Volume 5
Capítulo 834: Vamos Beber e Celebrar
Olga não soube como ela havia saído do castelo. Ela observou as pessoas passando para lá e para cá, parecendo bastante ocupadas, deixando-a parada no meio da rua, perdida.
O encontro com o rei excedeu suas expectativas em todos os aspectos.
Ela pensou que o rei a trataria com uma atitude hostil por causa da aparência anormal dela. Um rei cruel não hesitaria em esconder seus sentimentos, enquanto que um rei calculista permaneceria inexpressivo. No entanto, ela tinha certeza de que a atitude de qualquer rei mudaria quando ela informasse o propósito da sua visita, pois nenhum rei recusaria um(a) guerreiro(a) de graça, sem falar que ela concordou em ajudar a Cidade de Primavera Eterna a enfrentar os demônios. Quem recusaria uma oferta tão generosa?
Olga imaginou que, depois de conversar com o rei, ela moraria em algum lugar perto do castelo e seria tratada como uma convidada. Durante a estadia, ela conheceria mais bruxas, especialmente aquelas que possuíam grandes habilidades de combate, e estaria aos cuidados da Senhorita Nana. Embora nem todas fossem conhecê-la, ela acreditava que provavelmente encontraria alguém como ela, que gostava de melhorar suas técnicas de combate por meio de duelos. Esse método de treino beneficiaria ambas as partes e certamente seria mais eficiente do que socar sacos de areia.
Quando ela treinasse o bastante, sairia em busca dos demônios para aumentar o nível de seus desafios. Cinzas lhe havia dito que esses inimigos se escondiam nas Terras Selvagens inabitadas ao noroeste. Olga não tinha medo de acampar na selva, nem se importava com possíveis armadilhas montadas pelos inimigos, já que os lobos eram os governantes da vida selvagem. Ela acreditava que seu faro apurado e audição excelente a ajudariam a localizar a morada dos inimigos.
Mas tudo aconteceu de uma forma que ela não havia previsto.
Foi a primeira vez, desde que despertou como Dama Divina, que Olga ouviu alguém elogiar suas orelhas e chamá-las de bonitas. Até mesmo o pai dela, que nunca se mostrou avesso à sua aparência, nunca havia elogiado suas orelhas. Ele só dizia que: “Você definitivamente seria uma das garotas mais bonitas da Cidade da Areia de Ferro se não tivesse essas orelhas”.
Orelhas de lobo… realmente ficavam bonitas nela?
Ela havia ficado tão chocada com o comentário do rei que a cabeça dela ficou uma bagunça na segunda metade da conversa. O Grande Líder havia aceitado a aparência física dela, mas havia recusado o serviço de graça que ela forneceria ao lutar contra os demônios. No momento em que saiu do castelo, ela ainda estava chocada com o que havia acabado de acontecer.
— Não, não. Essa é apenas uma pequena derrota. — Olga se consolou. Ela deu um tapa na própria bochecha e respirou fundo. Contanto que ela seguisse o caminho correto, nada seria impossível. Na verdade, quando ela parou para pensar com mais cuidado, essa rejeição do rei não afetava muito o plano inicial dela. Ela ainda poderia explorar a cidade, investigar os demônios e conhecer outras bruxas, tirando o fato de que ela demoraria um pouco mais para fazer isso. Embora Roland a tivesse rejeitado, ele não havia imposto nenhuma restrição a ela e até mesmo salientou que ela poderia se juntar à União das Bruxas a qualquer momento, se mudasse de ideia. Já que ela havia decidido trabalhar sozinha, isso provavelmente funcionaria melhor para o plano dela.
Com esses pensamentos, Olga ergueu suas orelhas caídas, balançou o rabo e cerrou os punhos. Ela pensou: — É isso aí! Se os demônios realmente são tão fortes assim, por que o Grande Líder decidiu construir a Nova Cidade Real de Castelo Cinza aqui? Se os demônios vêm do noroeste, a primeira cidade que eles irão atacar será a Cidade de Primavera Eterna. Não é mais seguro ficar distante do perigo? Ainda mais quando não se sabe se podemos derrotar os demônios?
As palavras “Eu não quero que você morra em vão” provavelmente foram uma gentileza fingida do rei para tentar fazê-la desistir de lutar contra os demônios individualmente. Mas ninguém sabia quem seria o vencedor até o minuto final. Se ela se machucasse, o Grande Líder definitivamente pediria à Senhorita Nana para curá-la, porque se ele não o fizesse, não honraria suas próprias palavras.
