Volume 5
Capítulo 843: A Conduta de um Oficial Leal
Prius nunca tinha ouvido falar dessa cidade. A Vila Fronteiriça tinha se tornado um lugar de residência para servir à mina e não tinha nada a ver com uma “cidade”, muito menos para prefaciar a cidade com “a terceira”. Antes de Sua Majestade chegar na Região Oeste, apenas o Forte Cancioneiro merecia ser chamado de cidade.
Quando chegaram na caverna no sopé da Montanha da Encosta Norte, Prius entendeu o que Sua Majestade quis dizer.
Ele sempre foi curioso sobre o porquê do Ministério da Construção estabelecer uma construção parecida com uma fortaleza em Primavera Eterna. A localização de um ponto estratégico sendo guardado pelo Primeiro Exército era um pouco estranha. Em suas costas estava a Montanha da Encosta Norte, e para a esquerda e direita, havia uma distância muito grande das fronteiras para defender contra invasões de exércitos, muito menos permitir que eles guardassem adequadamente o castelo de Sua Majestade.
Ele perguntou a alguns dos colegas na Prefeitura, mas nenhum deles deu uma resposta satisfatória. Alguns disseram que a equipe de construção lá estava sob o gerenciamento direto do Ministro Carl, e outros não tinham autoridade para investigar isso. Sendo este o caso, Prius parou de perguntar. Afinal, estava apenas curioso. Não havia necessidade de ir tão longe a ponto de se meter em problemas.
Porém, nunca pensou que pessoalmente pisaria nesta posição militar.
Quando Prius viu o corredor subterrâneo feito e um grande aglomerado de cavernas, seu queixo quase caiu.
"Como eles fizeram isso?"
"Há um ano, não havia nada nesta área. Agora é como se o interior de toda a montanha tivesse sido conectado. Não é exagerado chamar uma área subterrânea tão espaçosa de cidade... mas isso é algo que pode ser feito pelos homens?"
Prius lançou um olhar furtivo para Sua Majestade, por quem seu temor se aprofundou.
O Duque Ryan tinha mesmo escolhido o oponente errado.
A família Leão sobrepujou as outras grandes famílias e tinha governado a Região Oeste por mais de uma década, e eles fizeram a terra antes estéril tão sólida quanto um pedaço de ferro. Isso era uma manifestação dos seus métodos perfeitos e capacidade, mas... afinal, ele era apenas um ser humano.
O que aconteceu em seguida chocou o cavaleiro da Família Alce ainda mais.
Ao chegar em um salão plano e aberto, perto do trailer, Prius viu dois homens vestidos como guerreiros andarem até eles; desde a popularização das pederneiras no Primeiro Exército, guardas vestidos com esse traje eram raramente vistos.
Um deles avaliou Prius de cima a baixo, então se virou para perguntar a Sua Majestade: — Tem certeza de que vai ficar tudo bem?
— Mais cedo ou mais tarde, meus súditos saberão sobre isso. Em vez de esconder, acho que é melhor dar um tempo para aceitar… — Roland respondeu: — Vamos começar com os oficiais da Prefeitura.
— Certo, então... — O guarda suspirou com impotência. Ele então acenou em direção ao domo acima do salão. Um clarão de sombra escura desceu e caiu silenciosamente na frente da multidão.
O coração do Prius bateu forte, e ele quase gritou!
“Ai, meu deus, o que diabos é isso?”
Olhando para o Ser-de-Tentáculos na frente dele, ele sentiu um calafrio enquanto isso subia pela sua medula espinhal. "Até mesmo um demônio do inferno não pareceria tão horrível quanto isso." O cavaleiro queria recuar, mas descobriu que seus pés tinham ficado dormentes. A única razão pela qual não caiu no chão foi a calma que Sua Majestade exalava.
Então "ouviu" uma voz.
No entanto, a voz feminina suave não veio de perto do seu ouvido, mas diretamente de dentro da sua cabeça.
— Vossa Majestade, que bom vê-lo.
— Bom te ver também, Pasha! — Roland falou com um sorriso. — Como estão os vermes?
— O número deles aumentou. Enquanto houver cogumelos, parece que apenas continuarão comendo.
— Eles parecem mesmo fáceis de alimentar.
— Sim, pode contar totalmente conosco.
— Quando a guerra começar, Vossa Majestade não terá muitas mãos de sobra. Além disso, quero criar mais de mil vermes, então é melhor deixar que eles se familiarizem com isso mais cedo.
Prius ficou assustado, porque Sua Majestade conversava muito à vontade com o monstro, exatamente como ele conversava com um oficial comum. Sem mencionar que o respeito que o monstro mostrava para com Sua Majestade era totalmente diferente dos demônios intimidantes. "Se fantasmas e monstros em livros falassem assim, talvez eles não fossem tão assustadores."
Respirou fundo duas vezes e sentiu seu coração acelerado desacelerar.
"O que Sua Majestade quer que eu crie? Vermes?"
"Além disso... é este o grande segredo que ele me avisou? No sopé da Mina da Encosta Norte há uma entidade não humana horrível escondida?"
