Volume 4
Capítulo 798: A Vontade do Mundo
— Qual é o nome do seu Lorde?
Roland de alguma forma sentiu que essa criatura era muito mais emocionalmente rica do que o Servo do Diabo. Ele então esperava obter mais informações ao fazer perguntas. Enquanto fazia isso, ele gesticulava para as duas pessoas feridas logo atrás, Faldi e Aurora, para que fugissem rapidamente do local. Se a situação ficasse ruim e eles tivessem que fugir, Roland tinha certeza que ele conseguiria correr mais rápido que essas bruxas.
— Meu Lorde é um ser que é tudo e nada ao mesmo tempo. Uma presença inefável. — A criatura abriu suas asas fantasmagóricas, que emitiam um brilho vermelho, e encarou Roland. — Seus truques são inúteis aqui. Você quer que elas escapem? Tarde demais!
Sangue vermelho fluiu do corpo do monstro e rapidamente se espalhou pelas superfícies do salão. Num piscar de olhos, o chão, as paredes e o teto adquiriram uma cor vermelha brilhante.
Aline, cujo esconderijo agora estava exposto, foi puxada da parede por uma força desconhecida e caiu ao lado de Phyllis.
— O que… O que é isso? — Faldi espantou-se. Quando Roland virou a cabeça, ele viu tentáculos saírem do chão e das paredes e se enrolarem nas pernas das bruxas. Ele já tinha visto algo parecido antes.
Mas ele não tinha tempo de pensar nisso, já que a situação estava ruim.
Com o fluxo de calor em seu corpo girando rapidamente, Roland concentrou toda a sua força física e avançou na direção do inimigo.
— Oh? Você não foi afetado? — Surpreso, o monstro levantou a palma na direção de Roland. — Que tal isso?
Uma força extraordinariamente poderosa disparou de sua palma em direção a Roland. O impacto mandou Roland voando, fazendo-o colidir com a parede. Após o baque, Roland sentiu que suas costas estavam queimando, como se todos os seus órgãos tivessem sofrido alguma lesão.
Ele tossiu, sentindo o sangue na boca.
— Vossa Majestade!
Phyllis gritou. Ela era, no momento, a única pessoa que conseguia se mover, tirando Roland. As Garras Laminadas em suas costas moviam-se para cima e para baixo, cortando rapidamente os tentáculos que emergiam do chão. No entanto, com um número infinito deles aparecendo, ela não conseguia se aproximar de Roland no momento.
Era uma crise.
Mas a mente de Roland permaneceu excepcionalmente clara.
Não havia medo nele, como se ele tivesse deletado esse sentimento.
O fluxo de calor no corpo dele girou ainda mais rápido, acompanhado pelas batidas vigorosas de seu coração. Ele sentia que uma mudança extraordinária estava acontecendo em seu corpo.
Era como se todo o poder mágico do mundo estivesse sendo atraído por ele.
Até mesmo o brilho vermelho que se estendia pelas paredes havia ficado mais turvo. As trilhas de sangue pelo chão desviavam de seu corpo, como se quisessem evitá-lo. E onde quer que ele tocasse, uma marca azul apareceria.
Esse processo estava completamente fora de seu controle. Ele não sabia o que estava acontecendo com ele mesmo. Gritos tumultuosos reverberaram em seu ouvido, formando uma frase no final.
“Mate-o! Mate-o!”
O monstro começou a notar que havia algo errado. Com uma leve hesitação na voz, ele perguntou:
— O que está acontecendo? O que você fez com meu poder mágico?
Roland não respondeu. Ele conseguia sentir que o fluxo de calor em seu corpo havia atingido o limite. A próxima coisa que ele viu foi ele mesmo avançando na direção do inimigo, como uma bala de canhão.
— Maaaaaaaateeeee-oooo!
— Morra! — Repetindo a velha tática, o monstro levantou a palma para Roland outra vez.
