Volume 4

Capítulo 753: A Verdade Reaparece

Elas entraram escondidas na escola e silenciosamente subiram até o primeiro andar.

O cheiro de madeira queimada ainda estava presente no corredor, onde livros e pedaços de papel estavam espalhados pelo chão, possivelmente deixados pelos estudantes que haviam fugido do local, em pânico.

Com a ajuda do olfato de Vanila, as bruxas logo encontraram o local do acidente, uma sala de aula localizada no fim do corredor.

Após entrarem na sala de aula, Lily notou que um dos cantos do local estava completamente carbonizado, e que as paredes estavam repletas de rachaduras, sem falar que havia um buraco imenso na parede de trás. Até no chão havia rachaduras. No entanto, parecia que as chamas não haviam se espalhado tanto. Lily conseguia ver claramente que as marcas no chão haviam sido causadas pelas mudanças de intensidade das chamas. Perto da origem do fogo, as tábuas de madeira estavam completamente carbonizadas, e quanto mais distante da origem, menos queimadas as tábuas estavam. Com isso, ela soube que o incêndio não havia acontecido naturalmente.

Mas o que intrigou Lily foram as rachaduras que se alastravam pelas paredes. Parecia que a parte de dentro dessas rachaduras estava completamente carbonizada. Ao tocá-las, Lily percebeu que elas ainda estavam um pouco quentes.

— Deve ser esse o lugar. — Lunna caminhou pela sala e disse. — Vera, o resto é com você.

— Certo… Mas por favor me avise se alguém estiver vindo. — Vera caminhou até o centro da sala e invocou seu poder mágico.

Por saber o momento exato do acidente, Vera conseguiu achar rapidamente a cena minutos antes da explosão. Quando o poder mágico dela emanou, as paredes rachadas se recuperaram, e tudo voltou aos seus devidos lugares. Muitos estudantes apareceram na sala; alguns cochilando nas cadeiras enquanto outros conversavam alegremente. Não havia professora na sala, indicando que era recreio.

Margie e Vanila, que estavam vendo a habilidade de Vera pela primeira vez, exclamaram, surpresas, mas logo cobriram a boca para não atrapalhar Vera. Elas ficaram bem confusas e quase tropeçaram ao tentar se desviar dos “estudantes” que passavam por elas, como se fossem fantasmas.

— Não se preocupem. Os estudantes são apenas ilusões. — Evelyn explicou com entusiasmo. — Vera consegue criar retrospectos de coisas que já aconteceram.

— Nossa… Que habilidade incrível! — Amy elogiou com admiração. Ela não estava com um pingo de medo, embora essa também fosse a primeira vez que ela via a habilidade de Vera.

— Haha… Não é tão boa assim. — Vera colocou a mão na cabeça, parecendo envergonhada. — A habilidade da Irmã Rouxinol é bem melhor.

— Rouxinol? Você se refere àquela irmã loira que sempre está com Sua Majestade e raramente aparece?

— Isso. Ela é a bruxa mais poderosa da Região Oeste, ou talvez de todo o reino!

— Incrível! — Amy disse com os olhos brilhando.

— Espere. — Lunna de repente as interrompeu. — Olhem!

Lily franziu as sobrancelhas.

— Isso é…

— Bullying? — Essa era uma nova palavra que elas haviam aprendido de Sua Majestade.

Elas viram cinco ou seis garotos, que pareciam ter uns dez anos de idade ou mais, cercando duas garotas e discutindo bastante. As duas garotas se comportavam de maneiras completamente diferentes: uma estava na frente com os braços abertos para bloquear os garotos, enquanto a outra estava se escondendo atrás, com uma expressão de medo no rosto.

Como as aulas do ensino fundamental não estabelecia uma idade, o estudante mais velho do grupo dos valentões aparentava ter seus 15 ou 16 anos. Ele era mais alto e forte do que as duas garotas combinadas. No entanto, a garota de cabelo curto não ficou intimidada.

