cem mortes brutais, grande parte são nobres. ― O secretário acrescentou fazendo o governador chiar exasperado.

― Então tudo que fizemos até agora foi inútil? ― Ele se sentou colocando a cabeça entre as mãos. ― O que faremos?

O secretário deu de ombros, encobertar uma morte era fácil, agora acobertar dezenas delas era praticamente impossível.

 

Teresa, Lado Norte – Madrugada, 01:13

A equipe de apreensão chegou ao local indicado, todavia não encontraram aberração alguma. O que encontraram foram corpos carbonizados, o pelotão especial inteiro havia sido deixado em caveiras.

Um rastro de sangue foi deixado pela rua, seguia na direção oeste, parecia que a criatura estava se arrastando, já que o sangue deixou uma faixa longa no chão.

― Precisamos avisar o governador, Teresa precisa de ajuda do Exército Celestial. ― Uma mulher da equipe alertou, não conseguia entender como corpos foram carbonizados se não houve incêndio.

 

Teresa, Lado Oeste – Madruga, 01:43

Ezza continuou seu massacre, entrou no primeiro prédio da rua e encurralou os moradores dos apartamentos. Arremessou do terraço um homem gordo adulto, ao cair ele se estourou como um balão de carne.

Cansada e ferida, Ezza já não conseguia alcançar tantas vítimas, portanto muitas delas conseguiram fugir. Se sentou na calçada para recuperar sua energia, ao redor as pessoas se atropelavam, fugiam aos berros. Ela conseguiu ver no meio de todas aquelas pessoas, quando Tim e Ofélia foram embora, o garoto lhe olhou com piedade e isso fez com que ela se sentisse ainda pior.

Ezza olhou para suas garras, restos de carne humana e sangue as enfeitavam, ela já havia matado grande parte, mas então por que não se sentia bem? Se sentia um monstro horrendo, era um efeito tão rápido, quando cortava e via a vida deixando os corpos era maravilhoso, mas olhar para o cadáver era depressivo.

“Eles merecem isso, mate todos”, escutou uma voz falando dentro da sua cabeça, “Você pode se sentir mal, mas eles estarão mortos de qualquer forma, então vingue-se”.

Ezza se levantou e olhou na direção do fim da avenida, escutava o barulho da festa. Seria lá a sua parada final, não importava o preço, ela apenas pagaria.

“Tia Erin…”, ela olhou na direção de sua antiga casa, agora interditada.

Se arrastou pelas ruas desertas até alcançar a casa, derrubou a porta que estava lacrada e caminhou para dentro. As coisas ainda estavam do jeito que costumam ser, os móveis e até o sangue de Erin, seco, sobre o sofá e o carpete.

“Me desculpe tia Erin…”, pensou olhando para cada canto da casa, que agora parecia completamente estranha, “… mas acho que a senhora se enganou sobre mim”.

 

Teresa, Comitê de Reuniões da Associação de Moradores – Madrugada, 02:21

Todas as portas já estavam travadas, com uma falsa ordem, o conselheiro havia conseguido fazer com que os guardas lacrassem as portas pelo lado de fora do salão. Uma força com trinta guardas civis vigiava o salão, a notícia de que a fera havia sido apreendida ainda não havia sido entregue à segurança.

O conselheiro olhou ao redor e sentiu seu estômago arder em repulsa, tinha certeza de que não seria julgado pelos deuses, todos ali eram igualmente assassinos frios. Após ligar todas as saídas de gás na cozinha ele caminhou até o salão e esperou alguns minutos, com uma das mãos enfiadas dentro do paletó, o homem tremia ao segurar o pino da granada.

O cheiro de gás começou a preencher o salão e algumas pessoas já reclamavam. Fechando os olhos e respirando fundo, o conselheiro apenas puxou o pino de uma vez.

A explosão foi ainda mais forte do que ele previa, o fogo varreu todos os corpos do salão e ainda conseguiu levantar o concreto, até mesmo os guardas do lado de fora foram atingidos. O barulho da explosão foi escutado na cidade ao lado, que ficava há duas horas de distância, a terra tremeu e em segundos centenas de corpos já haviam sido desintegrados.

 

Ezza chegou tarde ao salão de reuniões do comitê, o local já estava totalmente carbonizado, apenas uma fumaça negra e cinzas preenchiam o espaço. O que ela encontrou foram algumas pessoas com queimaduras de terceiro grau que conseguiram fugir dos destroços, mas elas já estavam praticamente mortas.

Olhando para os restos dos escombros, Ezza via corpos deformados tentando sobreviver, os murmúrios de morte preenchiam o vazio e aos poucos iam cessando. O cheiro de carne queimada e o peso das lamúrias, fez com que Ezza ficasse realmente assustada. Tentou fugir, mas também já estava no seu limite, caiu na calçada e ficou ali imóvel.

“Todos morreram…”, pensou ela encarando o céu nublado.

Teresa, cidade com exatos novecentos e vinte dois moradores. As vítimas do Dragão Negro chegaram ao número de cento e noventa e três pessoas; as vítimas do incêndio criminoso causado pelo conselheiro da cidade chegaram ao número de seiscentas e vinte e cinco pessoas; os sobreviventes chegaram ao número de cento e quatro pessoas.

 

Ed o Louco andava pelas ruas irritado com o cenário, ele queria ter sido o responsável por aquilo, mas agora procurava pela ladra de essência. A encontrou em frente ao salão, inconsciente e a beira da morte, possuía feridas profundas.

― Encontrei você sua putinha, agora vamos acabar com isso! ― Ele a segurou pelos cabelos levantando o seu rosto, colocou a adaga contra o pescoço pronto para abrir o corte, mas não conseguiu executá-lo. ― O quê…?