Sua Majestade pareceu ler sua mente. Dando tapinhas no ombro do Prius, ele falou: — Esta é... a Senhorita Pasha. Ela costumava ser uma dama muito renomada. Ela foi amaldiçoada por demônios, que é o motivo de ter essa aparência atual, mas ainda é humana no fundo do seu coração. Não há necessidade de ter medo.
— Da... Dama? — Prius ficou assustado e levou um momento para se recompor.
— Exatamente. — O Rei suspirou. — Venha… ande comigo que vou contar os detalhes.
Foi quando Prius ouviu uma história inacreditável. Havia mais monstros como Pasha. Quatrocentos anos atrás, elas viveram nas Terras Selvagens e até construíram suas próprias cidades, mas falharam em resistir à invasão combinada de bestas demoníacas e demônios. A maioria delas morreu no deserto, e apenas pouquíssimas escaparam para a Região Oeste. A maldição dos demônios as transformou em monstros e as tornou imortais, o que significava que elas tinham que viver para sempre com essa dor. Agora, Roland acolheu essas sobreviventes. Elas se tornariam as aliadas de Roland para lutar contra os demônios, bem como as súditas do Castelo Cinza.
— Entendi.... — Prius murmurou.
— Mas, como você pode ver, a aparência delas pode facilmente dar às pessoas uma primeira impressão negativa, então tenho que manter em segredo absoluto e só contei para poucas pessoas. — Roland parou por um momento para encarar. — Se falar disso, você sabe a consequência.
— Eu manterei minha boca fechada, Vossa Majestade! — Prius jurou com pressa. Embora essa notícia estranha fosse mais inconcebível do que as histórias de terror das bocas das vovós, não pretendia discutir sobre o quanto era verdade. Ele acreditaria em qualquer coisa que Sua Majestade lhe dissesse. Essa era a conduta fundamental de um oficial leal.
— Fico feliz em ouvir isso. — Sua Majestade assentiu.
Com o Ser-de-Tentáculos... não, a antiga Dama Pasha como guia deles, o grupo passou por um corredor longo. Ela então se virou e falou: — Chegamos.
Na frente de Prius, havia outra caverna enorme. O espaço subterrâneo sombrio ficou subitamente cheio de movimento. Apesar das plantas sem precedentes e da visão cavernosa, os vermes enormes rastejando entre os cogumelos sozinhos eram o suficiente para prender sua atenção.
Prius descobriu que ficou dessensibilizado por causa de tanto estímulo em um curto período de tempo.
— É isso... o que preciso criar?
Parecia que Sua Majestade esteve observando Prius o tempo todo. Finalmente, assentiu com satisfação antes de dizer: — Exatamente. É chamado de Verme Borrachudo. A secreção dele é um material industrial amplamente usado, que é tão importante quanto carne e ovos. A equipe de expedição o encontrou na Grande Montanha de Neve e o trouxe de volta. Infelizmente, ele só podia viver no subsolo, por isso foi deixado para as sobreviventes da Terceira Cidade Fronteiriça cuidarem. — Neste ponto, Roland mudou de assunto de repente. — Ouvi que para alimentar as galinhas e os patos, você criou minhocas?
— Essencialmente... sim. — Após bastante tempo, Prius finalmente acompanhou o pensamento de Sua Majestade. — Posso reduzir a área de forrageamento das aves, o que subsequentemente permitirá que elas cresçam mais rápido.
— Esses vermes não são diferentes das minhocas, não me refiro ao método de criação, mas à natureza dos dois. — Roland chutou um Verme Borrachudo descansando em um cogumelo. O verme não se moveu até atingir o chão, então, arrastando sua barriga enorme, ele rastejou para a grama espessa. — Eles não são agressivos, e a comida favorita deles são cogumelos. Eles são maciços, mas passivos, então você não será mordido. A única coisa que precisa fazer é coletar regularmente o muco nas barrigas deles.
— Mu...co?
— Você já viu uma vaca leiteira? O ponto não é a vaca, mas o que a vaca produz.
— Com coletar, quer dizer, espremer para fora?
— É melhor se você puder encontrar uma maneira de coletar. — Roland sorriu gentilmente. — No entanto, como acabei de dizer, o verme em si não é importante. Às vezes é mais rápido matar o verme para coletar o muco. Afinal, a velocidade de reprodução deles é muito mais rápida do que a de uma galinha ou de uma vaca.
Prius estremeceu de repente, sem motivo claro ele teve a impressão de que Sua Majestade não gostava dos vermes vitais.
Enquanto esse pensamento passava pela sua mente, num piscar de olhos, Roland retornou ao seu tom habitual: — Este caderno contém registros de alguns dos hábitos destes vermes. — Ele entregou um livreto para Prius, com uma capa dura de couro de vaca. — Você pode ler como referência e comparar com o seu conhecimento. Então veja se pode encontrar maneiras de fazê-los crescer mais rápido e coletar o muco com mais facilidade. Desejo ver seu progresso até o mês que vem.
— Sim, Vossa Majestade. — Prius engoliu em seco e pegou o livreto, enquanto indagou: — Como eu vou fazer isso sozinho...
— O Primeiro Exército estacionado aqui te ajudará — Roland falou com um sorriso. — Trabalhe duro e haverá um lugar para você na Cerimônia de Honra e Recompensas deste ano.
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