Volume 4
Capítulo 769: Vontade Obstinada
— Pelos Três Deuses! Essa é… a Águia de Quatro Asas!
— Como essa besta se atreve a invadir este santuário?!
— So-Socorro!
— Guardas! Onde estão os guardas?!
Gritos de pânico e incredulidade vieram da multidão. Algumas pessoas da Nação da Areia puxaram suas espadas e subiram na arena para proteger Olga, enquanto que outras começaram a fugir. O local de repente ficou caótico.
Através da fumaça, Cinzas conseguiu ver que o pássaro gigante na verdade era uma besta demoníaca. Parecia uma besta híbrida de águia e besouro. As costas, a cabeça e o abdômen inferior da besta eram protegidos por uma carapaça. A besta tinha seis pernas com garras afiadíssimas. O par de membros da frente prendia Olga firmemente no chão. As quatro asas pareciam de inseto, mas eram tão grossas quanto as de um pássaro, tornando-se sua maior ferramenta de ataque[1].
A natureza nunca conceberia um monstro tão horrível assim.
A besta demoníaca tentava continuamente bicar o pescoço da Mulher-Loba, que só conseguia desviar a cabeça para evitar o ataque. A incapacidade de mover o próprio corpo limitou bastante seus movimentos de evasiva. Em pouco tempo, suas bochechas já haviam sofrido alguns arranhões, e o sangue fresco manchava sua pelagem amarela. Pelo jeito que as coisas iam, ela não conseguiria resistir por muito tempo e acabaria sendo morta pela besta demoníaca.
Cinzas definitivamente não permitiria que isso acontecesse.
Cinzas havia decidido ajudar Machado de Ferro na Missão do Deserto por causa de Tilly. Usar o Duelo Sagrado para decidir a vitória também havia sido escolha deles.
Cinzas não queria deixar Olga desamparada. Embora Olga fosse uma oponente, ela não era uma Bruxa Pura da Igreja, então Cinzas não ficaria parada vendo ela morrer nas garras da besta demoníaca.
— Eco!
Cinzas gritou e, logo em seguida, avançou em direção à besta demoníaca híbrida. Quando a Águia de Quatro Asas foi tentar bicar Olga novamente, Cinzas apareceu e segurou o bico do monstro.
A parte afiada do bico arranhou o braço de Cinzas, fazendo sangue pingar no rosto da Mulher-Loba.
A Mulher-Loba olhou para Cinzas com o único olho que lhe restava. A pupila escura dela revelou sentimentos complexos.
Ao mesmo tempo, a canção apaziguadora de Eco foi ouvida. A música gradualmente dispersou o pânico de todos e acalmou a multidão que tentava escapar.
Sem a interferência da multidão ao redor, Andrea começou a atirar com um rifle.
Ela era diferente do Primeiro Exército que poderia ferir acidentalmente a bruxa. Os disparos dela poderiam acertar perfeitamente qualquer alvo dentro da área visível.
Cinzas viu várias balas acertarem a junta de uma das pernas da Águia de Quatro Asas, partindo-a em duas. Finalmente liberta, Olga rolou pelo chão e deu uma patada na barriga da besta. A besta bateu as asas e alçou voo novamente. Foi só nesse momento que o esquadrão do Primeiro Exército começou a disparar em direção à besta. Infelizmente, não era tão fácil acertar um alvo que voava em círculos, com movimentos estranhos e rápidos, e que se comportava mais como um inseto voador do que um pássaro.
Na arena, o corpo de Olga começou a diminuir, e em questão de segundos ela voltou à forma humana.
— Você está bem? — Cinzas tirou seu manto negro e cobriu o corpo nu de Olga.
— Por enquanto, sim… Não vou morrer… — Olga tossiu sangue e tentou se levantar, mas não conseguiu.
— Não se mova, senão seus ferimentos vão piorar. — Cinzas examinou o corpo de Olga e percebeu que uma parte do peito dela estava afundada. Pequenas protuberâncias de ossos também podiam ser sentidas. Claramente, várias costelas de Olga haviam sido quebradas no impacto violento de antes. Felizmente, ela havia conseguido resistir ao ataque na forma de lobo. Se ela estivesse na forma humana, aquele ataque provavelmente lhe teria custado a vida.
Os guerreiros do Clã Chama Selvagem também cercaram a área com seus arcos pequenos e miraram em direção à besta demoníaca no céu. Mas nem mesmo as armas de fogo conseguiam acertar o alvo a essa distância, quanto mais as flechas.
— Cuidado! A besta está vindo de novo! — Eco avisou a todos novamente.
