Volume 4

Capítulo 773: A Terceira Área Fronteiriça

A entrada da caverna situava-se ao norte da Cidade de Primavera Eterna. Ficava na junção entre a cidade e a Cordilheira Intransponível. Dali, também era possível ouvir o barulho das áreas de forno e mineração.

Perto do sopé da montanha, havia uma parede sólida de concreto. Embora ainda houvessem muitas instalações em construção, esse lugar havia se tornado a área mais vigiada da Cidade de Primavera Eterna. Em cada canto, havia uma torre de vigia; e arame farpado podia ser visto em todo lugar. Também havia um blocausse equipado com metralhadora em ambos os lados do portão.

Os guardas prestaram continência a Roland enquanto ele passava pelo portão e entrava na área que daria acesso à caverna.

Depois de entrar na área, ele vagamente sentiu como se tivesse retornado ao Mundo Moderno.

O que ele via ali definitivamente não pertencia a esta era. Havia uma grande caverna, cuja entrada estava coberta de concreto. A caverna tinha mais de dez metros de largura e mais de cinco metros de altura. Havia duas portas de aço gigantes que tinham cerca de um metro de espessura, feitas de várias chapas de aço. Tal estrutura estava no mesmo nível das portas utilizadas em muitas fortalezas militares do Mundo Moderno.

Já que as portas de aço pesavam muito, a entrada teve que ser modificada, e deslizadores foram colocados no chão para apoiar as portas. Mesmo com deslizadores, nenhuma pessoa conseguiria abrir essa porta ao empurrá-la. Na verdade, mesmo se fossem duas ou três ainda seria impossível.

Por isso, um dos dois motores a vapor perto da entrada estava sendo utilizado para abrir e fechar as portas.

Se as bestas demoníacas rompessem a linha defensiva das bruxas de Taquila, essas duas portas poderiam bloquear as bestas do lado de fora.

Ao olhar para essas portas, Roland sentiu solidez e resistência. Quase um terço da produção de aço deste inverno havia sido utilizado para construir essas duas portas gigantes. A forma retangular delas faria as pessoas pensarem que havia sido fácil produzi-las, mas não era bem assim. Por serem muito grandes, seria preciso um certo nível de habilidade para confeccioná-las.

No dia em que as portas foram instaladas, Roland havia acompanhado todo o processo de abertura e fechamento.

Ouvindo o barulho estrondoso do motor a vapor e o chiado das portas, Roland se sentiu responsável pela fortaleza que protegeria a humanidade do fim do mundo.

Nas duas portas de aço, havia algumas palavras escritas. Combinadas, elas diziam: “Terceira Área Fronteiriça”.

Roland e companhia entraram na caverna. A luz de repente ficou mais fraca.

Phyllis pegou uma Pedra da Luz e caminhou na frente do grupo. Ela começou a guiá-los caverna adentro.

— Vossa Majestade, eu ainda não entendi por que o senhor decidiu chamar esse lugar de Terceira Área Fronteiriça — Wendy disse, confusa. — Eu sei que já temos a primeira Área Fronteiriça, que antes era chamada de Vila Fronteiriça, mas onde está a segunda?

— É porque “Terceira” é um título mais apropriado. — Roland respondeu.

— Ahn?

— Enfim, você não acha que o número três combina mais com uma fortaleza? Além disso, o nome não importa. O que importa é que as pessoas lembrem. — Roland disse, dando de ombros.

— Certo, se o senhor gostou… — Wendy disse, franzindo os lábios.

Ao pararem de conversar, as únicas coisas que puderam ser ouvidas na caverna foram os passos do grupo e o barulho de água pingando.

Devido à ausência de uma máquina de projeção de concreto[1], somente o chão da caverna havia sido pavimentado. Nos dois lados do chão, havia um fosso com trilhos no fundo. Se materiais ou comida fossem precisos, eles seriam transportados por carrinhos impulsionados pelo outro motor a vapor na entrada. Phyllis havia contado a Roland que, no início, as Bruxas da Punição Divina haviam ficado interessadas em medir o poder do motor a vapor, mas no fim, nem mesmo cinco delas puxando uma corda conseguiram vencer a força do equipamento.

Já que as paredes e o teto da caverna não estavam revestidas de concreto, vazamentos eram inevitáveis. Felizmente, a temperatura dentro da caverna não era muito baixa, assim a água não congelaria. Além disso, quando os Vermes Devoradores se rastejavam pelo subterrâneo para criar as cavernas, eles deixavam trilhas de muco pelo caminho, e quando esse muco secava, criava uma espécie de grude na superfície das paredes e do teto da caverna, como se fosse uma pasta. Por causa disso, não havia perigo da caverna desmoronar.

Após meia hora de caminhada, a caverna ficou mais clara.

— Estamos quase lá. — Phyllis desacelerou os passos. — Vossa Majestade, você precisa…

Roland entendeu o que ela queria dizer e a interrompeu:

— Está tudo bem. Me leve pra lá.

