Volume 4

Capítulo 712: Evento Público

Roland acordou tarde como sempre. Olhando para o lado, ele descobriu que Anna não estava mais lá.

Na mesa de cabeceira, estava o café da manhã dele, que obviamente havia sido trazido por Anna. Ao lado do prato, havia um papelzinho com algumas palavras: “Eu sei que você gosta de dormir, por isso não te acordei. Aproveite seu café da manhã.”

— Mesmo nessa ocasião, ela ainda não esquece do trabalho e acorda no horário certo… Ela realmente leva o trabalho muito a sério.

Roland balançou a cabeça, sorrindo, e se levantou da cama. Embora houvesse aquecedores no castelo, não era fácil sair do cobertor quentinho no inverno. A água da bacia de madeira que Anna usava para lavar o rosto ainda estava morna. Roland também a usou para lavar o rosto, em seguida, pegou o café da manhã e foi para o escritório.

Quando ele abriu a porta do escritório, viu que Barov e Edith já estavam esperando por ele. Rouxinol estava sentada no lugar de sempre dela, perto da lareira. Ela estava lendo algum livro ilustrado enquanto mastigava peixe seco, com uma expressão relaxada no rosto.

— Oh, vocês vieram cedo. — Roland os cumprimentou casualmente, como se não tivesse nada de errado. — Sentem-se antes de me contarem o motivo de vossas vindas.

— Eh… — O Diretor da Prefeitura tossicou (limpou a garganta), parecendo já estar acostumado com o jeito de Roland. — Vossa Majestade, as preparações logísticas para atacar o Extremo Sul já foram concluídas. O trabalho de recrutamento para os soldados da reserva também está indo bem. O número de integrantes do Primeiro Exército chegará a sete mil soldados na próxima primavera; uma força incomparável nos Quatro Reinos.

— Concordo que não há ninguém que possa derrotar o Primeiro Exército nos Quatro Reinos. — Edith interrompeu inesperadamente. — Mas as forças que Sua Majestade terá que lidar no futuro não são esses nobres e cavaleiros estúpidos.

Roland sorriu. Ele abriu o relatório na mesa e disse:

— Realmente. Se quisermos derrotar os demônios, precisamos acelerar ainda mais o trabalho de crescimento da população e do exército. Para não afetar a cadeia produtiva durante a guerra, devemos conseguir o máximo possível de soldados para o Primeiro Exército.

Normalmente, coisas como o recrutamento de soldados e a logística para os suprimentos de guerra deviam ser feitas pelo Primeiro Exército. Porém, Machado de Ferro e alguns generais sob a liderança dele não tinham muito estudo, ou seja, eles não sabiam muito sobre finança e administração. Então quando o assunto era preparação de recursos, Barov tinha que oferecer-lhes ajuda.

Já que o número de integrantes do Primeiro Exército havia crescido, as tarefas administrativas obviamente ficariam mais difíceis. A estrutura de administração simples que Roland havia estabelecido não atenderia aos requisitos para o desenvolvimento futuro. Talvez fosse a hora de realizar algumas reformas no sistema militar.

Roland se concentrou no relatório. De acordo com o plano elaborado por Machado de Ferro, mil soldados seriam enviados para atacar o Extremo Sul. Quinhentos soldados partiriam da Cidade de Primavera Eterna e se encontrariam com mais quinhentos soldados estacionados na Serra do Dragão Caído. Após isso, eles avançariam em direção à Cidade da Areia de Ferro pelo Curso da Água Prateada.

Contanto que eles levassem dois Canhões Cancioneiros de 152mm com eles, não seria difícil conquistar a Cidade da Areia de Ferro. Mas a chave para conquistar a Nação da Areia não estava na captura de território, e sim no Duelo Sagrado, então a missão principal do Primeiro Exército era manter a ordem e escoltar o líder.

A Prefeitura podia administrar o trabalho de logística para os mil soldados com grande eficiência e sofisticação nos detalhes. Já havia passado o tempo em que o líder tinha que participar de tudo pessoalmente. As preparações eram tão sofisticadas que geralmente surpreendiam Roland, o que obviamente era o resultado das experiências acumuladas ao longo das batalhas.

— Tudo certo. — Roland fechou o relatório e olhou para a Pérola da Região Norte. — Você tem algo a dizer?