Mas desta vez, Roland não foi açoitado pela força do monstro. Pela primeira vez, ele viu o fluxo de calor sair de seu corpo e formar uma energia azul à sua frente. Essa energia então o levou voando em direção ao peito do inimigo.
Roland, em seguida, deu um soco.
O impacto de seu punho no peito do monstro não foi como ele havia imaginado. Parecia que ele havia golpeado algum tipo de líquido. Ele viu seu braço afundar no corpo do monstro, apenas alguns centímetros de distância dos pontos brilhantes. Rangendo os dentes, Roland abriu o punho e tentou agarrar a maior estrela no peito do monstro.
Foi neste momento que o monstro soltou um rugido, dizendo:
— Não… Essa é a força do Lorde… Como você consegue… tocá-la?
A “Estrela Gigante” e os outros pontos brilhantes começaram a estremecer e mudar gradualmente de cor, indo do vermelho para o azul. Isso, no entanto, aconteceu lentamente, e houve diversas reincidências. Neste momento, Roland sentiu que estava medindo força com algum touro feroz. Felizmente, para Roland, mais e mais poder mágico fluía em sua direção, parecendo que o mundo queria se misturar com ele.
— Então é isso… Eu entendo agora! — Um olho, que parecia um vórtice, abriu na cabeça do monstro. — Você é… o responsável por criar este mundo! Foi você que derrotou meu Lorde!
— Você não disse que ele é “tudo e nada”? Como eu conseguiria tocá-lo? — Roland riu sarcasticamente.
— Seu idiota! Meu Lorde pode ser todo poderoso, mas ele não consegue parar tudo sozinho… Saia agora e nunca mais volte aqui. Suas ações estão destruindo tudo… Rissssss… Todos os seres vivos, e não só você, perecerão por sua causa!
A voz do monstro ficou cada vez mais difícil de entender, como se estivesse sendo afetada por uma forte interferência.
Roland sentiu que a resistência da “Estrela Gigante” havia enfraquecido. A mudança de cor também havia ficado mais rápida.
— Todos os seres vivos? — Ele virou a cabeça e deu uma olhada para as bruxas, que estavam sentadas fracamente no chão. Em seguida, ele continuou: — Não, os únicos que irão perecer serão vocês… Não tenho a mínima ideia de onde vocês vieram, ou qual são suas intenções, mas tenho certeza que esse mundo será melhor sem vocês!
— Da… Rissssss…. Terra Sem-fundo… Rissssss… Essa é a regra… — O monstro não conseguia sequer completar uma frase. Roland notou que o monstro já não demonstrava as mesmas expressões faciais de antes. A voz do monstro havia se tornado sem vida e monótona, como se fosse uma daquelas máquinas que pronunciavam respostas preparadas.
Quando o monstro terminou de falar, a resistência na mão de Roland desapareceu imediatamente.
A “Estrela Gigante” começou a girar mais rapidamente e sugou os outros pontos brilhantes ao redor, formando uma luz branca deslumbrante. Por um momento, Roland pareceu ter ouvido o batimento cardíaco da terra.
Desta vez, o pilar de poder mágico que se levantou em direção ao teto foi muito mais espetacular que as outras duas vezes. Vendo isso, Roland sentiu uma satisfação indescritível e prazer, algo que ele nunca havia sentido antes. Não havia nada que podia se comparar com o vislumbre desse pilar de luz.
A condição das bruxas não era tão grave. O único problema era que elas haviam esgotado todo o poder mágico. Mas elas ainda conseguiam caminhar sozinhas. De acordo com Phyllis, momentos atrás, quando Roland estava num impasse com o monstro, o poder mágico das quatro bruxas havia sido sugado por ele. Isso era algo que nunca aconteceria no Mundo Real.
No entanto, era apenas uma coisa a mais para adicionar a essa noite, na qual tantas coisas inimagináveis haviam acontecido.
Após uma rápida busca, Roland, carregando um cofre pesado e a chave do carro do homem de terno, saiu quietamente do casarão com as quatro bruxas.
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