Volume 4
Capítulo 808: Combate a Curta Distância
— Você ouviu um barulho? — Edith olhou para Brian, que instruía os soldados a montar a linha defensiva.
— Barulho? — Brian parou o que estava fazendo, olhou em volta, confuso, e disse: — Não, Senhorita Edith. Não ouvi nada, exceto o barulho do rio subterrâneo.
— Sério? — Edith franziu as sobrancelhas. — Será que ouvi errado?
— Que tipo de barulho a senhorita ouviu?
— Foi um barulho um pouco grave, só que muito abafado… Não sei explicar direito… — Edith parou e pensou por um instante. — Pareceu ter vindo do sul.
As bruxas haviam seguido nessa direção. O rio subterrâneo turbulento vinha do norte e ia em direção ao sul, desaparecendo na escuridão da caverna. Embora houvesse plantas estranhas que iluminavam ambos os lados do rio, a luminosidade delas não alcançava os locais mais distantes.
— Bem… Acho que é porque estamos nas profundezas da montanha, o que nos tira a visão do céu. Fora que não temos muitas tochas por aqui. Você pode estar alucinando um pouco… — Brian sorriu, pensativo. — Para os soldados que estiveram no campo de batalha, isso não é um grande problema. Não é de estranhar que você esteja nervosa. Se você se sentir inquieta, a Senhorita Margie pode acompanhá-la até a saída.
Esse mesmo olhar, essas mesmas palavras… Edith não ficou surpresa com o que Brian havia acabado de dizer. Embora ela usasse uma armadura leve de couro e um elmo, com uma espada embainhada na cintura, a maioria das pessoas ainda a enxergava como uma mera oficial da Prefeitura, ou… como uma pérola, assim como o título dela, “Pérola da Região Norte”, algo bonito e frágil. Era também por essa razão que as pessoas cuidavam tanto dela e tentavam agradá-la de todos os modos.
Mas o que essas pessoas não sabiam era que as pérolas produzidas pelas conchas gigantes da Região Norte eram alimentadas pelo sangue.
O sangue dos peixes, das bestas marinhas… ou até mesmo dos pescadores.
Era por isso que as pérolas de lá cresciam tanto.
Roland Wimbledon foi provavelmente o único que ignorou a aparência dela no início e que até mesmo a viu como uma oponente.
— Obrigada, mas eu vou ficar aqui. Se eu correr com o rabo entre as pernas, não estaria eu humilhando a Prefeitura de Sua Majestade? — Guardando tudo para si, Edith rejeitou a sugestão de Brian com um sorriso. Por um momento, Brian ficou hipnotizado pelo sorriso dela. Após um bom tempo, ele desviou o olhar, envergonhado.
— Não acho que Sua Majestade ou Barov se importem com isso… — Brian tossiu duas vezes. — Eu só não entendo por que você veio com o Primeiro Exército para um local tão perigoso…
— Porque só assim você poderia confiar em mim. — Edith disse francamente.
— O… O quê?
— Você já deve ter ouvido falar da Batalha da Vontade Divina. — Ela disse calmamente. — Quando essa batalha, que determinará o destino da humanidade, vier, será difícil para Sua Majestade cuidar de todos os aspectos da guerra. Ele precisará de muitos oficiais para ajudá-lo a comandar o exército, e o exército dependerá da Prefeitura para o trabalho de logística. Quando essa hora chegar, você confiará numa oficial que lutou com você lado a lado ou num oficial que fica o dia todo no escritório lidando com papelada?
Brian ficou atônito. Após um momento, ele disse:
— Você realmente é corajosa.
Edith entendeu o que Brian queria dizer. Até mesmo um Líder de Patrulha de uma aldeia bem remota entenderia as intenções de Edith. O que ela queria era assumir o posto de Comandante Adjunta… Ou seria melhor chamar isso de terceirização de poder? Enfim, em circunstâncias normais, algo assim seria totalmente inconcebível aos olhos de um lorde, que controlava todos os cavaleiros.
Mas agora, o número de soldados do Primeiro Exército havia excedido 5000, então o antigo método de organização dos cavaleiros já estava ultrapassado. Aliás, o Departamento de Conselho instituído por Sua Majestade era uma organização que conectava o exército com a Prefeitura, que por fim estava sob o controle de Roland, mas no futuro, seria necessário mais comandantes. Já que Edith entendia as ideias de Roland, ela se atrevia a pronunciar essas palavras. Não que ela pretendesse se juntar ao Departamento de Conselho; o que ela queria mesmo era espalhar sua influência o tanto quanto possível.
