Volume 4
Capítulo 728: Um Contato que Ninguém Esperava
Quando a onda de luz passou por ela, Pasha sentiu como se uma força succionadora estivesse tentando roubar o resto de poder mágico que havia em seu corpo.
Esse efeito só durou alguns segundos, e logo a paz finalmente foi restaurada. Ao mesmo tempo, o salão ficou quieto, como se o poder mágico estivesse tranquilizado.
Por meio dos tentáculos em suas costas, Pasha “viu” que todas as bestas híbridas na área atingida pela onda de luz ficaram rígidas como estátuas, como se tivessem sido petrificadas. Em seguida, essas bestas desabaram no chão, sem emitir um barulho sequer.
Este era evidentemente o melhor tipo de massacre. Nada, nem mesmo o solo, rocha ou pedras poderiam deter o avanço da fúria dos céus. Pasha conseguia imaginar como os andares superiores do labirinto subterrâneo estavam neste momento. Muito provavelmente havia pilhas de bestas híbridas mortas como enxames de insetos. O poder mágico dessas bestas, que era a fonte de vida delas, havia sido dispersado pela onda de luz. Sem o suporte do poder mágico, os corpos mutados das bestas perderiam imediatamente a habilidade de movimento.
Claro, haveria algumas bestas demoníacas normais, menos mutadas, com baixo índice de poder mágico, que sobreviveriam ao massacre, mas esses monstros sem inteligência não representavam nenhuma ameaça à Relíquia.
Desta vez, Celine havia preparado o Instrumento em tempo recorde.
Pasha retirou os tentáculos do chão, sem fôlego. Ela olhou para Alethea e disse:
— Vá checar o andar superior. — Então ela olhou para Elena e perguntou: — Você está bem?
Elena estava coberta de sangue azul; metade do braço dela estava faltando; o cabelo dela estava encharcado de suor, como se ela tivesse acabado de dar um mergulho em algum rio. Mesmo assim, ela falou:
— Estou bem. Todas estão vivas.
Pasha deu um longo suspiro de alívio.
Olhando ao redor, ela viu que as bruxas que ainda podiam se mover estavam em modo de defesa, com escudos nas mãos. Quanto às “exaustas”, estavam largadas no chão, recuperando as energias.
Embora tivessem acabado de passar por uma batalha brutal, elas não pareciam aterrorizadas. Muito pelo contrário, todas sorriam enquanto acenavam para Pasha, parecendo um tanto relaxadas. Aparentemente, todas compartilhavam o mesmo pensamento. Elas viam cada batalha como se fosse a última. Mesmo se elas tivessem que se sacrificar por Taquila, elas fariam isso sem nenhum arrependimento.
Isso quase fez Pasha chorar. Ela sentiu um calor invadir seu coração.
Cada bruxa era igualmente importante. Nos últimos 400 anos, nenhuma nova bruxa havia se juntado a elas, e elas haviam desenvolvido um laço de amizade inseparável. Nada era melhor do que saber que todas estavam vivas.
— Mas eu tenho que mudar de receptáculo. — Elena suspirou. — Poxa… Este daqui era bom. Não sei se haverá um corpo mais forte e bonito do que este.
— … — Pasha não sabia se ria ou chorava. Esta definitivamente não era a melhor hora para discutir esse tipo de assunto. Ainda olhando para Elena, ela perguntou: — Alguém mais precisa trocar de receptáculo?
— Cinco ou seis, eu acho. — Elena contou nos dedos. — Betty teve o estômago cortado durante a batalha, e Isa foi queimada pela lava enquanto protegia Alethea. O corpo inteiro dela foi queimado, exceto a cabeça. As outras perderam um braço ou uma perna, como eu. Elas já foram levadas para realizar a transferência de almas.
— Então você decidiu escolher o receptáculo primeiro antes de transferir sua alma?
— Claro. Não consigo sentir nada nesses corpos, então eu pelo menos devo escolher um que satisfaça meu gosto. — Elena respondeu enquanto franzia os lábios. Ela embainhou sua espada gigante nas costas, mas logo caiu no chão após dar alguns passos. — Droga, esse maldito corpo.
As Bruxas da Punição Divina não conseguiam sentir dor nem cansaço, mas sabiam quando seus corpos estavam prestes a desmaiar ou morrer. Mesmo se elas estivessem espiritualmente ativas, seus corpos de carne ficariam extremamente fracos, como se tivessem saído do controle.