As bruxas concluíram, pela leitura labial, que eles estavam discutindo sobre o local de onde vieram… Insultos como “voltem para a Região Leste” e “cachorros do rei rebelde”.

Depois disso, eles começaram a se empurrar. O garoto mais alto atacou primeiro, querendo derrubar a garota, mas assim que ele agarrou o ombro da garota, ela chutou o joelho dele e o fez cair no chão.

A situação na sala de aula imediatamente saiu do controle.

Ágil como um gato, a garota de cabelo curto escapuliu do cerco e deu um chute no garoto gordo, chamando toda a atenção para ela.

Neste momento, os garotos pararam de prestar atenção na outra garota, que não parava de chorar. Eles correram em direção à garota de cabelo curto, que, de forma esperta, usou os outros estudantes na sala para se desviar dos ataques. O corpo pequeno dela a ajudou a chutar precisamente os joelhos e canelas dos valentões, fazendo-os se curvarem de dor.

— Que diabinha feroz! — Lunna ficou atônita.

— É isso aí. Pau neles! — Amy cerrou os punhos e torceu para a garotinha.

— Mas… ela não tem força o suficiente. — Vanila disse, preocupada. — E continuar a atacar os mesmos lugares não vai ajudá-la, já que isso não vai funcionar uma segunda vez.

— Oh? Como você sabe disso? — Lunna olhou para Vanila, surpresa.

— Me-Me desculpe, eu costumava…

— A Igreja te ensinou isso, né? — Evelyn confortou Vanila. — Está tudo bem. Você já passou nos exames de Sua Majestade e confirmou que é diferente das outras Bruxas Puras.

Lily franziu as sobrancelhas, sem dizer uma palavra. Ela concordava com Vanila. Embora os valentões estivessem sendo chutados e parecessem bastante frustrados, eles conseguiam se levantar após um tempo e continuar a perseguir a garota. Desta vez, eles estavam mais atentos, protegendo as pernas para que a garota tivesse menos chance de chutá-los.

De repente, o garoto mais alto pegou uma cadeira e se aproximou da garota para atacá-la por trás enquanto ela estava distraída com os outros garotos.

— Cuidado! — Amy gritou.

Mas o aviso de Amy obviamente não adiantou nada, pois tudo na ilusão já havia acontecido.

A perna da cadeira atingiu a cabeça da garota e a derrubou. No entanto, assim que caiu, a garota conseguiu rolar no chão e escapar dos outros dois oponentes da frente. Em seguida, ela colocou a mão na cabeça e cerrou os dentes.

Os dedos dela ficaram melados de sangue. E também havia sangue escorrendo pelo rosto dela.

O garoto mais alto ficou surpreso ao ver que a garota havia aguentado a porrada. Ele hesitou por um instante, mas logo atirou a cadeira para o lado e se aproximou da garota.

No momento em que todos pensavam que ela estava acabada, a garota de repente começou a gritar bem alto com uma expressão de dor no rosto. Embora a ilusão não tivesse som, a expressão de dor que a garota mostrou fez as bruxas imaginarem a agonia que ela estava sentindo, coisa que não havia acontecido nem quando a garota foi atingida pela cadeira.

Em seguida, um arco de eletricidade saiu dos dedos dela, seguido do segundo, terceiro, quarto… A eletricidade se espalhou pelo chão, deixando trilhas alaranjadas para trás [1]; e quando chegou na janela, houve um clarão.

Num piscar de olhos, uma explosão ofuscante ocorreu. As janelas foram estilhaçadas, e um grande buraco formou-se na parede de trás. Todos os estudantes entraram em pânico e saíram correndo, deixando para trás a garota de cabelo curto, que neste momento estava coberta de eletricidade.

[1] – Não consegui achar uma imagem melhor que essa para representar a cena. Imaginem que rachaduras começaram a aparecer no chão, e a parte de dentro dessas rachaduras está em brasa.

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