A Bruxa da Punição Divina olhou significativamente para Roland e disse:

— Certo… Entendi.

Depois de saírem da caverna estreita, eles entraram numa caverna muito maior. Diante deles estava uma redoma do tamanho de um campo de futebol. Dezenas de feixes de luz, espalhados pelas paredes da caverna, iluminavam a redoma[2]. Com a ajuda dessas luzes, as pessoas não se sentiriam intimidadas neste lugar, embora estivessem nas profundezas das montanhas. Além das bruxas, o Primeiro Exército também havia sido designado para proteger este lugar. Cada soldado havia sido examinado pessoalmente por Rouxinol para testar a lealdade deles a Roland.

Em seguida, eles entraram na redoma, e ao chegarem num salão espaçoso que havia no centro, depararam-se com três Seres-de-Tentáculos. Eram as três Bruxas Seniores de Taquila, ou melhor, receptáculos de Portadores Originais.

Roland se aproximou das três com um sorriso no rosto. Em seguida, ele estendeu a mão para o Ser-de-Tentáculos que estava mais à frente.

— Finalmente nos encontramos. Você deve ser a Pasha, não é?

Nesse momento, Roland sentiu uma mão segurar seu ombro. Era Rouxinol. Se algo saísse do controle, ela o puxaria para dentro do Mundo da Névoa imediatamente.

O Ser-de-Tentáculos ficou em silêncio por um momento, mas logo sua voz soou:

— Estou surpresa, Vossa Majestade. Nas últimas semanas, nos comunicamos apenas pelo Instrumento Espectral. Pensei que quando o senhor me visse pessoalmente, ficaria um pouco intimidado, mas a calma que o senhor está mostrando é realmente impressionante. Para ser honesta, o senhor é o primeiro que, ao me ver pela primeira vez, reage como se nada tivesse acontecido. Até mesmo as bruxas de Taquila, no início, ficaram assustadas. Estou curiosa, o senhor realmente não está com medo? — Ela parou, estendeu o tentáculo e gentilmente o enrolou na mão de Roland. — Mas o senhor está correto. Eu sou a Pasha. Obrigada por apoiar as bruxas de Taquila.

— Ele não nos apoiou. Não se sabe se o grupo de pessoas comuns que ele mandou pra cá veio nos ajudar ou nos vigiar.  — Uma voz fria soou na consciência de Roland. — Garanto que ele vai mostrar as garrinhas assim que terminamos de explorar as Montanhas Nevadas.

— Alethea! Você se esqueceu do nosso acordo?! — Uma terceira voz interrompeu.

— Tá, tá certo. Eu vou ficar calada.

Parecia que as outras duas eram Alethea e Celine, que sempre ficavam ao lado de Pasha. Roland não se importou com o tom de Alethea. Afinal, essas bruxas anciãs viveram numa época em que as bruxas eram superiores, então seria difícil mudar a forma de pensar delas.

— O explorador mais famoso dos Fiordes disse uma vez que o medo vem do desconhecido. Independentemente da aparência, suas almas pertencem às bruxas de Taquila. — Roland disse, sorrindo. — Nossa cooperação já começou há muito tempo, afinal, antes mesmo de entrar em contato com vocês, eu já conhecia uma bruxa de Taquila. Agatha se tornou uma integrante essencial da União das Bruxas, uma que é querida e amada por todas as outras.

Roland notou que os tentáculos de Pasha não eram tão secos quanto pareciam. Eles eram até mesmo um pouco úmidos. Momentos atrás, quando tocou no tentáculo de Pasha, ele conseguiu sentir claramente que a pele dela estava um pouco quente. Sem dúvida alguma, esse Ser-de-Tentáculos na frente dele era uma forma de vida.

— … Entendo. — A voz de Pasha soou sentimental. — O senhor está certo. Nossa cooperação já começou há muito tempo.

— Diante da ameaça dos demônios, todos devem esquecer o passado e trabalhar juntos de agora em diante. — Após jogar um pouco de conversa fora, Roland focou no assunto principal. — A Relíquia já chegou, né? Posso dar uma olhada no artefato que determina a sobrevivência da humanidade?

Pasha balançou o tentáculo principal, que ficava na cabeça dela, dizendo:

— Claro. Venha comigo.

[1] – Máquina de projeção de concreto é um equipamento que expele concreto à alta pressão. Aqui, neste site, você encontra uma . No site também tem um vídeo da máquina em ação.

[2] – Duas coisas para falar aqui. Primeiro, lembro que, no leilão subterrâneo, eles tinham essas luzes, que eram usadas para iluminar o palco. Devem ser feitas com Pedras da Luz. Segundo, vocês sabem o que é uma redoma, né? É um objeto convexo, esférico, como se fosse uma bola de futebol enterrada pela metade no chão. O exemplo de uma nesta imagem .

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