A Princesa Olga do Clã Chama-Selvagem se alegrou novamente ao pensar nessa possibilidade.
Ela ainda tinha mais de cem moedas de ouro, mais do que o suficiente para pagar meses e mais meses de pousada. Até mesmo se as despesas médicas fossem extremamente custosas, ela ainda achava que podia bancar. O dinheiro que ela tinha hoje a permitiria morar nesse lugar por vários anos sem ter que se preocupar com comida, bebida, ervas medicinais e etc. Ela acreditava firmemente que, mesmo sem o apoio do Rei de Castelo Cinza, ela ainda conseguiria capturar alguns demônios por conta própria.
Olga se sentiu bastante aliviada agora que ela havia reformulado o plano. Ela olhou em volta, começando a observar as placas penduradas na entrada de alguns estabelecimentos. Já que ela havia decidido conduzir as coisas de forma tranquila, a primeira coisa que ela deveria fazer agora era encontrar um lugar para morar.
Já que ainda era dia e ela não estava com pressa, ela decidiu celebrar sua chegada segura na Região Oeste do Reino de Castelo Cinza de acordo com os costumes dos Mojins.
Uma taverna, então, tornou-se sua primeira parada.
Assim que Olga se aproximou do lugar, uma placa bonita chamou sua atenção.
Na placa havia desenhos realistas de várias bebidas; bebidas de várias cores, acompanhadas de algumas frutas das quais ela nunca ouvira falar. Dava vontade de bebê-las só pela aparência em si.
Na placa, abaixo das bebidas, estava o nome do estabelecimento: Vinícola da Evelyn[1].
E no final da placa, estava uma linha adicional com letras menores: “Nova promoção de Bebidas Caóticas. 50% de desconto na sua primeira bebida. Sintam-se à vontade para experimentá-las”.
Bebidas Caóticas?
Olga ergueu as sobrancelhas. — Que nome feio para uma bebida. — A julgar pelo local espaçoso e iluminado e pelos clientes que entravam e saíam, Olga chegou à conclusão de que essas bebidas não deveriam ser tão ruins.
Olga checou seu saquinho de moedas de ouro e entrou na taverna.
— Ela não estava dizendo a verdade. — Rouxinol comentou enquanto mastigava o peixe seco. — Especialmente na parte que ela se recusou a se juntar à União das Bruxas. Eu pude sentir uma grande flutuação nas emoções dela. Para termos certeza, acho melhor pedirmos para Wendy realizar aquele teste de dez perguntas.
Roland balançou a cabeça, pensativo.
— Esse é o procedimento que fazemos para uma candidata. Ela nem mesmo falou que quer se juntar à União das Bruxas, então não precisamos investigá-la. Além disso, Olga veio para Primavera Eterna a fim de lutar contra os demônios e treinar. Nessa parte ela falou a verdade, não foi?
— Nessa parte ela foi totalmente verdadeira. — Rouxinol franziu os lábios.
— Então deixa quieto. Nós fundamos a União das Bruxas inicialmente para que as bruxas pudessem encontrar um lugar a qual pertencem. Não há motivo para forçarmos as pessoas a entrar. Além disso, é normal que uma pessoa tome precauções ao chegar numa cidade desconhecida. — Roland mostrou indiferença, fingindo que não ligava, embora realmente se sentisse um pouco decepcionado.
Quando Olga havia entrado na sala, pouco tempo atrás, Roland teve um desejo muito forte de afagar as orelhinhas peludas da lobinha. O rabinho dela, que não parava de balançar, também o havia intrigado bastante.
Mas, no final, ele conseguiu suprimir essa vontade maluca.
Ele tinha que agir com majestade, não por causa da presença de Rouxinol, claro que não, cof cof , mesmo ela sendo assustadora. Mas porque ele era o rei.
Quando Roland pensou que seria uma boa ideia checar como estava indo a construção do “Edifício Milagroso”, Barov, o Diretor da Prefeitura, de repente bateu na porta e falou:
— Vossa Majestade, os integrantes da Junta Comercial chegaram. Eles desejam vê-lo.
[1] – Adeus, saquinho de moedas de ouro de Olga.
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