— Deixe que eu te levo lá. — Pasha carregou Elena com seus tentáculos e foi em direção à câmara perto do salão. Essa câmara era o local onde todos os receptáculos de Guerreiros da Punição Divina estavam. — Eu vi alguns bonitos entre os novos guerreiros.
— Uou, você também presta atenção nisso? — Elena olhou para Pasha, interessada.
Pasha tossiu.
— Não se esqueça. Eu também sou uma bruxa, como você.
Depois que as feridas de todas as bruxas foram tratadas, Alethea e Celine trouxeram uma notícia boa e outra ruim. A boa notícia era que as bestas demoníacas no labirinto subterrâneo estavam praticamente todas mortas e que todas as Bestas Voadoras lá fora também haviam fugido. Portanto, não haveria nenhum ataque de grande escala a curto prazo. A má notícia era que duas partes do Instrumento da Retribuição Divina haviam quebrado, o que poderia ser atribuído à maneira apressada com a qual o novo núcleo havia sido construído. Resumindo, elas ficariam sem proteção por pelo menos uma semana.
A má notícia fez Pasha se sentir inquieta, pensando: — Se uma ativação como essa que eu fiz hoje já danificou o núcleo, então como que o Instrumento vai suportar a ativação feita pela Escolha Divina? Isso quer dizer que o Instrumento só pode ser utilizado uma vez?
Quanto mais complicada fosse uma Chave, mais ampla seria a área de efeito da “fúria do céu”. A área de efeito gerada pela ativação de Pasha podia cobrir apenas todo o labirinto subterrâneo, possuindo um raio menor que 1000 passos (500 metros), o que era insuficiente para derrotar os demônios. No entanto, se a Escolha Divina usasse o Instrumento, ela poderia espalhar a onda de luz por mais de 30000 passos (15 quilômetros), mostrando a verdadeira letalidade e poder do Instrumento da Retribuição Divina.
Um pouco triste, Celine disse:
— Nós não temos materiais de boa qualidade que podem sustentar o poder mágico, com exceção da Relíquia, então é normal que esses materiais não atendam ao padrão do núcleo. O Instrumento da Retribuição Divina é, afinal, um produto das divindades. Se pelo menos a Sociedade Expedicionária ainda existisse, nós poderíamos usar a quantidade de ouro e prata que quiséssemos e não precisaríamos consertar o Instrumento toda vez que o usássemos.
— Enfim, não teste o Instrumento de novo neste inverno. Eu não quero passar por esse drama novamente. — Alethea reclamou.
— Bem, nós não… O quê?! — As palavras de Celine ficaram presas na garganta. — Espere aí…
— O que foi? — Pasha perguntou.
— Olhem para o Instrumento Espectral. — Celine se aproximou de outro núcleo mágico menor. — O brilho do núcleo mudou. A Pedra de Cinco Cores foi quebrada!
— O quê?! — Pasha e Alethea exclamaram. Um mal pressentimento as invadiu.
Phyllis só quebraria a Pedra Mágica de Cinco Cores quando tivesse que entrar em contato com o labirinto subterrâneo. Era improvável que ela tivesse encontrado a Escolha Divina em apenas alguns meses. Havia duas possibilidades: uma era que Phyllis havia encontrado problemas e por isso teve que entrar em contato para pedir ajuda. E a outra era que… o Anel Mágico havia sido destruído por outra pessoa. Nenhuma dessas possibilidades era boa.
— Você consegue localizá-la? — Alethea perguntou em voz baixa.
Celine inseriu o tentáculo no núcleo e disse:
— Tá apontando lá para o sudeste… Ela deve estar no território do Reino de Castelo Cinza, perto da entrada das Planícies Férteis.
Inúmeros pensamentos passaram pela mente de Pasha. — A Região Oeste do Reino de Castelo Cinza? Parece que Phyllis chegou ao primeiro destino dela. O que será que forçou ela a quebrar a Pedra Mágica de Cinco Cores? Será que ela se expôs por acidente, ou será que… — Pasha balançou a cabeça, tentando se livrar desses pensamentos.
— O que vamos fazer? — Alethea olhou para ela.
Pasha ponderou, dizendo:
— Ative o Instrumento Espectral para que ele fique pronto até amanhã, como planejado.
Elas preparariam o Instrumento Espectral no menor tempo possível.
Se a Pedra Mágica de Cinco Cores foi quebrada por alguém com más intenções, elas provavelmente seriam expostas às pessoas comuns antes do momento previsto. Mesmo assim, a qualquer custo, Pasha não abandonaria Phyllis. Elas eram as últimas sobreviventes de Taquila, que compartilhavam o mesmo destino.
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