— Saiam todos do caminho!
Cinzas agarrou Olga e se jogou para o lado, esquivando-se da rasante da besta demoníaca. Mas muitos guerreiros não conseguiram se desviar e foram arremessados, sofrendo lesões gravíssimas no corpo. Alguns deles certamente não conseguiriam sobreviver.
A Águia de Quatro Asas obviamente tinha um alto nível de inteligência. Parecia que a besta havia percebido que a única coisa que poderia ameaçá-la era o rifle de Andrea. Sempre que a besta dava uma rasante para atacar Olga, ela virava a carapaça na direção de Andrea para se proteger. A besta também fazia movimentos complexos e imprevisíveis no ar, o que dificultava a mira. Quando Andrea tentava recarregar a arma, a besta arremessava algumas pessoas capturadas na direção de Beija-Flor e Eco, querendo atrapalhá-la.
Andrea escapou do perigo várias vezes por um fio de cabelo. Além de prestar atenção nos movimentos da besta demoníaca, ela também tinha que tomar conta de suas duas companheiras. Se ela não tivesse dominado sua nova habilidade evoluída, que lhe permitia liberar uma forte corrente de ar a curto alcance, ela já teria sido atingida várias vezes pelos ataques da besta demoníaca.
Cinzas franziu as sobrancelhas ao perceber que a Águia de Quatro Asas estava atacando somente as bruxas. Se a besta só quisesse comida, a arena estava cheia de pessoas, e ninguém teria conseguido impedi-la de capturar uma ou duas vidas. Mas a besta só queria atacar Olga, Andrea e as outras bruxas, e não parecia se importar com a grande quantidade de pessoas comuns que havia abaixo.
Havia apenas cinquenta soldados do Primeiro Exército no local, e eles não eram muito bons em lidar com alvos aéreos. Cinzas achou que seria uma boa ideia atrair a Águia de Quatro Asas para perto do Primeiro Exército, pois assim eles teriam condições de acertar a besta com poder de fogo concentrado.
Mas… como fazer isso? Essa besta demoníaca é inteligente, então vai ser bem difícil…
Neste momento, Olga segurou na mão de Cinzas.
— Me jogue… pra cima! — A Mulher-Loba falou, ofegante.
— O quê?
— Me jogue… pra cima! — Ela repetiu. — Quando a besta… vier de novo… Me jogue… Só assim vou conseguir pegá-la… Não consigo sozinha… Vou depender de você.
— E se você não conseguir, vai morrer. — Cinzas disse.
— O segundo lar… de um guerreiro… sempre foi… o campo de batalha. — Olga disse, com as orelhas caídas. — Então pelo menos… eu terei lutado até o fim. Você é… a guerreira mais poderosa… que eu já vi na minha vida. — Olga tossiu. — Você me deu a alegria… de poder ter uma luta incrível… Obrigada.
Cinzas viu a determinação no rosto de Olga e, após um momento de silêncio, assentiu com a cabeça, dizendo:
— Entendi. Mas você está errada. Esta não será nossa última luta.
— Mesmo que eu… consiga sobreviver… não vou mais poder caminhar… como uma pessoa normal. Então… você não precisa me confortar. — Olga riu da própria desgraça.
Mesmo que ela conseguisse se recuperar desses ferimentos, ela ainda seria uma aleijada. Talvez, aos olhos de Olga, a morte fosse uma opção melhor.
— Tem uma bruxa chamada Nana na Cidade de Primavera Eterna que pode curar qualquer pessoa, até mesmo aquelas que estão no leito de morte ou cujos membros foram inteiramente quebrados. — Cinzas disse, sorrindo pouco a pouco.
As orelhas da Mulher-Loba se ergueram de vez.
— O que você disse… é verdade?
— Claro, eu já passei por inúmeras batalhas como essa, contra inimigos mais poderosos. Se você quiser melhorar suas habilidades, oportunidades maravilhosas te esperam no futuro. Então se você viver… — Cinzas parou de falar, pois notou um brilho nos olhos de Olga.
— Eu vou sobreviver, com toda a certeza!
— Bem, então vamos lá. Coloque seu pé aqui.
Cinzas não hesitou mais e, com as mãos, apoiou o pé de Olga. Quando a Águia de Quatro Asas mergulhou de novo em direção à arena, Cinzas arremessou Olga para cima.
A Princesa do Clã Chama Selvagem voou como uma flecha em direção ao monstro que descia com as asas abertas.
[1] – Faz sentido ser híbrida de besouro, já que o besouro tem seis pés e dois pares de asas, além da carapaça.
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