— Se fosse outro rei, eu definitivamente não faria isso, mas Sua Majestade é diferente… — Edith disse, sorrindo. — Fui eu que propus que qualquer um que queira ser promovido na Prefeitura deva ir ao campo de batalha primeiro. Por esse motivo, é melhor que eu seja um exemplo para os outros.
— Sua Majestade… concordou?
— Não… Mas ele também não negou.
— Hmm… Isso não quer dizer que ele concordou? — Brian perguntou, confuso.
— Na política, você não pode interpretar as coisas desse jeito. — Edith disse, dando de ombros. — Até mesmo uma promessa pode mudar a qualquer hora antes de ser oficializada, quanto mais o silêncio do rei para alguma pergunta.
— Entendi… — O Comandante do Batalhão de Fuzileiros disse, confuso. — Política realmente é complicada.
— Isso é verdade.
Além disso, ela também planejava se aproximar das bruxas, para entender a personalidade e as habilidades de cada uma delas.
Sem dúvida alguma, Sua Majestade havia investido muito nas bruxas, e a construção de Primavera Eterna não poderia ser conduzida sem elas. Para alcançar o pináculo do poder, Edith precisaria do apoio delas.
Até aqui, o plano dela havia corrido muito bem. Provavelmente porque todas elas eram mulheres, Edith já havia conseguido se aproximar um pouco das bruxas, coisa que o azarado Barov não havia conseguido até hoje.
— Quem vai descer agora? Mais Bruxas da Punição Divina? — Edith mudou de assunto.
— Acho que sim. A Senhorita Margie só consegue trazer de cinco a seis pessoas por vez. Só para montar um posto de comando, ela precisaria fazer umas dez viagens… — Brian respondeu. — Onde você acha que devemos colocar a segunda metralhadora pesada?
— Em algum lugar alto… Hmm, eu lembro que tem um lugar muito bom nas rochas lá atrás… — Ao olhar para trás, Edith notou que algumas plantas luminosas pareceram se distorcer à distância, como se algo tivesse quebrado a estabilidade do ar, fazendo tudo ficar embaçado[1].
— O que é aquilo? — Ela perguntou.
Antes que pudesse alertar os soldados, o ar foi distorcido novamente. Mas desta vez foi atrás dos soldados do esquadrão de metralhadora.
Ouviu-se o som de uma lâmina cortando, e então a cabeça de um soldado caiu no chão, com o sorriso congelado no rosto.
— Ataque inimigo! — Edith gritou. — São invisíveis.
Quase ao mesmo tempo, mais dois soldados tiveram seus peitos perfurados. Quando o sangue deles espirrou, essa “distorção” no ar ficou melada de sangue.
— Tem mais de um! Tenham cuidado!
Edith pensou rápido. Com uma mão, ela atirou uma adaga na direção do inimigo, e com a outra, puxou a espada e correu até o local. Quando a adaga dela foi rebatida pela coisa invisível, Edith já havia se aproximado e estava prestes a fincar a espada na criatura.
Edith sabia claramente que, se eles escolhessem recuar, acabariam sendo atacados pela frente e pelas costas. Havia uma fogueira nesse local, que, juntamente com as plantas luminosas, era a única fonte de luz para “localizar” os inimigos. Sem luz, eles não conseguiriam resistir a esses monstros invisíveis. Então, a menos que fosse extremamente necessário, eles não deveriam fugir.
Embora eles mal pudessem localizar os inimigos, atacá-los diretamente era a única forma de vencer!
Ao fincar a espada no que parecia ser o “braço” dessa criatura invisível, Edith sentiu algo macio, como se a lâmina tivesse atravessado a carne do monstro. Isso a deixou animada e esperançosa.
Se ela não estava enganada, quer fossem humanos ou bestas, os membros do corpo definitivamente eram pontos fracos, pois eram responsáveis pelo ataque e defesa. Um ser humano usava a mão para segurar uma espada e se defender, e um animal selvagem usava as garras para atacar os inimigos. Sem os membros, eles perderiam grande parte da habilidade ofensiva.
Quando Edith estava prestes a retirar a espada, ela sentiu algo cortando em sua direção a uma velocidade tremenda.
Droga! Essa criatura tem duas lâminas?
Anos de experiência de luta e matança a fizeram subconscientemente largar a espada e rolar pelo chão. Naquele momento, ela sentiu algo afiado passar um pouco acima de sua cabeça e cortar alguns fios de cabelo.
Não tendo tempo para se levantar, ela gritou para Brian:
— Atire acima de mim, agora!
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