Seu corpo inteiro paralisou, olhando para cima ele avistou uma figura vestida de preto o encarando com olhos profundos e fugazes.

― Está tentando matar uma criança na minha frente, homem desprezível? ― A mulher o olhava rispidamente.

Ed reconheceu o símbolo na testa da mulher, era uma bruxa. Assim que ela parou o feitiço, o homem correu o mais rápido que conseguiu, com toda a sua gordura ele precisou se sacolejar inteiro até alcançar o fim da rua, não iria se envolver com bruxas, pois sabia do que elas eram capazes.

Arcana olhou o cenário e sentiu um calafrio, conseguia escutar o choro de todas as almas perdidas. Era como uma amostra grátis do submundo, alguns espíritos já ganhavam forma sombrias e aquilo era preocupante.

― Então era você… ― Ela se abaixou ao lado de Ezza, examinou sua marca minuciosamente. ― Como eu pensava, existe outro dragão.

A bruxa examinou a garota e percebeu que sua vitalidade estava por um fio, porém não sabia se deveria ajudá-la. Mister era um grande inimigo do seu clã, se existia outro dragão ele provavelmente também seria seu inimigo.

Arcana se levantou para ir embora, mas olhou novamente para Ezza, ela parecia estar sofrendo muito.

“Eu deveria ter um coração mais frio, sou uma bruxa afinal, mas…”, ela coçava a cabeça em duvida.

― Então vamos, menina dragão. ― A mulher pegou Ezza em seus braços e se conectou com seu corpo, fornecendo para a menina um pouco de sua energia vital.

Ezza deixou Teresa para sempre, a cidade morta que ficou conhecida mais tarde pelos testemunhos assombrosos dos sobreviventes, os mesmos que responsabilizavam o Dragão Negro pelo massacre total da população.

 

Reino Norte, Flok – Tarde, 16:23

Seis dias mais tarde…

Arcana precisou isolar Ezza em uma caverna nas montanhas do norte, agora ela estava sendo procurada por agentes secretos do governo. No Arquipélago de Jade não se falava de outra coisa além do Dragão Negro, um dos sobreviventes conseguiu desenhar perfeitamente a marca de Orasukiro de Ezza e agora todas as pessoas com tatuagens se tornaram suspeitas.

As coisas na caverna também não iam nada bem, o corpo de Ezza rejeitava a transformação e ela já havia surtado três vezes, Arcana precisou usar magia reversiva para mantê-la viva e quieta. Após tantos dias sangrando sem parar e surtando, a bruxa começava a aceitar o destino lamentável da criança, que só estava viva graças a energia vital da mulher.

Sentada ao lado de fora da caverna, Arcana observava as cidades abaixo das montanhas, odiava o fato do Arquipélago ser tão frio e úmido. Escutou passos, olhou para trás avistando Ezza, apesar de pálida ela parecia lúcida.

― Onde estou? ― A garota estava confusa e zonza.

― Ainda viva, um milagre! ― Arcana se levantou para examiná-la melhor. ― Você tem um espirito invejável, provavelmente será uma grande guerreira!

― Quem é você? ― Ezza olhou para a mulher exageradamente pálida, ela usava muitas correntes e possuía um olhar negro esperto.

― Me chamo Arcana, você é o Dragão Negro… ― Ela pensou um pouco tentando se lembrar do nome que as almas gritavam. ― Erin? Seu nome é Erin?

Ezza sentiu um estalo em sua cabeça, todas as lembranças voltaram como um forte soco no estômago.

― Eu matei… Eu matei todos eles? ― Ezza colocou a cabeça entre suas mãos.

― Alguns, os outros morreram no incêndio, mas a mídia está te acusando de todos os assassinatos. Mas não se preocupe, eles não vão nos encontrar aqui… ― Arcana explicava calmamente.

― Não, não, não, não, NÃO! ― Ezza gritou assustando a mulher.

Perdendo o controle, a menina começou a chorar alto fazendo Arcana se desesperar.

― O que foi? Está doendo em algum lugar? ― A mulher examinava Ezza em pânico. ― Não chora, não faça isso, eu não sei o que fazer… venha aqui, já passou!

Arcana a abraçou lhe confortando, sentia o pequeno e frágil corpo de Ezza tremendo em seus braços.

 

Mais tarde Ezza contou toda a história à bruxa, Arcana ficou revoltada e xingou bastante até fazer Ezza rir.

― O que foi? ― A bruxa questionou a risada da garota.

― A dor é minha, não precisa ficar tão irritada. ― Ezza murmurou.

― A dor é minha também, agora somos amigas, amigos compartilham dores! ― Arcana explicou de forma orgulhosa.

― Amigas? ― Os olhos de Ezza brilharam.

― Eu vou cuidar de você, te levarei para conhecer o mundo e então você ficará bem, tudo que aconteceu vai simplesmente desaparecer! ― A mulher estava convicta e isso fez com que Ezza despertasse novamente uma vontade de viver.

A garota concordou com a cabeça, Arcana usava negro e era estranha, mas ela brilhava muito aos olhos de Ezza, era o próprio sol.

 

Em Algum Lugar no Mar de Haiarys – Madrugada, 01:21

Atualmente…

Ezza acordou quando bateu a testa na mesa, o navio estava sendo violentamente sacolejado. As luzes piscavam e o mar rugia furiosamente, Mabuchi foi o primeiro a subir e logo em seguida Aura, estavam os dois apavorados.

― Galera! ― Serp abriu a porta violentamente, estava completamente encharcado. ― Avistei uma ilha!

― Mas não existem ilhas nessa rota! ― Mabuchi se segurava na mesa, que era presa ao chão.

Todos se entreolharam preocupados.



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