Volume 4
Capítulo 795: Um Coração Gentil
Anna encostou-se em Roland enquanto ouvia como a Bruxa da Punição Divina havia entrado acidentalmente no Mundo dos Sonhos.
— Então, ao entrar lá, elas conseguem recuperar os sentidos e ter uma vida normal? — Ela respirou profundamente e disse com satisfação, mas com um pouco de melancolia e pesar. — Isso é muito bom… Se eu pudesse, pelo menos uma vez, ver esse Mundo dos Sonhos, seria perfeito.
— Mas pra isso você precisaria transformar sua alma em feixe de luz. Seria um preço muito alto. — Roland disse, passando a mão no cabelo dela. — E nós podemos transformar a Cidade de Primavera Eterna em um lugar ideal, comparável ao Mundo dos Sonhos, não podemos?
— Está tudo bem. — Anna sorriu. — Você se sente um pouco culpado?
— Eh? — Roland ficou atônito. — Não, eu só…
— Não precisa responder. Só me deixe ouvir. — Anna colocou a cabeça no peito de Roland e sussurrou após um tempo: — Unrum. Você se sente um pouco culpado e preocupado. Culpado porque Phyllis é uma mulher e também é muito bonita. E preocupado porque teme que eu desconfie. Não é isso?
— Bem… — Roland não soube como responder à pergunta dela, que não poderia estar mais correta.
Anna inclinou a cabeça e disse:
— Mas você é honesto, então não fique preocupado. Eu confio em você. — Ela parou por um momento e disse num tom mais sério. — Roland, você decidiu ajudá-las, assim como decidiu ajudar a mim e à Associação Cooperativa das Bruxas quando mais precisávamos. Como posso desconfiar da sua gentileza? Este é o seu dever como rei, não é?
Roland se sentiu um pouco aliviado.
Se fosse Rouxinol, ele não saberia ao certo se ela ficaria desconfiada. Mas Anna era diferente. Se ela dissesse que confiava nele, então ela realmente confiava. Roland sabia que Anna realmente apoiava a decisão dele de encontrar um lar para as bruxas de Taquila e ajudá-las a recuperar a vida perdida.
Anna tinha um coração gentil, que não havia mudado desde o dia em que ele a conheceu.
— Mas de agora em diante, me conte tudo o que acontecer no Mundo dos Sonhos. Me prometa. — Ela piscou os olhos e sussurrou no ouvido dele.
Roland assentiu, dizendo:
— Eu prometo.
Anna sorriu, contente, subiu em cima dele e disse:
— Agora você é meu.
Em meio a beijos e carícias, seus corpos se uniram mais uma vez.
Quando Phyllis levou a notícia incrível para a Terceira Área Fronteiriça, houve uma comoção.
— Se desconectarmos nossa consciência dentro do feixe de luz dele, podemos retornar à nossa aparência original?
— Isso não é a coisa mais importante. A coisa mais importante é que poderemos sentir aromas, sabores e toques.
— Essa tal “lanchonete KFC” é boa mesmo? A comida de lá é mais deliciosa que carne ao molho de mel?
— Você… Você poderia me levar ao Mundo dos Sonhos?
— Eu também quero!
— Eu também!
Elas cercaram Phyllis, animadamente fazendo todo o tipo de perguntas, comportando-se de um modo totalmente diferente do habitual. Elas nunca estiveram tão elétricas, nem mesmo no dia em que o enxame de bestas demoníacas havia invadido o labirinto subterrâneo.
— Parem! Se formos para o castelo juntas, eles vão pensar que queremos ocupar a Cidade de Primavera Eterna! — Alethea gritou e fez contato mental com Pasha, dizendo: — O que você acha? Será que é uma armadilha feita pelo rei?
— Mesmo se for uma armadilha, receio que muitas aqui vão querer se arriscar. — Pasha respondeu com um sorriso amargo. Até agora, ela não havia se recuperado do choque que recebeu após ouvir a história contada por Phyllis. Um mundo altamente desenvolvido, um lugar onde todas as almas poderiam ganhar uma nova vida, era uma tentação que nenhuma bruxa de Taquila poderia recusar. Por causa do rei das pessoas comuns, elas também haviam descoberto a resposta de como derrotar os demônios, coisa que elas haviam procurado por muito tempo. Após sofrer por centenas de anos, elas finalmente viam uma luz no fim do túnel. Era um sonho.
Subconscientemente, Pasha esperou que tudo isso fosse verdade, mas ela não ficou inteiramente convencida de que uma coisa tão boa pudesse acontecer. Uma pessoa comum, sem nenhum vestígio de poder mágico, tornar-se o salvador das bruxas de Taquila? Não era à toa que Alethea estava atenta e desconfiada.
Em todo caso, ela estava ciente de que deveria mandar alguém para confirmar o que Phyllis disse.
Isso não queria dizer que ela não acreditava em Phyllis. Após separarem-se da Aliança e serem exiladas, as sobreviventes de Taquila se tratavam como irmãs.
Ela só temia que Phyllis tivesse sido enganada.
Afinal, toda essa história soava como um conto de fadas, um sonho. Ela tinha que examinar isso com muito cuidado.
Pensando nisso, Pasha transmitiu sua consciência para a mente de todas:
— O Rei Roland realmente está disposto a deixar outras pessoas entrarem no Mundo dos Sonhos?
— Ele está, mas não agora. — Phyllis explicou. — O Mundo dos Sonhos tem regras que devem ser seguidas assim como no Mundo Real. Para evitar mudanças desnecessárias causadas por alguma exposição, nosso primeiro grupo de Bruxas da Punição Divina deve cumprir alguns requisitos para entrar nesse mundo. Esse grupo fará a preparação para a entrada de mais pessoas no futuro.
Ouvindo isso, Pasha ficou menos preocupada. Se fosse uma armadilha, Roland tentaria fazer com que mais pessoas caíssem na arapuca, ao invés de permitir que um grupo pioneiro entrasse primeiro e tivesse a chance de avisar as outras dos perigos.
— Quais requisitos?
— Bem… — Phyllis hesitou por um momento. — Ele precisa de bruxas que possam se mover rapidamente, ocultar-se, controlar e atacar.
— Ou seja, bruxas combatentes? — Alethea questionou. — Mas você não disse que o poder desse Mundo dos Sonhos é maior que a dos demônios? Esses requisitos não são contraditórios?
— Ele não planeja deixar a gente lutar contra o mundo todo, mas…
— Mas o quê?
— Bem… Ele quer que a gente roube secretamente. — Phyllis respondeu, constrangida. — Claro, os alvos são pessoas ruins, que merecem.
Por um instante, todas as bruxas de Taquila ficaram em silêncio.
— Espere um minuto. Ele acha que somos ladras? Nós somos respeitadas por… — Essa voz logo foi abafada pelas outras vozes do grupo de bruxas.
— Parece interessante!
— As pessoas desse Mundo dos Sonhos não têm Pedras da Retaliação Divina, né? Tem alguém que vai conseguir parar minhas bolas de fogo?
— Você faria muito barulho. Sua Majestade obviamente precisa de trabalhos silenciosos. Minha Adaga das Sombras é perfeita pra isso.
— Seu raio de ataque é de apenas dez passos (5 metros), sem falar que seu ataque é fraco.
— Eu posso cobrir vocês. Vamos lá!
Pasha tocou Alethea suavemente e disse:
— Não se importe com elas. Elas só estiveram entediadas por muito tempo.
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