Roland sabia que, se fosse apenas para entregar o relatório, Edith não viria com Barov, já que ela não era do tipo de pessoa que gostava de disputar crédito.

— Sim, Vossa Majestade. — Edith respondeu com um aceno de cabeça. — Machado de Ferro me disse que o senhor planeja realizar um exercício de disparo de canhões, é verdade?

— Sim.

— Me pergunto se… esse exercício de disparo pode incluir os cidadãos da Cidade de Primavera Eterna como espectadores. — As palavras dela despertaram o interesse de Roland. — Se seus súditos puderem presenciar essa cena espetacular, isso aumentará o entusiasmo deles para se juntar ao Primeiro Exército e os dará confiança para lutar contra os demônios no futuro.

— Não sei se isso seria uma boa ideia. — Barov disse, franzindo as sobrancelhas. — Você já viu uma cena de explosão antes? E se eles ficarem assustados e pensarem que é uma Punição Divina?

— Então será uma Punição Divina sob o controle de Sua Majestade. Contanto que a propaganda seja bem executada, o temor do povo pode ser minimizado. — Edith disse sem rodeios. — Até mesmo os nobres ocasionalmente realizam competições entre os cavaleiros para decidir quem é o mais bravo. Além de oferecer entretenimento, isso também servirá para demonstrar o poder militar do lorde.

— Mas canhões são diferentes de armas leves.

— É só demarcarmos as áreas onde ficarão os espectadores e enviarmos uma equipe de policiais para manter a ordem. Tendo em vista o espaço limitado, vender ingressos seria uma boa opção… Duas moedas de prata por ingresso atrairá uma quantidade razoável de pessoas e ainda trará uma renda extra para a Cidade de Primavera Eterna. — Edith falou com tranquilidade e confiança, o que obviamente mostrava que ela veio preparada. — Além disso, também podemos criar um público alvo. Só aqueles cuja idade estiver entre quinze a trinta anos poderão comprar os ingressos, pois, no futuro, eles representarão a força principal de cada setor produtivo da Cidade de Primavera Eterna. Aumentar a fé deles será útil na Batalha da Vontade Divina. Já para os trabalhadores de alguns departamentos importantes, tal como os oficiais da Prefeitura, eu acho que devia ser obrigatório eles assistirem esse exercício de disparo…

Roland ficou muito surpreso. — Isso soa como um evento público. Essa proposta não apenas enriquece o exercício de disparo, como também mostra sensibilidade política e financeira. Talvez ela seja a pessoa que vai me ajudar a realizar uma boa reforma militar.

Com esse pensamento, Roland assentiu com a cabeça e disse:

— Parece bom. Faça-o.

Realmente, a Cidade de Primavera Eterna precisa de inspiração.

Quando May passou pela praça carregando uma cesta cheia de cogumelos shimeji, ela notou que havia uma multidão no local. Embora nevasse, as pessoas pareciam não se importar.

Ela se aproximou da multidão, curiosa que só. Um “agente publicitário” estava gritando para as pessoas:

— Sua Majestade, o rei, realizará um exercício de disparo de canhões daqui a três dias no lado leste da muralha da cidade, que, adivinhem, é a primeira linha de ataque contra as bestas demoníacas. Vocês desejam ver com seus próprios olhos como as armas mais novas e avançadas explodem as bestas demoníacas em pedaços? Vocês querem sentir o poder da ira divina? Então se apressem e solicitem seus ingressos na Prefeitura! Se vocês forem qualificados, com apenas duas moedas de prata, terão a chance de apreciar a bravura indômita dos soldados da Região Oeste. Os assentos são limitados. A oportunidade é rara. Se vocês perderem essa chance, terão que esperar até o próximo inverno!

Essa é uma nova ideia de Sua Majestade? Até mesmo as palavras usadas na propaganda são únicas. — May franziu os lábios. — Carter provavelmente ficará bastante interessado nisso. Mas ele não precisa comprar um ingresso na Prefeitura. Como Cavaleiro Chefe, ele com certeza vai acompanhar Sua Majestade e comparecer ao exercício de disparo.

Quanto a si mesma, ela nunca gostou de coisas relacionadas a lutas ou matança.

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