Volume 4

Capítulo 731: O Primeiro Contato com as Bruxas de Taquila

O Instrumento Espectral estava no centro do salão principal, irradiando uma luz púrpura.

Quando ativado, o Instrumento Espectral criaria uma “cortina de luz” a milhares de passos de distância. Infelizmente, essa habilidade não pertencia às bruxas. Esse era um poder concedido por Deus.

Pasha olhou para trás e viu que todas as Bruxas da Punição Divina e Seres-de-Tentáculos (Sarcomas) estavam lá, com expressões sérias no rosto. Os corpos ensanguentados das bestas híbridas haviam sido colocados de propósito em ambos os lados do salão, e pareciam sinistros e assustadores.

Se pessoas comuns vissem isso, ficariam aterrorizadas.

Pasha nunca quis que as coisas tivessem chegado a esse ponto. Após o começo da decomposição, os restos das bestas demoníacas ficariam nojentos e fedorentos, e difíceis de limpar. Embora as Bruxas da Punição Divina não possuíssem olfato, os Seres-de-Tentáculos poderiam sentir esse cheiro por meio dos tentáculos. Por mais de quatrocentos anos, este salão havia servido como o lar de todas as bruxas de Taquila, e nenhuma delas sentia vontade de sujá-lo, mas neste momento elas não tinham outra escolha.

Afinal, ninguém sabia se Phyllis estava em perigo e se o Anel Mágico havia sido quebrado por outra pessoa.

Se tamanho desastre tivesse acontecido, seria necessário criar um ambiente assustador para intimidar ou até mesmo ameaçar aqueles que representassem uma ameaça à vida de Phyllis.

A Região Oeste do Reino de Castelo Cinza ficava próximo da entrada das Planícies Férteis, então todo ano muitas bestas demoníacas atacavam o local. Quem quer que tivesse colocado Phyllis em perigo, quando visse a montanha de bestas demoníacas no salão, chegaria à conclusão que as bruxas de Taquila não seriam fáceis de lidar.

Dessa forma, elas mostrariam poder ao inimigo e tomariam as rédeas da negociação.

— Ative o Instrumento Espectral. — Celine disse. — Temos que descobrir logo se Phyllis está bem.

Usando o tentáculo principal, Pasha deu uma ordem ao Instrumento Espectral.

Todas imediatamente viram uma imensa “cortina de luz” envolver todo o salão subterrâneo enquanto imagens começavam a aparecer do outro lado.

Pasha ficou surpresa e confusa.

O que apareceu do outro lado não foi uma masmorra sombria, nem um lugar isolado, e sim um salão de castelo espaçoso.

O salão estava bem iluminado e limpo, com uma mesa longa de madeira no centro, decorada com pequenos arranjos de flores e xícaras. Também não havia sinais de luta, o que indicava que esse lugar havia sido escolhido de propósito para destruir o Anel Mágico.

Neste momento, Phyllis estava conversando com outra bruxa. Ela notou a “cortina de luz” e perguntou, chocada:

— O que aconteceu? O salão foi atacado?

— Eh, bem… — Pasha não soube como responder. Phyllis não estava em perigo, como todas haviam imaginado. Ela não havia sido atacada, nem torturada. Na verdade, parecia que ela estava cheia de energia. Phyllis não estava mais usando aquelas vestes baratas e vulgares de antes, e sim um casaco longo requintando e roupas deslumbrantes.

Todas estavam tão chocadas quanto Pasha. Elas se entreolharam, mas ninguém abriu a boca para falar algo.

— Recentemente, as bestas demoníacas lançaram um ataque, mas os núcleos mágicos e a Relíquia estão seguros. Nós também estamos todas vivas, então não se preocupe. — Sendo a mais experiente, Pasha foi a primeira a se recompor. Em seguida, ela completou: — Porém, os corpos das bestas demoníacas são muitos e ainda não tivemos tempo de descartá-los.

— Verdade? — Phyllis duvidou.

— Eh… Claro que é verdade… — Pasha apontou os tentáculos na direção das Bruxas da Punição Divina atrás dela e disse: — Vocês aí, continuem a descartar os corpos das bestas demoníacas, antes que decomponham.

As Bruxas da Punição Divina, que estavam lado a lado com expressões sérias no rosto, imediatamente ficaram desanimadas.

— Mas tem muitos… Vai dar um trabalhão.

— Levou um dia todo pra empilharmos eles.

— Pois é. Apesar de não termos olfato, isso não quer dizer que não sentimos nojo.

— Parem de reclamar. Vocês querem mesmo dormir no mesmo lugar que essas bestas nojentas?

— Que tal jogarmos as bestas no rio de lava?

— Você tá doida?! Quer transformar todo o labirinto subterrâneo numa chaminé?

— Pfft… — A bruxa de cabelo azul, ao lado de Phyllis, riu. — Suponho que elas acharam que você estava em perigo, então prepararam tudo isso para tentar nos intimidar.

Pasha percebeu que a voz dessa bruxa era um pouco familiar, e quando ela olhou para a bruxa, um nome lhe veio à mente.

— Você é Agatha?

— O quê? — Celine questionou, surpresa. — A Bruxa Sênior mais jovem da história?

— Isso é impossível. Ela morreu quando Taquila foi atacada pelos demônios, não foi?

— Mesmo que ela tivesse conseguido escapar da Cidade Sagrada de Taquila, como que ela conseguiu sobreviver por mais de quatrocentos anos mantendo a mesma aparência?

Todas ficaram perplexas.

— Ela realmente é Agatha. — Phyllis declarou. — Depois que ela foi atacada pelos demônios na torre de pesquisa na Floresta das Brumas, ela usou o Caixão de Gelo para se congelar completamente, conseguindo, ao mesmo tempo, matar todos os demônios que a perseguiam. Quando a União das Bruxas encontrou as ruínas da torre de pesquisa, Agatha foi resgatada.

Então foi isso o que aconteceu.

Ao ouvir isso, Pasha imediatamente se sentiu animada, e uma ideia empolgante veio do fundo de seu coração. Fato é: parecia que Phyllis já havia revelado a identidade dela para as bruxas do Reino de Castelo Cinza. Além disso, ela também havia encontrado Agatha, uma Bruxa Sênior de Taquila. Então Phyllis muito provavelmente havia entrado em contato porque tinha um bom motivo. Talvez, essa Bruxa Sênior fosse a Escolha Divina por quem tanto procuravam.

— Você encontrou a Escolha Divina? — Pasha perguntou.

Ao ouvir isso, Phyllis ficou um pouco envergonhada e hesitou.

Ela primeiramente olhou para Agatha e, em seguida, disse em voz baixa:

— A senhora poderia nos dar um momento? Não vai demorar muito.

Agatha assentiu com a cabeça.

— Quando vocês estiverem prontas, informarei a Sua Majestade. — Ao terminar de falar, ela se virou e saiu do salão.

Em seguida, Phyllis respirou fundo e olhou novamente para Pasha.

— Eu de fato encontrei a Escolha Divina, mas “ELE” é diferente do que pensávamos.

— Espere um momento. Ele? — Pasha ficou atônita.

Em seguida, Phyllis começou a contar tudo.

Falou de como as bruxas colaboravam com as pessoas comuns.

Falou do exército que derrotou a Igreja.

Falou das armas de fogo poderosas.

E, claro, falou da coisa mais inacreditável de todas, que a Escolha Divina era uma pessoa comum.

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